Mudança na lei de aprendizagem pode ampliar oportunidades para jovens

Criada em 2000, a Lei da Aprendizagem garante a jovens, entre 14 e 24 anos, o direito à qualificação profissional aliada ao emprego com carteira assinada, sendo um dos principais instrumentos de inserção produtiva para quem está começando a trajetória profissional no mercado de trabalho. Para modernizar e consolidar essa política pública, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 6.461/2019, o Estatuto do Aprendiz, que deve ser votado nas próximas semanas. O texto busca reunir, em um só instrumento jurídico, regras que hoje estão dispersas e frequentemente modificadas, o que gera insegurança para empresas e entidades formadoras. Para entender melhor essas mudanças, o Edição do Brasil conversou com a diretora de Assistência Social da Rede Cidadã, Keure Chamse. Quais são os principais impactos do Estatuto para os jovens? O PL reforça os direitos já conquistados, especialmente o direito constitucional à profissionalização. Muitos adolescentes e jovens atendidos pelo programa estão em sua primeira experiência de trabalho e essa transição precisa ser acompanhada com responsabilidade. O Estatuto garante que eles não sejam expostos a atividades insalubres ou perigosas e também promove uma atuação intersetorial com educação e assistência social, que envolve as famílias e as escolas. Isso amplia as chances de sucesso escolar e profissional. Além disso, é uma política de prevenção que protege o jovem de contextos de risco e oferece perspectiva de futuro. A proposta pode ajudar a combater o desemprego juvenil e a evasão escolar? Sim, e já temos resultados que mostram isso. O estudante que entra no programa precisa manter frequência escolar, porque se abandonar os estudos, é desligado. Isso ajuda a manter o vínculo com a escola e afasta o risco do trabalho infantil, que muitas vezes é consequência da necessidade de renda. Com a aprendizagem, o jovem permanece na escola, recebe formação técnica e humana, e desenvolve competências socioemocionais. É um caminho estruturado para o mundo do trabalho. Vale lembrar que o Brasil tem hoje cerca de 650 mil aprendizes ativos, mas estudos do Ministério do Trabalho mostram que poderíamos ter mais de 1 milhão de vagas preenchidas. O Estatuto cria as condições para que isso se torne realidade. Como o Estatuto pode melhorar o ambiente para as empresas? Hoje, as regras estão dispersas em várias normativas, o que causa insegurança. A cada mudança no governo, surgem medidas provisórias que alteram requisitos, carga horária e processos. Isso desestrutura os programas e afeta a confiança das empresas. O Estatuto vem para consolidar tudo em um marco legal, moderno e estável, trazendo segurança para todos os envolvidos, empresas, entidades e os próprios aprendizes. Há benefícios previstos para pequenas empresas e o setor público? O projeto propõe incentivos para que micro e pequenas empresas e órgãos públicos também possam contratar aprendizes. São segmentos que hoje não são obrigados, mas que podem contribuir com a geração de oportunidades. Quando uma empresa contrata um jovem, cumpre não apenas a cota como também forma um futuro colaborador alinhado aos seus valores. Ao longo de dois anos, o aprendiz passa por diferentes áreas, adquire conhecimento técnico e humano, e sai pronto para o mercado. É uma via de mão dupla onde todos ganham. O que muda na formação dos aprendizes com o novo texto? O Estatuto qualifica as exigências para as entidades formadoras. Hoje, fala-se muito em estrutura física adequada, equipe técnica, educadores preparados e material didático atualizado. São coisas fundamentais para que o estudante receba mais do que capacitação técnica, porém, o jovem precisa de formação cidadã, de visão crítica e apoio para lidar com os desafios da vida e do trabalho. Quando a empresa percebe esse diferencial no aprendiz, reconhece o valor da parceria com a entidade e tende a manter uma cultura de formação.
