82% dos bares e restaurantes esperam faturar mais no Dia dos Namorados

A chegada do Dia dos Namorados tem gerado grande expectativa entre bares e restaurantes. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 82% dos empresários do setor estimam um aumento no faturamento em relação ao ano anterior, com a maioria projetando crescimento de até 20%. A adesão à data é expressiva: 95% dos estabelecimentos planejam funcionar no dia 12 de junho, sendo que 1% abrirá exclusivamente para essa data. Apenas 5% afirmaram que não abrirão ou ainda não definiram se irão operar. O período que antecede o Dia dos Namorados já revela sinais de recuperação no segmento. Dados de abril mostram que 40% dos estabelecimentos obtiveram lucro, outros 40% conseguiram manter o equilíbrio financeiro e 19% ainda operaram no vermelho. Apesar dos desafios relacionados a custos e à instabilidade econômica, o setor demonstra mais resiliência em comparação aos últimos anos. Entre as estratégias adotadas para manter a clientela, destaca-se o controle nos reajustes de preços. Nos últimos 12 meses, 60% dos bares e restaurantes atualizaram seus cardápios com aumentos iguais ou inferiores à inflação, enquanto 34% optaram por não alterar os preços. Apenas 6% aplicaram reajustes acima do índice inflacionário oficial. Um dos principais motivos é a queda da inflação e a leve recuperação do poder de compra da população. Com mais estabilidade econômica, os consumidores tendem a gastar mais em ocasiões especiais, como o Dia dos Namorados. “Há uma percepção clara de que as pessoas voltaram a incluir o lazer e os jantares fora de casa na sua rotina de celebração. Isso impacta diretamente o setor, que é movido por datas comemorativas”, afirma a economista Paula Albuquerque. Ela reforça que o aumento da digitalização do setor também é um fator importante. “As redes sociais têm sido fundamentais para atrair o público com campanhas de marketing direcionadas, sorteios, reservas on-line e promoções especiais. Muitos empresários também apostam em menus reduzidos e serviço otimizado para garantir fluidez na operação, evitando filas e esperas prolongadas, que podem comprometer a experiência dos casais”. Outro fator que alimenta o otimismo é o fato de que, neste ano, o Dia dos Namorados cairá em uma quinta-feira, o que aumenta o leque de possibilidades de comemoração. “Muitos casais devem estender a celebração para o fim de semana posterior, o que pode gerar mais dias de movimento intenso nos estabelecimentos. Para os empresários, isso representa uma chance de faturamento diluído e consistente ao longo de mais dias”, completa. Minas Gerais No Estado, a maioria dos estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar está otimista com as vendas no Dia dos Namorados. De acordo com a Abrasel MG, 77% das empresas esperam um aumento no faturamento para a data. Entre elas, 13% preveem um crescimento superior a 30% em comparação com um dia comum. Há ainda negócios que projetam um desempenho bem mais expressivo, com elevação na receita que pode chegar a 80%, impulsionados pelo forte apelo emocional e comercial da ocasião. 7% estimam aumentar o faturamento entre 21% e 30%, 17% esperam incrementar os negócios entre 11% e 20%, 18% acreditam que vão faturar mais, entre 6% e 10%, e 22% projetam elevar a receita em até 5%. Muitos estabelecimentos estão mais bem preparados este ano para explorar o potencial comercial da data. “Hoje em dia, vender um jantar não é suficiente, pois precisamos vender também uma experiência. A data exige um toque de romantismo, um clima acolhedor, e é isso que estamos buscando oferecer”, afirma o dono de restaurante, Manoel Lima. “Montar menus exclusivos para casais, com entrada, prato principal e sobremesa harmonizados cria um clima de sofisticação. Outra opção é apostar na decoração temática, ambientes iluminados por velas, arranjos de flores e músicas românticas, além de trabalhar com promoções e pacotes fechados. Divulgar com antecedência as opções do Dia dos Namorados nas redes sociais, por meio de fotos bem produzidas e textos criativos, são algumas das estratégias para alcançar o faturamento esperado”, finaliza.

