Café, ouro e ferro-ligas são destaques nas vendas externas de MG

De janeiro a setembro, o café, o ouro e as ferro-ligas lideraram o crescimento das vendas externas. O café teve alta de 48% se comparado com o período anterior, com o montante de US$ 2,5 bilhões nas exportações. O ouro também apresentou progresso de US$ 991,2 milhões (81,1%), já as ferro-ligas aparecem com um incremento de US$ 211,4 milhões (13,1%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No geral, o Estado alcançou US$ 33 bilhões em exportações no período, com aumento de 3,9%. Minas Gerais foi responsável por 12,8% das vendas internacionais brasileiras, sendo o terceiro principal exportador nacional. Além desse destaque, no acumulado de 2025, o saldo da balança comercial atingiu superávit de US$ 19,3 bilhões. No fluxo comercial, foi registrado US$ 46,7 bilhões. O resultado é 5,7% superior ao observado no mesmo período de 2024. As parcerias comerciais também apresentaram crescimento. Até setembro, Minas exportou para dez países a mais que no mesmo período do ano anterior. Houve aumento no montante exportado para 100 mercados, entre os quais o Canadá liderou, com alta de US$ 515,6 milhões (67,8%). Na sequência estiveram a Argentina (US$ 457,5 milhões ou 41,9%); o Reino Unido (US$ 412,8 milhões ou 93,7%); os Estados Unidos (US$ 255,2 milhões ou 81%); e a Alemanha (US$ 224,6 milhões ou 21,2%). A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que Minas Gerais acumula números cada vez maiores ao longo do ano no comércio exterior. “O crescimento das exportações demonstra que as ações do Governo de Minas vêm ampliando mais mercados e fortalecendo a presença das empresas mineiras no cenário internacional”. O economista Gelton Pinto Coelho afirma que Minas segue uma tendência nacional. “Neste sentido, a busca por novos mercados e a ampliação das compras chinesas, substituindo parte do mercado norte-americano, ajudaram a reduzir os riscos e turbulências externas causadas pelas medidas do presidente americano, Donald Trump”. Coelho ressalta ainda que o Estado tem consolidado, de forma expressiva, a produção de café. “Com a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, necessariamente houve crescimento das exportações para Alemanha, Itália e Japão. É fundamental destacar que apesar do ganho imediato, a exportação ainda não agrega o valor que poderia, se adotássemos medidas de industrialização mais adequadas. Se por um lado podemos comemorar as vendas, por outro, esse produto poderia gerar mais emprego e renda. Portanto, é importante construirmos políticas públicas para não continuarmos como meros exportadores”. Sobre a questão do ouro, o economista observa que há situações institucionais e também ganho de produtividade. “Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão que colocou fim à presunção de boa-fé, ou seja, os vendedores precisam identificar a origem legal para comercializá-lo. Isso fortaleceu o controle e, portanto, pode aprimorar a transparência da exportação do ouro mineiro. Por outro lado, é perceptível em Sabará, por exemplo, a ampliação e modernização da mina Cuiabá, garantindo maior volume de ouro processado e exportado”. Setembro No nono mês de 2025, Minas Gerais foi o segundo principal exportador do Brasil, com US$ 3,8 bilhões somados nas exportações, o que representa crescimento de 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Minas foi o Estado com o maior saldo positivo na balança comercial (US$ 2,1 bilhões). Nova Lima e Varginha foram as cidades que lideraram nas exportações no período, sendo responsáveis por 6,7% das vendas internacionais, seguidas por Araxá (6,4%); Paracatu (5,1%) e Guaxupé (4,5%). Na avaliação do especialista, parece bem encaminhado o processo de negociações com os Estados Unidos. “Porém, ainda não foram superadas as barreiras para alguns setores importantes da economia mineira. Neste sentido, a estratégia de diversificação e ampliação de mercados é fundamental para mantermos a expansão do índice de exportação que temos alcançado. Não há motivos para comemorar exageradamente, mas não podemos ser pessimistas como estávamos a poucos meses”.