Falta de saneamento básico ainda expõe população a diversas doenças evitáveis

Mesmo em 2025, mais de 33 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água tratada, e cerca de 90 milhões não têm coleta de esgoto adequada, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o país registrou mais de 344 mil internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado em 2024. O médico de Família e Comunidade da Unimed-BH, Artur Oliveira Mendes, ressalta que a falta de saneamento básico favorece a contaminação da população e da natureza com substâncias nocivas e agentes patogênicos de diversos tipos. “As inúmeras parasitoses intestinais, hepatite A e cólera, estão entre as doenças mais comuns, que se espalham facilmente com a falta de saneamento. Crianças e idosos são os grupos mais frágeis, porém, estas enfermidades impactam igualmente toda a população”. Mendes afirma que o saneamento básico está relacionado a uma expressiva redução da mortalidade infantil, além da diminuição das internações por doenças diarreicas e infecciosas. “Já vi comunidades de todos os tipos e naquelas mais desfavorecidas economicamente, sem acesso a saneamento, é flagrante o quanto as doenças são mais prevalentes e o impacto negativo deste processo em todo o grupo”. Da lama à dignidade A líder comunitária e integrante da Associação de Moradores do Verde Vale (AMOVV) de Sete Lagoas, Maria Uises Rosa, lembra bem do cenário anterior às obras. “Cada casa jogava seu esgoto na rua e tinha muito mal cheiro, insetos e doenças. Formavam poças e lama na via, pois não havia asfalto”. Ela lutou por mais de 15 anos por mudanças. “Antes das obras de saneamento, a população enfrentava surtos de arboviroses e desconfortos intestinais por causa da contaminação da água. E os mais atingidos eram as crianças e idosos com a imunidade baixa, devido à exposição ao esgoto a céu aberto”, conta. A solução começou com pressão popular. “Fizemos abaixo- -assinados, chamamos a imprensa, mobilizamos as famílias e fomos atrás do poder público. A associação liderou essa luta por direitos com reuniões e visitas dos políticos para ver a situação de perto”. “Hoje, o cenário é outro. As questões de saúde da comunidade melhoraram, com mais dignidade e qualidade de vida. Houve também uma melhora significativa na saúde das crianças. Antes eram comuns casos de verminoses, por exemplo, agora não há tantas queixas”, acrescenta. No entanto, Maria destaca que o desafio ainda não acabou. “O esgoto ainda corre a céu aberto no fim do bairro, formando um córrego com mau cheiro e poluição até chegar à estação. Isso precisa mudar”. Mais de 98% de cobertura A cidade de Sete Lagoas, na região Central do Estado, atualmente, possui 98,87% de cobertura de saneamento básico. A região rural do município ainda não é atendida com acesso completo de coleta de esgoto, sendo aproximadamente 18 bairros, segundo informações do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). A Gerente de Esgoto do SAAE de Sete Lagoas, Gabriela Moura dos Santos, explica que o maior desafio para alcançar a universalização do saneamento é a falta de recursos financeiros. “Temos várias obras em andamento e estamos buscando recursos para ampliar ainda mais a cobertura”. Sete Lagoas prevê um tratamento de 100% de todo o esgoto captado na cidade. Assim, o município vai parar de poluir o Rio das Velhas. Gabriela complementa dizendo que a obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi concluída. “No momento, estamos finalizando os ajustes relacionados à automação do sistema, etapa essencial para o pleno funcionamento da unidade. A previsão é que a estação entre em operação no mês de agosto”. Até 2030, de acordo com a gerente, a autarquia tem como objetivo alcançar avanços significativos na área de saneamento. “Com foco na expansão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, redução das perdas na distribuição de água tratada, melhoria contínua na qualidade da prestação dos serviços, e aumento da eficiência operacional e promoção do uso racional da água”. Apesar dos avanços, a falta de saneamento básico ainda é um desafio para muitas cidades brasileiras. Investimentos e mobilização social continuam sendo essenciais para garantir saúde e dignidade a todos.
Prevenção à leishmaniose ganha destaque no mês de agosto

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, provocada por parasitas do gênero Leishmania, que tem causado preocupação entre autoridades de saúde pública, médicos veterinários e especialistas em zoonoses no Brasil. Por isso, a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, criada pela Lei nº 12.604/2012, promove a conscientização da população por meio de ações educativas, divulgando informações sobre a doença, suas formas de transmissão e maneiras de preveni-la. Ela é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das enfermidades negligenciadas mais relevantes globalmente. Essa condição afeta, com maior incidência, comunidades em situação de vulnerabilidade social, especialmente entre crianças. Segundo dados da OMS, o Brasil concentra a maior parte dos casos registrados em escala mundial. “Ainda é uma doença negligenciada, tanto pelo poder público quanto pela sociedade em geral. Isso ocorre porque ela atinge, em sua maioria, populações vulneráveis e animais em áreas menos favorecidas. Porém, o número crescente de casos urbanos entre humanos e cães tem mostrado que precisamos tratar essa questão como prioridade sanitária”, explica a infectologista Fernanda Diniz. O contágio ocorre por meio da picada do mosquito-palha, que se infecta ao sugar o sangue de um animal ou pessoa doente e, posteriormente, transmite o parasita a um novo hospedeiro. “Em humanos, a manifestação pode variar da forma cutânea, com lesões na pele, geralmente indolores, mas que causam deformações se não forem tratadas. A visceral se apresenta com febre prolongada, perda de peso, aumento do fígado e baço, anemia e fraqueza generalizada, podendo levar à morte se não for tratada”. “Exames laboratoriais como o PCR e a punção de medula óssea são essenciais para confirmar a infecção. O tratamento da leishmaniose humana é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e inclui o uso de medicamentos”, completa. De acordo com a veterinária Patrícia Lemos, “nos cães, a infecção pode permanecer assintomática por longos períodos, o que contribui para a disseminação silenciosa da doença. Já os sintomas incluem emagrecimento progressivo, crescimento exagerado das unhas, feridas na pele de difícil cicatrização, queda de pelos, lesões oculares e apatia. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Utilizamos exames sorológicos que identificam a presença de anticorpos”. Patrícia ressalta que o cenário é mais complexo nos bichos. “Por muitos anos, o tratamento canino era desestimulado pela legislação brasileira, sob a alegação de que os animais continuariam como fontes de infecção. No entanto, com o surgimento de medicamentos específicos e protocolos mais seguros, o tratamento passou a ser permitido, desde que autorizado por órgãos de vigilância e que os tutores se comprometam a realizar o controle do vetor”. As estratégias de prevenção envolvem uma combinação de ações educativas, controle do vetor, diagnóstico precoce e manejo adequado dos animais. “O uso de coleiras repelentes impregnadas com inseticidas tem se mostrado eficaz na proteção dos cães, assim como vacinas licenciadas no Brasil, que ajudam a reduzir a carga parasitária e a probabilidade de infecção”. Eliminar criadouros do mosquito-palha, como matéria orgânica acumulada em quintais, folhas em decomposição e restos de alimento, é uma medida simples e eficaz. “O papel dos tutores de animais também é decisivo. Fazer um acompanhamento veterinário regular é essencial para conter o avanço da doença. Cães doentes e abandonados acabam se tornando fontes de infecção em áreas públicas e contribuem para o agravamento do problema”, conclui Patrícia.
Volume de vendas no Dia dos Pais deve alcançar mais de R$ 7 bilhões

Considerada a quarta data comemorativa mais importante do varejo, as vendas do Dia dos Pais de 2025 devem alcançar R$7,84 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A projeção representa um avanço de 3,2% em relação ao ano de 2024. Já um estudo realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, mostra que 55,2% das empresas que são afetadas pela data (74,4%) esperam vender mais este ano. O otimismo dos empresários (68,5%) é a principal justificativa para a boa expectativa com as vendas, sendo que 47,6% deles esperam um retorno positivo de até 20% no faturamento. Roupas, kits/cestas, calçados e carnes encabeçam a lista dos produtos que devem vender mais na data. O tíquete médio, segundo 49,5% dos empresários, ficará entre R$ 70 e R$ 200. Já a modalidade de pagamento mais utilizada será o cartão de crédito. O Dia dos Pais é muito importante para o calendário varejista, diz a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins. “A data possui um grande apelo emocional. Isso implica que, por mais que o consumidor esteja endividado, há um aumento considerável da busca por determinados produtos. Consequentemente, esta é uma oportunidade para os comerciantes aumentarem suas vendas e traçarem estratégias”. O economista Ricardo Paixão esclarece que a expectativa maior de vendas pode ser atribuída à economia. “Estamos entrando em um cenário de recuperação muito importante, com geração de empregos, renda e inflação sob controle. Isso reflete no consumo maior, impactando positivamente vários setores”. “Também podemos atribuir essa expectativa às ações do governo federal, que promoveu políticas públicas de transferência de renda, além do aumento real do salário mínimo, fazendo com que os consumidores recuperem a confiança. Outro ponto importante é a redução da inadimplência”, pontua. Na avaliação do economista, o consumo nos períodos sazonais não é sustentável. “Pelo lado do consumidor, não entrar em um alto grau de endividamento. Já para os empresários, respeitar determinado limite para que não tenha estoque e acabe gerando custos”. “Tudo tem que ser com cautela, contratando pessoas dentro da efetiva necessidade, mas a tendência é o aumento das vendas se manter ao longo do ano. O panorama internacional é muito importante, saber como essas questões tarifárias podem impactar futuramente, porém, a economia brasileira entrando nesse cenário de contenção, a tendência é que mantenha esse crescimento”, acrescenta. Recorde de temporários Paixão ressalta que o aumento das vendas pode significar contratações temporárias. “Isso tem um alto impacto para economia, porque essas vagas podem se transformar em postos efetivos. É um momento de oportunidade para o trabalhador que busca uma recolocação, ou até mesmo uma melhora na sua condição de trabalho”. A CNC projeta oferta de 11,53 mil vagas temporárias no varejo para atender a demanda sazonal das vendas do Dia dos Pais. Se confirmado, esse será o maior contingente de trabalhadores por tempo determinado contratados dos últimos 12 anos. A taxa de efetivação pode ser de 15%, maior porcentual desde 2021 (16%). Faturamento Conforme a estimativa da CNC, as lojas de vestuário deverão faturar R$ 3,23 bilhões com a data. Seguido pelos produtos de perfumaria e cosméticos (R$ 1,57 bilhão) e de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,26 bilhão). Somados, esses segmentos devem responder por quase 77% das vendas totais no varejo. Segundo a Fecomércio MG, a região do Alto Paranaíba será a mais impactada pela data, com 85,7%, seguido pelo Sul de Minas (77,5%), Central (76,2%), Rio Doce (75%) e Noroeste (72,5%). As regiões com menos impacto serão a Centro-Oeste (70%) e Jequitinhonha (68,3%).
