Artista plástica mineira produz arte utilizando sacos de cimento

Em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, uma forma inusitada e criativa de arte vem ganhando espaço e encantando quem passa. Com talento, sensibilidade e muita criatividade, a artista plástica Lena Eva encontrou nos sacos de cimento um novo caminho para expressar sua arte, transformando um material rústico e descartável em esculturas expressivas. O trabalho, além de revelar uma técnica artesanal única, também carrega um forte componente de sustentabilidade, ao reaproveitar um material muitas vezes esquecido. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, em 2024, a produção de cimento foi de 64,7 milhões de toneladas, com aproximadamente 1,29 bilhão de sacos de 50 kg produzidos. A artista plástica Lena Eva explica que começou a fazer esculturas em jornais. “Mas não ficava muito satisfeita, porque com pouco tempo, ela começava a quebrar. Visitando um canteiro de obras, com meu marido que era construtor, percebi aquele tanto de saco de cimento jogado em um canto, e tive a ideia de experimentar. E foi perfeito para executar meu trabalho, pois a criação não quebrava mais”. Ela começou esse trabalho em 2016. “Sempre fui envolvida com a arte, comecei com pinturas em telas, como hobby. Trabalhar com o papel foi após a minha aposentadoria, em 2009. Iniciei em feiras, com tentativas e erros, e só agora, que trabalho de forma profissional. Contudo, esse amor por esse material veio da infância”. Foram quase mil peças criadas, afirma a artista. “As esculturas são de pessoas, animais, objetos, praticamente faço todo tipo de trabalho. O meu ofício vem sempre da inspiração, sou muito voltada para os meus ancestrais, gosto da cultura afro, e minhas obras tem essa pegada, além de retratar fatos do dia a dia”. “Confecciono minhas peças sozinhas. Levo cerca de uma semana para produzir, por causa do tratamento do papel para aumentar a sua durabilidade e dureza. Hoje, trabalho com sacaria limpa, pois tenho uma parceria com uma fábrica de cimentos, porém, posso fazer as obras com sacos com resquícios de cimento ou podemos lavar também, antes de produzir, nenhuma das opções interfere na qualidade da criação”, complementa. Exclusiva De acordo com Lena, a obra que ela produz é exclusiva. “Como meu trabalho é muito intuitivo, não consigo fazer uma peça igual a outra. E mesmo assim, tendo um reconhecimento maior, ainda sofro um pouco de preconceito por causa do material não usual”. “Existe uma importância em todo esse processo, porque não faço uma reciclagem do papel, e sim prolongo o ciclo de vida dele. E utilizo essas explicações, além de detalhes do processo de produção, para quebrar esse preconceito. Hoje, o meu trabalho já ganhou uma identidade e tem uma aceitação muito boa na comunidade local. As pessoas conseguem identificar que tal peça foi ‘a Lena Eva que fez’, no entanto, ainda estou lutando para ter mais reconhecimento”, acrescenta. Desafio Lena promove oficinas, faz brindes corporativos, além das esculturas. Contudo, o maior desafio dela, como artista plástica, ainda é vender suas peças. “Quero que as pessoas percebam que a nobreza não está no custo do material, mas na sensibilidade de transformar o bruto em poesia. Meu desejo é que o público questione seus próprios conceitos de valor. Se eu conseguir fazer alguém ver beleza e permanência em um saco de cimento mineralizado, terei mudado a forma como esse indivíduo enxerga o mundo ao seu redor”, finaliza. Para adquirir uma escultura é só entrar em contato através da rede social: @lenaeva.castro ou pelo telefone: (31) 99948-7699.
