Lei de Inclusão faz 10 anos com avanços no mercado de trabalho

A Lei nº 13.146/2015, também conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), completou uma década e se consolidou como um marco na garantia de direitos e na promoção da inclusão social. De acordo com o Ministério do Trabalho, entre 2009 e 2021, o número de contratações de pessoas com deficiência teve um aumento de 78,44%, enquanto o mercado formal registrou crescimento de 18,26%. Já em 2024, mais de 27 mil pessoas com deficiência foram inseridas no mercado de trabalho graças a ações de fiscalização conduzidas por auditores trabalhistas. Minas Gerais se sobressai nesse cenário, com 60% das vagas destinadas a pessoas com deficiência sendo ocupadas, percentual superior à média nacional, que é de 57,8%. O Estado concentra 10% das empresas obrigadas a cumprir a legislação de cotas. Para discutir sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o Gerente de Projetos do Instituto Ester Assumpção, Felipe José de Sá. Quais são os principais avanços observados nos últimos 10 anos no ambiente de trabalho para pessoas com deficiência? A LBI consolidou a visão da deficiência sob a ótica dos direitos humanos, e não mais assistencialista. A pauta Diversidade e Inclusão, conectada à agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), ganhou força e empresas começaram a entender que a inclusão não é apenas uma obrigação, mas um diferencial competitivo que gera inovação. A tecnologia se tornou uma grande aliada, softwares de leitura de tela, aplicativos de comunicação alternativa e ferramentas de trabalho remoto removeram barreiras físicas e de comunicação. Com isso, houve um crescimento de iniciativas que focam não apenas em preencher vagas, mas qualificar a pessoa com deficiência. As empresas estão mais conscientes sobre acessibilidade e inclusão, ou ainda veem isso apenas como obrigação legal? A maioria das empresas, infelizmente, ainda é movida primariamente pela Lei de Cotas. Contratam para evitar multas, geralmente em cargos de base, sem um plano de carreira ou investimento real em acessibilidade e cultura inclusiva. Porém, há algumas que, ao vivenciarem a inclusão, perceberam seus benefícios. Nosso trabalho de assessoria atua muito com este grupo, ajudando a transformar a obrigação em um valor genuíno. Apesar da legislação, quais barreiras ainda dificultam o acesso e a permanência da pessoa com deficiência no mercado de trabalho? O capacitismo é a principal e a mais difícil de quebrar. É o preconceito, a infantilização, a crença de que a pessoa com deficiência é menos capaz, que vai faltar mais ou que não se adaptará. Além disso, há barreiras como falta de intérpretes de Libras em reuniões e eventos, ausência de legendas em vídeos, sistemas internos e sites que não são acessíveis para leitores de tela, banheiros não adaptados, estações de trabalho inadequadas, refeitórios inacessíveis e processos de recrutamento e seleção rígidos que não preveem adaptações. Como você avalia a efetividade da fiscalização sobre o cumprimento da Lei de Cotas e da LBI no ambiente profissional? A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego é fundamental e indispensável, no entanto, sua efetividade necessita de alguns fatores como: Avaliação da qualidade da inclusão (os cargos oferecidos, as condições de acessibilidade) e ampliar a estrutura para fazer um acompanhamento profundo e contínuo de todas as empresas. A LBI ampliou o escopo para além da cota, exigindo um ambiente inclusivo, mas a tradução disso em critérios objetivos de fiscalização ainda é um desafio. De que forma os setores público e privado podem melhorar o acesso a oportunidades de capacitação inclusiva e ampliar o acesso às funções de liderança e gestão? O setor público pode criar e financiar programas de formação profissional que já nasçam acessíveis, em parceria com instituições especializadas, e garantir que os concursos públicos e os planos de carreira dentro do serviço público sejam genuinamente inclusivos. No privado, destinar recursos para programas de mentoria e patrocínio focados em acelerar a carreira de profissionais com deficiência, treinar gestores para liderar equipes diversas e combater o capacitismo, garantir que todas as plataformas de e-learning, workshops e treinamentos corporativos sejam 100% acessíveis.

