Faturamento da indústria mineira apresenta desempenho negativo

  Segundo a Pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a indústria mineira apresentou um desempenho negativo em março. O faturamento da indústria geral – que inclui os segmentos extrativo e de transformação – recuou 5,8% em relação a fevereiro. De acordo com a instituição, essa queda é justificada pela menor demanda nas empresas do segmento de transformação. Porém, apesar do índice negativo, a indústria mineira apresentou resultados positivos no acumulado dos últimos 12 meses, apresentando uma alta de 4,7%, beneficiada por uma demanda interna ainda aquecida. Essa resiliência da economia tem ocorrido em um ambiente de mercado de trabalho robusto e de estímulos fiscais do governo federal. Para 2025, o estudo indica um crescimento econômico menos vigoroso em comparação a 2024. A Fiemg destaca fatores como o aperto monetário em curso, o impulso fiscal mais contido e a preocupação quanto à sustentabilidade das contas públicas como justificativa. Além do cenário internacional que segue marcado por elevada incerteza, após o pacote tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos. O doutor em economia e especialista em macroeconomia e economia industrial, Wallace Marcelino Pereira, explica que a indústria mineira está acompanhando o comportamento da indústria nacional que está começando a sentir os efeitos do novo ciclo de elevação da taxa de juros Selic. “Além disso, os consumidores estão mais pessimistas em relação à inflação, emprego e consumo. Ou seja, observa-se um processo de desaquecimento em curso na economia, porque os consumidores estão reduzindo o consumo”. “Como a indústria mineira destaca-se nas atividades ligadas à extração mineral, automotiva, metalúrgica, alimentícia e da moda, parte dessas atividades industriais fornecem insumos para outras indústrias de Minas e do Brasil. Como a demanda está se reduzindo, por causa da inflação e dos juros mais elevados, isso diminui o consumo por produtos do setor, o que provoca um efeito em cascata, caracterizada pela queda de faturamento também em Minas Gerais”, esclarece. Pereira pontua, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a produção industrial das atividades de metalurgia e máquinas e equipamentos tiveram queda de 3% e 10,5%, respectivamente. “A China tem adotado um comportamento mais competitivo, fazendo com que a indústria de metalurgia, por exemplo, perca espaço domesticamente. Por fim, como ambas são atividades importantes na estrutura industrial mineira, a queda do desempenho afeta significativamente a indústria de Minas Gerais como um todo”. Ele ainda acrescenta que o cenário é desafiador e demanda atenção. “É preciso aguardar a próxima reunião do Banco Central para saber qual será a decisão sobre a taxa Selic. Além disso, é preciso monitorar o comportamento da inflação nos próximos meses. De todo modo, o cenário indica tendência de leve declínio do faturamento”.   Dados nacionais Já a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o faturamento real da indústria subiu 4,7% no primeiro trimestre de 2025. Contudo, o resultado do setor, em março, apresentou queda de 2,4%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o indicador cresceu 10,8%. Conforme o levantamento, o emprego industrial registrou estabilidade. Nos dois primeiros meses do ano, os postos de trabalho haviam crescido 0,4%. Com isso, o indicador encerrou o primeiro trimestre com alta de 0,8%. Por outro lado, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores da indústria fecharam os três primeiros meses do ano em queda. Após cair 2,8% em março, a massa salarial consolidou recuo de 1,9% no primeiro trimestre. “O emprego industrial vinha de uma sequência de 17 meses de crescimento ininterrupto, com variações pequenas, porém consistentes. Nos dois primeiros meses, o ritmo de crescimento do emprego foi significativo e, agora, está estável. No entanto, ainda é cedo para apontar se é o fim desse longo ciclo ou se ele vai se repetir nos próximos meses, mas fica o alerta, sobretudo quando analisadas outras variáveis que, em sua maioria, foram negativas na passagem de fevereiro para março”, avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Etapa do Circuito Nacional Tennis Kids será em Betim

