Jarbas Soares não descarta participar do pleito em 2026

Formalmente, nada se fala a respeito da sucessão estadual mineira, porém, nos bastidores, muitas são as conversações e os encontros quando são debatidos assuntos relacionados ao pleito de 2026. Invariavelmente, os nomes do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), senador Rodrigo Pacheco (PSD), Mateus Simões (Novo) e também do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia sempre são mencionados. Nos meandros políticos há uma informação indicando que o atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), também estaria fazendo parte do grupo de políticos com possibilidade de pleitear o Palácio Tiradentes no próximo ano. Inclusive, de acordo com fontes, Tadeu se tornaria presidente do MDB estadual, substituindo Newton Cardoso Júnior, com o objetivo de conquistar mais espaço perante a opinião pública. Relativamente ao nome de Walfrido, o ex-ministro deixou de comparecer em um encontro organizado na sede do Instituto dos Parlamentares Mineiros, com a presença de cerca de 80 ex-deputados. Muitos estavam entusiasmados com a possibilidade dele aceitar colocar o seu nome à disposição da peleja. Jarbas Soares Enquanto isso, aumenta a cotação pelo nome do ex-procurador de Justiça de Minas, Jarbas Soares. Atualmente, ele seria o nome preferido do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, além do PSD mineiro, para disputar o Governo do Estado. Pela conjectura, haveria mais possibilidade desse projeto dar certo se o senador Rodrigo Pacheco desistisse de sua candidatura. Neste caso, Jarbas uniria apoios importantes, incluindo os partidos da ala mais progressista, perpassando pela benção do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ouvido por nossa reportagem, o ex-procurador sentenciou que está observando o cenário e já tem o apoio e os votos de sua família. Ele confirmou que irá se aposentar do Ministério Público em breve, quando então poderá ficar à disposição dos companheiros. Revelou, ainda, o desejo de estruturar uma bancada de advogados. Dentro do PSD, o seu nome é visto de bom grado, por conta de sua capacidade de dialogar com os vários setores da sociedade mineira. Para muitos pessedistas, Jarbas Soares seria um nome novo e sem mácula na política mineira, com a diferença de se tratar de alguém conhecedor da máquina pública, o que facilitaria a sua convivência com os funcionários públicos do Estado.
84% da população negra afirma ter sofrido discriminação racial

Segundo uma pesquisa apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), 84 em cada 100 pessoas negras afirmam já ter sido alvo de discriminação racial. O estudo aborda as vivências de brasileiros que enfrentam diferentes formas de preconceito no dia a dia, em situações comuns da rotina. Os dados revelam que 51,2% das pessoas negras relatam receber um tratamento menos cordial no cotidiano. Entre os indivíduos pardos, esse índice é de 44,9%, enquanto entre os brancos a proporção cai para 13,9%. Além de identificar a presença de discriminação, a pesquisa também investigou os tipos de preconceito vivenciados pelos participantes. Entre as pessoas negras, 84% relataram que a cor da pele foi o principal motivo. Já entre os brancos, esse número foi de 8,3%, e entre os pardos, 10,8%. O estudo também analisou casos em que os entrevistados enfrentaram múltiplas formas de discriminação, destacando que as mulheres negras estão entre as mais afetadas: 72% delas disseram ter sido alvo de mais de um tipo de preconceito. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Como esses dados reforçam o entendimento do racismo como estrutural no Brasil? A desigualdade social no Brasil tem raízes profundas que remontam ao período da colonização. Com a abolição formal da escravidão, em 1888, não foram implementadas políticas públicas eficazes que garantissem a inclusão dos ex-escravizados na sociedade, como acesso a trabalho digno, moradia, alimentação e assistência social. Esse abandono contribuiu diretamente para a configuração da desigualdade social que persiste até os dias atuais. Historicamente, a população branca manteve o controle sobre as estruturas de poder, perpetuando privilégios e exclusões. Que barreiras estruturais impedem o acesso de pessoas negras a melhores posições e salários? A principal delas é o racismo, que consiste na marginalização de indivíduos com base em sua origem racial ou étnica. Essa forma de