Maior rally das Américas chega à sua 33ª edição

Entre os dias 26 de julho e 3 de agosto, a edição 2025 do Sertões resgata suas origens ao mesmo tempo em que projeta novos horizontes. Na sua 33ª edição, o maior rally das Américas terá um trajeto de 3.482 quilômetros, sendo 2.215 deles em trechos cronometrados. O percurso atravessará cinco estados brasileiros (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Alagoas) até alcançar a linha de chegada na Praia do Francês, em Marechal Deodoro (AL), onde os campeões serão consagrados. O trajeto foi cuidadosamente planejado para desafiar tanto os pilotos quanto seus veículos, explorando uma variedade de terrenos. Os competidores enfrentarão piçarra, areia, trechos de pedra (tipo trial), serras e mudanças constantes de altitude, exigindo alto nível de navegação. Motos, carros, UTVs e quadriciclos voltarão a cruzar o país levantando poeira, com a promessa de disputas acirradas até os momentos finais da prova. Para a CEO do Sertões, Leonora Guedes, o desafio a cada edição é de trazer novos elementos, evoluir do ponto de vista tecnológico e proporcionar uma experiência diferente, à altura dessa tradição. “Mais uma vez contaremos com a participação de competidores de vários países; um nível técnico elevadíssimo nas três modalidades (carro, moto e UTV) e o roteiro escolhido para este ano será extremamente exigente, para testar pilotos, navegadores e máquinas. Por outro lado, queremos dar novos passos em nossa caminhada que tem feito do Sertões uma referência também em sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e preocupação com as pessoas”. Ela explica que o Sertões chega com uma caravana de aproximadamente 2.500 pessoas entre competidores, equipes, organização, imprensa e integrantes das expedições turísticas. “Essa ‘mini cidade’ movimenta toda a cadeia produtiva do turismo. Estimamos em cerca de R$ 2 milhões/dia o impacto econômico direto. Além disso, o Sertões é uma grande vitrine, tendo visibilidade nacional e internacional, pois as cidades e suas paisagens são o pano de fundo da competição. Em 2024 o retorno de mídia gerado pelo rally superou os R$ 237 milhões”. A CEO afirma que a presença das cidades mineiras, Unaí e Januária, no roteiro do Sertões 2025 se encaixa perfeitamente no principal conceito da prova, que é um retorno às raízes. “Januária fez parte do percurso da primeira edição do rally, realizada em 1993; enquanto Unaí recebeu a prova pela última vez em 2010. As respectivas regiões nos permitem desenhar etapas cada vez mais exigentes e técnicas, além de contarem com atrativos turísticos no entorno, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Minas Gerais é parte fundamental da história do Sertões”. Segundo Leonora, deixar um legado positivo e concreto nas regiões atravessadas pelo rally é hoje uma premissa do Sertões, e no caso de Minas não é diferente. “Queremos que as pessoas sejam parte do evento, nos vejam como exemplo e inspiração e se envolvam com as diferentes iniciativas socioambientais. Entre as ações previstas está a realização do Concurso de Artes Sertões, que envolve estudantes do ensino fundamental por meio de desenhos e redações, expressando-se sobre temas ligados à sustentabilidade e ao ambiente”. “Além disso, em Januária e Montalvânia haverá a entrega de filtros a comunidades que não contam com água tratada, parte de uma parceria com a Conasa Infraestrutura, que desenvolveu um equipamento barato, simples e que pode ser replicado sem grande dificuldade. Januária ainda receberá uma ação da SAS Brasil, organização social parceira do rally que presta atendimento médico especializado. As Vilas Sertões contarão com coleta seletiva de resíduos e o material será tratado e destinado à reciclagem. Vale destacar que todas as emissões de carbono geradas pelo rally são neutralizadas”, destaca. Os locais escolhidos nas diferentes cidades para receber a estrutura do rally têm acesso gratuito à população. “Queremos que todos vivenciem o evento, conheçam de perto os participantes e seus veículos, assim como as diferentes iniciativas socioambientais”. O público terá ainda a chance de acompanhar a prova através da cobertura de grandes veículos de mídia, dos programas exibidos no YouTube (SertõesOficial), pelas redes sociais e pela plataforma rally.sertoes.com.br.