Brasileiros veem redes sociais como ambiente inseguro para adolescentes

Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec revelou que 55% dos brasileiros consideram as redes sociais ambientes inseguros para adolescentes. Entre os jovens, essa sensação é ainda maior: 32% avaliam essas plataformas como muito inseguras. Quando o assunto é bullying virtual, 82% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar sobre casos em redes sociais, grupos de WhatsApp ou outros ambientes digitais. Além disso, 24% relataram ter sido vítimas de cyberbullying. As situações mais comuns incluem: disseminação de mentiras (15%), exposição de fotos ou vídeos constrangedores (4%), mensagens ofensivas (13%), uso indevido do nome (9%) e vazamento de dados pessoais (7%). As principais vítimas estão na faixa dos 16 a 24 anos (37%), seguidas pelo grupo de 25 a 34 anos (28%). Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito Digital, Jean Túlio Cardoso Neto. Como o Marco Civil da Internet e a LGPD podem proteger adolescentes do cyberbullying e do vazamento de dados nas redes?Ambos são pilares essenciais da proteção digital no país. O Marco Civil assegura princípios como privacidade, proteção de dados e responsabilização por atos ilícitos. Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz regras específicas para o tratamento de informações de menores, exigindo consentimento dos pais ou responsáveis. Diante de situações de exposição indevida ou cyberbullying, essas normas oferecem meios legais para responsabilizar infratores, solicitar a remoção de conteúdo e buscar reparação. No entanto, é fundamental reforçar essa proteção com educação digital e atuação eficaz das autoridades. A Lei nº 14.811/2024 trata do combate ao cyberbullying. Quais são os avanços e desafios dessa legislação?A lei representa avanço significativo ao reconhecer o cyberbullying como questão jurídica e social, inserindo-o no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Isso amplia a base legal de proteção e fortalece a atuação do Ministério Público, Judiciário e instituições de ensino. O desafio está na aplicação, pois ainda há carência de delegacias especializadas e lentidão na remoção de conteúdos prejudiciais pelas plataformas. A norma é positiva, mas precisa ser acompanhada de políticas públicas efetivas. Com 24% relatando ter sido vítima de cyberbullying, quais medidas podem ser tomadas?O primeiro passo é preservar as provas: capturas de tela, links, mensagens e qualquer indício de autoria devem ser documentados. Em seguida, deve-se registrar boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacia especializada. Menores, com o apoio de seus responsáveis, podem mover ação judicial para exigir a retirada do conteúdo, reparação por danos morais e até responsabilizar os pais do agressor, com base no Código Civil, no ECA e em jurisprudência consolidada. As plataformas podem ser responsabilizadas por não adotarem medidas de proteção?Sim. O Marco Civil da Internet determina que as plataformas só se isentam de responsabilidade se removerem o conteúdo inapropriado após notificação judicial. A LGPD, por sua vez, impõe obrigações específicas sobre o tratamento de dados de menores de idade, priorizando o melhor interesse da criança e do adolescente. Se a empresa não oferece canais acessíveis de denúncia, apresenta demora na moderação ou trata dados com negligência, pode ser responsabilizada civilmente e acionada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Já existem várias decisões judiciais que já reconhecem esse tipo de responsabilidade. Como fortalecer a colaboração entre Estado, sociedade civil e empresas para garantir um ambiente digital mais seguro?É essencial estabelecer uma cooperação contínua e bem estruturada. O Estado deve agir com rapidez na regulamentação e fiscalização; a sociedade civil tem papel crucial na educação digital e no controle social; e as empresas precisam adotar uma cultura de responsabilidade. A criação de comitês multissetoriais, fóruns de cooperação e códigos de conduta compartilhados pode contribuir para um ecossistema digital mais seguro e ético. Proteger adolescentes no ambiente virtual não é tarefa isolada, mas um compromisso coletivo entre instituições públicas, privadas e a sociedade.

