54% dos profissionais da geração Z são demitidos nos primeiros 90 dias

Segundo uma pesquisa da ResumeBuilder, 54% dos profissionais da geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, são demitidos nos primeiros 90 dias de trabalho. Falta de resiliência profissional e independência, ética e capacidade de lidar com feedback construtivo foram alguns pontos criticados pelos empregadores. De acordo com o relatório da consultoria McKinsey, em 2025, eles vão representar um quarto da força de trabalho global. Em mais cinco anos, devem chegar a 30%. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor-executivo da Croma Consultoria de Recursos Humanos, Camilo Zanette. Quais são os principais desafios entre o mercado de trabalho e a geração Z? Eles estão relacionados a aspectos como adaptação à cultura corporativa tradicional, comunicação e expectativas em relação ao ambiente de trabalho. Essa geração tende a valorizar a flexibilidade, a diversidade e a transparência, o que muitas vezes entra em contraste com as estruturas mais rígidas e hierárquicas que ainda são praticadas em muitas empresas. Outro ponto relevante é a constante busca por propósito e significado no trabalho, o que pode afetar a satisfação e a retenção desses profissionais em instituições que não se alinham com valores desse público. O estudo também revelou que 74% dos gestores consideram os funcionários da geração Z mais difíceis de trabalhar do que as outras. O que os dois lados têm que fazer para melhorar essa relação? Tanto os gestores quanto os nativos da geração Z precisam cultivar uma comunicação mais aberta e empática. Para os gestores, considero importante adotar práticas de feedback contínuo, além de proporcionar ambientes de trabalho mais colaborativos e flexíveis. Para a geração Z, a adaptação à dinâmica organizacional e a compreensão das normas e valores do ambiente corporativo. Quais são as expectativas da geração Z em relação ao mercado de trabalho? A geração Z espera um ambiente de trabalho mais inclusivo e flexível. Valorizam a possibilidade de equilibrar vida pessoal e profissional, portanto, o trabalho remoto ou híbrido, por exemplo, é muito apreciado. Além disso, buscam oportunidades de desenvolvimento contínuo, com foco em aprendizado constante e ascensão rápida na carreira. Quais características tornam essa geração tão diferente das anteriores? São profundamente influenciados pela era digital e pela conectividade constante. Cresceram em um ambiente onde a tecnologia e as redes sociais desempenham um papel central em suas vidas, o que os torna adeptos a mudanças rápidas e ao consumo de informação de maneira dinâmica. Ao contrário das gerações anteriores, que buscaram estabilidade e carreiras mais longas em uma única empresa, a geração Z valoriza mais a flexibilidade e a busca por experiências diversificadas. São mais abertos à diversidade e estão mais envolvidos com questões sociais. Quais os benefícios que o empresário tem ao contratar um profissional da geração Z? Em primeiro lugar, possuem um domínio profundo da tecnologia e uma mentalidade altamente voltada para a inovação. Além disso, são naturalmente criativos, com uma forte capacidade de pensar fora da caixa e buscar soluções inovadoras para problemas complexos. Outro ponto é que são altamente focados em produtividade e realização de tarefas, trazendo um forte compromisso com o desempenho e a eficiência, podendo melhorar o trabalho em equipe e o andamento de projetos, entre outras características. Como as empresas podem adaptar suas estratégias de treinamento e desenvolvimento para atender melhor às necessidades da geração Z? Investir em programas de aprendizado contínuo que sejam digitais e interativos, e também na personalização dos programas de treinamento, para que se adequem aos diferentes estilos de aprendizado e interesses individuais. Oferecer feedback constante, além de mentorias, uma vez que a geração Z busca crescimento profissional contínuo e a troca de experiências com mentores. Outro ponto importante é que as empresas devem garantir que seus programas de treinamento estejam alinhados com o propósito organizacional e que incluam tópicos relevantes como inovação, sustentabilidade e diversidade, além de temas que tragam relevância e impacto positivo na sociedade.

Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para  evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.