Golpes por SMS já geraram mais de RS 10 bilhões em prejuízos

De acordo com o relatório da Apura Cyber Intelligence, uma onda de golpe por SMS, também conhecido como “smishing”, se destacou pela velocidade e alcance no Brasil. Conforme uma pesquisa da Norton, 54% das tentativas de fraude no país foram feitas por SMS, sendo que 43% das pessoas que receberam essas mensagens acabaram caindo no golpe. Dessas vítimas, 77% sofreram prejuízos financeiros, com perdas que vão de R$ 1,2 mil a até R$ 40 mil. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o total de perdas financeiras causadas por golpes no Brasil saltou de R$ 8,6 bilhões, em 2023, para R$ 10,1 bilhões em 2024, um crescimento de 17%. O relatório apresenta como uma das principais modalidades de fraude, as centenas de sites falsos que foram criados para enganar vítimas por meio de falsas notificações de encomendas, avisos de valores a receber e alertas de cassação da CNH. As mensagens continham links que levavam a sites fraudulentos, semelhantes a portais de empresas de logística e órgãos governamentais, induzindo as vítimas a pagar supostas taxas por meio de boleto ou pagamento instantâneo. “Conseguimos identificar, com o auxílio de nossa ferramenta de inteligência de ameaças e técnicas de investigação em fontes abertas, que mais de 300 domínios falsos foram usados apenas em campanhas que simulavam comunicações dos Correios, ampliando significativamente o alcance e o impacto dos golpes”, afirma o coordenador de reports na Apura, Marco Romer. Na avaliação do professor de prática e processo penal, Luiz Alberto Miranda Júnior, os golpes por SMS são frequentes, especialmente pela facilidade de atingir milhares de pessoas com ferramentas automatizadas de envio em massa. “Os fraudadores, geralmente, possuem listas de potenciais vítimas – aposentados, correntistas de bancos, motoristas, entre outros – e se utilizam de mensagens para induzi-las ao erro”. O objetivo comum dessas fraudes é coletar dados bancários e pessoais, redirecionando a vítima para sites falsos e instalando, por vezes, aplicativos maliciosos, afirma o professor. “Embora não exista legislação específica sobre golpes por SMS, tais condutas configuram, em regra, os crimes de estelionato e falsidade ideológica. Registre-se que a Lei nº 14.155/2021 agravou a penalidade quando a fraude é cometida por meio eletrônico, com pena de reclusão de 4 a 8 anos, se a vítima foi induzida ao erro por redes sociais, ligações telefônicas ou mensagens fraudulentas”. Principais golpes Júnior cita que os principais golpes são: falso aviso de banco, o SMS informa movimentação suspeita ou bloqueio da conta, solicitando “regularização” por meio de link; nome negativado, a mensagem menciona suposta negativação no Serasa ou SPC, ou existência de multas e débitos, com link para “consulta”; e cartão bloqueado ou transação recusada, alerta falso de tentativa de compra suspeita ou bloqueio de cartão. Ele orienta que ao identificar a fraude, é fundamental registrar boletim de ocorrência imediatamente. “Em caso de falsificação bancária, contatar o banco pelo canal oficial, bloquear transações e formalizar a contestação; e nos demais casos, alterar senhas de e-mails, redes sociais e aplicativos, e acionar o suporte da plataforma envolvida (como WhatsApp, Instagram, Mercado Livre)”. O professor ressalta ainda que é possível pleitear judicialmente a restituição do prejuízo. “Desde que demonstrada falha na segurança do sistema, especialmente em transações atípicas, como múltiplos empréstimos seguidos de Pix para contas não cadastradas. Nestes casos, entende-se que o banco possui mecanismos para detectar e bloquear tais operações”. “A melhor medida preventiva é a desconfiança. Bancos e plataformas não enviam links por SMS nem solicitam a instalação de aplicativos por mensagens ou chamadas telefônicas. O uso da autenticação em dois fatores tem se mostrado uma ferramenta eficaz para dificultar o acesso indevido”, finaliza.

