Combate a diabetes e excesso de peso ganha um novo aliado

Disponível nas farmácias brasileiras a partir da primeira quinzena de maio, o Mounjaro chega como mais uma alternativa no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O médico especialista em emagrecimento e saúde integrativa, Lucas Penchel, explica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é uma molécula inovadora que imita a ação de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, atuando diretamente na regulação da saciedade, do apetite e da glicemia. “A medicação ajuda a reprogramar o metabolismo da pessoa, atuando na melhora da glicose e de alterações metabólicas, como a gordura no fígado. Além disso, promove a desinflamação do organismo e contribui para a melhora geral do metabolismo. Por todas essas características peculiares, proporciona uma perda de peso superior à de qualquer outro remédio, sendo a primeira droga comparada à cirurgia bariátrica por possibilitar uma redução maior que 20% do peso corporal”. Penchel ressalta que fatores como sedentarismo, sono de má qualidade, alterações hormonais, ansiedade, uso de medicamentos, metabolismo lento e compulsão alimentar contribuem para o ganho de peso. “A maioria das medicações atua apenas no emagrecimento. No entanto, as causas subjacentes não são tratadas. Ou seja, a pessoa emagrece, mas continua dormindo mal ou apresentando disfunções metabólicas, o que faz com que readquira o peso na maioria das vezes”. “Além do uso de medicamentos, é fundamental um acompanhamento multidisciplinar para tratar fatores que levam ao excesso de peso, como a melhoria do sono, a prática regular de atividade física, a identificação e correção de desequilíbrios hormonais, a hidratação adequada e a criação de uma rotina saudável. Também é essencial abordar questões emocionais, como a ansiedade, que pode levar à compulsão alimentar e comprometer os resultados a longo prazo”, acrescenta. Antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento, é imprescindível realizar um acompanhamento adequado, orienta Penchel. “Sabemos que o efeito sanfona é extremamente prevalente e, muitas vezes, ocorre após a interrupção do uso de medicamentos, especialmente em pessoas que não têm frequência no consultório. O efeito sanfona é muito mais prejudicial para a saúde do que a própria obesidade”. Efeitos colaterais A endocrinologista Alessandra Rascovski alerta que o uso da tirzepatida sem acompanhamento especializado pode acarretar riscos significativos para o paciente. “Perda de peso temporária e efeitos colaterais como náuseas, gastrite, risco nutricional por baixa ingestão de proteínas, pancreatite, alterações renais por desidratação e distúrbios neuropsiquiátricos. O acompanhamento médico é fundamental para identificar e tratar rapidamente possíveis complicações”. Venda apenas com receita Em abril, a Anvisa determinou que a venda do Mounjaro e de outras canetas emagrecedoras só poderá ser realizada mediante retenção da receita médica. Alessandra avalia que a decisão é pertinente. “Um uso racional, orientado por profissional de saúde, permite um melhor controle sobre a utilização da medicação, além de garantir o acesso para quem realmente precisa. O monitoramento da evolução do tratamento também se torna mais provável com a exigência da receita”. Ela ressalta que, apesar do grande potencial desses medicamentos para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, surgem novos desafios relacionados ao uso indiscriminado. “São medicamentos revolucionários. Para os pacientes que realmente necessitam, especialmente com a classe dos agonistas duplos, como a tirzepatida, os resultados têm sido muito positivos e com menos efeitos adversos. No entanto, a prescrição responsável e a educação do paciente, reforçando que essas drogas são auxiliares e não substituem mudanças no estilo de vida, representam um grande desafio para os médicos”.