Sedentarismo e alimentação ruim impulsionam obesidade

  De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, organizado pela Federação Mundial de Obesidade, 68% da população brasileira está com excesso de peso, sendo 37% com sobrepeso e 31% com obesidade. Segundo a entidade, essa porcentagem pode aumentar nos próximos anos, com projeção de crescimento de 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres até 2030. “O Brasil, assim como outros países, enfrenta esse aumento preocupante nos índices de obesidade devido a mudanças nos hábitos da população, ao sedentarismo e ao uso excessivo de telas. Além disso, fatores socioeconômicos, como insegurança alimentar e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, também contribuem para esse cenário”, ressalta o especialista em emagrecimento Thiago Viana. Para o nutrólogo Diego Torrico, o alto consumo de alimentos ultraprocessados também é um fator determinante para o aumento da obesidade. “Eles fazem com que a vida cotidiana seja mais rápida, levando as pessoas a optarem por soluções práticas, como fast food e outros produtos industrializados. Esses alimentos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, estimulando o aumento do apetite e a ingestão excessiva de calorias”. Uma das principais queixas das pessoas, segundo Torrico, é a de que estão se alimentando bem, mas não veem resultados. “Existe uma diferença entre comer bem e ter um déficit calórico. O paciente pode consumir alimentos saudáveis, mas não na quantidade adequada. Para perder peso, é necessário gastar mais calorias do que se consome”.   Impactos Viana explica que a obesidade pode afetar a saúde mental, aumentando o risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima. “Muitas pessoas ainda enfrentam estigmas e discriminação, o que pode agravar o quadro. A qualidade de vida acaba sendo comprometida, gerando um ciclo vicioso de isolamento social e transtornos emocionais”. “Na saúde física, a obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso também sobrecarrega as articulações, podendo causar dores crônicas e perda de mobilidade. Outro fator preocupante é a síndrome metabólica, que eleva o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, complementa. Segundo o especialista, fatores como estresse, privação do sono e distúrbios hormonais estão diretamente ligados ao ganho de peso e à obesidade. “O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, estimulando o acúmulo de gordura e o desejo por alimentos calóricos. Já o sono inadequado desregula os hormônios da fome e saciedade, levando a escolhas alimentares ruins. Além disso, desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo e resistência à insulina, desaceleram o metabolismo e favorecem o ganho de peso. O controle desses fatores exige acompanhamento médico e melhoria na qualidade do sono”, orienta Viana.   Incentivo desde cedo Ainda de acordo com o Atlas, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física com a frequência e intensidade recomendadas. Viana avalia que um dos caminhos para combater a obesidade é incentivar, desde cedo, a prática de esportes entre crianças e adolescentes. “Ensinar sobre alimentação equilibrada pode prevenir a obesidade no futuro. As escolas deveriam incluir educação nutricional no currículo e conscientizar pais e cuidadores. A redução do tempo de tela também é essencial, equilibrando entretenimento digital e atividades físicas. O poder público deve garantir infraestrutura para a prática de exercícios”. O nutrólogo reforça que a educação nutricional é fundamental, especialmente ao ensinar crianças a se alimentarem melhor. “Descascar mais e desembalar menos deve ser um princípio essencial. Os pais precisam preparar mais refeições em casa, incluindo frutas e verduras na dieta e evitando produtos industrializados. Essas pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo”, conclui.

Presidente da Assembleia Legislativa já almeja vaga no Tribunal de Contas

  Quando se confirmou a presença do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) na comitiva do presidente Lula (PT), durante seu roteiro internacional ao Japão e Vietnã, aumentou a percepção do envolvimento do Palácio do Planalto no projeto político para turbinar o nome do parlamentar, visando disputar as eleições ao Governo de Minas no próximo ano. O roteiro não é novo, mas voltou a ser reafirmado por interlocutores de Brasília, apontando para uma possível aliança entre Pacheco e o PT, a quem caberia indicar o cargo de vice, cujo primeiro nome mencionado é o da prefeita de Contagem, Marília Campos. Já a disputa pela vaga ao Senado, segundo avaliação de matemáticos da política estadual, a sugestão recairia sobre o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP), hoje uma liderança de respeito em todo o Triângulo Mineiro.   Presidente da ALMG No bojo desse projeto entabulado a partir de grupos políticos mineiros e nacionais, com vistas ao pleito ao governo estadual de 2026, havia uma possibilidade da candidatura a um cargo eletivo do atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB). Mas como o seu partido é avaliado como uma sigla pequena, na comparação com os demais semelhantes, essa conversa de aliança de Tadeu/Pacheco parece ter “subido no telhado”. Ao presidente do Legislativo, faltaria espaço para o enfrentamento nas urnas, e pela ótica dos entendidos no assunto, para esse aludido projeto dar certo terá de conceber alianças com grupos definidos e de muita popularidade. A não ser que o próprio Tadeu, por exigência do seu partido a nível nacional, seja instigado a se candidatar ao Senado, hipótese pouco provável no quadro do momento. Enquanto aumentam as especulações relacionadas ao tema, avolumam avaliações nos bastidores da própria Assembleia, sugerindo a pretensão de Tadeu sair de cena em relação à peleja do próximo ano, colocando seu nome como pré-candidato ao cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Atualmente, são duas vagas já existentes, chegando neste meio de ano a três vagas. Pessoas próximas ao parlamentar não confirmam, mas também não negam sobre a existência de uma pauta alusiva à opção dele para o TCE-MG. Aliás, a ordem em torno da presidência é deixar esse assunto de eleição para o Tribunal em segundo plano, certamente para analisar os próximos passos no atual cenário.