94% dos profissionais da educação já sofreram violência dentro das escolas

Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores de Educação de Minas Gerais (SindUte), 94,3% dos profissionais da educação, destacadamente os professores, em determinado momento, já sofreram algum tipo de violência. Na maioria das vezes, as agressões foram de caráter verbal (86,1%), psicológico (73,2%), físico (55,6%) e discriminatório (42,5%), ocorrendo com relativa frequência. Dos entrevistados, 33,7% consideram o local de trabalho pouco seguro e 39,4%, inseguro. Já uma pesquisa do Ministério da Educação afirma que menos de 40% dos alunos valorizam os professores. Para debater o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada e presidente da Comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados Seção Minas Gerais (OAB/MG), Daniella Avelar. Qual é o impacto da violência recorrente contra professores no ambiente escolar? A violência atinge a pessoa do professor (ansiedade, depressão e burnout), aumenta faltas e evasão docente, e reduz a qualidade das práticas pedagógicas. Além disso, os professores deixam de arriscar metodologias inovadoras por medo. Afeta o coletivo, prejudica a aprendizagem dos alunos, rompe vínculos comunitários e corrói a confiança entre família, escola e rede de proteção. Em resumo, fragiliza toda a instituição escolar e compromete resultados educacionais. Quais fatores sociais ou culturais contribuem para a desvalorização desses profissionais pelos alunos? A erosão da figura de autoridade em ambientes familiares e na mídia, a banalização do conhecimento nas redes sociais, a precarização salarial e profissional que sinaliza desvalorização social, e déficits na educação em valores nas famílias. Quando a profissão é pouco valorizada socialmente, alunos tendem a reproduzir desrespeito, o que por sua vez, prejudica a formação cidadã e pode retroalimentar práticas antissociais. Que medidas as escolas podem adotar para prevenir esses atos contra os educadores? Medidas eficazes incluem: Código de convivência claro e divulgado para toda a comunidade; Programas de educação socioemocional e mediação de conflitos; Formação contínua para professores em gestão de sala e prevenção de violência; Envolvimento ativo das famílias e conselhos escolares; Apoio psicológico e jurídico para vítimas; Registro e protocolo rígido de incidentes para responsabilização; e Parcerias com serviços sociais e saúde mental. A presença de segurança pública pode ser necessária em contextos de risco, mas deve vir acompanhada de políticas preventivas. O que pode ser feito para aumentar a valorização do professor dentro da escola e na sociedade? Remuneração digna e plano de carreira; formação continuada com tempo e recursos pagos; melhoria das condições físicas e de apoio na escola; inclusão dos professores nas decisões de gestão escolar; programas de reconhecimento (prêmios, selos e divulgação de boas práticas) e campanhas públicas que mostrem o impacto da docência. Além disso, fortalecer o diálogo família-escola e inserir os professores em redes comunitárias, aumenta o prestígio local e o respeito. É possível responsabilizar legalmente os agressores, especialmente se forem alunos? Sim. Se o agressor é adulto, responde civil e criminalmente pelos atos. Quando é adolescente, as infrações podem ensejar medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como advertência, liberdade assistida, prestação de serviços, entre outras medidas. Além disso, os pais ou responsáveis podem responder civilmente por danos causados por menores. A escola deve documentar o ocorrido, comunicar às autoridades competentes e acionar os procedimentos disciplinares previstos no regimento interno. Quais consequências a médio e longo prazo podemos esperar se essa realidade persistir? A médio prazo veremos aumento da rotatividade de professores e dificuldade de recrutamento, sendo que as escolas, sobretudo em áreas vulneráveis, ficarão sem profissionais qualificados. A longo prazo, há risco de queda sistemática nos resultados educacionais, avanço da evasão escolar e reprodução intergeracional de vulnerabilidades. Socialmente, a tolerância à violência escolar pode normalizar comportamentos agressivos e enfraquecer a coesão comunitária, com efeitos econômicos e civis.

