Especialistas aplaudem a filiação do vice-governador ao PSD

O Palácio do Planalto está demorando para concluir as articulações, com o objetivo de garantir um palanque mais robusto em favor da candidatura do presidente Lula (PT). Diante de incertezas sobre esse cenário, os adversários políticos do chefe da nação, em Minas, vão se organizando e promovendo uma espécie de “fechamento de porteiras”, para barrar nomes competitivos no âmbito da disputa ao Governo do Estado, em 2026. Especialistas no assunto concluem que a recente filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD foi, no mínimo, um descuido dos articuladores interessados em formatar uma frente ampla, de partidos do centro e da esquerda, para entrar em cena no próximo ano. PL entra em cena Ainda relativamente ao pleito ao governo estadual no ano vindouro, esse início de novembro passa ser a data limite para quem almeja algum projeto de concepção maior. Presidente de Honra do Partido Liberal em Minas, ex-deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Santana, disse à nossa reportagem que os membros da sigla estão com encontros agendados para essa semana, com objetivo de traçar os rumos, e também definir as suas prioridades. José Santana confirma que o PL chegou a iniciar conversas de bastidores, com o escopo de acenar uma aproximação oficial com Mateus Simões, mas enquanto a discussão estava nos bastidores, Simões então caminhou na direção dos pessedistas. “Essa vai ser uma semana importante para traçarmos um plano com objetivo de conquistar o Palácio Tiradentes, em 2026, e incrementar outros projetos a nível nacional”, afirma Santana. Por seu turno, o deputado Cassio Soares (PSD) é uma realidade de muita euforia com a chegada do vice-governador à sigla. Soares foi um dos que cuidaram dessa filiação com muita ênfase, pois em sua avaliação, Simões tem todo o perfil para se eleger como governador. Opiniões sobre o tema O professor universitário e cientista político, Malco Camargos, destaca o histórico de coerência política do vice-governador. “Mateus Simões tem um papel histórico na política de Belo Horizonte: foi o primeiro vereador eleito pelo Partido Novo na capital mineira. Ao longo dos dois mandatos do governador Romeu Zema (Novo), esteve ao seu lado, consolidando-se como uma das principais lideranças do partido em Minas Gerais”. Ele salienta ainda que diante de um cenário típico de disputa de sucessão, onde um governador reeleito tenta indicar seu sucessor, Simões reconhece a fragilidade do Novo em uma eleição majoritária. “A migração para o PSD, portanto, representa um movimento pragmático: enfraquece o partido que o projetou, mas, por outro lado, amplia alianças, assegura maior tempo de televisão e acesso ao Fundo Partidário – recursos decisivos em qualquer campanha competitiva”. “Com essa mudança, Mateus Simões se afasta do movimento ideológico que marcou a origem do Partido Novo, para adotar uma estratégia mais pragmática, orientada pela viabilidade eleitoral e pela busca de resultados concretos nas urnas”, completa. De acordo com o advogado e especialista em direito eleitoral, Mauro Bomfim, a filiação de Mateus Simões ao PSD é um tônus revigorante para a sua pré-campanha eleitoral, uma vez que o partido possui muitos prefeitos e tem capilaridade no Estado. Ao assumir brevemente a titularidade do cargo de governador, Mateus Simões larga com um ganho percentual de qualquer ocupante do Palácio Tiradentes, acrescenta Bomfim. “Ele ostenta a chamada bandeira do táxi na corrida eleitoral. Tudo isso somado a uma menor rejeição pública torna Simões competitivo em Minas”.

