ALMG discute políticas públicas de incentivo ao trabalho regulamentado

A taxa de desemprego do país é a menor da série histórica, de 5,4%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, uma parcela significativa da população ocupada está na informalidade, sem acesso a direitos trabalhistas. Debater a necessidade de políticas públicas de incentivo à manutenção do trabalho regulamentado, diante da escassez de mão de obra no mercado, foi o objetivo da audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O requerimento é de autoria do deputado Mauro Tramonte (Republicanos), que afirmou que a informalidade e a precarização das relações de trabalho são alguns dos maiores desafios do mercado laboral na atualidade. “A informalidade é um obstáculo para o crescimento do país e afeta a segurança econômica das famílias, sem proteção previdenciária e a estabilidade que a carteira assinada proporciona”. Ele ainda citou dados que mostram o indício de escassez de mão de obra em 57% das principais ocupações do comércio, a dificuldade de contratação de 71% dos empregadores da construção civil e o déficit de pessoal no setor hoteleiro e de alimentação. Representando a Associação Mineira de Supermercados (Amis), Katya Alves Duarte ressaltou que a discussão é importante e não pode se apegar a ideologias. “Acredito que não seja algo simples, porque são vários fatores que impactam na escassez da mão de obra. Existem algumas propostas, principalmente voltadas para o comércio, sobre as escalas de trabalho e se essa fosse uma solução, outros setores não teriam esse problema, pois já estão na escala 5×2”. Segundo Katya, a Amis representa 50 mil estabelecimentos, responsáveis por mais de 500 mil empregos diretos. “Nós precisamos entender para onde estamos caminhando. Belo Horizonte, por exemplo, tem um problema com transporte coletivo noturno. São diversos fatores que impactam na empregabilidade e que preocupa o setor”. Mudança geracional O superintendente do Ministério do Trabalho em Minas, Carlos Calazans, destacou que estamos vivendo um momento de transição, no Brasil e no mundo. “Hoje, nós temos uma sociedade envelhecida e diminuída, o que não aconteceu nas décadas anteriores, que tinham uma mão de obra abundante. Paralelamente a isso, a sociedade evoluiu tecnologicamente”. “O problema é que ao longo dos anos, o salário médio do Brasil ficou muito baixo, e essa remuneração não atrai uma boa parte da sociedade. O jovem brasileiro quer ganhar mais, não quer ter os compromissos que a velha classe operária tem, e sobretudo, ter mais liberdade”, complementou. A assessora da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Bárbara Abras, defendeu atualizações nas leis que regulam o mercado de trabalho. “As regras trabalhistas não contemplam a realidade das pessoas, que precisam de maior flexibilidade. Hoje, o que existe no mercado talvez não seja tão compatível com essa nova geração que está chegando”. “Precisamos entender que a vida pessoal não fica presa em um âmbito só, não é apenas o profissional, ela tem toda uma vida por trás que precisa encaixar também. As leis precisam se adaptar ao que as pessoas demandam, para não ficar neste impasse entre o mercado e os trabalhadores”, acrescentou. Capacitação Outro aspecto observado pelos participantes da audiência como determinante para a informalidade foi a carência de formação técnica dos trabalhadores. Nesse sentido, Bárbara pontua três programas prioritários do governo. O Trilhas de Futuro, com a oferta gratuita de cursos técnicos aos jovens; o Minas Forma, que oferece capacitação para pessoas em situação de vulnerabilidade social; e o Trajeto Moda, com o ensino de corte e costura para mulheres. Ao final, Tramonte observou que as raízes desse problema são complexas: carência em formação técnica, falta de programas de formação e qualificação, mudança do perfil profissional, busca por melhores condições de trabalho, salários mais competitivos, entre outros. Ele salientou também sobre a relevância da participação da iniciativa privada e da sociedade civil organizada nesse processo.