Novo presidente da AMM promete atuar pela união dos 853 municípios

O prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, eleito presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), toma posse durante o 40º Congresso Mineiro de Municípios, que será realizado nos dias 6 e 7 de maio, em Belo Horizonte. O evento reúne, anualmente, prefeituras, órgãos públicos, autoridades políticas, entidades de classe e empresas que apresentam soluções para as cidades e seus administradores. Falcão foi o primeiro prefeito reeleito da história de Patos de Minas, com 85,19% dos votos válidos, e assume a AMM com o compromisso de unificar e ajudar todos os 853 municípios mineiros. “Quem é prefeito e prefeita sabe a dor da sua cidade. Vamos buscar recursos e auxiliar todos os municípios que precisarem da gente. Essa é uma gestão para todos e tenho falado isso desde que decidi me colocar à disposição dos chefes do Executivo de Minas Gerais. Não podemos pensar em uma associação que atenda parte das cidades ou priorize apenas algumas. Temos que mostrar a força que Minas Gerais possui e participar de todas as conversas importantes que vão gerar conquistas e benefícios para os cidadãos mineiros”, explica. Entre os principais compromissos do presidente eleito da AMM está a ação política para as menores cidades, que acabam tendo maior dependência do repasse de recursos do governo federal. “Além da inversão do pacto federativo, que é luta antiga, vamos trabalhar para mudar os critérios de divisão dos recursos, principalmente para os municípios menores, que são quase 500 com o FPM 0.6. Os municípios médios e grandes têm suas próprias ferramentas, têm recursos próprios, equipes mais adequadas. Já os menores dependem de recursos vinculados e têm pouquíssima margem para fazer até o que é básico”, completa o líder municipalista. A posse oficial será no último dia do 40º Congresso Mineiro de Municípios, no dia 7 de maio, às 17h30. Toda a diretoria eleita será empossada e assumirá os trabalhos na associação já no dia seguinte. O trabalho de transição entre as gestões já foi iniciado. “A nossa intenção, com a ativa participação de toda diretoria, é dar continuidade aos processos que funcionam e fazer cada vez mais com que os gestores entendam que aqui nós vamos apoiar, auxiliar, ajudar e conduzir o que for necessário para ver os municípios se desenvolvendo dia a dia. Minas Gerais precisa ser protagonista e tem força para isso”, finaliza Falcão.

Estudo aponta aumento de 80% na incidência de câncer entre jovens

Com mais de 1,8 milhão de casos, cada vez mais jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo. O aumento foi de 80% em novas ocorrências entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas (1990-2019), segundo um estudo publicado na revista britânica BMJ Oncology. O tumor de mama foi o mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago. Mais de 1 milhão de pessoas dessa faixa etária morreram em decorrência de tumores em 2019, um aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o índice global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de 31% e 21%, respectivamente, em 2030. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos a cada ano do triênio de 2023 a 2025, uma soma que resultará em mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. Para o presidente do Instituto Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, as medidas-chave para conter o avanço desses índices estão nas políticas de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos custos, tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”. Já para a cirurgiã oncológica, docente na Faseh e mestre em Ciências Aplicadas à Oncologia, Fernanda Parreiras, esse crescimento expressivo reflete, em parte, justamente os avanços na detecção precoce. “Exames mais sensíveis e maior conscientização da população fazem com que hoje encontremos tumores que antes só seriam diagnosticados em estágios avançados. Porém, não podemos atribuir tudo ao diagnóstico, há, de fato, uma verdadeira elevação na ocorrência de alguns tipos de câncer em adultos jovens, que em alguns casos estão relacionados a fatores genéticos e também, ou exclusivamente, aos fatores ambientais, como hábitos de vida associados ao aumento da obesidade, uso e abuso de substâncias químicas, exposição à agentes agressores e outros”. “O sedentarismo, por exemplo, contribui para o acúmulo de gordura corporal e inflamação crônica de baixo grau, ambos ligados a maior risco de câncer de cólon, mama e endométrio. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados promovem obesidade e resistência à insulina, condições prótumorais. Além disso, o estresse crônico altera o equilíbrio hormonal e reduz a eficiência do sistema imunológico em reconhecer e eliminar células anormais. Assim, um estilo de vida desequilibrado cria um ambiente interno que facilita o surgimento e a progressão de tumores”, explica. Prevenção Fernanda destaca que a vacinação contra HPV e hepatite B, reduz significativamente os cânceres de colo de útero, orofaringe e fígado; mudança de hábitos; proteção solar; e aconselhamento genético, em famílias com histórico de câncer precoce, permite rastreamento e intervenções personalizadas, são alguns dos cuidados que as pessoas podem ter para se prevenir. Ela cita ainda alguns sinais de alerta que esse grupo não pode ignorar. “Nódulos ou caroços persistentes em qualquer região do corpo; feridas que não cicatrizam em boca, pele ou genitais; sangramentos anormais nas fezes, na urina, no corrimento vaginal ou no vômito; perda de peso inexplicada superior a 5% do peso corporal em seis meses; dor persistente sem causa aparente; e mudanças na pele, como pintas que alteram de cor, tamanho e bordas irregulares”, finaliza.