345 milhões usaram apps de fitness no último ano

Segundo dados do site businessofapps.com, 345 milhões de pessoas utilizaram aplicativos de fitness em 2024, um crescimento de 11,1% em relação a 2023. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, lançado recentemente pela Federação Mundial da Obesidade, 68% da população brasileira apresenta excesso de peso, sendo que 31% vivem com obesidade e 37% com sobrepeso. Ao mesmo tempo, apenas 8% das pessoas costumam consultar um profissional de saúde antes de começar um regime. Conforme um estudo recente do Instituto Real Time Big Data, 65% das pessoas não alcançaram seus objetivos com a dieta. Esse é o caso da comerciante Isabela Duarte Araújo, que sempre iniciava e desistia de dietas, porém, desta vez, ela usou a tecnologia como aliada, o app de nutrição, com um plano alimentar estruturado por uma nutricionista. “Eliminei 19 quilos, e não sinto que estou de dieta. Isso fez toda a diferença para conseguir manter o peso. O app me mostra como compensar na alimentação ao longo do dia ou até no dia seguinte. Isso facilita na decisão de continuar firme no meu objetivo de emagrecer”, relata. O aplicativo O dispositivo utiliza inteligência artificial para adaptar o cardápio prescrito pelo nutricionista à rotina do paciente. Caso o alimento indicado não esteja disponível em casa, ou uma pessoa queira substituí-lo por outra, basta registrar no app. O aplicativo também avalia e classifica os alimentos industrializados, ajudando os usuários a escolher as opções mais saudáveis no mercado, além de permitir que um nutricionista visualize o consumo dos pacientes em tempo real, para fazer ajustes e direcionar melhor o plano alimentar. A médica pós-graduada em Endocrinologia, Metabologia e Nutrologia, Eliana Teixeira, afirma que esses aplicativos podem ser grandes aliados na adoção de hábitos saudáveis quando usados de forma consciente e orientada. “Eles aumentam a percepção sobre o próprio comportamento, ajudam o usuário a visualizar o quanto está comendo, se está dormindo pouco, se está se movimentando o suficiente, e isso é um ponto de partida importante para mudanças sustentáveis”. “No entanto, o app deve ser entendido como uma ferramenta de apoio, e não como o substituto de uma avaliação clínica individualizada. A tecnologia é útil quando desperta consciência e disciplina, mas a personalização do plano alimentar e de treino é o que realmente garante resultados com segurança”, alerta. Cuidados A médica destaca que o principal risco é a generalização. “Um mesmo plano não serve para todos, e seguir dietas ou treinos genéricos pode causar desequilíbrios hormonais, perda de massa magra, deficiências nutricionais e até sobrecarga cardíaca ou articular”. Muitos desses aplicativos não consideram histórico clínico, exames laboratoriais, uso de medicamentos, distúrbios hormonais ou digestivos, e acabam estimulando restrições desnecessárias ou exageros, pontua Eliana. “Além disso, quando o usuário não alcança os resultados prometidos, há frustração, compulsão alimentar e até abandono completo dos hábitos saudáveis. Por isso, o acompanhamento profissional, médico e nutricional, é fundamental para ajustar as metas e garantir a segurança do processo”. “A busca constante por metas numéricas – calorias, passos, peso ou percentual de gordura – pode gerar ansiedade, culpa e comportamentos obsessivos. O que deveria ser um instrumento de autocuidado pode se transformar em um mecanismo de punição. Quando o controle passa a ser mais importante do que o bem- -estar, há risco de transtornos como ortorexia, compulsão alimentar ou distúrbios de imagem. Por isso, o equilíbrio é a chave. O app deve servir à saúde, e não o contrário”, acrescenta. Eliana ressalta que um bom aplicativo estimula a constância, o prazer em se movimentar e o respeito ao corpo. “Não impõe restrições extremas, metas de emagrecimento muito rápidas ou treinos exaustivos. Desconfie de qualquer promessa de ‘transformação em 30 dias’ ou ‘dietas milagrosas’. Aplicativos sérios prezam pela educação alimentar, orientam sobre descanso, hidratação e autocuidado, e valorizam a evolução progressiva. Quando há foco apenas na estética, sem considerar saúde metabólica e emocional, o caminho tende a ser perigoso e insustentável”, finaliza.

“Trans:paisagem” cria um diálogo entre arquitetura moderna e contemporânea

A Casa do Baile – Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, em Belo Horizonte, está com uma exposição de Leonardo Finotti, a “trans:paisagem”, desde o início de outubro. A proposta é provocar um intenso diálogo entre formas, tempos e espaços por meio de imagens que se integram ao local que as abriga. Artista visual de reconhecimento internacional, Finotti conceitua a paisagem, tema central da exposição, como um universo multifacetado, que pode ser compreendido e estudado sob diversas perspectivas, cuja apreensão não se limita à visão, mas se dá a partir de um olhar ativo e da manifestação do ser e estar no mundo. Em um cenário onde as imagens se proliferam e nos perseguem, a exposição busca questionar a profundidade de nossa atenção e o verdadeiro foco do nosso olhar. Para Eliane Parreiras, secretária Municipal de Cultura, a exposição de Leonardo Finotti é um marco para a cidade. “A mostra estabelece um diálogo profundo entre a arquitetura moderna e a contemporânea, convidando o público a revisitar e a se reconectar com o nosso patrimônio. É um projeto que reforça o papel de Belo Horizonte como polo cultural, celebrando a arte e a arquitetura de uma forma inovadora e acessível a todos”. O coordenador da Casa do Baile, Cássio Campos, explica que a ideia de fazer a mostra surgiu há mais ou menos dez anos, em uma visita informal do Finotti. “Ele tinha acabado de lançar um livro sobre as obras do Oscar Niemeyer e na época, por coincidência, a Casa do Baile já estava pensando em fazer um ciclo de exposições sobre relações entre fotografia e arquitetura. Esse ciclo teve outras duas exposições e estamos fechando com o Finotti, com um olhar que é brasileiro e mineiro”. A exposição está disposta em núcleos que estão falando da arquitetura modernista, contemporânea mineira, espaços de usos informais nas cidades e a produção editorial do Finotti, destaca o coordenador. “A peça central dessa mostra é uma grande mesa de 30 metros que avança desde a parte de dentro até a parte de fora, que convida inclusive a pessoa a parar, sentar e admirar um pouco mais essa paisagem”. “Acredito que o mote central dessa exposição vem da paisagem, dessa relação que é pessoal e é construída. A gente também desenvolveu uma série de recursos de acessibilidade, para públicos distintos, além das pessoas com deficiência. Essa mostra tem materiais em linguagem simples, pensando no público que talvez não esteja acostumado ou habituado com uma linguagem mais técnica da arquitetura. E em breve teremos uma série de atividades relacionadas à exposição, como instalações e bate-papos”, acrescenta. Pesquisa Leonardo Finotti fez uma pesquisa artística e debruçou seu olhar com profundidade no trabalho de grandes mestres da Modernidade Brasileira, intimamente ligados ao Conjunto Arquitetônico da Pampulha: Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx. Ao revisitar e catalogar o modernismo no Brasil e na América Latina, o fotógrafo busca revelar a transformação permanente das cidades, não só os edifícios em si, mas sobretudo o seu entorno. “O Conjunto da Pampulha é um exemplo interessante, e minha pesquisa visual revela como esse projeto, construído há mais de 80 anos, se tornou parte da identidade e paisagem urbana. A exposição foi então concebida para colocar em diálogo as obras que a compõem e o espaço que as acolhe. Pensamos em uma forma instalativa que permitisse conectar arquitetura, paisagem e a sua visualidade”, afirma o artista. Campos pontua que o público tem gostado muito da exposição. “A gente tem tido um perfil de visitantes mais especializado, mais técnico, que estuda e pesquisa a arquitetura, e outro que é o espontâneo, do dia a dia, que também tem gostado muito. Por isso, a relevância de ocupar esses espaços públicos. A Casa do Baile é viva, é simbólica na cidade, permanece preservada pela ocupação, pela presença das pessoas e isso reforça esse senso de identidade, de pertencimento e de orgulho”. Serviço:Mostra “trans:paisagem”, de Leonardo Finotti Horário: De quarta a domingo, das 10h às 18hLocal: Casa do Baile – Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e DesignEndereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751 – Pampulha Atividade gratuita