Projeto leva memórias do Clube da Esquina para dentro das escolas

O movimento musical da década de 1960, de Belo Horizonte, está inspirando novas histórias com o projeto “Escola Audaz – Memórias do Clube da Esquina nas Escolas”. A iniciativa promove oficinas de formação para professores e atividades que aproximam alunos do 4º ao 9º ano do universo poético e sonoro do lendário Clube da Esquina. Com 10 escolas públicas de diferentes regiões da capital mineira incluídas, o projeto Escola Audaz tem os professores como multiplicadores e o envolvimento direto das crianças maiores e adolescentes. As oficinas abordam metodologias ativas que integram a música do Clube da Esquina a diferentes áreas do conhecimento, propondo experiências criativas, acessíveis e aplicáveis no cotidiano escolar. Na iniciativa, os estudantes são convidados a experimentar, através do Palco Show, o contato com o fazer musical, o improviso, as rítmicas e textos das canções, trazendo protagonismo e criando memórias afetivo-musicais potentes. O projeto objetiva a ampliação do repertório estético-cultural infantojuvenil através de metodologias autorais, sensíveis e estimulantes criadas pela especialista em Educação Musical pela UFMG, Bianca Luar. Além das formações, o programa promove as Caravanas Culturais, que reúnem visitas guiadas ao Museu Clube da Esquina e experiências musicais conduzidas por Bianca Luar e o músico Thiago Nonato. Nessas atividades, os educadores são convidados a refletir sobre a relação entre arte e educação, a potência da escuta sensível e a importância da música como linguagem que estimula a expressão e o vínculo afetivo entre alunos e escola. A cantora, educadora musical e pesquisadora da cultura da infância, Bianca Luar, destaca que a receptividade dos alunos é algo que a encanta. “A cada caravana é uma surpresa diferente. Conhecer as melodias rítmicas é algo pensado e processual. Através da oficina ‘Corpo tambor’ os textos das canções, que vestem as novas melodias, os guiam de forma afetiva para um encontro com as próprias emoções”. Bianca afirma que o programa proporciona o entendimento sobre o que faz de fato um compositor, como é criar uma canção, tal qual como surge, e o que são as parcerias. “Vivenciando as práticas, a visita ao museu e conhecendo as histórias através de brincadeiras e muita escuta, eles começam a se apropriar aos pouquinhos daquele repertório. Tudo isso traz uma magia diferente, intencional e consciente”. “A musicalidade comunicativa, muito explorada nas oficinas de formação, lhes auxiliam fortemente a refletirem e a criarem novas posturas, abordagens e refinamento do olhar para promover novas interfaces com outras áreas de conhecimento como matemática, história, geografia e português”, acrescenta. Segundo estudo recente, crianças que não têm acesso à diversidade musical falam até 6 mil vocábulos a menos, ressalta a educadora. “E hoje, com a neurociência atuando de forma profunda sob o poder da música no cérebro, podemos confirmar que não há mesmo nenhuma outra atividade/ linguagem humana que acesse tantos tecidos cerebrais ao mesmo tempo como a música”. O projeto Instrumentalizar, sensibilizar e formar professores através de oficinas criativas de práticas autorais já era uma ação corriqueira da Bianca Luar. Através disso, em parceria com o Museu do Clube da Esquina, Bianca e Virgínia Câmara criaram juntas uma imersão in loco, com um tour pedagógico, uma formação dos professores e mostra cultural temática dos alunos, o que desenha as três etapas destes projetos. Logo após, entraram em leis de incentivo e já foram contempladas em editais. Realizaram a primeira edição através da primeira infância e agora, pela segunda vez, com memórias do Clube da Esquina. Esse ano, foram contempladas as escolas municipais: Modesta Cravo, Professor Hilton Rocha, Senador Levindo Coelho, Professor Lourenço de Oliveira, Rui da Costa Val, Santos Dumont, Prefeito Aminthas de Barros e Vicente Guimarães.

Segmento de eventos podem atingir US$ 2,5 trilhões até 2035

Segundo a Allied Market Research, empresa global de inteligência de mercado, consultoria e análise de dados, o mercado global de eventos deve movimentar US$ 2,5 trilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,8%. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil) e do Observatório do Turismo de São Paulo indicam que o setor já responde por cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) de serviços, reunindo mais de 330 mil empresas ativas. De acordo com o mais recente Radar Econômico, boletim elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o consumo no segmento atingiu R$ 68 bilhões entre janeiro e junho, o maior valor da série histórica, iniciada em janeiro de 2019. Comparado ao mesmo período de 2024, o crescimento acumulado no primeiro semestre é de 3,4%. A categoria de turismo de negócios e eventos representa 23% da ocupação hoteleira nacional e responde por uma fatia crescente das viagens internacionais, é o que revela o Ministério do Turismo. Dados da Fecomércio SP mostram que de janeiro a setembro de 2025, o setor movimentou R$ 106,5 bilhões, um recorde para o período. Além disso, o segmento fomenta indústrias associadas como transporte aéreo, alimentação, audiovisual e publicidade, consolidando um ecossistema que soma mais de R$ 300 bilhões anuais, conforme o levantamento da Associação de Marketing Promocional (Ampro). “O consumo no setor de eventos já ultrapassa marcas históricas, o que mostra que não estamos apenas recuperando o que foi perdido na pandemia, mas alcançando um novo patamar. É uma demonstração clara do potencial do entretenimento como motor econômico e social”, afirma Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Abrape. O especialista em gestão financeira para empresas e fundador da Arvoh, Arides César Gonçalves da Silva, explica que os dados apontam que o segmento não é só entretenimento, mas uma cadeia produtiva global. “Para o Brasil, isso significa: atração de investimentos e turismo internacional, quanto mais o mundo investe em eventos, mais disputado fica o calendário global; efeito multiplicador na cadeia de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), eventos irrigam pequenos negócios; e geração de emprego e renda, o setor costuma ter um impacto forte em emprego formal e informal”. Para Silva, o segmento saiu da “sobrevivência” e entrou em uma fase de expansão mais estruturada. “Alguns fatores que explicam o aumento do consumo no Brasil são: a normalização pós-pandemia, as pessoas consolidaram o hábito de voltar a eventos presenciais, com maior frequência e tíquete médio mais alto; calendário de grandes eventos e festivais, que atraem público nacional e internacional; renda direcionada para experiências, pesquisas recentes indicam que boa parte dos brasileiros passou a reservar parte do orçamento para experiências presenciais; e políticas de apoio e retomada do setor”. O especialista acredita que o potencial de crescimento é sustentável, mas não automático. “A expansão do segmento pode ser sustentável, mas exige gestão profissional, tecnologia e ambiente regulatório minimamente previsível. Por exemplo, a continuidade ou transição previsível de projetos como Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), infraestrutura de cidades para receber eventos e capacidade das empresas do segmento de se digitalizarem e se capitalizarem”. “Eventos não são só entretenimento, são infraestrutura de relacionamento da economia. Se o Brasil combinar ambiente de negócios saudável, políticas estáveis e inteligência financeira na ponta, o setor de eventos ainda tem muito espaço para crescer com qualidade”, finaliza. Empregos em alta Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados no boletim da Abrape, mostram que o estoque de empregos (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) no core business do setor está 76,3% acima dos níveis de 2019, comparado a 21,9% de crescimento da média nacional no mesmo período. A função classificada como “Atividades de organização de eventos”, por exemplo, apresentou um salto expressivo no número de trabalhadores formais que passou de 47.262 em 2019 para 109.025 em 2025, o que representa um aumento de 130,7%.