Decisão do STF amplia incerteza na contratação de pessoa jurídica

Uma determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspende temporariamente todos os processos no país que discutem a legalidade da contratação de trabalhadores como Pessoa Jurídica (PJ), buscando evitar a formação de vínculo empregatício formal. Na decisão, o ministro destacou que a controvérsia tem sobrecarregado o STF, devido ao alto número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes instâncias, desconsideram entendimento já firmado pela Corte. O Supremo autoriza a terceirização, inclusive da atividade-fim das empresas, e não apenas de serviços de apoio como limpeza e vigilância. Para entender os impactos da medida, o Edição do Brasil conversou com o advogado trabalhista Airton Rafael Bier. Qual é o impacto imediato da decisão para os trabalhadores que questionam a “pejotização” na Justiça? Quem tem um processo ativo deve ficar atento, pois ele ficará suspenso até que haja uma decisão definitiva. Isso pode gerar frustração com a paralisação processual e, futuramente, com a possível mudança de entendimento já consolidado na jurisprudência. Na prática, o que muda com a suspensão desses processos? O momento é de incerteza. Para quem já possui uma relação ativa, a suspensão não interfere por agora, mas poderá impactar caso a decisão final seja contrária ao que foi formalizado. Já para quem está prestes a assinar contrato, a indefinição pode levar à suspensão da contratação, por não se saber qual será o entendimento jurídico prevalente. A decisão menciona o descumprimento de entendimentos anteriores do STF por parte da Justiça do Trabalho. Isso pode indicar um conflito de competência entre eles? Não é de hoje a tensão entre a proteção social e a liberdade contratual. O STF vem sinalizando ser adepto da liberdade de ajuste entre as partes, mas a Justiça do Trabalho, fixada em princípios basilares da relação empregatícia, vem afastando contratos que não seguem ou não atendem ao previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse sentido, o conflito de competência já está posto, entre justiça comum e justiça do trabalho. Não um conflito com o STF, pois ambos os caminhos podem ser na Corte Suprema. Agora, o que se espera, é uma decisão que coloque fim ao conflito, decidindo se compete ao Juízo da Justiça Comum ou ao Juízo da Justiça do Trabalho resolver questões que envolvam o contrato de prestação de serviços. O julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1532603 pode influenciar o futuro das relações de trabalho? Seria ideal que essas questões fossem resolvidas pelo Legislativo, mas, diante da omissão, cabe ao STF se posicionar. Se a Corte considerar lícita a pejotização mesmo com indícios de vínculo empregatício, haverá um enfraquecimento da proteção da CLT e expansão desse tipo de contratação. Se, ao contrário, reafirmar a proteção ao trabalho subordinado, a CLT será fortalecida e a pejotização limitada. Quais são os riscos e benefícios da “pejotização” para empresas e trabalhadores?Quando realizada de forma correta, pode beneficiar ambos os lados, proporcionando mais autonomia ao profissional e flexibilidade à empresa. No entanto, ao disfarçar relações de emprego, prejudica os trabalhadores mais vulneráveis, resultando em perda de direitos, queda da renda e do consumo, o que afeta negativamente a economia. O governo federal classificou a “pejotização” como prática de “impacto nefasto” sobre a arrecadação. Esse argumento pode influenciar a decisão do STF? É esperado, sim, que o STF considere impactos econômicos e sociais, cumprindo seu papel mais amplo. Sem dúvida é uma decisão que repercute em todos os aspectos.

