Minas Gerais revisa cortes e destina verba para abastecer viaturas

Após receber críticas pelo corte no fornecimento de combustível para as viaturas policiais, o Governo de Minas Gerais resolveu revisar as medidas de contenção de despesas na Polícia Militar. Como resultado, foi anunciada a liberação de um adicional de R$ 5 milhões para garantir o abastecimento dos veículos da corporação. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Comissão de Segurança Pública promoveu a reunião por iniciativa de seu presidente, o deputado Sargento Rodrigues (PL), que expressou críticas ao fato de a revisão dos cortes orçamentários ainda não contemplar a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (CBMMG). Segundo Gomes, estão em curso negociações com a Polícia Civil para analisar a possibilidade de reavaliar os cortes realizados. “Estamos em tratativas com a Polícia Civil para avaliar a real necessidade. A situação financeira do Estado não é fácil e não é à toa que fizemos esse contingenciamento de R$ 1 bilhão”. Túlio Gonzaga, superintendente central de Planejamento e Orçamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), afirmou que, até o momento, não foi realizada nenhuma avaliação específica em relação ao Corpo de Bombeiros. “O CBMMG ainda não entrou em contato com a gente, mas se for necessário a gente vai avaliar”. “Será que não tem consciência do que isso está causando lá na ponta da linha, o estrago?”, questionou o deputado Sargento Rodrigues, destacando que a escassez de combustível compromete o desempenho das atividades investigativas da Polícia Civil. Ele acrescentou que é inaceitável que o Corpo de Bombeiros seja impedido de atender ocorrências de incêndios ou outras emergências devido à ausência de combustível. “Não dá para aceitar passivamente que o cidadão que paga imposto não tem uma viatura para atendê-lo. Isso tem influenciado o avanço das organizações criminosas em nosso Estado”. Rodrigues observou que facções criminosas vindas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho, antes ausentes em Minas Gerais, atualmente exercem forte influência em várias comunidades de Belo Horizonte, entre elas Cabana do Pai Tomás, Serra e Morro das Pedras. Em 2025, o governador determinou a todas as áreas da administração estadual a adoção de um corte geral de despesas, por meio de um decreto de contingenciamento. A medida seguiu recomendação do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), que atua como órgão de apoio na formulação e execução das políticas orçamentárias, financeiras, de gestão e de recursos humanos do governo. No entanto, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, esclareceu que a decisão do Cofin se limitou à determinação do corte geral de despesas, cabendo a cada gestor de órgão definir como os ajustes seriam aplicados internamente. “Não temos capacidade de tratar neste nível de detalhamento”. Sargento Rodrigues afirmou que o governo deve dialogar com os responsáveis pelos órgãos de segurança para reconhecer que houve uma falha na definição das prioridades para os cortes orçamentários. “Ou o governo não conversou com eles, ou eles estão tomando uma decisão que vai colocar o governo na fogueira”. O deputado contestou o secretário da Fazenda, ressaltando que os benefícios fiscais concedidos pelo governo às grandes empresas em 2025 somam R$ 25,2 bilhões. Ele questionou Luiz Cláudio Gomes sobre a possibilidade de revisar essas isenções, ao invés de impor cortes em programas públicos fundamentais. Gomes defendeu a manutenção dos benefícios fiscais. “É uma política pública de geração de emprego e investimento no Estado, e estruturante que não deve ser modificada por falta de dinheiro. A gente não pode demonizar o benefício fiscal”. Ele ressaltou ainda que a guerra fiscal entre os estados e os benefícios associados a ela devem ser eliminados até 2032, devido à reforma tributária, destacando a importância de atrair empresas durante os próximos sete anos. “É o momento de atrair as empresas aqui para Minas Gerais, pois nós achamos que, depois que elas se estabelecem, elas ficam”.