Franquias registram faturamento de R$ 69,9 bilhões no segundo trimestre

Segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias atingiu R$ 69,9 bilhões em faturamento no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 14,2%. Fatores positivos da economia, tais como a elevada taxa de emprego e o aumento da massa salarial, explicam esse avanço. Os segmentos que mais se destacaram foram: Alimentação – Comercialização e Distribuição (+44,0%), impulsionado pela sazonalidade da Páscoa, com o aumento no consumo de chocolates e maior procura por produtos de alto valor agregado. O fortalecimento dos mercados autônomos, lojas de conveniência, cafeterias também contribuíram para esse resultado; Entretenimento e Lazer (+15,7%) beneficiado pelo aumento da renda real das famílias, pela mudança de comportamento gerada no pós-pandemia, pelo avanço de experiências digitais e imersivas e atividades indoor. Além do segmento de Limpeza e Conservação (+15,4%), impulsionado pelo aumento do serviço de lavanderias de autoatendimento, impactada com a redução no espaço das moradias, queda na mão de obra doméstica, entre outros fatores comportamentais das populações mais jovens. Na sequência, também se destacaram: Alimentação Food Service (14,2%), Saúde, Beleza e Bem-Estar (12,5%), Serviços e Outros Negócios (11,5%), Moda e Serviços Automotivos (11,4%). “O resultado do trimestre mostra mais uma vez o dinamismo e a constante evolução do franchising no Brasil. O setor de franquias tem alta capacidade de transformar ideias em negócios e promover o crescimento coletivo, contribuindo significativamente para o desenvolvimento socioeconômico do país”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF. Para o economista Bruno Corano, o crescimento do setor não é sustentável a longo prazo. “Porém, o avanço do franchising vem de forma constante nesses últimos 40 anos e vai seguir crescendo, porque é uma tendência normal, com a diminuição de lojas de negócios familiares. Isso é o que diferencia uma economia provinciana de uma economia mais madura”. Corano afirma que o setor não tem nenhum risco diretamente. “O maior seria a economia. A indústria do franchising é um reflexo de como está o consumo e a economia do país. Em geral, o desempenho do setor cresce mais do que outros segmentos do varejo. Historicamente, avança 30% mais quando comparado a outras referências”. 200 mil operações Ainda segundo o estudo, o setor de franquias brasileiro ultrapassou o número de 200 mil operações em funcionamento, com incremento de 7.449 frente ao mesmo período do ano passado. Comparando as aberturas e fechamentos, o saldo também é positivo, de +2,3%. Já o número de trabalhadores diretos no segmento é da ordem de 1,745 milhão no trimestre. Os multifranqueados (empresários donos de duas ou mais operações mono ou multimarca) continuam em ascensão nas empresas franqueadoras. Conforme a pesquisa, 88% das marcas respondentes contam com multifranqueados em suas redes. Chama atenção, o crescimento da participação de franqueados multimarcas, que saltaram de 51% para 62%. O economista destaca que o franchising traz vários benefícios, tanto para o empreendedor quanto para o consumidor. “Para o consumidor, o benefício principal é a referência. Do momento em que ele conhece uma marca e que tem múltiplas lojas, já sabe o que esperar. E, do lado do empreendedor, ele recebe a inteligência de uma empresa franqueadora que pensa em inúmeras coisas que sozinho teria mais dificuldade, como desenvolvimento de produto, estratégia e posicionamento de marca. Isso faz a indústria crescer”. Uma política pública, dentro dos critérios, que ajudaria o desenvolvimento do setor seria algo do tipo do Small Business Administration (SBA), ressalta Corano. “É uma instituição parecida com o Sebrae, nos Estados Unidos, só que é muito maior e é do governo. Tem recursos e financia o empreendedor que deseja abrir um negócio, não só uma franquia. O SBA financia mais de 90% do investimento com prazos longos e juros ainda mais baixos do que os habituais do Brasil”, finaliza.