Trabalhadores domésticos ainda aguardam pelo direito ao PIS

O emprego doméstico continua sendo uma das atividades mais marcadas pela desigualdade no Brasil. De acordo com dados do Instituto Doméstica Legal (IDL), atualmente, o país possui 5,7 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais 5,3 milhões (93%) são mulheres e 3,7 milhões (70%) são negras. A categoria, essencial para milhões de famílias brasileiras, ainda enfrenta o peso histórico da discriminação de gênero e do racismo estrutural. Apesar de conquistas importantes, como a PEC das Domésticas (2013) e a Lei Complementar 150 (2015), que garantiram quase todos os direitos previstos na CLT, há um benefício que segue sendo negado. O abono do PIS, pago anualmente a quem recebe até dois salários mínimos. Em entrevista ao Edição do Brasil, o presidente do IDL, Mario Avelino, falou sobre o impacto social da aprovação do benefício. Na sua avaliação, por que o PIS continua sendo negado aos empregados domésticos? Porque o governo, em termos de política de Estado, é quem bloqueia o abono do PIS para as domésticas. E aqui é importante diferenciar política de Estado e política de governo. O PT, por exemplo, sempre se apresentou como o partido dos trabalhadores, mas, quando está no poder, passa a atuar dentro da lógica de Estado. Hoje, quem impede esse direito é o Ministério da Fazenda. Atualmente, há cerca de 1,4 milhão de domésticas com carteira assinada, segundo o IBGE. O salário médio delas é de R$ 1.700, e 99% recebem até dois salários mínimos, o que significa que atenderiam aos critérios para o PIS. Calculamos que cerca de 1 milhão de trabalhadoras preencheriam os requisitos e teriam direito ao abono já no primeiro ano da sanção da lei. O governo federal ainda não se comprometeu com o tema. O que explica essa resistência? O governo argumenta que arrecadaria cerca de R$ 200 milhões e teria de pagar R$ 1,5 bilhão, mas ignora que o PIS é um programa de integração social, voltado a quem mais precisa. O objetivo não é lucro, e sim justiça social. Para corrigir o desequilíbrio, falta vontade de encarar o tema com o mesmo empenho com que se trata interesses políticos. Como equilibrar o direito do trabalhador com a capacidade financeira dos empregadores? Propomos uma contribuição de 0,65%, justamente para não onerar o empregador. Se alguém paga R$ 2 mil de salário, o custo adicional seria de R$ 13 por mês, cerca de R$ 150 por ano. Fizemos uma pesquisa com quase 3 mil empregadores, e 90% disseram apoiar a medida. O empregador doméstico é uma pessoa física, sem fins lucrativos, e não pode ser tributado como uma empresa. Ainda assim, ele entende que sua funcionária, que cuida de seus bens mais preciosos (filhos, pais, casa), merece ter os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador. Portanto, não há impacto significativo. O problema é político e estrutural, não econômico. Além de promover justiça social, você acredita que o PIS também pode contribuir para aumentar a formalização dos vínculos de trabalho doméstico? Sem dúvida. O abono funcionaria como um 14º salário e seria um forte estímulo para que mais trabalhadoras queiram ter a carteira assinada. Com o PIS, elas teriam um benefício real, vinculado ao trabalho, o que traria mais segurança e dignidade. A formalização gera um círculo virtuoso, mais contribuições ao INSS, ao FGTS e menos ações trabalhistas. O governo ganharia com mais arrecadação e menos custos judiciais. É uma política inteligente e sustentável. O trabalho doméstico é composto majoritariamente por mulheres negras e de baixa renda. Qual seria o impacto social e simbólico da aprovação do PIS para essa categoria? Todos os impactos seriam positivos. Primeiro, daria dignidade e respeito a milhões de mulheres que são chefes de família e provedoras do lar. A carteira assinada não é apenas um documento, é um símbolo de reconhecimento e cidadania. Além disso, ajudaria a quebrar uma cultura escravagista que ainda persiste no país. Essas trabalhadoras cuidam das casas, dos filhos e dos idosos. Mesmo assim, seguem sendo tratadas com desigualdade. Garantir o PIS é uma forma concreta de reparação histórica.

