Santuário do Caraça já recebeu uma média de 70 mil visitantes este ano

Localizado em Catas Altas, região Central do Estado, o Santuário do Caraça possui mais de 12 mil hectares e é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de integrar uma área destinada às Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço e da Mata Atlântica, reconhecidas pela Unesco. Em 2025, o local já recebeu mais de 20 mil hóspedes e 70 mil visitantes, superando a média do ano passado. Recentemente, o Santuário lançou um novo e abrangente roteiro para que os visitantes possam ver e vivenciar o destino turístico de forma mais aprofundada. Desenvolvido a partir de uma padronização meticulosa de todo o seu acervo narrativo, este roteiro guiado transforma a visita ao complexo em uma jornada imersiva, que vai muito além das exposições tradicionais do museu, abraçando a grandiosidade da Igreja e outros marcos emblemáticos. O gerente-geral do Santuário, Pablo Azevedo, explica que o que motivou a reformulação do roteiro histórico são os vários temas com potencial e atrativo turístico para criar pequenos esquemas para entretenimento do visitante e do hóspede do Santuário do Caraça. “A gente padronizou todo o itinerário do Centro Histórico, com todas as informações, desde a idealização do irmão Lourenço, a constituição do colégio e o início da hospitalidade”. Ele complementa dizendo que a nova versão se diferencia das outras experiências na sua completude. “Que foi a nossa preocupação de padronizar e tornar esse roteiro do Centro Histórico o mais completo possível, dentro das fontes que possuímos no Santuário. Fontes fidedignas e também que trazem um pouco da fantasia, como alguns mitos que existem dentro da história do Caraça e dos seus criadores”. O Santuário é um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais e do Brasil, afirma o gerente- -geral. “O local tem uma importância muito grande. A história do Estado se confunde com a do Caraça, ou vice-versa, pois daqui é a origem de várias questões da nossa cultura, religiosidade, educação e gastronomia. Em um lugar só, conseguimos contemplar toda essa riqueza cultural, associada à riqueza do conjunto arquitetônico. Além dessa reserva particular preservada do patrimônio natural e que tem uma beleza ímpar”. Experiência Através do novo roteiro, os organizadores prometem que os visitantes serão transportados aos primórdios, desde a chegada do enigmático Irmão Lourenço, em 1770, que escolheram a serra do Caraça para erguer o seu eremitério e a primeira ermida dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Conhecerão a definição da palavra “Caraça”, dada pelos Bandeirantes, e seu significado em tupi-guarani, “desfiladeiro ou bocaina”, em referência ao portentoso vale entre os Picos do Sol e do Inficionado, promovendo uma experiência enriquecedora e profundamente imersiva. O legado educacional e o renascimento do Santuário são detalhados no roteiro. Para uma profunda reflexão, o projeto inclui também as catacumbas, localizadas no subsolo da igreja, que são o local de sepultamento de padres e irmãos que dedicaram suas vidas ao Santuário, guardando séculos de devoção. Também terá uma visita à Biblioteca do Caraça, com um acervo de mais de 20 mil livros. Sem falar, das diversas trilhas que podem ser realizadas com ou sem guias, levando a cachoeiras deslumbrantes como a Cascatinha e a Cascatona, e os Picos do Sol e do Inficionado, que oferecem vistas panorâmicas. Azevedo ressalta que a receptividade do público tem sido positiva. “As avaliações são as melhores possíveis, os atuais monitores/guias que fazem essa visita do roteiro histórico dominam muito bem o assunto e conseguem permear todo o roteiro com facilidade e discorrer de todos os assuntos e outras curiosidades, sendo um passeio bem completo”. O Santuário do Caraça está localizado na Estrada do Caraça, km 9, entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. A taxa de entrada é de R$ 35 em dias de semana, e R$ 45 aos finais de semana. Os moradores de Barão de Cocais, Catas Altas e Santa Bárbara possuem 50% de desconto e entrada gratuita na primeira quarta-feira de cada mês. Mais detalhes do roteiro estão no site santuariodocaraca.com.br.
