Torneio de Motovelocidade será realizado em Curvelo

Com 4.420 metros de extensão, 18 curvas, desníveis e uma reta de 840 metros, o Circuito dos Cristais, em Curvelo, na região Central do Estado, vai receber a quarta etapa do MOTO1000GP, do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, nos dias 2 e 3 de agosto. No início deste ano, o município sediou a segunda etapa da temporada e registrou o maior público do campeonato na cidade, que integra o calendário desde 2023. As atividades de pista começam no dia 1º de agosto, com mais de 50 sessões entre treinos, classificatórios e corridas. E, no fim de semana, estão previstas provas das oito categorias da competição: GP1000, Daytona 660 Cup, GP600, Motul 300V Cup, Yamaha R15 BLU CRU LA, Yamalube R3 BLU CRU LA Cup e Talent e Mottu Endurance. Todas as corridas serão transmitidas no YouTube do MOTO1000GP, e também, no domingo, no canal BandSports, na plataforma RACER e no Motorsport.com. Além do New Brasil, canal do grupo Bandeirantes. O organizador do evento, Donato Khouri, explica que o município de Minas tem papel importante na motovelocidade nacional por contar com uma das poucas pistas aptas a receber provas com segurança e estrutura adequada. “Em 2025, o MOTO1000GP terá etapas em cinco autódromos, e o Circuito dos Cristais segue como uma das principais opções do calendário. A etapa de agosto, inclusive, estava inicialmente prevista para Goiânia, que passa por reformas para receber o MotoGP em 2026, reforçando ainda mais a relevância de Curvelo para a continuidade do campeonato”. Ele destaca ainda que a motovelocidade é um esporte ainda em expansão no Brasil. “Porém, o nosso objetivo é que, como nos principais mercados do mundo, a modalidade seja uma ferramenta de desenvolvimento de tecnologias. Isso é muito importante, especialmente em um país com um mercado de quase 2 milhões de motos produzidas por ano”. Os ingressos para o evento já estão disponíveis no Sympla, com opções para diferentes experiências a partir de R$ 30. Além das credenciais à venda e distribuídas para os convidados, terá um local com entrada gratuita, estacionamento e food trucks para 10 mil pessoas. As cortesias podem ser retiradas nos pontos de venda físicos de Curvelo e Belo Horizonte. Já à próxima etapa do MOTO1000GP será em Cascavel, no Paraná, nos dias 30 e 31 de agosto. Novos talentos A competição conta com mais de 150 pilotos de 10 diferentes países. De acordo com Khouri, o MOTO1000GP foca muito no desenvolvimento de novos talentos, em fornecer condições seguras para que eles se desenvolvam no esporte. “A Yamalube R3 BLU CRU LA Talent, categoria para pilotos de 12 a 22 anos, leva todos os anos, os dois primeiros na classificação do campeonato para competir na R3 World, que reúne competidores do mundo dentro do WSBK, uma das maiores competições de motociclismo que temos”. “O torneio também é uma alternativa para aqueles que retornam ao Brasil, ou que focam no desenvolvimento nacional. A competição é importante por ser vitrine para novos talentos, mas também por fornecer opções de categorias para o desenvolvimento dos pilotos até a GP1000, com as motos de mil cilindradas”, acrescenta. O circuito Khouri pontua que o circuito é a pista mais longa e técnica que o MOTO1000GP visita. “Os pilotos precisam de um maior preparo, principalmente físico. Pode ser um pouco complicado no início para quem nunca competiu no circuito. Além disso, é uma pista segura, e o autódromo tem uma ótima estrutura para o evento”. Para o mineiro Diego Hilel, campeão da 1000 Light em 2024 e piloto da 1000 Evo nesta temporada, a exigência da pista vai além da técnica. “O Circuito dos Cristais é o autódromo de maior complexidade técnica do calendário. Exige muito fisicamente, não só pelo calor, mas pelas muitas curvas e chicanes”. A sequência de aceleração e frenagem curtas, somada às subidas e descidas do traçado, impõe um desafio constante, afirma o piloto da Castrol. “É um circuito de muita aceleração e frenagem curta. Você acelera e freia o tempo inteiro. Se a moto não estiver bem ajustada, o piloto não consegue extrair desempenho. Tem curva cega, chicane antes de reta, depois de reta. Exige leitura de pista e pilotagem limpa”, finaliza.