2,3 milhões de crianças de até três anos estão fora da creche no país

Quase 2,3 milhões de crianças de até três anos estão fora da creche por dificuldade de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas, segundo revela um estudo do Todos Pela Educação, realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e no Censo Escolar. O levantamento mostra também que embora o número de matrículas tenha aumentado entre 2016 e 2024, cresceram as desigualdades de acesso entre as crianças das famílias mais pobres e mais ricas. Para debater o assunto, o Edição do Brasil conversou com a doutora e mestre em Ciências Sociais e docente do Centro Universitário UNA , Naiane Loureiro. Como a falta de creche impacta o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida? A falta de acesso à creche nos primeiros anos de vida pode afetar o desenvolvimento infantil de diversas formas, pois esse período do nascimento aos 6 anos é considerado pela neurociência o mais intenso no que tange ao desenvolvimento cerebral, social e emocional. Em relação ao desenvolvimento socioemocional, impacta a interação social da criança, podendo se estender para outras fases da vida. Em longo prazo, pode gerar efeitos na vida escolar futura dessas crianças e aumento das desigualdades. Por fim, a falta de creches pode gerar impactos indiretos na família, por exemplo, a dificuldade para os pais trabalharem fora e dentro de casa. Segundo a pesquisa, a desigualdade de atendimento a crianças ricas e pobres aumentou entre 2023 e 2024. Quais motivos podem justificar esse avanço? Este crescimento pode ter ocorrido por motivos como: infraestrutura insuficiente e/ou má distribuição de creches em algumas cidades, o que pode demonstrar falta de prioridade de políticas públicas voltadas para a educação infantil. Em municípios pequenos, como zonas rurais ou periferias, muitas crianças ficam sem atendimento devido à falta de creches próximas ou em quantidade suficiente. Quais são os fatores que impedem o acesso das crianças mais pobres às creches? Os principais são de ordem estrutural, socioeconômica, geográfica e cultural. Estrutural porque nota-se poucas vagas nas áreas mais vulneráveis. Socioeconômicas, pois mesmo quando a creche é gratuita, o transporte, alimentação complementar ou material escolar podem pesar no orçamento familiar. Geográfica porque a creche mais próxima muitas vezes fica a vários quilômetros de casa. E cultural, por exemplo, a baixa escolaridade dos pais pode reduzir a valorização da educação infantil formal. O que o poder público pode fazer para reduzir a fila de espera por vagas? Ampliar a oferta de vagas de forma planejada e regionalizada; oferecer apoio técnico e financeiro para municípios menores, que têm dificuldade para bancar novas creches; investir na construção e manutenção dessas instituições, priorizando regiões com maior déficit educacional nessa faixa etária e vulnerabilidade social; incentivar creches comunitárias e parcerias com organizações sociais para ampliar vagas; entre outras possibilidades. Minas Gerais tem a maior fila de espera por vaga em creches, com 247 mil crianças em 2024. O que leva o Estado a ser o destaque negativo do país? Minas possui uma complexidade territorial, muitas cidades pequenas e regiões rurais, onde a oferta é mais escassa e o acesso mais difícil, o que contribui para as filas nessas localidades. Vale lembrar também que, historicamente, a educação infantil enfrenta desafios para ganhar prioridade orçamentária suficiente diante de outras demandas estaduais e municipais. Em sua análise, o que podemos esperar das políticas de educação infantil para os próximos anos? Em agosto de 2025 foi lançada a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, que visa garantir a proteção, o desenvolvimento integral e os direitos das crianças de zero a seis anos. Espera-se que com o desenvolvimento desta iniciativa ocorra uma expansão de vagas e melhoria da infraestrutura. Contudo, existem muitos desafios na implementação e necessidade de monitoramento, além de muitas tendências pedagógicas emergentes contemporâneas. Para isso, será necessário investir em educação continuada dos docentes, especialmente da educação infantil.