discriminação deve ser analisada sob múltiplos ângulos, sociais, políticos, religiosos, culturais e geográficos. Historicamente, no Brasil, pessoas negras foram tratadas como inferiores e privadas de direitos básicos. Ao observarmos dados relacionados à renda, ocupação de cargos de liderança nas empresas e índices de violência, fica evidente que a população negra é a mais impactada negativamente. De que forma essas desigualdades impactam a saúde mental e o acesso à cidadania plena da população negra? Mesmo com qualificação igual e ocupando funções idênticas, trabalhadores negros ainda recebem salários inferiores aos de colegas brancos. Além disso, há uma desigualdade evidente na distribuição das ocupações: pessoas negras estão majoritariamente inseridas em profissões com menor reconhecimento social e remuneração reduzida, como motoristas, faxineiras, empregadas domésticas, garis e porteiros. Essas funções são desvalorizadas não apenas em termos profissionais, mas também em relação ao poder aquisitivo que proporcionam. Diante dessas limitações, muitos acabam sendo empurrados para áreas periféricas, favelas e regiões de moradia precária nos grandes centros urbanos, distantes das oportunidades sociais e econômicas. Qual é o papel da sociedade civil na luta contra o racismo? Não basta apenas rejeitar atitudes racistas, é necessário adotar uma postura ativa de enfrentamento ao racismo. A transformação real só será possível quando toda a sociedade, incluindo o setor público, o setor privado e os cidadãos, se comprometer de forma coletiva com a superação dessa injustiça histórica. Isso envolve fortalecer políticas públicas voltadas à população negra e ampliar investimentos em áreas como educação, cultura, saúde e assistência social. O que pode ser feito pelo poder público para promover justiça racial? Atualmente, o problema não é a ausência de políticas públicas, mas sim a falta de recursos financeiros e de estrutura para colocá-las em prática de maneira eficaz. Muitas prefeituras enfrentam limitações orçamentárias que impedem a implementação de ações afirmativas. Também há entraves políticos, visto que muitos gestores municipais pertencem a correntes ideológicas que se opõem a medidas como cotas raciais ou políticas voltadas à população negra. Por isso, a representatividade política também tem papel central nesse processo, o que torna essencial a eleição de pessoas negras para cargos como vereadores, deputados, senadores e governadores.
1% dos brasileiros tem doença celíaca

A doença celíaca afeta cerca de 1% dos brasileiros, o equivalente a pouco mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Trata-se de uma enfermidade autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, que provoca uma reação inflamatória no intestino delgado, podendo comprometer a absorção de nutrientes e desencadear uma série de complicações de saúde. Os sintomas da doença celíaca variam amplamente de pessoa para pessoa, o que dificulta o diagnóstico precoce. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, os sinais incluem diarreia crônica, perda de peso, distensão abdominal, anemia e fadiga. “Porém, muitos pacientes apresentam manifestações atípicas ou até mesmo silenciosas, como dores articulares, infertilidade, osteoporose precoce e alterações neurológicas”. “Em crianças, o quadro pode se manifestar de forma mais aguda, sendo comum observar atraso no crescimento, irritabilidade e vômitos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras condições, como síndrome do intestino irritável ou intolerância à lactose”, explica. A suspeita clínica deve ser seguida por exames laboratoriais específicos, como a dosagem de anticorpos antitransglutaminase tecidual e anti-endomísio. “Se os resultados forem positivos, realiza-se uma endoscopia com biópsia do intestino delgado para confirmação. Importante destacar que o diagnóstico só é preciso se o paciente estiver consumindo glúten regularmente no momento dos testes. Muitas pessoas o eliminam por conta própria antes de procurar ajuda médica, o que pode mascarar os exames e dificultar o diagnóstico”, alerta Isabela. Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total do glúten da dieta. “Mesmo traços da proteína, como os encontrados em utensílios contaminados, podem desencadear reações e causar danos intestinais. Não se trata de uma dieta da moda, mas de uma prescrição médica rigorosa”, enfatiza a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela explica que a adesão estrita é fundamental para evitar complicações como osteoporose, infertilidade, problemas neurológicos e até linfoma intestinal, um tipo raro de câncer. “A adaptação pode ser desafiadora no início, mas hoje o mercado oferece uma variedade crescente de produtos sem glúten. O rótulo precisa ser analisado com atenção. O ideal é procurar alimentos certificados e, sempre que possível, optar por produtos naturalmente livres de glúten, como arroz, milho, batata, frutas e legumes”, aconselha. Segundo Cristina, por ser uma condição genética, a doença celíaca não pode ser prevenida. No entanto, pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença têm maior risco de desenvolvê-la e devem ser acompanhadas de perto. “Nestes casos, é recomendado realizar exames preventivos mesmo na ausência de sintomas”. A gastroenterologista diz que além dos desafios físicos, o aspecto emocional também merece atenção. “Muitos pacientes relatam dificuldade de socialização e ansiedade em eventos sociais. O acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado para ajudar o paciente a lidar com a nova rotina alimentar”. “Associações de apoio a celíacos têm desempenhado um papel importante nesse processo. Grupos em redes sociais e eventos de conscientização ajudam a trocar experiências, divulgar informações corretas e pressionar por mais opções seguras nos cardápios de restaurantes e escolas”, conclui a médica.
Maio impulsiona casamentos e aquece outros setores como eventos e beleza

Para o mês de maio, a previsão é que o mercado de festas e eventos no Brasil movimente mais de R$ 2,9 bilhões apenas com casamentos, de acordo com dados da plataforma Casar.com em parceria com a Assessoria VIP. O levantamento também aponta um aumento de até 32,6% no número de cerimônias previstas para o período, em relação ao mesmo mês de 2024, indicando um forte aquecimento do setor. Além disso, o período, tradicionalmente chamado de “mês das noivas”, faz com que outro segmento também tenha um crescimento significativo: o de beleza. Em Minas Gerais, por exemplo, a expectativa é de um aumento de até 40% no faturamento de empresas do setor, segundo o Sindicato Patronal da Beleza de Minas Gerais (Sindbeleza-MG). Como muitas cerimônias ocorrem em espaços distantes como sítios e chácaras, os profissionais frequentemente recebem valores adicionais pelo deslocamento até os locais dos eventos. De acordo com a cerimonialista, Juliana Muniz, a escolha de maio como o mês preferido para casamentos no Brasil é uma herança cultural que se mantém viva por vários fatores. “Historicamente, maio é associado à figura da Virgem Maria, no catolicismo, o que consolidou sua fama como mês das noivas. Além disso, o clima ameno em grande parte do país contribui para cerimônias mais confortáveis, especialmente em espaços ao ar livre”, explica. A preferência por maio também tem sido reforçada pelo mercado. “As campanhas publicitárias e os pacotes promocionais oferecidos por fornecedores ajudam a manter a atratividade do mês. Muitos casais aproveitam as condições especiais para fechar contratos”, acrescenta. No setor de beleza, o impacto é sentido com intensidade. “Maquiadores, cabeleireiros e esteticistas ajustam suas agendas para atender à demanda crescente. A agenda lota com meses de antecedência, além das noivas, mães, madrinhas e convidadas também investem em serviços completos de beleza, desde penteados até design de sobrancelhas”. Para Juliana, com a tendência de casamentos realizados em locais mais afastados ou ao ar livre, cresce também o número de pedidos por atendimento em domicílio. “Por ser um evento especial, os clientes costumam optar por pacotes mais completos e sofisticados, o que eleva o valor gasto por atendimento. Serviços como teste de maquiagem e atendimento a domicílio também agregam valor, o que ajuda a aumentar o ticket médio dos serviços”. A economista Paula Albuquerque explica que casamentos exigem uma ampla estrutura de produção, o que movimenta empresas de buffet, decoração, iluminação, sonorização, aluguel de espaços, mobiliário, fotografia, filmagem, cerimonial, entre outros. “Com a alta demanda, muitos profissionais são contratados para atuar em cerimônias e festas, como garçons, seguranças, decoradores, músicos e montadores de estruturas. A concentração de casamentos nesse período favorece a criação de pacotes promocionais e acordos antecipados, dando mais segurança financeira para os empreendedores do setor”. Ela diz que fornecedores de eventos registram aumentos significativos na receita durante maio, o que permite novos investimentos em equipamentos, marketing e ampliação de serviços. “Para se destacar em um mercado competitivo, empresas precisam investir em novas tendências, tecnologia, experiências personalizadas e atendimento de excelência, o que impulsiona a modernização do setor”. Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), as famílias com renda mensal superior a R$ 5 mil seguem liderando o consumo no setor, representando cerca de 16% da população brasileira. Embora muitos casais iniciem o planejamento com a intenção de gastar até R$ 40 mil na cerimônia, o levantamento revela que 74% acabam investindo entre R$ 40 mil e R$ 85 mil para realizar o casamento dos sonhos. Em capitais e grandes centros urbanos, esse valor pode ultrapassar os R$ 100 mil, dependendo do estilo e da estrutura do evento. “Para que os gastos com o casamento não ultrapassem o orçamento e não comprometam a vida financeira do casal, o ideal é começar o planejamento com antecedência, definindo um teto de investimento realista e adequado à renda dos dois. Fazer uma planilha detalhada com todos os custos envolvidos ajuda a visualizar prioridades e evitar excessos”, aconselha Paula.
Especulações já dominam os bastidores da política mineira

Entre as muitas especulações que circularam nos bastidores da política mineira, uma em especial chamou a atenção. Diz respeito a uma possível transferência do domicílio eleitoral do deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL) para São Paulo, por sugestão do pastor Silas Malafaia. O objetivo é conquistar uma mega votação, algo projetado na casa dos cinco milhões de votos, contribuindo para a eleição de uma destacada bancada de federais daquele estado. Fora essa “intriga” política, e voltando para a sucessão ao governo em 2026, comenta-se nos bastidores da Assembleia Legislativa que aproximadamente 20 parlamentares já estariam apoiando o nome do presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB), para ser candidato a vice-governador na propalada chapa a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD). Esse tema é proibido no entorno do presidente Tadeu, até porque, ele continua atendendo as suas lideranças políticas, prefeitos e vereadores, no mesmo estilo que vem acontecendo nas últimas legislaturas, ou seja, demarcando o seu território eleitoral. Portanto, esse assunto de um envolvimento em pleito majoritário é argumento para ser deliberado no próximo ano, esquivam-se algumas pessoas ouvidas por nossa reportagem. Mateus no interior Nos escritórios e em encontros fortuitos, já são traçadas linhas com relação à aliança a ser formatada pelo pré-candidato Rodrigo Pacheco, que buscaria o apoio de partidos da ala mais progressista no Estado, tema sempre difundido pela imprensa. Por seu turno, o vice-governador Mateus Simões (Novo) tem sido visto constantemente em contato com lideranças municipais. Na maioria das vezes, recebe prefeitos e vereadores em Belo Horizonte, porém, o seu rito mais forte é visitar os municípios de médio porte, chegando a marcar presença em até cinco agendas por semana nas diferentes regiões do Estado. No momento, marqueteiros políticos começam a estudar qual seria, efetivamente, a chance da transferência de prestígio do governador Romeu Zema (Novo) para seu afilhado político Mateus. Para cientistas políticos, primeiro precisa-se saber o foco do chefe do Executivo, por exemplo, disputaria qual posto e por qual partido? Vai ser vice de alguém? Irá enfrentar o pleito como candidato a presidente da República? Tudo tende a delinear o resultado de sua ajuda ou não a Mateus Simões. No caso dele apenas figurar como vice, em pouca exposição perante a mídia nacional, certamente a influência no pleito eleitoral em Minas seria menor. Em verdade, todas as falas e entendimentos das expectativas de alianças estão sendo traçadas nos porões da política mineira, com o objetivo de um movimento mais intenso ao longo do início do segundo semestre deste ano. As discussões especificamente de nomes ficariam para um segundo momento, porém, o incremento de aproximações e acordos de lideranças já estão a todo vapor em Belo Horizonte e Brasília. Neste cenário, entra em pauta o nome do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, às vezes citado para uma eventual disputa ao Senado.