O Teuto Esporte Clube, em Betim, na região Metropolitana de Belo Horizonte, vai receber o Circuito Nacional Tennis Kids entre os dias 16 e 18 de maio, das 8h às 18h. O torneio terá disputas de simples e duplas, com categorias para jovens atletas de 8, 9, 10 e 11 anos, feminino e masculino. A competição será dividida por chaves. Sendo que as categorias de 8 a 10 anos terão melhor de dois sets curtos (4 games), com sistema No-Ad, com o set iniciando em 2 a 2 e Tie-break de sete pontos, caso haja empate em 6 a 6. Já no grupo dos atletas de 11 anos terá melhor de dois sets (em caso de empate o confronto será definido em um Match Tie-Break até 10 pontos). Não haverá pontuação para o ranking nacional. Para o vice-presidente da Federação Mineira de Tênis (FMT), Roberto Moreira, o Circuito Nacional Tennis Kids tem como principal objetivo incentivar a prática e o desenvolvimento de habilidades nos jovens atletas. “Mas, também oferece uma grande oportunidade para que os esportistas locais enfrentem adversários de diferentes regiões, já que o torneio tem atraído participantes de várias partes do país. Isso enriquece a experiência e amplia o aprendizado dentro e fora da quadra”. Ele afirma também que, para esta etapa, são esperados a participação de aproximadamente 70 atletas mirins, distribuídos nas quatro categorias por faixa etária. “É um número expressivo, especialmente considerando que o torneio não faz divisão por nível técnico, apenas por idade, o que torna a competição ainda mais desafiadora”. Moreira esclarece que a FMT tem investido continuamente no desenvolvimento do tênis infantil no Estado. “Buscando profissionalizar cada vez mais os torneios e torná-los mais atrativos para os atletas, famílias e professores. Além disso, a Federação tem trazido competições de nível nacional, como o Circuito Nacional Tennis Kids, ampliando as oportunidades para os jovens atletas mineiros. Também promovemos ações de fomento ao esporte com projetos como o ‘FMT nas Ruas e Parques’, o ‘Festival Kids FMT’ e o apoio a iniciativas sociais voltadas à formação esportiva e inclusão”. Essa edição será a segunda etapa do circuito, a primeira foi em Maceió (AL). No próximo semestre, o torneio passa por Londrina (PR), Brusque (SC) e Rio de Janeiro (RJ). Expectativas As expectativas para a etapa que será realizada no Teuto Esporte Clube são muito positivas, avalia Moreira. “Esperamos um torneio com bom nível técnico, e, principalmente, um ambiente acolhedor e divertido para as crianças, que é o mais importante nessa fase de formação. Também acreditamos que essa etapa será mais uma oportunidade de integração entre atletas, professores e famílias de diferentes regiões”. Essa será a segunda vez que o Teuto será sede do circuito. E o clube espera ter como benefício a inserção das crianças na modalidade, bem como o reconhecimento da instituição em âmbito nacional, revela o diretor de tênis do Teuto Esporte Clube, Flávio Rezende. “O legado é o incentivo à prática do esporte, e que aqueles que não conhecem o tênis possam ter o primeiro contato. Pois, melhora a coordenação, flexibilidade, força muscular, desenvolve a capacidade cerebral e ensina a lidar com frustração da perda”. “É uma oportunidade para crianças de diferentes contextos se encontrarem, fazerem amizades e aprenderem umas com as outras, promovendo inclusão e empatia, criando futuros atletas ou simplesmente incentivando um hobby saudável. Além, é claro, do fato de que as competições podem revelar jovens com potencial, que poderão ser acompanhadas e desenvolvidas com mais foco”, pontua o diretor. Rezende destaca ainda que a escolha da instituição como sede desse evento se deu por diversas condições. “Destaco a estrutura em geral do clube e do complexo de tênis, onde contamos com sete quadras envoltas de uma bela estrutura para receber os atletas e seus convidados. Além da parceria de longa data com a FMT, que também é uma condicionante para escolha, bem como envolvimento do clube em incentivar o esporte”. Neste ano, o clube tem planos de receber outra grande competição, revela Rezende. “Porém, não de Tennis Kids, e sim um torneio de classes intitulado FMT 1000, que também será em parceria com FMT”.