Seis regionais de BH tem o Bora Jogar + Basquete

Promover a prática do basquete, treinamento em quadra, exercícios de força, preparo físico, base teórica das técnicas e regras da modalidade esportiva são os objetivos do projeto Bora Jogar + Basquete realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Atualmente, as atividades acontecem em seis das nove regionais da cidade: Venda Nova, Norte, Pampulha, Oeste, Centro-Sul e Nordeste. Voltado para adolescentes, com idade entre 12 e 17 anos, as aulas são ministradas por professores preparados e específicos de basquete que atendem, duas vezes por semana, 150 jovens, ao todo. Cada escolinha é composta por uma equipe profissional formada por um coordenador-geral, três professores de educação física e três estagiários. “A prática esportiva e de lazer oferece a todos os envolvidos a oportunidade do aprendizado e cultivo de valores fundamentais não só para a prática esportiva e de lazer, mas para todas as áreas da nossa vida: respeito, cooperação, liderança, responsabilidade, entre outras. O projeto contribui para o desenvolvimento dos beneficiados como jogadores de basquete, mas, sobretudo, permite o desenvolvimento de valores educativos e a formação moral dos jovens”, afirma Rodrigo Gavioli, coordenador do setor de Programas e Projetos da Diretoria de Formação Esportiva da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel). O analista de Políticas Públicas da Smel e coordenador do projeto, José Eduardo Rangel, explica que a ideia do Bora Jogar + Basquete surgiu em 2022. “A partir da iniciativa da Smel de democratizar e ampliar o acesso a uma variedade de modalidades esportivas e atividades de lazer. Essa atuação diversificada garante que diferentes públicos tenham oportunidades de vivenciar práticas que contribuam para a saúde física e mental, inclusão social, convivência comunitária e formação cidadã”. “O projeto tem impactado a vida dos adolescentes no desenvolvimento da aptidão física; desenvolvimento de qualidades sociais e morais dos adolescentes (espírito colaborativo, competitivo, capacidade de assimilar derrotas e vitórias, respeito às regras); estimular a incorporação de práticas esportivas no dia a dia, garantindo uma vida mais saudável e de melhor qualidade”, acrescenta. Ele pontua que o programa é realizado a partir da Lei de Incentivo Estadual, com patrocínio da AMA/Ambev. “E que a escolha das regionais se deu a partir de critérios técnicos e a ampliação da proposta para outras regiões depende diretamente da captação de recursos por meio dos mecanismos das leis de incentivo”. Inscrições Rangel ressalta que para participar do Bora Jogar + Basquete, os critérios adotados para preenchimento das vagas são a ordem de inscrição e comprovante de matrícula. “Além disso, há prioridade nos seguintes casos: alunos matriculados na rede pública municipal de ensino; na rede pública estadual/federal de ensino; e bolsistas de escola particulares”. As inscrições podem ser feitas diretamente em cada núcleo, destaca o coordenador. “Importante ressaltar que é necessário que o responsável (maior de idade) pelo jovem leve um xerox tanto da própria identidade quanto do aluno, além de um comprovante de matrícula do adolescente”. Programação Segundas e quartas-feiras:Centro-SulQuadra da Barragem Santa LúciaAvenida Arthur Bernardes, 2.80116h às 17h (12 a 14 anos)17h às 18h (15 a 17 anos) OesteQuadra da Praça do SerenoPraça do Sereno, 2.42516h às 17h (12 a 14 anos)17h às 18h (15 a 17 anos) PampulhaQuadra da Comunidade DandaraAvenida Dandara, 1217h30 às 18h30 (12 a 14 anos)18h30 às 19h30 (15 a 17 anos) NortePraça Candido PortinariRua Ministro Oswaldo Aranha, 34517h30 às 18h30 (12 a 14 anos)18h30 às 19h30 (15 a 17 anos) Terças e quintas-feiras:NordesteQuadra de Esportes Professor Marcus MazzoniRua Professor Amedee Peret, 39016h às 17h (12 a 14 anos)17h às 18h (15 a 17 anos) Venda NovaQuadra da Praça João José de AraújoRua Wilson Abrão Abdo, 3015h às 16h (12 a 14 anos)16h às 17h (15 a 17 anos)

Fraudes na internet e IA testam os limites da proteção de dados

Criada para estabelecer regras claras no tratamento de informações pessoais e reforçar a privacidade dos cidadãos, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) completa sete anos em agosto. A norma provocou mudanças significativas no mercado brasileiro. Porém, mesmo com avanços, os desafios seguem expressivos. Apenas em 2024, mais de 84 milhões de contas de usuários brasileiros sofreram violações de segurança, segundo uma empresa de cibersegurança, colocando o país na sétima posição mundial nesse tipo de incidente. De acordo com a advogada Giovanna Vigil, especialista em Direito Digital, a maior conquista foi a transformação cultural. “A proteção de dados deixou de ser um tema restrito ao setor jurídico ou de tecnologia e passou a fazer parte da estratégia das empresas. Hoje é comum que organizações tenham políticas de privacidade, canais para atendimento e cláusulas contratuais específicas sobre o tratamento de dados. Também houve maior conscientização e os cidadãos passaram a entender melhor seus direitos”, afirma. Apesar disso, Giovanna avalia que o número elevado de incidentes mostra que a maturidade ainda está longe do ideal. “Muitas empresas se adequaram apenas no papel, mas ainda carecem de investimentos consistentes em segurança da informação. Segurança não é apenas tecnologia. Envolve processos, treinamentos e respostas rápidas a incidentes. “Cumprir as regras da LGPD deve ser visto como um investimento em credibilidade. Empresas que cuidam dos dados ganham a confiança de clientes, parceiros e investidores”, acrescenta. Fiscalização A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) intensificou a fiscalização e aplica multas que podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração. O advogado criminalista e especialista em Direito Digital, Thiago Calazans, explica que o cálculo considera fatores como gravidade da infração, número de titulares afetados e histórico de conformidade. “Antes da imposição da penalidade há um processo administrativo que garante o contraditório e a ampla defesa”. Calazans alerta que em incidentes graves como vazamentos massivos ou golpes com inteligência artificial, as responsabilidades vão além da reparação técnica. “A LGPD exige comunicação imediata à ANPD e aos titulares, medidas para mitigar os danos e, se comprovada ausência de segurança adequada, a empresa pode ser responsabilizada civilmente”. Inteligência artificial As ferramentas de inteligência artificial generativa já são usadas para ataques de phishing sofisticados, deepfakes e também clonagem de voz. Giovanna avalia que a prevenção exige treinamentos, autenticação forte, criptografia, monitoramento e políticas claras de uso. “No ambiente corporativo, auditoria de fornecedores e testes de segurança são indispensáveis”. Sistemas treinados com dados enviesados podem gerar discriminação algorítmica em decisões como crédito e contratações. “A LGPD já prevê revisão humana e transparência, e o Marco Legal da Inteligência Artificial tende a reforçar esses mecanismos”, ressalta Calazans. Embora não exista lei específica para deepfakes e clonagem de voz, o especialista acrescenta que elas podem ser enquadradas em crimes como estelionato e falsidade ideológica. “O desafio é a prova, pois identificar a autoria exige perícia forense e cooperação internacional”. Giovanna defende um modelo regulatório híbrido. “Temos uma base sólida com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, mas a velocidade da evolução tecnológica exige normas complementares e flexíveis para lidar com os riscos sem sufocar a inovação”. A proteção de dados é uma questão de sobrevivência empresarial, projeta Calazans. “A tendência é vermos maior integração da LGPD com normas setoriais, mais poder fiscalizatório da ANPD e uso da inteligência artificial como ferramenta de compliance”, finaliza.