Minas lidera uso do Fampe e soma R$ 5,4 bilhões em crédito liberado

Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), uma das principais ferramentas de acesso ao crédito para pequenos empreendedores no Brasil, celebra 30 anos em 2025. Ao longo dessas três décadas de atuação, o Fampe já viabilizou mais de 655 mil operações de crédito no país, totalizando R$ 36,03 bilhões em financiamentos e R$ 26,46 bilhões em garantias concedidas. De janeiro a maio deste ano, Minas Gerais registrou R$ 409,6 milhões em crédito liberado por meio do fundo, com 6.543 operações, totalizando R$ 296 milhões em garantias. Desde a criação do Fampe, Minas já contabiliza 114.297 contratos, somando R$ 5,45 bilhões em crédito financiado e beneficiando 86.966 empresas, representando 17,4% de todas as operações nacionais. “Minas Gerais teve um papel de destaque em 2025, concentrando 25% de todas as operações com garantia do Fampe realizadas no país. Esse resultado é reflexo da forte atuação do Sebrae Minas junto às instituições financeiras parceiras, em especial as cooperativas de crédito, que têm ampla presença no estado e proximidade com os pequenos negócios”, afirma Rogério Corgosinho, gerente de Desenvolvimento Territorial e Serviços Financeiros do Sebrae Minas. O Fampe atua como avalista junto às instituições financeiras, viabilizando crédito para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas, empresas de pequeno porte e pequenas agroindústrias, sem a exigência de garantias reais. Isso permite a inclusão financeira especialmente em municípios menores, onde a presença bancária tradicional é limitada. Corgosinho explica que o fundo concede o acesso ao crédito para empreendedores que, muitas vezes, não possuem garantias reais ou histórico bancário suficiente para conseguir financiamento. “Ao reduzir o risco para as instituições financeiras, o Fampe democratiza o acesso a recursos e contribui diretamente para a geração de renda nos pequenos negócios, especialmente onde o sistema bancário convencional tem baixa presença”. Mesmo com os bons resultados, o gerente aponta desafios a serem superados. “Muitos empreendedores ainda desconhecem o Fampe e suas vantagens. Além disso, uma gestão financeira pouco estruturada dificulta o uso estratégico do crédito e impacta na análise das instituições financeiras. Para ampliar o alcance do programa seria importante criar ações integradas com prefeituras e instituições locais, especialmente em regiões menos atendidas”, avalia. Fampe Mulheres Uma das novidades recentes é a modalidade Fampe Mulheres, que permite garantir até 100% do valor financiado por empresárias, destaca Corgosinho. Em Minas Gerais, essa linha já movimentou mais de R$ 1,1 milhão. “Ela foi estruturada para atender às necessidades específicas das micro e pequenas empresárias, oferecendo condições diferenciadas e facilitando o acesso ao crédito”. Um exemplo é a empreendedora Jéssica Sousa, da cidade de São Bento Abade, que é uma das beneficiadas. “Consegui o recurso de forma rápida e sem burocracia por meio da cooperativa de crédito. Pouco tempo depois, recebi o contato de um consultor do Sebrae que me ajudou a organizar melhor a gestão da empresa. Com o crédito, reformamos a padaria e ampliamos o atendimento com um espaço de empório”, relata. Outras ações Além do acesso ao crédito, Corgosinho lembra que o Sebrae oferece acompanhamento por meio do programa Crédito Assistido, que fornece orientações técnicas e práticas para garantir o uso eficiente dos recursos. “Na prática, o empreendedor recebe orientações e ferramentas para a gestão dos recursos financeiros, planejamento estratégico e melhoria dos processos. Isso aumenta as chances de sucesso, reduz os riscos e fortalece o crescimento do negócio”. Para potencializar os resultados do programa, o Sebrae Minas também lançou uma jornada de acompanhamento gratuita, que será expandida para todo o Estado a partir de agosto. A iniciativa inclui diagnóstico financeiro, plano de ação personalizado e orientações práticas. Além disso, uma jornada de pré-crédito também está em desenvolvimento. “Essa nova etapa prepara o empreendedor antes da liberação do recurso, fortalecendo sua capacidade de planejamento e gestão. Com isso, promovemos maior segurança na aplicação do crédito, reduzimos riscos e ampliamos o impacto positivo do Fampe”, finaliza Corgosinho.