País bate recorde e registra mais de 7 milhões de turistas internacionais

Os visitantes estrangeiros movimentaram R$ 32,5 bilhões (US$ 6,044 bilhões) no Brasil, em despesas como hospedagem, alimentação, transporte, lazer e compras, de janeiro a setembro, conforme dados do Banco Central. O valor é o maior já registrado na série histórica para o período e representa uma alta de 11,7% em relação ao mesmo período de 2024, que detinha a marca de US$ 5,4 bilhões. No período, o país alcançou exatos 7.099.237 turistas internacionais, volume 45% superior ao do mesmo intervalo do ano passado. Em apenas nove meses, foi ultrapassado o recorde anual anterior, de 2024, quando 6.773.619 visitantes estrangeiros vieram ao Brasil. O desempenho até aqui também supera a meta anual estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027, que previa a chegada de 6,9 milhões de estrangeiros para este ano. “Não há dúvidas de que o turismo é uma potente atividade econômica. Estamos falando de centenas de milhões de dólares injetados por turistas internacionais em nossa economia a cada mês. O resultado disso é geração de empregos, de renda para o povo brasileiro e de desenvolvimento social para comunidades que têm no turismo sua principal atividade. Colocando o Brasil cada vez com mais espaço nas prateleiras do mercado global e nessa tendência de recordes históricos”, destaca o presidente da Embratur, Marcelo Freixo. O mestre em economia, Heldo Siqueira, explica que essa movimentação financeira é fruto do aumento do número de turistas. “O maior índice de visitantes foi da Argentina. Suponho que este fato decorre do câmbio argentino ter permanecido relativamente valorizado ao longo do ano, o que torna as viagens ao Brasil mais baratas”. “São 1,96 milhão de turistas argentinos visitando o país, seguido pelos Estados Unidos, que aparecem com apenas 728 mil. Ou seja, a continuidade da ampliação do turismo depende da expansão da economia argentina, mesmo que a economia americana não apresente resultados positivos ao longo de 2025. Neste sentido, acredito que haja uma relativa saturação que pode fazer os índices de crescimento do setor estabilizarem-se para os próximos anos”, acrescenta. O aumento de 11,7% é bem expressivo, quando se compara com o crescimento da economia como um todo que deve ficar em 2,4%, afirma o economista. “Em uma situação assim, o normal é que haja uma desaceleração. Isso não significa que o avanço não seja sustentável, mas deve retornar ao patamar de expansão do restante da economia brasileira ou dos países que tem no Brasil seu destino turístico”. Forte Avanço Setembro também registrou forte avanço. O mês fechou com receita de US$ 595,6 milhões, salto de 12,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando a entrada de divisas do turismo ficou em US$ 530,3 milhões. Também foi registrado o maior número de chegadas de turistas internacionais da série histórica: 570.934 de visitantes, um aumento de 28,2%. Empregos no setor Siqueira ressalta que o turismo representa algo em torno de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), figurando como uma atividade importante para o país. “A maior parte dos trabalhadores têm até o ensino médio, 94,2%, sendo que 14,4%, até o ensino fundamental. O setor é relevante, principalmente para a população que tem menos oportunidades de colocação. Nos 12 meses anteriores a julho de 2025, o país tinha criado 207 mil empregos de carteira assinada. Trata-se de um número bastante expressivo, considerando-se que se trata de uma parte da população de mais baixa renda”, finaliza. Segundo uma pesquisa do World Travel & Tourism Council (WTTC), o setor de turismo deve gerar 8,3 milhões de empregos até o final de 2025, responsável por quase 8% do total de postos de trabalho do país. A contribuição econômica deve atingir US$ 167,6 bilhões, o equivalente a 7,7% do PIB nacional. Para 2035, o WTTC projeta que o segmento chegará a 9,7 milhões de empregos e quase US$ 199 bilhões de participação no PIB.
Despesas com a PM são maiores do que com outras polícias

Segundo a pesquisa nacional “O Funil de Investimentos da Segurança Pública e do Sistema Prisional”, elaborada pelo centro de pesquisa Justa, há desproporcionalidade na distribuição dos gastos dentro das polícias. As Polícias Militares (PM), responsáveis pelo patrulhamento e policiamento ostensivo, tiveram 59,7% dos recursos, com R$ 52,2 bilhões gastos em 2024. Já as Polícias Civis, encarregadas da investigação dos crimes e registros de ocorrências, contaram com 23% dos gastos (R$ 20,2 bilhões). E as polícias técnico-científicas, especializadas na produção de provas técnicas, receberam R$ 2,5 bilhões, apenas 3% do total gasto. Para entender mais sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com a professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, Ludmila Ribeiro. Como a desproporcionalidade na distribuição de recursos entre as polícias pode impactar a efetividade da segurança pública? Já tem um tempo que essa desproporcionalidade aparece e de certa maneira, o que esse resultado indica é uma prevalência do modelo de policiamento ostensivo, que é essa ideia de que apenas a polícia na rua seria capaz de prevenir crimes. Esse tipo de modelo pode até funcionar, quando falamos, por exemplo, de dinâmicas relacionadas a furtos e roubos. A