“Efeito preguiça” associado ao Bolsa Família é tema de estudo do Ipea

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) questionou a ideia de que o Bolsa Família desestimula a busca por trabalho, uma hipótese popularmente conhecida como “efeito preguiça”. A pesquisa revelou que, mesmo com a ampliação expressiva do programa social entre 2019 e 2023, houve avanço nos indicadores de emprego com carteira assinada, especialmente entre os mais pobres. A renda real do trabalho também apresentou um crescimento anual médio, entre os ocupados dos 20% mais pobres, de 9,5%, acumulando alta de 43,6%. A sondagem utilizou as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Para debater o assunto, o Edição do Brasil conversou com o cientista social e professor do UniArnaldo Centro Universitário, Luciano Gomes dos Santos. Por que essa ideia de que o programa desestimula o trabalho persiste no debate público? É alimentada por preconceitos históricos e por uma visão moralizante da pobreza, muito presente no imaginário social brasileiro. Ainda existe a crença de que as pessoas em situação de vulnerabilidade precisam ser “incentivadas” a trabalhar, como se a pobreza fosse resultado de uma escolha individual e não de desigualdades estruturais. A ideia de que o Bolsa Família estimula a ociosidade não se sustenta diante das evidências empíricas, mas ela continua sendo repetida, principalmente em momentos de polarização política. Em sua avaliação, o Bolsa Família realmente pode desincentivar a busca por emprego? Não, o Bolsa Família é um programa de transferência de renda de valores modestos, que não substituem os ganhos de um emprego formal. Na verdade, o projeto oferece uma segurança mínima que pode, inclusive, permitir que o beneficiário busque trabalho com mais estabilidade. Estudos do Ipea, da Universidade de São Paulo (USP) e de organismos internacionais, como o Banco Mundial, mostram que beneficiários estão entre os que mais procuram emprego, exatamente porque desejam melhorar de vida. Que outros mitos atrapalham a compreensão sobre programas de transferência de renda? De que o programa gera dependência, pesquisas mostram que a maioria dos beneficiários permanece por períodos temporários e que há grande rotatividade nos cadastros; de que o projeto é “gasto” e não investimento, ele movimenta a economia local, principalmente no comércio de pequenas cidades; e por fim, que o programa é “clientelista”, quando na verdade ele tem critérios objetivos de acesso e é monitorado por órgãos de controle. Em quais pontos o programa pode ajudar as pessoas em vulnerabilidade a se colocarem no mercado de trabalho? Ele pode funcionar como uma base de proteção que permite que as pessoas se movam com mais autonomia em busca de qualificação e de oportunidades de trabalho. A segurança de uma renda mínima, ainda que modesta, pode significar a diferença entre aceitar ou não um trabalho temporário, um estágio, ou participar de um curso de capacitação. Além disso, o programa está articulado com políticas de saúde, educação e assistência social, o que amplia a capacidade de inclusão social. O estigma do “efeito preguiça” pode atrapalhar o acesso a oportunidades por beneficiários? Sim, a ideia de que beneficiários são “preguiçosos” ou “acomodados” pode dificultar sua inserção no mercado de trabalho, pois reforça preconceitos por parte de empregadores e até de instituições públicas. Além disso, esse estigma desvia o foco do verdadeiro problema, que é estrutural: a baixa oferta de empregos de qualidade e a falta de políticas públicas que apoiem a transição para o trabalho decente. O Bolsa Família deveria estar atrelado a metas de inserção no mercado de trabalho? A vinculação direta com metas de emprego pode ser injusta, pois ignora as realidades locais e as condições de vida das famílias. O ideal é que o programa esteja articulado a políticas públicas que promovam oportunidades de trabalho, mas sem condicionar o benefício ao cumprimento de metas rígidas que podem acabar penalizando os mais vulneráveis.