Ficar ao lado de Zema não é garantia de se eleger ao Parlamento por Minas

Daqui a exatos 12 meses, ocupantes de cargos públicos interessados em disputar as eleições terão que se afastar de seus postos para atender às exigências da Legislação Eleitoral Brasileira. Em Minas Gerais, pelo menos até o momento, há sinalizações claras de nomes mencionados para enfrentar o pleito de 2026. Começa pelo secretário de Governo, Marcelo Aro, sabidamente disposto a tentar a eleição ao Senado. Ele mesmo faz questão de propalar aos quatro cantos do Estado e tem mantido contatos com lideranças. Federais e estaduais No último pleito, o Partido Novo tentou, mas não conseguiu eleger um único parlamentar à Câmara Federal. No momento, existe a possibilidade de alguns auxiliares do governador Romeu Zema entrarem na peleja do próximo ano. O chefe do Executivo continua buscando protagonismo para se viabilizar como presidenciável. Para tanto, deve deixar a política estadual para quem quiser assumir o seu espólio. Para os matemáticos da política mineira, se o candidato a cargo Legislativo não estiver ao lado de um líder com organização partidária coerente, dificilmente terá sucesso na empreitada. Fontes dizem que Marcelo Aro tem provado ser um craque, tanto que possui uma grande bancada de deputados estaduais e federais, eleitos por partidos diferentes. Então, apostar apenas no apoio do governador pode não ser uma boa estratégia para quem está disposto a enfrentar as urnas no próximo ano para diferentes postos Legislativos. Quem é quem Nos bastidores do governo, assim como nos corredores da Assembleia Legislativa, é comum ouvir que o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, já é declaradamente postulante a uma vaga à Câmara Federal, embora sem um vínculo partidário, mas a tendência seria de se postar nos meandros das siglas mais conservadoras. Leônidas Oliveira, secretário de Estado de Cultura e Turismo, também tem conquistado popularidade e possui avaliação positiva da opinião pública. A partir desta realidade, precisa ser convencido a aceitar o desafio e colocar o seu nome à disposição para esta empreitada. Quem frequenta os meandros do Palácio Tiradentes sempre se depara com comentários indicando que o diretor de Assuntos Municipais do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Igor Eto, está trabalhando para se viabilizar como candidato a deputado federal desde o ano passado. Outro nome listado nesta mesma trilha eleitoral é o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), Rodrigo Santos. Embora não se sabe oficialmente qual é a sua pretensão, pessoas próximas apontam o seu interesse em disputar um cargo em Brasília. Por fim, a eterna candidata Luísa Barreto, atual presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), estaria entusiasmada em disputar uma cadeira no Legislativo estadual.

Número de crianças obesas deve chegar a 75 milhões em 2025

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade mórbida infantil não apenas compromete a saúde física das crianças, mas também impacta seu bem-estar emocional e social. A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. O 3 de junho é o Dia Mundial da Conscientização sobre a Obesidade Mórbida Infantil, uma data importante para alertar sobre os riscos da doença e a necessidade de promover hábitos saudáveis. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está mais pesada do que o ideal. O governo federal determinou uma diminuição no percentual de alimentos processados oferecidos nas escolas públicas. A meta é limitar esse tipo de alimento a 15% em 2025 e reduzir ainda mais para 10% em 2026. A iniciativa tem como objetivo promover uma alimentação mais saudável entre os estudantes e enfrentar o crescente problema da obesidade infantil. A obesidade mórbida infantil resulta de uma combinação complexa de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Segundo o endocrinologista pediátrico Gilberto Assunção, “a alimentação inadequada, caracterizada pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras, é uma das principais causas do problema. Além disso, o sedentarismo, impulsionado pelo aumento do tempo em frente às telas e pela diminuição das atividades físicas, contribui significativamente para o ganho de peso excessivo”. Fatores genéticos também desempenham um papel importante. Crianças com pais obesos têm maior predisposição a desenvolver a condição, embora o estilo de vida e os hábitos alimentares desempenhem um papel crucial na manifestação da obesidade. S egundo Assunção, os sintomas da obesidade mórbida infantil vão além do aumento de peso visível. “Crianças afetadas podem apresentar dificuldades respiratórias, como apneia do sono, dores articulares devido ao sobrepeso, hipertensão arterial, resistência à insulina e alterações nos níveis de colesterol. Psicologicamente, podem sofrer com baixa autoestima, depressão e ansiedade, frequentemente exacerbadas pelo estigma social associado ao peso excessivo”. “A longo prazo, a obesidade mórbida infantil aumenta o risco de desenvolvimento de problemas crônicos na vida adulta, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Portanto, é essencial tratar a obesidade na infância para prevenir complicações futuras”, explica. Para a nutricionista Cristina Souza, o tratamento da doença deve ser individualizado, levando em consideração a idade da criança, o grau de obesidade e a presença de comorbidades. “A abordagem envolve mudanças na alimentação, com a adoção de uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, com redução do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas. Também o incentivo à prática regular de atividades físicas, visando aumentar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular”. Cristina ressalta que a prevenção deve começar desde os primeiros anos de vida. “A amamentação exclusiva até os seis meses de idade e a introdução gradual de alimentos saudáveis são práticas recomendadas. Além disso, é importante oferecer uma dieta equilibrada, reduzir o tempo de uso de dispositivos eletrônicos, como televisão, computadores e celulares, especialmente durante as refeições e ter consultas pediátricas regulares para acompanhar o crescimento da criança e identificar precocemente sinais de sobrepeso ou obesidade”.