37,5% das brasileiras sofreram alguma agressão no último ano

  De acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 21 milhões de brasileiras, 37,5% do total de mulheres, sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses. O relatório também mostra que 5,3 milhões de mulheres, 10,7% do total da população feminina do país, relataram ter sofrido abuso sexual e/ou foi forçada a manter relação sexual contra a própria vontade nos últimos 12 meses, ou seja, uma em cada 10. A ampla maioria das agressões ocorreu na presença de terceiros, 91,8%. Em 47,3% desses casos, quem presenciou foram amigos ou conhecidos; em 27%, os filhos; e em 12,4%, outros parentes. Para discutir a gravidade do assunto, o Edição do Brasil conversou com Alice Bianchini (foto), conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e vice-presidenta da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas (ABMCJ).   Sobre a realidade da violência contra a mulher, existe uma tendência de crescimento ou o número de casos se mantém estável? Quando se trata de medir a violência em um país, há uma convenção mundial no sentido de se analisar o número de mortes registradas no sistema de saúde. No caso, estamos falando de mortes de mulheres. Então, não se trata da mulher denunciar mais, ou menos, mas de cadáveres femininos contabilizados ano a ano. E o que se vê nessa estatística é, sim, um aumento dos casos de feminicídio a cada ano que passa.   Como a violência contra a mulher se manifesta nas diferentes faixas etárias, etnias e classes sociais? Os estudos mostram que as mulheres negras são as mais vitimadas. Outro dado que chama a atenção é a quantidade de mortes de mulheres nas regiões brasileiras com maior concentração de comunidades indígenas. O que se pode analisar é que nos locais em que há menos equipamentos de proteção à mulher (delegacias especializadas, CREAS, defensoria pública, entre outros), os índices de violência são mais expressivos, o que nos faz concluir que o investimento em políticas públicas para mulheres é fundamental para alterar essa situação.   Você acredita que as leis existentes, como a Lei Maria da Penha, têm sido eficazes na proteção das mulheres ou há lacunas no seu cumprimento e aplicação? Nos últimos anos, principalmente a partir de 2021, houve uma profusão de leis que tratam da condição feminina no Brasil. Em levantamento que fiz recentemente e que se encontra publicado no site da ABMCJ, podemos encontrar mais de 50 leis editadas entre 2021 até o ano de 2024. Elaborar leis é importante, mas também é preciso fiscalizar para que ela se torne uma realidade. Por exemplo, a lei que determina que as delegacias especializadas na defesa da mulher funcionem todos os dias da semana, por 24 horas. O número de delegacias é muito baixo no Brasil e praticamente nenhuma delas funciona de acordo com o previsto na lei.   Como melhorar a abordagem de apoio às mulheres que sofrem agressões, desde a denúncia até o acompanhamento psicológico e social? Precisamos atuar na prevenção da violência, por meio de projetos que atuem na forma de pensar na sociedade. Há, infelizmente, uma enorme tolerância em relação ao abuso contra a mulher, fazendo com que ainda seja persistente a ideia de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 92% das violências foram testemunhadas por alguém, e essa pessoa normalmente nada fez em relação à ocorrência que presenciou. E o que é grave, quase 30% foram testemunhadas pelos filhos, o que vai causar danos psicológicos muito graves, o que pode comprometer as futuras gerações.   O que pode ser feito para combater o ciclo de violência, considerando que muitos casos não são denunciados? A pesquisa mostra que quase metade das mulheres vítimas de violência não fez nada em relação à última agressão sofrida. Na mesma sondagem são identificados os motivos que levaram à inação da vítima, um deles é o medo de vingança do agressor. Nesse ponto, uma política pública é o encaminhamento do agressor para grupos de reflexão, conforme determina a Lei Maria da Penha. O impacto desses programas na vida do homem que cometeu a violência é muito positivo, levando uma pequena parcela (cerca de 4%) voltar a praticar a violência. No entanto, temos apenas cerca de 400 grupos espalhados pelo país e o orçamento para políticas voltadas à mulher vem diminuindo desde o ano de 2015.