Nome de Walfrido dos Mares Guia é mencionado para o pleito de 2026

Tendo como atração uma apresentação do humorista Fernando Ângelo, aconteceu na semana passada, nos dourados salões do Automóvel Clube, em Belo Horizonte, mais um encontro de ex-deputados estaduais. Esse foi o evento, em forma de almoço, destinado a manter esses políticos em contato permanente, quando se discute sobre os mais diversos assuntos, inclusive em relação à tradicional política de Minas Gerais. O ex-deputado Paulo Pettersen, um dos presentes ao certame, disse que “não se tratou especificamente sobre nenhum nome ou preferência por projetos políticos, mas, ao pé do ouvido, foram sussurrados temas com vistas ao pleito de 2026”. Walfrido dos Mares Guia O almoço/reunião contou com uma lista de 30 ex-deputados mineiros. Porém, coube ao organizador, João Pinto Ribeiro, anunciar a presença de surpresa, para muitos, do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Com seu estilo de comunicação fácil, o convidado foi logo dizendo que estava ali sem missão específica, apenas para participar da confraternização. Mas a realidade é que o seu nome imediatamente foi lembrado para disputar o Governo de Minas, embora tenha se esquivado do tema. Indagado qual o real objetivo do acontecimento, o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Queiroz, pontuou que compareceu ao evento mais para ouvir do que propriamente emitir opinião. Para ele, foi um lance agradável, se traduzindo em uma reunião amistosa, compartilhada por velhos companheiros. A possibilidade do próprio Mares Guia ser o nome para disputar o Governo do Estado é uma novidade. Até porque, a imprensa de Minas tem conhecimento de uma articulação feita pelo presidente Lula (PT), com a finalidade de incrementar a possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Segundo fontes de Brasília, o ex-ministro estaria com a missão de sondar sobre as chances políticas do senador no âmbito dos políticos estaduais. Na outra ponta desse projeto, uma informação descreve, inclusive, a possibilidade da mudança de partido por parte do senador Pacheco, que estaria retornando ao MDB. No entanto, sob condições especiais de ser eleito o presidente da legenda estadual. Esse movimento já prevê até mesmo uma estratégia para acomodar o atual presidente emedebista, o deputado federal Newton Cardoso Júnior. Contra ele, pesa o fato de o MDB ostentar hoje apenas dois representantes na Câmara Federal, ou seja, ele próprio e seu colega Hercílio Diniz. Já no parlamento estadual, as duas cadeiras da sigla estão ocupadas, respectivamente, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite, e pelo líder do Governo, João Magalhães.

2,4 milhões de brasileiros estão cadastrados no “Celular Seguro”

