32% dos profissionais levam até 1 hora para chegar ao trabalho

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Belo Horizonte, 32% dos profissionais levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao local de trabalho. Já 17% enfrentam um tempo de deslocamento que varia de 1 a 2 horas diariamente. O levantamento também revela que uma parte significativa da população ativa tem um trajeto mais curto: cerca de 28% dos trabalhadores completam o percurso entre 15 e 30 minutos. No extremo, 1% dos trabalhadores enfrenta viagens de mais de duas a quatro horas. Para o engenheiro de transportes e especialista em mobilidade urbana, Leonardo Duarte, a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores de BH é reflexo de anos de planejamento urbano insuficiente. “Temos uma cidade que cresceu de forma horizontalizada, com áreas residenciais se espalhando para a periferia sem que houvesse uma contrapartida proporcional na oferta de transporte público de qualidade. Resultado: a população está cada vez mais dependente do carro ou de sistemas de transporte coletivo que não dão conta da demanda”. De acordo com Duarte, Belo Horizonte possui atualmente uma frota de mais de 2 milhões de veículos circulando diariamente, número que só cresce. “O excesso de carros individuais, combinado com uma malha viária limitada e um transporte coletivo pouco eficiente, gera gargalos nos horários de pico. Isso afeta diretamente o tempo de deslocamento, além de aumentar os índices de poluição e acidentes de trânsito”. Outro ponto crítico apontado é a crise do sistema de transporte público. A cidade enfrenta há anos a insatisfação de usuários com relação à qualidade dos serviços prestados, à frequência dos ônibus e ao custo elevado das tarifas. Para a urbanista Fernanda Bastos, a falta de investimentos contínuos é uma das principais razões da estagnação do setor. “Os ônibus operam em condições precárias em muitas regiões da cidade, com itinerários longos e pouco eficientes. A ausência de corredores exclusivos em boa parte das vias atrasa os trajetos e desestimula a população a usar o transporte coletivo, além do metrô que atende pouquíssimas pessoas”. Diante da atual situação da mobilidade urbana em Belo Horizonte, é fundamental que sejam adotadas medidas estruturais e urgentes para reverter o cenário e melhorar os indicadores da cidade. “Um dos primeiros passos é investir na ampliação e modernização do transporte coletivo, dando prioridade ao transporte por ônibus e metrô. Isso inclui o aumento da frota, a renovação dos veículos em circulação e a requalificação de estações e pontos de parada, que muitas vezes não oferecem sequer o mínimo de conforto ou acessibilidade para os usuários”, destaca Fernanda. Ela ressalta que é essencial que a cidade invista na criação de mais corredores exclusivos para ônibus. “Essa medida, que já mostrou resultados positivos em outras capitais, reduz significativamente o tempo de viagem e torna o transporte público mais eficiente e atrativo para a população. A mobilidade também precisa ser pensada para além dos veículos motorizados. Ampliar a malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas bem sinalizadas e seguras é outro ponto-chave, principalmente se queremos incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário”. Para Duarte, a cidade precisa aproximar quem mora mais distante das áreas comerciais e de serviço. “Isso significa levar infraestrutura, oportunidades e transporte eficiente para essas regiões, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Sem esse olhar mais amplo e inclusivo, continuaremos empurrando o problema com a barriga e penalizando justamente quem mais depende do transporte público para viver”.