Mercado ilegal de bebidas alcoólicas gera perda de R$ 28 bilhões

Uma pesquisa realizada pela Euromonitor International, a pedido da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), aponta que o comércio ilegal de bebidas alcoólicas no Brasil ainda representa um impacto significativo, gerando prejuízos estimados em R$ 28 bilhões para a economia e para o sistema de saúde pública. De acordo com o estudo, cerca de 28% das bebidas destiladas comercializadas no Brasil têm origem ilegal. Isso não significa, porém, que todo esse volume seja composto por produtos falsificados. Dentro desse índice, estão incluídas práticas como sonegação de impostos, contrabando, descaminho e fabricação sem registro legal. A falsificação, especificamente, responde por 1,1% do mercado total de bebidas alcoólicas e por 4,7% do setor de destilados, o mais afetado, segundo a ABBD. O levantamento aponta que as principais formas de falsificação envolvem o refil de garrafas de marcas reconhecidas utilizando produtos de baixo custo e a utilização de álcool não apropriado para consumo humano, como o metanol, na composição das bebidas. Essa prática é vantajosa para os falsificadores devido à grande diferença de preço, o que acaba atraindo consumidores, em plataformas on-line, por exemplo, o whisky falsificado pode custar até 48% menos que o autêntico. Para o toxicologista Eduardo Farias, o problema tem raízes profundas. “Estamos falando de um mercado paralelo muito bem estruturado, que atua em toda a cadeia: da produção à distribuição, muitas vezes usando rótulos e embalagens idênticas às originais. A população é enganada com facilidade e o consumo desses produtos é uma roleta-russa. A pessoa pode achar que está fazendo um bom negócio, mas está colocando a própria vida em risco”. Farias ainda aponta que o metanol é usado por falsificadores por ser mais barato e mais fácil de obter do que o etanol próprio para consumo. “É uma decisão criminosa, feita para baratear custos de forma irresponsável. Mesmo em pequenas quantidades, a ingestão de metanol pode causar prejuízos irreversíveis ao organismo”. Além dos danos à saúde, o mercado ilegal corrói a economia formal. Os produtores regulares enfrentam concorrência desleal, enquanto o Estado deixa de arrecadar bilhões em impostos. Para a economista e especialista em regulação de mercados, Camila Pontes, o problema persiste por falhas de fiscalização e pela alta tolerância à informalidade no país. “A dificuldade de fiscalização tem diversos desafios, como a grande extensão territorial do país, o avanço na organização e sofisticação das redes criminosas, além da ampla disseminação de canais informais e digitais de venda, que facilitam a distribuição e o escoamento de produtos ilegais. É um ciclo que se retroalimenta: enquanto o consumidor aceitar pagar menos por um produto sem origem clara, e o poder público não conseguir coibir com eficiência a produção e distribuição, o comércio ilegal vai continuar crescendo”, explica. Campanhas de conscientização sobre os riscos do consumo de bebidas ilegais, principalmente em eventos informais e pontos de venda não autorizados, podem ajudar a reduzir a demanda. Ao mesmo tempo, também é preciso reforçar a presença dos órgãos de controle, como a Receita Federal, a Vigilância Sanitária e as polícias estaduais. Ela também ressalta a importância de uma maior cooperação entre os setores público e privado, especialmente com os fabricantes legais de bebidas. “As empresas têm interesse direto em combater a falsificação e a concorrência desleal. Já existem tecnologias antifraude que podem ser implementadas nos rótulos, tampas e embalagens para dificultar a ação dos criminosos. O problema é que isso tem custo e, muitas vezes, as pequenas empresas não conseguem arcar sozinhas com o valor”. É preciso buscar junto ao governo federal soluções integradas para mitigar o problema, como a revisão do modelo tributário, que pode estimular a formalização de pequenos produtores e dificultar a atuação do mercado clandestino.

País registrou 1.148 casos de coqueluche entre janeiro e agosto

O número de casos de coqueluche entre crianças teve um crescimento alarmante de mais de 1.200% no Brasil, de acordo com dados do Observatório de Saúde na Infância. Só em 2024, foram contabilizados pelo menos 2.152 casos da infecção em crianças com menos de 5 anos, grupo considerado o mais suscetível a complicações graves. Esse total supera a soma dos casos registrados nos cinco anos anteriores. Entre as crianças afetadas, 665 precisaram de hospitalização e 14 vieram a óbito, número superior às dez mortes registradas entre 2019 e 2023. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 90% dos bebês e 86% das gestantes foram vacinados contra a coqueluche no ano passado, superando os índices registrados em 2013. No entanto, o Observatório alerta que a meta ideal de 95% de cobertura vacinal ainda não foi alcançada. Além disso, pessoas não imunizadas, como crianças mais velhas e adultos, também podem contrair e transmitir a doença, que, embora possa afetar todas as faixas etárias, costuma ser mais grave entre os menores. Até agosto deste ano, os dados apontam uma leve redução nos números, embora os índices continuem elevados: foram contabilizados 1.148 casos, dos quais 577 resultaram em internações. A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis. Altamente contagiosa, ela provoca uma inflamação grave das vias aéreas e pode ser especialmente perigosa para bebês e crianças com menos de um ano de idade, que ainda não completaram o esquema vacinal. “A doença já esteve sob controle por meio da vacinação. Esse aumento vertiginoso de casos reflete um acúmulo de fatores, mas a principal explicação está na queda nas coberturas vacinais nos últimos anos”, afirma a infectologista pediátrica Carla Menezes. Segundo a especialista, a coqueluche pode começar com sintomas semelhantes a um resfriado comum, febre baixa, coriza e tosse leve, mas evolui para acessos de tosse severa e prolongada, que podem levar a vômitos, dificuldade para respirar, exaustão e até convulsões. “ N o s l a c te n te s, o quadro pode ser silencioso, sem a tosse clássica, o que torna o diagnóstico mais difícil. Muitas vezes, o primeiro sinal é uma parada respiratória súbita, o que é extremamente perigoso”, completa. “A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. Quando temos uma cobertura vacinal adequada, acima de 90%, o risco de surtos é muito baixo. Mas quando há uma queda contínua, como estamos vendo desde 2016, o risco de reemergência é alto. Infelizmente, é o que está acontecendo agora”, salienta o epidemiologista Ronaldo Vieira. Ele ressalta ainda que a proteção não é apenas individual, mas coletiva. “A vacina protege quem toma, mas também impede a circulação da bactéria na comunidade. Quando a taxa de vacinação cai, mesmo crianças vacinadas parcialmente, como bebês que ainda não completaram o esquema, ficam vulneráveis à infecção”. O diagnóstico pode ser clínico, baseado nos sintomas, mas geralmente é realizado com exames laboratoriais, como a cultura da secreção nasofaríngea ou testes de PCR. No entanto, o tempo para confirmação pode atrasar o início do tratamento, o que agrava o risco de complicações. “O ideal é iniciar o tratamento com antibióticos ainda nos primeiros dias de sintomas, quando há forte suspeita clínica. Nos casos graves, principalmente entre bebês, é necessário internamento para suporte respiratório, hidratação e monitoramento contínuo”, explica Carla. Além disso, a infectologista pediátrica reforça que o tratamento tem pouco efeito sobre os acessos de tosse uma vez que eles já se instalaram, o que reforça a importância da prevenção. “Mesmo com antibiótico, o quadro de tosse pode durar semanas. Por isso, a vacinação continua sendo nossa principal arma”. “É fundamental que a imunização na gestação seja intensificada. A vacina contra coqueluche é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, e isso reduz drasticamente o risco de formas graves da doença no recém-nascido. A desinformação, o medo de efeitos colaterais e a negligência com o calendário vacinal estão custando vidas”, conclui Vieira.