Insuficiência cardíaca exige atenção e diagnóstico precoce

Uma das doenças cardiovasculares que mais cresce no Brasil, a insuficiência cardíaca, já atinge entre 3 a 5% da população, segundo estimativas de especialistas, e responde por milhares de internações hospitalares todos os anos. Mesmo assim, continua sendo subdiagnosticada e pouco debatida. Caracterizada pela incapacidade do coração de bombear o sangue de forma eficiente, a insuficiência cardíaca é a via final comum de uma série de doenças, como hipertensão, diabetes, infartos e enfermidades das válvulas cardíacas. Seus sintomas, como falta de ar, fadiga e inchaço nas pernas, são frequentemente confundidos com sinais de envelhecimento ou estresse cotidiano, o que atrasa o diagnóstico. “O grande problema hoje é o diagnóstico precoce e adequado da doença. Muitas vezes, o paciente hipertenso nem sabe que tem pressão alta, ou não trata de forma correta. Isso cria um enorme contingente de pessoas que evoluem para insuficiência cardíaca sem saber”, afirma o cardiologista Marcelo Montera. “O cenário é grave e estamos diante de uma população que está adoecendo em ritmo acelerado. O envelhecimento, aliado à epidemia de obesidade e ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, tem alimentado silenciosamente uma crise de insuficiência cardíaca no país”, alerta. Para Mucio Tavares, também cardiologista, a doença permanece pouco conhecida porque seus sintomas são inespecíficos e, muitas vezes, nem são discutidos com o paciente no momento da consulta. “Mesmo quando os sinais estão presentes, podem ser confundidos com outras condições. Além disso, a maioria dos casos evolui lentamente, ao longo de anos, o que dificulta ainda mais a detecção precoce”, explica. Dados do Ministério da Saúde revelam que as doenças do coração foram a principal causa de morte no país, em 2024, superando o câncer. Em 2025, segundo dados do DataSUS, entre janeiro e abril, o Brasil registrou 65.533 internações por insuficiência cardíaca, um aumento de 2,43% em relação ao mesmo período de 2024. As regiões Norte (+5,16%), Sudeste (+3,56%) e Nordeste (+2,81%) puxaram o crescimento. Apesar dessas estatísticas, Montera lembra que a insuficiência cardíaca ainda não recebe a mesma atenção pública. “Hoje, a doença mata muito mais que o câncer de próstata e, mesmo assim, não temos campanhas de prevenção na mídia. É uma questão de saúde pública que precisa ser enfrentada com seriedade e políticas consistentes”. Para detectar a enfermidade precocemente, Tavares explica que exames como ecocardiograma e dosagens hormonais de BNP e NT-proBNP são essenciais. “Esses marcadores têm alta curácia e ajudam a identificar tanto a presença quanto o risco de insuficiência cardíaca antes mesmo dos sintomas aparecerem. Mas é preciso que o médico, principalmente o da atenção primária, esteja atento aos sinais e peça esses exames quando necessário”. Casos em jovens preocupa Outro fator preocupante é o crescimento da doença entre jovens adultos, devido ao sedentarismo, má alimentação e excesso de estresse. “Hoje vemos cada vez mais pacientes jovens com insuficiência cardíaca. Pacientes que sobrevivem a infartos, por exemplo, frequentemente ficam com o coração enfraquecido. E isso tem contribuído para o aumento das estatísticas”, observa o cardiologista Dr. Gustavo Duque. A projeção é alarmante para os próximos anos. “Com melhores condições de saúde e tratamento, a população tem envelhecido, mas também adoecido. Estima-se um aumento de cerca de 25% nos casos de insuficiência cardíaca até 2030”, reforça. Tavares diz que houve avanços significativos no tratamento. “Hoje, a insuficiência cardíaca é uma das áreas da cardiologia com mais evolução. Temos medicamentos modernos que reduzem hospitalizações e prolongam a sobrevida. Usando as quatro classes de drogas indicadas, conseguimos aumentar a expectativa de vida em até sete anos nos casos mais sintomáticos”. Além dos remédios, existem dispositivos implantáveis, como ressincronizadores, desfibriladores e assistentes ventriculares, que melhoram a função do coração e reduzem o risco de morte súbita. Segundo Tavares, o grande desafio continua sendo o acesso. “O Brasil não tem estrutura suficiente para tratar todos os pacientes. A atenção primária precisa estar mais capacitada e equipada para o diagnóstico precoce e para o encaminhamento aos centros especializados”, conclui.