Estudo revela uma exigência por médicos atualizados no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Associação Médica Brasileira (AMB) apontou que 87% dos brasileiros consideram fundamental que os médicos mantenham seus conhecimentos atualizados. O estudo também apontou que 76% defendem que a atualização do certificado de médico especialista seja obrigatória. Segundo o secretário-geral da AMB, Dr. Florisval Meinão, o resultado confirma uma percepção crescente da sociedade, o avanço constante da medicina exige que os profissionais acompanhem as mudanças. “A medicina muda por completo em poucos anos, com novos procedimentos, exames, técnicas cirúrgicas e avanços científicos. Um médico que não acompanha essa evolução pode oferecer um atendimento defasado. Hoje, o título de especialista pode ter sido obtido há décadas, mas o paciente não sabe se aquele profissional continuou se atualizando”. A pesquisa comparou a importância da atualização médica com outras cinco profissões. Pilotos de avião aparecem em segundo lugar (82%), seguidos por jornalistas (75%), engenheiros (74%), advogados (71%) e arquitetos (68%). O destaque da medicina no ranking está ligado à natureza do trabalho, afirma Meinão. “O médico lida diretamente com vidas humanas. Seus atos podem significar a sobrevivência ou não de um paciente, ou até evitar sequelas graves. A população entende que, se a medicina avança, o médico precisa avançar junto”. A sondagem mostrou ainda que 64% dos brasileiros procurariam informações sobre a qualificação do médico antes de marcar uma consulta, caso esses dados estivessem disponíveis. Para o secretário-geral da AMB, essa é uma evidência de que a sociedade está mais vigilante quanto à qualidade do atendimento. “O paciente ter confiança de que o médico está atualizado fortalece a relação médico-paciente e impacta diretamente na segurança do atendimento”. Mudanças em certificação Meinão defende que o Brasil siga o exemplo de países desenvolvidos, que já adotam sistemas de recertificação periódica, exigindo que médicos comprovem atualização a cada cinco ou dez anos. Ele destaca que, embora haja obstáculos jurídicos para aplicar a regra a profissionais já formados, o país poderia adotar a exigência para novos especialistas. “Se quisermos atender à necessidade da população, teremos de criar instrumentos que obriguem os médicos a se atualizar. É algo que já é rotina em nações de primeiro mundo”. Outro ponto levantado pelo secretário-geral é a expansão acelerada das escolas de medicina no país, muitas vezes sem a estrutura necessária para formar profissionais aptos. “Estamos graduando muitos médicos, mas nem sempre com a qualidade adequada. Faltam professores preparados e hospitais-escola com condições para o ensino prático. Em alguns casos, recém- -formados não dominam conhecimentos básicos da profissão. Por isso, defendemos um exame de proficiência, como o da OAB, para garantir que só ingressem no mercado aqueles realmente preparados”. Para o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, os resultados reforçam a necessidade de uma estratégia nacional para assegurar a qualidade da assistência médica. “Entendemos que o problema do Brasil não é a falta de médicos, mas sim a qualidade. É preciso ter uma política de provisionamento de médicos que assegure a presença de profissionais qualificados, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a resolutividade dos casos depende da capacitação”, conclui.