Número de trabalhadores por aplicativo avança e soma 2 milhões de brasileiros

O Brasil registrou 2,1 milhões de trabalhadores por aplicativos, segundo o Relatório de Política Monetária referente ao terceiro trimestre de 2025, do Banco Central. Entre 2015 e 2025, essa categoria aumentou 170%, antes eram cerca de 770 mil trabalhadores. De acordo com o Relatório do Fairwork Brasil, nenhum dos principais aplicativos conseguiram evidenciar o cumprimento de padrões mínimos de trabalho decente, como oferecer uma remuneração justa. Já o estudo Plataformização e Precarização do Trabalho de Motoristas e Entregadores no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que, entre 2012 e 2015, enquanto o total de motoristas autônomos no setor de transporte de passageiros era cerca de 400 mil, o rendimento médio ficava em torno de R$ 3,1 mil. Em 2022, quando o total de ocupados se aproximava de 1 milhão, o rendimento médio era inferior a R$ 2,4 mil. A proporção desses trabalhadores com jornadas entre 49 e 60 horas semanais passou de 21,8% em 2012 para 27,3% em 2022. “Uberização” No final de setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário ao reconhecimento de vínculo trabalhista entre motoristas de aplicativos e as plataformas digitais. A controvérsia é conhecida como “uberização” das relações de trabalho. A data da votação da questão ainda será marcada pelo presidente do STF, Edson Fachin. Serão julgadas duas ações de recursos protocolados pelas plataformas Rappi e Uber. As empresas contestam decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o vínculo empregatício com os motoristas e entregadores. A decisão terá impacto em 10 mil processos que estão parados em todo o país. A advogada especialista em Direito do Trabalho do Escritório Mantuano, Di Mambro, Lopes & Flores Advocacia, Juliene Oliveira Fernandes, ressalta que o impacto dessa pauta é enorme. “Justamente pela quantidade de pessoas que se dedicam a esse modelo de trabalho, bem como para as empresas de plataformas digitais e também na própria sociedade, que já incorporou essa nova forma de consumo dos serviços de transporte por aplicativo”. “Há nessa situação impactos favoráveis e desfavoráveis, em benefício, os motoristas passariam a ter todos os direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias, 13º salário, FGTS e Previdência Social, o que seria um avanço em termos de segurança e dignidade. Por outro lado, as plataformas poderiam reduzir vagas ou impor regras mais rígidas para compensar os custos, diminuindo a flexibilidade. O ponto central seria o equilíbrio entre proteção social e flexibilidade”, pontua. Juliene afirma que o reconhecimento do vínculo reduziria drasticamente a informalidade para os motoristas, garantindo direitos sociais. “No entanto, há um risco considerável de que essa formalização não atinja toda a categoria, mas sim, apenas uma parte dela. O custo operacional das plataformas subiria significativamente, e as reações das empresas poderiam levar a uma nova forma de exclusão. Por isso, especialistas defendem uma terceira via, que combine proteção social com manutenção da flexibilidade”. A solução mais equilibrada seria adotar uma abordagem com a polarização entre CLT e autonomia pura, com regulação mais equilibrada e moderna, afirma a advogada. “Essa abordagem cria uma categoria intermediária entre empregado CLT e o autônomo, protegendo o trabalhador sem eliminar a flexibilidade do modelo de plataformas. Garantiria direitos mínimos, enquanto preserva a liberdade de ligar e desligar o aplicativo e a autonomia operacional. Em essência, foca em resultados e proteção social”, finaliza. 10 horas de trabalho O motorista de aplicativo Willian Mendes, de 34 anos, presta serviço em tempo integral para três plataformas. “Trabalho como motorista desde 2019, comecei quando saí do meu antigo emprego. São 10 horas de trabalho, em média, e os principais desafios são a baixa remuneração, insegurança, falta de suporte dos aplicativos e jornada exaustiva”. Para Mendes, os direitos trabalhistas fazem muita falta e o vínculo já existe, só falta oficializar. “Pois, são os aplicativos que determinam o valor que os motoristas vão ganhar nas corridas, além de que os trabalhadores são punidos ou banidos sem direito a explicações ou defesa”, destaca.