Minas espera mais de 4 milhões de visitantes nas férias de julho

Julho reforça a posição de Minas Gerais como um dos destinos turísticos mais procurados do país. Segundo dados do Observatório do Turismo, compilados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), a expectativa é de que mais de 4 milhões de visitantes passem pelo Estado neste mês, um aumento superior a 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As estatísticas indicam um crescimento consistente em todos os indicadores do setor. A previsão é que o total de pousos e decolagens ultrapasse 13 mil operações, o que representa um avanço aproximado de 11,5% em relação a julho de 2024. No caso dos aeroportos de Minas Gerais, o número de passageiros internacionais deve chegar a 70 mil, registrando um aumento de 26% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A ocupação dos meios de hospedagem se aproxima dos 80%, sinalizando a retomada sólida do setor hoteleiro. Esse desempenho reflete o impacto positivo dos eventos culturais, do turismo rural e da valorização do patrimônio histórico. Segundo a turismóloga, Ana Carolina Costa, a projeção otimista se baseia em dados de fluxo hoteleiro, movimentação nas rodovias, vendas de pacotes turísticos e eventos culturais programados para o mês, tradicionalmente marcado pelas férias escolares. “Além disso, o clima ameno e as festas típicas de inverno contribuem para atrair turistas de todas as partes do país. O mineiro sempre soube receber bem, mas agora, com mais visibilidade, o que era uma virtude virou ativo econômico. O visitante encontra em cidades como Tiradentes, Ouro Preto, Diamantina e São João del-Rei uma experiência completa, que une história viva, culinária premiada e um clima de interior que encanta”. O incremento na programação cultural tem papel fundamental nesse cenário. Festivais de inverno, como os de Ouro Preto, Itabira e Congonhas, oferecem apresentações musicais, exposições de arte, oficinas e feiras de artesanato, atraindo públicos diversos. Para o agente de viagens, Vicente Brandão, “Minas está aproveitando de forma muito estratégica seus diferenciais: é um Estado com identidade própria, muitas regiões autossuficientes em atrativos turísticos e um povo que enxerga no turista uma oportunidade, não um transtorno”. Ele ressalta que o crescimento do fluxo turístico é uma oportunidade para o Estado ampliar políticas de inclusão produtiva e fomentar o empreendedorismo em áreas historicamente menos favorecidas. “O turismo pode ser, cada vez mais, uma porta de entrada para o desenvolvimento regional sustentável”. “A diversificação dos roteiros turísticos, para além das cidades históricas, incluindo destinos de ecoturismo e turismo rural em regiões como Serra da Canastra, Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata, assim como a valorização de eventos culturais locais, como festivais gastronômicos, festas religiosas e manifestações folclóricas, que ajudam a fixar a identidade mineira como diferencial competitivo são estratégias importantes”, destaca Brandão. Ana Carolina salienta o incentivo à formalização e capacitação de profissionais do setor, garantindo que a qualidade no atendimento acompanhe o crescimento da demanda. “A tendência é que o turismo em Minas continue em expansão se for tratado como política pública estruturante. O Estado não vende apenas paisagens, vende afeto, memória e autenticidade, mas, para que essa ‘marca’ permaneça forte, é preciso investir em experiências de qualidade, acessibilidade e sustentabilidade”.

Automedicação causa 20 mil mortes todos os anos no Brasil

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), a automedicação causa cerca de 20 mil mortes no Brasil todos os anos, já sendo considerada, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um problema de saúde pública. Em 2023, um estudo da Anvisa mostrou que houve mais de 30 mil casos de intoxicação apenas naquele ano causados por automedicação com remédios comuns, como anti-inflamatórios, analgésicos e antialérgicos. Entre os efeitos colaterais, foram registrados casos de alergias graves, hemorragias gástricas e insuficiência renal aguda. O gerente médico das emergências de um complexo hospitalar, Thiago Mattos, alerta que a prática de tomar remédios que já funcionaram antes para tratar um problema corriqueiro é muito comum entre os brasileiros. “Mas, apesar de parecer uma solução rápida para solucionar casos de febre, azia ou dores pelo corpo, a medicação que não é orientada por um especialista pode causar intoxicação, reações adversas e até mesmo agravar doenças que o paciente já tenha”. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais e cooperado da Unimed BH, Último Libânio da Costa, a facilidade para aquisição de remédios no Brasil favorece a prática. “A sociedade recorre a medicamentos sem prescrição médica, muitas vezes por recomendação de familiares, amigos ou buscas pela internet. Essas pessoas, em geral, não dominam o assunto por não terem formação profissional na área. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde também pode ser outro fator”. Costa pontua que o uso inadequado de medicamentos pode levar ao agravamento de condições clínicas pré-existentes. “Reações adversas, por vezes graves à saúde. O uso de sintomáticos de forma descontrolada pode mascarar sintomas de doenças, levando ao atraso de diagnósticos e tratamentos”. “No Brasil, os medicamentos mais utilizados são os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. São muito usados também descongestionantes nasais, expectorantes, antiácidos e antibióticos. O uso inapropriado de antibióticos é a principal causa de resistência das bactérias aos tratamentos, apesar da exigência de retenção de receita, é muito comum pessoas se utilizarem de sobras de procedimentos incompletos”, acrescenta. Grupos mais vulneráveis O presidente esclarece que as crianças e os idosos, além das pessoas que fazem uso de medicação contínua, pelo maior risco de interações medicamentosas, são as mais vulneráveis. “Em pacientes internados, há um risco alto em situações em que acompanhantes e, às vezes, o próprio paciente, fazem uso de medicamentos por conta própria sem conhecimento da equipe que o assiste”. “O uso indiscriminado de medicamentos pode causar prejuízos irreversíveis. As pessoas se preocupam com os efeitos colaterais digestivos dos anti-inflamatórios, porém, um problema silencioso é o dano renal. O paciente não vai sentir dor, nem diminuição do volume urinário. Quando os sintomas surgirem, já terá ocorrido algo mais grave”, alerta o profissional. Ele ressalta ainda que a atenção primária, que é aquele atendimento prestado nos postos de saúde, pode contribuir para redução da automedicação. “Tornar essa estrutura mais equipada e com condições adequadas, tanto para o prestador como para o usuário, elevará a qualidade na assistência e no acesso. Além de medidas efetivas de fiscalização e controle da venda de medicamentos sem receita e da veiculação de informações falsas sobre saúde”. “Muitas vezes, mudanças de estilo de vida, buscando hábitos saudáveis, resolvem ou atenuam problemas que pareciam sem solução. Aderir a atitudes de prevenção, como criar hábitos alimentares saudáveis, praticar atividade física regularmente, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas (ou fazê-lo com moderação), ter uma boa higiene do sono e manter-se sempre bem hidratado, são medidas simples que podem prevenir doenças ou, caso ainda assim elas ocorram, tornam o organismo mais preparado para enfrentá-las”, finaliza.