Acordo comercial entre Mercosul-UE pode injetar R$ 37 bilhões no PIB

Após mais de 25 anos sendo negociado, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que foi assinado em janeiro, pode injetar até R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2044, segundo previsões do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O tratado prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas, o Mercosul vai zerar a cobrança sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos e a UE vai eliminá-la sobre 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos. De acordo com uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil será o maior beneficiado pelo acordo e prevê um crescimento de 1,49% nos investimentos no país. Já a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o tratado pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento apontando que, quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que a formalização da parceria ocorre em um momento estratégico para o país. “O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros, criando também um incentivo para avançar na agenda de competitividade estrutural”. Para o mestre em economia, Heldo Siqueira, há um benefício marginal de eliminar as tarifas de produtos que o Brasil exporta, como itens vinculados à alimentação e outras mercadorias do agronegócio. “A UE já é o segundo parceiro comercial do país. Ou seja, os produtos brasileiros deste segmento já têm mercado na Europa, de maneira que o ganho tende a ser marginal naquelas nações que mantém tarifas elevadas”. “As estimativas do MDIC são modestas, ao considerar efeitos de 0,34% do PIB, com impacto de 2,65% nas exportações e 2,46% nas importações até 2044. Neste sentido, parece ser um ganho mais diplomático que econômico, uma vez que se trata de um esforço grande de integração para pouco impacto na renda, ao longo prazo”, observa. Os produtos industriais europeus são bastante competitivos, destaca Siqueira. “Assim, sem a proteção das tarifas, os produtos europeus podem entrar no país, competindo com os da indústria nacional, sobretudo a automobilística. Os produtores brasileiros de automóveis incluem várias marcas europeias, neste sentido, pode ser que valha a pena trazer o veículo diretamente da Europa do que produzi-lo no Brasil”. O economista acredita que acordos comerciais podem ser vantajosos. “Mas, nenhum tratado substituirá o investimento em tecnologia e a melhoria da infraestrutura. Essa é a verdadeira fonte de competitividade, e são essas as políticas que fortalecerão a economia brasileira, com ou sem alianças com qualquer que seja o parceiro comercial”. Setores beneficiados Os principais setores beneficiados com o tratado são o agronegócio e exportadores tradicionais, destacadamente, carnes, grãos e derivados, incluindo os itens processados. “Além da indústria de transformação, como máquinas, equipamentos e bens de capital. Também há previsão para melhorar a condição de exportação de micro, pequenas e médias empresas”, pontua o especialista. Porém, Siqueira acrescenta que os empregos serão gerados na medida em que haja o aumento das exportações, naquelas atividades em que este fato ocorra. “Outros postos de trabalho podem ser gerados na adequação da produção brasileira às regras europeias, mas acredito que este seja um volume bastante reduzido”. “A diminuição de tarifas em um novo mercado sempre abre a possibilidade da constituição de empresas para concorrer e diversificar a pauta exportadora. Entretanto, as instituições que concorrem em mercados de produtos de maior valor agregado são muito competitivas. Neste sentido, apesar de a possibilidade existir, vai ser difícil que novas organizações brasileiras possam concorrer com as europeias que já dominam o mercado”, finaliza.
Feminicídio segue padrões consistentes e previsíveis no Brasil

Os casos de feminicídio no Brasil atingem números recordes a cada ano. Uma análise da plataforma de inteligência jurídica Turivius, sobre 29.882 decisões judiciais relacionadas ao feminicídio, indica que o crime segue padrões consistentes e previsíveis. Em mais de 85% das sentenças, há registro de violência doméstica e familiar, antes do delito ou da tentativa. As informações mostram que relações de agressões físicas e psicológicas, ameaças constantes, descumprimento de medidas protetivas, controle da rotina da vítima e inconformismo masculino diante do término da relação, aparecem como elementos recorrentes em diferentes tribunais do país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 60% dos feminicídios acontecem na residência da vítima e, em cerca de 70% dos casos, o autor é o companheiro ou ex-companheiro. Esse mesmo comportamento se observa quando a análise se volta para os tribunais estaduais. Em 2025, Minas Gerais assumiu a liderança em volume anual de decisões, com 978 julgamentos, superando São Paulo e Rio Grande do Sul. As sentenças do Tribunal de Justiça de Minas reforçam a reprodução dos sinais de risco, a maior parte dos julgados, relatados ao longo do ano, descreveu episódios anteriores de agressão e escalada de violência. Para a coordenadora de Sucesso do Cliente na Turivius, Danielly Vieira, o volume de decisões reafirma que o feminicídio é uma influência altamente conectada à reincidência de comportamentos agressivos. “A tendência identificada não deixa dúvidas sobre a previsibilidade do risco. Quando analisamos milhares de julgados e percebemos que os mesmos sinais se repetem, fica claro que o sistema poderia atuar de forma mais preventiva. A recorrência de ameaças, controle e agressões são alertas que aparecem antes do desenvolvimento letal”. O advogado criminalista, Rafael Pereira, explica que o fato de mais de 85% dos casos apresentarem histórico prévio de violência doméstica revela uma falha estrutural na prevenção. “Os dados demonstram que o feminicídio