Taxa de infecções hospitalares atinge 14% do total das internações no país

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações no país. Já a Associação Médica Brasileira revela que mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido às infecções hospitalares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que esse número pode chegar até 100 mil por ano. Ainda segundo o Ministério, houve um avanço significativo na adesão dos hospitais à vigilância e à notificação dos dados de infecção. Em 2018, mais de 2.200 hospitais com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) notificaram seus dados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto em 2009 eram apenas 1.000. Os números são visualizados e monitorados pelas coordenações estaduais, distrital e municipais de controle de infecção das Secretarias de Saúde. Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, uma taxa de 14% é preocupante, pois indica que ainda há desafios significativos no controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). “Além disso, é preciso considerar que existe subnotificação, fazendo com que os números reais sejam ainda superiores a esse. Embora existam avanços em políticas de prevenção e controle, a alta prevalência sugere a necessidade de reforçar essas medidas”. Ele explica que as IRAS podem ser favorecidas por vários fatores. “Como alta densidade de pacientes, uso excessivo ou inadequado de antibióticos, falhas na adesão a protocolos de higiene das mãos, sobrecarga de profissionais de saúde, falta de estrutura adequada para isolamento de pacientes infectados e presença de microrganismos multirresistentes no ambiente hospitalar. E a incidência pode variar conforme as condições estruturais, disponibilidade de insumos e adesão aos protocolos de controle de infecção”. Impactos A médica pneumologista e paliativista na Saúde do Lar, Michelle Andreata, pontua que as infecções impactam gravemente a saúde dos pacientes. “Aumentando o tempo de internação, a morbidade e a mortalidade. Muitas dessas infecções são causadas por microrganismos multirresistentes, o que dificulta o tratamento e pode levar a complicações graves. Já no sistema de saúde, elas elevam os custos hospitalares, aumentam a demanda por leitos de terapia intensiva e sobrecarregam equipes de saúde”. Os principais desafios para a implementação eficaz de políticas de controle incluem a resistência microbiana devido ao uso inadequado de antibióticos, ressalta a médica. “Além da necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde, a baixa adesão a protocolos de higiene das mãos e a falta de investimentos em infraestrutura hospitalar. Além disso, a vigilância epidemiológica ainda enfrenta dificuldades na coleta e análise de dados”. Anvisa A gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Anvisa, Márcia Gonçalves, destaca que várias normas sanitárias definem a obrigatoriedade dos serviços de saúde executarem ações de prevenção e controle. “Entre as quais destacam-se a RDC 63/2011, que trata das Boas Práticas de Funcionamento dos serviços de Saúde, e a RDC 36/2013, que estabelece ações para a segurança do paciente. E também, a Lei nº 9431/1997 determina a obrigatoriedade da manutenção dos hospitais elaborarem um programa de controle de infecções hospitalares e da Portaria GM/ MS nº 2.616/98 que estabelece o que deve conter nesses programas”. “A fiscalização do cumprimento das normas e orientações sanitárias é realizada pela vigilância sanitária local (estadual/distrital ou municipal). Além disso, todos os estados e alguns municípios possuem uma Coordenação de Prevenção e Controle das IRAS, que podem estar vinculadas às vigilâncias sanitárias locais ou a outras estruturas das Secretarias de Saúde”, esclarece a gerente. Ela ainda observa que a Anvisa disponibiliza um canal para que o usuário possa relatar incidentes/falhas decorrentes da assistência à saúde. “O formulário específico de notificação, denominado Sistema Notivisa, está disponível no link: www16.anvisa.gov.br/notivisaServicos/cidadao/notificacao/evento-adverso. Além dos canais da ouvidoria da instituição, disponível em www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento/ ouvidoria e das vigilâncias sanitárias estaduais/distrital e municipais”.

