Exportação de veículo tem melhor resultado desde junho de 2018

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a exportação de veículos apresentou o seu melhor resultado desde junho de 2018. Foram 57,1 mil unidades exportadas em agosto, representando uma alta de 19,3% sobre julho e de 49,3% sobre o mesmo mês do ano passado. A Argentina foi a maior responsável por esse índice, já que responde por 59% dos embarques no ano, de acordo com a Anfavea. O acumulado geral dos oito primeiros meses soma 313,3 mil unidades, 12,1% acima das exportações do mesmo período de 2024. Em agosto, as fábricas brasileiras produziram 247 mil veículos, sem grandes variações em relação ao mês anterior (+3%) e agosto do ano passado (-4,8%). No ano, são 1,743 milhão de unidades produzidas, alta de 6%. O economista e professor do Centro Universitário Una, Giovane Castro, explica que além da expansão do mercado automotivo argentino, que é o principal destino dos veículos brasileiros, e que registrou um grande aumento nas compras no primeiro semestre de 2025. “O crescimento da produção automotiva no Brasil, que a tornou mais competitiva, e a moeda desvalorizada, que barateou os produtos brasileiros no mercado internacional, também contribuíram para este resultado positivo”. Para Castro, o cenário é promissor, mas exige adaptação rápida. “O Brasil tem tradição na fabricação de carros e uma localização estratégica para atender a América Latina. Nossa indústria só precisa acelerar os investimentos em tecnologia e eletrificação dos veículos. Pois, apesar do crescimento, a concorrência externa vem expandindo substancialmente, principalmente pelos carros chineses devido aos seus investimentos em tecnologia, veículos elétricos e preços extremamente competitivos”. Ele destaca ainda que a tendência é de expectativa. “Nosso principal importador de veículos, a Argentina, está enfrentando problemas como a alta de juros recentes e dificuldades de natureza política, o que pode impactar em futuras reduções, graças a estes fatores que provocam instabilidade”. Vendas internas O mercado interno mantém comportamento de estabilidade, mas com elevação da venda de importados e dos canais de vendas diretas, em detrimento do varejo de modelos nacionais. Em agosto, o total de emplacamentos foi de 225,4 mil veículos. O acumulado deste ano é de 1,668 milhão, e as vendas de importados atingiram alta de 12,1%. As vendas de modelos nacionais no varejo caíram 9,3% no ano, ante um crescimento de 17,3% dos importados. Mesmo nas vendas diretas, os nacionais cresceram 12,4%, um pouco abaixo dos 13,8% de alta dos estrangeiros. Entre todos os segmentos de veículos, o que mais sofre os efeitos dos juros elevados, da alta inadimplência e da desaceleração da atividade econômica é o de caminhões. Em agosto, pela primeira vez houve queda na produção acumulada em relação a 2024. O recuo é de 1%, porém, indica uma inversão da curva de crescimento que se mantinha ao longo dos primeiros sete meses do ano. O mercado interno de caminhões já vinha em retração desde abril. As exportações vêm equilibrando o setor automobilístico, afirma o economista. “Contudo, a alta competitividade chinesa através de tecnologias mais avançadas e preços competitivos, juntamente com problemas econômicos crescentes de nosso principal mercado externo, podem impactar no volume vendido em um futuro breve”. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressalta que a média diária de vendas foi de 10,7 mil unidades. “O segundo mês no ano com média inferior ao mesmo mês de 2024, o que acende um alerta para o último quadrimestre de 2025, que precisa subir bastante para acompanhar o ritmo acelerado do ano passado. No caso dos caminhões, nem a alta das exportações está sendo suficiente para sustentar os níveis de produção, o que já começa a se refletir em perdas de postos de trabalho nas fábricas de pesados”, finaliza.