ECA é uma das leis mais avançadas na defesa da infância e da juventude

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) consolidou o princípio da proteção integral, reconhecendo jovens como sujeitos de direitos e colocando suas necessidades no centro das políticas públicas. Em julho deste ano, o Estatuto completou 35 anos. Inspirado na Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), o ECA foi fruto da mobilização de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e da redemocratização do país, e é considerado uma das legislações mais avançadas do mundo. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com Márcia Rodrigues, advogada e membro da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG). Quais foram os progressos mais significativos promovidos pelo ECA? Destaco a criação dos Conselhos Tutelares; além da articulação de políticas públicas nas áreas da assistência social, educação e saúde; o fortalecimento das medidas socioeducativas com caráter pedagógico e não punitivo; e a consolidação de uma rede de proteção. Que direitos passaram a ser mais respeitados após a criação do Estatuto? A convivência familiar e comunitária deixou de ser negligenciada; as institucionalizações passaram a ser medidas excepcionais, com incentivo ao fortalecimento de vínculos e à adoção legal; a proteção contra todas as formas de violência e negligência ganhou força com a criação de canais de denúncia e responsabilização; e a educação também foi centralizada como um direito. Além da saúde, especialmente na atenção básica; e o reconhecimento do direito à escuta e à participação de crianças e adolescentes também foram marcos extremamente importantes. Existem desafios para efetivar o que está previsto no ECA? Os desafios são muitos e complexos. Por exemplo, o trabalho em rede, essencial para garantir a proteção integral, ainda encontra obstáculos como a falta de articulação, indefinição de atribuições, sobrecarga das equipes e ausência de formação continuada. Outro ponto crítico é a defasagem do ECA diante das transformações tecnológicas. O Estatuto ainda não contempla, com a profundidade necessária, crimes cibernéticos como aliciamento sexual, cyberbullying e exposição de dados. Quais avanços foram percebidos na educação e no combate ao trabalho infantil? O Estatuto afirmou o direito à educação como central para o desenvolvimento infantojuvenil. A exigência da matrícula obrigatória, o combate à evasão escolar e o reconhecimento da diversidade no ambiente educacional foram fundamentais para ampliar o acesso à escola. Na mesma linha, o enfrentamento ao trabalho infantil deu um salto qualitativo. O ECA rompeu com a lógica da naturalização do trabalho precoce e impulsionou políticas públicas, além da constante fiscalização pelas autoridades competentes. De que forma a proteção às crianças foi transformada pelos Conselhos Tutelares? Os Conselhos são órgãos permanentes e autônomos, responsáveis por zelar pelos direitos da infância e adolescência. Essa estrutura descentralizada trouxe a proteção para mais perto dos territórios. Antes, era quase exclusiva do Judiciário. Hoje, os conselheiros atuam diretamente na aplicação de medidas protetivas, no encaminhamento para a rede de serviços e na fiscalização de entidades. São eleitos pela comunidade, o que reforça seu caráter democrático. O Estatuto precisa passar por atualizações? Sim, o ECA tem de acompanhar as mudanças sociais, culturais, tecnológicas e científicas que atravessam a infância contemporânea. O mundo de hoje é profundamente diferente daquele de três décadas atrás. Novas formas de convivência, tecnologias digitais, redes sociais, inteligência artificial, transformações nas dinâmicas familiares, nos padrões de violência e nas formas de exclusão, exigem do Estado e da sociedade uma escuta atenta e uma capacidade constante de atualização. Um estatuto que nasceu para garantir dignidade e direitos não pode permanecer alheio às novas vulnerabilidades que surgem.
Torneio de Motovelocidade será realizado em Curvelo

Com 4.420 metros de extensão, 18 curvas, desníveis e uma reta de 840 metros, o Circuito dos Cristais, em Curvelo, na região Central do Estado, vai receber a quarta etapa do MOTO1000GP, do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, nos dias 2 e 3 de agosto. No início deste ano, o município sediou a segunda etapa da temporada e registrou o maior público do campeonato na cidade, que integra o calendário desde 2023. As atividades de pista começam no dia 1º de agosto, com mais de 50 sessões entre treinos, classificatórios e corridas. E, no fim de semana, estão previstas provas das oito categorias da competição: GP1000, Daytona 660 Cup, GP600, Motul 300V Cup, Yamaha R15 BLU CRU LA, Yamalube R3 BLU CRU LA Cup e Talent e Mottu Endurance. Todas as corridas serão transmitidas no YouTube do MOTO1000GP, e também, no domingo, no canal BandSports, na plataforma RACER e no Motorsport.com. Além do New Brasil, canal do grupo Bandeirantes. O organizador do evento, Donato Khouri, explica que o município de Minas tem papel importante na motovelocidade nacional por contar com uma das poucas pistas aptas a receber provas com segurança e estrutura adequada. “Em 2025, o MOTO1000GP terá etapas em cinco autódromos, e o Circuito dos Cristais segue como uma das principais opções do calendário. A etapa de agosto, inclusive, estava inicialmente prevista para Goiânia, que passa por reformas para receber o MotoGP em 2026, reforçando ainda mais a relevância de Curvelo para a continuidade do campeonato”. Ele