Segundo o Ministério da Justiça, mais de 2,4 milhões de brasileiros se cadastraram no aplicativo “Celular Seguro”, que é o programa que visa combater o roubo e o furto de aparelhos em todo país. Recentemente, o projeto entrou em nova fase, e agora passa a enviar notificações para o aparelho roubado, furtado ou perdido para incentivar a devolução voluntária. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora, 107 celulares são roubados ou furtados no país. Em 2023, foram registrados 937 mil aparelhos que estavam nessa situação. O Edição do Brasil conversou sobre o tema com a professora de Direito Criminal da Uniarnaldo Centro Universitário, Renata Furbino. O projeto “Celular Seguro” é a melhor medida para combater o crescimento desse tipo de delito?O programa é um avanço no combate aos roubos e furtos, porque facilita o bloqueio rápido de aparelhos e contas vinculadas. Ele atua mais como uma medida de rastreio e bloqueio de uso dos celulares furtados, todavia, esse tipo de crime é um problema complexo e estrutural, que envolve o desmantelamento do mercado ilegal e suas conexões. A iniciativa do governo de implementar o projeto é ótima e espero que seja cada vez mais aperfeiçoada. De que maneira o mercado de revenda de celulares roubados contribui para o aumento desses crimes?A existência de um mercado ativo para a revenda de celulares roubados, inclusive no exterior, como países onde o bloqueio brasileiro não tem efeito, estimula diretamente a prática do crime. Esses aparelhos têm alto valor de revenda e servem não só como dispositivos de comunicação, mas também como ferramentas para práticas de crime, como estelionato. Enquanto houver demanda e facilidade em revenda, haverá incentivo para a subtração desses bens. O que explica o número cada vez mais alto desse tipo de delito?Diversos fatores ajudam a explicar esse aumento, por exemplo, o celular se tornou uma espécie de banco na palma da mão, com acesso direto às contas, cartões e dados sensíveis. Além disso, é um alvo fácil, especialmente em grandes centros urbanos. A dificuldade de encontrar os autores dos crimes e a facilidade de escoamento do produto roubado completam esse cenário. Existe uma relação desse crime com o fortalecimento de facções?Sim. As facções criminosas se aproveitam desse tipo de crime para circular e gerar dinheiro com rapidez e constância. Elas operam redes de receptação de celulares roubados e cooptam os jovens para executarem os furtos e roubos. Com isso, fortalecem seu poder territorial e financeiro. Que papel as empresas de tecnologia podem ter para deixar as pessoas mais protegidas?As empresas têm um papel fundamental. Elas podem tornar os aparelhos menos atrativos para o mercado ilegal por meio de sistemas que inutilizem totalmente o celular após o roubo, mesmo com formatação. Além disso, há espaço para parcerias com o poder público para rastreamento mais eficiente e integração de dados em tempo real com autoridades. O que mais pode ser feito para reduzir o número de furtos e roubos de celulares além desse programa?É fundamental investir em investigação e atuação coordenada de inteligência para desarticular as redes de receptação e revenda de aparelhos celulares que são fruto de roubo ou furto. A melhoria na iluminação pública, o monitoramento por câmeras, o policiamento ostensivo em áreas críticas e campanhas de conscientização também são medidas complementares importantes que podem contribuir na redução desse tipo de delito. O tema segurança pública tem que ser tratado de maneira diferente pelos nossos governantes?Certamente. A segurança pública precisa ser encarada de forma integrada, um agir que envolva uma ação planejada de todos os entes federativos, atuação de prevenção e repressão pautadas em inteligência e compartilhamento de dados cruciais para a investigação. Analisando o momento atual, você acredita que podemos ter uma diminuição desse tipo de crime, em curto prazo?A curto prazo, penso ser difícil prever uma queda significativa na quantidade de furtos ou roubos de dispositivos celulares. O número de armas em circulação aumentou, há dificuldades claras na investigação dos crimes e o mercado ilegal de revenda do produto permanece aquecido. No entanto, diversas ações coordenadas e efetivas, como repressão às redes de receptação, melhoria na tecnologia dos aparelhos e campanhas de conscientização e prevenção, podem começar a produzir resultados cada vez mais concretos.