Café, ouro e ferro-ligas são destaques nas vendas externas de MG

De janeiro a setembro, o café, o ouro e as ferro-ligas lideraram o crescimento das vendas externas. O café teve alta de 48% se comparado com o período anterior, com o montante de US$ 2,5 bilhões nas exportações. O ouro também apresentou progresso de US$ 991,2 milhões (81,1%), já as ferro-ligas aparecem com um incremento de US$ 211,4 milhões (13,1%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No geral, o Estado alcançou US$ 33 bilhões em exportações no período, com aumento de 3,9%. Minas Gerais foi responsável por 12,8% das vendas internacionais brasileiras, sendo o terceiro principal exportador nacional. Além desse destaque, no acumulado de 2025, o saldo da balança comercial atingiu superávit de US$ 19,3 bilhões. No fluxo comercial, foi registrado US$ 46,7 bilhões. O resultado é 5,7% superior ao observado no mesmo período de 2024. As parcerias comerciais também apresentaram crescimento. Até setembro, Minas exportou para dez países a mais que no mesmo período do ano anterior. Houve aumento no montante exportado para 100 mercados, entre os quais o Canadá liderou, com alta de US$ 515,6 milhões (67,8%). Na sequência estiveram a Argentina (US$ 457,5 milhões ou 41,9%); o Reino Unido (US$ 412,8 milhões ou 93,7%); os Estados Unidos (US$ 255,2 milhões ou 81%); e a Alemanha (US$ 224,6 milhões ou 21,2%). A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que Minas Gerais acumula números cada vez maiores ao longo do ano no comércio exterior. “O crescimento das exportações demonstra que as ações do Governo de Minas vêm ampliando mais mercados e fortalecendo a presença das empresas mineiras no cenário internacional”. O economista Gelton Pinto Coelho afirma que Minas segue uma tendência nacional. “Neste sentido, a busca por novos mercados e a ampliação das compras chinesas, substituindo parte do mercado norte-americano, ajudaram a reduzir os riscos e turbulências externas causadas pelas medidas do presidente americano, Donald Trump”. Coelho ressalta ainda que o Estado tem consolidado, de forma expressiva, a produção de café. “Com a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, necessariamente houve crescimento das exportações para Alemanha, Itália e Japão. É fundamental destacar que apesar do ganho imediato, a exportação ainda não agrega o valor que poderia, se adotássemos medidas de industrialização mais adequadas. Se por um lado podemos comemorar as vendas, por outro, esse produto poderia gerar mais emprego e renda. Portanto, é importante construirmos políticas públicas para não continuarmos como meros exportadores”. Sobre a questão do ouro, o economista observa que há situações institucionais e também ganho de produtividade. “Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão que colocou fim à presunção de boa-fé, ou seja, os vendedores precisam identificar a origem legal para comercializá-lo. Isso fortaleceu o controle e, portanto, pode aprimorar a transparência da exportação do ouro mineiro. Por outro lado, é perceptível em Sabará, por exemplo, a ampliação e modernização da mina Cuiabá, garantindo maior volume de ouro processado e exportado”. Setembro No nono mês de 2025, Minas Gerais foi o segundo principal exportador do Brasil, com US$ 3,8 bilhões somados nas exportações, o que representa crescimento de 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Minas foi o Estado com o maior saldo positivo na balança comercial (US$ 2,1 bilhões). Nova Lima e Varginha foram as cidades que lideraram nas exportações no período, sendo responsáveis por 6,7% das vendas internacionais, seguidas por Araxá (6,4%); Paracatu (5,1%) e Guaxupé (4,5%). Na avaliação do especialista, parece bem encaminhado o processo de negociações com os Estados Unidos. “Porém, ainda não foram superadas as barreiras para alguns setores importantes da economia mineira. Neste sentido, a estratégia de diversificação e ampliação de mercados é fundamental para mantermos a expansão do índice de exportação que temos alcançado. Não há motivos para comemorar exageradamente, mas não podemos ser pessimistas como estávamos a poucos meses”.