Postagens com ameaças a escolas nas redes sociais crescem 360% em 4 anos

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou um crescimento de 360% nas publicações com ameaças direcionadas a escolas nas principais redes sociais brasileiras entre 2021 e 2025. A pesquisa teve como objetivo analisar tanto a forma como as plataformas digitais respondem a ataques violentos contra instituições de ensino quanto a abordagem de temas como o bullying nesses espaços virtuais. Conforme os dados, em 2023, cerca de 90% das postagens com discurso de ódio estavam concentradas na deep web, área da internet que não é indexada por mecanismos de busca convencionais. Já em 2025, esse percentual caiu para 78%, o que indica que esse tipo de conteúdo está cada vez mais presente na internet aberta, circulando sem controle ou moderação adequados. De acordo com o levantamento, até o dia 21 de maio deste ano, já haviam sido registradas mais de 88 mil publicações com ameaças direcionadas a estudantes, professores e diretores nas redes sociais. Para efeito comparativo, durante todo o ano de 2024 foram identificadas 105.192 menções desse tipo, enquanto em 2021 o número mal ultrapassava 43.830. O crescimento expressivo evidencia de forma contundente a necessidade de uma resposta articulada para frear esse avanço. Outro aspecto alarmante revelado pelos dados é o aumento expressivo na proporção de comentários que enaltecem os autores de ataques. Em 2011, ano em que ocorreu o massacre de Realengo (RJ), apenas 0,2% das interações nas redes exaltavam os agressores. Já em 2025, esse índice saltou para 21%, representando mais de um quinto do total. A maioria desses elogios é voltada a jovens que, supostamente, teriam reagido de forma violenta após enfrentarem traumas psicológicos e emocionais relacionados ao bullying. A psicóloga Ellen Oliveira acrescenta que os adolescentes são mais suscetíveis a discursos radicais, o que pode colocá-los em risco. “Devido ao desenvolvimento incompleto do cérebro e à necessidade de se identificar com grupos, os jovens podem embarcar em ideias, inclusive a de aceitar ideologias extremas, situações que os adultos já sabem que passam dos limites”. “Além disso, há um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. Eles têm muitas relações virtuais e nutrem uma falta de perspectiva e propósito em termos de futuro. Esses jovens podem ser vítimas de bullying, viver em ambientes familiares violentos ou negligentes e ter acesso a conteúdos violentos na internet, o que contribui para o desenvolvimento de um perfil agressivo”. Os ataques violentos em escolas têm consequências devastadoras para as vítimas, suas famílias e a comunidade escolar como um todo, salienta Ellen. “Além das lesões físicas, muitos sobreviventes enfrentam traumas psicológicos duradouros. A sensação de insegurança permeia o ambiente escolar, afetando o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos estudantes”. A pedagoga Beatriz Lima ressalta que a inserção de programas de educação socioemocional nos currículos escolares é fundamental. “Esses programas ensinam habilidades, como empatia, resolução de conflitos, autocontrole e cooperação, promovendo um ambiente mais harmonioso e respeitoso. A infância e a adolescência são momentos cruciais para a construção da personalidade e é essencial que todos recebam apoio”. Ela afirma que é essencial treinar professores e profissionais da educação para identificar sinais de problemas emocionais entre os alunos e lidar com situações de violência e bullying, criando um ambiente escolar seguro e inclusivo. “O diálogo constante entre escola e família também é crucial para garantir que os alunos recebam o apoio necessário tanto no ambiente escolar quanto no familiar. Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos, estabelecer horários para o uso de dispositivos eletrônicos e monitorar o conteúdo acessado na internet, orientando-os sobre os riscos de grupos de ódio e discursos extremistas. É importante denunciar conteúdos violentos ou de incitação ao ódio nas redes sociais para que sejam removidos”, conclui.