BH a Pé: a valorização da memória cultural

O BH a Pé (BHP) tem como objetivo resgatar histórias antigas da capital mineira por meio de passeios temáticos a pé. É um projeto de valorização da memória cultural, que possui oito roteiros. O foco do BHP são pessoas que consomem cultura, que querem fazer passeios ao ar livre, que gostam de ler, ir ao teatro e ao cinema. Essa é a definição do Rafael Sette Câmara, que é jornalista, produtor cultural e escritor, que ao lado da esposa, Luísa Dalcin, que também é jornalista e produtora cultural, criaram o BHP em 2020. Ele destaca que o projeto nasceu no contexto da pandemia. “No momento em que já era possível fazer atividade ao ar livre. Como somos profissionais de comunicação de turismo, a pandemia afetou demais o nosso negócio, nosso modo de vida, e a gente resolveu criar o BHP”. “Outras duas coisas também influenciaram a criação do projeto. O fato de sempre receber amigos, parentes da minha esposa, que não são daqui de Belo Horizonte, para fazer roteiros turísticos. Tínhamos que ser criativos, e naturalmente foram surgindo ideias e sempre gostei muito de estudar a história da Capital, sua literatura e de ler livros que foram escritos sobre a cidade. Então, eu tinha um conhecimento acumulado muito grande, e assim, o BHP foi surgindo”, acrescenta. Ele explica que fazer um passeio a pé é um outro tipo de experiência. “Percebemos os detalhes, podemos parar a hora que quisermos, e vemos os defeitos e as qualidades. Boa parte das pessoas que fazem o passeio são belo-horizontinos, que passam nesses lugares todos os dias de carro ou ônibus e não prestam atenção. Na medida que elas estão a pé e dedicadas ao lazer, à cultura e ao turismo, a percepção e a vivência é outra”. Segundo Câmara, os passeios têm três eixos principais. “Uma é a literatura, porque sou escritor e pesquiso o tema, e sempre quero que o roteiro busque na literatura sua inspiração. O objetivo é com as caminhadas levar essa temática para as ruas da cidade. Além disso, a gente tem o foco gastronômico, a Luísa é jornalista gastronômica do projeto @ondecomerebeber, e tentamos incluir a gastronomia, levando em consideração que Belo Horizonte é uma cidade criativa da gastronomia, de acordo com a Unesco. E por último, a história da cidade, assim a gente tenta misturar esses três pontos”. Roteiros Páginas Viradas – Experiência que mistura história, boemia e a literatura do começo do século 20. Foi o primeiro roteiro a ser criado; Nostálgicos Futebol Clube – Conta a origem do futebol mineiro, com muita comida de boteco e uma harmonização de cerveja diferente, que é a harmonização com memória esportiva; Minas é Muitas – É um mapa do tesouro da gastronomia mineira diante do Mercado Central e do Mercado Novo, com um toque de literatura; Hilda Furacão – Passeio pela BH dos anos 1960, totalmente focado no livro homônimo de Roberto Drummond e na série da Globo; Almas de Minas – Um passeio pelos fantasmas mais célebres e pelas lendas urbanas mais famosas da capital; Clube da Esquina – Uma caminhada do Centro ao Santa Tereza, com um músico nos acompanhando, cantando as músicas do Clube da Esquina; BH de Juscelino – Um mergulho na história de Juscelino Kubitschek antes da construção de Brasília e da presidência; BH Maluquinha – Homenagem aos 30 anos do filme “O Menino Maluquinho” e ao escritor Ziraldo. Com visitas a lugares que aparecem no longa. Nos próximos dias, tem quatro passeios programados. Informações e mais detalhes no @caminhadasbh no Instagram. Experiência O músico e funcionário público, Thiago Martins, 40 anos, participou do primeiro passeio temático do BHP. “Fui na caminhada literária na pandemia, de máscara e tudo. Depois, participei do Nostálgicos e da Hilda Furacão. Mas, quero ir nos outros para completar todos os passeios do projeto”. “Sou belo-horizontino e gosto muito da capital, principalmente da Contorno para dentro. Acho que não perdemos em nada para cidades como Madrid, Barcelona, Paris, São Paulo, Buenos Aires, e outras. Gosto muito de caminhar pelo Centro, de conhecer as histórias. E o Rafael é um contador de histórias, conta muito bem, e ele sempre tem uma que a gente nunca ouviu falar. E essa é a diferença, o olhar do Rafael sobre os lugares”, relata o músico.