Cerca de 20 milhões de brasileiros são asmáticos

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e acomete aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos, e, anualmente, ocorrem 350 mil internações devido a casos mais extremos, sendo a terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda com informações da pasta, entre os anos de 2019 e 2023, foram registradas 12.195 mortes por asma no país. Já no primeiro semestre de 2024, o número de óbitos chegou a 883. “Caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax, a asma pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum na infância. O que caracteriza a asma é a inflamação crônica dos brônquios, que são os canais por onde o ar passa até os pulmões. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais sensíveis a diversos estímulos, como poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro e mudanças climáticas”, explica o clínico geral Lucas Almeida. Ele afirma ainda que as causas da asma ainda não são totalmente compreendidas, mas há um componente genético importante. “Pessoas com histórico familiar de asma, rinite ou outras doenças alérgicas têm maior predisposição. Fatores ambientais também desempenham papel fundamental: exposição precoce a alérgenos, infecções respiratórias na infância e até mesmo o uso excessivo de antibióticos nos primeiros anos de vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença”. O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico do paciente. No entanto, exames como a espirometria, que avalia a função pulmonar, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença. “A espirometria é simples, indolor e bastante eficaz. Ela mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expelir dos pulmões. Isso nos ajuda a entender se há obstrução das vias aéreas e se essa obstrução melhora com o uso de medicamentos”, afirma a pneumologista Sônia Andrade. A médica diz que embora não tenha cura, a asma pode ser controlada com o tratamento adequado, permitindo ao paciente levar uma vida normal. O tratamento inclui medicamentos de alívio rápido e de controle contínuo. “Os broncodilatadores são usados para aliviar os sintomas em crises, enquanto os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação das vias respiratórias. O maior erro que vemos é o uso somente dos broncodilatadores quando há crise. Isso é perigoso, pois mascara o agravamento da inflamação. O tratamento contínuo com anti- -inflamatórios é o que garante o controle da doença a longo prazo”. Além da medicação, mudanças no estilo de vida também são importantes. Evitar o contato com alérgenos, manter o ambiente limpo e ventilado, não fumar, praticar atividade física regular e seguir as orientações médicas são medidas essenciais para o controle da asma. A prevenção da asma envolve, principalmente, a redução dos fatores de risco. Programas de saúde pública, como o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS, têm ajudado a reduzir hospitalizações e mortes por asma no Brasil. A educação do paciente também é crucial. “É fundamental que o paciente aprenda a reconhecer os sinais de alerta e saiba como agir diante de uma crise. Ter um plano de ação por escrito, elaborado com seu médico, pode salvar vidas”, conclui Sônia.