grande questão é que não existe só um único tipo de crime e essa prevalência de policiamento ostensivo faz com que tenha pouca possibilidade de pensar em outros modelos de segurança pública. E quando falamos sobretudo de dinâmicas mais relacionadas ao crime organizado, definitivamente não é a PM na rua que vai reduzir ou que vai mudar esse cenário. Que consequências podem surgir ao priorizar o policiamento ostensivo em detrimento da investigação? A consequência mais imediata é a perda da capacidade investigativa. Vamos perdendo a habilidade de entender, por exemplo, a dinâmica das fraudes on-line. Além do crime organizado, violência letal, troca de tiros, domínio territorial e venda de produtos falsificados. Tudo isso são dinâmicas que precisam de um pouco mais de inteligência, e como está investindo só em PM, fica muito difícil combater. Quais são os principais gargalos enfrentados pelas Polícias Civis por causa do orçamento reduzido? A transformação da Polícia Civil em um enorme cartório da Polícia Militar, ou seja, o que deveria ser material para fazer as investigações, para acessar o começo, se transforma no fim. A Polícia Militar traz o caso completo, e a Polícia Civil, como não tem capacidade de ir além, simplesmente despacha todas essas informações para dentro do Judiciário. O que explica a pouca valorização das perícias criminais dentro da estrutura policial? Primeiro é o fato de que esse é um trabalho ainda pouco visível, que é algo que acontece depois. Um governante qualquer quer ser bem avaliado e uma das formas, do ponto de vista da segurança pública, é a ideia de ter muita polícia na rua para prevenir crimes. Outro ponto é que há muitos policiais militares que se tornaram parlamentares nos últimos anos. Tem diversas pesquisas mostrando um pouco disso, são parlamentares policiais militares que vão tentar trazer mais recursos para suas respectivas corporações se protegerem de qualquer tipo de desconfiança ou fator que leve ao descrédito. E por último, a polícia científica entra depois que o crime aconteceu, é uma ideia um pouco fictícia de que se tiver muita polícia na rua não vai ter nenhum crime acontecendo e não vai precisar do trabalho técnico. Quais seriam os impactos de aumentar os recursos das polícias civis e técnico-científicas? Não é só aumentar o orçamento, mas é preciso ter um bom planejamento e que tipo de dinâmicas serão institucionalizadas. É ter recursos, ter um plano de carreira que faça com que, por exemplo, químicos, farmacêuticos, cientistas da computação queiram vir para a polícia técnica, realizar investigações e ajudar na elucidação de crimes. É muito importante também entender que sem investigação, nunca saberemos como esses crimes estão acontecendo, quais são os nós dessas redes que conectam esses sujeitos. E, exatamente por isso, fica cada vez mais difícil a desarticulação dessas redes de cometimento de crimes.
MTB e Trekking Estrada Real será realizado em Diamantina

A cidade de Diamantina, na região Central de Minas, vai receber a primeira edição do MTB e Trekking Estrada Real, que irá juntar a modalidade de ciclismo (mountain bike) com a caminhada (trekking). O evento será na Estrada Real, km 15, após o trevo de Extração (Curralinho) sentido Milho Verde, na Pousada Paraíso Real, no dia 16 de novembro. A edição vai contar com um MTB principal, com distância de 23,4 km, subida e descida total de 562 metros. Já o MTB reduzido será de 16 km de distância, com subida e descida total de 310 metros. O trekking será de 7,35 km de distância e subida e descida total de 225 metros. A inscrição custa R$ 98, que pode ser feita pelo Sympla, e que dará direito ao café da manhã; equipe de apoio; água, isotônico e frutas; medalha de participação; almoço e show ao vivo. O organizador do evento, Bruno Ribas, explica que o MTB e Trekking Estrada Real é voltado para amadores. “A atividade não é uma competição, por isso, não terá premiação. O número de participantes será de no máximo 60 pessoas, entre caminhantes e o pessoal do MTB. E será gratuito para quem quiser só assistir”. Segundo Ribas, a ideia de realizar o MTB e Trekking Estrada Real surgiu de alguns eventos organizados na Pousada. “E como a região possui uma beleza rara, com várias cachoeiras, podendo avistar até o Pico do Itambé, o passeio é muito agradável. Isso torna o papel da Estrada Real, no contexto turístico e histórico, mais interessante”. “Como essa é a primeira edição, já pensamos em fazer um próximo evento ou na cidade de Diamantina ou no vilarejo de Milho Verde, no ano que vem. Já que o ciclismo teve uma alta muito significativa durante a pandemia”, destaca. Perfil De acordo com uma pesquisa da Ticket Sports, que analisa o perfil do MTB no Brasil, quase metade dos respondentes (44,8%) pedala há mais de 10 anos. Já a entrada de novos praticantes segue tímida, apenas 5% começaram a pedalar no último ano. As barreiras de entrada incluem: custo elevado, dificuldade técnica, acesso a trilhas e a ausência de comunicação mais inclusiva, principalmente com o público jovem e feminino. O perfil do ciclista de MTB segue predominantemente masculino (86,3%), com uma queda na participação feminina em comparação com 2021, quando elas representavam 18,4%. Hoje, são apenas 13,7%. O Sudeste ainda concentra a maior parte dos praticantes (57,7%), mas perdeu 