Esclerose lateral amiotrófica causa a paralisia dos músculos

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal. Segundo o Ministério da Saúde, sua incidência é de cerca de 2 casos por 100 mil habitantes por ano. Embora rara, a doença compromete a capacidade do corpo de controlar os músculos, levando à paralisia e, eventualmente, à morte. Mesmo com os avanços da medicina, ainda há muito a ser desvendado sobre suas causas e formas de tratamento. Segundo a neurologista Camila Borges, a ELA se caracteriza pela degeneração progressiva dos neurônios motores, que são as células responsáveis por controlar os músculos voluntários. “Sem estímulo nervoso, os músculos enfraquecem, atrofiam e param de funcionar. Ao longo do tempo, a pessoa perde movimentos simples, como segurar objetos ou caminhar, até chegar a funções vitais como respirar e engolir”. Apesar de muitas pesquisas, as causas da patologia ainda não são completamente conhecidas. Aproximadamente 90% dos casos são classificados como esporádicos, ou seja, sem origem hereditária identificável, os outros 10% são familiares, herdados geneticamente. “O que sabemos é que múltiplos fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o surgimento da doença. Em casos familiares, mutações em genes estão frequentemente envolvidos, já nos casos esporádicos, há evidências de que exposição a metais pesados, pesticidas, traumas cranianos repetitivos e até infecções virais possam estar relacionados ao desencadeamento da doença, mas nada é conclusivo”, explica. Os primeiros sintomas podem ser sutis e variam de paciente para paciente. “Os mais comuns incluem fraqueza muscular localizada, geralmente nos braços ou pernas, e dificuldade para realizar tarefas rotineiras como abotoar uma camisa ou subir escadas. Câimbras e contrações involuntárias (fasciculações) também são sinais frequentes. Uma das grandes dificuldades é que os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças neuromusculares”, ressalta Camila. “À medida que a doença avança, os pacientes perdem progressivamente a força muscular em todo o corpo, incluindo os músculos respiratórios, o que representa um risco de vida. A fala, a respiração e a deglutição tornam-se cada vez mais difíceis, o que pode resultar em desnutrição. Curiosamente, os sentidos (visão, audição, tato), o controle dos esfíncteres e as funções cognitivas permanecem preservados na maioria dos casos”, explica o fisioterapeuta Renato Lacerda. A enfermidade não possui um exame específico para diagnóstico, o processo é clínico e envolve a exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes, destaca a neurologista. “Exames como ressonância magnética, eletroneuromiografia (ENMG), Estudo de Condução Nervosa (NCS) e testes genéticos podem ser solicitados. Quanto mais cedo a descoberta, maiores as chances de iniciar medidas de suporte ao paciente. A ELA ainda não tem cura, mas o tratamento tem como objetivo retardar a sua progressão e melhorar a qualidade de vida”. Além dos medicamentos, Lacerda relata que o suporte multidisciplinar é essencial. “Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e cuidados paliativos são pilares do tratamento. O uso de dispositivos auxiliares, como cadeiras de rodas, sondas de alimentação e ventilação mecânica não invasiva, também são recursos importantes. Os especialistas elaboram um plano terapêutico individualizado, com intervenções voltadas para aprimorar a mobilidade, a nutrição e a função respiratória”. Não há uma forma específica de prevenção, no entanto, hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e evitar exposição a agentes tóxicos, são recomendações universais para a saúde neurológica. Para os casos familiares, aconselhamento genético pode ser uma ferramenta importante.

Energia sobe acima da inflação e mercado livre ganha espaço

Aconta de luz tem pesado cada vez mais no bolso dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), entre 2010 e 2024, a tarifa média no mercado regulado saltou de R$ 112/MWh para R$ 310/MWh, aumento de 177%, contra uma inflação acumulada de 122% no mesmo período. Isso significa que a energia ficou 45% mais cara do que o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em contraste, o mercado livre de energia registrou alta de 44% no mesmo intervalo. De acordo com a Abraceel, o aumento no mercado regulado se deve a uma combinação de fatores estruturais, como a contratação compulsória de usinas térmicas, a indexação de contratos por até 30 anos à inflação, a existência de reservas de mercado para fontes mais caras, além de decisões políticas e alocação indevida de riscos ao consumidor. “A contratação de energia elétrica indexada à inflação por 30 anos tornou-se um peso para o consumidor regulado. A energia das hidrelétricas do Rio Madeira, contratada a preços baixos, hoje custa mais que a energia do mercado livre por causa dessa atualização inflacionária”, afirma Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da Abraceel. Outro exemplo citado por Ferreira é a usina hidrelétrica de Itaipu, cujos investimentos já foram amortizados, mas cujas tarifas continuam altas. “Se houvesse apenas o mercado livre, Itaipu teria que oferecer preços mais competitivos. No entanto, como sua energia será comprada compulsoriamente no ambiente regulado, os consumidores continuam pagando encargos socioambientais e governamentais incorporados à tarifa”. Tarifa menor Dados recentes da Abraceel mostram que a tendência de maior competitividade se mantém. No acumulado de 12 meses até abril, a tarifa média para clientes do mercado livre subiu 5%, enquanto no ambiente regulado a alta foi de 10,4%. Segundo a entidade, essa vantagem decorre da própria dinâmica de funcionamento do mercado livre, no qual mais da metade dos contratos têm prazos de até quatro anos. Isso aumenta a frequência com que a energia volta ao mercado e é renegociada sob novas condições, o que estimula a competição entre fornecedores e gera preços mais baixos para o consumidor. “No mercado regulado, o risco hidrológico, por exemplo, foi retirado dos geradores e repassado ao consumidor, como ocorreu com a Medida Provisória 579. Mas o consumidor não tem meios para gerir esse tipo de risco, o que acaba onerando ainda mais a tarifa”, explicou a associação por meio de nota ao Edição do Brasil. “Cliente no centro” Para o CEO da TYR Energia, Eduardo Miranda, o diferencial do Ambiente de Contratação Livre (ACL) vai além da economia imediata. “No mercado livre, o cliente pode aproveitar momentos em que os reservatórios estão cheios e a energia está mais barata. A contratação é personalizada e leva em conta o perfil, a sazonalidade e a flexibilidade de consumo de cada cliente”, diz. Miranda reforça que o modelo empodera o consumidor ao permitir o monitoramento em tempo real do consumo e a adoção de metas e alertas automáticos. “O cliente deixa de ser um passageiro das revisões tarifárias e passa a ter controle. Isso é possível graças ao uso de medidores digitais, softwares de gestão e produtos como o boleto único, que simplifica o pagamento de todas as componentes da conta de luz em uma única fatura”. Ele também aponta o impacto da digitalização e da inteligência artificial como potencializadores da eficiência energética. “A energia mais barata é aquela que não é desperdiçada. O futuro está em operar a flexibilidade do consumidor, e isso só é viável em um mercado verdadeiramente livre”. Além de benefícios econômicos, Miranda defende que a expansão do ACL é estratégica para o país. “Estamos diante de uma oportunidade única. A abertura do mercado não é só sobre energia, mas sobre inovação, ciência, tecnologia e educação. O Brasil precisa aproveitar esse momento para transformar seu modelo energético e se projetar globalmente”, finaliza.