Rodrigo Pacheco definirá futuro após volta de Lula ao Brasil

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) vai definir seu futuro logo após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Brasil, marcado para o dia 28 de outubro. O chefe da nação está na Ásia, onde participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Hoje, Pacheco tem seu nome envolvido em duas frentes importantes: ser o substituto do ministro aposentado Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se lançar à disputa ao Governo de Minas. As articulações vêm sendo travadas, mas ninguém com bom senso se arrisca a cravar o destino do senador. Nem os aliados mais próximos. Afinal, as duas empreitadas dependem de Lula. O entorno do presidente dá sinais que o advogado-geral da União, Jorge Messias, é o favorito à vaga no Supremo. Porém, Pacheco tem cabos eleitorais importantes na defesa de seu nome para o Supremo. Entre eles, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), ministros de peso no Supremo, como o decano Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de grande parte do judiciário mineiro, um dos mais representativos do país. Por isso, ninguém duvida que uma reviravolta em favor do senador pode ocorrer. Por outro lado, Lula não esconde sua preferência em ter Pacheco na disputa pelo Governo de Minas. Em várias oportunidades, o presidente afirmou que o senador seria a única alternativa para fazer frente à extrema-direita e enfrentar o candidato à sucessão do governador Romeu Zema (Novo), em 2026. Em função desse desejo, Lula adiou o anúncio de sua indicação ao Supremo para o retorno ao Brasil. Quer ter uma conversa profunda e definitiva com Pacheco antes de tomar qualquer decisão. Na conversa, vai expor sua preocupação com o futuro do Brasil, que passa necessariamente por Minas, e apontar alternativas a Pacheco, principalmente no que se refere a alianças. O PSD, partido do senador, vai filiar no dia 27 de outubro, o vice-governador de Minas, Mateus Simões, e também já avisou que não estará com Lula no ano que vem. Com isso, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, dá uma forte sinalização de que se alinhará ao campo político que defendeu as medidas antidemocráticas patrocinadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Restará a Pacheco, que tem como marca a defesa intransigente da democracia, mudar de legenda caso queira disputar o governo. Na lista das siglas examinadas estão União Brasil, MDB e PSB. União Brasil e MDB ainda não se decidiram se vão ficar na frente ampla pela reeleição de Lula. Aliados de Pacheco garantem que sem o apoio dessas duas legendas do centro a disputa em Minas ficaria inviável. O PDT filiou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que também estará no pleito mineiro. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é outro que se coloca como postulante. Já o Partido dos Trabalhadores, por sua vez, ainda não tem um candidato que seja competitivo em Minas. A portas fechadas, o senador avalia que, se Lula quer mesmo que ele concorra ao Governo de Minas, precisa construir uma aliança forte que sustente sua candidatura. Hoje isso não existe: sem uma frente de apoio, ele não conta nem mesmo com tempo de TV para fazer campanha. Pacheco quer ter o apoio de Lula, mas sem abrir mão dos partidos que estão no centro democrático.