Demanda por pensão alimentícia tem aumento no Brasil

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de processos de pensão alimentícia registrados no Brasil vem aumentando. Entre 2014 e 2019, o índice praticamente dobrou; sendo que, em 2021, o total foi de 460 mil pedidos. Recentemente, a exibição de uma cena sobre o tema na novela Vale Tudo, da TV Globo, provocou um aumento inédito na procura por atendimentos na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. Segundo dados oficiais, o aplicativo da instituição atingiu a marca de 4.560 acessos por minuto, um crescimento de 300% em relação à média habitual. Além disso, foram contabilizados 1.148 agendamentos realizados no mesmo período, número 70% acima da média diária registrada em 2025. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em direito de família, Isabela Oliveira. Como funciona o processo judicial para pedir a pensão? A solicitação pode ser feita por meio de uma ação judicial de alimentos. Ela deve ser proposta no foro de domicílio de quem vai receber a pensão e deve conter documentos básicos, se possível, dados sobre a renda de quem deverá pagar. O juiz pode fixar uma pensão provisória já no início do processo, garantindo o sustento do dependente enquanto a ação é julgada. Qual é a orientação para mulheres ou responsáveis que não sabem por onde começar? O primeiro passo é reunir documentos básicos: certidão de nascimento da criança ou adolescente, comprovantes de despesas mensais (como escola, alimentação, saúde, lazer, moradia, transporte e vestuário) e qualquer informação sobre a renda do pai. Vale aqui destacar que, apesar de quem irá pagar a pensão não ter uma renda efetivamente comprovada, os tribunais aceitam como indício de prova os sinais exteriores de riqueza para fins de identificação da possibilidade de pagamento da pensão, por exemplo, postagens em redes sociais de uma vida de luxo, uso de carros com o preço elevado, viagens para o exterior, entre outros. Com isso, a mulher ou responsável pode procurar a Defensoria Pública da sua cidade ou um advogado particular. É possível pedir pensão sem um advogado ou defensoria? Sim, contudo, de acordo com entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ADPF 591, uma pessoa somente poderá começar o processo de alimentos sem advogado ou defensor público, podendo comparecer pessoalmente ao juiz, apenas na primeira audiência. Após essa sessão, o próprio juiz vai designar um advogado para atuar no processo. Como a Defensoria Pública atua nesses casos? A Instituição oferece atendimento gratuito à população de baixa renda. Nos casos de pensão alimentícia, ela orienta, propõe a ação judicial, participa de audiências e acompanha o cumprimento da decisão. Muitas defensorias também tentam acordos extrajudiciais, antes de ingressar com a ação, o que pode acelerar a solução do conflito. Quais são os principais mitos e equívocos sobre o tema? Um dos principais mitos é que a pensão deve ser de 30% do salário do pai. Na verdade, o valor depende do binômio necessidade de quem recebe e possibilidade de quem paga, conforme previsto no artigo 1.694 do Código Civil. Outro equívoco comum é pensar que a pensão acaba automaticamente aos 18 anos. A jurisprudência do STJ reconhece que, se o filho estiver cursando o ensino superior, o pagamento pode ser estendido até a conclusão dos estudos. Parar de pagar uma pensão fixada judicialmente sem que outra decisão oriunda de um juiz tenha revogado tal obrigação pode motivar na prisão do devedor de alimentos. O que mudou nos últimos anos na legislação ou jurisprudência sobre pensão alimentícia? Nos últimos anos, a jurisprudência tem avançado no assunto fixando, por exemplo, que caso o genitor não consiga arcar com as despesas integrais do filho, os avós podem ser acionados; o STJ também decidiu no sentido de permitir a quebra do sigilo bancário e fiscal na ação de oferta de alimentos; e outro avanço importante, que merece destaque, diz respeito à possibilidade de mudança do foro da execução de alimentos ainda que o processo já tenha sido iniciado e o autor/credor de alimentos seja maior e capaz.