Estado registrou 58,3 mil novas empresas no primeiro semestre

Minas Gerais registrou, pelo menos, 10 mil novas empresas a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo a Junta Comercial do Estado (Jucemg), no primeiro semestre deste ano, já foram registrados 58.399 novos empreendimentos, superando em 21,3% o resultado em 2024. Em junho, foram 8.613 novas firmas, 5,6% a mais que no ano passado. Todas as regiões apresentaram saldo positivo, com destaque para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, que cresceram 33,68%. Na sequência, Norte de Minas (29,35%), Central (23,85%) e Centro-Oeste (20,47%). O setor de serviços liderou a abertura de empresas, com 43.336 novos registros e alta de 24,39%. O comércio cresceu 13,28%, com 12.383 empresas abertas, enquanto a indústria avançou 12,28%, com 2.679 registros. Em junho, os serviços se destacaram novamente, com alta de 8,53%, seguidos pela indústria (+9,12%). Já o comércio teve leve queda de 4,29%. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, afirma que o crescimento na abertura de empresas reforça a melhoria no ambiente de negócios nos municípios mineiros. “Essa ação estratégica do Governo de Minas tem apresentado resultados surpreendentes em regiões que precisavam de mais desenvolvimento. Novas empresas significam novos empregos”. Conforme o economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, houve um crescimento na abertura de empresas nos últimos anos, não só em Minas Gerais, mas em todo o país. “Minas tem se destacado porque apostou na desburocratização e na facilidade para a abertura de empresas, com maior digitalização e menor tempo de espera. O Estado também tem investido em políticas públicas para incentivar o empreendedorismo”. “Porém, tem vários outros fatores associados, como o avanço da economia que foi consistente nos últimos anos, em 2023 e 2024, crescendo acima de 3%, tanto no país quanto em Minas, o que gera confiança na população. E também tem um sentimento dos brasileiros de maior busca no empreendedorismo e menos no trabalho formal”, observa o profissional. Aguiar destaca ainda que os dados mostram que a maior concentração das aberturas das empresas em Minas tem sido no setor de comércio e serviço. “E isso está relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que tem sido alavancado fortemente por esses ramos”. “Além do crescimento sustentável da economia nos últimos anos, alguns indicadores econômicos favorecem esse cenário de estabilidade para que mais pessoas busquem o caminho do empreendedorismo, como o aumento da renda dos brasileiros e a queda do desemprego. Isso tudo favorece para que as pessoas criem condições de abrir seu próprio negócio”, acrescenta. Ainda de acordo com a pesquisa, o primeiro semestre somou 46.164 extinções empresariais, uma variação de 50,60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deste total, 6.617 empresas fecharam as portas em junho. Cidades Belo Horizonte segue como o município com o maior número de empresas abertas no primeiro semestre de 2025. Foram 15.954 formalizações, alta de 23,36% em relação ao mesmo período do ano passado (12.933). Em junho, a capital mineira registrou 2.430 novos negócios, alta de 9,61% em relação a 2024 (2.217). Seguindo o ranking dos demais municípios, nos mesmos intervalos comparados, aparecem: Uberlândia (3.359 no ano e 506 em junho), Contagem (1.940 e 307), Juiz de Fora (1.574 e 226) e Montes Claros (1.297 e 192). Além de Betim (1.134 e 161), Uberaba (1.086 e 139), Divinópolis (815 e 108), Governador Valadares (717 e 121) e Patos de Minas (705 e 86). O economista finaliza dizendo que acredita que a tendência é seguir avançando o índice de criação de empresas. “Ao que tudo indica, a taxa básica de juros não deve aumentar mais neste ano. E a perspectiva é que a economia tenha um crescimento expressivo de 2,5%. Com a expectativa do índice do desemprego caindo e a renda dos brasileiros em patamar elevado, a economia continuará aquecida, fazendo que as gerações das empresas continuem em ritmo acelerado”.

Exportações do agro mineiro somam R$ 54,5 bilhões

Dados do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostraram que as exportações do agronegócio mineiro totalizaram US$ 9,8 bilhões (aproximadamente R$ 54,5 bilhões) no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Por outro lado, o volume embarcado foi de 8,5 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 9% na comparação anual. Segundo informações da Seapa, Minas Gerais exportou mais de 560 tipos distintos de produtos agropecuários para 169 países. Os principais destinos foram China (25,4%), Estados Unidos (12%), Alemanha (8,1%), Itália (5,5%) e Japão (4,6%). O café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, foi responsável por mais de 56% da receita do setor. As vendas externas da commodity somaram US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 30,6 bilhões), registrando um aumento de 61% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar disso, o total embarcado foi de 13,7 milhões de sacas, o que representa uma queda de 8,8%. Esse resultado indica que o aumento da receita se deveu, principalmente, aos preços historicamente elevados, impulsionados pela oferta global reduzida e pela demanda aquecida em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica. O segmento de carnes, incluindo as variedades bovina, suína e de frango, também se destacou, com exportações que somaram US$ 831,6 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025, um avanço de 16,8%. O volume exportado chegou a 238,6 mil toneladas, representando um crescimento de 4,5%. Para o economista Pedro Ribeiro, “o salto de 18% em receita, mesmo diante de recuo em volume, demonstra o forte impacto da valorização internacional das commodities, especialmente do café e das proteínas animais. A política de cotas e barreiras sanitárias em outros países pressionou preços, e Minas soube aproveitar a oportunidade com oferta qualificada”. A crise logística global segue influenciando custos, mas Minas amadureceu sua infraestrutura, salienta Ribeiro. “Centros de armazenamento, certificações e rotas interiorporto mais eficientes reduziram prazos e perdas, agregando valor aos produtos mineiros”. O engenheiro agrônomo João Figueiredo explica que o governo mineiro atuou com políticas estratégicas. “Incentivo à irrigação, regularização fundiária e assistência técnica robusta. Isso dinamizou a produção, especialmente do café, gerando maior qualidade e volume exportável”. Ele destaca a competitividade global e avanço tecnológico e sustentabilidade como um dos principais benefícios para a economia. “O crescimento reforça o papel de Minas como terceiro maior exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, além disso, a busca por certificações e padrões FIT promove práticas ambientais mais responsáveis, melhor gestão hídrica e valorização das propriedades”. Ribeiro ressalta a geração de empregos e a renda em moeda estrangeira. “O agronegócio continuou sendo o principal motor de desenvolvimento nas áreas rurais, com efeito dominó nos serviços, transporte, armazenagem e segurança alimentar. E a entrada de dólares fortalece as contas externas do país, reduz a pressão sobre o câmbio e garante margem para investimento em infraestrutura”. De acordo com Figueiredo, a expectativa para os próximos meses é grande, mas alguns desafios exigem atenção. “As condições climáticas, tanto em Minas quanto em regiões produtoras da América Latina, podem influenciar o volume disponível para exportação e os estoques globais, especialmente de café, o que favorece preços, mas aumenta a volatilidade”. “Além disso, o cenário cambial e barreiras comerciais, com eventuais tarifas ou reforço de padrões sanitários, podem afetar a dinâmica dos negócios, porém, a demanda global, especialmente por parte da China e Estados Unidos, tende a se manter estável ou crescer, beneficiando o agronegócio brasileiro”, conclui.