32% dos profissionais levam até 1 hora para chegar ao trabalho

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Belo Horizonte, 32% dos profissionais levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao local de trabalho. Já 17% enfrentam um tempo de deslocamento que varia de 1 a 2 horas diariamente. O levantamento também revela que uma parte significativa da população ativa tem um trajeto mais curto: cerca de 28% dos trabalhadores completam o percurso entre 15 e 30 minutos. No extremo, 1% dos trabalhadores enfrenta viagens de mais de duas a quatro horas. Para o engenheiro de transportes e especialista em mobilidade urbana, Leonardo Duarte, a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores de BH é reflexo de anos de planejamento urbano insuficiente. “Temos uma cidade que cresceu de forma horizontalizada, com áreas residenciais se espalhando para a periferia sem que houvesse uma contrapartida proporcional na oferta de transporte público de qualidade. Resultado: a população está cada vez mais dependente do carro ou de sistemas de transporte coletivo que não dão conta da demanda”. De acordo com Duarte, Belo Horizonte possui atualmente uma frota de mais de 2 milhões de veículos circulando diariamente, número que só cresce. “O excesso de carros individuais, combinado com uma malha viária limitada e um transporte coletivo pouco eficiente, gera gargalos nos horários de pico. Isso afeta diretamente o tempo de deslocamento, além de aumentar os índices de poluição e acidentes de trânsito”. Outro ponto crítico apontado é a crise do sistema de transporte público. A cidade enfrenta há anos a insatisfação de usuários com relação à qualidade dos serviços prestados, à frequência dos ônibus e ao custo elevado das tarifas. Para a urbanista Fernanda Bastos, a falta de investimentos contínuos é uma das principais razões da estagnação do setor. “Os ônibus operam em condições precárias em muitas regiões da cidade, com itinerários longos e pouco eficientes. A ausência de corredores exclusivos em boa parte das vias atrasa os trajetos e desestimula a população a usar o transporte coletivo, além do metrô que atende pouquíssimas pessoas”. Diante da atual situação da mobilidade urbana em Belo Horizonte, é fundamental que sejam adotadas medidas estruturais e urgentes para reverter o cenário e melhorar os indicadores da cidade. “Um dos primeiros passos é investir na ampliação e modernização do transporte coletivo, dando prioridade ao transporte por ônibus e metrô. Isso inclui o aumento da frota, a renovação dos veículos em circulação e a requalificação de estações e pontos de parada, que muitas vezes não oferecem sequer o mínimo de conforto ou acessibilidade para os usuários”, destaca Fernanda. Ela ressalta que é essencial que a cidade invista na criação de mais corredores exclusivos para ônibus. “Essa medida, que já mostrou resultados positivos em outras capitais, reduz significativamente o tempo de viagem e torna o transporte público mais eficiente e atrativo para a população. A mobilidade também precisa ser pensada para além dos veículos motorizados. Ampliar a malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas bem sinalizadas e seguras é outro ponto-chave, principalmente se queremos incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário”. Para Duarte, a cidade precisa aproximar quem mora mais distante das áreas comerciais e de serviço. “Isso significa levar infraestrutura, oportunidades e transporte eficiente para essas regiões, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Sem esse olhar mais amplo e inclusivo, continuaremos empurrando o problema com a barriga e penalizando justamente quem mais depende do transporte público para viver”.

