
A proximidade do Carnaval de 2026 já começa a impactar a hotelaria de Belo Horizonte. Logo na primeira semana de janeiro, a taxa média de ocupação dos hotéis da capital gira entre 70% e 75%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), estabelecimentos localizados nas áreas próximas aos principais circuitos carnavalescos apresentam níveis de reserva perto do limite.
De acordo com a entidade, o quadro aponta para uma procura mais antecipada do que a registrada em anos anteriores, em sintonia com a estimativa de aumento do público do evento. Ainda é possível encontrar vagas, sobretudo em hotéis fora do hipercentro e em áreas com melhor conexão viária, o que evidencia o papel da mobilidade urbana na distribuição dos visitantes pela cidade.
Conforme levantamento do Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2025, a ocupação média da rede hoteleira de Belo Horizonte durante o Carnaval ultrapassou 87%. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, com chance de a taxa se aproximar de 100% em uma parcela expressiva dos meios de hospedagem.
Na avaliação da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), a previsão é de um aumento em torno de 10% no número de foliões em comparação ao ano anterior, com a possibilidade de o Carnaval atrair aproximadamente 6,5 milhões de participantes.
“Hoje, o visitante entende que BH deixou de ser uma aposta e se tornou uma certeza no calendário do Carnaval brasileiro. A cidade conseguiu criar um modelo próprio de festa, que mistura espontaneidade, organização e forte apelo cultural. Isso atrai desde jovens em busca de grandes blocos até famílias e turistas interessados em experiências mais tranquilas”, avalia a turismóloga Ana Carolina Costa.
Investimentos em mobilidade urbana e na organização dos circuitos têm ajudado a distribuir melhor o fluxo de foliões pela cidade, ampliando o impacto positivo para bairros além do hipercentro, esclarece Ana Carolina. “Quando o turista se hospeda fora da região central e consegue se deslocar com facilidade, consome em mais lugares, movimentando bares, restaurantes, comércio e serviços em diferentes pontos da capital”.
Os reflexos econômicos desse movimento já são sentidos antes mesmo do início oficial da folia. Com hotéis cheios, cresce a demanda por mão de obra temporária, serviços de transporte, alimentação, produção cultural e eventos. A cadeia produtiva envolve desde costureiras e músicos até empresas de logística, segurança e limpeza urbana.
“Quando milhões de pessoas chegam a Belo Horizonte, elas passam a demandar hospedagem, alimentação, transporte, lazer e serviços em geral. Isso gera um efeito imediato no faturamento de hotéis, restaurantes, bares, aplicativos de mobilidade, táxis, comércio e prestadores de serviço”, destaca o economista Carlos Mendonça.
Outro impacto relevante está na geração de empregos temporários. Durante o período que antecede e inclui o Carnaval, há uma alta na contratação de trabalhadores para funções como recepção, limpeza, segurança, atendimento, produção cultural, montagem de estruturas e logística. “Essas vagas são fundamentais para complementar a renda de muitas famílias e reduzir a informalidade em um período concentrado do ano”, afirma.
Além disso, muitos profissionais autônomos, como ambulantes, músicos, técnicos de som e artistas, encontram no Carnaval uma das principais oportunidades de ganho do calendário anual.
Com o aumento da atividade econômica, cresce a coleta de impostos municipais, como o ISS, além de taxas e tributos ligados a eventos, hospedagem e serviços. Esses recursos, segundo Mendonça, podem ser reinvestidos em áreas essenciais. “Quando bem planejado, o Carnaval gera receita que pode retornar para a população na forma de melhorias urbanas, infraestrutura, mobilidade e políticas culturais”.
Há ainda benefícios em médio e longo prazo, como a visibilidade nacional conquistada por Belo Horizonte como destino carnavalesco, que fortalece a imagem da cidade e estimula novas visitas ao longo do ano. “Muitos turistas que conhecem BH no Carnaval retornam em outros períodos, seja para eventos culturais, gastronomia ou negócios. Isso ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo e cria um fluxo mais constante de visitantes”, conclui Ana Carolina.