ALMG debate o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública para discutir o acesso a tratamentos de alta complexidade e elevado custo, com destaque para o Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque). Trata-se da primeira terapia gênica aprovada para a distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara, progressiva e incapacitante que afeta, principalmente, meninos. O medicamento foi autorizado pela Food and Drug Administration (FDA), em junho de 2023, e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em dezembro de 2024. Sua aplicação precoce, entre 4 anos e 7 anos, 11 meses e 29 dias, é crucial para impedir a progressão irreversível da doença. O debate reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, especialistas em saúde, associações de pacientes, familiares e entidades da sociedade civil. Durante a abertura, o deputado Lucas Lasmar (Rede) ressaltou que, embora o custo do Elevidys, estimado entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões, seja elevado, “a vida não tem preço” e o tempo é um fator determinante. A DMD leva à perda progressiva da força muscular, tornando a maioria das crianças cadeirantes por volta dos 8 anos, com complicações cardíacas e respiratórias que reduzem drasticamente a expectativa de vida. “Temos que buscar caminhos para ajudar essas crianças e seus familiares no período correto, aonde já temos uma esperança”, afirmou o deputado. Parentes de pacientes relataram a luta contra o tempo e a burocracia. João Robson, pai do pequeno Davi, disse que o filho recebeu o diagnóstico quando tinha pouco mais de um ano e que a família só conheceu o Elevidys graças à mobilização de outros pais. “Essa medicação é imprescindível e que seja dada o quanto antes possível, porque o tempo é crucial. Enquanto a família luta na Justiça, a criança perde habilidades em casa”. Fabrícia Geraldo do Amaral, mãe de Tiago, contou que o filho completará 8 anos em outubro e ainda aguarda decisão judicial. “A idade dele vai passando e as dificuldades aumentando. Ele sobe as escadas engatinhando e tem dificuldade até para correr. Nossa luta é contra o tempo”. Representantes do Conselho Estadual de Saúde, como Hilke Novato, defenderam a incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Recursos para isso existem. O que falta é política pública para garantir acesso. Se o medicamento tem eficácia e segurança, o SUS deve oferecer”, afirmou. Mariane Rodrigues reforçou que o Elevidys é hoje o único tratamento para a doença, e a burocracia não pode atrasar seu acesso. Carolina Andrade Oliveira Dibai, diretora de Políticas de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde, ressaltou que a pasta acompanha o tema e reconhece a importância do diagnóstico precoce. “As doenças raras representam um desafio para qualquer sistema de saúde. Precisamos de estratégias que unam protocolos bem definidos, parcerias institucionais e avaliação criteriosa das tecnologias para garantir que o tratamento chegue a quem realmente precisa no momento certo”, afirmou. O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Éder Luciano, reforçou que o acesso deve ir além do medicamento, abrangendo fisioterapia e acompanhamento especializado. “Essas crianças não têm tempo. A medicação precisa ser para ontem, acompanhada de terapias de qualidade”. Projeto de Lei O Projeto de Lei 4.145/2025, apresentado na ALMG, prevê a isenção do ICMS sobre o Elevidys, que poderia reduzir o preço em cerca de R$ 3,4 milhões por dose. A proposta também inclui a realização do exame de creatina quinase (CPK) no teste do pezinho para diagnóstico precoce e a criação de protocolos estaduais de tratamento. A Comissão de Saúde se comprometeu a encaminhar requerimentos à Anvisa, à Secretaria de Estado de Saúde e ao governo federal, solicitando providências para garantir o fornecimento do Elevidys no prazo adequado.