Clésio pode ser o nome do PSB ao Governo de Minas em 2026

A confirmação do novo presidente do PSB em Minas, Otacílio Costa, em substituição ao deputado estadual Noraldino Júnior, acontece por conta da convicção e a necessidade de preparar a sigla rumo ao projeto político majoritário de 2026. Otacílio é prefeito de Conceição do Mato Dentro, município da Região Central do Estado. Ele chega ao comando de seu partido apadrinhado pelo líder político, o prefeito de Recife, João Campos. O ato de posse aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa, com presenças importantes, inclusive do prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, uma espécie de filiado ilustre que foi reeleito chefe do Executivo com mais de 70% dos votos. Ele também é presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais. No dia do evento, Marco Antônio foi estimulado a ser candidato a deputado federal, com a finalidade de garantir mais visibilidade dos socialistas, em Brasília. Filiação de Clésio Andrade A solenidade de assunção de Otacílio ao posto máximo dos socialistas em Minas foi um evento muito prestigiado, inclusive pelo presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB). Mas, a filiação mais propalada no certame foi a do ex- -senador e empresário Clésio Andrade. Nos bastidores da política mineira, também por ocasião da sua assinatura na ficha de inscrição, é que a partir desse gesto ele está à disposição para o pleito de 2026, podendo disputar o Governo de Minas ou uma vaga ao Senado, mas tudo vai depender de conversações que se estenderão pelos próximos meses, especialmente a partir do segundo semestre deste ano. Ao tomar a decisão de cerrar fileira junto aos socialistas mineiros, o ex-senador Clésio Andrade observou, perante correligionários e amigos, que seu ato precedeu de um diálogo com os novos dirigentes, ouvindo desses a promessa, segundo a qual o PSB mineiro está aberto ao diálogo para implementar candidaturas próprias, sem, no entanto, se posicionar contra o encaminhamento rumo a concepção de alianças partidárias. Ouvido pela imprensa, Clésio pontuou que é um partido com viés democrático e sem radicalismo, o que facilita nomeá-lo como um partido de centro, aberto ao diálogo perante forças políticas antagônicas e sem sectarismo.
Estudo indica que três em cada dez adultos são analfabetos funcionais

Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revelam que 29% da população entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, ou seja, não sabe ler e escrever ou possui um nível tão básico que não consegue compreender pequenas frases, identificar números de telefone ou interpretar preços. Essa porcentagem se manteve igual à de 2018. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o índice de analfabetismo funcional subiu de 14%, em 2018, para 16% no ano passado. Para compreender esse cenário, o Edição do Brasil conversou com Heloisa Trenche, assessora de projetos educacionais da ONG Ação Educativa. Quais são os principais fatores que contribuem para a persistência do analfabetismo funcional no Brasil? Uma combinação de fatores estruturais, pedagógicos, econômicos e sociais explicam a permanência desses índices. A pesquisa indica duas frentes que precisam ser priorizadas nas políticas públicas: a melhoria da qualidade da educação básica e a ampliação da oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os jovens apresentaram melhores níveis de alfabetismo, mas ainda é necessário elevar a qualidade do ensino para reduzir o número de estudantes que concluem etapas da educação sem domínio da leitura e da escrita. Muitos alunos passam pela escola de forma invisível, e é essencial garantir a alfabetização desde os anos iniciais do ensino fundamental. Outro ponto é a falta de investimentos na valorização dos profissionais da educação e na formação continuada. Muitas escolas enfrentam sérios problemas de infraestrutura, como ausência de bibliotecas, quadras ou laboratórios, prejudicando diretamente o processo de aprendizagem. As matrículas no EJA vêm caindo devido à falta de investimento e à baixa atratividade das ofertas. 97% das pessoas sem escolaridade estão nos níveis mais baixos da escala de alfabetismo. Além disso, 65% dos adultos entre 40 e 64 anos são analfabetos funcionais, um público que teve o direito à educação negado no passado e que precisa de políticas de reparação para garantir sua autonomia em uma sociedade letrada. De que forma a desigualdade socioeconômica influencia os níveis de alfabetismo funcional? Famílias com maior escolaridade e renda tendem a ter filhos com melhor desempenho escolar. Por outro lado, escolas em áreas periféricas enfrentam dificuldades adicionais. Fatores como a fome influenciam diretamente a atenção e o aprendizado, demonstrando como a desigualdade social impacta fortemente os níveis de alfabetismo funcional. Medidas como merenda escolar de qualidade, transporte gratuito e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, ajudam a garantir a permanência dos estudantes. Quais políticas públicas ou iniciativas educacionais têm sido mais eficazes no combate ao problema? Campanhas como o Programa Brasil Alfabetizado, que está sendo implementado no âmbito do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, são extremamente necessárias. Outras iniciativas incluem o Projovem, a ampliação do fator de ponderação da EJA no Fundeb e o Pé-de-Meia, que agora também contempla jovens e adultos da EJA. São muitas as ações previstas e embora o investimento ainda esteja abaixo do ideal, os esforços são significativos. Como a alfabetização funcional afeta a empregabilidade e a inserção no mercado de trabalho? Pessoas com baixa alfabetização têm dificuldades para compreender instruções, preencher formulários e interpretar gráficos e planilhas, habilidades essenciais no mundo do trabalho. Isso limita suas oportunidades e as torna mais vulneráveis a empregos precários. O Inaf mostra que, entre os que têm baixa proficiência, 60% estão empregados. Já entre os alfabetizados proficientes, esse número sobe para 74%. Entre os alfabetizados proficientes, 40% apresentam desempenho digital médio ou baixo. Como a educação pode integrar melhor o letramento digital? Embora os jovens tenham mais familiaridade com ferramentas digitais, habilidades complexas como argumentação e análise crítica da informação precisam ser ensinadas. A desigualdade no acesso à internet e a dispositivos também restringe o desenvolvimento dessas competências. As escolas devem promover a educação midiática, preparando os estudantes para um uso ético e criativo das tecnologias, indo além do consumo passivo de conteúdo. É fundamental garantir que todos tenham acesso às ferramentas e aprendam a utilizá-las de forma crítica e produtiva.