destaca ainda que a motovelocidade é um esporte ainda em expansão no Brasil. “Porém, o nosso objetivo é que, como nos principais mercados do mundo, a modalidade seja uma ferramenta de desenvolvimento de tecnologias. Isso é muito importante, especialmente em um país com um mercado de quase 2 milhões de motos produzidas por ano”. Os ingressos para o evento já estão disponíveis no Sympla, com opções para diferentes experiências a partir de R$ 30. Além das credenciais à venda e distribuídas para os convidados, terá um local com entrada gratuita, estacionamento e food trucks para 10 mil pessoas. As cortesias podem ser retiradas nos pontos de venda físicos de Curvelo e Belo Horizonte. Já à próxima etapa do MOTO1000GP será em Cascavel, no Paraná, nos dias 30 e 31 de agosto. Novos talentos A competição conta com mais de 150 pilotos de 10 diferentes países. De acordo com Khouri, o MOTO1000GP foca muito no desenvolvimento de novos talentos, em fornecer condições seguras para que eles se desenvolvam no esporte. “A Yamalube R3 BLU CRU LA Talent, categoria para pilotos de 12 a 22 anos, leva todos os anos, os dois primeiros na classificação do campeonato para competir na R3 World, que reúne competidores do mundo dentro do WSBK, uma das maiores competições de motociclismo que temos”. “O torneio também é uma alternativa para aqueles que retornam ao Brasil, ou que focam no desenvolvimento nacional. A competição é importante por ser vitrine para novos talentos, mas também por fornecer opções de categorias para o desenvolvimento dos pilotos até a GP1000, com as motos de mil cilindradas”, acrescenta. O circuito Khouri pontua que o circuito é a pista mais longa e técnica que o MOTO1000GP visita. “Os pilotos precisam de um maior preparo, principalmente físico. Pode ser um pouco complicado no início para quem nunca competiu no circuito. Além disso, é uma pista segura, e o autódromo tem uma ótima estrutura para o evento”. Para o mineiro Diego Hilel, campeão da 1000 Light em 2024 e piloto da 1000 Evo nesta temporada, a exigência da pista vai além da técnica. “O Circuito dos Cristais é o autódromo de maior complexidade técnica do calendário. Exige muito fisicamente, não só pelo calor, mas pelas muitas curvas e chicanes”. A sequência de aceleração e frenagem curtas, somada às subidas e descidas do traçado, impõe um desafio constante, afirma o piloto da Castrol. “É um circuito de muita aceleração e frenagem curta. Você acelera e freia o tempo inteiro. Se a moto não estiver bem ajustada, o piloto não consegue extrair desempenho. Tem curva cega, chicane antes de reta, depois de reta. Exige leitura de pista e pilotagem limpa”, finaliza.
Insuficiência cardíaca exige atenção e diagnóstico precoce

Uma das doenças cardiovasculares que mais cresce no Brasil, a insuficiência cardíaca, já atinge entre 3 a 5% da população, segundo estimativas de especialistas, e responde por milhares de internações hospitalares todos os anos. Mesmo assim, continua sendo subdiagnosticada e pouco debatida. Caracterizada pela incapacidade do coração de bombear o sangue de forma eficiente, a insuficiência cardíaca é a via final comum de uma série de doenças, como hipertensão, diabetes, infartos e enfermidades das válvulas cardíacas. Seus sintomas, como falta de ar, fadiga e inchaço nas pernas, são frequentemente confundidos com sinais de envelhecimento ou estresse cotidiano, o que atrasa o diagnóstico. “O grande problema hoje é o diagnóstico precoce e adequado da doença. Muitas vezes, o paciente hipertenso nem sabe que tem pressão alta, ou não trata de forma correta. Isso cria um enorme contingente de pessoas que evoluem para insuficiência cardíaca sem saber”, afirma o cardiologista Marcelo Montera. “O cenário é grave e estamos diante de uma população que está adoecendo em ritmo acelerado. O envelhecimento, aliado à epidemia de obesidade e ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, tem alimentado silenciosamente uma crise de insuficiência cardíaca no país”, alerta. Para Mucio Tavares, também cardiologista, a doença permanece pouco conhecida porque seus sintomas são inespecíficos e, muitas vezes, nem são discutidos com o paciente no momento da consulta. “Mesmo quando os sinais estão presentes, podem ser confundidos com outras condições. Além disso, a maioria dos casos evolui lentamente, ao longo de anos, o que dificulta ainda mais a detecção precoce”, explica. Dados do Ministério da Saúde revelam que as doenças do coração foram a principal causa de morte no país, em 2024, superando o câncer. Em 2025, segundo dados do DataSUS, entre janeiro e abril, o Brasil registrou 65.533 internações por insuficiência cardíaca, um aumento de 2,43% em relação ao mesmo período de 2024. As regiões Norte (+5,16%), Sudeste (+3,56%) e Nordeste (+2,81%) puxaram o crescimento. Apesar dessas estatísticas, Montera lembra que a insuficiência cardíaca ainda não recebe a mesma atenção pública. “Hoje, a doença mata muito mais que o câncer de próstata e, mesmo assim, não temos campanhas de prevenção na mídia. É uma questão de saúde pública que precisa ser enfrentada com seriedade e políticas consistentes”. Para detectar a enfermidade precocemente, Tavares explica que exames como ecocardiograma e dosagens hormonais de BNP e NT-proBNP são essenciais. “Esses marcadores têm alta curácia e ajudam a identificar tanto a presença quanto o risco de insuficiência cardíaca antes mesmo dos sintomas aparecerem. Mas é preciso que o médico, principalmente o da atenção primária, esteja atento aos sinais e peça esses exames quando necessário”. Casos