Duelo Lula/Zema abalizou início da pré-campanha presidencial de 2026

O duelo verbal entre o presidente Lula (PT) e o governador Romeu Zema (Novo) é o prenúncio do que estar por vir no pleito eleitoral do próximo ano. Especialistas apostam que haverá críticas de ambos os lados de maneira cada vez mais recorrente. “Isso tudo faz parte do jogo político, contudo, espera-se o mínimo de civilidade nesses embates para evitar uma escalada de palavras de desaforo entre as partes, em um quadro que já é de plena hostilidade”, comentou o cientista político Malco Camargos. Para a crônica política nacional, o governador mineiro está mais incisivo em suas elocuções, a partir de uma recente observação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfatizando que a popularidade de Zema é reconhecida apenas em Minas Gerais. É como se o ex-presidente tivesse o arrolado como um nome de voos curtos, um político de possibilidades paroquianas. A constatação de Bolsonaro acendeu uma espécie de sinal vermelho, e, ao invés de recuar, o chefe do Executivo estadual passou a ser mais determinante em suas incursões públicas. Observações dos jornalistas de Brasília insinuam que Romeu Zema está buscando ampliar o seu espaço no campo ideológico da direita, cujo segmento é de uma fragmentação colossal. Isso por conta dos nomes inseridos nessa pré-disputa à presidência da República em 2026, tendo como prioridade a preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); o governador do Paraná, Ratinho Júnior; e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). A lista cresce diante da pretensão de mais pessoas como o cantor Gusttavo Lima e o empresário Pablo Marçal. Duelo Lula/Zema A cena protagonizada na semana passada, quando as críticas entre os dois dirigentes Lula/Zema vieram à baila, apontou-se a respeito de investimentos de Brasília para atender às demandas dos mineiros. Do ponto de vista prático, não existe grandes feitos do governo de Brasília, a não ser promessa de investimento direto na construção de trecho da BR-381 entre Sabará/Caeté, expectativa em relação a valores para transformar o antigo Aeroporto Carlos Prates em centro de habitação e lazer, expectativa de aporte para melhorar acessos no Anel Rodoviário e verba destinadas às Universidades e algumas instituições de ensino no Estado. Relativamente ao governador Zema, com seu eloquente discurso, cabe externar que sua gestão começou com um milionário aporte de recursos financeiros da Vale, por conta da reparação da empresa pelo desastre em Mariana. À época, ele deixou de pagar a dívida do Estado com o governo federal, fazendo o valor aumentar e chegar a mais de R$ 130 bilhões. A exemplo de Lula, o governador de Minas também não tem muitas realizações perceptíveis perante os olhos da população. As reclamações contra ele se concentram no setor de saúde, pois, apesar de promessa de campanha, não conseguiu concluir as obras do Hospital Regional em Divinópolis, Valadares e Montes Claros.