Mateus Simões busca apoio de Cleitinho Azevedo e Nikolas

A recente filiação do deputado estadual Gustavo Valadares no PSD movimentou os bastidores da política mineira, apontando também para a possível filiação à sigla do vice-governador Mateus Simões (Novo). Isso de acordo com entendimentos realizados de maneira super reservada entre interlocutores de Simões e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Nos corredores da Assembleia Legislativa, propala-se uma informação indicando a possível atuação do vice-governador na filiação de mais 20 prefeitos ao PSD. Assim, estaria ficando clara a sua pretensão de deixar o Partido Novo para se apoiar em quem tem mais capilaridade pelo interior do Estado. De acordo com dados, o PSD foi o que mais cresceu em número e em qualidade nos últimos anos em Minas. Mateus, governador? Em diálogo com o deputado Antônio Carlos Arantes (PL), Mateus Simões rememora: “a partir de abril vou me tornar governador. Então, podem acreditar que serei candidato à reeleição, pois vou estar no comando do Executivo estadual pelo período de nove meses”. Mesmo sem definir eleitoralmente, por conta de injunções partidárias, Arantes complementa o diálogo com outro comentário: “ele acha que o atual governo mineiro tem tudo para externar a sua competência administrativa, especialmente pelo fato de pagar os funcionários públicos rigorosamente em dia, ao contrário do governo do PT, quando os valores eram parcelados em até três vezes ao mês”. Ainda com relação ao projeto do vice-governador para a peleja de 2026, Simões tem conversado com as principais lideranças de Minas. Neste enorme arco de entendimentos, vê com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) sobre a oportunidade de receber o seu apoio. “O parlamentar precisa fazer parte do meu projeto eleitoral, pois, como serei candidato à reeleição, só tenho condições de ficar no Palácio Tiradentes por quatro anos. Se outro nome for escolhido, como Rodrigo Pacheco (PSD), com certeza serão implementadas condições para tentar ostentar o cargo de chefe do Executivo por oito anos”, observa. Com relação ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), e de acordo com informações de jornalistas, já estão sendo entabulados contatos oferecendo ao político a chance de indicar o vice na disputa encabeçada por Mateus Simões. Tadeu, o preferido Outrossim, quando o assunto se refere à candidatura do senador Rodrigo Pacheco, a atenção fica por conta do seu companheiro de chapa, quando sempre se especula o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). Ele tem bom trânsito com vários grupos políticos e parlamentares do Estado, além de contar com uma boa aproximação com o Palácio do Planalto. Com isso, pode até vingar a tese de a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aceitar o desafio para disputar o Senado, mesmo sem uma aliança formal com o grupo. A essas alturas dos acontecimentos, o dilema do senador Rodrigo Pacheco seria em relação ao seu partido, o aludido PSD, cobiçado por outras forças políticas mineiras no caminho da sucessão estadual.

R$ 60 milhões serão destinados para a agricultura familiar

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar R$ 60 milhões em recursos não reembolsáveis a cooperativas da agricultura familiar para a produção e multiplicação de bioinsumos acessíveis e replicáveis. A ideia é incentivar essas ações em unidades industriais ou semi-industriais. Feitos a partir de microrganismos, resíduos vegetais e orgânicos, os bioinsumos são importantes na fertilização do solo e promoção da agricultura sustentável. Eles também atuam como predadores de pragas e promovem o crescimento, desenvolvimento e a saúde dos sistemas agrícolas, animais, aquícolas e florestais. A iniciativa conta com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O BNDES Bioinsumos atende a dois compromissos históricos: além de contribuir com o aumento da produção de alimentos saudáveis, garantindo a segurança e soberania alimentar e nutricional, essa iniciativa fortalece a geração de renda de cooperativas da agricultura familiar, ao ampliar o acesso aos bioinsumos, com menores custos e maior produtividade”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. O engenheiro agrônomo e professor da UniArnaldo Centro Universitário, Marcos Flávio Godoy de Oliveira, explica que esse investimento representa uma iniciativa pioneira mundial. “Embora pareça pequeno diante dos R$ 89 bilhões anuais destinados ao segmento, os R$ 60 milhões têm importância estratégica singular: é o primeiro e único programa específico de bioinsumos para agricultura familiar identificado entre as grandes economias mundiais”. “O programa pode revolucionar o setor ao reduzir drasticamente a dependência de fertilizantes importados. Hoje, o Brasil importa 83% dos fertilizantes que consome, uma vulnerabilidade que afeta diretamente os pequenos produtores. Com os bioinsumos, estudos da Embrapa mostram que é possível reduzir pela metade o uso de fertilização fosfatada e aumentar a produtividade em até 20%, enquanto reduz seus custos de produção em até 30%. Para as cooperativas das regiões Norte e Nordeste, prioritárias no programa, isso significa acesso à tecnologia de ponta que antes era restrita ao agronegócio empresarial”, complementa. Para Oliveira, a produção orgânica nacional já cresce mais de 20% ao ano, muito acima da média mundial de 8% a 12%. “E os bioinsumos podem acelerar ainda mais esse crescimento. Os dados mostram uma correlação direta entre investimento em tecnologias sustentáveis e expansão da agricultura orgânica. Eles facilitam a transição para o orgânico porque eliminam a principal barreira: a dependência de insumos químicos sintéticos”. Agricultura familiar No Brasil, a agricultura familiar ocupa uma extensão de área de 80,9 milhões de hectares, o que representa 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários. De acordo com o Censo Agropecuário mais recente, o segmento é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais possui 441,8 mil estabelecimentos, sendo o segundo Estado brasileiro com mais pessoas ocupadas no setor, cerca de um milhão de trabalhadores. O engenheiro pontua que a agricultura familiar produz a maior parte dos alimentos consumidos no Brasil. “Responsável por 70% dos produtos que chegam à mesa dos brasileiros, o setor produz a maior parte dos itens básicos da alimentação nacional: 69,6% do feijão, 83% da mandioca, 45,6% do milho, 57,6% do leite de vaca e 67% do leite de cabra”. “Em Minas Gerais, o papel é ainda mais estratégico. A agricultura familiar mineira se concentra especialmente no Vale do Jequitinhonha, onde 78 mil agricultores representam 9% da produção estadual e constituem a principal base econômica regional. Esses produtores não apenas garantem alimentos para o Estado, mas também abastecem outras regiões do país”, acrescenta. Ele finaliza dizendo que os desafios do setor são complexos e interconectados. “O principal é a defasagem tecnológica, enquanto países como China e União Europeia têm multiplicadores tecnológicos de 2,5 a 3,0, o Brasil ainda está em 1,2. Isso significa menor produtividade e maior dependência de insumos externos. A superação exige estratégia integrada baseada em três pilares: modernização tecnológica, desburocratização e integração digital”.