Gastos com crianças e adolescentes representam menos de 2,5% do PIB

O Brasil destinou mais recursos às políticas públicas voltadas à infância e adolescência nos últimos anos, mas o investimento ainda está longe de alcançar o patamar necessário para garantir direitos básicos dessa população. É o que aponta o relatório “Gasto Social com Crianças e Adolescentes no Orçamento Federal 2019-2024”, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o levantamento, o Gasto Social com Crianças e Adolescentes (GSCA) no Orçamento Geral da União passou de 3,36% em 2019 para 4,91% em 2024, com pico de 5,31% em 2023. Apesar do avanço, o valor nunca superou 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a taxa de execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Para compreender melhor os dados, o Edição do Brasil entrevistou Liliana Chopitea, chefe de Políticas Sociais do Unicef no Brasil. O GSCA cresceu entre 2019 e 2024, mas nunca alcançou 2,5% do PIB. Por que esse percentual é considerado insuficiente? A pesquisa revela que, embora a maior parte do orçamento esteja sendo alocada ao alívio à miséria e, principalmente, às transferências de renda, houve impacto positivo na redução da pobreza monetária nas crianças e adolescentes, mas ainda temos grandes desafios. Quase 30% delas, com idades entre 0 e 17 anos, vivem em pobreza multidimensional, ou seja, privadas de direitos básicos como educação, saúde, saneamento, moradia e acesso à informação. Por isso, esse percentual ainda é baixo frente à magnitude das necessidades. A maior parte dos recursos foi destinada a ações de alívio à pobreza e assistência social. Como garantir que outras áreas também sejam fortalecidas? É importante reconhecer que a Agenda Transversal Crianças e Adolescentes do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 já representa um passo fundamental. Ela permite esse olhar integrado e intersetorial, incluindo políticas de saúde, educação, saneamento, entre outras. Com base nessa agenda, é possível planejar melhor o orçamento e direcionar os investimentos com mais precisão, de acordo com as necessidades regionais e temáticas. A execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Como você avalia essa redução? Mesmo com essa queda, ainda se manteve acima de 90%, o que é positivo, especialmente se compararmos com outros segmentos que não conseguem executar seus orçamentos. Quando os recursos são alocados para a infância, tendem a ser efetivamente gastos, o que mostra capacidade de execução. Defendemos que o termo “gasto” seja substituído por “investimento social em crianças e adolescentes”, pois é disso que se trata, investimento no presente para garantir o futuro do país. Com as medidas de contenção de gastos, quais são os riscos para o financiamento das políticas sociais voltadas às crianças e adolescentes? A proposta da LDO para 2025 prevê um aumento de 1,9% no Orçamento Geral da União em comparação à de 2024. O ideal é que esse incremento seja aprovado e mantido pelo Congresso. Infelizmente, contingenciamentos são possíveis e costumam atingir mais a assistência social do que saúde e educação, que possuem pisos constitucionais. Mesmo diante de restrições fiscais, é essencial que as políticas voltadas para crianças e adolescentes sejam preservadas e priorizadas. O relatório recomenda a identificação das faixas etárias beneficiadas por cada ação. Como isso pode contribuir para a transparência e eficácia das políticas públicas? A informação é uma aliada fundamental da transparência. Esse é um dos grandes objetivos do estudo. Quando sabemos exatamente onde os recursos estão sendo aplicados, conseguimos identificar gargalos, avaliar impactos e redirecionar esforços. A Secretaria de Orçamento Federal tem feito avanços nesse sentido, com uma primeira desagregação orçamentária já apresentada a partir do PPA 2024-2027. Esperamos que esse processo evolua cada vez mais e permita decisões baseadas em evidências.