70 milhões de pessoas poderão ir às compras no Dia das Mães

Segundo projeções divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), para os Dias das Mães, o índice de vendas do setor do comércio deve indicar um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. A estimativa é que o segmento movimente cerca de R$ 14,2 bilhões. Em 2024, as vendas no varejo, durante a semana da data festiva, ultrapassaram R$ 13 bilhões. Estima-se que mais de 70 milhões de consumidores realizem algum tipo de compra nesse período, com mais de 100 milhões de transações comerciais previstas entre os dias 1º e 12 de maio. O ticket médio também tende a crescer, saindo de R$ 205, em 2024, para uma média entre R$ 220 e R$ 250, em 2025. O comércio eletrônico deve representar 35% do volume total de vendas. As categorias mais buscadas incluem moda e acessórios, perfumaria e cosméticos, eletrônicos de pequeno porte, flores, chocolates e experiências personalizadas, como jantares, viagens curtas e dias de spa. A mestre em finanças e professora de economia da UNA, Vaníria Ferrari, explica que o Dia das Mães é uma data com forte apelo emocional. “As pessoas tendem a comprar qualquer produto, desde flores a vestuário, perfumaria e eletrodomésticos. A simbologia incentiva o aumento das vendas. Outro aspecto interessante é que o consumidor tem se mostrado mais consciente. Com a elevação da inflação e a perda do poder aquisitivo, as pessoas têm planejado suas compras. Dessa forma, espera-se que alguns dias antes da data, as vendas comecem a elevar”. “O crescimento do consumo, nessa data específica, terá um impacto positivo na economia do país. Pelo lado da empresa, poderão criar estratégias para alavancar as vendas e compensar a elevação de custos. Pelo lado do consumidor, há preocupação de um aumento do endividamento, principalmente no cartão de crédito, mas, economicamente falando, maior consumo pode representar uma maior produção em alguns setores, movimentando a economia”, acrescenta. Porém, Vaníria pontua que esse aumento é sazonal e não reflete a realidade econômica do momento. “Com preços cada vez mais altos, a população tem sentido no bolso a perda do poder de compra. Dessa forma, somente em datas específicas ou em necessidades, o consumidor tem realizado compras”. Expectativa do varejo Já uma pesquisa realizada pela Rcell, uma das maiores distribuidoras de tecnologia do Brasil, com o apoio da ASUS, indica que 85,7% dos comerciantes projetam o faturamento acima de R$ 1 milhão para a data. E 79,2% dos lojistas acreditam que o ticket médio será acima de R$ 450. Sobre as tendências de consumo, os produtos domésticos, como máquinas de lavar, liquidificadores e air fryers, lideram a lista, sendo apontados por 50% dos entrevistados. Os presentes práticos, como panelas elétricas, cafeteiras e aspiradores portáteis, representam 25% da demanda. Os de luxo, como perfumes importados, joias e smartphones de última geração, também possuem um público significativo, correspondendo a 20,8% das escolhas. Já os personalizados, como canecas decorativas, álbuns de fotos e kits de cuidados pessoais customizados, aparecem com 4,2% da preferência. O diretor de marketing da Rcell, Alexandre Della Volpe, afirma que o Dia das Mães é uma das datas mais estratégicas para o varejo brasileiro, e a expectativa de crescimento reflete uma combinação de fatores essenciais. “A retomada da confiança do consumidor, o avanço do e-commerce e a maior personalização das ações promocionais, têm impulsionado o otimismo do setor”, finaliza. Minas Gerais De acordo com a pesquisa Expectativa de Vendas Dia das Mães 2025, realizada pelo Núcleo Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, 46,4% dos empresários do comércio de Minas Gerais esperam vender mais do que no ano passado. O estudo verificou que 6,9% dos comerciantes farão contratações temporárias para reforçar o atendimento aos clientes. Em 2024, 8,1% das empresas fizeram contratações. Cerca de 48% dos comerciantes acreditam que o gasto médio na data comemorativa deverá ficar entre R$ 70 e R$ 200. O estudo apontou ainda que a região do Estado em que o Dia das Mães mais afeta o comércio é a Jequitinhonha/Mucuri (95%), seguida da região Central (90,48%).

