Especulações já dominam os bastidores da política mineira

Entre as muitas especulações que circularam nos bastidores da política mineira, uma em especial chamou a atenção. Diz respeito a uma possível transferência do domicílio eleitoral do deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL) para São Paulo, por sugestão do pastor Silas Malafaia. O objetivo é conquistar uma mega votação, algo projetado na casa dos cinco milhões de votos, contribuindo para a eleição de uma destacada bancada de federais daquele estado. Fora essa “intriga” política, e voltando para a sucessão ao governo em 2026, comenta-se nos bastidores da Assembleia Legislativa que aproximadamente 20 parlamentares já estariam apoiando o nome do presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB), para ser candidato a vice-governador na propalada chapa a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD). Esse tema é proibido no entorno do presidente Tadeu, até porque, ele continua atendendo as suas lideranças políticas, prefeitos e vereadores, no mesmo estilo que vem acontecendo nas últimas legislaturas, ou seja, demarcando o seu território eleitoral. Portanto, esse assunto de um envolvimento em pleito majoritário é argumento para ser deliberado no próximo ano, esquivam-se algumas pessoas ouvidas por nossa reportagem. Mateus no interior Nos escritórios e em encontros fortuitos, já são traçadas linhas com relação à aliança a ser formatada pelo pré-candidato Rodrigo Pacheco, que buscaria o apoio de partidos da ala mais progressista no Estado, tema sempre difundido pela imprensa. Por seu turno, o vice-governador Mateus Simões (Novo) tem sido visto constantemente em contato com lideranças municipais. Na maioria das vezes, recebe prefeitos e vereadores em Belo Horizonte, porém, o seu rito mais forte é visitar os municípios de médio porte, chegando a marcar presença em até cinco agendas por semana nas diferentes regiões do Estado. No momento, marqueteiros políticos começam a estudar qual seria, efetivamente, a chance da transferência de prestígio do governador Romeu Zema (Novo) para seu afilhado político Mateus. Para cientistas políticos, primeiro precisa-se saber o foco do chefe do Executivo, por exemplo, disputaria qual posto e por qual partido? Vai ser vice de alguém? Irá enfrentar o pleito como candidato a presidente da República? Tudo tende a delinear o resultado de sua ajuda ou não a Mateus Simões. No caso dele apenas figurar como vice, em pouca exposição perante a mídia nacional, certamente a influência no pleito eleitoral em Minas seria menor. Em verdade, todas as falas e entendimentos das expectativas de alianças estão sendo traçadas nos porões da política mineira, com o objetivo de um movimento mais intenso ao longo do início do segundo semestre deste ano. As discussões especificamente de nomes ficariam para um segundo momento, porém, o incremento de aproximações e acordos de lideranças já estão a todo vapor em Belo Horizonte e Brasília. Neste cenário, entra em pauta o nome do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, às vezes citado para uma eventual disputa ao Senado.
Cerca de 20 milhões de brasileiros são asmáticos

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e acomete aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos, e, anualmente, ocorrem 350 mil internações devido a casos mais extremos, sendo a terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda com informações da pasta, entre os anos de 2019 e 2023, foram registradas 12.195 mortes por asma no país. Já no primeiro semestre de 2024, o número de óbitos chegou a 883. “Caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax, a asma pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum na infância. O que caracteriza a asma é a inflamação crônica dos brônquios, que são os canais por onde o ar passa até os pulmões. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais sensíveis a diversos estímulos, como poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro e mudanças climáticas”, explica o clínico geral Lucas Almeida. Ele afirma ainda que as causas da asma ainda não são totalmente compreendidas, mas há um componente genético importante. “Pessoas com histórico familiar de asma, rinite ou outras doenças alérgicas têm maior predisposição. Fatores ambientais também desempenham papel fundamental: exposição precoce a alérgenos, infecções respiratórias na infância e até mesmo o uso excessivo de antibióticos nos primeiros anos de vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença”. O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico do paciente. No entanto, exames como a espirometria, que avalia a função pulmonar, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença. “A espirometria é simples, indolor e bastante eficaz. Ela mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expelir dos pulmões. Isso nos ajuda a entender se há obstrução das vias aéreas e se essa obstrução melhora com o uso de medicamentos”, afirma a pneumologista Sônia Andrade. A médica diz que embora não tenha cura, a asma pode ser controlada com o tratamento adequado, permitindo ao paciente levar uma vida normal. O tratamento inclui medicamentos de alívio rápido e de controle contínuo. “Os broncodilatadores são usados para aliviar os sintomas em crises, enquanto os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação das vias respiratórias. O maior erro que vemos é o uso somente dos broncodilatadores quando há crise. Isso é perigoso, pois mascara o agravamento da inflamação. O tratamento contínuo com anti- -inflamatórios é o que garante o controle da doença a longo prazo”. Além da medicação, mudanças no estilo de vida também são importantes. Evitar o contato com alérgenos, manter o ambiente limpo e ventilado, não fumar, praticar atividade física regular e seguir as orientações médicas são medidas essenciais para o controle da asma. A prevenção da asma envolve, principalmente, a redução dos fatores de risco. Programas de saúde pública, como o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS, têm ajudado a reduzir hospitalizações e mortes por asma no Brasil. A educação do paciente também é crucial. “É fundamental que o paciente aprenda a reconhecer os sinais de alerta e saiba como agir diante de uma crise. Ter um plano de ação por escrito, elaborado com seu médico, pode salvar vidas”, conclui Sônia.