em jovens preocupa Outro fator preocupante é o crescimento da doença entre jovens adultos, devido ao sedentarismo, má alimentação e excesso de estresse. “Hoje vemos cada vez mais pacientes jovens com insuficiência cardíaca. Pacientes que sobrevivem a infartos, por exemplo, frequentemente ficam com o coração enfraquecido. E isso tem contribuído para o aumento das estatísticas”, observa o cardiologista Dr. Gustavo Duque. A projeção é alarmante para os próximos anos. “Com melhores condições de saúde e tratamento, a população tem envelhecido, mas também adoecido. Estima-se um aumento de cerca de 25% nos casos de insuficiência cardíaca até 2030”, reforça. Tavares diz que houve avanços significativos no tratamento. “Hoje, a insuficiência cardíaca é uma das áreas da cardiologia com mais evolução. Temos medicamentos modernos que reduzem hospitalizações e prolongam a sobrevida. Usando as quatro classes de drogas indicadas, conseguimos aumentar a expectativa de vida em até sete anos nos casos mais sintomáticos”. Além dos remédios, existem dispositivos implantáveis, como ressincronizadores, desfibriladores e assistentes ventriculares, que melhoram a função do coração e reduzem o risco de morte súbita. Segundo Tavares, o grande desafio continua sendo o acesso. “O Brasil não tem estrutura suficiente para tratar todos os pacientes. A atenção primária precisa estar mais capacitada e equipada para o diagnóstico precoce e para o encaminhamento aos centros especializados”, conclui.
Estado registrou 58,3 mil novas empresas no primeiro semestre

Minas Gerais registrou, pelo menos, 10 mil novas empresas a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo a Junta Comercial do Estado (Jucemg), no primeiro semestre deste ano, já foram registrados 58.399 novos empreendimentos, superando em 21,3% o resultado em 2024. Em junho, foram 8.613 novas firmas, 5,6% a mais que no ano passado. Todas as regiões apresentaram saldo positivo, com destaque para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, que cresceram 33,68%. Na sequência, Norte de Minas (29,35%), Central (23,85%) e Centro-Oeste (20,47%). O setor de serviços liderou a abertura de empresas, com 43.336 novos registros e alta de 24,39%. O comércio cresceu 13,28%, com 12.383 empresas abertas, enquanto a indústria avançou 12,28%, com 2.679 registros. Em junho, os serviços se destacaram novamente, com alta de 8,53%, seguidos pela indústria (+9,12%). Já o comércio teve leve queda de 4,29%. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, afirma que o crescimento na abertura de empresas reforça a melhoria no ambiente de negócios nos municípios mineiros. “Essa ação estratégica do Governo de Minas tem apresentado resultados surpreendentes em regiões que precisavam de mais desenvolvimento. Novas empresas significam novos empregos”. Conforme o economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, houve um crescimento na abertura de empresas nos últimos anos, não só em Minas Gerais, mas em todo o país. “Minas tem se destacado porque apostou na desburocratização e na facilidade para a abertura de empresas, com maior digitalização e menor tempo de espera. O Estado também tem investido em políticas públicas para incentivar o empreendedorismo”. “Porém, tem vários outros fatores associados, como o avanço da economia que foi consistente nos últimos anos, em 2023 e 2024, crescendo acima de 3%, tanto no país quanto em Minas, o que gera confiança na população. E também tem um sentimento dos brasileiros de maior busca no empreendedorismo e menos no trabalho formal”, observa o profissional. Aguiar destaca ainda que os dados mostram que a maior concentração das aberturas das empresas em Minas tem sido no setor de comércio e serviço. “E isso está relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que tem sido alavancado fortemente por esses ramos”. “Além do crescimento sustentável da economia nos últimos anos, alguns indicadores econômicos favorecem esse cenário de estabilidade para que mais pessoas busquem o caminho do empreendedorismo, como o aumento da renda dos brasileiros e a queda do desemprego. Isso tudo favorece para que as pessoas criem condições de abrir seu próprio negócio”, acrescenta. Ainda de acordo com a pesquisa, o primeiro semestre somou 46.164 extinções empresariais, uma variação de 50,60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deste total, 6.617 empresas fecharam as portas em junho. Cidades Belo Horizonte segue como o município com o maior número de empresas abertas no primeiro semestre de 2025. Foram 15.954 formalizações, alta de 23,36% em relação ao mesmo período do ano passado (12.933). Em junho, a capital mineira registrou 2.430 novos negócios, alta de 9,61% em relação a 2024 (2.217). Seguindo o ranking dos demais municípios, nos mesmos intervalos comparados, aparecem: Uberlândia (3.359 no ano e 506 em junho), Contagem (1.940 e 307), Juiz de Fora (1.574 e 226) e Montes Claros (1.297 e 192). Além de Betim (1.134 e 161), Uberaba (1.086 e 139), Divinópolis (815 e 108), Governador Valadares (717 e 121) e Patos de Minas (705 e 86). O economista finaliza dizendo que acredita que a tendência é seguir avançando o índice de criação de empresas. “Ao que tudo indica, a taxa básica de juros não deve aumentar mais neste ano. E a perspectiva é que a economia tenha um crescimento expressivo de 2,5%. Com a expectativa do índice do desemprego caindo e a renda dos brasileiros em patamar elevado, a economia continuará aquecida, fazendo que as gerações das empresas continuem em ritmo acelerado”.