Outubro Rosa chama a atenção para reconstrução mamária

O Outubro Rosa busca conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao atendimento médico e aos direitos de tratamento e reabilitação das pacientes. Mais do que alertar para os exames de rotina, a campanha também chama atenção para a autoestima e a reconstrução mamária, que é um direito garantido por lei e uma parte essencial da recuperação emocional das mulheres que passam pela mastectomia. “A reconstrução mamária é um direito garantido por lei desde 1999 no Sistema Único de Saúde (SUS) e desde 2001 na rede privada, para as mulheres vitimadas pelo câncer de mama. Ela representa muito mais que um procedimento cirúrgico, é um ato de resgate da autoestima e da identidade feminina”, destaca a cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Ângela Fausto. Embora o direito esteja assegurado em lei, o acesso ao procedimento ainda é desigual no Brasil. Segundo a cirurgiã, faltam materiais, leitos hospitalares e profissionais especializados em várias regiões do país. “Na prática, as pacientes enfrentam longas filas e muitas vezes, esperam anos para conseguir a reconstrução. A falta de infraestrutura e de planejamento impacta diretamente a dignidade e o bem-estar dessas mulheres”. Ela lembra que a reconstrução mamária faz parte do tratamento integral do câncer de mama e deve ser vista como uma etapa de reabilitação. “A mama é um símbolo de identidade feminina, e sua perda ou deformidade afeta profundamente a autoimagem. A cirurgia devolve qualidade de vida, confiança e dignidade”. Ângela explica que, atualmente, as técnicas são variadas e seguras com opções que utilizam tecido local, enxertos de outras regiões do corpo ou próteses de silicone. “As técnicas reconstrutivas são cada vez mais personalizadas, escolhidas conforme a idade, o tipo de doença, as condições clínicas e o estilo de vida da paciente. O objetivo é sempre garantir resultados estéticos e funcionais, respeitando o tratamento oncológico em curso”. Prevenção e diagnóstico Para o ginecologista e mastologista Rodrigo Pereira de Freitas, o diagnóstico precoce é o fator que mais impacta as chances de cura, podendo ultrapassar 90% quando o tumor é identificado nas fases iniciais. “Ele é o fator que mais impacta as chances de cura do câncer de mama. As principais orientações incluem conhecer o próprio corpo, fazer o exame clínico das mamas anualmente e realizar mamografia a partir dos 40 anos”. Freitas pontua que apesar da ampla divulgação da campanha, muitas mulheres ainda deixam de realizar os exames de rotina. “Essa resistência é multifatorial. Envolve medo do diagnóstico, desinformação e até dificuldades de acesso. A educação em saúde é o caminho mais eficaz para mudar esse cenário, tornando o cuidado um ato de amor próprio”. Ele também alerta para a importância de olhar para a saúde feminina de forma integral. “A mulher é um ser completo. Corpo, mente e hormônios estão interligados. O estresse, o sono irregular e o desequilíbrio hormonal podem influenciar até na resposta ao tratamento oncológico. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da física”, reforça. Segundo o especialista, o Outubro Rosa deve ser entendido como um ponto de partida para o autocuidado contínuo. “Outubro é um lembrete, mas o cuidado precisa durar o ano inteiro. Cuidar da saúde é um ato de amor próprio. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as chances de cura e de uma vida longa e saudável”. “A informação é a base de tudo. Quando a mulher entende seus direitos e conhece seu corpo, ela se fortalece para enfrentar o tratamento e retomar sua história com confiança e esperança”, finaliza Ângela Fausto.

Oposição tem a difícil missão de tentar barrar a venda da Copasa

No âmbito da Assembleia Legislativa, um grupo informal foi criado para incrementar os debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), encaminhada pelo governo mineiro, para retirar a obrigatoriedade de realizar um referendo popular, o que poderá facilitar a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Curiosidade e desinformação envolvem esse tema. Por exemplo, tão logo a PEC foi pautada e adentrou em sua reta de discussão nas comissões alusivas ao assunto, o Palácio Tiradentes começou a liberar emendas parlamentares de maneira acelerada. Nos últimos 20 dias, muitos deputados ficam pouco tempo em seus gabinetes, pois preferem transitar nas secretarias e órgãos do Estado, onde são processados os encaminhamentos dos valores. Situação X Oposição A oposição tem implementado uma atuação sistemática, mostrando a incoerência e o devaneio do governo estadual ao tentar vender a estatal mineira, sem ouvir a população, o que é exigido pela Constituição do Estado de Minas Gerais. Em verdade, são três os principais deputados a propugnarem narrativas sobre o projeto. Por exemplo, a parlamentar Beatriz Cerqueira (PT) enfatiza. “Com sua tese de privatizar tudo, o governador Romeu Zema (Novo) está incluindo a Copasa na lista como um ativo necessário para diminuir o impacto da dívida de Minas com o governo federal. No entanto, Zema cria apenas uma cortina de fumaça, querendo transferir a Companhia para a iniciativa privada”, afirma. A deputada Bella Gonçalves (PSOL) também tem criticado a aprovação da matéria em pauta. Ela chegou a denunciar uma espécie de conluio do Poder Executivo estadual com setores financeiros nacionais, mencionando nomes de bancos que já estariam previamente acertados para assumir o controle acionário da Copasa. Porém, a parlamentar não mostrou provas de sua fala, nem o governo mineiro comprovou ser apenas uma falácia. Completando esse trio contrário aos interesses palacianos, surge a atuação do parlamentar Professor Cleiton (PV). Por exemplo, foi dele o pedido para verificar o que está acontecendo nos bastidores dessa celeuma, inclusive em relação aos reais valores da Codemig, prestes a ser federalizada, para permitir o Estado aderir ao Propag, do governo federal. Assim como outros representantes da oposição na Assembleia Legislativa, Professor Cleiton quer saber os motivos que levaram o governador a decretar sigilo para evitar o acesso ao documento da avaliação feita para indicar quanto vale essa empresa de Minas Gerais. Defensores do governo Na linha de defesa dos interesses do projeto governista, muitos debates, em sua maioria acalorados, têm acontecido nas salas de comissões especiais no Parlamento estadual. O líder do governo, deputado João Magalhães (MDB), sempre aparece na imprensa concedendo entrevistas e defendendo a aprovação do conteúdo. Mas, segundo comentários dos bastidores da Casa, quem tem efetiva atuação, mesmo à base do anonimato, é o ex-secretário de Governo, deputado Gustavo Valadares. Faz parte desse meandro, com destacada relevância, o presidente do PSD mineiro, deputado Cassio Soares. “Ele está cada vez mais próximo do projeto político do grupo palaciano e também nutre uma singular presença entre os seus pares”, garantem as fontes de nossa reportagem.