raramente é um evento isolado. Quase sempre é o ponto final de uma sequência de agressões físicas, psicológicas, ameaças e controle da vida da vítima. Quando o Estado não consegue interromper essa trajetória, acaba atuando apenas após a morte”. Muitas vezes, as medidas protetivas não conseguem evitar a escalada da violência, destaca o advogado. “Pois, na prática, ainda enfrentam limitações graves. Falta fiscalização efetiva, acompanhamento contínuo do agressor e proteção material adequada à vítima. Em alguns casos, o descumprimento das medidas ocorre repetidamente antes do feminicídio, o que evidencia a ausência de respostas rápidas e proporcionais ao risco real identificado”. Ele pontua ainda que os casos julgados em 2025 deixam uma lição inequívoca sobre a importância da atuação precoce do Estado. “As decisões demonstram que os sinais de risco estavam presentes muito antes do feminicídio, frequentemente documentados em boletins de ocorrência, ações judiciais e pedidos de proteção. Quando o Estado atua apenas de forma reativa, a intervenção chega tarde demais. A prevenção exige leitura atenta desses sinais e respostas ainda nas primeiras manifestações da violência”. Mecanismos de proteção Do ponto de vista legal, Pereira afirma que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe de mecanismos suficientes para interromper o ciclo de violência. “A Lei Maria da Penha, as medidas protetivas de urgência, a possibilidade de prisão preventiva e o monitoramento eletrônico são instrumentos adequados. O problema central está na aplicação desigual dessas ferramentas, na demora das respostas estatais e na subavaliação do risco em situações que já apresentam sinais claros de letalidade”. “Algumas mudanças legais podem contribuir para interromper esse ciclo, como o fortalecimento do monitoramento eletrônico obrigatório em casos de descumprimento de medidas protetivas, a ampliação do uso de avaliação de risco baseada em critérios objetivos e a integração efetiva entre Judiciário, Ministério Público, forças de segurança e rede de proteção social. Mais do que novas leis, é fundamental garantir a aplicação rigorosa e coordenada das normas já existentes”, conclui.
Episódios de pedra nos rins podem aumentar 30% no verão

Com as altas temperaturas do verão, a incidência de cálculo renal, popularmente conhecida como pedra nos rins, aumenta significativamente nos prontos-socorros. De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, de São Paulo, há um salto de até 30% nos atendimentos a pacientes com essa condição durante a estação. Segundo a pesquisa, embora qualquer pessoa possa desenvolver cálculos renais, alguns grupos são mais vulneráveis no verão. Entre eles, estão indivíduos com histórico familiar de doença, obesos, portadores de diabetes e pessoas com ácido úrico elevado, além de trabalhadores que atuam em ambientes quentes, praticantes de exercícios ao ar livre e idosos. Este último requer atenção especial, já que, com o avanço da idade, a percepção de sede tende a diminuir, o que leva a uma quantidade insuficiente de ingestão de água. É estimado que 15% da população mundial enfrente o problema, e 1,5 milhão de brasileiros vivem com alguma disfunção renal. De acordo com o médico nefrologista, Alexandre Bignelli, o problema ocorre devido a uma combinação perigosa. “Desidratação acentuada, seja pelo excesso de suor ou pela baixa ingestão de água, e o aumento no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas e dietéticas contidas”. “O maior consumo de proteínas e de alimentos muito salgados e açucarados atua como uma ocorrência para o surgimento do problema. Nesse cenário, os enxágues são obrigados a concentrar a urina para regular a quantidade de água no corpo, o que favorece a cristalização e a formação de pedras”, explica o especialista. Para o urologista da Unimed-BH, Paulo Eduardo de Oliveira Alvarez, a manifestação do cálculo mais típica é quando a pedra sai do rim e desce em direção à bexiga. “Quando segue por esse caminho, o cálculo fica agarrado e represa a urina, provocando uma dor de alta intensidade, geralmente, na região das costas. Esse desconforto se espalha para frente da barriga, acompanhada de vômitos”. Porém, alguns cálculos são mais silenciosos, afirma Oliveira. “Especialmente os relacionados com infecção. Existem algumas bactérias na urina que, quando causam a inflamação, podem derivar a formação de pedras. Esse cálculo mantém o micróbio dentro dele e fica ocasionando quadros repetidos de infecção urinária”. O urologista destaca ainda que as pedras podem ocasionar danos importantes. “Por exemplo, podem levar a uma dilatação do canal e prejudicar o funcionamento do rim. Além disso, a obstrução que o cálculo provoca no aparelho urinário leva ao represamento da urina, o que pode desencadear infecção urinária, tendo consequências relevantes para o paciente. Inclusive, uma das indicações principais é tratá-lo, mesmo que a pedra seja um pouco menor”. Tratamento Alvarez esclarece que o tratamento depende muito da localização do cálculo no aparelho urinário. “Hoje em dia, a tendência é ser o menos invasivo possível para resolver o problema do paciente, sendo a maioria das cirurgias endoscópicas. Geralmente, o médico entra com um aparelho endoscópico e sobe pelo canal urinário”. “Quando o cálculo é localizado, pode ser fragmentado com laser, sendo esse o tratamento habitual. Existem outros procedimentos, por exemplo, através de uma punção do rim que permite quebrar os cálculos maiores, com localização um pouco inadequada para o método endoscópico”, acrescenta. O especialista finaliza ressaltando a importância da hidratação. “Isso evita o acúmulo de cristais e a formação de cálculos dentro da urina. Além da água, a limonada é bem interessante para ajudar na hidratação. Evite ficar o dia inteiro sem beber água e também o excesso de sal na alimentação”.