Diagnóstico tardio dificulta a cura do câncer de esôfago

  Recentemente, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, faleceu em decorrência de um câncer de esôfago. A doença é uma das mais letais justamente por ser identificada, na maioria das vezes, em estágios avançados. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 é que 8.200 homens e 2.790 mulheres recebam o diagnóstico da enfermidade. A cirurgiã oncológica e vice-diretora de Ensino da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Ana Luiza Cardona, explica que a gravidade está relacionada à localização do esôfago, que atravessa três regiões anatômicas distintas entre pescoço, tórax e abdômen e próximo a estruturas nobres. Facilita a disseminação do tumor para outros órgãos, tornando o tratamento mais complexo e, em muitos casos, inviável. “O principal sinal de alerta é a dificuldade para engolir. É um sintoma específico que tende a se agravar com o tempo. O paciente começa engasgando com carne, depois só tolera alimentos pastosos, até conseguir ingerir apenas líquidos. Muitos já chegam em estado de desnutrição severa quando procuram atendimento”, relata. Além da evolução silenciosa, Ana Luiza destaca que o câncer de esôfago tem como obstáculos a desinformação e o difícil acesso à endoscopia, exame fundamental para o diagnóstico precoce. “Menos de 15% da população brasileira segue uma alimentação considerada saudável. Aliado ao tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade, agrava ainda mais o cenário. Mesmo diante de sintomas evidentes, muitos pacientes não buscam ajuda médica por desconhecimento ou falta de recursos”. Segundo a médica, em casos específicos, como o esôfago de Barrett, uma alteração celular provocada pelo refluxo gastroesofágico crônico, é possível realizar o diagnóstico precoce e até a prevenção. “Ele deve ser controlado com mudanças na dieta, perda de peso e acompanhamento médico regular. Nestes casos, o monitoramento periódico por meio de endoscopia é fundamental, pois o câncer pode estar se desenvolvendo de forma silenciosa”. Outro fator agravante é a disseminação de conteúdos enganosos sobre saúde nas redes sociais. “Infelizmente, há muitos profissionais, inclusive médicos, divulgando informações sem respaldo científico. É essencial que o paciente busque fontes confiáveis, com embasamento técnico, para tomar decisões seguras sobre sua saúde”.   Cuidados paliativos Nos últimos dias de vida, Mujica esteve sob cuidados paliativos. Quando a doença não é mais passível de cura, essa abordagem se torna essencial para garantir dignidade e qualidade de vida ao paciente. Para Patrícia Freire, integrante da Comissão de Cuidados Paliativos da SBCO, esse tipo de cuidado deveria estar presente desde o diagnóstico de doenças graves, e não apenas em fases terminais, não representando uma desistência do tratamento. “Trata-se de um redirecionamento do foco, que passa a ser o bem-estar do paciente. Atuamos no controle de sintomas como dor, fadiga e falta de ar, mas também cuidamos de aspectos emocionais, sociais e espirituais”, explica. Ela ressalta que a implementação precoce dessas medidas pode, inclusive, prolongar a vida. “Estudos comprovam que, em determinados casos, os cuidados paliativos iniciados logo após o diagnóstico aumentam a sobrevida e melhoram significativamente a experiência do paciente durante toda a jornada da doença”. Patrícia destaca ainda a importância do suporte aos familiares e cuidadores, que muitas vezes enfrentam grande sobrecarga física e emocional. “É fundamental oferecer orientação, escuta ativa e estratégias de revezamento. A existência de uma rede de apoio é crucial para garantir um cuidado verdadeiramente centrado na pessoa”.   Como prevenir Para Ana Luiza, a principal forma de prevenção é adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física, e abandonar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. “O diagnóstico precoce e o tratamento em centros especializados fazem toda a diferença. A sobrevida é significativamente maior quando o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar experiente. Precisamos ampliar o acesso a exames como a endoscopia, capacitar os profissionais da atenção primária e conscientizar a população sobre os sinais de alerta”, conclui.