Índice de vacinação infantil no país enfrenta crise prolongada

O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis a partir de 2015, intensificada em alguns casos após 2020. Apesar da recuperação iniciada em 2022 e acelerada em 2023, o relatório mostra que nenhuma das vacinas infantis do calendário nacional atingiu as metas de cobertura estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em todos os estados em 2023. A pesquisa destaca o abandono vacinal como um problema crônico: vacinas que exigem múltiplas doses, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), apresentam altas taxas de evasão entre a primeira e a segunda dose. Em alguns estados, esse indicador ultrapassa os 50%, comprometendo a efetividade da imunização e aumentando o risco de reintrodução de doenças controladas. Em termos populacionais, o relatório aponta que, apesar da recuperação observada, em 2023, 80% ou mais da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo PNI para a maioria das vacinas analisadas individualmente. Na avaliação da presidente do IQC, Natália Pasternak, esse cenário evidencia a importância da transparência e da sistematização do acompanhamento dos indicadores relativos à vacinação. “Precisamos de dados, estratégia e compromisso institucional com a ciência e a prevenção”. Para o infectologista da Unimed-BH, Adelino de Melo Freire Júnior, a queda se dá por uma série de fatores. “Sendo os principais a desinformação sobre vacinas e a hesitação dos pais, que se acentuaram após a pandemia de COVID-19. Tivemos também problemas em relação às políticas públicas e com a cadeia de distribuição de vacinas nesses últimos anos. Apesar dos avanços, muitas regiões ainda não atingiram as metas de cobertura. Isso mostra que o impacto desses fatores leva bastante tempo para ser revertido, sobretudo quando falamos de credibilidade quanto à segurança e eficácia dos imunizantes”. “Há risco concreto de retorno de doenças como sarampo e poliomielite, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal, o que pode gerar surtos graves. A vacinação infantil é essencial do ponto de vista individual e coletivo. Individualmente, as vacinas protegem contra enfermidades graves, evitam sequelas e mortes, além de reduzir consultas e internações. Do ponto de vista coletivo, restringe a circulação de doenças mais comuns, assim como contribui para a imunidade coletiva, beneficiando toda a população”, ressalta. Metas não atingidas Segundo o Anuário, nenhuma vacina infantil do calendário nacional atingiu a meta de cobertura em todos os estados, com destaque negativo para poliomielite, meningococo C, Hib e varicela, para as quais nenhum estado alcançou a meta naquele ano. A situação da vacina meningocócica C é considerada crítica, pois nenhum estado cumpriu a meta entre 2021 e 2023. O pediatra da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, esclarece que só a educação contínua e bem fundamentada é que pode reverter essa confiança que foi abalada a respeito das vacinas. “Temos que ter uma política de saúde pública que garanta o acesso às vacinas, porque não adianta a gente insistir com os pais para vacinar os bebês se as vacinas não estiverem disponíveis”. “E tem que haver uma política global da sociedade a respeito de que a vacina confere a proteção individual, mas também tem um papel social, já que a imunização de uma pessoa leva a proteção das outras ao seu redor. E se todos ao seu redor estiverem imunizados, a chance da entrada de alguma doença infecciosa do exterior se propagar dentro do Brasil diminui. Só a educação e o convencimento podem gerar um índice maior de vacinação”, acrescenta. Freire destaca que é essencial investir em campanhas educativas, combater fake news, envolver líderes comunitários e influenciadores digitais que se comuniquem bem com os pais. “Além de garantir transparência nas informações sobre vacinação na rede pública e privada. Há sinais positivos que os índices vão se manter em ascensão. Mas, o crescimento depende da continuidade das políticas públicas, do combate à desinformação e do engajamento da sociedade”, finaliza.