Ensino público ainda não retomou aos níveis do período pré-pandemia

Embora os níveis de aprendizagem tenham avançado nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 ainda impacta a educação brasileira, é o que revela o estudo do Todos Pela Educação, com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado para estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio para avaliar o desempenho em matemática e língua portuguesa. Em todas as etapas, os resultados de 2023 ainda não chegaram aos níveis atingidos em 2019. Por exemplo, no 5º ano do ensino fundamental, em 2023, 55,1% dos estudantes tinham aprendizagem adequada em língua portuguesa e 43,5%, em matemática. Esses índices eram de 56,5% e 46,7% em 2019, respectivamente. A educadora e doutora em educação, Josefina Baettens (foto), conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. Quais são os principais fatores que impedem a retomada dos níveis de aprendizagem pré-pandemia? A pandemia expôs e aprofundou desigualdades históricas do sistema educacional brasileiro. Entre os fatores mais críticos estão: o aumento da evasão escolar, o agravamento das vulnerabilidades socioeconômicas, as lacunas acumuladas nas aprendizagens essenciais e o esgotamento emocional de alunos e professores. Além disso, o período afetou as condições sociais em que a aprendizagem se dá. A ausência de interações sociais ricas e mediadas, fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e emocional, interrompeu os processos coletivos de construção de conhecimento. Como a formação e a valorização dos professores impactam esse quadro? A recuperação da aprendizagem passa, de forma central, pela valorização e formação docente. Sem condições adequadas de trabalho, políticas de carreira atrativas e oportunidades efetivas de formação continuada, os professores – protagonistas do processo educativo – ficam limitados em sua atuação. A alfabetização na idade certa continua sendo um desafio? Sim, e com agravamento. A meta de alfabetização até o 2º ano do ensino fundamental tornou-se ainda mais distante para milhares de crianças. Muitos estudantes ingressaram nos anos finais do ciclo de alfabetização sem desenvolver as habilidades mínimas de leitura e escrita, o que compromete todo o percurso escolar subsequente. A alfabetização, por sua natureza, exige interações frequentes, feedback imediato e mediação constante do professor. Há sinais de melhora no cenário atual? Embora algumas redes e escolas tenham implementado ações promissoras, o panorama nacional segue crítico. Os avanços, quando existem, são localizados e ainda insuficientes para reverter o quadro geral de estagnação e retrocesso educacional. Superar esse cenário demanda não apenas ações pontuais, mas um esforço estruturado para reconstituir os vínculos sociais, a confiança no processo educativo e o engajamento dos estudantes. Quais medidas emergenciais podem ser tomadas para recuperar a aprendizagem?As medidas precisam ser articuladas, intensivas e baseadas em evidências. Entre elas destacam-se: implementação de programas de reforço e recuperação com base em diagnósticos precisos; ampliação da jornada escolar, com foco em atividades de recomposição das aprendizagens; acompanhamento psicossocial dos estudantes, com ações que fortaleçam o pertencimento escolar; investimento contínuo em formação docente, com ênfase nas aprendizagens essenciais e na reconstrução de práticas pedagógicas mediadoras; e fortalecimento da gestão escolar, com foco explícito na aprendizagem e no desenvolvimento de ambientes colaborativos de ensino. O que pode ser feito para garantir que os avanços sejam duradouros e não pontuais? É fundamental transformar ações emergenciais em políticas de Estado, com continuidade de financiamento, monitoramento rigoroso de resultados, fortalecimento da gestão educacional e centralidade na equidade. Além disso, é imprescindível consolidar políticas de formação e valorização docente que compreendam a aprendizagem como um processo que se dá na e pela interação social. Promover ambientes escolares ricos em diálogo, mediação e colaboração é condição para garantir a sustentabilidade das mudanças no longo prazo.