Clésio pode ser o nome do PSB ao Governo de Minas em 2026

A confirmação do novo presidente do PSB em Minas, Otacílio Costa, em substituição ao deputado estadual Noraldino Júnior, acontece por conta da convicção e a necessidade de preparar a sigla rumo ao projeto político majoritário de 2026. Otacílio é prefeito de Conceição do Mato Dentro, município da Região Central do Estado. Ele chega ao comando de seu partido apadrinhado pelo líder político, o prefeito de Recife, João Campos. O ato de posse aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa, com presenças importantes, inclusive do prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, uma espécie de filiado ilustre que foi reeleito chefe do Executivo com mais de 70% dos votos. Ele também é presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais. No dia do evento, Marco Antônio foi estimulado a ser candidato a deputado federal, com a finalidade de garantir mais visibilidade dos socialistas, em Brasília. Filiação de Clésio Andrade A solenidade de assunção de Otacílio ao posto máximo dos socialistas em Minas foi um evento muito prestigiado, inclusive pelo presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB). Mas, a filiação mais propalada no certame foi a do ex- -senador e empresário Clésio Andrade. Nos bastidores da política mineira, também por ocasião da sua assinatura na ficha de inscrição, é que a partir desse gesto ele está à disposição para o pleito de 2026, podendo disputar o Governo de Minas ou uma vaga ao Senado, mas tudo vai depender de conversações que se estenderão pelos próximos meses, especialmente a partir do segundo semestre deste ano. Ao tomar a decisão de cerrar fileira junto aos socialistas mineiros, o ex-senador Clésio Andrade observou, perante correligionários e amigos, que seu ato precedeu de um diálogo com os novos dirigentes, ouvindo desses a promessa, segundo a qual o PSB mineiro está aberto ao diálogo para implementar candidaturas próprias, sem, no entanto, se posicionar contra o encaminhamento rumo a concepção de alianças partidárias. Ouvido pela imprensa, Clésio pontuou que é um partido com viés democrático e sem radicalismo, o que facilita nomeá-lo como um partido de centro, aberto ao diálogo perante forças políticas antagônicas e sem sectarismo.