Aneurisma cerebral é três vezes mais comum nas mulheres

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aneurisma cerebral atinge entre 10 e 15 pessoas à cada 100 mil habitantes. E esse tipo de aneurisma é três vezes mais frequente entre as mulheres. A doença é considerada a mais letal e causa a morte de aproximadamente 50% das vítimas. O cirurgião vascular e endovascular e membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Josualdo Euzébio Silva, afirma que os aneurismas são decorrentes da dilatação anormal de uma das artérias. “Além de caráter cerebral, considerada a mais comum, os vasos do pescoço, abdômen, braços e atrás dos joelhos também são frequentemente atingidos. A causa da condição apresenta uma série de fatores, como a genética, devido a hábitos inadequados adquiridos ao longo da vida e, até mesmo, a idade, sendo mais comum entre os 35 e 60 anos”. O motivo da patologia ser mais comum entre as mulheres, está diretamente ligado à faixa etária, destaca o cirurgião. “Com o início da menopausa, por volta dos 50 anos, o grupo sofre com a queda nos níveis de estrogênio, influenciando, diretamente, na estrutura das paredes das artérias, deixando-as mais enfraquecidas e menos elásticas”. Silva alerta que o grande perigo do aneurisma está na fatalidade. “Sobretudo, porque é conhecido por ser uma doença, muitas vezes assintomática, que apenas apresenta os primeiros sinais quando está prestes a romper, causando dor considerada intensa e repentina, além de outros sinais conforme local atingido”. “O diagnóstico de aneurisma é através de uma avaliação clínica e alguns exames complementares podem ser utilizados. À medida que o aneurisma cresce de diâmetro, vai aumentando o risco de ruptura. Por isso, a importância de fazer o controle, além de uma pesquisa na família, pois pode ter outras pessoas com a doença”, acrescenta. Cuidados Para evitar a fatalidade, o especialista explica que é importante atenção com a saúde vascular e manter consultas periódicas com um cirurgião da área. “Pelo menos, anualmente, sobretudo, quando o indivíduo está dentro dos fatores de risco como idade, doenças secundárias ou histórico familiar”. “O tratamento do aneurisma pode ser clínico, dependendo do diâmetro que ele estiver. Quanto mais cedo o problema é identificado, melhores são as alternativas de procedimentos e, consequentemente, qualidade de vida, elevando as chances de sobrevivência e menos riscos de viver com sequelas”, pontua. Ele ressalta ainda que, muitas vezes, esse processo requer o uso de medicamentos e mudanças nos hábitos de vida. “Seja através da alimentação, abandono do fumo e álcool e exercícios físicos que devem ser feitos conforme recomendação médica, já que nem todas as atividades são recomendadas. Além do controle de pressão e clínico”. Bomba-relógio A neurocientista Ângela Mathylde Soares descobriu o aneurisma através de exames de rotina. “A família toda tem predominância da doença e não apresentei nenhum sintoma. Às vezes, aparecia uma dor na nuca ou na cabeça, mas pensei que fosse a pressão alta. Fiz ressonância no tratamento, e continuo tomando três remédios de pressão durante o dia. Vou ao médico uma vez ao ano, e ao cardiologista e ao neurologista todo mês. A enfermidade me impactou muito no início como uma bomba- -relógio. Fiquei muito preocupada, baixou meu rendimento, mas depois comecei a entrar de novo no cotidiano”, conta.