Quedas no Mundial de Clubes geram reflexão sobre emoções no futebol

Orgulho, tristeza, revolta, vergonha e choro. O torcedor brasileiro está experimentando um verdadeiro turbilhão de emoções com a eliminação dos representantes do país na Copa do Mundo de Clubes da Fifa, disputada nos Estados Unidos. Botafogo e Flamengo caíram nas oitavas, o Palmeiras parou nas quartas, e o Fluminense foi até a semifinal, mas ficou pelo caminho diante do Chelsea. Apesar da frustração, muitos também sentem orgulho de ver seus clubes enfrentando os gigantes europeus, jogando de igual para igual ou quase lá. Mas o que fazer com tantos sentimentos, como encarar a zoação dos rivais, os memes, os debates intermináveis e como os próprios atletas processam o peso da derrota. Na avaliação da psicóloga Êdela Nicoletti, o futebol é muito mais do que um jogo. Ele mexe com identidade, história e vínculos emocionais profundos. “Não é só esporte. É memória afetiva, é estar com a família, é cultura. Por isso, a dor da eliminação vai além do placar”. Já o psicólogo Vinícius Dornelles explica que ver o time do coração chegar entre os melhores do mundo gera euforia, mas também cria uma expectativa que, se frustrada, pode virar raiva ou tristeza intensa. “É natural sentir decepção. O torcedor investe emocionalmente no time e acaba se sentindo injustiçado ou até envergonhado. Mas é importante reconhecer esses sentimentos para não deixá-los crescer de forma descontrolada”. E nem tudo precisa ser negativo. Êdela lembra que mesmo na queda há espaço para reconhecer o mérito. “A emoção saudável é aquela que permite que a tristeza exista, mas sem nos desconectar daquilo que valorizamos, como o amor pelo clube”. Chorar faz parte do jogo Um dos momentos mais marcantes do torneio foi a entrevista do atacante colombiano Jhon Arias, do Fluminense. Visivelmente abalado, ele chorou ao falar sobre a eliminação e pediu desculpas aos torcedores. A cena emocionou e gerou identificação, afinal, nem sempre o jogador pode ou quer mostrar vulnerabilidade diante das câmeras. Para Dornelles, essa é uma reação compreensível e também muito necessária. “O atleta sente tudo: a frustração pessoal, o peso da responsabilidade e o medo do julgamento. Chorar não é fraqueza, é um passo importante para processar a dor com equilíbrio”. E, mais do que isso, essa humanização dos atletas pode ajudar toda a comunidade do futebol. “Quando um jogador se mostra sensível, ele ensina ao torcedor que sentir não é sinal de fraqueza. Isso ajuda a quebrar um ciclo de pressão desumana, que muitas vezes atinge não só os jogadores, mas também quem está na arquibancada”, finaliza Êdela.