Estudo indica que três em cada dez adultos são analfabetos funcionais

Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revelam que 29% da população entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, ou seja, não sabe ler e escrever ou possui um nível tão básico que não consegue compreender pequenas frases, identificar números de telefone ou interpretar preços. Essa porcentagem se manteve igual à de 2018. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o índice de analfabetismo funcional subiu de 14%, em 2018, para 16% no ano passado. Para compreender esse cenário, o Edição do Brasil conversou com Heloisa Trenche, assessora de projetos educacionais da ONG Ação Educativa. Quais são os principais fatores que contribuem para a persistência do analfabetismo funcional no Brasil? Uma combinação de fatores estruturais, pedagógicos, econômicos e sociais explicam a permanência desses índices. A pesquisa indica duas frentes que precisam ser priorizadas nas políticas públicas: a melhoria da qualidade da educação básica e a ampliação da oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os jovens apresentaram melhores níveis de alfabetismo, mas ainda é necessário elevar a qualidade do ensino para reduzir o número de estudantes que concluem etapas da educação sem domínio da leitura e da escrita. Muitos alunos passam pela escola de forma invisível, e é essencial garantir a alfabetização desde os anos iniciais do ensino fundamental. Outro ponto é a falta de investimentos na valorização dos profissionais da educação e na formação continuada. Muitas escolas enfrentam sérios problemas de infraestrutura, como ausência de bibliotecas, quadras ou laboratórios, prejudicando diretamente o processo de aprendizagem. As matrículas no EJA vêm caindo devido à falta de investimento e à baixa atratividade das ofertas. 97% das pessoas sem escolaridade estão nos níveis mais baixos da escala de alfabetismo. Além disso, 65% dos adultos entre 40 e 64 anos são analfabetos funcionais, um público que teve o direito à educação negado no passado e que precisa de políticas de reparação para garantir sua autonomia em uma sociedade letrada. De que forma a desigualdade socioeconômica influencia os níveis de alfabetismo funcional? Famílias com maior escolaridade e renda tendem a ter filhos com melhor desempenho escolar. Por outro lado, escolas em áreas periféricas enfrentam dificuldades adicionais. Fatores como a fome influenciam diretamente a atenção e o aprendizado, demonstrando como a desigualdade social impacta fortemente os níveis de alfabetismo funcional. Medidas como merenda escolar de qualidade, transporte gratuito e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, ajudam a garantir a permanência dos estudantes. Quais políticas públicas ou iniciativas educacionais têm sido mais eficazes no combate ao problema? Campanhas como o Programa Brasil Alfabetizado, que está sendo implementado no âmbito do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, são extremamente necessárias. Outras iniciativas incluem o Projovem, a ampliação do fator de ponderação da EJA no Fundeb e o Pé-de-Meia, que agora também contempla jovens e adultos da EJA. São muitas as ações previstas e embora o investimento ainda esteja abaixo do ideal, os esforços são significativos. Como a alfabetização funcional afeta a empregabilidade e a inserção no mercado de trabalho? Pessoas com baixa alfabetização têm dificuldades para compreender instruções, preencher formulários e interpretar gráficos e planilhas, habilidades essenciais no mundo do trabalho. Isso limita suas oportunidades e as torna mais vulneráveis a empregos precários. O Inaf mostra que, entre os que têm baixa proficiência, 60% estão empregados. Já entre os alfabetizados proficientes, esse número sobe para 74%. Entre os alfabetizados proficientes, 40% apresentam desempenho digital médio ou baixo. Como a educação pode integrar melhor o letramento digital? Embora os jovens tenham mais familiaridade com ferramentas digitais, habilidades complexas como argumentação e análise crítica da informação precisam ser ensinadas. A desigualdade no acesso à internet e a dispositivos também restringe o desenvolvimento dessas competências. As escolas devem promover a educação midiática, preparando os estudantes para um uso ético e criativo das tecnologias, indo além do consumo passivo de conteúdo. É fundamental garantir que todos tenham acesso às ferramentas e aprendam a utilizá-las de forma crítica e produtiva.
Indefinição no cenário nacional impacta na sucessão mineira
Nem mesmo os experientes parlamentares mineiros querem emitir opinião sobre o caminho a ser percorrido pelos pré-candidatos ao Palácio Tiradentes, pois todos eles ainda estão à espera de projetos relacionados, por exemplo, ao futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros signatários nomes que podem impactar nesse projeto político regional. Essa observação faz parte de uma análise política, segundo a qual, diante de uma possível ausência de Bolsonaro na disputa presidencial, o seu substituto pode ser o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). E, caso seja levada a efeito essa possibilidade, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, certamente estaria ao seu lado, forçando a formação de um palanque em Minas a favor dessa aliança. Tudo ficou mais complexo a partir da semana passada, com a formação da Federação Partidária entre União Brasil e o Partido Progressistas, que agora passou a ser denominado de União Progressista, reunindo mais de 100 parlamentares no Brasil e muitos deles aqui de Minas. Esse tabuleiro a ser jogado envolve também o nome do governador do Estado, Romeu Zema (Novo). Por enquanto, ninguém sabe qual o verdadeiro projeto político dele. Ao seu redor, sabe-se da pré-candidatura de vice, Mateus Simões (Novo), ao Palácio Tiradentes. Seu atual secretário de Governo, Marcelo Aro, não esconde a pretensão de ser candidato ao Senado. Tudo isso está dificultado uma tomada de decisão de Zema. A avaliação do momento é que ele também não sabe qual o caminho a seguir nesse certame. Nomes em pauta Semana passada, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia esteve frequentando a alta Corte política da nação. E, mais uma vez, teria ouvido do presidente Lula (PT) a intenção de apostar no nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para governador. Em BH, amigos do político avaliam sua popularidade junto a várias lideranças políticas, inclusive entre deputados federais, Delegado Marcelo de Freitas, Rafael Simões, Rodrigo de Castro e Dimas Fabiano, todos filiados aos partidos integrantes da União Progressista. Mas o próprio senador Pacheco estaria no compasso de espera para saber qual vai ser o seu destino partidário, a partir de janeiro de 2026. Essa realidade força o grupo do governador Zema/Mateus Simões a buscar algum outro tipo de aliança. Resumindo o pleito do próximo ano, pode acontecer a formação de três blocos: um deles com apoio do Palácio do Planalto; o segundo com os apadrinhados do governador do Estado; e uma terceira força, atualmente a mais latente, a ser concebida pelo senador Cleitinho Azevedo, o mesmo que espera herdar a simpatia dos eleitores bolsonaristas.