Casa da Cultura Nair Mendes é referência em patrimônio e memória de Minas Gerais

Considerada a casa mais antiga de Contagem, na Região Metropolitana, construído por volta de 1716, a Casa da Cultura Nair Mendes, tradicionalmente conhecida como Casa do Registro, desempenhou papel central na administração colonial portuguesa, funcionando como posto de registro durante o ciclo do ouro. Atualmente, é o Museu Histórico de Contagem e abriga o Departamento de História, Memória e Patrimônio Cultural do Município, com significativo acervo documental sobre a história da cidade. Em 1998, foi tombado como patrimônio cultural e, em 2007, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como o primeiro museu de Contagem. O local possui o nome da educadora Nair Mendes Moreira (1914-1981), que foi moradora da cidade, realizando trabalhos nas áreas educacional, social e religiosa. A Casa da Cultura abriga exposições de diversas linguagens, atividades de educação patrimonial, com visitação guiada com estudantes da rede municipal de ensino, oficinas e eventos periódicos, como a “Noite Mineira de Museus e Bibliotecas”, que integra o município ao circuito estadual de museus e mobiliza diferentes públicos ao longo do ano. A diretora de memória e patrimônio da Secretaria de Cultura de Contagem, Gabrielle Vaz, explica que a Casa Nair Mendes é um polo cultural para a cidade. “É uma referência material da história colonial do município, e contribui para preservação dessa memória, pois dentro do espaço conta como Contagem foi construída”. A Casa Nair Mendes se torna um espaço importante para que o cidadão tenha uma referência cultural, afirma a diretora. “Um ponto dentro da cidade que é um local da memória da construção de Contagem. Essa memória não é só portuguesa, que vem do período colonial, mas também africana, através da engenharia do lugar. São várias culturas e diversidades entrelaçadas”. Gabrielle ressalta que o museu recebe cerca de quatro mil visitantes por ano. “Além de 200 alunos por mês, através do projeto ‘Além dos muros da escola’, que visa ampliar os espaços de aprendizagem dos estudantes para além dos espaços tradicionais. A Casa Cultural Nair Mendes funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h. E também temos eventos esporádicos que, às vezes, acontecem no período noturno”. Reconhecimento Em novembro de 2025, a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira recebeu o reconhecimento oficial do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que certificou o equipamento como Museu Histórico de Contagem. O local já havia sido reconhecido como museu pelo Iphan, mas o registro não havia sido renovado. “Ter, novamente, o título de museu não é apenas um reconhecimento institucional, é uma conquista política para Contagem. Representa nosso compromisso com a preservação da memória e com a gestão qualificada do patrimônio cultural. A Casa da Cultura reafirma seu papel como equipamento estratégico da cidade, essencial para fortalecer identidades e garantir que nossa história siga viva e acessível para todos”, salienta o secretário municipal de Cultura, Ramon Santos. Para o diretor de Equipamentos Culturais, Thiago Maia, o reconhecimento traz responsabilidade e desafios. “Preservar a Casa da Cultura Nair Mendes vai muito além da conservação do espaço físico. É fundamental cuidar do acervo de forma técnica e administrativa: garantir a temperatura adequada, catalogar, conservar e manter cada obra, cada pintura, cada registro histórico do local”. Não se trata apenas da arquitetura, mas das histórias e dos saberes que o espaço guarda, esclarece Maia. “Alcançar o reconhecimento de um equipamento como este é um desafio, contudo, mantê-lo para as próximas gerações é ainda mais complexo. Por isso, é essencial ter um planejamento contínuo de manutenção, para que possamos preservar a história passada, compreender o presente e construir um futuro que valorize nosso patrimônio cultural”, finaliza.