Apenas Simões e Pacheco são citados para o Governo de Minas em 2026

A passagem do presidente Lula (PT) por Minas Gerais, na semana passada, foi por conta de trazer benefícios para os mineiros. No entanto, serviu como uma espécie de esquenta para as eleições de 2026, na qual é forte candidato à reeleição. A presença do chefe da nação também foi uma sinalização clara da sua pretensão em influenciar no pleito ao Governo do Estado, preferindo o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) como postulante ao Palácio Tiradentes. O governador Romeu Zema (Novo), como está em lado oposto ao Planalto, se negou a participar dos eventos realizados em Mariana e na sede da CeasaMinas, em Contagem. Na cidade histórica, propalou-se um acordo de R$ 170 bilhões para reparar danos aos atingidos pelo rompimento da barragem de Bento Rodrigues, envolvendo vítimas em Minas e no Espírito Santo. Mas o ato de maior repercussão política teve como palco o pátio da CeasaMinas, mediante a distribuição de 300 máquinas para dezenas de municípios do Estado. Esse evento estava previsto para ser realizado no mês passado, porém, não aconteceu por conta da falta de espaço na agenda presidencial. Sucessão estadual No mesmo instante da presença de Lula em Minas, Romeu Zema declarou estar disposto a deixar de lado o apadrinhamento de Jair Bolsonaro (PL), para colocar o seu nome à disposição para disputar a presidência. Ambos os políticos, Zema e Lula, nada falam a respeito dos seus preferidos para o cenário ao pleito estadual do próximo ano. Contudo, existe uma sinalização clara de que o nome preferido do Executivo é do vice-governador Mateus Simões (Novo), já em pré-campanha quando visita as lideranças municipais pelo interior do Estado. Por enquanto, essa incursão não se traduz em popularidade suficiente para tornar Simões um nome competitivo. Por seu turno, o denominado campo de centro-esquerda não tem outra alternativa até o momento, exceto a possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSD) aceitar se lançar nesse movimento, apoiado pelo Palácio do Planalto. O parlamentar está cauteloso, embora o seu nome já faça parte de comentários de avaliações de grande parte das lideranças políticas no Estado. Em síntese, relativamente ao processo eleitoral mineiro, apenas os nomes de Mateus Simões e Rodrigo Pacheco estão em pauta no momento para a peleja de 2026. Até porque, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), antes citado com frequência, agora se esquiva em continuar discutindo o seu futuro político, no sentido de haver alinhamento positivo com essa bandeira de uma possível candidatura. No concernente do Partido Liberal, onde o bolsonarismo é dominante, a movimentação do deputado Nikolas Ferreira, o mais votado da história de Minas, não passa de mera especulação. Não se percebeu qualquer ação mais afirmativa do parlamentar sobre o assunto em pauta. Por fim, a possível presença de Romeu Zema no cenário político nacional terá no caminho alguns nomes já escalados como os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).