49 milhões de mulheres ainda não têm acesso a saneamento básico

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2023, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 3,5 milhões de mulheres passaram a viver em domicílios com abastecimento de água potável entre 2019 e 2023, alta de 3,8%. No mesmo período, 4,6 milhões obtiveram acesso à rede de esgoto. Já a cobertura de coleta e tratamento de esgoto passou de 67% em 2019 para 69,1% em 2023. 92,3% das mulheres no Sudeste têm acesso à rede de abastecimento de água e 90,2% à rede de esgoto. Em contrapartida, no Norte, 60,8% contam com água tratada, e 31,7% dispõem de tratamento de esgoto. Para discutir esse cenário, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON SINDCON), Christianne Dias. Como o setor privado tem contribuído para ampliar o acesso ao saneamento básico?A entrada de novas concessionárias privadas, com concessões e parcerias público-privadas, acelerou investimentos e ampliou redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Isso beneficiou milhões de mulheres que antes viviam sem acesso adequado a esses serviços essenciais. Cerca de 15 milhões de mulheres ainda vivem sem água encanada e 34 milhões sem coleta e tratamento de esgoto. Quais os desafios para a universalização do saneamento, especialmente na região Norte? O Brasil enfrenta desafios diversos devido às diferenças geográficas, socioeconômicas e culturais. No Norte, comunidades ribeirinhas e localidades de difícil acesso impõem obstáculos adicionais à implantação da infraestrutura. A dispersão populacional e fatores ambientais tornam a expansão dos serviços mais desafiadora. Além disso, a baixa renda per capita aumenta a complexidade desse processo. O Marco Legal do Saneamento estabeleceu a meta de garantir água potável para 99% da população e tratamento de esgoto para 90% até 2033. O setor está no caminho para atingir essas metas? Desde a promulgação do marco, os investimentos cresceram, viabilizando projetos de expansão e modernização dos serviços de água e esgoto. Para cumprir os prazos, é essencial manter esse ritmo e garantir a continuidade dos projetos em andamento. A colaboração entre os setores público e privado, aliada a um planejamento eficaz, será fundamental para alcançar a universalização do saneamento. A falta de saneamento impacta diretamente a vida das mulheres. Quais medidas vêm sendo adotadas para reduzir esses impactos? A precariedade do saneamento afeta desproporcionalmente as mulheres, aumentando sua carga de trabalho doméstico e limitando suas oportunidades sociais e econômicas. Muitas são responsáveis por buscar água quando o abastecimento não está disponível, reduzindo tempo para trabalho ou estudo. Projetos que priorizam a ampliação da infraestrutura em comunidades vulneráveis e programas de educação sanitária vêm sendo implementados. No entanto, a universalização do saneamento continua sendo a principal solução para melhorar as condições de vida das mulheres brasileiras. Como a inovação e a tecnologia têm contribuído para acelerar o acesso ao saneamento? A modernização do setor tem tornado o saneamento mais eficiente e sustentável. Sensores inteligentes monitoram redes, inteligência artificial detecta vazamentos e softwares otimizam a gestão operacional. Soluções móveis garantem abastecimento em períodos críticos. Além disso, ações de eficiência energética e geração de energia renovável ajudam a reduzir custos e minimizar impactos ambientais, acelerando a universalização do saneamento no país.

Foram dados os primeiros passos para aliança entre Mateus Simões e Cleitinho

Antes era apenas uma especulação, mas ficou mais nítido o potencial diálogo político entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) com o vice-governador Mateus Simões (Novo). Fontes categorizam que o parlamentar mineiro esteve pessoalmente com Simões, no dia 27 de fevereiro, no gabinete oficial do vice, na Cidade Administrativa. Sem a presença de muitas testemunhas, falaram por cerca de 45 minutos, tratando de temas relacionados ao pré-projeto com vistas à sucessão ao Governo de Minas, em 2026. Essa e outras informações estão embalando a especulação difundida pela imprensa sobre uma possível aliança de Cleitinho com Simões. Como explicado pelo advogado especialista em direito eleitoral, Mauro Bomfim, caso assuma o governo do Estado nos últimos meses do próximo ano, Mateus Simões só poderá ser candidato à reeleição, não havendo, segundo a legislação atual, a chance de pleitear qualquer outra candidatura, inclusive ao Legislativo. Neste sentido, nos meandros da Assembleia Legislativa, propala-se que o grupo do parlamentar indicaria o vice na possível chapa encabeçada por Mateus Simões. Segundo essas avaliações de bastidores, tudo na pretensão da união dos políticos ideologicamente alinhados ao campo da direita, como aconteceu nas últimas duas eleições, onde o governador Zema (Novo) esteve sempre próximo e também surfando na onda de popularidade do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto perduram essas sondagens no intramuros, o governador Romeu Zema resolveu colocar o pé na estrada. Tem visitado inúmeras cidades por diferentes regiões, levando sempre uma mensagem de otimismo. Esta primeira semana após o Carnaval, segundo a agenda oficial, o chefe do Executivo esteve em 12 municípios do Oeste de Minas. Ele sempre vai a esses eventos apenas na companhia de alguns auxiliares e deputados votados na região, sem a presença de Mateus Simões na maior parte das vezes. Contudo, Zema sempre lembra da competência e lealdade de seu companheiro de administração pública. Ou seja, é um recado direto para tentar movimentar as lideranças municipalistas. Em Brasília, assessores do presidente Lula (PT) esperam uma definição do quadro de saúde do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), para colocar em prática algum esboço de uma aliança. A ideia é unir forças do campo ideologicamente de centro e da ala progressista dos políticos do Estado, com a finalidade de alavancar um nome com chances de disputar o Palácio Tiradentes. No momento, a sugestão em pauta continua sendo o senador Rodrigo Pacheco (PSD), mas tudo pode mudar até o final deste ano. Segundo avaliam no Planalto, quem vai determinar esse roteiro será a popularidade do presidente Lula. Se ele estiver com boa aprovação perante o povão, tudo ficaria mais fácil, caso contrário, teriam de se movimentar para formar uma aliança mais complexa, na tentativa de barrar as chances do senador Cleitinho se tornar o governador do Estado, se o pleito fosse realizado na metade de 2025.