Síndrome de Tourette afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo

A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico que se manifesta principalmente durante a infância e adolescência, caracterizado por múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, presentes por mais de um ano. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome acomete cerca de 1% da população mundial, aproximadamente 80 milhões de pessoas. Segundo a neurologista Camila Borges, “os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e recorrentes. Eles podem ser simples, como piscar os olhos, ou complexos, como saltar ou repetir palavras. A coprolalia, que envolve o uso involuntário de palavrões ou expressões inapropriadas, é um sintoma presente em uma minoria dos casos, mas frequentemente associada ao estigma social. É importante compreendê-la como um sintoma neurológico involuntário. Os xingamentos não refletem a personalidade ou os valores da pessoa, mas sim uma condição que está fora de seu controle”. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições e os tiques variam em intensidade e frequência e tendem a piorar em situações de estresse ou ansiedade. Camila diz que a Tourette raramente aparece sozinha. “É muito comum que venha acompanhada de outros transtornos, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e dificuldades de aprendizagem”. O psiquiatra Rafael Monteiro explica que é essencial que os sintomas estejam presentes por pelo menos um ano e comecem antes dos 18 anos. “Às vezes, os pais demoram a procurar ajuda, achando que os tiques são apenas manias ou nervosismo. Mas quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida da criança”. A síndrome não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, muitas vezes, a simples observação e apoio psicológico são suficientes. Nos casos moderados a graves, podem ser indicados medicamentos como antipsicóticos, relaxantes musculares e antidepressivos. “A Terapia de Intervenção Comportamental para Tiques (CBIT) ajuda o paciente a reconhecer o impulso do tique e desenvolver respostas concorrentes para impedir sua manifestação, antipsicóticos são utilizados para reduzir a intensidade dos tiques. Além disso, existem diversos medicamentos que podem ser eficazes, especialmente em crianças”, esclarece. A educação da família e da escola também é fundamental. A empatia e o acolhimento ajudam a reduzir o estigma social e melhoram o desempenho acadêmico e social dos jovens com Tourette”. Monteiro ressalta que apesar de retratada muitas vezes de forma caricata na mídia, a condição é uma condição real que pode ser desafiadora. O desconhecimento sobre a síndrome ainda gera preconceito, isolamento e até bullying. “Informar-se é o primeiro passo para combater o estigma. Pessoas com Tourette são inteligentes, criativas e capazes. Com apoio e tratamento adequado, podem levar uma vida plena”. A cantora Billie Eilish falou abertamente sobre os desafios de conviver com a síndrome de Tourette, descrevendo a experiência como “extremamente exaustiva”. Durante uma participação em um programa em 2022, ela foi registrada tendo um tique enquanto conversava com o entrevistador. A artista afirmou que sente grande satisfação em compartilhar sua vivência com a condição, pois acredita na importância de falar sobre o assunto. No entanto, ela também destacou que nem todos reagem bem quando presenciam um de seus tiques.

Sintomas de Parkinson vão além dos tremores

  Doença que atinge cerca de 200 mil brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Parkinson acontece devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Elas produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição dela afeta os movimentos do paciente, causando os sintomas. A doença pode afetar qualquer indivíduo, mas tende a atingir os mais idosos. A grande maioria das pessoas, geralmente, apresenta os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. Porém, também pode surgir em idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. O neurologista Augusto Coelho explica que cerca de 80% dos pacientes com Parkinson têm tremores, mas esclarece que esse não é um sintoma definidor para o diagnóstico da doença. “O mais importante é a lentidão, pois, sem ela, não tem como fazer o diagnóstico. Outro sintoma que é muito marcante também é uma rigidez nos braços e pernas, que causa dores aos pacientes em muitos casos”. “Hoje nós sabemos que existe uma série de outros sintomas não motores que podem acontecer até muito mais precocemente do que o tremor e a lentidão. Por exemplo, destaco o intestino preso, alguns distúrbios do sono e dificuldade em sentir os cheiros, que podem acontecer até dez anos antes do tremor e da lentidão”, acrescenta. A aposentada Cleide Lovato recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 45 anos. “Comecei a perceber um pequeno tremor no meu dedo, o polegar da mão esquerda, e depois percebi que a minha perna esquerda estava arrastando quando eu caminhava. Fui em busca de um neurologista para saber o que estava acontecendo. Hoje em dia, consigo fazer serviços domésticos, além de manter uma rotina de cuidados contando com terapias coadjuvantes da doença. Não esconda a doença, mantenha sua rotina de atividades o mais próximo possível do que você fazia antes”.   Diagnóstico Coelho destaca que o diagnóstico para o Parkinson acontece a partir de uma avaliação clínica. “Buscamos verificar se o paciente está com um histórico condizente com a evolução clínica da doença e, especialmente, com exame neurológico e exame físico, procurando tremor, lentidão e rigidez. Exames de imagem podem ser usados, mas para descartar outras possibilidades”.   Conscientização é importante Ele avalia que quanto mais a população compreender a doença, mais fácil será dar um suporte aos pacientes. “Uma das formas é a sociedade se organizar para conseguir que eles tenham esse acompanhamento multidisciplinar. No dia a dia, respeitar as limitações que esses pacientes podem ter ao longo da vida é algo essencial”. Os pacientes e também familiares devem ficar atentos à oferta de tratamentos milagrosos para a cura da doença nas redes sociais, lembra o neurologista. “Qualquer tipo de tratamento que esteja fora do que foi estudado pela comunidade científica deve ser verificado em fontes confiáveis”, finaliza.   Mês da tulipa vermelha O quarto mês do ano é dedicado à conscientização da doença. Desde 1998, no dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.