Exportações do agro mineiro somam R$ 54,5 bilhões

Dados do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostraram que as exportações do agronegócio mineiro totalizaram US$ 9,8 bilhões (aproximadamente R$ 54,5 bilhões) no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Por outro lado, o volume embarcado foi de 8,5 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 9% na comparação anual. Segundo informações da Seapa, Minas Gerais exportou mais de 560 tipos distintos de produtos agropecuários para 169 países. Os principais destinos foram China (25,4%), Estados Unidos (12%), Alemanha (8,1%), Itália (5,5%) e Japão (4,6%). O café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, foi responsável por mais de 56% da receita do setor. As vendas externas da commodity somaram US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 30,6 bilhões), registrando um aumento de 61% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar disso, o total embarcado foi de 13,7 milhões de sacas, o que representa uma queda de 8,8%. Esse resultado indica que o aumento da receita se deveu, principalmente, aos preços historicamente elevados, impulsionados pela oferta global reduzida e pela demanda aquecida em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica. O segmento de carnes, incluindo as variedades bovina, suína e de frango, também se destacou, com exportações que somaram US$ 831,6 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025, um avanço de 16,8%. O volume exportado chegou a 238,6 mil toneladas, representando um crescimento de 4,5%. Para o economista Pedro Ribeiro, “o salto de 18% em receita, mesmo diante de recuo em volume, demonstra o forte impacto da valorização internacional das commodities, especialmente do café e das proteínas animais. A política de cotas e barreiras sanitárias em outros países pressionou preços, e Minas soube aproveitar a oportunidade com oferta qualificada”. A crise logística global segue influenciando custos, mas Minas amadureceu sua infraestrutura, salienta Ribeiro. “Centros de armazenamento, certificações e rotas interiorporto mais eficientes reduziram prazos e perdas, agregando valor aos produtos mineiros”. O engenheiro agrônomo João Figueiredo explica que o governo mineiro atuou com políticas estratégicas. “Incentivo à irrigação, regularização fundiária e assistência técnica robusta. Isso dinamizou a produção, especialmente do café, gerando maior qualidade e volume exportável”. Ele destaca a competitividade global e avanço tecnológico e sustentabilidade como um dos principais benefícios para a economia. “O crescimento reforça o papel de Minas como terceiro maior exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, além disso, a busca por certificações e padrões FIT promove práticas ambientais mais responsáveis, melhor gestão hídrica e valorização das propriedades”. Ribeiro ressalta a geração de empregos e a renda em moeda estrangeira. “O agronegócio continuou sendo o principal motor de desenvolvimento nas áreas rurais, com efeito dominó nos serviços, transporte, armazenagem e segurança alimentar. E a entrada de dólares fortalece as contas externas do país, reduz a pressão sobre o câmbio e garante margem para investimento em infraestrutura”. De acordo com Figueiredo, a expectativa para os próximos meses é grande, mas alguns desafios exigem atenção. “As condições climáticas, tanto em Minas quanto em regiões produtoras da América Latina, podem influenciar o volume disponível para exportação e os estoques globais, especialmente de café, o que favorece preços, mas aumenta a volatilidade”. “Além disso, o cenário cambial e barreiras comerciais, com eventuais tarifas ou reforço de padrões sanitários, podem afetar a dinâmica dos negócios, porém, a demanda global, especialmente por parte da China e Estados Unidos, tende a se manter estável ou crescer, beneficiando o agronegócio brasileiro”, conclui.