“Lista suja” do trabalho escravo tem nomes de 159 empregadores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou uma atualização no cadastro de empregadores envolvidos na exploração de trabalho em condições análogas à escravidão, conhecido como a “lista suja”. Com a nova atualização, a lista passou a incluir 159 nomes, sendo 101 referentes a pessoas físicas e 58 a pessoas jurídicas. Segundo o MTE, isso representa um aumento de 20% em relação à versão anterior da lista. Entre os anos de 2020 e 2025, um total de 1.530 trabalhadores foram retirados de situações que configuram esse tipo de violação. Os estados que mais registraram ocorrências foram Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12). As principais atividades econômicas associadas aos empregadores listados incluem a pecuária voltada para o corte de bovinos (20 registros), o trabalho doméstico (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada trabalhista, Vera Lúcia Rodrigues. Conforme a lei, o que pode ser caracterizado como trabalho análogo à escravidão? O trabalho análogo à escravidão está previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro e ocorre quando o trabalhador é submetido a condições degradantes, jornadas exaustivas, restrição de locomoção por dívida ou vigilância constante e seguida de ameaça. Como a legislação brasileira pune esse tipo de situação? A legislação dispõe que quem induz alguém à condição análoga à de escravo comete crime e pode ser condenado a reclusão de 2 a 8 anos, além de multa, podendo ser majoradas se o crime for praticado contra crianças e adolescentes. Além disso, na esfera criminal, o empregador também pode ser incluído na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e responder por danos morais individuais e coletivos na Justiça do Trabalho. Quais são os tipos de compensação ou reparação disponíveis para trabalhadores que foram vítimas de trabalho análogo à escravidão? Esses trabalhadores ao serem resgatados, passam a ter direito a receber todas as verbas trabalhistas que lhes foram negadas, como salários, férias e FGTS, além de indenização por dano moral. O Estado oferece ainda programas de proteção, acolhimento e reinserção social, buscando restituir não apenas os direitos econômicos, mas também a dignidade dessas pessoas. Quais fatores permitem a perpetuação desse ato em dias atuais? Infelizmente, fatores estruturais ainda sustentam esse tipo de exploração. A desigualdade social, a pobreza extrema, a falta de acesso à educação e a informalidade no trabalho. Além disso, a fiscalização é limitada, especialmente em áreas rurais e remotas, e as cadeias produtivas longas dificultam a identificação de quem realmente explora o trabalhador. A falta de número suficiente de fiscalização além dos pontos acima pontuados, cria um terreno fértil para a perpetuação do trabalho escravo contemporâneo. O que o estado brasileiro pode fazer para melhorar a fiscalização e repreensão desses casos? É essencial fortalecer a atuação dos auditores-fiscais do trabalho, ampliar os recursos e investir em tecnologia para rastrear as cadeias produtivas. O Estado também tem o dever de garantir a proteção das vítimas e das testemunhas, além de promover campanhas educativas para conscientizar a sociedade sobre o tema, fortalecer os canais de denúncias. E, claro, valorizar o papel do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, que são pilares fundamentais no combate e na reparação desses casos. Atualmente, quais são os mecanismos e instrumentos de combate ao trabalho escravo? Entre os principais instrumentos estão o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, o Cadastro de Empregadores (lista suja), o Programa de Erradicação do Trabalho Escravo e as parcerias entre o Ministério do Trabalho, a Polícia Federal e a Justiça do Trabalho, existem ainda canais de denúncia como o Disque 100, que funciona 24 horas, e o Sistema Ipê, que é um sistema para coleta, concentração e tratamento das denúncias de trabalho em condições análogas às de escravo no território brasileiro, que permitem à população participar ativamente no enfrentamento a essa grave violação dos direitos humanos.