Reunião debate o fim da produção de vacinas de meningite pela Funed

Com o objetivo de debater os impactos devido ao encerramento da transferência de tecnologia da vacina contra a meningite pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, foi realizada uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De acordo com o requerimento da audiência, a Funed tem papel histórico e estratégico no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), sendo responsável pela produção de imunobiológicos fundamentais para o Sistema Único de Saúde (SUS). A transferência de tecnologia das vacinas contra as meningites C e ACWY tinha por objetivo abastecer o Ministério da Saúde e a rede nacional do SUS. Em 2022, a instituição assinou um convênio, que se encerraria somente em fevereiro de 2026, para esse fim. Segundo o deputado que propôs o requerimento, Lucas Lasmar (Rede), cerca de 70% da arrecadação atual da Funed viriam justamente dessa parceria. “Agora, a sobrevivência da entidade, fundada em 1907 e que já foi referência nacional na produção de vacinas, soros e medicamentos, estaria mais uma vez ameaçada”. A justificativa do governo estadual para a paralisação do contrato é em função da necessidade de uma alta contrapartida, como a construção de fábrica ao custo em torno de R$ 2 bilhões. Porém, Lucas Lasmar rebateu dizendo que os repasses feitos ao longo dos últimos anos já garantiriam parte desse valor. Para o restante, segundo o parlamentar, já teria havido sinalização positiva do próprio Ministério da Saúde sem a necessidade de rompimento do acordo. “O encerramento unilateral da transferência de tecnologia e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, após a reinauguração oficial das instalações em março, seriam dois sinais de que o objetivo do Poder Executivo é mesmo promover um desmonte da instituição. Com isso, seria aberto o caminho para a cessão de suas funções à iniciativa privada”, destaca Lasmar. O deputado defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os desmandos na Funed. E também foi aprovado um requerimento com a convocação do presidente da instituição, Felipe José Fonseca Attiê, para prestar esclarecimentos em nova reunião, já que ele não compareceu à audiência. Diálogo O diretor-executivo do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, Érico de Moraes Colen, pontua que tem dificuldade de entrar na Fundação. “Só é permitida a entrada a partir das 18h para fazer assembleia, sendo que a maioria dos servidores trabalham até às 17h. Tem pelo menos um ano e meio que não consigo ter um diálogo com o presidente, pois ele não aparece nas reuniões. Essa abordagem mais profunda tem que ter a presença do Felipe”. “A instituição já produziu 1 bilhão de medicamentos e fornecia a maior parte desse material para a atenção primária para abastecer os municípios de Minas Gerais. Do nada, nós não temos mais demanda, porque os governos estaduais e municipais simplesmente não querem comprar da Fundação. Se a Funed quebrar, como eles querem, o maior afetado não será essa gestão. Nós servidores e a população que mais precisa de nossos serviços é que vamos sofrer as consequências”, acrescenta. A deputada e também autora do requerimento, Bella Gonçalves (PSOL), diz que a Funed é presidida atualmente por uma pessoa que não entende nada do SUS. “A convocação é um instrumento legítimo de fiscalização pelo Parlamento mineiro para que os gestores prestem contas à população quando as tentativas de diálogo já se esgotaram”. O presidente da Funed enviou quatro representantes à audiência pública. Todos elogiaram os servidores da entidade e reforçaram que a atual gestão estaria no caminho certo. Porém, diante da convocação de Felipe Attiê, preferiram que o presidente da instituição detalhasse futuramente seus planos para a entidade. O diretor de Planejamento, Gestão e Finanças, Dimitri Assis de Souza, afirma que o objetivo das decisões tomadas é dar sustentabilidade à instituição com foco no futuro. “Não há tentativa de abandono de projeto estratégico, queremos voltar a ser referência para os brasileiros. Essa gestão trabalha para melhorar a infraestrutura e dar mais condições de trabalho aos servidores”.

Festival Cinema dos Quilombos será realizado na Serra do Cipó

A 6ª edição do Festival Cinema dos Quilombos vai acontecer no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, nos dias 11 e 12 de outubro. Essa é a primeira vez que o evento se realiza dentro de um território quilombola. Com cinema, música, gastronomia, feira de artesanato e moda africana, além de oficinas e atividades para todas as idades, o Festival será totalmente gratuito. Trazendo à tela histórias de resistência, ancestralidade e cotidiano quilombola, serão exibidos, ao todo, nove filmes produzidos em Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. Entre os homenageados desta edição estão o ator e escritor Lázaro Ramos, o cineasta mineiro Gabriel Martins e o multiartista Maurício Tizumba. A programação vai além dos filmes, com feira de artesanato, moda africana, comidas típicas da culinária quilombola e shows musicais com Ifátókí convida Sérgio Pererê, Grupo Cultural Ponto BR, Adriana Araújo e Trio Gandaiera. E no domingo, o evento será dedicado às crianças, com o “Domingo Kids”, que trará brinquedos e uma seleção de longas infantis de temática quilombola. O cineasta, quilombola e coordenador do Festival, Danilo Candombe, explica que o objetivo do evento é abrir tela e coração. “Mostrar que o cinema também é quilombo: espaço de encontro, de partilha e de cuidado com nossas histórias. E chega de pessoas de fora contar nossas histórias em outra ótica, fora da realidade, e deixando os quilombolas e indígenas sempre em uma caixinha estereotipada. Fazer cinema quilombola no quilombo é afirmar nossa existência, nossa cultura e nossa resistência como parte essencial da identidade brasileira”. Ele conta que o Festival partiu de um projeto de um amigo, Cardes Amâncio. “E nasceu no Quilombo dos Marques, no Vale do Mucuri, através de uma oficina de vídeo onde participei na direção de fotografia com direção de Gabriel Martins. Veio do desejo de ver nossas narrativas ocupando a tela grande. Cansamos de só assistir, queremos também projetar o que somos”. Para Candombe, o legado do evento é simples. “Que nossos jovens se vejam e se sintam orgulhosos. Que os mais velhos saibam que suas memórias não se perdem. E a ideia é que essa chama viaje, que cada quilombo possa acender sua própria tela e mostrar sua própria luz”. Sessões de Cinema Dia 11, às 17h: “Meada Cor Kalunga” um documentário de Marta Kalunga, Alcileia Torres e Ana Luíza de Sá Reis, acompanha as comadres Marta e Dirani Kalunga no preparo das meadas e tingimento no quilombo Vão de Almas, em Goiás, revelando a força da tradição e do território. Dia 11: “Tita – 100 anos de luta e fé” é dirigido por Danilo Candombe, apresenta a trajetória de Maria Gregório Ventura, moradora do Quilombo Morro do Santo Antônio, em Itabira. Dia 11, à noite: “Nove Águas”, ficção dirigida por Gabriel Martins em parceria com o Quilombo dos Marques. O filme reconstitui a saga de descendentes de escravizados que, nos anos 1930, deixaram o Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri em busca de água e terra. Dia 12, às 16h: “Disque Quilombola” é um documentário de David Reeks em que crianças do Espírito Santo falam, com leveza e espontaneidade, sobre a vida em comunidades quilombolas e em morros urbanos. Dia 12: “A mãe do meu amigo”, de Anderson Lima, ambientada no Quilombo do Manzo, em Belo Horizonte, que mostra como uma conversa entre mães pode abalar uma amizade infantil diante de preconceitos religiosos. Dia 12: “Kutala” é dirigido por Fábio Martins em parceria com o Quilombo Manzo, registra as brincadeiras de crianças de terreiro e revela a transmissão do saber ancestral às novas gerações. Dia 12: “Voa Arturos” é um curta de Othon de Saboia realizado com moradores do Quilombo dos Arturos, em Contagem, que aborda, de forma lúdica, disputas nos céus da comunidade. Dia 12: “E o seu dia-a-dia?” é um documentário feito por crianças e jovens do Quilombo do Açude que retrata a rotina da comunidade a partir de olhares internos. Dia 12, encerramento: “ADOBE: habilidades tradicionais da construção Kalunga”, de Carlos Pereira, mergulha nas técnicas construtivas vernaculares da comunidade Kalunga, em Cavalcante (GO).