Outubro Rosa chama a atenção para reconstrução mamária

O Outubro Rosa busca conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao atendimento médico e aos direitos de tratamento e reabilitação das pacientes. Mais do que alertar para os exames de rotina, a campanha também chama atenção para a autoestima e a reconstrução mamária, que é um direito garantido por lei e uma parte essencial da recuperação emocional das mulheres que passam pela mastectomia. “A reconstrução mamária é um direito garantido por lei desde 1999 no Sistema Único de Saúde (SUS) e desde 2001 na rede privada, para as mulheres vitimadas pelo câncer de mama. Ela representa muito mais que um procedimento cirúrgico, é um ato de resgate da autoestima e da identidade feminina”, destaca a cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Ângela Fausto. Embora o direito esteja assegurado em lei, o acesso ao procedimento ainda é desigual no Brasil. Segundo a cirurgiã, faltam materiais, leitos hospitalares e profissionais especializados em várias regiões do país. “Na prática, as pacientes enfrentam longas filas e muitas vezes, esperam anos para conseguir a reconstrução. A falta de infraestrutura e de planejamento impacta diretamente a dignidade e o bem-estar dessas mulheres”. Ela lembra que a reconstrução mamária faz parte do tratamento integral do câncer de mama e deve ser vista como uma etapa de reabilitação. “A mama é um símbolo de identidade feminina, e sua perda ou deformidade afeta profundamente a autoimagem. A cirurgia devolve qualidade de vida, confiança e dignidade”. Ângela explica que, atualmente, as técnicas são variadas e seguras com opções que utilizam tecido local, enxertos de outras regiões do corpo ou próteses de silicone. “As técnicas reconstrutivas são cada vez mais personalizadas, escolhidas conforme a idade, o tipo de doença, as condições clínicas e o estilo de vida da paciente. O objetivo é sempre garantir resultados estéticos e funcionais, respeitando o tratamento oncológico em curso”. Prevenção e diagnóstico Para o ginecologista e mastologista Rodrigo Pereira de Freitas, o diagnóstico precoce é o fator que mais impacta as chances de cura, podendo ultrapassar 90% quando o tumor é identificado nas fases iniciais. “Ele é o fator que mais impacta as chances de cura do câncer de mama. As principais orientações incluem conhecer o próprio corpo, fazer o exame clínico das mamas anualmente e realizar mamografia a partir dos 40 anos”. Freitas pontua que apesar da ampla divulgação da campanha, muitas mulheres ainda deixam de realizar os exames de rotina. “Essa resistência é multifatorial. Envolve medo do diagnóstico, desinformação e até dificuldades de acesso. A educação em saúde é o caminho mais eficaz para mudar esse cenário, tornando o cuidado um ato de amor próprio”. Ele também alerta para a importância de olhar para a saúde feminina de forma integral. “A mulher é um ser completo. Corpo, mente e hormônios estão interligados. O estresse, o sono irregular e o desequilíbrio hormonal podem influenciar até na resposta ao tratamento oncológico. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da física”, reforça. Segundo o especialista, o Outubro Rosa deve ser entendido como um ponto de partida para o autocuidado contínuo. “Outubro é um lembrete, mas o cuidado precisa durar o ano inteiro. Cuidar da saúde é um ato de amor próprio. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as chances de cura e de uma vida longa e saudável”. “A informação é a base de tudo. Quando a mulher entende seus direitos e conhece seu corpo, ela se fortalece para enfrentar o tratamento e retomar sua história com confiança e esperança”, finaliza Ângela Fausto.

Oposição tem a difícil missão de tentar barrar a venda da Copasa

No âmbito da Assembleia Legislativa, um grupo informal foi criado para incrementar os debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), encaminhada pelo governo mineiro, para retirar a obrigatoriedade de realizar um referendo popular, o que poderá facilitar a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Curiosidade e desinformação envolvem esse tema. Por exemplo, tão logo a PEC foi pautada e adentrou em sua reta de discussão nas comissões alusivas ao assunto, o Palácio Tiradentes começou a liberar emendas parlamentares de maneira acelerada. Nos últimos 20 dias, muitos deputados ficam pouco tempo em seus gabinetes, pois preferem transitar nas secretarias e órgãos do Estado, onde são processados os encaminhamentos dos valores. Situação X Oposição A oposição tem implementado uma atuação sistemática, mostrando a incoerência e o devaneio do governo estadual ao tentar vender a estatal mineira, sem ouvir a população, o que é exigido pela Constituição do Estado de Minas Gerais. Em verdade, são três os principais deputados a propugnarem narrativas sobre o projeto. Por exemplo, a parlamentar Beatriz Cerqueira (PT) enfatiza. “Com sua tese de privatizar tudo, o governador Romeu Zema (Novo) está incluindo a Copasa na lista como um ativo necessário para diminuir o impacto da dívida de Minas com o governo federal. No entanto, Zema cria apenas uma cortina de fumaça, querendo transferir a Companhia para a iniciativa privada”, afirma. A deputada Bella Gonçalves (PSOL) também tem criticado a aprovação da matéria em pauta. Ela chegou a denunciar uma espécie de conluio do Poder Executivo estadual com setores financeiros nacionais, mencionando nomes de bancos que já estariam previamente acertados para assumir o controle acionário da Copasa. Porém, a parlamentar não mostrou provas de sua fala, nem o governo mineiro comprovou ser apenas uma falácia. Completando esse trio contrário aos interesses palacianos, surge a atuação do parlamentar Professor Cleiton (PV). Por exemplo, foi dele o pedido para verificar o que está acontecendo nos bastidores dessa celeuma, inclusive em relação aos reais valores da Codemig, prestes a ser federalizada, para permitir o Estado aderir ao Propag, do governo federal. Assim como outros representantes da oposição na Assembleia Legislativa, Professor Cleiton quer saber os motivos que levaram o governador a decretar sigilo para evitar o acesso ao documento da avaliação feita para indicar quanto vale essa empresa de Minas Gerais. Defensores do governo Na linha de defesa dos interesses do projeto governista, muitos debates, em sua maioria acalorados, têm acontecido nas salas de comissões especiais no Parlamento estadual. O líder do governo, deputado João Magalhães (MDB), sempre aparece na imprensa concedendo entrevistas e defendendo a aprovação do conteúdo. Mas, segundo comentários dos bastidores da Casa, quem tem efetiva atuação, mesmo à base do anonimato, é o ex-secretário de Governo, deputado Gustavo Valadares. Faz parte desse meandro, com destacada relevância, o presidente do PSD mineiro, deputado Cassio Soares. “Ele está cada vez mais próximo do projeto político do grupo palaciano e também nutre uma singular presença entre os seus pares”, garantem as fontes de nossa reportagem.