Jarbas Soares não descarta participar do pleito em 2026

  Formalmente, nada se fala a respeito da sucessão estadual mineira, porém, nos bastidores, muitas são as conversações e os encontros quando são debatidos assuntos relacionados ao pleito de 2026. Invariavelmente, os nomes do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), senador Rodrigo Pacheco (PSD), Mateus Simões (Novo) e também do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia sempre são mencionados. Nos meandros políticos há uma informação indicando que o atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), também estaria fazendo parte do grupo de políticos com possibilidade de pleitear o Palácio Tiradentes no próximo ano. Inclusive, de acordo com fontes, Tadeu se tornaria presidente do MDB estadual, substituindo Newton Cardoso Júnior, com o objetivo de conquistar mais espaço perante a opinião pública. Relativamente ao nome de Walfrido, o ex-ministro deixou de comparecer em um encontro organizado na sede do Instituto dos Parlamentares Mineiros, com a presença de cerca de 80 ex-deputados. Muitos estavam entusiasmados com a possibilidade dele aceitar colocar o seu nome à disposição da peleja.   Jarbas Soares Enquanto isso, aumenta a cotação pelo nome do ex-procurador de Justiça de Minas, Jarbas Soares. Atualmente, ele seria o nome preferido do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, além do PSD mineiro, para disputar o Governo do Estado. Pela conjectura, haveria mais possibilidade desse projeto dar certo se o senador Rodrigo Pacheco desistisse de sua candidatura. Neste caso, Jarbas uniria apoios importantes, incluindo os partidos da ala mais progressista, perpassando pela benção do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ouvido por nossa reportagem, o ex-procurador sentenciou que está observando o cenário e já tem o apoio e os votos de sua família. Ele confirmou que irá se aposentar do Ministério Público em breve, quando então poderá ficar à disposição dos companheiros. Revelou, ainda, o desejo de estruturar uma bancada de advogados. Dentro do PSD, o seu nome é visto de bom grado, por conta de sua capacidade de dialogar com os vários setores da sociedade mineira. Para muitos pessedistas, Jarbas Soares seria um nome novo e sem mácula na política mineira, com a diferença de se tratar de alguém conhecedor da máquina pública, o que facilitaria a sua convivência com os funcionários públicos do Estado.

84% da população negra afirma ter sofrido discriminação racial

  Segundo uma pesquisa apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), 84 em cada 100 pessoas negras afirmam já ter sido alvo de discriminação racial. O estudo aborda as vivências de brasileiros que enfrentam diferentes formas de preconceito no dia a dia, em situações comuns da rotina. Os dados revelam que 51,2% das pessoas negras relatam receber um tratamento menos cordial no cotidiano. Entre os indivíduos pardos, esse índice é de 44,9%, enquanto entre os brancos a proporção cai para 13,9%. Além de identificar a presença de discriminação, a pesquisa também investigou os tipos de preconceito vivenciados pelos participantes. Entre as pessoas negras, 84% relataram que a cor da pele foi o principal motivo. Já entre os brancos, esse número foi de 8,3%, e entre os pardos, 10,8%. O estudo também analisou casos em que os entrevistados enfrentaram múltiplas formas de discriminação, destacando que as mulheres negras estão entre as mais afetadas: 72% delas disseram ter sido alvo de mais de um tipo de preconceito. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga.   Como esses dados reforçam o entendimento do racismo como estrutural no Brasil? A desigualdade social no Brasil tem raízes profundas que remontam ao período da colonização. Com a abolição formal da escravidão, em 1888, não foram implementadas políticas públicas eficazes que garantissem a inclusão dos ex-escravizados na sociedade, como acesso a trabalho digno, moradia, alimentação e assistência social. Esse abandono contribuiu diretamente para a configuração da desigualdade social que persiste até os dias atuais. Historicamente, a população branca manteve o controle sobre as estruturas de poder, perpetuando privilégios e exclusões.   Que barreiras estruturais impedem o acesso de pessoas negras a melhores posições e salários? A principal delas é o racismo, que consiste na marginalização de indivíduos com base em sua origem racial ou étnica. Essa forma de discriminação deve ser analisada sob múltiplos ângulos, sociais, políticos, religiosos, culturais e geográficos. Historicamente, no Brasil, pessoas negras foram tratadas como inferiores e privadas de direitos básicos. Ao observarmos dados relacionados à renda, ocupação de cargos de liderança nas empresas e índices de violência, fica evidente que a população negra é a mais impactada negativamente.   De que forma essas desigualdades impactam a saúde mental e o acesso à cidadania plena da população negra? Mesmo com qualificação igual e ocupando funções idênticas, trabalhadores negros ainda recebem salários inferiores aos de colegas brancos. Além disso, há uma desigualdade evidente na distribuição das ocupações: pessoas negras estão majoritariamente inseridas em profissões com menor reconhecimento social e remuneração reduzida, como motoristas, faxineiras, empregadas domésticas, garis e porteiros. Essas funções são desvalorizadas não apenas em termos profissionais, mas também em relação ao poder aquisitivo que proporcionam. Diante dessas limitações, muitos acabam sendo empurrados para áreas periféricas, favelas e regiões de moradia precária nos grandes centros urbanos, distantes das oportunidades sociais e econômicas.   Qual é o papel da sociedade civil na luta contra o racismo? Não basta apenas rejeitar atitudes racistas, é necessário adotar uma postura ativa de enfrentamento ao racismo. A transformação real só será possível quando toda a sociedade, incluindo o setor público, o setor privado e os cidadãos, se comprometer de forma coletiva com a superação dessa injustiça histórica. Isso envolve fortalecer políticas públicas voltadas à população negra e ampliar investimentos em áreas como educação, cultura, saúde e assistência social.   O que pode ser feito pelo poder público para promover justiça racial? Atualmente, o problema não é a ausência de políticas públicas, mas sim a falta de recursos financeiros e de estrutura para colocá-las em prática de maneira eficaz. Muitas prefeituras enfrentam limitações orçamentárias que impedem a implementação de ações afirmativas. Também há entraves políticos, visto que muitos gestores municipais pertencem a correntes ideológicas que se opõem a medidas como cotas raciais ou políticas voltadas à população negra. Por isso, a representatividade política também tem papel central nesse processo, o que torna essencial a eleição de pessoas negras para cargos como vereadores, deputados, senadores e governadores.