Número de vítimas da violência escolar cresceu 254% em dez anos

Entre 2013 e 2023, o número de casos de violência escolar no Brasil aumentou em 254%, conforme dados levantados pela Revista Pesquisa Fapesp, vinculada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Além disso, informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que, em 2013, foram contabilizadas cerca de 3.700 vítimas de violência em instituições de ensino, enquanto em 2023 esse número saltou para aproximadamente 13.100. As estatísticas abrangem alunos, docentes e demais integrantes da comunidade escolar. Dentre os registros, aproximadamente 2.200 casos estavam relacionados à violência autoprovocada, como automutilação, ideias suicidas, tentativas de suicídio e suicídios. Esse tipo de ocorrência apresentou um crescimento expressivo, sendo 95 vezes mais frequente ao longo do período analisado. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada e facilitadora em justiça restaurativa, círculos de diálogo de paz, e comunicação não violenta, Jéssica Gonçalves. Como você avalia o aumento de 254% nas vítimas de violência escolar entre 2013 e 2023?Esse crescimento expressivo indica que as escolas, que deveriam ser locais de acolhimento, aprendizado e segurança, estão cada vez mais sendo marcadas por conflitos, medo e insegurança, tanto para estudantes quanto para educadores. Esse cenário mostra que existe uma fragilidade nos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, muitas vezes limitados à punição, sem espaço para diálogo e reconstrução de vínculos. Alia-se a isso uma falta de apoio emocional e psicológico, tanto para estudantes quanto para educadores, o que contribui para a escalada de tensões e comportamentos agressivos. De que forma esse avanço na violência afeta diretamente a qualidade do ensino e o cotidiano de professores e alunos?Na rotina dos professores percebemos um aumento do estresse e da ansiedade, pois se sentem sobrecarregados por terem que lidar com questões que vão além do ensino. Na vida dos estudantes, nota-se que a violência escolar promove o medo de ir à escola, à medida que muitos alunos deixam de frequentar as aulas por receio de se tornarem vítimas de agressões ou bullying. As situações de conflito e violência demandam tempo para serem resolvidas, o que prejudica o andamento do conteúdo pedagógico. As escolas estão preparadas para lidar com esse tipo de ocorrência, tanto do ponto de vista disciplinar quanto emocional?Na maioria dos casos, elas não estão totalmente preparadas para lidar com a violência escolar. Embora existam boas iniciativas em algumas redes de ensino, ainda há muitos desafios estruturais, formativos e culturais a serem enfrentados. Isso se dá porque do ponto de vista disciplinar, as respostas são, em geral, punitivas e imediatistas, como suspensões e transferências, que não resolvem a raiz do problema. As fragilidades emocionais são muito sensíveis, sejam pela falta de equipes multiprofissionais para atender as demandas de estudantes e professores, seja ausência de formação em saúde mental, escuta ativa ou comunicação não violenta, o que limita ações diante de conflitos e traumas. Como as redes sociais e a tecnologia estão impactando a violência escolar, tanto positivamente quanto negativamente?As redes sociais e a tecnologia têm um duplo papel na violência escolar: podem tanto agravar o problema quanto ajudar a combatê-lo. Como impactos negativos podemos destacar a ampliação do bullying e do cyberbullying. Redes sociais são usadas para humilhar, excluir ou ameaçar colegas, muitas vezes de forma anônima ou viralizada, além da disseminação de discursos de ódio e violência. Como pontos positivos, pode ser uma potente ferramenta de prevenção e conscientização de mobilização e educação para a paz, pois são também canais poderosos para campanhas educativas, debates sobre saúde mental, diversidade e combate ao bullying. A tecnologia pode favorecer a denúncia e a visibilidade de casos de violência. O que está faltando nas escolas brasileiras para conter essa escalada da violência?É preciso uma mudança de cultura aliada a investimentos estruturais e humanos. A maioria das escolas ainda responde à violência de forma pontual, reativa e punitiva, quando o que se precisa é de um trabalho contínuo de prevenção, acolhimento e reconstrução de vínculos. A educação socioemocional estruturada no currículo, indo além de projetos isolados, é indispensável para uma mudança de cultura, aliada a uma formação de professores em comunicação não violenta, escuta ativa, mediação de conflitos e justiça restaurativa.