Setor de mercadinhos tem abertura de 29 mil novos negócios

Pequenos comércios alimentares, como minimercados, mercearias, armazéns e mercadinhos, estão em rápida expansão no Brasil. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, mais de 29 mil novos CNPJs foram abertos nesse segmento, conforme dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae. Isso representa, em média, 162 novas empresas por dia, quase sete a cada hora. Na comparação com o primeiro semestre de 2024, que teve a abertura de 27,1 mil negócios, houve um aumento de 8,5%. O levantamento também aponta que cerca de 70% dessas novas empresas foram formalizadas na categoria de microempreendedor individual (MEI). Esse crescimento expressivo no número de aberturas de mercadinhos está diretamente ligado a um conjunto de fatores econômicos, sociais e comportamentais que têm moldado o ambiente de negócios no país. Para especialistas, a combinação de busca por autonomia financeira e valorização do consumo local contribui significativamente para esse movimento. “Nos momentos de instabilidade econômica, como a que o Brasil enfrentou nos últimos anos, muitas pessoas optam por abrir o próprio negócio como alternativa ao desemprego ou à informalidade. O setor de mercadinhos, por ter uma barreira de entrada mais baixa e por atender uma demanda essencial, a alimentação, torna-se uma opção viável para empreender com menor risco”, explica a economista Paula Tavares. Esse crescimento também é alimentado pelo comportamento dos consumidores, que passaram a valorizar ainda mais os comércios de proximidade, salienta Paula. “Durante e após a pandemia, as pessoas redescobriram o comércio local. A ideia de comprar no mercadinho do bairro, que conhece os clientes pelo nome, passou a representar não só conveniência, mas também confiança e solidariedade. Isso criou um ambiente fértil para o surgimento de novos empreendimentos”. A alta no número de mercadinhos traz impactos diretos para a economia nacional, sobretudo na geração de empregos e na movimentação do comércio local. Cada novo ponto de venda cria oportunidades para fornecedores, transportadores, pequenos produtores e profissionais de diversos setores, como contabilidade, marketing e tecnologia. “O varejo alimentar é um dos setores mais capilarizados do Brasil. A abertura de um mercadinho movimenta toda uma cadeia produtiva, que vai desde o agricultor familiar até o entregador de aplicativo, segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas respondem por mais de 60% das contratações no país. Estamos falando de um modelo de negócio que não só absorve a mão de obra local, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, explica Daniel Cardoso, analista de mercado. Ele destaca ainda que esses pequenos negócios têm se adaptado rapidamente às mudanças no comportamento de consumo, incorporando ferramentas digitais como maquininhas de pagamento, delivery via WhatsApp e vendas por aplicativos, mesmo em regiões mais afastadas dos grandes centros. “A digitalização desses negócios potencializa o faturamento e amplia o alcance, o que pode garantir a sobrevivência em um ambiente altamente competitivo”, afirma. Além do impacto direto nos empregos e na circulação de renda, os mercadinhos desempenham um papel social relevante, especialmente em comunidades onde o acesso a grandes redes varejistas é limitado. Em muitos casos, são os únicos pontos de venda de alimentos e produtos essenciais em determinadas regiões. Paula acredita que o desafio, a partir de agora, será garantir a longevidade desses novos empreendimentos. “Mais importante que abrir, é manter o negócio em funcionamento. Isso exige capacitação, gestão financeira eficiente, escuta ativa dos clientes e capacidade de adaptação. O Sebrae, inclusive, oferece programas específicos de apoio ao pequeno comerciante para enfrentar essas etapas”.