“Lista suja” do trabalho escravo tem nomes de 159 empregadores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou uma atualização no cadastro de empregadores envolvidos na exploração de trabalho em condições análogas à escravidão, conhecido como a “lista suja”. Com a nova atualização, a lista passou a incluir 159 nomes, sendo 101 referentes a pessoas físicas e 58 a pessoas jurídicas. Segundo o MTE, isso representa um aumento de 20% em relação à versão anterior da lista. Entre os anos de 2020 e 2025, um total de 1.530 trabalhadores foram retirados de situações que configuram esse tipo de violação. Os estados que mais registraram ocorrências foram Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12). As principais atividades econômicas associadas aos empregadores listados incluem a pecuária voltada para o corte de bovinos (20 registros), o trabalho doméstico (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada trabalhista, Vera Lúcia Rodrigues. Conforme a lei, o que pode ser caracterizado como trabalho análogo à escravidão? O trabalho análogo à escravidão está previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro e ocorre quando o trabalhador é submetido a condições degradantes, jornadas exaustivas, restrição de locomoção por dívida ou vigilância constante e seguida de ameaça. Como a legislação brasileira pune esse tipo de situação? A legislação dispõe que quem induz alguém à condição análoga à de escravo comete crime e pode ser condenado a reclusão de 2 a 8 anos, além de multa, podendo ser majoradas se o crime for praticado contra crianças e adolescentes. Além disso, na esfera criminal, o empregador também pode ser incluído na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e responder por danos morais individuais e coletivos na Justiça do Trabalho. Quais são os tipos de compensação ou reparação disponíveis para trabalhadores que foram vítimas de trabalho análogo à escravidão? Esses trabalhadores ao serem resgatados, passam a ter direito a receber todas as verbas trabalhistas que lhes foram negadas, como salários, férias e FGTS, além de indenização por dano moral. O Estado oferece ainda programas de proteção, acolhimento e reinserção social, buscando restituir não apenas os direitos econômicos, mas também a dignidade dessas pessoas. Quais fatores permitem a perpetuação desse ato em dias atuais? Infelizmente, fatores estruturais ainda sustentam esse tipo de exploração. A desigualdade social, a pobreza extrema, a falta de acesso à educação e a informalidade no trabalho. Além disso, a fiscalização é limitada, especialmente em áreas rurais e remotas, e as cadeias produtivas longas dificultam a identificação de quem realmente explora o trabalhador. A falta de número suficiente de fiscalização além dos pontos acima pontuados, cria um terreno fértil para a perpetuação do trabalho escravo contemporâneo. O que o estado brasileiro pode fazer para melhorar a fiscalização e repreensão desses casos? É essencial fortalecer a atuação dos auditores-fiscais do trabalho, ampliar os recursos e investir em tecnologia para rastrear as cadeias produtivas. O Estado também tem o dever de garantir a proteção das vítimas e das testemunhas, além de promover campanhas educativas para conscientizar a sociedade sobre o tema, fortalecer os canais de denúncias. E, claro, valorizar o papel do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, que são pilares fundamentais no combate e na reparação desses casos. Atualmente, quais são os mecanismos e instrumentos de combate ao trabalho escravo? Entre os principais instrumentos estão o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, o Cadastro de Empregadores (lista suja), o Programa de Erradicação do Trabalho Escravo e as parcerias entre o Ministério do Trabalho, a Polícia Federal e a Justiça do Trabalho, existem ainda canais de denúncia como o Disque 100, que funciona 24 horas, e o Sistema Ipê, que é um sistema para coleta, concentração e tratamento das denúncias de trabalho em condições análogas às de escravo no território brasileiro, que permitem à população participar ativamente no enfrentamento a essa grave violação dos direitos humanos.