Retorno da população de rua para cidade natal tramita na Câmara

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em 1º turno, o Projeto de Lei (PL) 227/2025 que visa proporcionar apoio às pessoas em vulnerabilidade social que desejam retornar à sua cidade de origem. A medida prevê o encaminhamento desse público para órgãos competentes que possam viabilizar o transporte, suporte logístico e apoio na emissão de documentos necessários para o deslocamento. De autoria do vereador Vile Santos (PL), a proposta segue para as comissões para análise de emendas. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, Carla Rodrigues. Esse projeto é uma boa alternativa para melhorar a situação dessa população? Do ponto de vista jurídico e dos direitos humanos, qualquer política voltada à população em situação de rua só pode ser considerada adequada se tiver como eixo central a dignidade, a proteção integral e a autonomia das pessoas. Projetos que priorizam ordenamento urbano ou deslocamento, sem garantia de direitos mínimos, tendem a ser paliativos e não resolvem a questão estrutural. Portanto, a viabilidade depende diretamente do desenho da política e não do discurso que a acompanha. O que deveria ser considerado essencial para que a proposta funcione de forma ética e efetiva? É indispensável ter base legal clara, protocolos transparentes, consentimento sempre que possível, participação social, atuação intersetorial, garantia de acesso à moradia, saúde, assistência e documentação. Sem isso, o poder público corre o risco de produzir apenas movimentação territorial, e não inclusão. Há evidências de que o deslocamento contribui com a reinserção social dessas pessoas? Não. O deslocamento, isoladamente, não possui respaldo empírico como estratégia de reinserção. Muitas vezes produz descontinuidade de vínculos, perda de pertences e agravamento da vulnerabilidade. O que produz reinserção é acesso à moradia, proteção social e oportunidade de renda. Sem isso, deslocar torna-se apenas uma ação administrativa de contenção. Há risco de judicialização por possíveis violações de direitos? Sim, e significativo. Qualquer medida que implique retirada de pertences, remoção compulsória, tratamento desigual ou abuso de autoridade pode gerar judicialização imediata, sobretudo por violação à dignidade humana, ao devido processo legal e ao direito à assistência. Municípios que não estruturam juridicamente essas ações costumam enfrentar recomendações, ações civis públicas e controle judicial. Como seria possível evitar que a medida seja utilizada de forma discriminatória? Com critérios objetivos, fiscalização externa e protocolos que inibam o uso seletivo da política. Sem controles, ações como essa podem reforçar estigmas históricos contra a população em situação de rua e caracterizar discriminação institucional. A prevenção começa com transparência, capacitação e responsabilização. Que impacto essa proposta pode ter na percepção pública sobre a população de rua? O impacto depende da narrativa adotada. Se a política for comunicada como resolução rápida de um “problema”, reforça estigma e desumanização. Se for apresentada como garantia de direitos, com foco na pessoa e não no território, pode ajudar a reconstruir a percepção social. A comunicação pública tem papel jurídico e político neste tipo de política. Existe risco desse tipo de medida se tornar recorrente, sem atacar as causas estruturais da pobreza urbana? Sim. Medidas emergenciais, quando repetidas, tendem a substituir políticas de habitação, renda, saúde e prevenção de violações. Isso cria uma “gestão da rua”, e não uma política de superação da situação de rua. Sem investimento estrutural, o ciclo se repete e a política se torna manutenção do problema. Quais alternativas o município poderia investir para reduzir o índice da população de rua? Moradia digna (modelos como housing first), fortalecimento da assistência social, ampliação de equipes de abordagem, políticas de saúde mental, geração de renda, prevenção de despejos, documentação civil acessível, centros de acolhimento que respeitem a autonomia e articulação com entidades da sociedade civil.