Lei de Inclusão faz 10 anos com avanços no mercado de trabalho

A Lei nº 13.146/2015, também conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), completou uma década e se consolidou como um marco na garantia de direitos e na promoção da inclusão social. De acordo com o Ministério do Trabalho, entre 2009 e 2021, o número de contratações de pessoas com deficiência teve um aumento de 78,44%, enquanto o mercado formal registrou crescimento de 18,26%. Já em 2024, mais de 27 mil pessoas com deficiência foram inseridas no mercado de trabalho graças a ações de fiscalização conduzidas por auditores trabalhistas. Minas Gerais se sobressai nesse cenário, com 60% das vagas destinadas a pessoas com deficiência sendo ocupadas, percentual superior à média nacional, que é de 57,8%. O Estado concentra 10% das empresas obrigadas a cumprir a legislação de cotas. Para discutir sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o Gerente de Projetos do Instituto Ester Assumpção, Felipe José de Sá. Quais são os principais avanços observados nos últimos 10 anos no ambiente de trabalho para pessoas com deficiência? A LBI consolidou a visão da deficiência sob a ótica dos direitos humanos, e não mais assistencialista. A pauta Diversidade e Inclusão, conectada à agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), ganhou força e empresas começaram a entender que a inclusão não é apenas uma obrigação, mas um diferencial competitivo que gera inovação. A tecnologia se tornou uma grande aliada, softwares de leitura de tela, aplicativos de comunicação alternativa e ferramentas de trabalho remoto removeram barreiras físicas e de comunicação. Com isso, houve um crescimento de iniciativas que focam não apenas em preencher vagas, mas qualificar a pessoa com deficiência. As empresas estão mais conscientes sobre acessibilidade e inclusão, ou ainda veem isso apenas como obrigação legal? A maioria das empresas, infelizmente, ainda é movida primariamente pela Lei de Cotas. Contratam para evitar multas, geralmente em cargos de base, sem um plano de carreira ou investimento real em acessibilidade e cultura inclusiva. Porém, há algumas que, ao vivenciarem a inclusão, perceberam seus benefícios. Nosso trabalho de assessoria atua muito com este grupo, ajudando a transformar a obrigação em um valor genuíno. Apesar da legislação, quais barreiras ainda dificultam o acesso e a permanência da pessoa com deficiência no mercado de trabalho? O capacitismo é a principal e a mais difícil de quebrar. É o preconceito, a infantilização, a crença de que a pessoa com deficiência é menos capaz, que vai faltar mais ou que não se adaptará. Além disso, há barreiras como falta de intérpretes de Libras em reuniões e eventos, ausência de legendas em vídeos, sistemas internos e sites que não são acessíveis para leitores de tela, banheiros não adaptados, estações de trabalho inadequadas, refeitórios inacessíveis e processos de recrutamento e seleção rígidos que não preveem adaptações. Como você avalia a efetividade da fiscalização sobre o cumprimento da Lei de Cotas e da LBI no ambiente profissional? A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego é fundamental e indispensável, no entanto, sua efetividade necessita de alguns fatores como: Avaliação da qualidade da inclusão (os cargos oferecidos, as condições de acessibilidade) e ampliar a estrutura para fazer um acompanhamento profundo e contínuo de todas as empresas. A LBI ampliou o escopo para além da cota, exigindo um ambiente inclusivo, mas a tradução disso em critérios objetivos de fiscalização ainda é um desafio. De que forma os setores público e privado podem melhorar o acesso a oportunidades de capacitação inclusiva e ampliar o acesso às funções de liderança e gestão? O setor público pode criar e financiar programas de formação profissional que já nasçam acessíveis, em parceria com instituições especializadas, e garantir que os concursos públicos e os planos de carreira dentro do serviço público sejam genuinamente inclusivos. No privado, destinar recursos para programas de mentoria e patrocínio focados em acelerar a carreira de profissionais com deficiência, treinar gestores para liderar equipes diversas e combater o capacitismo, garantir que todas as plataformas de e-learning, workshops e treinamentos corporativos sejam 100% acessíveis.