Índice de brasileiros adultos que possui ensino superior atinge 18%

Entre brasileiros adultos, com mais de 25 anos, 18,4% concluíram o ensino superior, segundo revela o Censo Demográfico de 2022, divulgado em fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os jovens de 18 a 24 anos, 56,4% estavam matriculados em algum curso de ensino superior no ano da pesquisa. O estudo mostrou avanços em relação aos censos anteriores. Em 2000, apenas 6,8% dos adultos (com 25 anos ou mais) tinham ensino superior. Em 2010, eram 11,3%. Apesar disso, quatro em cada cinco brasileiros ainda não têm curso de graduação. O professor universitário e mestre em direito, Hellom Lopes Araújo, conversou com o Edição do Brasil sobre o assunto. O que explica o crescimento no índice de brasileiros adultos com curso superior completo no país?Um dos primeiros fatores que aconteceu foi a expansão das universidades, o que proporcionou um acesso maior da população em geral, não só a adulta. Também tem a questão do programa de financiamento, como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni). Além da valorização da educação no mercado de trabalho; o crescimento do ensino à distância no país, que na última década ganhou um aquecimento muito grande, principalmente no período pós-pandemia; políticas públicas, como as cotas; e o aumento da renda que também possibilitou o acesso ao ensino superior. Quais são os principais obstáculos ainda enfrentados por aqueles que buscam concluir esse ensino?Nós sabemos que quando há um aumento de renda da população, isso não é linear, ou seja, não são todos os níveis sociais que tiveram esse crescimento, que impacta no ingresso ao ensino superior, principalmente na esfera privada, porque as mensalidades são caras. Além disso, tem a questão familiar, cultural e de infraestrutura que impossibilita esse livre acesso da população aos centros universitários. O Censo também mostrou que os brancos ainda têm mais acesso que os negros, porém, o ingresso dos negros nas universidades cresceu cerca de cinco vezes. O que justifica esse aumento?As próprias políticas públicas, como a expansão das universidades; interiorização do ensino, por conta do ensino à distância; e também pela criação de cotas nas universidades públicas e privadas, que possibilitaram o ingresso de uma população que nunca teve acesso ao sistema, por toda a nossa história como país. Essas ações públicas, que foram criadas nos últimos 20 anos, nos proporcionaram uma correção na rota da nossa sociedade, trouxe um equilíbrio na oportunização do ingresso ao ensino, que traduz em uma maior elevação em termos de percentual da população negra ao centro universitário. A tendência é de crescimento do índice para os próximos anos?A tendência é de avanço, mas será um crescimento não muito significativo e com alguns desafios, como melhorar a qualidade do ensino superior, facilitar o acesso da população que necessita, e conversar com o mercado de trabalho, para que possa produzir resultados financeiros, ou seja, para que a pessoa melhore de vida com a graduação. Como a ampliação do acesso a esse ensino tem impactado a formação de uma força de trabalho mais qualificada?A ampliação do acesso ao ensino proporciona muitas coisas, principalmente uma especialização maior da mão de obra e aumento na produtividade. O ensino tem que ser de qualidade para que o mercado de trabalho seja impulsionado por profissionais de qualidade, assim, as empresas se fortalecem para receber esse colaborador fortalecido. Com o crescimento do número de graduados, o mercado de trabalho tem se adaptado para oferecer oportunidades condizentes com a formação superior?É perceptível que o mercado está se adaptando. As empresas estão buscando melhorar internamente para receber esse quadro de profissionais que estão chegando, mas ainda é uma adaptação muito singela, não está dentro do ritmo esperado. Com o passar do tempo e com a adequação das estruturas e das políticas públicas, tende a se equilibrar. Mas, infelizmente, é uma realidade futura.