Cerca de 12 médicos foram vítimas de violência por dia no Brasil em 2024

Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que, em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência de médicos que sofreram algum tipo de violência (seja ameaça, injúria, desacato, agressão física, difamação, furto ou outros delitos) em estabelecimentos de saúde do país, como hospitais, clínicas, consultórios, prontos-socorros, laboratórios e outras instituições, tanto da rede pública quanto privada. O número trata-se do maior já registrado na série histórica do CFM. A análise da distribuição das ocorrências revela que 66% dos casos, ou seja, 2.551, aconteceram em cidades do interior, enquanto 1.337 episódios (34%) foram registrados nas capitais. Segundo os dados apurados pelo CFM, a maioria das agressões foi praticada por pacientes, seus familiares ou por indivíduos sem qualquer vínculo com os profissionais de saúde. Dos 4.562 boletins de ocorrência no ano passado, 256 (6%) foram registrados por crimes de calúnia, injúria, difamação e ameaça cometidos contra médicos na internet, seja em redes sociais ou em aplicativos de mensagens. Em 2024, São Paulo liderou o ranking nacional, com 832 boletins de ocorrência, o equivalente a 26% do total de notificações. O Paraná ficou em segundo lugar, com 767 registros, sendo que Curitiba responde por 11% desses casos. Minas Gerais ocupa o terceiro lugar em número de ocorrências. A Polícia Civil mineira contabilizou 460 boletins, dos quais 15% foram registrados na capital, Belo Horizonte. O psicólogo Marcos Figueiredo afirma que a “espera prolongada, incerteza do diagnóstico e estresse emocional de pacientes e familiares elevam o clima de tensão. Em momentos de fragilidade, um olhar torto, uma palavra mal interpretada pode ser um gatilho para explosões de violência”. “Vivemos uma era de maior intolerância e impaciência. Entre os principais motivos está a sobrecarga dos serviços de saúde, especialmente no sistema público, onde a alta demanda e a falta de recursos contribuem para longas esperas, atrasos em atendimentos e frustrações por parte dos pacientes e seus familiares. Essa insatisfação, muitas vezes, é descarregada nos profissionais da linha de frente, como os médicos”, completa. Ele explica ainda que há uma crescente intolerância social e dificuldade de lidar com frustrações, o que tem se refletido em comportamentos agressivos em diversos contextos, incluindo o ambiente hospitalar. “Outro fator relevante é a desinformação sobre o papel e os limites da atuação médica, o que pode gerar expectativas irreais por parte dos pacientes e levar à hostilidade quando os resultados esperados não são alcançados”. Para o especialista em segurança pública, Marcelo Cunha, é fundamental adotar uma série de medidas integradas que envolvam tanto ações de segurança quanto mudanças estruturais e culturais no sistema de atendimento. “Em primeiro lugar, é preciso reforçar a segurança nos ambientes de saúde, com a presença de equipes treinadas, instalação de câmeras de monitoramento e protocolos claros para lidar com situações de risco. A criação de canais de denúncia eficazes e a garantia de que os casos serão investigados e punidos com rigor também são essenciais para desencorajar novas agressões”. “Outro ponto importante é melhorar as condições de trabalho dos profissionais, reduzindo a sobrecarga, garantindo recursos adequados e promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e cooperativo. Investimentos em gestão e organização dos atendimentos, que ampliem o acesso da população a serviços de saúde de qualidade, com estrutura adequada e tempo de espera reduzido, contribuem para diminuir o clima de insatisfação que pode levar à violência”, ressalta. Cunha destaca que campanhas de conscientização pública sobre o respeito aos profissionais de saúde e sobre os limites da atuação médica também podem ser úteis, ajudando a construir uma relação mais equilibrada entre pacientes e equipes de atendimento. Além disso, o CFM tem se posicionado favorável à aprovação de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional que aumentam as penalidades para agressores de médicos em exercício profissional, como é o caso do PL nº 6.749/2016, já aprovado pela Câmara dos Deputados. A entidade também vem atuando junto a governadores e representantes da Polícia Civil nos estados para promover a criação de delegacias especializadas em investigar crimes cometidos contra profissionais da saúde.

Produção de pinhão gera renda anual de R$ 3,5 milhões em Delfim Moreira

Com safra estimada em 500 mil quilos de pinhão para este ano, a cidade de Delfim Moreira, no Sul de Minas, é um dos maiores produtores da semente no Estado. O município tem cerca de mil hectares de araucárias, produzindo 60 kg por árvore e com renda anual de R$ 3,5 milhões. A produção de pinhão tem aliado geração de renda e preservação ambiental nos municípios da Serra da Mantiqueira, também no Sul de Minas. Em Delfim, os produtores trabalham em ações que estimulam o plantio de árvores e que devem aumentar os lucros. Entre esses trabalhos, estão o viveiro de mudas de araucária e a construção de uma unidade de processamento do pinhão, que está em andamento. A secretária de Agricultura, Joelma Pádua, destaca que o município tem uma produção expressiva. “Esse manejo mantém o ecossistema natural e traz renda para os produtores, e há várias ações em desenvolvimento para o fortalecimento da atividade em Delfim”. No total, cerca de dois mil produtores realizam a atividade de colheita do pinhão todos os anos no Estado. Segundo dados do Safra Agrícola da Emater-MG para 2024, além de Delfim Moreira (2ª posição), os maiores produtores de pinhão em Minas são: Itamonte (1º lugar/1,2 tonelada), Alagoa (3º lugar/700 mil quilos), Baependi (4º lugar/480 mil quilos) e Marmelópolis (5º lugar/475 mil quilos). O extensionista da Emater em Delfim Moreira, Túlio César Meirelles, explica que, atualmente, a produção de pinhão ainda não está entre as principais atividades econômicas do Sul de Minas. “No entanto, possui um potencial estratégico crescente, principalmente em áreas de altitude, onde a araucária angustifolia ocorre naturalmente. O pinhão representa uma fonte de renda complementar importante para os agricultores”. Ele afirma que toda a produção é feita por pequenos produtores. “Atualmente, a Emater orienta cerca de 175 agricultores familiares no município de Delfim Moreira, cadastrados no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPMBio)”. “Esse número representa não apenas as famílias que coletam e comercializam o pinhão, mas também aquelas que recebem assistência técnica direta da instituição em diferentes etapas do processo: desde o mapeamento de áreas com araucárias, boas práticas de coleta, regularização ambiental, até o apoio na documentação necessária para acesso à política pública”, complementa. Agregando valor Segundo Meirelles, há diversas iniciativas em andamento no município para agregar valor ao pinhão. “Promovendo não apenas a valorização econômica da semente, mas também a preservação da araucária e o fortalecimento da identidade cultural local. Essas ações são coordenadas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente”. “Entre outras ações que se complementam, formando um ecossistema de valorização do pinhão, que vai do campo à mesa, da educação à indústria, da preservação à inovação. Delfim Moreira está se tornando referência regional na integração entre cultura, economia e conservação da araucária, com apoio técnico, políticas públicas e participação da sociedade”, finaliza.