11% de representatividade. Quando perguntados sobre a principal motivação para competir, 50,5% apontaram o “desafio pessoal”. “Explorar novos lugares” (14,7%) e o “estilo de vida” (12,9%) vêm logo atrás. Os gastos mensais com manutenção variam: 47% desembolsam entre R$ 100 e R$ 300 por mês, enquanto 6,3% gastam mais de R$ 500. Inclusão A intérprete de Libras e professora, Sueli Glória, de 41 anos, vai participar do evento. “Meu marido e eu, tivemos o interesse em participar por ser uma cidade próxima do Serro, local onde moramos. Nós escolhemos a modalidade mountain bike, pois é um esporte que gostamos, e também porque conseguimos incluir a nossa filha. Ela pedala junto com a gente, em um veículo que chamamos de carretinha, uma bicicleta acoplada à nossa”. “Praticamos essa modalidade há algum tempo e com frequência, inclusive, na nossa cidade, temos uma associação esportiva que foi criada a partir de um pedal que nós fizemos no ano passado e foi um sucesso. Esse esporte é muito importante para minha família”, acrescenta. Ela finaliza dizendo que nunca participou de um evento como esse em Diamantina. “A gente já praticou essa modalidade em várias cidades, como São João Evangelista e Sete Lagoas, mas é a primeira vez que vamos fazer um pedal em Diamantina, estamos com grandes expectativas”. PROGRAMAÇÃO 7h15 – Café da manhã8h – Largada do MTB e do Trekking11h – Show ao vivo12h – Almoço
Projeto em quilombo de Paracatu incentiva a valorização da cultura

Localizado a quatro quilômetros do centro histórico de Paracatu, o Quilombo São Domingos tem um projeto que promove uma imersão ao território, valorizando a cultura africana no Brasil. Primeiro produto de afroturismo desenvolvido pelo Sebrae Minas no Estado, em conjunto com a própria comunidade e a prefeitura, promove um passeio pelos quintais e casas de uma comunidade quilombola. O programa realiza contação de histórias, produção de açafrão e rapadura, café com pão de queijo e bolo ancestral produzido por quem visita o local, oferecidos pelos próprios moradores do quilombo. O projeto de turismo de base comunitária lançou um Catálogo de Experiências Turísticas, em outubro, que valoriza a memória, a cultura e o modo de viver dos quilombolas do Noroeste de Minas Gerais. Os atrativos do Catálogo são: Aromas e sabores quilombolas; Bolo Zumbi – Sabor da resistência; Casa Museu, memórias e histórias; Engenho das tradições – Rapadura e história; Mãos que trançam histórias; Máscaras da caretagem – Mãos na massa com tradição; Ouro da Terra – Açafrão de São Domingos; Passos do Quilombo no Morro do Pineco; Quintal das memórias de Mida; Sabor de Minas no Quilombo; e Sabores ancestrais – Almoço no quilombo. Segundo a presidente da Associação Quilombola do São Domingos e coordenadora da Fábrica de Biscoitos, Irene dos Reis de Oliveira, a comunidade está preparada para receber os visitantes que queiram aliar história, cultura e diversidade aos amantes do afroturismo, estudiosos e pesquisadores. “Será um prazer enorme acolher as pessoas que desejam conhecer a nossa comunidade e apresentar todas as ações e tradições que temos aqui”. A analista do Sebrae Minas, Patrícia Rezende, destaca que Paracatu tem uma presença negra muito forte e um patrimônio cultural riquíssimo. “Estar no mapa do afroturismo significa reconhecer essa herança e transformar o território em um destino de identidade, orgulho e oportunidades. É dar visibilidade a uma história que sempre existiu, mas nem sempre foi contada”. “Ao permitir que as próprias comunidades contem suas histórias, fortalece a identidade quilombola. Cada oficina, cada produto e cada visita reforçam o orgulho e o valor da cultura afro-brasileira. O turismo aqui virou um meio de reafirmação da identidade e de transmissão de saberes para as novas gerações”, acrescenta. Patrícia afirma ainda que agora o foco é na divulgação dos produtos lançados. “Queremos atrair visitantes e fazer com que as pessoas venham conhecer de perto o quilombo e suas experiências. A ideia é consolidar o território como um destino de afroturismo. Quando as pessoas entendem o papel dos povos africanos na formação do Brasil, há uma possibilidade de mudança real de percepção e respeito”. Ela finaliza ressaltando os aprendizados com essa experiência. “Aprendemos que o tempo do território precisa ser respeitado. O desenvolvimento só acontece de verdade quando é feito com as pessoas e não para elas. O afroturismo nos mostrou que identidade, empreendedorismo e pertencimento podem caminhar juntos e gerar impacto duradouro”. Como vivenciar As Experiências Turísticas de São Domingos são fruto de um trabalho coletivo realizado pelo Sebrae Minas e Prefeitura Municipal de Paracatu, com apoio da Associação Comunitária e do Circuito Turístico Noroeste das Gerais e executado pela Macaúba Desenvolvimento Local e pela Raízes Desenvolvimento Sustentável. As experiências foram estruturadas por meio do programa Check-in Turismo, que estimula a valorização da cadeia do turismo, por meio do mapeamento das experiências e estruturação dos produtos. Para contratar as experiências é preciso entrar em contato com guias e condutores locais qualificados. As visitas devem ser agendadas com antecedência. Todas as informações necessárias estão disponíveis no perfil do Quilombo São Domingos no Instagram: @quilombosaodomingos.