Reincidência na inadimplência tem alta e atinge o patamar de 83,95%

O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) revelou que 71,78 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, em agosto. Sendo que do total de negativações, 83,95% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. As informações mostram que a maior parte dos reincidentes, 62,63%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 21,32% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 16,05% dos negativados não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. O tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências foi de 75,6 dias. Nos últimos 12 meses, houve um crescimento de 5,18% no número de devedores reincidentes. A faixa etária mais representativa continua sendo de 30 a 39 anos, com 25,81% do total. Quanto à participação por sexo: 53,60% são mulheres e 46,40% são homens. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o alto número de devedores reflete não apenas a dificuldade individual de milhões de famílias em honrar seus compromissos, mas também impacta o consumo, o crédito e o crescimento econômico do país como um todo. “Essa crescente ‘bola de neve’ de dívidas se torna um ciclo vicioso difícil de ser quebrado, deixando o brasileiro em uma situação de vulnerabilidade e fragilizando ainda mais a economia nacional”. A economista e Coordenadora de Ciências Atuariais Econômicas do Centro Universitário FMU, Natalie Verndl, explica que o aumento da inadimplência decorre principalmente de uma combinação de alguns fatores. “Existe uma dificuldade de ter crédito barato, que está muito caro por conta da Selic, a própria renda está estagnada, tem a qualidade dos empregos e os entraves de renegociar essas dívidas, seja por órgãos terceirizados ou pelo próprio banco”. “Embora haja, nesse curto período, deflação, em setembro, tivemos a notícia da conta de luz mais cara, questões da própria inflação retomando novos patamares, o que já levou a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a decisão de postergar a redução dos juros para 2026. Lembrando que vamos entrar em um ano de eleição, e acaba sendo um período conturbado que eleva esse cenário da inadimplência, uma vez que a renda real e esse peso dessas parcelas atrasadas impedem que as famílias retomem o rumo de uma boa gestão orçamentária”, esclarece. Belo Horizonte Segundo a pesquisa da Fecomércio MG e Confederação Nacional do Comércio (CNC), o índice de inadimplência sobe desde maio e teve mais uma elevação de 2,2 pontos entre julho e agosto, com 59,9% de consumidores com dívidas em atraso na capital. Já o número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas teve redução, somando 19,8%; eram 20,2% em julho. As famílias superendividadas, que comprometem mais de 50% do orçamento com dívidas, somaram 20,3%. As dívidas no cartão de crédito atingem 96,7% dos consumidores, sendo que as famílias com renda maior ou igual a 10 salários mínimos chegaram a 98,8% de endividamento no cartão. A inadimplência é 12,8% maior entre as famílias que ganham até 10 salários mínimos (61,8%) em comparação com as famílias de renda acima dessa faixa de renda (49,0%). Entre os endividados, 68% ainda não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso. No curto prazo, a expectativa é que se tenha uma estabilidade com viés de alta, ressalta Natalie. “Porque os juros vão permanecer elevados, provavelmente, isso vai ceder apenas no próximo ano por conta de ser uma medida mais eleitoreira. Temos uma renda que vai continuar pressionada, uma inflação que ainda não vai ceder nesse curto prazo, e só será observada a queda consistente na inadimplência quando ocorrer cortes na Selic”. “O próprio Banco Central projeta que esse risco de crédito deve aumentar ainda nesse curto prazo antes que possa, de fato, melhorar. O que podemos dizer é que vai ser uma recuperação ainda muito gradual e lenta. E novamente, há esse componente da eleição que vai acabar pesando nessa condução, nessa retomada da adimplência dos consumidores”, conclui a economista.