Venda de fotos íntimas criadas por inteligência artificial gera debates

No início do mês veio à tona denúncias de que fotos íntimas, criadas por inteligência artificial, com o rosto de alunas de um colégio em Belo Horizonte, com idades entre 12 e 17 anos, estariam circulando em grupos públicos de um aplicativo de mensagens. De acordo com a denúncia divulgada nas redes sociais, esses “fake nudes” eram criados pelos próprios estudantes da instituição. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi chamado à ação pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. A parlamentar também encaminhou um ofício à direção da escola, pedindo esclarecimentos sobre o ocorrido e questionando quais providências estavam sendo tomadas para responsabilizar os envolvidos na criação, divulgação e disseminação do material. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito Digital, Victor Tales Carvalho. A criação e venda de imagens íntimas falsas, geradas por inteligência artificial, é considerada crime no Brasil?Mesmo o país não tendo uma legislação específica sobre deepfakes, a criação e comercialização de imagens íntimas falsas pode configurar diversos crimes, como difamação, injúria, falsidade ideológica, além de dispositivos da Lei de Importunação Sexual (Lei nº 13.718/2018). Quando envolve crianças ou adolescentes, a conduta pode ser enquadrada como pornografia infantil (ECA, art. 241). Além da esfera penal, também há violação de direitos da personalidade e de propriedade intelectual, principalmente quando a imagem é utilizada com fins comerciais, de fraude ou associada à identidade digital de uma pessoa pública. Esse tipo de prática pode ser enquadrado como pornografia infantil, mesmo sem imagens reais?O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou entendimento de que montagens digitais simulando atos sexuais com menores, mesmo que irreais, configuram pornografia infantil. O que importa não é se o conteúdo é real ou gerado por inteligência artificial, mas sim o dano gerado à dignidade da criança e o incentivo à exploração da imagem infantil. Isso pode levar à responsabilização criminal de quem cria, compartilha ou armazena esse tipo de material. O que a lei brasileira prevê hoje em relação ao uso indevido de ferramentas de inteligência artificial para manipulação de imagens?Atualmente, não existe uma lei específica para deepfakes no Brasil. Mas há diversas normas que são aplicadas de forma combinada como o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014): permite a responsabilização de plataformas após notificação e ordem judicial; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018): considera imagem e voz como dados sensíveis, exigindo consentimento claro para uso; Código Penal: crimes contra a honra, falsidade ideológica, falsa identidade; Código Civil: reparação por danos morais e materiais; Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): proteção integral de menores. A quem cabe a responsabilidade nesses casos, apenas aos autores das imagens ou também a quem compartilha e vende?Todos os envolvidos podem ser responsabilizados: quem cria, quem compartilha e quem comercializa o conteúdo. Em casos envolvendo menores, os pais ou responsáveis podem ser civilmente responsabilizados. As plataformas também podem ser responsabilizadas, especialmente quando, mesmo após notificação formal, mantêm o conteúdo ativo. Que orientações devem ser dadas para famílias e escolas diante desses casos?É fundamental que medidas preventivas e reativas sejam adotadas de forma integrada e eficaz: familiares devem acompanhar e orientar seus filhos sobre os riscos da superexposição nas redes sociais, o impacto jurídico e emocional de compartilhar imagens íntimas, mesmo entre colegas, e a importância do consentimento digital. Já as escolas precisam atualizar seus regimentos internos para prever expressamente as sanções aplicáveis em casos de crimes digitais, como deepfakes, cyberbullying e compartilhamento de conteúdo íntimo manipulado. Também é papel da escola fazer palestras, oficinas e ações permanentes de conscientização sobre uso ético da tecnologia. Que mudanças na legislação brasileira seriam urgentes para proteger crianças e adolescentes desse tipo de violência?O Brasil precisa de uma legislação específica para regular o uso da inteligência artificial, mudanças urgentes incluem a tipificação penal para deepfakes, com agravantes quando envolver menores; responsabilização objetiva das plataformas por omissão; inclusão de proteção de identidade visual e imagem na Lei de Propriedade Intelectual; criação de mecanismos rápidos de denúncia e remoção; e políticas de educação digital obrigatórias nas escolas.