Renda dos trabalhadores informais e autônomos cresce mais que a dos CLT

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda média dos trabalhadores informais, no segundo trimestre de 2025, cresceu 6,8%, se comparado com o mesmo período do ano passado. O mesmo aumento foi registrado para os profissionais autônomos, 5,6%. Já o ganho médio de quem tem carteira assinada foi de 2,3%. A renda média dos formais foi de R$ 3.171; dos autônomos, R$ 2.955; e dos informais, R$ 2.213. Segundo a pesquisa, em 2021, os salários dos trabalhadores CLT superavam os dos autônomos em 25%. Hoje, a distância caiu para 7,3%. A professora de economia da Una, Vaníria Ferrari, explica que o aumento da renda dos segmentos informais e autônomos significa maior poder de compra e maior consumo. “Isso impulsiona a economia, no entanto, pode acarretar aumento da inflação (de consumo). Por outro lado, se o crescimento da informalidade vier com menos direitos, menos proteção e menor contribuição, isso deve gerar aumento da vulnerabilidade econômica, ou seja, possibilidade de perdas futuras de renda, devido à imprevisibilidade da remuneração, causando desequilíbrios econômicos”. “Ainda temos que ressaltar a questão previdenciária, menor contribuição, maior risco de sustentabilidade da Previdência Social, consequentemente impactando a aposentadoria. Em 2024, os gastos com Previdência pelo Estado foram de 20,6% do total, só superado pela dívida pública. Dessa forma, se o governo passar a arrecadar menos com a informalidade, o pagamento da aposentadoria corre sérios riscos”, alerta. Impacto no mercado de trabalho Vaníria destaca alguns aspectos importantes que podem impactar o mercado de trabalho. “Muitos trabalhadores, ao terem a opção de um trabalho informal ou autônomo, veem melhores possibilidades de ganho, desestimulando o trabalho formal; e essa ‘migração’ para o trabalho informal, desestimulando o vínculo empregatício, pode pressionar os salários para cima, ou mesmo estimular as contratações via Pessoa Jurídica”. Esse aumento do trabalho informal, com melhores remunerações, gera uma alta da renda agregada, afirma a especialista. “E consequentemente avanço do consumo, o que pode representar crescimento econômico, mas também pode acarretar na alta da inflação; sem falar do impacto na arrecadação de INSS, além da aposentadoria pelo Estado”. A economista pontua também que a remuneração do trabalho informal, mesmo sendo “mensalmente” maior que o trabalho CLT, possui alguns pontos negativos. “Não possui benefícios como férias, 13º salário, plano de saúde, FGTS; e pode ser ‘imprevisível’, ou seja, não é uma remuneração fixa que o trabalhador recebe todo mês e pode programar financiamentos e projetos. Ele precisa ter mais controle financeiro para suprir meses com ganhos menores”. Recorde de carteira assinada Apesar do aumento da distância entre as rendas, o número de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada renovou seu recorde, chegando aos 39,229 milhões, mostrando estabilidade no trimestre encerrado em setembro. Na comparação anual, esse contingente cresceu 2,7% (mais 1 milhão de pessoas). Já o índice de empregados no setor público (12,8 milhões) ficou estável no trimestre e subiu 2,4% (mais 299 mil pessoas) no ano, segundo dados da Pnad Contínua. “O mercado de trabalho aquecido proporciona uma alteração do perfil das contratações, pois com menor disponibilidade relativa de mão de obra, as contratações somente acontecem com mais benefícios para os trabalhadores, como a carteira assinada”, ressalta o analista da pesquisa, William Kratochwill, por meio de nota. Já o índice de informalidade foi de 37,8% da população ocupada, ou o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores informais, repetindo os 37,8 % do trimestre móvel anterior. No entanto, esta taxa ficou abaixo dos 38,8% (ou 39,2 milhões de trabalhadores informais) do trimestre encerrado em setembro de 2024.