Violência obstétrica traz impactos para gestante e bebê

A violência obstétrica no Brasil segue como uma grave violação de direitos humanos, afetando milhares de mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Embora o termo ainda gere debate, relatos de desrespeito, negligência, intervenções desnecessárias e ausência de escuta continuam frequentes em hospitais e maternidades. Práticas como impedir a presença de acompanhantes, negar informações ou desconsiderar a dor e as escolhas da gestante refletem um modelo de cuidado autoritário e desumanizado. Apesar de políticas públicas como a Rede Cegonha e diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) que incentivam o parto humanizado, o país ainda enfrenta obstáculos para garantir um atendimento verdadeiramente centrado na mulher. Falta capacitação contínua das equipes, mecanismos de responsabilização institucional e, sobretudo, escuta ativa das usuárias do sistema de saúde. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a médica e membro da diretoria da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Mariana Seabra. O que pode ser considerado violência obstétrica? Prefere-se o uso da expressão “violência contra a gestante” em vez de “violência obstétrica” para enfatizar a proteção dos direitos da mulher e evitar a redução do problema a críticas profissionais. Essa terminologia amplia o debate ao reconhecer a violência como um fenômeno estrutural, relacionado a práticas institucionais que desconsideram a escuta, a singularidade e o protagonismo feminino. A violência contra a gestante inclui desrespeito, negligência e maus-tratos durante a gestação, parto e pós-parto, violando direitos humanos e afetando a saúde física e emocional da mulher. Como é possível identificar este tipo de violência? A violência contra a gestante pode ser reconhecida principalmente pelos relatos das mulheres, que expressam sofrimento, constrangimento ou falta de acolhimento durante a gestação, parto ou puerpério. Também se manifesta em práticas institucionais rígidas e despersonalizadas, que ignoram a individualidade feminina. Muitas vezes, essas situações são naturalizadas e não reconhecidas como violência, o que reforça a importância de valorizar a escuta das mulheres. Quais as consequências físicas e mentais que essa violência pode trazer? As consequências variam desde traumas físicos evitáveis até marcas emocionais profundas, como depressão pós-parto, ansiedade, medo de futuras gestações ou mesmo transtorno de estresse pós-traumático. Além disso, a violência contra a gestante pode afastar mulheres dos serviços de saúde, comprometer a amamentação, dificultar o vínculo com o recém-nascido e perpetuar ciclos de sofrimento que afetam toda a família. Quais medidas poderiam ser tomadas para diminuir esses casos? Enfrentar a violência contra a gestante requer um compromisso coletivo e ações coordenadas em diferentes níveis do sistema de saúde. É fundamental investir em formação ética e técnica continuada das equipes de saúde, revisar os fluxos e protocolos institucionais, e fomentar uma cultura organizacional que valorize o cuidado respeitoso e centrado na mulher. É necessário ampliar espaços de escuta qualificada, garantir transparência nas denúncias e fortalecer políticas públicas baseadas em evidências, em justiça reprodutiva, mas também que assegurem condições dignas de trabalho às equipes de saúde. Você acredita que há despreparo das equipes de assistência médica ao lidar com mulheres? Em muitos contextos, ainda há insuficiência na formação em temas como comunicação empática, diversidade, escuta ativa e respeito à autonomia. Isso não significa necessariamente falta de preparo técnico, mas, algumas vezes, uma reprodução de padrões históricos e estruturais que invisibilizam as experiências das mulheres, sobretudo das que estão em situação de maior vulnerabilidade. Mais do que culpar indivíduos, é preciso transformar a lógica institucional do cuidado. Faltam ações que possam ser úteis na estruturação de políticas públicas, leis e boas práticas no Brasil? Apesar de avanços como a Rede Cegonha, o Brasil ainda enfrenta desafios na implementação de políticas que garantam um cuidado respeitoso à gestante, com falhas em monitoramento, responsabilização e escuta das usuárias. A OMS e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) alertam para a urgência de tratar essas práticas como violações de direitos humanos. É essencial fortalecer o diálogo entre áreas técnicas, políticas e sociais, colocando as experiências das mulheres no centro das decisões. O cuidado respeitoso deve ser um dever ético, clínico e institucional.