Aneurisma cerebral é três vezes mais comum nas mulheres

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aneurisma cerebral atinge entre 10 e 15 pessoas à cada 100 mil habitantes. E esse tipo de aneurisma é três vezes mais frequente entre as mulheres. A doença é considerada a mais letal e causa a morte de aproximadamente 50% das vítimas. O cirurgião vascular e endovascular e membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Josualdo Euzébio Silva, afirma que os aneurismas são decorrentes da dilatação anormal de uma das artérias. “Além de caráter cerebral, considerada a mais comum, os vasos do pescoço, abdômen, braços e atrás dos joelhos também são frequentemente atingidos. A causa da condição apresenta uma série de fatores, como a genética, devido a hábitos inadequados adquiridos ao longo da vida e, até mesmo, a idade, sendo mais comum entre os 35 e 60 anos”. O motivo da patologia ser mais comum entre as mulheres, está diretamente ligado à faixa etária, destaca o cirurgião. “Com o início da menopausa, por volta dos 50 anos, o grupo sofre com a queda nos níveis de estrogênio, influenciando, diretamente, na estrutura das paredes das artérias, deixando-as mais enfraquecidas e menos elásticas”. Silva alerta que o grande perigo do aneurisma está na fatalidade. “Sobretudo, porque é conhecido por ser uma doença, muitas vezes assintomática, que apenas apresenta os primeiros sinais quando está prestes a romper, causando dor considerada intensa e repentina, além de outros sinais conforme local atingido”. “O diagnóstico de aneurisma é através de uma avaliação clínica e alguns exames complementares podem ser utilizados. À medida que o aneurisma cresce de diâmetro, vai aumentando o risco de ruptura. Por isso, a importância de fazer o controle, além de uma pesquisa na família, pois pode ter outras pessoas com a doença”, acrescenta. Cuidados Para evitar a fatalidade, o especialista explica que é importante atenção com a saúde vascular e manter consultas periódicas com um cirurgião da área. “Pelo menos, anualmente, sobretudo, quando o indivíduo está dentro dos fatores de risco como idade, doenças secundárias ou histórico familiar”. “O tratamento do aneurisma pode ser clínico, dependendo do diâmetro que ele estiver. Quanto mais cedo o problema é identificado, melhores são as alternativas de procedimentos e, consequentemente, qualidade de vida, elevando as chances de sobrevivência e menos riscos de viver com sequelas”, pontua. Ele ressalta ainda que, muitas vezes, esse processo requer o uso de medicamentos e mudanças nos hábitos de vida. “Seja através da alimentação, abandono do fumo e álcool e exercícios físicos que devem ser feitos conforme recomendação médica, já que nem todas as atividades são recomendadas. Além do controle de pressão e clínico”. Bomba-relógio A neurocientista Ângela Mathylde Soares descobriu o aneurisma através de exames de rotina. “A família toda tem predominância da doença e não apresentei nenhum sintoma. Às vezes, aparecia uma dor na nuca ou na cabeça, mas pensei que fosse a pressão alta. Fiz ressonância no tratamento, e continuo tomando três remédios de pressão durante o dia. Vou ao médico uma vez ao ano, e ao cardiologista e ao neurologista todo mês. A enfermidade me impactou muito no início como uma bomba- -relógio. Fiquei muito preocupada, baixou meu rendimento, mas depois comecei a entrar de novo no cotidiano”, conta.