986 mil jovens podem não ingressar na graduação por causa de gastos com bets

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Educa Insights indica que dos quase 2,9 milhões de potenciais ingressantes na educação superior privada, aproximadamente 986 mil estão sob risco de não efetivar a matrícula no primeiro semestre de 2026, por conta do comprometimento financeiro com apostas on-line. No mesmo período, em 2025, 34% dos entrevistados afirmaram que precisaram interromper as apostas para iniciar os estudos; esse número cai para 24% quando se considera o segundo semestre. Em um recorte regional, o Nordeste e o Sudeste são as regiões com a maior proporção de brasileiros que associam o adiamento da graduação à prática de apostas on-line. No primeiro semestre, os percentuais foram 44% e 41%, respectivamente. E no segundo, os índices foram de 32% e 27%. A pesquisa revela ainda que, entre os apostadores que já estão no ensino superior, 14% deles atrasaram a mensalidade ou trancaram o curso devido aos gastos em casas de apostas. O estudo mostra também que, em abril de 2025, entre os entrevistados impactados pelos prejuízos causados pelas perdas em apostas, 20,9% já deixaram de investir em algum curso, idiomas ou outro aprendizado. Na avaliação do diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, os dados mostram que as apostas on-line se tornaram um obstáculo adicional para o acesso à educação superior no Brasil. “Precisamos olhar com seriedade para esse cenário e desenvolver políticas públicas que conscientizem os jovens sobre as responsabilidades envolvidas com a prática de apostar”. A presidente da Comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG), Daniella Avelar, salienta que o brasileiro, de uma forma geral, não possui educação financeira. “Assim, enquanto o jovem deposita o seu dinheiro em apostas e assume dívidas, acaba deixando de investir em cursos e capacitações educacionais”. Segundo Daniella, a falta de investimento na educação pode ter vários impactos. “Inclusive na segurança, na vida, na economia, na construção da cidadania e principalmente na democracia. Existem algumas ações do poder público para tentar controlar essa situação, mas não é o suficiente. Precisamos de medidas mais efetivas e que verdadeiramente alcance as pessoas mais vulneráveis”. Possíveis soluções A presidente ressalta que é preciso mais fiscalização. “A regra já existe e menores de idade não podem apostar. Ou seja, é necessária uma equipe especializada para filtrar esses acessos e seguir a lei. Caso não seja cumprida, deve ser aplicada multa diante da plataforma”. “Investir em educação digital para toda a sociedade, inclusive as mais vulneráveis; tornar obrigatório que as plataformas de jogos passem vídeos de conscientização dos usuários sobre os riscos das apostas; e ser mais severo na aplicação de multa, em caso de descumprimento”, são algumas medidas que a advogada aponta como possíveis soluções. Ela finaliza dizendo que essa construção de uma sociedade mais consciente é dever de todos, passando pelo setor privado e também público. “Os jogos de apostas são uma realidade e é preciso ser trabalhado para que a sociedade tenha mais segurança e transparência ao utilizá-los”. Jovens apostadores De acordo com a pesquisa, 52% dos entrevistados apostam regularmente, sendo a frequência predominante de uma a três vezes por semana. Os valores investidos variam conforme a classe social: os apostadores da classe A destinam, em média, R$ 1.210 mensais, os das classes D e E, o valor médio é de R$ 421. Ainda que a maioria, cerca de 80%, afirme comprometer até 5% da renda mensal, cresceu o número de pessoas, especialmente entre os mais pobres, que ultrapassam a marca de 10% do orçamento com essa prática. Comparando os dados com 2024, houve um agravamento da situação. O percentual de jovens que apostam regularmente subiu de 42,9% para 52%, e aqueles que dizem comprometer parte da renda com as bets passou de 51,6% para 54,2%. Além disso, houve um salto de 11,4 pontos percentuais na quantidade de pessoas que deixaram de iniciar uma graduação por causa dos gastos com bets.

Projeto social capacita moradores de Betim e região no segmento da beleza

Com o objetivo de promover inclusão social, geração de renda e incentivo ao empreendedorismo, o Instituto Ramacrisna, sediado em Betim, abriu inscrições para novos cursos gratuitos na área da beleza. A iniciativa integra o projeto Construindo o Futuro VI, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. São oferecidas capacitações nas áreas de cabeleireiro, barbeiro, trancista, designer de sobrancelhas e manicure e pedicure. Os cursos são voltados para moradores em situação de vulnerabilidade social dos bairros Imbiruçu e Petrovale, em Betim, e também das cidades de Ibirité e Sarzedo, áreas próximas à Refinaria Gabriel Passos (REGAP). A proposta é capacitar tecnicamente e oferecer condições para que os participantes ingressem rapidamente no mercado de trabalho, seja em salões, clínicas de estética ou como autônomos. Ao fim da formação, os alunos recebem um kit de produtos que permite iniciar os atendimentos. “Os cursos são pensados estrategicamente para atender áreas com alta demanda e baixo custo de entrada. Isso permite que, mesmo com poucos recursos, os alunos comecem a atuar logo após a formação. Muitos veem neles a chance de conquistar independência financeira e transformar a própria realidade. Com apoio da Petrobras, conseguimos ampliar esse impacto e promover inclusão produtiva”, explica a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro. A formação em designer de sobrancelhas é um dos destaques. A capacitação abrange técnicas como modelagem, visagismo e coloração, e pode servir de base para outras especializações, como extensão de cílios e micropigmentação. Segundo Solange, os cursos também oferecem noções de gestão, precificação e divulgação nas redes sociais, para incentivar o empreendedorismo. “Esse apoio é ainda mais simbólico para as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas e barreiras sociais”. Transformando vidas A trajetória da ex-aluna Pâmela Abrantes é um reflexo desse impacto. Mãe de três filhos, ela buscava uma alternativa de renda que pudesse conciliar com a rotina em casa. Participou do curso de designer de sobrancelhas e construiu o próprio negócio com o apoio da família. Com o kit inicial, comecei a atender em domicílio e, depois, montei um cantinho só meu”, conta. O Instituto mantém contato com os alunos mesmo após a formação, monitorando como estão aplicando os conhecimentos adquiridos. Segundo a vice-presidente, muitos iniciam atendimentos em casa e com o tempo, estruturam seus próprios negócios. Como se inscrever As inscrições devem ser feitas pelo site ramacrisna.org.br/nossos-cursos. Os cursos têm início a partir de setembro, com turmas formadas conforme a área e o local da capacitação. São de 10 a 20 alunos por turma. Para garantir que as vagas sejam destinadas a quem realmente precisa, o Instituto realiza uma avaliação socioeconômica dos inscritos. “Esses cursos são voltados especialmente para bairros com maior índice de vulnerabilidade. A seleção é feita com base nesse critério”, detalha Solange. Ela aponta que a meta do projeto é beneficiar mais de 4,3 mil pessoas diretamente até 2027 e alcançar outras 17 mil indiretamente, por meio de eventos, oficinas e atividades culturais e esportivas. “O projeto possui vários cursos que serão realizados de forma contínua até o final de 2027. As metas foram traçadas no início dos trabalhos e seguimos com foco em ampliar o acesso à qualificação e à geração de renda”, finaliza.