Setor mineral estima investimento de US$ 68 bilhões em cinco anos

  O setor mineral prevê um investimento de US$ 68 bilhões para o período de 2025/2029. É um aumento de cerca de US$ 4 bilhões em relação ao período anterior (2024/2028), um crescimento de 6,6%, segundo dados de entidades ligadas ao segmento. O minério de ferro tem a maior participação no volume de recursos (28,7%): US$ 19,59 bilhões (+13,4%). O segundo da lista se refere às projeções dos investimentos socioambientais, que saltaram de US$ 10,67 bilhões para US$ 11,33 bilhões (+6,2%). Em seguida estão os aportes em logística: US$ 10,9 bilhões (+5,2%). Minas Gerais, Pará e Bahia receberão o maior volume de aplicações de recursos: US$ 16,5 bilhões; US$ 13,48 bilhões; e US$ 8,99 bilhões, respectivamente. Os investimentos em múltiplos estados somam mais de US$ 12,7 bilhões. O economista Ricardo Paixão explica que o investimento no setor mineral é impulsionado por diversos fatores. “Podemos citar a demanda global por minérios estratégicos e o potencial geológico brasileiro. Nosso país possui grandes reservas minerais, como ferro, ouro, alumínio e manganês, atraindo capital estrangeiro. Outro fator é estabilidade regulatória, apesar de alguns desafios, o Brasil mantém um marco estável para o segmento, o que aumenta a confiança dos investidores”. “A infraestrutura logística também é outro fator, investimento em ferrovias, portos e energia, melhora a competitividade das exportações de mineral. E a demanda global por minerais estratégicos significa que o avanço da transição energética das tecnologias verdes, como carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, levou à procura por minerais como lítio, níquel, cobre e terras raras”, afirma. Paixão pontua que o impacto do crescimento do investimento é bastante significativo. “O setor responde por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e mais de 20% das exportações totais do país. Com o aumento, podemos esperar geração de emprego direto e indireto, especialmente em regiões interioranas; e aumento da arrecadação fiscal. Podemos citar também uma dinamização das economias locais, com efeitos multiplicadores em serviços, comércio e infraestrutura”. Ele ressalta ainda que existe uma tendência de alta no setor. “Impulsionada pela demanda internacional persistente de países como China, Estados Unidos e da Europa, que demandam muito minerais para indústria e energia limpa. Também a nova corrida por minerais estratégicos, devido ao estímulo de governos e empresas, a transição energética. E a ampliação da capacidade instalada por mineradoras, expansão da Vale e novas operações de mineração de lítio em Minas Gerais e na Bahia”.   Faturamento de 2024 No ano passado, o faturamento do setor mineral foi de R$ 270,8 bilhões. O montante representa uma alta de 9,1% na comparação com 2023. Entre as substâncias minerais, o minério de ferro apresentou 8,6% de elevação no faturamento. O cobre teve 25,2%, seguido por granito (17,9%) e ouro (13,3%). Já entre os estados, Minas Gerais apresentou o maior faturamento anual em mineração em 2024: R$ 108,3 bilhões, crescimento de 4,5%. Pará registrou faturamento de R$ 97,6 bilhões, com alta de 14,4%. E São Paulo registrou R$ 10,3 bilhões, com alta de 12,9%. As exportações de cobre aumentaram 20%, com receita de US$ 4,2 bilhões; as de ouro cresceram 13,5%, US$ 3,96 bilhões, mas decaíram 20,4% em toneladas (61,9 toneladas); e as de nióbio cresceram 5,5%, com receita de US$ 2,4 bilhões. A China foi o principal destino das exportações minerais e foram destinadas 69,7% das exportações em toneladas. Segundo o diretor-presidente da entidade, Raul Jungmann, o crescimento foi impulsionado pela valorização do dólar e também pelo faturamento com o minério de ferro. “O salto ocorreu mesmo em um cenário onde o preço da tonelada no mercado internacional caiu 9%. Tivemos um aumento em termos de produção do minério ferro e, por conta disso, obtivemos também uma expansão em termos de receita”. Conforme o Governo de Minas, de 2019 a 2025, a mineração conseguiu um montante de R$ 113,3 bilhões de investimentos no Estado, gerando mais de 46 mil empregos. Já os minerais críticos foram cerca de R$ 10,4 bilhões e 5,1 mil postos de trabalho criados.