Preço da cesta básica recua em BH, mas ainda pesa para o trabalhador

O custo da cesta básica em Belo Horizonte voltou a cair em setembro e chegou a R$ 739,09, segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG. A redução foi de 0,46% em relação a agosto, marcando o sexto mês consecutivo de queda. No acumulado de 2025, a redução é de 1,20%. Mas em 12 meses, a cesta registra uma alta de 7,36%. Atualmente, o custo da cesta representa 48,69% do salário mínimo (R$ 1.518), o que significa que quase metade da renda de um trabalhador é consumida apenas com alimentação. Segundo o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, o aumento acumulado no ano é resultado de fatores climáticos e econômicos que afetaram a produção e o custo de insumos. “Essa elevação no longo prazo é explicada principalmente por aumentos significativos em itens específicos, influenciados por condições climáticas adversas, variações cambiais e pressões na cadeia de suprimentos”. “O café moído, por exemplo, registrou uma variação de +44,38% em 12 meses, impulsionado por problemas na safra 2024/2025 e valorização do dólar. Outros produtos, como tomate, chã de dentro e óleo de soja, também contribuíram para essa pressão”, acrescenta. Antunes destaca que os produtos que mais recuaram, tomate (-17,54%) e batata inglesa (-6,12%), são altamente sensíveis à sazonalidade. “Eles são hortaliças dependentes das condições climáticas. Setembro marca uma safra mais abundante, com colheitas favorecidas pelo clima mais estável no Sudeste. Já a manteiga caiu devido à maior produção de leite na primavera, que aumenta a oferta de derivados lácteos”. Apesar disso, alguns itens seguem em alta, como a banana caturra (5,54%), o óleo de soja (5,20%) e o feijão carioca (5,03%). “Essas elevações refletem a combinação de menor oferta e demanda aquecida, além da expectativa de maior uso de soja para produção de biodiesel”. Diferenças entre supermercados Um levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro, em parceria com o aplicativo comOferta, revelou fortes variações de preços entre supermercados e atacarejos da Região Metropolitana de BH. O arroz Camil 5 kg foi encontrado entre R$ 18,99 e R$ 25,99, uma diferença de 36,8%, e o arroz Tio João 5 kg, entre R$ 26,90 e R$ 38,99, variação de 45%. Já o feijão carioca Galante 1 kg subiu de R$ 7,97 para R$ 9,62, alta de 20,7%, enquanto o óleo de soja Veleiro (900 ml) passou de R$ 7,09 para R$ 8,42, um aumento de 18,8%. O pente de ovos vermelhos com 20 unidades variou 70% entre os estabelecimentos (de R$ 12,90 a R$ 21,99), e a maionese Liza (450g) apresentou variação de 74%, indo de R$ 6,58 a R$ 11,49. Para o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a principal orientação é pesquisar antes de comprar, já que as diferenças entre marcas e locais são grandes. “Nós encontramos variações superiores a 60% para o mesmo produto em supermercados próximos. É importante que o consumidor pesquise, especialmente em tempos de orçamento apertado. Se não for apegado a marcas, é possível economizar até 90% em alguns itens”, afirma. O comportamento recente do mercado mostra movimentos opostos, avalia Antunes. “Enquanto o arroz caiu, produtos como feijão, café e óleo de soja voltaram a subir. O arroz teve reduções médias de 8%, mas o feijão carioca, o óleo e o café dispararam. São produtos de primeira necessidade, que continuam pressionando o bolso do consumidor”, ressalta. Perspectivas para o fim do ano O Ipead prevê que a cesta básica pode manter a tendência de estabilidade até o fim de 2025, mas alerta que o período de festas e possíveis impactos climáticos ainda podem elevar os preços. “A tendência é de continuidade das reduções moderadas, mas há riscos de alta sazonal. Mesmo com a queda recente, o custo da alimentação ainda compromete quase metade do salário mínimo, um patamar que mostra a erosão do poder de compra e o peso dos alimentos no orçamento familiar”, conclui Antunes.