Indefinição no cenário nacional impacta na sucessão mineira
Nem mesmo os experientes parlamentares mineiros querem emitir opinião sobre o caminho a ser percorrido pelos pré-candidatos ao Palácio Tiradentes, pois todos eles ainda estão à espera de projetos relacionados, por exemplo, ao futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros signatários nomes que podem impactar nesse projeto político regional. Essa observação faz parte de uma análise política, segundo a qual, diante de uma possível ausência de Bolsonaro na disputa presidencial, o seu substituto pode ser o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). E, caso seja levada a efeito essa possibilidade, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, certamente estaria ao seu lado, forçando a formação de um palanque em Minas a favor dessa aliança. Tudo ficou mais complexo a partir da semana passada, com a formação da Federação Partidária entre União Brasil e o Partido Progressistas, que agora passou a ser denominado de União Progressista, reunindo mais de 100 parlamentares no Brasil e muitos deles aqui de Minas. Esse tabuleiro a ser jogado envolve também o nome do governador do Estado, Romeu Zema (Novo). Por enquanto, ninguém sabe qual o verdadeiro projeto político dele. Ao seu redor, sabe-se da pré-candidatura de vice, Mateus Simões (Novo), ao Palácio Tiradentes. Seu atual secretário de Governo, Marcelo Aro, não esconde a pretensão de ser candidato ao Senado. Tudo isso está dificultado uma tomada de decisão de Zema. A avaliação do momento é que ele também não sabe qual o caminho a seguir nesse certame. Nomes em pauta Semana passada, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia esteve frequentando a alta Corte política da nação. E, mais uma vez, teria ouvido do presidente Lula (PT) a intenção de apostar no nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para governador. Em BH, amigos do político avaliam sua popularidade junto a várias lideranças políticas, inclusive entre deputados federais, Delegado Marcelo de Freitas, Rafael Simões, Rodrigo de Castro e Dimas Fabiano, todos filiados aos partidos integrantes da União Progressista. Mas o próprio senador Pacheco estaria no compasso de espera para saber qual vai ser o seu destino partidário, a partir de janeiro de 2026. Essa realidade força o grupo do governador Zema/Mateus Simões a buscar algum outro tipo de aliança. Resumindo o pleito do próximo ano, pode acontecer a formação de três blocos: um deles com apoio do Palácio do Planalto; o segundo com os apadrinhados do governador do Estado; e uma terceira força, atualmente a mais latente, a ser concebida pelo senador Cleitinho Azevedo, o mesmo que espera herdar a simpatia dos eleitores bolsonaristas.