Sobe o índice de pessoas que convivem com a presença das facções e milícias

Segundo um levantamento encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) ao Instituto Datafolha, 19% dos brasileiros convivem com a presença de facções criminosas ou milícias em seus bairros, o índice cresceu cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior e é mais alto entre moradores de capitais (26%), grandes centros urbanos (26%) e da região Nordeste (28%). Ao menos 28,5 milhões de brasileiros vivem nessa situação. A pesquisa indica que 21% das pessoas entrevistadas relataram a existência em seus bairros de serviços de vigilância privada prestados por policiais de folga. E que 12% afirmaram haver cemitérios clandestinos, quatro pontos percentuais a mais do que em 2024. Além disso, 19% afirmam que notam a presença de “cracolândias” em seus trajetos do dia a dia, especialmente em capitais (27%) e grandes centros urbanos (28%). O professor de Ciências Sociais do UniArnaldo Centro Universitário, Luciano Gomes dos Santos, explica que o fortalecimento das facções e milícias nas periferias resulta de um longo processo histórico marcado pela desigualdade estrutural e pela ausência de políticas públicas efetivas. “Desde a formação das grandes cidades, especialmente a partir da urbanização acelerada do século 20, as periferias cresceram de maneira desordenada e sem a presença constante do Estado”. “Esse vazio institucional foi ocupado, ao longo das décadas, por grupos que passaram a oferecer ‘serviços’ como proteção, justiça informal e até assistência social que deveriam ser garantidos pelo poder público. Além disso, a herança de um modelo policial repressivo, herdado do período autoritário, gerou uma relação de desconfiança entre os moradores e o Estado, criando o ambiente propício para a atuação de grupos armados que se apresentam como alternativas de poder e autoridade local”, acrescenta. A presença de facções e milícias altera profundamente o tecido social das comunidades, pontua Santos. “Elas impõem normas de convivência, controlam o comércio, regulam o horário de funcionamento de estabelecimentos e até definem quem pode circular em determinadas áreas. O medo torna-se um elemento cotidiano, e as relações sociais passam a ser mediadas pela lógica do poder armado. E a juventude é o grupo mais vulnerável ao impacto das facções e milícias. A falta de perspectivas profissionais e educacionais, somada ao desejo de reconhecimento e pertencimento, torna os jovens alvos fáceis do recrutamento”. Violência Ainda segundo o estudo, de cada três brasileiros, dois afirmam terem sido vítimas de algum tipo de violência nos 12 meses anteriores à realização da pesquisa, um percentual de 66%. Roubados ou assaltados em casa, no transporte, na escola ou no trabalho foram 11%. Em um em cada quatro desses casos (25%), houve uso de arma de fogo, com maior incidência entre moradores de grandes centros urbanos e das classes A e B. A pesquisadora associada ao FBSP, Roberta Fernandes Santos, ressalta que a tendência é ter um quadro mais agudo de insegurança nesses territórios. “Pois, para diminuir o índice de pessoas que convivem com facções criminosas tem que ter uma decisão política, e muito trabalho com inteligência integrada, com estrangulamento financeiro, policiamento territorial qualificado, políticas urbanas e sociais de longo prazo, algo que foi feito em Medellín, na Colômbia, que levou anos para ter um resultado positivo”. Roberta cita também uma questão em relação à Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Que é aproximação das facções Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) com as gangues locais. Porque as gangues no passado não iam permitir que essas organizações ficassem nos seus territórios, mas hoje há um interesse extremamente financeiro. Obviamente, não tem ainda esse Estado paralelo que existe no Rio de Janeiro e São Paulo, mas há sinais de fortalecimento e com possibilidade de conflitos armados”. Sobre a megaoperação no Rio de Janeiro, a pesquisadora destaca que esses territórios, predominantemente periféricos, sofrem com esse tipo de ação. “O Estado tem que trabalhar com inteligência e ocupar o local com todos os órgãos que se fazem necessários para atender a comunidade. O Estado não pode fazer essas operações sem as prefeituras. O Rio se tornou a capital dos criminosos refugiados, justamente por essa ineficiência no enfrentamento à essas organizações”.