Combate a diabetes e excesso de peso ganha um novo aliado

Disponível nas farmácias brasileiras a partir da primeira quinzena de maio, o Mounjaro chega como mais uma alternativa no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O médico especialista em emagrecimento e saúde integrativa, Lucas Penchel, explica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é uma molécula inovadora que imita a ação de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, atuando diretamente na regulação da saciedade, do apetite e da glicemia. “A medicação ajuda a reprogramar o metabolismo da pessoa, atuando na melhora da glicose e de alterações metabólicas, como a gordura no fígado. Além disso, promove a desinflamação do organismo e contribui para a melhora geral do metabolismo. Por todas essas características peculiares, proporciona uma perda de peso superior à de qualquer outro remédio, sendo a primeira droga comparada à cirurgia bariátrica por possibilitar uma redução maior que 20% do peso corporal”. Penchel ressalta que fatores como sedentarismo, sono de má qualidade, alterações hormonais, ansiedade, uso de medicamentos, metabolismo lento e compulsão alimentar contribuem para o ganho de peso. “A maioria das medicações atua apenas no emagrecimento. No entanto, as causas subjacentes não são tratadas. Ou seja, a pessoa emagrece, mas continua dormindo mal ou apresentando disfunções metabólicas, o que faz com que readquira o peso na maioria das vezes”. “Além do uso de medicamentos, é fundamental um acompanhamento multidisciplinar para tratar fatores que levam ao excesso de peso, como a melhoria do sono, a prática regular de atividade física, a identificação e correção de desequilíbrios hormonais, a hidratação adequada e a criação de uma rotina saudável. Também é essencial abordar questões emocionais, como a ansiedade, que pode levar à compulsão alimentar e comprometer os resultados a longo prazo”, acrescenta. Antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento, é imprescindível realizar um acompanhamento adequado, orienta Penchel. “Sabemos que o efeito sanfona é extremamente prevalente e, muitas vezes, ocorre após a interrupção do uso de medicamentos, especialmente em pessoas que não têm frequência no consultório. O efeito sanfona é muito mais prejudicial para a saúde do que a própria obesidade”. Efeitos colaterais A endocrinologista Alessandra Rascovski alerta que o uso da tirzepatida sem acompanhamento especializado pode acarretar riscos significativos para o paciente. “Perda de peso temporária e efeitos colaterais como náuseas, gastrite, risco nutricional por baixa ingestão de proteínas, pancreatite, alterações renais por desidratação e distúrbios neuropsiquiátricos. O acompanhamento médico é fundamental para identificar e tratar rapidamente possíveis complicações”. Venda apenas com receita Em abril, a Anvisa determinou que a venda do Mounjaro e de outras canetas emagrecedoras só poderá ser realizada mediante retenção da receita médica. Alessandra avalia que a decisão é pertinente. “Um uso racional, orientado por profissional de saúde, permite um melhor controle sobre a utilização da medicação, além de garantir o acesso para quem realmente precisa. O monitoramento da evolução do tratamento também se torna mais provável com a exigência da receita”. Ela ressalta que, apesar do grande potencial desses medicamentos para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, surgem novos desafios relacionados ao uso indiscriminado. “São medicamentos revolucionários. Para os pacientes que realmente necessitam, especialmente com a classe dos agonistas duplos, como a tirzepatida, os resultados têm sido muito positivos e com menos efeitos adversos. No entanto, a prescrição responsável e a educação do paciente, reforçando que essas drogas são auxiliares e não substituem mudanças no estilo de vida, representam um grande desafio para os médicos”.