Parceria em Contagem oferece atividades esportivas

Com intuito de ampliar as oportunidades de lazer e prática esportiva gratuita voltadas a crianças e adolescentes no contraturno escolar, fortalecendo o desenvolvimento humano e social por meio do esporte, o projeto “Geração Esporte” chega a Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O programa vai oferecer aulas gratuitas de skate e iniciação esportiva, abrangendo modalidades como basquete, futsal, handebol e vôlei, com foco em atender crianças e jovens de 7 a 17 anos. As atividades do projeto estão distribuídas por diferentes regiões de Contagem. As pré-inscrições já estão abertas. Realizado pela Associação Movimenta Brasil, com patrocínio da Ama Ambev, por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte de Minas Gerais, e apoio da Prefeitura, o projeto garante acesso totalmente gratuito às atividades. Além das aulas, todos os materiais esportivos e de segurança necessários, bem como uniformes completos para os alunos que participarem com frequência, serão oferecidos gratuitamente. O secretário de Esportes e Lazer, Alex Chiodi, destaca a importância da ampliação das políticas públicas voltadas ao esporte e o papel do projeto na consolidação de uma cidade mais ativa. “O esporte é saúde, é vida e é também uma poderosa ferramenta de transformação. Nossa proposta é continuar avançando, apoiando, promovendo e valorizando cada vez mais essa prática em todas as suas modalidades, e iniciativas como essa que levam oportunidades e qualidade de vida para todas as regiões da cidade”. O diretor Institucional da Associação Movimenta Brasil, Marcelo Sena Jaques, explica que as atividades começaram no início de outubro e o projeto possui duração total de 12 meses. “Serão atendidos 225 alunos e os participantes devem ser, preferencialmente, estudantes matriculados em escolas públicas do município de Contagem. O cronograma prevê a realização de dois torneios internos, ao longo da execução do programa, envolvendo todas as modalidades”. Para Jaques, o esporte no contraturno escolar contribui diretamente para o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. “Além dos benefícios físicos, estimula a disciplina, convivência social, trabalho em equipe, capacidade de resolução de problemas e hábitos saudáveis. A prática esportiva orientada também ajuda a fortalecer vínculos comunitários, melhora indicadores escolares e reduz a exposição dos jovens a situações de vulnerabilidade social”. “E a receptividade tem sido bastante positiva. As famílias estão engajadas, os jovens demonstram grande interesse pelas modalidades oferecidas e as comunidades, onde o projeto acontece, têm reconhecido a importância da iniciativa. A presença de profissionais qualificados e a oferta gratuita das atividades fortalecem o vínculo com a população, que vê no projeto uma oportunidade de desenvolvimento social e esportivo”, acrescenta. Ele ainda ressalta que o principal desafio enfrentado na implementação do programa está na organização. “E no fortalecimento de quatro turmas específicas – duas localizadas na Praça Tancredo Neves e duas na Praça da Glória – que demandam maior acompanhamento para garantir o engajamento”. O início Segundo o diretor, o projeto “Geração Esporte” nasceu em 2015, no município de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “A iniciativa surgiu diante da carência da educação física escolar em ofertar atividades de iniciação esportiva de forma contínua. O objetivo inicial era complementar o contraturno escolar com modalidades como futsal, handebol, vôlei e basquete, ampliando o acesso dos jovens à prática esportiva orientada e de qualidade”. Programação: Quadra do Tropical – Petrolândia (segunda e quarta-feira)Aulas de skate: 7h45 às 9h, 9h às 10h15 e 14h às 15h15Aulas de iniciação esportiva (basquete, futsal, handebol e vôlei): 10h15 às 11h30 Praça Tancredo Neves – Regional Sede (terça e quinta-feira)Aulas de iniciação esportiva (basquete, futsal, handebol e vôlei): 8h30 às 9h45 e 9h45 às 11h Praça da Glória – Eldorado (terça e quinta-feira)Aulas de skate: 16h30 às 17h45 e 17h45 às 19hAulas de iniciação esportiva (basquete, futsal, handebol e vôlei): 14h às 15h15 e 15h15 às 16h30