Tempo frio exige cuidados redobrados com a saúde

Com a chegada do inverno, as temperaturas mais baixas, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados criam um cenário propício para o surgimento de doenças respiratórias, agravamento de quadros crônicos e até mesmo impactos no bem-estar emocional. Embora muitos acreditem que basta se agasalhar para enfrentar o frio, o cuidado com a saúde durante essa estação exige atenção a diversos fatores, da hidratação à alimentação, da ventilação dos espaços ao reforço da imunidade. O corpo humano precisa fazer mais esforço para manter sua temperatura interna estável durante o inverno, o que pode sobrecarregar o organismo, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças pré-existentes. Nos dias frios os vasos sanguíneos se contraem para preservar o calor, o que pode elevar a pressão arterial. Além disso, a tendência de se aglomerar em locais fechados cria um ambiente ideal para a proliferação de vírus e bactérias. Para a nutricionista Cristina Souza, um dos hábitos mais importantes que ajudam a fortalecer a saúde e a prevenir complicações é a hidratação. “As pessoas tendem a beber menos água no inverno porque sentem menos sede, porém, o corpo continua perdendo líquidos, especialmente por meio da respiração e da urina. A falta de hidratação enfraquece o sistema imunológico, prejudica a circulação e aumenta o risco de infecções”. Ela também destaca o papel da alimentação na manutenção da saúde durante o inverno. “Uma dieta rica em frutas cítricas (como laranja, acerola e kiwi), legumes e verduras de cores vivas é essencial para reforçar as defesas do corpo. Alimentos com vitamina C, zinco e ômega 3 ajudam a modular o sistema imunológico”. Outro aliado importante da saúde no inverno é o exercício físico. “A prática regular de atividades ajuda a manter a circulação ativa, melhora a respiração, estimula a produção de serotonina e fortalece o sistema imunológico. Mesmo nos dias frios, é importante se movimentar, fazer caminhadas leves, alongamentos ou exercícios dentro de casa. Por outro lado, o sedentarismo pode contribuir para a piora da saúde cardiovascular e da saúde mental”, explica. De acordo com a pneumologista Sônia Andrade, entre os principais problemas de saúde associados ao inverno estão as infecções respiratórias, como gripes, resfriados, sinusites, bronquites e pneumonias. “As doenças alérgicas, como a rinite e a asma, também tendem a se intensificar devido ao acúmulo de poeira, mofo e à má ventilação. Além disso, o ar seco, característico desta estação, resseca as mucosas do nariz e da garganta, facilitando a entrada de agentes infecciosos no organismo”. É fundamental manter os ambientes arejados, embora seja tentador deixar as janelas fechadas o tempo todo para conservar o calor. “Essa prática favorece a concentração de agentes patológicos no ar. Basta abrir as janelas por 15 a 20 minutos por dia, em horários de sol, para renovar o ar e reduzir o risco de contágio por vírus respiratórios”, recomenda. Sônia também reforça a importância de manter a caderneta vacinal em dia. “A vacina contra o vírus Influenza, por exemplo, é recomendada anualmente e pode reduzir em até 70% os casos graves da doença. Esse ato não é apenas uma proteção individual, mas também coletiva, pois reduz a circulação viral entre os grupos mais vulneráveis”. Por fim, a dermatologista Luciana Oliveira destaca que outro ponto que merece atenção é o cuidado com a pele e as mucosas, que sofrem com o ressecamento causado pelo ar frio e seco. “Tomar banhos muito quentes pode agravar esse quadro, removendo a camada protetora natural da pele. Eles devem ser mornos e rápidos, seguidos do uso de hidratantes corporais ricos em ureia, ceramidas ou ácido hialurônico. Também é importante usar protetor labial e filtro solar, pois mesmo em dias nublados há radiação UV”.