Reunião debate o fim da produção de vacinas de meningite pela Funed

Com o objetivo de debater os impactos devido ao encerramento da transferência de tecnologia da vacina contra a meningite pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, foi realizada uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De acordo com o requerimento da audiência, a Funed tem papel histórico e estratégico no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), sendo responsável pela produção de imunobiológicos fundamentais para o Sistema Único de Saúde (SUS). A transferência de tecnologia das vacinas contra as meningites C e ACWY tinha por objetivo abastecer o Ministério da Saúde e a rede nacional do SUS. Em 2022, a instituição assinou um convênio, que se encerraria somente em fevereiro de 2026, para esse fim. Segundo o deputado que propôs o requerimento, Lucas Lasmar (Rede), cerca de 70% da arrecadação atual da Funed viriam justamente dessa parceria. “Agora, a sobrevivência da entidade, fundada em 1907 e que já foi referência nacional na produção de vacinas, soros e medicamentos, estaria mais uma vez ameaçada”. A justificativa do governo estadual para a paralisação do contrato é em função da necessidade de uma alta contrapartida, como a construção de fábrica ao custo em torno de R$ 2 bilhões. Porém, Lucas Lasmar rebateu dizendo que os repasses feitos ao longo dos últimos anos já garantiriam parte desse valor. Para o restante, segundo o parlamentar, já teria havido sinalização positiva do próprio Ministério da Saúde sem a necessidade de rompimento do acordo. “O encerramento unilateral da transferência de tecnologia e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, após a reinauguração oficial das instalações em março, seriam dois sinais de que o objetivo do Poder Executivo é mesmo promover um desmonte da instituição. Com isso, seria aberto o caminho para a cessão de suas funções à iniciativa privada”, destaca Lasmar. O deputado defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os desmandos na Funed. E também foi aprovado um requerimento com a convocação do presidente da instituição, Felipe José Fonseca Attiê, para prestar esclarecimentos em nova reunião, já que ele não compareceu à audiência. Diálogo O diretor-executivo do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, Érico de Moraes Colen, pontua que tem dificuldade de entrar na Fundação. “Só é permitida a entrada a partir das 18h para fazer assembleia, sendo que a maioria dos servidores trabalham até às 17h. Tem pelo menos um ano e meio que não consigo ter um diálogo com o presidente, pois ele não aparece nas reuniões. Essa abordagem mais profunda tem que ter a presença do Felipe”. “A instituição já produziu 1 bilhão de medicamentos e fornecia a maior parte desse material para a atenção primária para abastecer os municípios de Minas Gerais. Do nada, nós não temos mais demanda, porque os governos estaduais e municipais simplesmente não querem comprar da Fundação. Se a Funed quebrar, como eles querem, o maior afetado não será essa gestão. Nós servidores e a população que mais precisa de nossos serviços é que vamos sofrer as consequências”, acrescenta. A deputada e também autora do requerimento, Bella Gonçalves (PSOL), diz que a Funed é presidida atualmente por uma pessoa que não entende nada do SUS. “A convocação é um instrumento legítimo de fiscalização pelo Parlamento mineiro para que os gestores prestem contas à população quando as tentativas de diálogo já se esgotaram”. O presidente da Funed enviou quatro representantes à audiência pública. Todos elogiaram os servidores da entidade e reforçaram que a atual gestão estaria no caminho certo. Porém, diante da convocação de Felipe Attiê, preferiram que o presidente da instituição detalhasse futuramente seus planos para a entidade. O diretor de Planejamento, Gestão e Finanças, Dimitri Assis de Souza, afirma que o objetivo das decisões tomadas é dar sustentabilidade à instituição com foco no futuro. “Não há tentativa de abandono de projeto estratégico, queremos voltar a ser referência para os brasileiros. Essa gestão trabalha para melhorar a infraestrutura e dar mais condições de trabalho aos servidores”.

Nova lei amplia licença-maternidade para internação prolongada

A licença-maternidade no Brasil ganhou um novo marco com a sanção da Lei nº 15.222/2025, assinada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A norma altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Lei de Benefícios da Previdência Social, garantindo a ampliação da licença e do salário-maternidade nos casos em que a mãe ou o bebê precisem permanecer internados por um período superior a duas semanas após o parto. Na prática, o início da contagem da licença passa a ocorrer somente após a alta hospitalar, podendo ser estendida por até 120 dias adicionais, conforme o caso. O tempo de repouso anterior ao parto, porém, poderá ser descontado desse período extra. Para entender os impactos dessa mudança para as trabalhadoras, empresas e para o sistema previdenciário, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito do Trabalho, Hellom Lopes. Como a nova lei modifica o marco legal da licença-maternidade e do salário-maternidade em casos de internação prolongada? Ela introduz alterações importantes tanto na CLT quanto na Lei de Benefícios da Previdência Social. No caso da licença-maternidade, ela pode ser prorrogada por até 120 dias após a alta hospitalar da mãe e/ou do bebê, desde que a internação exceda duas semanas e haja nexo com o parto. O tempo de repouso anterior ao parto (quando houver) será descontado desse período adicional. O salário-maternidade, pago pelo INSS, também será devido durante a internação prolongada, seguindo as mesmas condições. A contagem do início da licença e do benefício passa a considerar a data da alta hospitalar de quem permanecer internado por último, mãe ou bebê. Quais são as condições para que a prorrogação de até 120 dias seja aplicada? Alguns requisitos precisam ser cumpridos. A internação hospitalar deve superar 14 dias e estar relacionada a complicações médicas do parto, da gestação ou do nascimento, comprovando-se o nexo causal com o parto. Além disso, o tempo de repouso pré-parto eventualmente utilizado deve ser descontado do acréscimo dos 120 dias após a alta. A contagem desse período adicional começa a valer após a alta hospitalar da mãe ou do bebê, o que ocorrer por último. Para comprovar o direito, são necessários atestados médicos ou laudos hospitalares, documentos de alta e comprovação do nexo com o parto. Como ficam os casos de repouso pré-parto, esses dias serão descontados da licença-maternidade estendida e em quais situações isso se aplica? O repouso pré-parto é o afastamento antes do nascimento, autorizado por recomendação médica, até o limite previsto em lei (geralmente até 28 dias antes do parto). Com a nova legislação, se a mulher já tiver utilizado parte da licença antes do parto, esse período será descontado da prorrogação de 120 dias após a alta hospitalar. Os dias adicionais não são somados integralmente “por cima” do repouso anterior. Por outro lado, se o repouso pré-parto for menor ou inexistente, não há desconto, garantindo o máximo de tempo possível junto ao bebê após a recuperação. Qual é a vantagem de ter essa ampliação formalizada em lei? A formalização representa um avanço significativo no direito das mulheres, especialmente para mães de bebês prematuros ou com complicações neonatais. Além de garantir mais tempo de convivência e recuperação, a nova regra reduz desigualdades e incertezas jurídicas, evitando que mães fiquem em dúvida sobre seus direitos. No entanto, ainda pode haver questionamentos práticos sobre a interpretação de “nexo com o parto”, a validade de determinados atestados e as situações em que mãe e bebê têm alta em momentos distintos. Mesmo assim, a lei é um passo importante rumo a uma maior proteção social e trabalhista para as famílias. Essa mudança pode abrir caminho para uma revisão mais ampla das políticas de trabalho parental? Sem dúvida. Essa legislação reforça a necessidade de reavaliar o modelo de licenças parentais no Brasil, ampliando o debate sobre o papel dos pais e responsáveis nos cuidados com o recém-nascido. Ela pode servir como precedente para discussões futuras sobre licenças compartilhadas ou sobre a ampliação da licença-paternidade, contribuindo para uma maior equidade de gênero nas relações de trabalho e na criação dos filhos.