Festival Acessa BH valoriza artistas com deficiência em sua programação

Reconhecido como o principal evento voltado à valorização da cultura deficiente no Brasil, o Festival Acessa BH chega à sua 5ª edição, que acontece de 5 a 28 de setembro de 2025. A programação contempla mais de 30 atividades, incluindo apresentações teatrais, exibições de filmes e videoclipes, oficinas, rodas de conversa e o lançamento de um livro. Os ingressos para todas as atividades são gratuitos e podem ser retirados com antecedência nas bilheterias dos respectivos espaços. A programação completa está disponível no site acessabh.com.br. Com presença de artistas vindos de nove estados do país e também do Reino Unido, o festival destaca a potência, a diversidade e a originalidade da produção cultural protagonizada por pessoas com deficiência, reforçando seu papel central em uma cena artística inclusiva e ativa. Toda a programação será gratuita, com eventos realizados em locais como o Sesc Palladium, Palácio das Artes, Funarte MG e Centro Cultural Unimed-BH Minas. A programação do Festival conta com mais de 30 atividades distribuídas entre 14 apresentações artísticas, incluindo teatro, dança, música e performance, além de quatro oficinas, cinco produções cinematográficas (sendo três curtas e dois longas), três videoclipes, quatro conversas após os espetáculos, uma roda de diálogo e o lançamento de um livro. “Mais do que uma seleção de espetáculos, a curadoria propõe um campo de encontro e troca, onde diferentes modos de criação possam conviver e provocar o público a refletir, sentir e imaginar futuros possíveis. Um convite à escuta atenta e ao deslocamento dos olhares, que valoriza tanto a expressão poética quanto o engajamento político da cena contemporânea”, afirmam os idealizadores do festival, Daniel e Lais Vitral. O evento promove uma experiência inclusiva por meio de diversas ações de acessibilidade. Os espaços que recebem a programação têm estrutura acessível, oferecem cadeiras de rodas para empréstimo e permitem a presença de cães-guia identificados, conforme a Lei nº 11.126/2005. A acessibilidade comunicacional é garantida com legendas descritivas, janelas de Libras e audiodescrição nos filmes e espetáculos. Todas as atividades contam com interpretação em Libras/Português, além da oferta de abafadores de ruído e pranchas de comunicação alternativa. Na Funarte, haverá também uma sala de regulação sensorial. Uma equipe especializada, incluindo intérpretes de Libras, estará disponível para receber o público com deficiência. O Acessa BH destaca o protagonismo de artistas e profissionais com deficiência, envolvendo consultores e uma equipe qualificada para assegurar a inclusão em todas as fases do evento. “Esse trabalho conjunto inclui visitas técnicas aos espaços de apresentação, proposição de pautas e estratégias de comunicação, e análise de diversos recursos de acessibilidade para cada atividade. Para além do conhecimento teórico, as vivências com a equipe, artistas e público sempre provocam novas reflexões, e motivam nossa busca constante de fazer um festival cada vez mais diverso, acolhedor e potente”, explica Anita Rezende, coordenadora de Acessibilidade do Acessa BH. A professora de artes visuais Cecília Santana afirma que as expressões artísticas e culturais realizadas por pessoas com deficiência exercem um impacto amplo e significativo na sociedade. “Elas transformam o olhar da sociedade sobre a produção artística de pessoas com deficiência, que historicamente foram invisibilizadas. Ao colocar esses artistas no centro, o festival rompe barreiras estéticas e sociais”. Ela destaca que a acessibilidade proposta pelo Acessa BH não é apenas física, mas também simbólica. “Quando vemos espetáculos com audiodescrição, oficinas com interpretação em Libras e espaços sensoriais pensados para diferentes públicos, entendemos que a arte é para todos. É um exemplo de como eventos culturais podem e devem ser inclusivos”.