Novo presidente da AMM promete atuar pela união dos 853 municípios

O prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, eleito presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), toma posse durante o 40º Congresso Mineiro de Municípios, que será realizado nos dias 6 e 7 de maio, em Belo Horizonte. O evento reúne, anualmente, prefeituras, órgãos públicos, autoridades políticas, entidades de classe e empresas que apresentam soluções para as cidades e seus administradores. Falcão foi o primeiro prefeito reeleito da história de Patos de Minas, com 85,19% dos votos válidos, e assume a AMM com o compromisso de unificar e ajudar todos os 853 municípios mineiros. “Quem é prefeito e prefeita sabe a dor da sua cidade. Vamos buscar recursos e auxiliar todos os municípios que precisarem da gente. Essa é uma gestão para todos e tenho falado isso desde que decidi me colocar à disposição dos chefes do Executivo de Minas Gerais. Não podemos pensar em uma associação que atenda parte das cidades ou priorize apenas algumas. Temos que mostrar a força que Minas Gerais possui e participar de todas as conversas importantes que vão gerar conquistas e benefícios para os cidadãos mineiros”, explica. Entre os principais compromissos do presidente eleito da AMM está a ação política para as menores cidades, que acabam tendo maior dependência do repasse de recursos do governo federal. “Além da inversão do pacto federativo, que é luta antiga, vamos trabalhar para mudar os critérios de divisão dos recursos, principalmente para os municípios menores, que são quase 500 com o FPM 0.6. Os municípios médios e grandes têm suas próprias ferramentas, têm recursos próprios, equipes mais adequadas. Já os menores dependem de recursos vinculados e têm pouquíssima margem para fazer até o que é básico”, completa o líder municipalista. A posse oficial será no último dia do 40º Congresso Mineiro de Municípios, no dia 7 de maio, às 17h30. Toda a diretoria eleita será empossada e assumirá os trabalhos na associação já no dia seguinte. O trabalho de transição entre as gestões já foi iniciado. “A nossa intenção, com a ativa participação de toda diretoria, é dar continuidade aos processos que funcionam e fazer cada vez mais com que os gestores entendam que aqui nós vamos apoiar, auxiliar, ajudar e conduzir o que for necessário para ver os municípios se desenvolvendo dia a dia. Minas Gerais precisa ser protagonista e tem força para isso”, finaliza Falcão.
Estudo aponta aumento de 80% na incidência de câncer entre jovens

Com mais de 1,8 milhão de casos, cada vez mais jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo. O aumento foi de 80% em novas ocorrências entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas (1990-2019), segundo um estudo publicado na revista britânica BMJ Oncology. O tumor de mama foi o mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago. Mais de 1 milhão de pessoas dessa faixa etária morreram em decorrência de tumores em 2019, um aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o índice global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de 31% e 21%, respectivamente, em 2030. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos a cada ano do triênio de 2023 a 2025, uma soma que resultará em mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. Para o presidente do Instituto Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, as medidas-chave para conter o avanço desses índices estão nas políticas de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos custos, tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”. Já para a cirurgiã oncológica, docente na Faseh e mestre em Ciências Aplicadas à Oncologia, Fernanda Parreiras, esse crescimento expressivo reflete, em parte, justamente os avanços na detecção precoce. “Exames mais sensíveis e maior conscientização da população fazem com que hoje encontremos tumores que antes só seriam diagnosticados em estágios avançados. Porém, não podemos atribuir tudo ao diagnóstico, há, de fato, uma verdadeira elevação na ocorrência de alguns tipos de câncer em adultos jovens, que em alguns casos estão relacionados a fatores genéticos e também, ou exclusivamente, aos fatores ambientais, como hábitos de vida associados ao aumento da obesidade, uso e abuso de substâncias químicas, exposição à agentes agressores e outros”. “O sedentarismo, por exemplo, contribui para o acúmulo de gordura corporal e inflamação crônica de baixo grau, ambos ligados a maior risco de câncer de cólon, mama e endométrio. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados promovem obesidade e resistência à insulina, condições prótumorais. Além disso, o estresse crônico altera o equilíbrio hormonal e reduz a eficiência do sistema imunológico em reconhecer e eliminar células anormais. Assim, um estilo de vida desequilibrado cria um ambiente interno que facilita o surgimento e a progressão de tumores”, explica. Prevenção Fernanda destaca que a vacinação contra HPV e hepatite B, reduz significativamente os cânceres de colo de útero, orofaringe e fígado; mudança de hábitos; proteção solar; e aconselhamento genético, em famílias com histórico de câncer precoce, permite rastreamento e intervenções personalizadas, são alguns dos cuidados que as pessoas podem ter para se prevenir. Ela cita ainda alguns sinais de alerta que esse grupo não pode ignorar. “Nódulos ou caroços persistentes em qualquer região do corpo; feridas que não cicatrizam em boca, pele ou genitais; sangramentos anormais nas fezes, na urina, no corrimento vaginal ou no vômito; perda de peso inexplicada superior a 5% do peso corporal em seis meses; dor persistente sem causa aparente; e mudanças na pele, como pintas que alteram de cor, tamanho e bordas irregulares”, finaliza.