Diagnóstico precoce é chave para combater o lipedema

Doença crônica, progressiva e ainda pouco conhecida, o lipedema atinge principalmente mulheres e é comumente confundido com obesidade ou linfedema. Segundo o estudo Prevalência e Fatores de Risco para Lipedema no Brasil, estima-se que 12,3% das brasileiras convivam com essa condição, caracterizada pelo acúmulo simétrico de gordura subcutânea, especialmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, provocando dor, sensibilidade e comprometimento da qualidade de vida. Ao longo do mês, a campanha “Junho Roxo” promove ações de conscientização em todo o país, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o lipedema, incentivar o diagnóstico precoce e estimular a empatia em relação às mulheres que enfrentam a doença. “Lipedema é uma gordura fibrosada, necrosada, que não responde a qualquer tipo de dieta, atividade física ou plano alimentar hipocalórico. Já a obesidade responde bem. O linfedema, por outro lado, é uma alteração dos vasos linfáticos, geralmente assimétrica. O lipedema se manifesta de forma simétrica, como nas duas pernas ou nos dois braços”, explica o médico Diego Torrico. Ele aponta que os pacientes apresentam sintomas como sensação de peso, dor latejante, celulites que não são celulites, aspecto em “casca de laranja”, queimação, coceira, hematomas espontâneos e cansaço. Segundo Torrico, a doença tem origem hereditária e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sua progressão. “Se não cuidar e tratar, a doença evolui. Não tem cura, mas podemos controlar sua progressão. É preciso apalpar as pernas, sentir as modulações, observar a evolução ao longo da vida da pessoa. Além disso, complementamos com exames como densitometria corporal e bioimpedância”. O médico também chama atenção para os impactos psicológicos causados pela enfermidade. “Muitas mulheres deixam de usar vestidos, de ir à praia, de participar de eventos sociais. Se veem como desleixadas, mesmo seguindo dieta e praticando atividade física sem obter resultados. São pacientes que já foram julgadas por profissionais e familiares, e que muitas vezes nem sabem que têm uma doença real”. Alimentação como ferramenta Para a nutricionista Aline Quissak, uma alimentação personalizada pode ajudar a reduzir a inflamação e os sintomas do lipedema. “O detox terapêutico vai muito além de tomar suco verde. É uma estratégia baseada em testes genéticos, análises de sangue e da microbiota intestinal. Isso permite montar um plano alimentar terapêutico individualizado, que ajude a reduzir a inflamação, equilibrar os hormônios e melhorar a qualidade de vida”. Ela salienta que polimorfismos genéticos podem comprometer as vias de detoxificação e o metabolismo hormonal, e que alimentos específicos, como vegetais crucíferos, ricos em indóis e glucosinolatos, favorecem a eliminação de estrogênios inflamatórios. Além disso, nutrientes como glutationa, N-acetilcisteína, vitaminas B6, B12, ácido fólico, colina e sulforafano desempenham papel essencial na detoxificação hepática. “A detoxificação hepática é fundamental no manejo do lipedema, pois a doença está frequentemente associada à sobrecarga estrogênica, inflamação crônica e acúmulo de toxinas nos tecidos adiposos”, explica Aline. A especialista também alerta para os efeitos de intolerâncias alimentares. “Glúten, leite e frutose podem ser gatilhos silenciosos, mas altamente inflamatórios. Eles aumentam a permeabilidade intestinal e estimulam a liberação de citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-alfa, agravando dor, inchaço e inflamação”. Por fim, a nutricionista reforça que o futuro do tratamento passa por abordagens integrativas. “Genética, nutrigenômica, compostos bioativos e microbiota intestinal formam a base de um cuidado realmente eficaz. Não tratamos apenas os sintomas, mas a causa bioquímica da doença”, finaliza.