62,3% das empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar

As empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar ou reter colaboradores. Para 62,3% das instituições, essa era uma realidade presente ao final de 2025, 3,6 pontos percentuais acima do resultado de 2024, é o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). No ano passado, o setor com maior dificuldade foi a construção civil, com 69,1% das empresas relatando problemas em contratar. Todos os principais segmentos registraram piora na passagem de 2024 para 2025, exceto a indústria de transformação, que reduziu o percentual de 60,2% para 52,3%. De acordo com o estudo, a principal estratégia que as empresas vêm adotando para superar essa dificuldade é o investimento em capacitação interna (43,4%). Logo depois aparecem oferecer mais benefícios (36,2%) e mudar processos para reduzir a dependência de mão de obra (24,9%). Já os impactos causados por esse problema são o aumento de carga horária (25,5%) e as mudanças de preço de bens/serviços (20,7%). O coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho da Superintendência Adjunta para Ciclos Econômicos (FGV Ibre), Rodolpho Tobler, explica que a construção e o comércio são atividades que em geral registram maior nível de rotatividade de mão de obra. “O que torna a aquisição desse capital humano ainda mais complexa. O resultado da pesquisa sugere que o perfil buscado pelas empresas não necessariamente se refere a uma superqualificação. Muitas vezes, a necessidade do negócio está relacionada a algum tipo de treinamento específico”. O mestre em economia, Ricardo Paixão, afirma que existem vários fatores para explicar esses números. “O Brasil entrou no cenário em que o mercado de trabalho ficou mais enxuto, a taxa de desemprego reduziu bastante, nível mais baixo da série histórica, e isso causa menos oferta de colaboradores”. “Em vários setores existia muita oferta de trabalhadores para as vagas, e com o passar do tempo, até mesmo com a precarização do trabalho, com o surgimento dos aplicativos, as pessoas não querem se submeter a uma qualidade precária de serviço, salário baixo, jornada de trabalho exaustiva, ou a um setor que tenha muita rotatividade. O indivíduo prefere fazer seu próprio horário, ganhando um pouco mais nos aplicativos e sem direitos trabalhistas, criando um cenário totalmente diferente de antigamente”, pontua. Paixão acredita ainda que existe um risco da falta de trabalhadores se tornar um entrave mais sério ao crescimento econômico. “Principalmente, se o índice de desemprego continuar reduzindo, e se a economia entrar nesse ritmo de retomada dos investimentos em setores que necessitam demais de força de trabalho. A tendência é continuar tendo essa falta em 2026 e podendo chegar à anos posteriores. Esse ciclo todo que se forma faz com que projetos atrasem custos, produtividade cai e existe uma pressão salarial localizada que, quando tem escassez de trabalhadores, faz os salários médio aumentarem”. 85 mil postos de trabalho Segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, o país gerou 85.864 postos de trabalho no mês de novembro, resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses (dezembro de 2024 a novembro de 2025) o saldo é de 1.339.878, menor que o saldo observado no período de 2023 a 2024 (1.781.293). Apenas dois dos cinco grandes grupos de atividades econômicas registraram saldos positivos: Comércio (78.249) e Serviços (75.131). Registraram saldos negativos a Agropecuária (-16.566), a Construção (-23.804); e a Indústria (-27.135). Em novembro, foram registrados saldos positivos em 20 Unidades Federativas, com maiores saldos absolutos em São Paulo (31.104), Rio de Janeiro (19.961) e Pernambuco (8.996). Minas Gerais aparece entre os menores saldos: -8.740 postos (-0,1%). Para Paixão, o mercado de trabalho brasileiro vive um “descasamento” entre oferta e demanda. “Temos sinais que algumas competências e condições desejadas não se encontram com rapidez. O mercado pode gerar vagas líquidas e ao mesmo tempo enfrentar escassez em ocupações específicas, especialmente com desemprego baixo, com mudanças tecnológicas e organizacionais, que elevam a demanda de certas habilidades”.