Decisão do STF amplia incerteza na contratação de pessoa jurídica

Uma determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspende temporariamente todos os processos no país que discutem a legalidade da contratação de trabalhadores como Pessoa Jurídica (PJ), buscando evitar a formação de vínculo empregatício formal. Na decisão, o ministro destacou que a controvérsia tem sobrecarregado o STF, devido ao alto número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes instâncias, desconsideram entendimento já firmado pela Corte. O Supremo autoriza a terceirização, inclusive da atividade-fim das empresas, e não apenas de serviços de apoio como limpeza e vigilância. Para entender os impactos da medida, o Edição do Brasil conversou com o advogado trabalhista Airton Rafael Bier. Qual é o impacto imediato da decisão para os trabalhadores que questionam a “pejotização” na Justiça? Quem tem um processo ativo deve ficar atento, pois ele ficará suspenso até que haja uma decisão definitiva. Isso pode gerar frustração com a paralisação processual e, futuramente, com a possível mudança de entendimento já consolidado na jurisprudência. Na prática, o que muda com a suspensão desses processos? O momento é de incerteza. Para quem já possui uma relação ativa, a suspensão não interfere por agora, mas poderá impactar caso a decisão final seja contrária ao que foi formalizado. Já para quem está prestes a assinar contrato, a indefinição pode levar à suspensão da contratação, por não se saber qual será o entendimento jurídico prevalente. A decisão menciona o descumprimento de entendimentos anteriores do STF por parte da Justiça do Trabalho. Isso pode indicar um conflito de competência entre eles? Não é de hoje a tensão entre a proteção social e a liberdade contratual. O STF vem sinalizando ser adepto da liberdade de ajuste entre as partes, mas a Justiça do Trabalho, fixada em princípios basilares da relação empregatícia, vem afastando contratos que não seguem ou não atendem ao previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse sentido, o conflito de competência já está posto, entre justiça comum e justiça do trabalho. Não um conflito com o STF, pois ambos os caminhos podem ser na Corte Suprema. Agora, o que se espera, é uma decisão que coloque fim ao conflito, decidindo se compete ao Juízo da Justiça Comum ou ao Juízo da Justiça do Trabalho resolver questões que envolvam o contrato de prestação de serviços. O julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1532603 pode influenciar o futuro das relações de trabalho? Seria ideal que essas questões fossem resolvidas pelo Legislativo, mas, diante da omissão, cabe ao STF se posicionar. Se a Corte considerar lícita a pejotização mesmo com indícios de vínculo empregatício, haverá um enfraquecimento da proteção da CLT e expansão desse tipo de contratação. Se, ao contrário, reafirmar a proteção ao trabalho subordinado, a CLT será fortalecida e a pejotização limitada. Quais são os riscos e benefícios da “pejotização” para empresas e trabalhadores?Quando realizada de forma correta, pode beneficiar ambos os lados, proporcionando mais autonomia ao profissional e flexibilidade à empresa. No entanto, ao disfarçar relações de emprego, prejudica os trabalhadores mais vulneráveis, resultando em perda de direitos, queda da renda e do consumo, o que afeta negativamente a economia. O governo federal classificou a “pejotização” como prática de “impacto nefasto” sobre a arrecadação. Esse argumento pode influenciar a decisão do STF? É esperado, sim, que o STF considere impactos econômicos e sociais, cumprindo seu papel mais amplo. Sem dúvida é uma decisão que repercute em todos os aspectos.