Número de fumantes no Brasil cresce após quase duas décadas

A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024. Um crescimento de 25% em apenas um ano, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde. É a primeira vez, em quase duas décadas, que o número de fumantes no Brasil aumentou, quebrando uma tendência histórica de queda. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta ainda que um em cada nove adolescentes afirma que usa cigarro eletrônico. A quantidade de usuários jovens já é cinco vezes o total daqueles que fumam o cigarro tradicional. Segundo o governo, o impacto total do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 153 bilhões por ano, sendo que apenas 5% desse valor é arrecadado em impostos com a venda de cigarros. No país, mais de 174 mil pessoas morrem a cada ano por doenças causadas pelo tabaco, sendo 55 mil por câncer. Já no mundo, são oito milhões de óbitos anuais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O pneumologista da Unimed-BH e presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SMPCT), Daniel Bretas, esclarece que esse aumento tem relação muito expressiva com as estratégias de mercado das indústrias tabagistas. “Seguindo toda essa tendência mundial de fazer dispositivos mais modernos; atrativos visualmente; com odores mais agradáveis; com fumaças mais bonitas, entre aspas; e a utilização de influencers na divulgação. São estratégias parecidas que eram feitas no passado, associadas a glamurização”. “Por fim, e talvez o mais importante, houve uma mudança do sal de nicotina. O cigarro convencional tem um sal de nicotina que leva uma irritação de via aérea superior, que foi modernizado no cigarro eletrônico, propiciando concentrações muito maiores e uma tendência do organismo de adaptação dessas quantidades tão grandes. Isso eleva o grau de vício que os cigarros eletrônicos têm em relação ao convencional”, complementa. Para Bretas, a elevação dos índices tem total relação com a entrada do cigarro eletrônico no mercado, não só no Brasil, mas no mundo todo. “A intensidade maior de crescimento de uso é entre as mulheres e estudos mostram que os pacientes que utilizam cigarro eletrônico têm um risco maior de utilizar o cigarro convencional e outras drogas. Podendo ainda funcionar como um degrau para outras formas de fumar até o cigarro convencional”. Danos à saúde O especialista ressalta que os principais riscos à saúde associados ao cigarro, de uma forma geral, é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que seria a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. “Além de câncer de pulmão e em outras localidades; acidente vascular cerebral; infarto agudo do miocárdio; e insuficiência vascular periférica, sabemos que as principais causas de amputações não traumáticas têm relação com tabagismo”. Sobre a exposição do tabagismo em crianças e adolescentes, a preocupação é muito grande, afirma o presidente. “Estamos inserindo essa parcela da população a grandes quantidades de nicotina. A nicotina, além de ter um poder de vício enorme, está associada a danos cardiovasculares. E isso traz um risco cada vez maior de ter mais precocemente infarto do coração, e acidente vascular cerebral, que são os derrames”. Velhos hábitos O administrador e consultor empresarial, Túlio Diniz, conta que o cigarro acaba virando um hábito diante de algumas situações do dia a dia. “Por exemplo, após almoço. E a principal dificuldade foi quebrar esses velhos hábitos já enraizados. Troquei o cigarro por bala nesses momentos. Superar um vício de mais de 25 anos não foi fácil e até hoje sinto vontade de fumar. A atividade física foi fundamental para essa conquista, pois junto, veio a alimentação saudável, melhora no sono, aumento de performance nos treinos e no trabalho, gerando resultados e satisfação”. Relacionado ao tema, a SMPCT está organizando uma corrida chamada “O2 Run: Abandone o Tabagismo Correndo”. Será realizada na Lagoa Seca, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, no dia 14 de dezembro. Link de inscrição: tbhesportes.com.br/ o2run/#1727983868380- -2e7f1314-126e.
Projeto de turismo seguro de mulheres recebe parecer favorável na Assembleia

Com intuito de promover a segurança e a autonomia das mulheres que viajam sozinhas ou em grupo e daquelas que trabalham no setor turístico, o Projeto de Lei (PL) 4.060/2025, que institui a Política Estadual de Estímulo ao Turismo Feminino Seguro no Estado, foi analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 28 de outubro. A Política Estadual tem como diretrizes: a promoção da criação e divulgação de roteiros e produtos turísticos voltados para o público feminino; o incentivo à implementação de medidas de segurança e assistência específicas para mulheres em estabelecimentos de hospedagem, transporte, alimentação e lazer; e articulação com órgãos e entidades de segurança pública para o desenvolvimento de protocolos de atendimento e proteção. Além do desenvolvimento de ações de sensibilização e capacitação para os prestadores de serviços turísticos sobre as necessidades e os direitos das mulheres viajantes e trabalhadoras do setor; a criação e divulgação de canais de informação; o fomento à pesquisa e à coleta de dados sobre o perfil; apoio a iniciativas de empreendedorismo feminino; e promoção de campanhas de conscientização sobre o respeito e a segurança das mulheres no turismo. Para a implementação, o Estado poderá adotar, entre outras medidas, a criação de selo ou certificação para estabelecimentos e serviços turísticos que adotem boas práticas em relação à segurança, ao atendimento e à valorização desse público e a destinação de verbas específicas para o apoio a iniciativas de turismo feminino seguro e ao fortalecimento das mulheres que atuam no setor. De acordo com a Organização das Nações Unidas Turismo (ONU Turismo), as mulheres são a maioria da força de trabalho no Brasil e no mundo: 54% do