1% dos brasileiros tem doença celíaca

  A doença celíaca afeta cerca de 1% dos brasileiros, o equivalente a pouco mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Trata-se de uma enfermidade autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, que provoca uma reação inflamatória no intestino delgado, podendo comprometer a absorção de nutrientes e desencadear uma série de complicações de saúde. Os sintomas da doença celíaca variam amplamente de pessoa para pessoa, o que dificulta o diagnóstico precoce. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, os sinais incluem diarreia crônica, perda de peso, distensão abdominal, anemia e fadiga. “Porém, muitos pacientes apresentam manifestações atípicas ou até mesmo silenciosas, como dores articulares, infertilidade, osteoporose precoce e alterações neurológicas”. “Em crianças, o quadro pode se manifestar de forma mais aguda, sendo comum observar atraso no crescimento, irritabilidade e vômitos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras condições, como síndrome do intestino irritável ou intolerância à lactose”, explica. A suspeita clínica deve ser seguida por exames laboratoriais específicos, como a dosagem de anticorpos antitransglutaminase tecidual e anti-endomísio. “Se os resultados forem positivos, realiza-se uma endoscopia com biópsia do intestino delgado para confirmação. Importante destacar que o diagnóstico só é preciso se o paciente estiver consumindo glúten regularmente no momento dos testes. Muitas pessoas o eliminam por conta própria antes de procurar ajuda médica, o que pode mascarar os exames e dificultar o diagnóstico”, alerta Isabela. Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total do glúten da dieta. “Mesmo traços da proteína, como os encontrados em utensílios contaminados, podem desencadear reações e causar danos intestinais. Não se trata de uma dieta da moda, mas de uma prescrição médica rigorosa”, enfatiza a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela explica que a adesão estrita é fundamental para evitar complicações como osteoporose, infertilidade, problemas neurológicos e até linfoma intestinal, um tipo raro de câncer. “A adaptação pode ser desafiadora no início, mas hoje o mercado oferece uma variedade crescente de produtos sem glúten. O rótulo precisa ser analisado com atenção. O ideal é procurar alimentos certificados e, sempre que possível, optar por produtos naturalmente livres de glúten, como arroz, milho, batata, frutas e legumes”, aconselha. Segundo Cristina, por ser uma condição genética, a doença celíaca não pode ser prevenida. No entanto, pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença têm maior risco de desenvolvê-la e devem ser acompanhadas de perto. “Nestes casos, é recomendado realizar exames preventivos mesmo na ausência de sintomas”. A gastroenterologista diz que além dos desafios físicos, o aspecto emocional também merece atenção. “Muitos pacientes relatam dificuldade de socialização e ansiedade em eventos sociais. O acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado para ajudar o paciente a lidar com a nova rotina alimentar”. “Associações de apoio a celíacos têm desempenhado um papel importante nesse processo. Grupos em redes sociais e eventos de conscientização ajudam a trocar experiências, divulgar informações corretas e pressionar por mais opções seguras nos cardápios de restaurantes e escolas”, conclui a médica.