Emendas parlamentares cresceram acima de 1.200% em uma década

De acordo com o Sistema de Informações Orçamentárias Gerenciais Avançadas (Siga Brasil), as emendas parlamentares cresceram acima de 1.200% em uma década. No orçamento deste ano, mais de R$ 60 bilhões já estão reservados para esse fim. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou uma série de estudos que examinaram os impactos desses recursos nas políticas públicas. Os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) por emendas, por exemplo, saltaram de R$ 5,1 bilhões em 2014 para R$ 24,8 bilhões em 2024. Já na educação, houve um aumento real de 315,6%, chegando a R$ 1,58 bilhão. Para entender mais sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com a mestra em Direito e professora de Direito Constitucional e Administrativo do UniArnaldo Centro Universitário, Virgínia Machado. Qual é a função original das emendas parlamentares no orçamento público? São instrumentos que permitem aos deputados federais e senadores a destinação de recursos públicos oriundos do orçamento da União para programas, projetos, obras, serviços, entre outros. É possível a existência de emendas individuais, de bancada, estadual ou de comissão. A emenda parlamentar permite que o Legislativo federal, através do Congresso Nacional, possa influenciar no processo de elaboração do orçamento anual da União. As emendas, uma vez apresentadas, podem acrescentar, modificar ou suprimir itens (rubricas) do projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) elaborado e enviado pelo Poder Executivo. Sendo assim, deputados federais e senadores podem intervir na destinação de recursos públicos federais, tanto junto aos estados e municípios quanto às instituições. O uso deste instrumento altera o equilíbrio entre os Poderes Executivo e Legislativo? Da maneira como vem sendo exercida, a utilização das emendas parlamentares transformou a forma pela qual o orçamento público é destinado, esvaziando todo o debate que, em tese, é necessário. A partir dessa realidade percebe-se que esses recursos, ao se tornarem impositivas e desvinculadas do planejamento do governo federal, têm a capacidade de alterar significativamente o equilíbrio entre os poderes, e, afetam de forma substancial programas e políticas públicas essenciais, criadas em âmbito federal, impactando na governabilidade. Qual é o papel da Constituição na garantia de transparência sobre a destinação e execução das emendas? A Constituição de 1988 apresenta a obrigatoriedade de todos os Poderes, em todas as esferas, sejam elas Federal, Estadual, Municipal ou Distrital, seja na Administração Pública Direta ou na Indireta, de seguir, respeitar e cumprir, dentre outros, o princípio da publicidade. A publicidade apresentada pelo constituinte visa que o titular da coisa pública, o povo, tenha acesso a todos os atos praticados pelo poder público, com fins de permitir o acompanhamento e, principalmente, a fiscalização. Do ponto de vista constitucional, é possível conciliar emendas impositivas com uma gestão pública eficiente? A Constituição busca sim uma gestão pública eficiente, focada em resultados satisfatórios ao atendimento do interesse público. Contudo, da maneira como as emendas vêm sendo aplicadas e realizadas, no atual cenário brasileiro, é um grande desafio para essa gestão pública eficiente e, por consequência, o desenvolvimento do Estado brasileiro como um todo. Isso porque, a destinação de recursos diretamente por membros do Legislativo, que em muitos casos não estão envolvidos em programas, planejamento estratégico, avaliação de políticas públicas, sem os devidos critérios técnicos, estudos, análises de especialistas, gera distorções e ineficiência. A obrigatoriedade das emendas impositivas tem aumentado o poder nas mãos dos membros do Legislativo, fazendo com que ocorra fragilidade e dificuldade de implementação do planejamento governamental. Na sua avaliação, qual é o principal desafio constitucional no uso das emendas parlamentares no Brasil? Inicialmente é necessário maior transparência e clareza quanto às emendas, no tocante à sua destinação, forma com que foi aplicada e demonstração de resultados. E é necessário também que haja maior equilíbrio e harmonia entre os poderes envolvidos.
Geração Z prioriza atividade física e comunidade

Segundo o 12º Relatório Anual de Tendências do Ano no Esporte do aplicativo Strava, a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) está priorizando a boa forma, a conexão e a comunidade. Essa geração adotou a corrida, a caminhada, o treino de força e a variedade de multiesportes. Conforme a pesquisa, esse grupo tem 75% mais probabilidade, do que a Geração X, de dizer que sua principal motivação para o exercício é uma corrida ou evento. Dados do aplicativo Runna revelaram que a maioria dos usuários se classificam como corredores iniciantes (26%) ou intermediários (34%). E 30% desses jovens planejam gastar mais com fitness em 2026. Ano passado, eles dobraram os gastos com atividades físicas. O cardiologista da Unimed-BH, José Pedro Jorge Filho, explica que essa é uma geração que cuida mais da saúde. “Eles têm procurado academias para se socializar, e com isso, ocorre um treinamento e uma educação melhor em termos de hábitos, que pode evitar uma série de comportamentos questionáveis, como tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes, entre outros”. Filho ressalta que todos os