Maior rally das Américas chega à sua 33ª edição

Entre os dias 26 de julho e 3 de agosto, a edição 2025 do Sertões resgata suas origens ao mesmo tempo em que projeta novos horizontes. Na sua 33ª edição, o maior rally das Américas terá um trajeto de 3.482 quilômetros, sendo 2.215 deles em trechos cronometrados. O percurso atravessará cinco estados brasileiros (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Alagoas) até alcançar a linha de chegada na Praia do Francês, em Marechal Deodoro (AL), onde os campeões serão consagrados. O trajeto foi cuidadosamente planejado para desafiar tanto os pilotos quanto seus veículos, explorando uma variedade de terrenos. Os competidores enfrentarão piçarra, areia, trechos de pedra (tipo trial), serras e mudanças constantes de altitude, exigindo alto nível de navegação. Motos, carros, UTVs e quadriciclos voltarão a cruzar o país levantando poeira, com a promessa de disputas acirradas até os momentos finais da prova. Para a CEO do Sertões, Leonora Guedes, o desafio a cada edição é de trazer novos elementos, evoluir do ponto de vista tecnológico e proporcionar uma experiência diferente, à altura dessa tradição. “Mais uma vez contaremos com a participação de competidores de vários países; um nível técnico elevadíssimo nas três modalidades (carro, moto e UTV) e o roteiro escolhido para este ano será extremamente exigente, para testar pilotos, navegadores e máquinas. Por outro lado, queremos dar novos passos em nossa caminhada que tem feito do Sertões uma referência também em sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e preocupação com as pessoas”. Ela explica que o Sertões chega com uma caravana de aproximadamente 2.500 pessoas entre competidores, equipes, organização, imprensa e integrantes das expedições turísticas. “Essa ‘mini cidade’ movimenta toda a cadeia produtiva do turismo. Estimamos em cerca de R$ 2 milhões/dia o impacto econômico direto. Além disso, o Sertões é uma grande vitrine, tendo visibilidade nacional e internacional, pois as cidades e suas paisagens são o pano de fundo da competição. Em 2024 o retorno de mídia gerado pelo rally superou os R$ 237 milhões”. A CEO afirma que a presença das cidades mineiras, Unaí e Januária, no roteiro do Sertões 2025 se encaixa perfeitamente no principal conceito da prova, que é um retorno às raízes. “Januária fez parte do percurso da primeira edição do rally, realizada em 1993; enquanto Unaí recebeu a prova pela última vez em 2010. As respectivas regiões nos permitem desenhar etapas cada vez mais exigentes e técnicas, além de contarem com atrativos turísticos no entorno, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Minas Gerais é parte fundamental da história do Sertões”. Segundo Leonora, deixar um legado positivo e concreto nas regiões atravessadas pelo rally é hoje uma premissa do Sertões, e no caso de Minas não é diferente. “Queremos que as pessoas sejam parte do evento, nos vejam como exemplo e inspiração e se envolvam com as diferentes iniciativas socioambientais. Entre as ações previstas está a realização do Concurso de Artes Sertões, que envolve estudantes do ensino fundamental por meio de desenhos e redações, expressando-se sobre temas ligados à sustentabilidade e ao ambiente”. “Além disso, em Januária e Montalvânia haverá a entrega de filtros a comunidades que não contam com água tratada, parte de uma parceria com a Conasa Infraestrutura, que desenvolveu um equipamento barato, simples e que pode ser replicado sem grande dificuldade. Januária ainda receberá uma ação da SAS Brasil, organização social parceira do rally que presta atendimento médico especializado. As Vilas Sertões contarão com coleta seletiva de resíduos e o material será tratado e destinado à reciclagem. Vale destacar que todas as emissões de carbono geradas pelo rally são neutralizadas”, destaca. Os locais escolhidos nas diferentes cidades para receber a estrutura do rally têm acesso gratuito à população. “Queremos que todos vivenciem o evento, conheçam de perto os participantes e seus veículos, assim como as diferentes iniciativas socioambientais”. O público terá ainda a chance de acompanhar a prova através da cobertura de grandes veículos de mídia, dos programas exibidos no YouTube (SertõesOficial), pelas redes sociais e pela plataforma rally.sertoes.com.br.