Cresce o número de acidentes com motos em Belo Horizonte

Nos últimos seis anos, Belo Horizonte registrou um crescimento de 56,18% nos acidentes envolvendo motociclistas, conforme informações do Painel de Acidentes de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em 2018, foram contabilizadas 13.158 ocorrências, número que subiu para 20.553 em 2024, o que representa, em média, dois acidentes por hora. O único recuo no período foi observado em 2020, ano marcado pelo início da pandemia. A partir de 2021, os índices voltaram a subir significativamente, coincidindo com o início da operação de um serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo na cidade. Em 2025, até o mês de agosto, já foram registrados 12.057 acidentes. Para o engenheiro de transportes Carlos Antunes, o aumento expressivo está diretamente ligado à intensificação do uso das motocicletas como meio de trabalho. “Com a popularização dos aplicativos de entrega e, mais recentemente, de transporte de passageiros, muitos jovens passaram a enxergar na motocicleta uma forma rápida e acessível de gerar renda. No entanto, o crescimento desse mercado não foi acompanhado por políticas públicas de capacitação, fiscalização e infraestrutura voltadas para essa categoria de condutores”. Segundo Antunes, o problema vai além do comportamento individual dos motociclistas. “Estamos falando de uma falha sistêmica. A cidade não está preparada para receber um fluxo tão intenso de motos. Falta sinalização adequada, faixas exclusivas, fiscalização de velocidade e educação no trânsito para todos os atores envolvidos, inclusive motoristas de carros e ônibus que dividem o espaço urbano com os motociclistas”. Para a ortopedista Mariana Lopes, que já atendeu vítimas de acidentes de moto, os ferimentos costumam ser graves. “Quedas em alta velocidade, colisões com carros e atropelamentos geram lesões severas, como fraturas expostas, traumatismos cranianos e amputações. Muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes ou, em casos mais extremos, não resistem”. Ela reforça que o uso inadequado de equipamentos de proteção ainda é um problema recorrente. “É comum vermos motociclistas com capacetes de baixa qualidade ou mal ajustados, sem luvas, jaquetas, botas ou outros itens que poderiam minimizar os impactos em caso de queda. A fiscalização precisa ser mais rigorosa, mas também é necessário investimento em campanhas educativas e em políticas que incentivem a segurança no trabalho desses profissionais”. O poder público deve buscar alternativas para conter os acidentes, destaca Antunes. “É necessário mapear os principais pontos de ocorrência de acidentes com motociclistas para implementar intervenções no trânsito, como melhorias na sinalização e na iluminação pública. Além disso, dialogar com os representantes das empresas de aplicativo para buscar soluções conjuntas, como cursos de direção defensiva e incentivos à manutenção dos veículos”. De acordo com o especialista, um dos maiores desafios é alcançar os motociclistas autônomos. “Muitos trabalham por conta própria e estão fora do radar das empresas ou dos sindicatos. Precisamos criar mecanismos que os incluam nas políticas públicas e ofereçam suporte técnico e educacional para que possam atuar com mais segurança”. Além das ações locais, Antunes defende uma política nacional voltada para os motociclistas, com regulamentação clara do transporte por aplicativo em duas rodas, linhas de financiamento para equipamentos de segurança e programas de educação no trânsito nas escolas e nos centros de formação de condutores. Essas medidas visam reduzir acidentes e valorizar a categoria. “Enquanto as soluções não chegam, o número de acidentes continua crescendo, deixando cicatrizes profundas não apenas nas vítimas e suas famílias, mas em toda a sociedade. O que antes era visto como um meio de locomoção ágil e econômico, agora se revela um dos maiores desafios para a segurança no trânsito de Belo Horizonte e de várias outras cidades brasileiras”, conclui.