segmento gira em torno do trabalho feminino. No Brasil, o Ministério do Turismo já conta com 55% de sua força de trabalho formada por mulheres, muitas delas em cargos de gestão. Setores como Alojamento (58,9%) e Agências de Viagens (54,6%) também têm predominância feminina, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), é a autora do projeto e afirma que o turismo feminino representa um segmento com grande potencial de crescimento. “E a criação de um ambiente seguro e acolhedor é fundamental para atrair e fidelizar esse público”. A presente proposta visa ir além da segurança básica, promovendo a autonomia desse público, incentivando o empreendedorismo feminino no setor e oferecendo experiências turísticas mais enriquecedoras e adaptadas às suas necessidades, destaca a autora. “Acreditamos que esta iniciativa contribuirá para o fortalecimento do turismo em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que promove a igualdade de gênero e o respeito aos direitos das mulheres”. Proposta A relatora, deputada Maria Clara Marra (PSDB), defendeu que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, e ao turismo para todos os cidadãos. “Essa competência comum autoriza a atuação estadual em ações de fomento e incentivo e promoção do turismo, especialmente relacionadas à inclusão social, a equidade de gênero e a proteção de grupos vulneráveis”. A deputada sugeriu, com o substitutivo nº 1, a supressão de um artigo, no seu entender, inconstitucional. O dispositivo determina que o Poder Executivo deverá regulamentar a futura lei em até 120 dias, a contar da data de sua publicação, estabelecendo as diretrizes, os critérios e os mecanismos para a implementação da política estadual. O princípio da separação entre os Poderes não permite interferência na estrutura organizacional da administração pública do Executivo nem que se atribuam competências a órgãos e entidades estatais. O PL segue agora para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
BH prevê a instalação de mais de 12 mil câmeras de monitoramento

C ombater a criminalidade, ampliar a sensação de segurança e, com isso, melhorar a qualidade de vida da população, esses são os principais objetivos do programa “Muralha BH”. Um sistema integrado de monitoramento inteligente desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), que foi lançado no início de outubro pela Prefeitura. A primeira fase do projeto já está em andamento, com cerca de 600 câmeras instaladas e testadas. A ideia é que até dezembro, mais mil unidades devem entrar em operação. A previsão é que todo o sistema esteja funcionando até o final de 2026. A iniciativa prevê mais de 12 mil câmeras em áreas mapeadas por toda a cidade, incluindo praças, parques, centros de saúde, escolas municipais, vias principais e acessos aos corredores urbanos. O “Muralha BH” prevê ainda o monitoramento de 100% do Novo Anel, via que desde junho está sob a responsabilidade do município, com o intuito de controlar todos os acessos a Belo Horizonte e o tráfego dos veículos pesados pelas pistas. Segundo o prefeito Álvaro Damião (União Brasil), o “Muralha BH” é um projeto que une segurança, mobilidade e inovação. “Estamos trazendo para Belo Horizonte o que há de mais moderno em tecnologia urbana, para que a cidade seja um lugar onde todos possam circular com tranquilidade. Nenhum veículo entra ou sai da capital sem que a placa seja identificada. Saberemos se foi usado em crimes ou se é produto de furto ou roubo”. Para a professora de direito criminal da UniArnaldo Centro Universitário, Renata Furbino, a instalação de câmeras tem um potencial significativo de ampliar a sensação de segurança. “A presença da vigilância eletrônica cria uma percepção real de presença do Estado, o que pode fazer com que os cidadãos se sintam mais protegidos ao transitar pela cidade”. “Entretanto, é importante distinguir essa sensação subjetiva de uma redução real e mensurável dos índices de criminalidade. Muitas vezes, grandes projetos de vigilância funcionam mais como uma ferramenta de propaganda política, do que como uma política de segurança pública com eficácia comprovada em dados. A população tende a aceitar a vigilância eletrônica por medo da violência, mas isso não garante que a diminuição do crime será entregue na mesma proporção da sensação de segurança gerada”, pontua. Renata explica que o impacto real é mais limitado e específico do que se imagina. “As pesquisas mostram que o videomonitoramento tende a ser mais eficaz na redução de crimes contra o patrimônio, como furtos e roubos em locais abertos, onde o agente faz um cálculo de risco antes de agir. Para crimes contra a vida ou lesões corporais, o efeito dissuasório é menor”. “Na prática, as câmeras funcionam muito bem como uma ferramenta de apoio à prevenção e à investigação, ajudando a esclarecer crimes que já ocorreram. Em contextos muito específicos, como no combate ao crime organizado em fronteiras, o videomonitoramento se mostrou uma ferramenta poderosa para desarticular quadrilhas de tráfico de armas e drogas, como faz a Polícia Rodoviária Federal”, destaca. Os desafios O primeiro deles é a questão do custo-benefício, afirma a docente. “Sem um planejamento adequado, o projeto pode se tornar um gasto excessivo de dinheiro público com pouco impacto real. O segundo é o deslocamento do crime, visto que a segurança melhora em um ponto específico, porém, o problema pode piorar para os bairros vizinhos que não fazem parte do sistema de videomonitoramento”. “Além da gestão de dados e privacidade, é necessário ter regras objetivas sobre quem acessa as imagens, como são armazenadas e por quanto tempo, para evitar violações da privacidade dos cidadãos, algo que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige. Por fim, as câmeras precisam estar integradas a uma central inteligente, com operadores com expertise e comunicação ágil com as viaturas na rua”, finaliza.