Jornalista J. D. Vital lança livro sobre primeiro capelão do Exército brasileiro

Ojornalista, escritor e acadêmico J. D. Vital lançou, no dia 25 de novembro, o seu mais novo livro, “Morte em Cocais”, com um enredo que entrelaça religião, poder e os silêncios da história. Com a obra, o autor amplia seu olhar sobre a história religiosa e social de Minas. Em “Morte em Cocais”, Vital resgata uma parte pouco conhecida da história da Igreja Católica em Minas Gerais, ao narrar a trajetória de três figuras de origem humilde e negra que alcançaram, contra todas as expectativas, posições de destaque no clero. Entre elas, o Padre Heitor de Assis, personagem central da obra, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas como o primeiro capelão do Exército brasileiro, após a proclamação da República. A narrativa se entrelaça às histórias de Padre Victor, beatificado pelo Papa Francisco, e de Dom Silvério Gomes Pimenta, primeiro arcebispo de Mariana e membro da Academia Brasileira de Letras, revelando como fé e resistência se encontraram nas trajetórias desses homens negros em tempos de escravidão, abolição e modernização do Brasil. O autor J. D. Vital explica que a motivação para escrever “Morte em Cocais” vem da memória coletiva da cidade onde nasceu, Barão de Cocais, na Região Central do Estado. “Desde pequeno ouço falar em Padre Heitor. Eu ouvia dizer que o padre era negro e que ele se identificava com a maioria da população de Barão de Cocais, que era sobretudo, na época, uma cidade predominantemente constituída por pessoas negras, porque é uma região de mineração, com forte influência da escravidão”. “Padre Heitor de Assis foi o primeiro capelão do Exército brasileiro, em 1942 foi sondado pelo Padre Pedro Maciel Vidigal para ir com ele para o Exército, como primeiros capelães. O Padre Maciel Vidigal acabou não indo por problemas com o bispo, e no seu lugar foi o Cônego Marcial Muzi. Padre Heitor na patente de capitão e o Cônego Marcial Muzi no posto de Major. Eles foram enviados para a ilha de Fernando de Noronha, onde os nossos capelães militares mineiros da arquidiocese de Mariana estavam acompanhando espiritualmente e dando força aos soldados brasileiros aquartelados”, conta. Ele afirma que a relação entre raça, religião e poder no Brasil na época parecia que era mais liberal do que aparentemente veio a se tornar depois. “Pelo que eu pude constatar, pelas entrevistas e pesquisas, não houve nenhuma objeção da indicação de um padre negro para ser capelão do Exército. Pelo contrário, o Padre Heitor chegou a ser até nomeado para um cargo importante, um cargo político na ilha de Fernando de Noronha, ele foi secretário de governo, uma espécie de vice-governador da ilha que era comandada por um general”. Vital ressalta ainda que a pesquisa para o livro foi demorada. “Porque ninguém tinha notícia, uma informação concreta sobre o Padre Heitor. Consegui alguma coisa sobre o currículo dele, a vida escolar, seminarística, e sacerdotal, no museu da arquidiocese de Mariana. Através de leituras, pesquisas e conversas que fui levantando o perfil dele, e isso durou três anos”. Para o autor, resgatar a memória do padre Heitor é importante para o conhecimento da história. “Ninguém sabe coisas sobre pessoas negras no Brasil, personagens da raça negra que tiveram grande atuação na resistência à escravidão e no desenvolvimento da cidadania e da cultura brasileira. O conhecimento desse personagem, do padre Heitor de Assis, contribui dentro desse esforço geral de reabilitação de personalidades negras, de maioria desconhecida”. O autor J. D. Vital é jornalista, escritor e membro da Academia Marianense de Letras, da Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG). É autor de “Como se faz um bispo, segundo o alto e o baixo clero”, o livro investiga o mistério que envolve o processo de escolha dos candidatos à mitra episcopal. Escreveu também “A revoada dos anjos de Minas” sobre o fechamento do Seminário Maior de Mariana, nos tempos conturbados vividos pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II. É presidente emérito da Banda de Música Santa Cecília de Barão de Cocais, uma corporação musical centenária e desde sua fundação é composta por operários metalúrgicos e trabalhadores da mineração.