Mulheres sofrem mais com a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Caracterizada pela necessidade irresistível de movimentar as pernas, principalmente durante o repouso ou à noite, a enfermidade pode trazer impactos significativos para a qualidade de vida dos pacientes. Embora possa afetar qualquer pessoa, estudos indicam que a síndrome é mais frequente em mulheres, sobretudo naquelas que passaram por múltiplas gestações e em pessoas com mais de 40 anos. O desconforto costuma se intensificar à noite, prejudicando o sono e resultando em consequências como fadiga diurna, alterações de humor e dificuldades cognitivas. “É uma doença que pode ser primária, ligada a fatores genéticos e transmissão familiar, ou secundária, associada a patologias como deficiência de ferro e diabetes. Ela prejudica extremamente a qualidade do sono dessas pacientes, diminuindo a capacidade intelectual e aumentando a fadiga durante o dia”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Entre as causas associadas à síndrome das pernas inquietas estão condições como artrite reumatoide, insuficiência renal, diabetes e algumas doenças neurológicas. A relação com distúrbios do sono é um dos pontos mais preocupantes, já que a privação do descanso adequado pode comprometer atividades cotidianas, produtividade no trabalho e até a saúde mental. De acordo com Rezende, os principais fatores de risco são a deficiência de ferro e a gravidez. “Cerca de 20% a 25% das mulheres apresentam sintomas durante a gestação, principalmente no terceiro trimestre. A menstruação reduz a concentração de ferro no organismo, tornando as mulheres mais vulneráveis à síndrome”. O diagnóstico ainda é um desafio, pois muitos confundem os sintomas com cãibras, má circulação ou simples nervosismo. Segundo Rezende, identificar os sinais de alerta é essencial para evitar a progressão e buscar tratamento adequado com um especialista. “Não existe um sinal de alerta específico. O que deve ser levado em conta é que, se o paciente não relatar a sensação de pernas inquietas, dificilmente o médico perguntará. Muitas vezes, o profissional trata o distúrbio do sono, mas não investiga a causa real”. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos mais leves, recomenda-se investir em estratégias não farmacológicas, como massagens, alongamentos, exercícios aeróbicos e higiene do sono. Já para situações moderadas a graves, podem ser prescritos medicamentos de uso contínuo ou em períodos específicos. “Os principais tratamentos hoje incluem a pregabalina, medicamentos antiparkinsonianos e a reposição de ferro. Em casos muito refratários, até opioides podem ser usados para tentar melhorar a qualidade do sono. Além disso, terapias também podem auxiliar”, detalha o reumatologista. Apesar de a ciência avançar, o especialista afirma que ainda não existem grandes novidades no campo da síndrome das pernas inquietas. O diagnóstico continua sendo clínico, dependendo do relato do paciente, e o tratamento apresenta bons resultados em cerca de dois terços dos casos. “A importância de procurar um especialista é fundamental. Reumatologistas e neurologistas clínicos são os profissionais mais indicados para diagnosticar e tratar a síndrome, ajudando os pacientes a recuperar qualidade de vida”, finaliza.

ACM Neto articula nome de Aécio para disputar o Planalto em 2026

Em Brasília e em Belo Horizonte, comentários indicam um novo projeto político para o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB). Trata-se de um entendimento com o objetivo de incentivar a candidatura do mineiro à Presidência da República. Isso começou a reverberar depois que o governador Romeu Zema (Novo) se lançou ao pleito majoritário, em São Paulo. Fontes garantem que o tema vem sendo tratado entre Aécio Neves e seu maior incentivador, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. O político baiano é pré-candidato a governador do seu estado e vice-presidente do União Brasil, um partido de enorme visibilidade, principalmente após a formação de uma federação com o PP, a denominada União Progressista, com mais de cem parlamentares. Toda essa estrutura, se colocada à disposição de uma eventual empreitada a favor de Neves, poderia fazer toda a diferença, tanto do ponto de vista de capilaridade quanto em relação a recursos financeiros. Essa aposta no nome do ex-governador de Minas Gerais para uma empreitada nacional não é de agora. Há o registro de algumas sinalizações, como a escolha do amigo de Aécio Neves, o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, para presidir o PSDB, sigla que também tem coligação a partir da formatação de uma federação com o Cidadania. Eduardo Leite Nos bastidores da Câmara dos Deputados circulam informações que merecem análise dos matemáticos da política brasileira. Um exemplo é a saída do PSDB do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, quando ainda falta mais de um ano e meio para as eleições. À época, quando se filiou ao PSD a convite do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, todos entenderam que se tratava de uma opção por um partido de maior visibilidade, visto que Leite tem projeto de se candidatar a presidente. Ao decidir deixar o ninho dos tucanos, muito possivelmente o governador do Rio Grande do Sul já tinha conhecimento das primeiras manifestações em prol de Aécio Neves rumo ao Palácio do Planalto. Eduardo Leite não quis correr o risco de ficar isolado dentro de seu próprio partido político. Essa possibilidade do pleito de 2026 contar com Aécio Neves como candidato à Presidência da República pode ser apenas uma ideia. No entanto, outro forte nome nos bastidores do União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, esteve em Belo Horizonte na semana passada. Ele participou de um evento do segmento empresarial, circulou pelos meandros políticos e visitou a Associação Mineira de Municípios (AMM). Na sede da entidade, esteve com prefeitos e membros da diretoria da Associação, quando propalou a respeito da sua pré-candidatura sem dar muitos detalhes. “É hora da união dos políticos de centro para extirpar de vez o poder do PT e da esquerda brasileira”, comentou.