Golpes por SMS já geraram mais de RS 10 bilhões em prejuízos

De acordo com o relatório da Apura Cyber Intelligence, uma onda de golpe por SMS, também conhecido como “smishing”, se destacou pela velocidade e alcance no Brasil. Conforme uma pesquisa da Norton, 54% das tentativas de fraude no país foram feitas por SMS, sendo que 43% das pessoas que receberam essas mensagens acabaram caindo no golpe. Dessas vítimas, 77% sofreram prejuízos financeiros, com perdas que vão de R$ 1,2 mil a até R$ 40 mil. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o total de perdas financeiras causadas por golpes no Brasil saltou de R$ 8,6 bilhões, em 2023, para R$ 10,1 bilhões em 2024, um crescimento de 17%. O relatório apresenta como uma das principais modalidades de fraude, as centenas de sites falsos que foram criados para enganar vítimas por meio de falsas notificações de encomendas, avisos de valores a receber e alertas de cassação da CNH. As mensagens continham links que levavam a sites fraudulentos, semelhantes a portais de empresas de logística e órgãos governamentais, induzindo as vítimas a pagar supostas taxas por meio de boleto ou pagamento instantâneo. “Conseguimos identificar, com o auxílio de nossa ferramenta de inteligência de ameaças e técnicas de investigação em fontes abertas, que mais de 300 domínios falsos foram usados apenas em campanhas que simulavam comunicações dos Correios, ampliando significativamente o alcance e o impacto dos golpes”, afirma o coordenador de reports na Apura, Marco Romer. Na avaliação do professor de prática e processo penal, Luiz Alberto Miranda Júnior, os golpes por SMS são frequentes, especialmente pela facilidade de atingir milhares de pessoas com ferramentas automatizadas de envio em massa. “Os fraudadores, geralmente, possuem listas de potenciais vítimas – aposentados, correntistas de bancos, motoristas, entre outros – e se utilizam de mensagens para induzi-las ao erro”. O objetivo comum dessas fraudes é coletar dados bancários e pessoais, redirecionando a vítima para sites falsos e instalando, por vezes, aplicativos maliciosos, afirma o professor. “Embora não exista legislação específica sobre golpes por SMS, tais condutas configuram, em regra, os crimes de estelionato e falsidade ideológica. Registre-se que a Lei nº 14.155/2021 agravou a penalidade quando a fraude é cometida por meio eletrônico, com pena de reclusão de 4 a 8 anos, se a vítima foi induzida ao erro por redes sociais, ligações telefônicas ou mensagens fraudulentas”. Principais golpes Júnior cita que os principais golpes são: falso aviso de banco, o SMS informa movimentação suspeita ou bloqueio da conta, solicitando “regularização” por meio de link; nome negativado, a mensagem menciona suposta negativação no Serasa ou SPC, ou existência de multas e débitos, com link para “consulta”; e cartão bloqueado ou transação recusada, alerta falso de tentativa de compra suspeita ou bloqueio de cartão. Ele orienta que ao identificar a fraude, é fundamental registrar boletim de ocorrência imediatamente. “Em caso de falsificação bancária, contatar o banco pelo canal oficial, bloquear transações e formalizar a contestação; e nos demais casos, alterar senhas de e-mails, redes sociais e aplicativos, e acionar o suporte da plataforma envolvida (como WhatsApp, Instagram, Mercado Livre)”. O professor ressalta ainda que é possível pleitear judicialmente a restituição do prejuízo. “Desde que demonstrada falha na segurança do sistema, especialmente em transações atípicas, como múltiplos empréstimos seguidos de Pix para contas não cadastradas. Nestes casos, entende-se que o banco possui mecanismos para detectar e bloquear tais operações”. “A melhor medida preventiva é a desconfiança. Bancos e plataformas não enviam links por SMS nem solicitam a instalação de aplicativos por mensagens ou chamadas telefônicas. O uso da autenticação em dois fatores tem se mostrado uma ferramenta eficaz para dificultar o acesso indevido”, finaliza.