indivíduos, principalmente se possuir histórico familiar de algum problema de saúde, devem fazer o check-up cardiológico detalhado. “Porque isso pode não só diminuir riscos de ter problemas durante a atividade, mas vai orientar a respeito do melhor treino e melhor exercício para a pessoa”. “Uma boa alimentação e uma boa noite de sono vão interferir favoravelmente na saúde do coração e no resultado dos exercícios. A pessoa que dorme pouco e que treina muito vai ficar exaurida, vai entrar em fadiga mais fácil, o que pode trazer vários problemas”, acrescenta. O cardiologista pontua que sedentarismo ainda é um grande problema para essa geração. “Tenho visto adolescentes e pré-adolescentes que ficam no sedentarismo absoluto. Às vezes, o fim de semana inteiro, nos jogos de computador e celular, não tem uma oportunidade para fazer exercício. Isso é muito ruim em curto, médio e longo prazo. Já em relação à ansiedade, costumo dizer que a atividade física é boa para o corpo e para a mente. Descarrega as tensões, a adrenalina acumulada e libera a endorfina que acalma”, finaliza. Bons hábitos A analista de marketing, Thalita Santos, de 27 anos, conta que desde a adolescência a atividade física já fazia parte de sua rotina. “Principalmente caminhadas e corridas ao ar livre. Na fase adulta comecei a frequentar academia, mas durante a pandemia precisei interromper os treinos. Quando o período mais crítico passou, voltei aos poucos”. “Retornei à musculação, mas senti que ainda precisava experimentar novas modalidades para reencontrar o prazer em me exercitar. Nesse processo, pratiquei boxe, muay thai, funcional e também dança, até encontrar outras atividades que me motivassem novamente. O exercício físico está presente no meu cotidiano com um propósito muito claro: cuidar da minha saúde e, principalmente, manter a qualidade de vida”, afirma Thalita. Ela comenta que a prática regular de exercícios trouxe muito mais disposição e consciência corporal. “Hoje sei melhor quais são meus limites, o que meu corpo aguenta e me sinto muito mais ativa no dia a dia. Além disso, a atividade física ampliou minha vida social, me permitindo conviver com pessoas de diferentes idades, rotinas e realidades. Acredito que investir na saúde agora é a melhor forma de garantir bem-estar lá na frente”. Já para o estrategista de marketing digital, Pedro Ribeiro, de 28 anos, a atividade física passou a ser mais presente há alguns anos. “Quando percebi a necessidade de cuidar melhor da minha saúde e do meu bem-estar. No início, não era tão regular, mas com o tempo fui entendendo a importância da constância e dos hábitos corretos”. Pedro faz musculação, para ganhar massa, e aeróbico. “Esses exercícios impactam muito na saúde mental. Consigo ficar mais focado e também me auxilia na questão do sono. E como boa parte do meu trabalho é feito de forma on-line, ir à academia me ajuda a socializar com outras pessoas. Virou uma rotina que busco priorizar”, finaliza.
“Soberania Imaginativa” é o tema da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Com a temática “Soberania Imaginativa”, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes terá início no dia 23 de janeiro. A programação reúne realizadores, críticos, estudantes, profissionais do audiovisual e público em geral em uma agenda intensa e inteiramente gratuita, que articula exibições, debates, encontros formativos e atividades de mercado. A expectativa é receber um público acima de 35 mil pessoas. O coordenador curatorial da Mostra, Francis Vogner dos Reis, explica que a temática desse ano surgiu no texto curatorial da edição de 2025. “Foi um termo que foi muito usado em pesquisa acadêmica e discutida em seminários, as pessoas voltaram a essa expressão como uma espécie de chave para entender alguns elementos e impasses do cinema brasileiro contemporâneo como um todo. Principalmente em um ano, como foi de 2025, em que a questão da soberania voltou à discussão”. “Não queremos repetir nenhum debate sobre soberania, que já foi lançado décadas atrás, sobre nossa relação complexa com os produtos e com o cinema ou com a cultura estrangeira. O nosso desejo é olhar para o contexto contemporâneo e entender as regras com as quais a nossa imaginação trabalha, e o que efetivamente tem sido feito em termos do audiovisual”, acrescenta. A definição dessa edição, em algumas palavras, seria ousadia, desejo e sonho, afirma Reis. “Ousadia para propor algo que está fora do circuito comercial, de estar fazendo proposições que não respondem a uma demanda específica e restrita de mercado. O desejo de fazer com que o audiovisual e o cinema entrem no processo social e cultural brasileiro com mais ênfase e força. E o sonho de uma soberania, que possa abraçar a nossa diversidade, pois é importante ter pessoas diferentes fazendo filmes, ampliando a variedade de indivíduos e de segmentos sociais”. 