Mercado imobiliário tem trajetória de expansão no terceiro trimestre

Entre julho e setembro, o mercado imobiliário brasileiro registrou 108,8 mil unidades lançadas, elevando o total do ano para 307,4 mil, aumento de 8,4% em relação aos primeiros nove meses de 2024, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento foi realizado em parceria com a Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades. Já as vendas somaram 101.345 mil unidades no trimestre e 312,2 mil no acumulado do ano, avanço de 5% na mesma comparação. No acumulado de 12 meses, o país atingiu 433 mil unidades lançadas, recorde histórico. E o “Minha Casa, Minha Vida” segue como principal motor do setor, 47% dos lançamentos e 44% das vendas do trimestre foram do programa. Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a maior expansão percentual de lançamentos no terceiro trimestre de 2025, alta de 53,5%, com 7.313 novas unidades. Em números absolutos, o Sudeste lidera, com 59,8 mil lançamentos, 4,3% acima do trimestre anterior. A região Norte foi a única com retração, queda de 34,4%, para 2.757 unidades. O estudo indica ainda um aumento na intenção de compra, 48% dos entrevistados afirmaram planejar adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, ante 46% no mesmo período de 2024. A geração Z (21 a 28 anos) lidera esse movimento, com 61% de intenção de compra. Entre os baby boomers (61 a 79 anos), o índice é de 25%. O diretor-sócio da Brain, Fábio Tadeu Araújo, ressalta que a intenção de compra, de maneira geral, está nos melhores patamares da história. “O que significa que a despeito da taxa de juros, a forte empregabilidade e o forte aumento de renda das famílias estão levando as pessoas a se preocuparem mais com o que está acontecendo a si mesma, do que com o conjunto macroeconômico do país”. Já o economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi), Celso Petrucci, explica que é um crescimento constante do mercado, uma resiliência muito forte, mesmo com a taxa de juros alta. “Para nosso setor, o financiamento para pessoa jurídica é fundamental. Há uma necessidade constante de se aumentar os limites de renda, de descontos e preço final, pois estamos trabalhando com o mesmo preço desde julho de 2023. Para a classe média, a tendência não está boa, mas a expectativa para o ano que vem é melhor”. “Uma preocupação que temos para 2026, apesar do crescimento, até setembro, é que vamos perder três meses debatendo futebol e eleição, além dos feriados. Por isso, acredito que será um ano complicado, um período de estabilidade com tendência de um pequeno crescimento”, finaliza o economista. Geração de emprego De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o setor da construção criou 218,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2025. Em setembro, foram 23.855 novas vagas, resultado de 223.799 admissões e 199.944 desligamentos. O resultado do nono mês do ano foi o melhor desde abril (31.407 vagas) e ficou acima do registrado no mesmo período de 2024 (17.065). Entre os segmentos, a Construção de Edifícios gerou 10.540 empregos, as Obras de Infraestrutura 6.236, e os Serviços Especializados 7.079. Os estados que mais geraram empregos foram São Paulo (50.883), Minas Gerais (20.979) e Bahia (14.609). Materiais de construção Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), em outubro, o faturamento do setor apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, apresentando queda de 2%. A projeção de fechamento de 2025, apesar de ainda ser positiva, foi revisada para baixo, passando para 0,5%, reflexo do fraco desempenho observado ao longo do ano. Entre os segmentos, estima-se que o faturamento deflacionado dos materiais básicos tenha diminuído 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto os materiais de acabamento registraram contração de 2,9%. Na comparação com setembro, com ajuste sazonal, as estimativas apontam alta de 0,4% para os básicos e queda de 0,5% para os de acabamento. O presidente da Abramat, Paulo Engler, afirma que o setor ainda enfrenta desafios importantes. “Contudo, os sinais de estabilização indicam que podemos encerrar o ano com um leve crescimento e um cenário mais positivo para 2026”.