Minas espera mais de 4 milhões de visitantes nas férias de julho

Julho reforça a posição de Minas Gerais como um dos destinos turísticos mais procurados do país. Segundo dados do Observatório do Turismo, compilados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), a expectativa é de que mais de 4 milhões de visitantes passem pelo Estado neste mês, um aumento superior a 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As estatísticas indicam um crescimento consistente em todos os indicadores do setor. A previsão é que o total de pousos e decolagens ultrapasse 13 mil operações, o que representa um avanço aproximado de 11,5% em relação a julho de 2024. No caso dos aeroportos de Minas Gerais, o número de passageiros internacionais deve chegar a 70 mil, registrando um aumento de 26% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A ocupação dos meios de hospedagem se aproxima dos 80%, sinalizando a retomada sólida do setor hoteleiro. Esse desempenho reflete o impacto positivo dos eventos culturais, do turismo rural e da valorização do patrimônio histórico. Segundo a turismóloga, Ana Carolina Costa, a projeção otimista se baseia em dados de fluxo hoteleiro, movimentação nas rodovias, vendas de pacotes turísticos e eventos culturais programados para o mês, tradicionalmente marcado pelas férias escolares. “Além disso, o clima ameno e as festas típicas de inverno contribuem para atrair turistas de todas as partes do país. O mineiro sempre soube receber bem, mas agora, com mais visibilidade, o que era uma virtude virou ativo econômico. O visitante encontra em cidades como Tiradentes, Ouro Preto, Diamantina e São João del-Rei uma experiência completa, que une história viva, culinária premiada e um clima de interior que encanta”. O incremento na programação cultural tem papel fundamental nesse cenário. Festivais de inverno, como os de Ouro Preto, Itabira e Congonhas, oferecem apresentações musicais, exposições de arte, oficinas e feiras de artesanato, atraindo públicos diversos. Para o agente de viagens, Vicente Brandão, “Minas está aproveitando de forma muito estratégica seus diferenciais: é um Estado com identidade própria, muitas regiões autossuficientes em atrativos turísticos e um povo que enxerga no turista uma oportunidade, não um transtorno”. Ele ressalta que o crescimento do fluxo turístico é uma oportunidade para o Estado ampliar políticas de inclusão produtiva e fomentar o empreendedorismo em áreas historicamente menos favorecidas. “O turismo pode ser, cada vez mais, uma porta de entrada para o desenvolvimento regional sustentável”. “A diversificação dos roteiros turísticos, para além das cidades históricas, incluindo destinos de ecoturismo e turismo rural em regiões como Serra da Canastra, Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata, assim como a valorização de eventos culturais locais, como festivais gastronômicos, festas religiosas e manifestações folclóricas, que ajudam a fixar a identidade mineira como diferencial competitivo são estratégias importantes”, destaca Brandão. Ana Carolina salienta o incentivo à formalização e capacitação de profissionais do setor, garantindo que a qualidade no atendimento acompanhe o crescimento da demanda. “A tendência é que o turismo em Minas continue em expansão se for tratado como política pública estruturante. O Estado não vende apenas paisagens, vende afeto, memória e autenticidade, mas, para que essa ‘marca’ permaneça forte, é preciso investir em experiências de qualidade, acessibilidade e sustentabilidade”.

Automedicação causa 20 mil mortes todos os anos no Brasil

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), a automedicação causa cerca de 20 mil mortes no Brasil todos os anos, já sendo considerada, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um problema de saúde pública. Em 2023, um estudo da Anvisa mostrou que houve mais de 30 mil casos de intoxicação apenas naquele ano causados por automedicação com remédios comuns, como anti-inflamatórios, analgésicos e antialérgicos. Entre os efeitos colaterais, foram registrados casos de alergias graves, hemorragias gástricas e insuficiência renal aguda. O gerente médico das emergências de um complexo hospitalar, Thiago Mattos, alerta que a prática de tomar remédios que já funcionaram antes para tratar um problema corriqueiro é muito comum entre os brasileiros. “Mas, apesar de parecer uma solução rápida para solucionar casos de febre, azia ou dores pelo corpo, a medicação que não é orientada por um especialista pode causar intoxicação, reações adversas e até mesmo agravar doenças que o paciente já tenha”. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais e cooperado da Unimed BH, Último Libânio da Costa, a facilidade para aquisição de remédios no Brasil favorece a prática. “A sociedade recorre a medicamentos sem prescrição médica, muitas vezes por recomendação de familiares, amigos ou buscas pela internet. Essas pessoas, em geral, não dominam o assunto por não terem formação profissional na área. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde também pode ser outro fator”. Costa pontua que o uso inadequado de medicamentos pode levar ao agravamento de condições clínicas pré-existentes. “Reações adversas, por vezes graves à saúde. O uso de sintomáticos de forma descontrolada pode mascarar sintomas de doenças, levando ao atraso de diagnósticos e tratamentos”. “No Brasil, os medicamentos mais utilizados são os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. São muito usados também descongestionantes nasais, expectorantes, antiácidos e antibióticos. O uso inapropriado de antibióticos é a principal causa de resistência das bactérias aos tratamentos, apesar da exigência de retenção de receita, é muito comum pessoas se utilizarem de sobras de procedimentos incompletos”, acrescenta. Grupos mais vulneráveis O presidente esclarece que as crianças e os idosos, além das pessoas que fazem uso de medicação contínua, pelo maior risco de interações medicamentosas, são as mais vulneráveis. “Em pacientes internados, há um risco alto em situações em que acompanhantes e, às vezes, o próprio paciente, fazem uso de medicamentos por conta própria sem conhecimento da equipe que o assiste”. “O uso indiscriminado de medicamentos pode causar prejuízos irreversíveis. As pessoas se preocupam com os efeitos colaterais digestivos dos anti-inflamatórios, porém, um problema silencioso é o dano renal. O paciente não vai sentir dor, nem diminuição do volume urinário. Quando os sintomas surgirem, já terá ocorrido algo mais grave”, alerta o profissional. Ele ressalta ainda que a atenção primária, que é aquele atendimento prestado nos postos de saúde, pode contribuir para redução da automedicação. “Tornar essa estrutura mais equipada e com condições adequadas, tanto para o prestador como para o usuário, elevará a qualidade na assistência e no acesso. Além de medidas efetivas de fiscalização e controle da venda de medicamentos sem receita e da veiculação de informações falsas sobre saúde”. “Muitas vezes, mudanças de estilo de vida, buscando hábitos saudáveis, resolvem ou atenuam problemas que pareciam sem solução. Aderir a atitudes de prevenção, como criar hábitos alimentares saudáveis, praticar atividade física regularmente, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas (ou fazê-lo com moderação), ter uma boa higiene do sono e manter-se sempre bem hidratado, são medidas simples que podem prevenir doenças ou, caso ainda assim elas ocorram, tornam o organismo mais preparado para enfrentá-las”, finaliza.