137 filmes Neste ano, serão exibidos 137 filmes, sendo 43 longas-metragens e 93 curtas-metragens, todos em pré-estreia de 23 estados. A sessão de abertura acontece na noite de 23 de janeiro, no Cine-Tenda, com a exi- bição inédita do filme “O Fantasma da Ópera”, curta-metragem de Júlio Bressane e Rodrigo Lima. Com 25 minutos de duração, o filme foi construído a partir de imagens captadas durante os intervalos de filmagem do longa-metragem inédito “Pitico”, estrelado por Paulo Betti. A coordenadora-geral do evento, Raquel Hallak, destaca que a Mostra de Cinema de Tiradentes nasceu com o propósito de ser a grande aliada do cinema brasileiro. “Ela oferece e promove um espaço de formação, reflexão, exibição e difusão da produção contemporânea. Um lugar de encontro, de trocas, escuta e provocação, e manter essa vocação viva ao longo de quase 30 anos exige constante atualização, sensibilidade ao tempo presente e abertura ao novo”. Para Raquel, o evento é um dos principais espaços de descoberta, legitimação e visibilidade do cinema independente brasileiro. “Muitos realizadores, que hoje possuem reconhecimento nacional e internacional, tiveram na Mostra Tiradentes a exibição de seus primeiros filmes, curtas e longas-metragens. Ao apostar em obras autorais, experimentais e ousadas, muitas vezes à margem dos circuitos tradicionais de exibição, a Mostra cumpre um papel fundamental na renovação do cinema brasileiro”. Homenagem A Mostra homenageia a atriz, roteirista e diretora fluminense Karine Teles, uma das figuras centrais do cinema brasileiro contemporâneo. Com trajetória marcada pelo trânsito entre o cinema independente e o audiovisual de grande alcance. Karine construiu uma carreira que articula o autoral e inventivo com produções de ampla circulação, sem se afastar do núcleo mais experimental e criativo do cinema nacional. Aos 47 anos, Karine realizou diversos trabalhos com a produtora mineira Filmes de Plástico, como os curtas-metragens “Quinze” (2014) e “Nada” (2017) e o longa “No Coração do Mundo” (2019); esteve em produções de repercussão internacional, como “Que Horas Ela Volta?” (2015) e “Bacurau” (2019); e participou de séries e telenovelas. Sua trajetória começou a ganhar destaque com “Riscado” (2010), exibido na Mostra Aurora da edição de 2011 da Mostra Tiradentes.
Pesquisa revela queda de 5,9% nas vendas de material escolar

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, analisa o período de 2024 a 2026 e aponta retração projetada de 5,9% nas vendas de material escolar neste ano, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%). Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços do material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressão específica de custos, como papel, logística, insumos importados e câmbio, e reforça o caráter regressivo do gasto educacional. Itens essenciais e de menor valor unitário, como canetas, lápis e papel sulfite, demonstraram maior resiliência, enquanto produtos de maior desembolso, como cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo, registraram quedas expressivas. O movimento indica substituições, reaproveitamento e postergação de compras, principalmente entre famílias de renda média e baixa, indica a pesquisa. O presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Cláudio Felisoni, destaca que a volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais desafiador do que em 2025. “O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e altas limitações à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios”. Já o doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que essa retração é um misto de fatores. “Apesar da inflação mais moderada esse ano, temos um quadro de certo aperto no orçamento das famílias, o que é contínuo, e uma prática de reaproveitamento dos materiais do ano anterior. Isso pode revelar um novo padrão de comportamento. Juntando com os preços dos materiais escolares, um pouco acima da inflação, gera retração do setor”. Cantelmo acredita também que o endividamento das famílias não é o fator causador desses números. “Até porque, no ano passado, o endividamento também estava muito elevado e o setor expandiu. Os índices de débitos são muito similares, e inclusive em dezembro terminou com proporções mais altas da série histórica. Mas, é uma elevação contínua nos últimos anos e uma tendência estrutural da economia, que não impactam o segmento”. Orçamento familiar Um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro revela que os gastos com materiais escolares afetam o orçamento de 88% das famílias brasileiras que têm filhos em idade escolar. Para 52% dos pais e responsáveis, o impacto é considerado grande. O economista afirma que a tendência é que esse efeito permaneça nesse mesmo patamar para os próximos anos. “Essa é uma questão que tem a ver com outros aspectos estruturais da nossa economia. Por exemplo, temos uma taxa de juros elevadíssima, que tem sido mantida durante um bom período nesses patamares, e isso influência na dinâmica do consumo de modo geral”. “A renda das famílias não tem uma estimativa de melhora de curto prazo, podendo haver uma perspectiva de avanço em um prazo mais dilatado. A tendência é que continue no mesmo patamar, sob o ponto de vista de maior comprometimento, dependendo de fatores como a própria cadeia de produção”, acrescenta. Variação de 235% Conforme o estudo realizado pelo site de Pesquisas Mercado Mineiro, entre os dias 8 a 10 de janeiro de 2026 em Belo Horizonte e região, em 11 estabelecimentos, a diferença de preço do material escolar pode variar 235% de uma loja para outra. Essa variação foi encontrada na caneta Bic, que pode custar de R$ 1 até R$ 3,35. O valor médio é de R$ 1,72, com variação de 16%, se comparado com ano passado. O apontador com reservatório pode custar de R$ 2,60 até R$ 5,90, variação de 127%, com preço médio de R$ 3,73. E o caderno brochurão de 60 folhas pautado pode custar de R$ 6,90 até R$ 13,90, uma variação de 101%, com valor médio de R$ 9,53.