Tempo máximo para limpeza nos hotéis é fixado em 3 horas

O Ministério do Turismo (MTur) atualizou as normas relacionadas aos horários de entrada e saída dos hóspedes em hotéis no Brasil, levando em consideração o tempo necessário para a limpeza, higienização e organização dos quartos. Segundo a nova regulamentação, a cobrança da diária deve se referir a um período de 24 horas de hospedagem. Os estabelecimentos hoteleiros têm liberdade para definir os horários de check-in e check-out, mas é obrigatório que essas informações sejam informadas de forma clara e antecipada aos hóspedes, tanto pelos próprios hotéis quanto por agências de viagens e plataformas digitais de reserva. A nova regulamentação estabelece que o tempo máximo destinado à limpeza e organização dos quartos deve ser de até 3 horas. Esse serviço não pode gerar cobrança adicional, pois já está incluído no valor da diária. Entre as atividades obrigatórias estão a limpeza completa do quarto, além da substituição das toalhas e da roupa de cama. A periodicidade da arrumação e da higienização deve estar alinhada ao perfil do meio de hospedagem, seja hotel, resort, pousada, hostel, apart-hotel ou flat. O cliente deve ser informado previamente sobre o tempo aproximado necessário para a limpeza do quarto, assim como a regularidade com que o serviço será realizado. “A atualização busca estabelecer um padrão mínimo de qualidade no atendimento e na preparação dos quartos, ao mesmo tempo em que dá segurança jurídica ao setor hoteleiro. Com a definição clara do tempo máximo de três horas para limpeza, evita-se a informalidade e se cria uma expectativa realista para os clientes”, explica o agente de viagens Vicente Brandão. Caso deseje, o hóspede pode optar por não utilizar os serviços de arrumação e higienização, desde que manifeste essa decisão de forma clara. No entanto, o estabelecimento deve assegurar que essa escolha não comprometa a higiene do ambiente nem coloque em risco a saúde e a segurança dos demais hóspedes. “Essa possibilidade de recusar a limpeza já era praticada informalmente, principalmente por quem preza pela privacidade. Agora, ganha respaldo legal, o que é um avanço, porém, cabe ao hotel assegurar que isso não afete o padrão sanitário, especialmente em épocas de maior circulação de vírus, como gripes e viroses sazonais”, ressalta. As reações às mudanças têm sido diversas no setor. Alguns empresários e profissionais da hotelaria veem a regulamentação como positiva, argumentando que ela padroniza práticas que antes variavam muito entre os estabelecimentos. Outros, porém, temem que o prazo de até 3 horas para limpeza e arrumação possa gerar dificuldades operacionais, especialmente em dias de ocupação máxima. “É um desafio logístico, principalmente para hotéis com alto volume de hóspedes entrando e saindo ao mesmo tempo. Em algumas situações, esse intervalo pode não ser suficiente para dar conta da limpeza detalhada que buscam oferecer”, diz o especialista em turismo, Frederico da Costa. Apesar disso, Costa reconhece que o novo regramento ajuda a organizar o fluxo de trabalho e deixa as responsabilidades mais claras. “Com prazos definidos, conseguimos estruturar melhor as escalas de trabalho da equipe de limpeza e também informar os hóspedes com mais precisão. É essencial que os hotéis se planejem para não sobrecarregar os funcionários da limpeza. Três horas parecem suficientes, mas não podemos esquecer que em grandes redes, muitos quartos precisam ser preparados simultaneamente. A profissionalização do setor e o investimento em equipe são fundamentais para que essa regra funcione de fato”, destaca. A regulamentação do MTur representa mais um passo na direção de um turismo mais profissionalizado e transparente no Brasil, afirma o especialista em turismo. “Para que as novas regras tragam os benefícios esperados, será preciso investimento contínuo em capacitação, tecnologia e estrutura por parte dos meios de hospedagem. A padronização das práticas é bem-vinda, mas precisa vir acompanhada de suporte técnico, treinamento e fiscalização, caso contrário, corre-se o risco de termos uma regra muito boa no papel, mas difícil de aplicar na realidade”.