Número de vítimas da violência escolar cresceu 254% em dez anos

Entre 2013 e 2023, o número de casos de violência escolar no Brasil aumentou em 254%, conforme dados levantados pela Revista Pesquisa Fapesp, vinculada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Além disso, informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que, em 2013, foram contabilizadas cerca de 3.700 vítimas de violência em instituições de ensino, enquanto em 2023 esse número saltou para aproximadamente 13.100. As estatísticas abrangem alunos, docentes e demais integrantes da comunidade escolar. Dentre os registros, aproximadamente 2.200 casos estavam relacionados à violência autoprovocada, como automutilação, ideias suicidas, tentativas de suicídio e suicídios. Esse tipo de ocorrência apresentou um crescimento expressivo, sendo 95 vezes mais frequente ao longo do período analisado. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada e facilitadora em justiça restaurativa, círculos de diálogo de paz, e comunicação não violenta, Jéssica Gonçalves. Como você avalia o aumento de 254% nas vítimas de violência escolar entre 2013 e 2023?Esse crescimento expressivo indica que as escolas, que deveriam ser locais de acolhimento, aprendizado e segurança, estão cada vez mais sendo marcadas por conflitos, medo e insegurança, tanto para estudantes quanto para educadores. Esse cenário mostra que existe uma fragilidade nos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, muitas vezes limitados à punição, sem espaço para diálogo e reconstrução de vínculos. Alia-se a isso uma falta de apoio emocional e psicológico, tanto para estudantes quanto para educadores, o que contribui para a escalada de tensões e comportamentos agressivos. De que forma esse avanço na violência afeta diretamente a qualidade do ensino e o cotidiano de professores e alunos?Na rotina dos professores percebemos um aumento do estresse e da ansiedade, pois se sentem sobrecarregados por terem que lidar com questões que vão além do ensino. Na vida dos estudantes, nota-se que a violência escolar promove o medo de ir à escola, à medida que muitos alunos deixam de frequentar as aulas por receio de se tornarem vítimas de agressões ou bullying. As situações de conflito e violência demandam tempo para serem resolvidas, o que prejudica o andamento do conteúdo pedagógico. As escolas estão preparadas para lidar com esse tipo de ocorrência, tanto do ponto de vista disciplinar quanto emocional?Na maioria dos casos, elas não estão totalmente preparadas para lidar com a violência escolar. Embora existam boas iniciativas em algumas redes de ensino, ainda há muitos desafios estruturais, formativos e culturais a serem enfrentados. Isso se dá porque do ponto de vista disciplinar, as respostas são, em geral, punitivas e imediatistas, como suspensões e transferências, que não resolvem a raiz do problema. As fragilidades emocionais são muito sensíveis, sejam pela falta de equipes multiprofissionais para atender as demandas de estudantes e professores, seja ausência de formação em saúde mental, escuta ativa ou comunicação não violenta, o que limita ações diante de conflitos e traumas. Como as redes sociais e a tecnologia estão impactando a violência escolar, tanto positivamente quanto negativamente?As redes sociais e a tecnologia têm um duplo papel na violência escolar: podem tanto agravar o problema quanto ajudar a combatê-lo. Como impactos negativos podemos destacar a ampliação do bullying e do cyberbullying. Redes sociais são usadas para humilhar, excluir ou ameaçar colegas, muitas vezes de forma anônima ou viralizada, além da disseminação de discursos de ódio e violência. Como pontos positivos, pode ser uma potente ferramenta de prevenção e conscientização de mobilização e educação para a paz, pois são também canais poderosos para campanhas educativas, debates sobre saúde mental, diversidade e combate ao bullying. A tecnologia pode favorecer a denúncia e a visibilidade de casos de violência. O que está faltando nas escolas brasileiras para conter essa escalada da violência?É preciso uma mudança de cultura aliada a investimentos estruturais e humanos. A maioria das escolas ainda responde à violência de forma pontual, reativa e punitiva, quando o que se precisa é de um trabalho contínuo de prevenção, acolhimento e reconstrução de vínculos. A educação socioemocional estruturada no currículo, indo além de projetos isolados, é indispensável para uma mudança de cultura, aliada a uma formação de professores em comunicação não violenta, escuta ativa, mediação de conflitos e justiça restaurativa.