Gastos com crianças e adolescentes representam menos de 2,5% do PIB

O Brasil destinou mais recursos às políticas públicas voltadas à infância e adolescência nos últimos anos, mas o investimento ainda está longe de alcançar o patamar necessário para garantir direitos básicos dessa população. É o que aponta o relatório “Gasto Social com Crianças e Adolescentes no Orçamento Federal 2019-2024”, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o levantamento, o Gasto Social com Crianças e Adolescentes (GSCA) no Orçamento Geral da União passou de 3,36% em 2019 para 4,91% em 2024, com pico de 5,31% em 2023. Apesar do avanço, o valor nunca superou 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a taxa de execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Para compreender melhor os dados, o Edição do Brasil entrevistou Liliana Chopitea, chefe de Políticas Sociais do Unicef no Brasil. O GSCA cresceu entre 2019 e 2024, mas nunca alcançou 2,5% do PIB. Por que esse percentual é considerado insuficiente? A pesquisa revela que, embora a maior parte do orçamento esteja sendo alocada ao alívio à miséria e, principalmente, às transferências de renda, houve impacto positivo na redução da pobreza monetária nas crianças e adolescentes, mas ainda temos grandes desafios. Quase 30% delas, com idades entre 0 e 17 anos, vivem em pobreza multidimensional, ou seja, privadas de direitos básicos como educação, saúde, saneamento, moradia e acesso à informação. Por isso, esse percentual ainda é baixo frente à magnitude das necessidades. A maior parte dos recursos foi destinada a ações de alívio à pobreza e assistência social. Como garantir que outras áreas também sejam fortalecidas? É importante reconhecer que a Agenda Transversal Crianças e Adolescentes do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 já representa um passo fundamental. Ela permite esse olhar integrado e intersetorial, incluindo políticas de saúde, educação, saneamento, entre outras. Com base nessa agenda, é possível planejar melhor o orçamento e direcionar os investimentos com mais precisão, de acordo com as necessidades regionais e temáticas. A execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Como você avalia essa redução? Mesmo com essa queda, ainda se manteve acima de 90%, o que é positivo, especialmente se compararmos com outros segmentos que não conseguem executar seus orçamentos. Quando os recursos são alocados para a infância, tendem a ser efetivamente gastos, o que mostra capacidade de execução. Defendemos que o termo “gasto” seja substituído por “investimento social em crianças e adolescentes”, pois é disso que se trata, investimento no presente para garantir o futuro do país. Com as medidas de contenção de gastos, quais são os riscos para o financiamento das políticas sociais voltadas às crianças e adolescentes? A proposta da LDO para 2025 prevê um aumento de 1,9% no Orçamento Geral da União em comparação à de 2024. O ideal é que esse incremento seja aprovado e mantido pelo Congresso. Infelizmente, contingenciamentos são possíveis e costumam atingir mais a assistência social do que saúde e educação, que possuem pisos constitucionais. Mesmo diante de restrições fiscais, é essencial que as políticas voltadas para crianças e adolescentes sejam preservadas e priorizadas. O relatório recomenda a identificação das faixas etárias beneficiadas por cada ação. Como isso pode contribuir para a transparência e eficácia das políticas públicas? A informação é uma aliada fundamental da transparência. Esse é um dos grandes objetivos do estudo. Quando sabemos exatamente onde os recursos estão sendo aplicados, conseguimos identificar gargalos, avaliar impactos e redirecionar esforços. A Secretaria de Orçamento Federal tem feito avanços nesse sentido, com uma primeira desagregação orçamentária já apresentada a partir do PPA 2024-2027. Esperamos que esse processo evolua cada vez mais e permita decisões baseadas em evidências.