Entre 5% a 17% da população mundial é acometida pela dislexia

Outubro é mundialmente reconhecido como o mês de conscientização da dislexia, um período dedicado a informar, educar e combater o estigma em torno desse transtorno de aprendizagem que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 5% a 17% da população possa ter dislexia, de acordo com dados da Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Embora comum, o transtorno ainda é cercado por desinformação, o que compromete o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e, principalmente, a inclusão dos disléxicos na sociedade. A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente de palavras, na habilidade de decodificação e na soletração. Essas dificuldades costumam resultar de um déficit no componente fonológico da linguagem. Segundo a neuropsicóloga Clara Nogueira, a condição não está relacionada à inteligência, mas sim à forma como o cérebro processa as informações linguísticas. “O cérebro de uma pessoa com dislexia funciona de maneira diferente quando ela precisa ler ou escrever. Não se trata de preguiça ou desatenção, como muitos ainda pensam, mas de uma diferença neurológica real. É fundamental que pais, professores e a sociedade em geral entendam isso para evitar julgamentos errôneos e promover um ambiente de aprendizagem mais acolhedor”. Embora os primeiros sinais da dislexia possam ser observados já na educação infantil, muitas crianças chegam ao ensino fundamental sem diagnóstico. A identificação precoce é crucial, pois permite intervenções mais eficazes e evita impactos negativos na autoestima e no desenvolvimento emocional da criança. “Muitas vezes, o aluno disléxico é visto como alguém preguiçoso ou desinteressado, quando na verdade ele está se esforçando o dobro dos outros para acompanhar a aula, se os sinais forem reconhecidos logo nos primeiros anos, o suporte pode ser dado de forma personalizada, respeitando o tempo e as necessidades do aluno”, explica. Entre os sintomas mais comuns da dislexia estão a troca de letras com sons parecidos (como “p” e “b”, “f” e “v”), dificuldade para reconhecer rimas ou segmentar palavras em sílabas, escrita espelhada, lentidão na leitura e dificuldade para compreender o que foi lido. No entanto, cada caso é único, e a intensidade dos sintomas pode variar. O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e, em alguns casos, neurologista. Não existe um exame laboratorial para a dislexia, o processo envolve uma análise minuciosa do histórico do indivíduo, testes cognitivos, avaliações de linguagem e observação comportamental. Apesar da doença não ter cura, ela pode ser gerenciada com sucesso por meio de intervenções profissionais, além de adaptações no ambiente escolar. O apoio da família também é crucial para garantir que a criança ou o adolescente se sinta valorizado e compreendido. “Não estamos falando de um déficit de capacidade, e sim de uma diferença na forma de aprender. Com estratégias adequadas, uso de tecnologias assistivas e reforço positivo, o disléxico pode desenvolver seu potencial ao máximo”, ressalta a fonoaudióloga Beatriz Almeida. Ela diz que entre as estratégias mais eficazes estão a utilização de métodos multissensoriais, que combinam visão, audição e tato, softwares de leitura em voz alta, audiobooks, além de atividades específicas para fortalecer a consciência fonológica. A adoção de provas orais ou com tempo ampliado também é uma prática cada vez mais comum nas escolas inclusivas. Mesmo com os avanços, ainda há muito a ser feito em termos de aceitação e compreensão. Muitas pessoas com dislexia convivem com o estigma e enfrentam dificuldades para se adaptar a sistemas educacionais e ambientes de trabalho que priorizam a leitura e a escrita de forma rígida, sem considerar as diferentes formas de aprender. “Precisamos quebrar a ideia de que há apenas uma maneira ‘correta’ de aprender e expressar conhecimento, um aluno que não lê bem pode ser brilhante em artes, matemática, música ou pensamento crítico. A escola deve ser um espaço onde essa pluralidade seja valorizada, e não punida”, conclui.