Maio impulsiona casamentos e aquece outros setores como eventos e beleza

  Para o mês de maio, a previsão é que o mercado de festas e eventos no Brasil movimente mais de R$ 2,9 bilhões apenas com casamentos, de acordo com dados da plataforma Casar.com em parceria com a Assessoria VIP. O levantamento também aponta um aumento de até 32,6% no número de cerimônias previstas para o período, em relação ao mesmo mês de 2024, indicando um forte aquecimento do setor. Além disso, o período, tradicionalmente chamado de “mês das noivas”, faz com que outro segmento também tenha um crescimento significativo: o de beleza. Em Minas Gerais, por exemplo, a expectativa é de um aumento de até 40% no faturamento de empresas do setor, segundo o Sindicato Patronal da Beleza de Minas Gerais (Sindbeleza-MG). Como muitas cerimônias ocorrem em espaços distantes como sítios e chácaras, os profissionais frequentemente recebem valores adicionais pelo deslocamento até os locais dos eventos. De acordo com a cerimonialista, Juliana Muniz, a escolha de maio como o mês preferido para casamentos no Brasil é uma herança cultural que se mantém viva por vários fatores. “Historicamente, maio é associado à figura da Virgem Maria, no catolicismo, o que consolidou sua fama como mês das noivas. Além disso, o clima ameno em grande parte do país contribui para cerimônias mais confortáveis, especialmente em espaços ao ar livre”, explica. A preferência por maio também tem sido reforçada pelo mercado. “As campanhas publicitárias e os pacotes promocionais oferecidos por fornecedores ajudam a manter a atratividade do mês. Muitos casais aproveitam as condições especiais para fechar contratos”, acrescenta. No setor de beleza, o impacto é sentido com intensidade. “Maquiadores, cabeleireiros e esteticistas ajustam suas agendas para atender à demanda crescente. A agenda lota com meses de antecedência, além das noivas, mães, madrinhas e convidadas também investem em serviços completos de beleza, desde penteados até design de sobrancelhas”. Para Juliana, com a tendência de casamentos realizados em locais mais afastados ou ao ar livre, cresce também o número de pedidos por atendimento em domicílio. “Por ser um evento especial, os clientes costumam optar por pacotes mais completos e sofisticados, o que eleva o valor gasto por atendimento. Serviços como teste de maquiagem e atendimento a domicílio também agregam valor, o que ajuda a aumentar o ticket médio dos serviços”. A economista Paula Albuquerque explica que casamentos exigem uma ampla estrutura de produção, o que movimenta empresas de buffet, decoração, iluminação, sonorização, aluguel de espaços, mobiliário, fotografia, filmagem, cerimonial, entre outros. “Com a alta demanda, muitos profissionais são contratados para atuar em cerimônias e festas, como garçons, seguranças, decoradores, músicos e montadores de estruturas. A concentração de casamentos nesse período favorece a criação de pacotes promocionais e acordos antecipados, dando mais segurança financeira para os empreendedores do setor”. Ela diz que fornecedores de eventos registram aumentos significativos na receita durante maio, o que permite novos investimentos em equipamentos, marketing e ampliação de serviços. “Para se destacar em um mercado competitivo, empresas precisam investir em novas tendências, tecnologia, experiências personalizadas e atendimento de excelência, o que impulsiona a modernização do setor”. Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), as famílias com renda mensal superior a R$ 5 mil seguem liderando o consumo no setor, representando cerca de 16% da população brasileira. Embora muitos casais iniciem o planejamento com a intenção de gastar até R$ 40 mil na cerimônia, o levantamento revela que 74% acabam investindo entre R$ 40 mil e R$ 85 mil para realizar o casamento dos sonhos. Em capitais e grandes centros urbanos, esse valor pode ultrapassar os R$ 100 mil, dependendo do estilo e da estrutura do evento. “Para que os gastos com o casamento não ultrapassem o orçamento e não comprometam a vida financeira do casal, o ideal é começar o planejamento com antecedência, definindo um teto de investimento realista e adequado à renda dos dois. Fazer uma planilha detalhada com todos os custos envolvidos ajuda a visualizar prioridades e evitar excessos”, aconselha Paula.