Mais de 34 mil crianças até 14 anos vivem em união conjugal no Brasil

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 34 mil pessoas, entre 10 e 14 anos, vivem em união conjugal no Brasil. A análise por sexo revela que, do total, 7.804 eram meninos e 26.399 eram meninas. A maior parte dessas crianças (86,6%) estava em uma união consensual, 29,6 mil. Sendo que 7% desses jovens são casados no civil e no cartório. Outros 4,9% são casados apenas no civil; e 1,5%, somente no religioso. De acordo com o levantamento, a maioria dessas pessoas são pardas (20.414 crianças e adolescentes), seguido por brancas (10.009), pretas (3.246), indígenas (483) e amarelas (51). O Estado com maior número absoluto de crianças e adolescentes que viviam em uma união conjugal é São Paulo (4.722), seguido por Bahia (2.716), Pará (2.579), Maranhão (2.201) e Ceará (2.039). Minas Gerais aparece em décimo lugar, com 1.430 jovens nessa situação. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o quarto país no mundo em número de meninas que se casam antes dos 18 anos. A cada ano, 15 milhões de meninas de até 17 anos se casam, em todo o mundo. O Banco Mundial identificou que, nos últimos anos, mais de 50 nações eliminaram todas as brechas nas leis, proibindo rigorosamente o casamento com menores de 18 anos. A presidente da Comissão de Direito de Família da OAB/MG e advogada especialista em Família e Sucessões, Lorena Oliveira, explica que a legislação brasileira é muito clara quando o assunto é proteção à infância. “Nenhum tipo de união conjugal com pessoas menores de 16 anos é permitido. Temos o artigo 1.517 do Código Civil, e em 2019, a Lei nº 13.811 veio para reforçar essa proteção, além disso, temos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que também garante que toda criança tem direito à dignidade, ao respeito e à proteção contra qualquer forma de violência, exploração ou opressão”. Essa prática é considerada uma grave violação de direitos humanos, afirma a advogada. “E, para além disso, é uma forma de violência sexual e abuso, porque envolve sujeitos absolutamente incapazes de consentir validamente com qualquer tipo de união ou relação. O Estatuto da Criança e do Adolescente enquadra tais situações como violações que devem ser prevenidas e reprimidas pelo Estado e pela sociedade”. “Quando um adulto vive em união ou tem qualquer tipo de relação sexual com uma pessoa menor de 14 anos, a lei entende isso como estupro de vulnerável, que tem pena prevista de 8 a 15 anos de prisão. Além da punição criminal, esse adulto pode perder a guarda de filhos, responder a processos na área da infância e juventude e ainda ser afastado da vítima por medidas protetivas”, acrescenta a especialista. Para Lorena, não bastam só leis para erradicar a prática. “É fundamental melhorar as políticas públicas que combatem a pobreza e a desigualdade de gênero, porque muitas dessas uniões acontecem em contextos de vulnerabilidade. Outro passo é fortalecer e capacitar os profissionais da rede de proteção, como assistentes sociais, conselheiros tutelares, professores e profissionais de saúde, para que saibam identificar e agir diante desses casos”. Impacto nas crianças De acordo com a psicóloga, Genilce Cunha, essa deveria ser uma situação impensável. “Mas, é necessário olhar para esse fenômeno para sair da invisibilidade. Os principais impactos na criança seriam: Ambivalências, pois trata-se de jovens assumindo responsabilidades de adultos sem terem voz de decisão judicial e social; Adultização da criança; Amadurecimento forçado da sexualidade; Trauma sexual, o que poderá impactar diretamente na saúde mental; Formação escolar interrompida; Manutenção do ciclo da violência e da miséria; e Isolamento social”. “A união precoce apaga sonhos, a autopercepção e autodescoberta das competências e habilidades pessoais que poderiam ser desenvolvidas. Essa perspectiva limitada de vida e de futuro poderá inibir a capacidade de desenvolver projetos pessoais. A criança é destituída do que há de mais importante na essência humana, sonhar e buscar sua realização”, finaliza. Qualquer pessoa pode denunciar esses casos ao Conselho Tutelar, Ministério Público (discando 127), disque 100 (Direitos Humanos), Polícia Civil, Delegacias (preferencialmente Delegacia da Mulher ou da Criança e do Adolescente) ou Polícia Militar (190), inclusive de forma anônima.

Pedidos de licença por problemas de saúde mental crescem 134%

O Brasil teve 472 mil pedidos de benefícios por incapacidade temporária associados à saúde mental no trabalho, em 2024. Foi mais que o dobro no último biênio, em 2022, foram 201 mil, segundo os dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil. Entre os casos, destacam-se afastamentos acidentários por reações ao estresse (28,6%), ansiedade (27,4%), episódios depressivos (25,1%) e depressão recorrente (8,46%). Quanto aos afastamentos em geral, são predominantes os episódios depressivos (25,6%), de ansiedade (20,9%) e de depressão recorrente (12%). Já na análise por setores econômicos, os bancos múltiplos, com carteira comercial, partiram de 9,3% do total em 2012 para alcançar 20% de afastamentos acidentários em 2024. O segmento de comércio varejista (hipermercados e supermercados) passou de 3,9% em 2012 para 5,6%. E as atividades de atendimento hospitalar também se destacam nesse aumento da participação, partindo de 1,2% em 2012 para 10,2%. Segundo o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro, é preciso internalizar que o investimento em saúde é um ganha-ganha para os colaboradores, as famílias, as empresas e a sociedade como um todo. “O investimento na promoção da saúde mental beneficia a todos, porque promove ambientes de trabalho seguros e saudáveis, minimiza a tensão e os conflitos e melhora a fidelização do quadro de pessoal e o rendimento e a produtividade do trabalho”. A administradora de empresas e coach, Gleinda Aguiar, acredita que esse crescimento de afastamentos por saúde mental se deve a uma série de fatores combinados. “Estamos vivendo uma época de excesso de informações e de muita pressão para estar sempre atualizado e entregar resultados. Além disso, ambientes de trabalho tóxicos e uma comunicação violenta acabam agravando ainda mais a situação. Tudo isso impacta diretamente na saúde mental das pessoas, gerando quadros de ansiedade, depressão e outros problemas. Em resumo, a forma como temos vivido e trabalhado acaba prejudicando a qualidade de vida no ambiente de trabalho, e isso reflete nesse aumento de afastamentos”. Gleinda destaca que a falta de escuta dentro das equipes pode agravar ainda mais a situação. “Quando as pessoas não têm espaço para serem ouvidas, para expressar o que sentem ou para falar sobre os problemas que enfrentam no trabalho, elas acabam acumulando essas tensões internamente. Isso gera mais ansiedade e frustração”. “Por outro lado, quando existe um diálogo aberto, um ambiente onde as pessoas podem conversar com segurança e sem medo de julgamento, tudo fica mais leve. Ter alguém que ouve ativamente, que orienta e acolhe faz toda a diferença. Isso não só ajuda a prevenir problemas de saúde mental, mas também melhora a colaboração e a qualidade do trabalho, já que os funcionários se sentem mais seguros para lidar com os desafios”, acrescenta. Bem-estar emocional A profissional afirma que é possível conciliar alta performance com o bem-estar emocional. “Isso está muito ligado ao desenvolvimento contínuo, onde a pessoa se esforça para ser um pouco melhor a cada dia. Identificar o que pode ser aprimorado e buscar essa melhoria constante é o que realmente leva a resultados melhores”. Para Gleinda, as organizações realmente precisam dar uma atenção especial ao local de trabalho. “É fundamental construir um ambiente onde as pessoas queiram ir trabalhar e que se sintam valorizadas e respeitadas. Isso envolve entender o que realmente importa para os colaboradores, oferecendo reconhecimento, premiações, bonificações e um espaço de relações humanas mais respeitosas”. “A liderança precisa ter um olhar mais humano, cuidar melhor dos liderados, compartilhar informações, cobrar resultados de forma assertiva e manter uma comunicação não violenta e empática. Precisamos de uma mudança de cima para baixo, para que a cultura de trabalho se torne mais cooperativa e colaborativa. Assim, ajudamos uns aos outros dentro da empresa, enquanto competimos lá fora”, finaliza.