6 milhões de brasileiros admitem usar o ChatGPT para fazer “terapia”

Cresce o número de pessoas que estão usando o ChatGPT como terapeuta para desabafar seus problemas. Uma estimativa da agência de comportamento Talk Inc afirma que mais de 12 milhões de brasileiros utilizam ferramentas de inteligência artificial para fazer terapia, dos quais cerca de 6 milhões recorrem ao ChatGPT como forma de apoio emocional. De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados alegam dificuldade financeira para pagar um psicólogo humano e 54% disseram gostar do atendimento 24 horas. Nos Estados Unidos, um estudo do Sentio AI Research mostrou que 18% já usaram o chatbot para falar de saúde mental. O psicólogo e professor da Faseh, Welder Rodrigo Vicente, explica que a popularização do ChatGPT, como espaço de desabafo, está associada a múltiplos fatores. “Destaca-se a acessibilidade imediata, a ausência de julgamento e o anonimato, que reduzem barreiras emocionais e sociais. Muitas pessoas encontram dificuldade em se abrir com amigos, familiares ou até mesmo profissionais, seja por medo, vergonha ou falta de acesso”. “A inteligência artificial oferece respostas rápidas, disponíveis 24 horas por dia, promovendo um ambiente que simula acolhimento e escuta. Além disso, a interface conversacional cria uma sensação de interlocução empática, mesmo que tecnicamente não exista subjetividade na ferramenta”, complementa o profissional. Porém, Vicente salienta que o uso pode trazer riscos. “Entre os principais está a ilusão de estar sendo cuidado ou compreendido por um agente que não possui sensibilidade humana. Isso pode atrasar a busca por ajuda profissional adequada em casos de sofrimento psíquico intenso”. “Há também o risco da dependência emocional, do isolamento social, da validação acrítica de pensamentos distorcidos ou autodepreciativos e da limitação do aprofundamento necessário para o enfrentamento de questões complexas. A inteligência artificial pode confortar momentaneamente, mas não promove intervenções terapêuticas, escuta clínica ou diagnósticos”, acrescenta. Fenômeno crescente A comunidade de saúde mental observa esse fenômeno com interesse e cautela, afirma Vicente. “Por um lado, reconhecemos que o ChatGPT pode ser uma porta de entrada para pessoas que nunca buscaram ajuda antes. Por outro, há preocupação com a banalização do processo terapêutico, com a substituição indevida do profissional e com os impactos do uso massivo de tecnologias não supervisionadas para lidar com sofrimento psíquico. Muitos profissionais têm estudado essas interações e apontado para a necessidade de regulamentações e orientações públicas”. Ele pontua que o ChatGPT pode funcionar como um “espaço-tampão, permitindo que a pessoa organize seus pensamentos, acalme-se ou se sinta menos sozinha em um momento crítico. Pode também ajudar na elaboração inicial de sentimentos, facilitando o processo de verbalização que será retomado em um espaço terapêutico posterior. Além disso, pode oferecer informações úteis sobre saúde mental, autocuidado ou mesmo motivar alguém a procurar ajuda profissional”. “É importante que o uso do ChatGPT, como espaço de desabafo, seja visto com senso crítico e responsabilidade. A tecnologia, por mais avançada que seja, deve ser uma ferramenta de apoio e não uma substituta das relações humanas. Precisamos incentivar a escuta entre pares, fortalecer os vínculos comunitários e democratizar o acesso à saúde mental, para que ninguém precise contar apenas com uma tela quando estiver em sofrimento”, alerta o profissional. Tecnologia O doutor em Engenharia Elétrica, especialista em Inteligência Artificial e professor da Una, Flávio Souza, destaca que a premissa do ChatGPT não é essa. “Apesar de ser criado para ter um tipo de interação, buscar respostas educadas, a ferramenta é baseada em metodologia de análises. Não é feito para ter o efeito psicológico, do tratamento do profissional sobre o seu paciente”. “E ainda há motivos para se atentar à questão de proteção de dados e privacidade. A pessoa que está nesse tipo de situação pode ser que forneça dados e se exponha mais do que deveria ao acessar o recurso da inteligência artificial. É importante utilizar a ferramenta como forma analítica ou como um apoio ao profissional de saúde”, finaliza.