Um terço dos idosos que tem mais de 65 anos sofre quedas

Anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofre quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos, e o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa. É o que estima o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Já a última edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que a prevalência de quedas dessa população, residente em áreas urbanas, foi de 25%. A ELSI-Brasil, realizada entre 2019 e 2021, também mostrou que os fatores associados à ocorrência de quedas são multidimensionais, destacando: sexo feminino (que apresenta maior prevalência), faixa etária igual ou superior a 75 anos, medo de cair devido às más condições das vias públicas, medo de atravessar a rua, artrite ou reumatismo, diabetes e depressão. O mestre, doutor e coordenador da Ortopedia do Hospital Unimed BH, José Carlos Vilela, ressalta que esses dados são muito preocupantes. “A questão da queda e fratura em idosos é de relevância para a saúde pública, em virtude da morbidade e custo dos envolvidos. Com o envelhecimento da população, essa quantidade de casos deve aumentar e muito”. Ele pontua que os fatores de risco podem ser divididos em dois grupos. “O paciente idoso, em geral, tem menos força, menos equilíbrio, tem diminuição da acuidade visual e auditiva. E 70% deles têm duas ou mais comorbidades, tomam medicamentos que diminuem a pressão, que se relacionam com o ritmo cardíaco e que, eventualmente, se relacionam com o nível de consciência, o que também favorece as quedas”. “O paciente idoso também costuma apresentar sarcopenia, que é a diminuição da massa muscular e, principalmente nas mulheres, tem a redução da densidade óssea, também conhecida como osteoporose. O primeiro favorece as quedas e o segundo as fraturas. E o risco de morte decorrente da fratura não pode ser ignorado, sendo estimado em torno de 15% a 30%”, acrescenta. Alerta O doutor elucida ainda quais sinais de alerta os familiares devem se atentar para evitar futuras quedas. “Observar os pacientes que apresentam deterioração da marcha e da autonomia, como tomar banho sozinho; e idosos que o estado de consciência tem se deteriorado, como aqueles que apresentam demência, além dos pacientes com perda auditiva e visual. É muito importante lembrar de evitar tapetes, degraus e colocar corrimão em escadas e banheiro. Evitar também que tenham pisos escorregadios e/ou deixar o espaço molhado fora da área do chuveiro”. Vilela explica que é preciso cuidado para manipular o paciente após a queda. “O ideal é que seja chamado um serviço de urgência para mobilização adequada. Pois, muitas vezes, uma queda pode apresentar outras lesões, não só a fratura do fêmur, e a manipulação incorreta pode piorar o quadro clínico, além de causar dor”. “Esse cuidado é mais relevante ainda, quando não foi percebida por ninguém, porque a causa da queda pode ser mais importante que o quadro ortopédico. Já que motivos frequentes que causam esses tombos em idosos são o acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia cardíaca”, observa. Cuidados O especialista e professor de fisioterapia da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), José Roberto Carvalho Barbosa, destaca que para reduzir o risco de quedas é importante que os idosos adotem um estilo de vida mais ativo. “Atividade física regular e uma rotina de exercícios que incluem fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade. É essencial que essas pessoas sejam incentivadas a realizar atividades diárias que promovam a mobilidade e a independência”. Barbosa afirma ainda que os exercícios funcionais são fundamentais para manter e melhorar a capacidade física. “Permitindo que eles realizem atividades cotidianas de forma independente e segura. Estes exercícios integram vários sistemas corporais, facilitando as tarefas de vida diária”. Já a atividade física orientada pode ajudar na prevenção de quedas, avalia o especialista. “Os benefícios são melhora do equilíbrio e coordenação, da flexibilidade e mobilidade, e fortalecimento muscular. Algumas opções são: pilates, caminhada, dança, tai chi, musculação, hidroginástica, entre outros”, finaliza.

Intenção do governo mineiro pode ser negar acordo de pagar dívida bilionária

Depois de mais uma ida do vice-governador Mateus Simões (Novo) a Brasília, recentemente, para discutir com o governo federal o pagamento da dívida bilionária entre Estado e União, começaram a propalar comentários sobre a verdadeira intenção do Poder Executivo estadual. A especulação aponta para uma possível artimanha com a finalidade de evitar a efetiva adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Os deputados de oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estão percebendo o interesse do Executivo mineiro em criar celeuma em torno do tema. A intenção seria jogar a culpa do fracasso dos entendimentos no “colo” do governo federal, usando como pano de fundo, por exemplo, o pedido de nove meses para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avaliar os valores dos bens apresentados como compensação para diminuir o compromisso financeiro. Acionando o STF Quando questionado sobre o assunto, o líder do Governo na Casa Legislativa, deputado João Magalhães (MDB), pontua que tudo está dentro do cronograma. Em relação à tese do governo mineiro de encontrar uma alternativa para não pagar a conta, o parlamentar considerou essa especulação como meramente fantasiosa. Na avaliação da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), o governo mineiro está criando todo o tipo de obstáculo para não cumprir os ditames estabelecidos pela lei que regula o acordo entre os entes públicos. Uma fonte garantiu ao Edição do Brasil que o governador Romeu Zema (Novo) não tem o menor interesse em sacramentar esse acordo. Na medida do possível, vai tentar uma postergação, erguendo um discurso de discordância contra as diretrizes estabelecidas no documento, a ponto de criar uma onda negativa junto à opinião pública mineira e nacional. Isso poderia forçar novas negociações, incluindo também o Supremo Tribunal Federal (STF). Na pior das hipóteses, seria uma forma de pleitear um novo prazo ou configuração no entendimento. Para as pessoas ouvidas pela reportagem, o assunto é complexo, mas tem um grande viés político, mesmo porque, o Propag é de autoria do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD). Por coincidência, os possíveis postulantes mencionados para disputar o governo estadual, na sucessão de 2026, são o vice-governador Mateus Simões e o senador Pacheco.