Lula estará em Minas Gerais mais uma vez no final de abril

  O Palácio do Planalto já emitiu um aviso para o senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD), a respeito de uma nova visita do presidente Lula (PT) a Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte. Será no dia 30 de abril, com o objetivo de fazer a entrega de 300 máquinas para atuação no recapeamento de estradas, além de atender ao setor rural. Segundo fontes de Brasília, esse maquinário será repassado diretamente às prefeituras municipais. E, como das vezes anteriores, não se sabe se o ato terá ou não a presença do governador Romeu Zema (Novo).   Pacheco nas eleições Essa sinalização do presidente de prestigiar o político mineiro Rodrigo Pacheco tem ficado cada vez mais nítida. Por exemplo, no dia 7 de abril, em Montes Claros, coube ao parlamentar fazer a saudação aos participantes de uma solenidade com a presença de Lula, onde foi o orador enfático ao defender a democracia, se postando ao lado de um movimento contra o autoritarismo institucional. Para ele, é um erro histórico dos políticos, inclusive de alguns governadores, estarem ao lado dos defensores, os verdadeiros arautos da ruptura democrática. Caso seja confirmada a vinda do chefe da nação à capital mineira, programada para o final de abril, seria a terceira vez que Lula visita o Estado em um prazo de quatro semanas. Auxiliares do presidente rememoram que ele sempre vem a Minas fazer entregas destinadas a beneficiar a população ou incrementar o setor produtivo em geral. Mas, como já estamos em um ano pré-eleitoral, o burburinho político referente ao pleito ao Governo de Minas é um fato. Neste sentido, aumentam as especulações sobre o possível apoio do presidente Lula ao projeto político do senador Rodrigo Pacheco, na peleja de 2026. Nos bastidores, já se propala uma intensificação de contatos do senador com grupos políticos do Estado. Recentemente, ele contabilizou diálogo com 8 partidos políticos, grandes e médios, que já teriam sinalizado um possível engajamento da corrida sucessória, em caso de ocorrer um sim ao projeto majoritário do próximo ano. Pessoas próximas, em Brasília e em Belo Horizonte, avaliam que, em determinado momento, Pacheco terá a necessidade de tomar uma decisão sobre o projeto. Enquanto isso, estão consolidadas as candidaturas, aliás, já debatidas publicamente nas ruas e eventos fechados, dos nomes do vice- -governador Mateus Simões (Novo), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e também do próprio deputado Nikolas Ferreira (PL). Pela entonação dos discursos até então levados ao conhecimento público, o Partido dos Trabalhadores em Minas já teria jogado a toalha, sem a menor pretensão de se postar na dianteira dessa disputa. Aliás, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), verbalizou à imprensa que não se envolverá em qualquer projeto eleitoral no próximo ano, deixando clara a sua pretensão em permanecer como chefe do Executivo do terceiro maior colégio eleitoral mineiro. Apenas para registrar, o nome de Marília sempre é mencionado para fazer parte de uma chapa ao governo, na condição de vice ou mesmo disputando o Senado. Essa declaração da prefeita reflete uma decisão de agora, podendo acontecer um novo posicionamento dela em momento oportuno, para garantir a união dos movimentos progressistas no Estado.