Mineração no Sul de Minas é tema de audiência pública na Assembleia

Debater os impactos socioambientais e socioeconômicos da mineração de terras raras no planalto vulcânico da região de Poços de Caldas, Sul de Minas, foi o objetivo da audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 18 de novembro. A descoberta recente de uma grande jazida de minerais de terras raras na região despertou o interesse de mineradoras. No final de outubro, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) adiou a análise de licenças para as mineradoras australianas Meteoric e Viridis atuarem em Poços de Caldas e na vizinha, Caldas. No próximo dia 28, ambos os projetos voltam à pauta, em nova reunião do conselho. Com uma área de aproximadamente 750 quilômetros quadrados, o planalto vulcânico de Poços de Caldas é uma estrutura geológica caracterizada por uma vasta depressão circular, resultado de um vulcão extinto há cerca de 80 milhões de anos. Devido à formação peculiar, o solo da região abriga importantes recursos minerais, especialmente aqueles chamados de terras raras. A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) foi uma das solicitantes da audiência e cobrou uma análise técnica e detalhada dos impactos ambientais e socioeconômicos dos empreendimentos. “O mundo inteiro quer esses minérios, que o Governo do Estado saiba que não vamos entregá-los a preço de banana”. O deputado Professor Cleiton (PV) ressaltou que ouviu de um especialista que o processamento das terras raras do Sul de Minas envolveria altíssimos custos, pouco aproveitamento em relação à área explorada e ainda o risco de radiação, devido à proximidade com uma antiga usina nuclear em fase de descomissionamento. “O município está situado em uma das maiores áreas de radiação natural do mundo”. Impactos na região Vários ambientalistas participaram da reunião e destacaram que as maiores preocupações são a necessidade de regulação do novo e crescente mercado das terras raras, o risco para o abastecimento de água na região e a poluição causada pela poeira espalhada no ar em uma área de exploração tão próxima do núcleo urbano. Helena Sasseron, da ONG Caracol, afirmou que o primeiro risco ambiental, que será enfrentado, realmente será a água. “Vai utilizar muito recurso hídrico, que não será só de reservatórios, córregos e rios, mas também da própria cava. Para isso, essa água terá que ser bombeada, e serão, em média, 1.200 metros cúbicos retirados do lençol freático. E é questionável quais serão os impactos, já que tivemos problemas de seca e racionamento em Andradas”. “Outro risco são os rejeitos, que chamam de argila lavada, eles são tóxicos, contém amônia, e podem contaminar o ar ou a água. Fora todo o distúrbio do ecossistema, da fauna e da flora, e a própria socioeconomia. Andradas teve uma reforma agrária consolidada naturalmente, não possui grandes latifundiários e é composta por pequenos produtores familiares. E como vão ficar as hortas desses agricultores? Falamos dos grandes, mas esquecemos dos pequenos”, alerta. Ela conclui dizendo que tem a expectativa de tirar de pauta a votação que está prevista para acontecer no Copam. “O nosso objetivo realmente é que a gente consiga tirar de pauta e trazer os nossos questionamentos diretamente para Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), porque só a Fundação tem o poder de não pautar essa votação. Pois, precisamos de mais tempo para avaliar e para aumentar o debate”