10% dos idosos no Brasil já sofreram algum tipo de violência

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e revelou a gravidade da violência contra idosos no Brasil. Cerca de 10% deles relatam ter sofrido algum tipo de agressão. Entre os tipos, a psicológica foi a mais recorrente (9,63%), seguida pela física (1,56%). Os fatores mais associados à violência foram: idade entre 60 e 69 anos, viver em áreas urbanas, sintomas depressivos e presença de múltiplas doenças. A ausência de parceiro íntimo se mostrou um fator de risco para a violência entre idosas, diferindo do perfil de mulheres mais jovens. A taxa de violência entre mulheres em áreas urbanas chegou a 11,55%, frente a 7,63% nas zonas rurais. Entre os homens, essa diferença foi menor: 9,07% nas cidades e 7% no campo, indicando maior vulnerabilidade feminina em contextos urbanos. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a responsável pelo estudo, a pesquisadora Fabiana Martins Dias de Andrade. Você acredita que a sociedade reconhece plenamente o que é violência contra esse grupo? A sociedade ainda não reconhece plenamente o que é violência contra as pessoas idosas. Embora existam legislações, ações e ampliação do debate público sobre a temática, muitos tipos de violência ainda são invisibilizados, seja por falta de conhecimento ou até mesmo por naturalização desse evento na sociedade. Quais são os principais impactos físicos e psicológicos na vida de uma pessoa idosa que sofre agressão? A violência contra a pessoa idosa pode causar inúmeras consequências físicas e psicológicas, o que pode agravar as condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Podemos destacar as lesões corporais como hematomas, fraturas, queimaduras, cortes e escoriações. Também existe o comprometimento da mobilidade (quedas provocadas por agressões ou negligência podem levar à perda de independência), além de desnutrição, desidratação e complicações médicas devido à falta de cuidados. Em relação aos efeitos psicológicos, depressão, ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, insônia, declínio cognitivo e até mesmo ideação suicida. Como sintomas depressivos e multimorbidades contribuem para a exposição à violência? Os sintomas depressivos e as multimorbidades (presença de duas ou mais doenças crônicas em uma mesma pessoa) contribuem para o aumento significativo da vulnerabilidade da pessoa idosa à violência. A depressão causa sentimentos de isolamento e apatia, reduzindo a capacidade do idoso de reagir ou denunciar a agressão. Já as multimorbidades aumentam a dependência física e emocional de cuidadores, tornando o idoso mais vulnerável a negligências e as demais formas de violência. A subnotificação é um problema comum nesse tipo de crime? Sim, o tema da violência é estigmatizado. Os idosos têm vergonha e medo de denunciar por depender da pessoa (geralmente, o agressor é um familiar ou cuidador). Já nos serviços de saúde, os profissionais ficam com receio devido ao medo de represálias. Quais medidas concretas poderiam ser tomadas a partir dos resultados desse estudo? Diversas medidas podem ser adotadas para enfrentar a violência contra idosos, como o desenvolvimento de políticas públicas que reduzam desigualdades sociais e de gênero, além da ampliação e qualificação dos serviços de assistência social. É essencial criar centros de acolhimento temporário para vítimas em risco, implementar programas de visitas domiciliares regulares a idosos vulneráveis e promover campanhas de conscientização sobre etarismo e relações intergeracionais.