Ao menos 56 crianças morreram em desafios on-line nos últimos anos

Segundo o Instituto DimiCuida, de 2014 a 2025, ao menos 56 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 18 anos, morreram no Brasil em decorrência de desafios compartilhados nas redes sociais. Os dados se baseiam em relatos de famílias e casos noticiados em jornais. A ocorrência mais recente foi a da menina de 8 anos, Sarah Raissa, do Distrito Federal, que morreu após inalar um desodorante aerossol. A tia da menina disse nas redes sociais que a garota participou de um desafio no Tik Tok que consiste em inalar o produto pelo máximo tempo possível. Porém, esse não é um caso isolado, segundo a Polícia do Rio de Janeiro, nos últimos anos, 50 menores de idade, entre crianças e adolescentes, morreram depois de serem induzidas a cometer crimes em plataformas digitais. No início do ano, por exemplo, um adolescente de 14 anos, Davi Nunes Moreira, morreu após misturar uma borboleta morta com água e injetar no próprio corpo em Vitória da Conquista, na Bahia, o denominado “Desafio da Borboleta”. A advogada civilista, Gabriela Maciel Campos, explica que embora não haja uma legislação específica para punir esses desafios que colocam em risco a vida ou a integridade física das pessoas, quem cria ou divulga esse tipo de conteúdo não fica impune. “Os artigos 122 e 132 do Código Penal, por exemplo, punem o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, bem como, quem expõe a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”. “Cabe destacar que, recentemente, foi criado um Projeto de Lei que propõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pois as crianças e jovens são as vítimas mais afetadas por esse tipo de conduta. O projeto visa criminalizar a criação e o incentivo, além do compartilhamento desses desafios que o induzem a participar de jogos perigosos de forma on-line ou off-line com consequências prejudiciais à saúde física ou mental”, afirma a profissional. Ela ressalta também que as plataformas podem sim sofrer sanções e serem responsabilizadas pelos conteúdos postados e veiculados por seus usuários. “Contudo, é necessário que haja omissão, ou seja, só podem ser responsabilizadas civilmente pelos conteúdos postados por terceiros se não tomarem providências após uma ordem judicial que determine a remoção”. Recentemente, o governo federal disse que pretende retomar a discussão da regulamentação das redes no Congresso. A advogada afirma que essa retomada do debate no Congresso Nacional pode ajudar significativamente a reduzir crimes ligados a esses desafios perigosos na internet. “Isso porque podem ser criadas normas que imponham deveres e responsabilidades a plataformas como Tik Tok, YouTube, Instagram, entre outras, quanto ao conteúdo que circula nelas, além de regras que obriguem as plataformas a monitorar e bloquear preventivamente conteúdos de alto risco, com algoritmos de moderação reforçados”. Cuidados O psicólogo e professor da Faseh, Welder Vicente, pontua os sinais comportamentais que os pais devem prestar a atenção. “Isolamento repentino ou evitação de interações familiares; mudanças no sono, alimentação ou humor; uso excessivo de dispositivos digitais, especialmente em segredo; mentiras frequentes sobre o que está fazendo on-line; participação em brincadeiras perigosas ou com riscos físicos; e interesse por conteúdos sombrios, violentos ou autodepreciativos. Esses indícios, quando aparecem juntos e de forma persistente, indicam que algo precisa ser investigado com cuidado”. Vicente esclarece que a prevenção começa com a educação emocional e digital. “Criar um espaço seguro de diálogo em casa, onde o jovem se sinta ouvido sem julgamento; estimular o pensamento crítico; ensinar habilidades sociais e de enfrentamento, que fortalecem a autoestima e a capacidade de dizer ‘não’; entre outras medidas”. “Vale lembrar que esses desafios on-line muitas vezes exploram uma fase de maior vulnerabilidade emocional. Crianças e adolescentes estão construindo sua identidade e precisam de modelos seguros, limites claros e escuta ativa. A prevenção mais poderosa ainda é o vínculo: jovens que se sentem pertencentes, valorizados e compreendidos tendem a buscar menos esses caminhos perigosos”, alerta.

Estudo aponta aumento de 80% na incidência de câncer entre jovens

Com mais de 1,8 milhão de casos, cada vez mais jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo. O aumento foi de 80% em novas ocorrências entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas (1990-2019), segundo um estudo publicado na revista britânica BMJ Oncology. O tumor de mama foi o mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago. Mais de 1 milhão de pessoas dessa faixa etária morreram em decorrência de tumores em 2019, um aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o índice global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de 31% e 21%, respectivamente, em 2030. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos a cada ano do triênio de 2023 a 2025, uma soma que resultará em mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. Para o presidente do Instituto Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, as medidas-chave para conter o avanço desses índices estão nas políticas de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos custos, tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”. Já para a cirurgiã oncológica, docente na Faseh e mestre em Ciências Aplicadas à Oncologia, Fernanda Parreiras, esse crescimento expressivo reflete, em parte, justamente os avanços na detecção precoce. “Exames mais sensíveis e maior conscientização da população fazem com que hoje encontremos tumores que antes só seriam diagnosticados em estágios avançados. Porém, não podemos atribuir tudo ao diagnóstico, há, de fato, uma verdadeira elevação na ocorrência de alguns tipos de câncer em adultos jovens, que em alguns casos estão relacionados a fatores genéticos e também, ou exclusivamente, aos fatores ambientais, como hábitos de vida associados ao aumento da obesidade, uso e abuso de substâncias químicas, exposição à agentes agressores e outros”. “O sedentarismo, por exemplo, contribui para o acúmulo de gordura corporal e inflamação crônica de baixo grau, ambos ligados a maior risco de câncer de cólon, mama e endométrio. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados promovem obesidade e resistência à insulina, condições prótumorais. Além disso, o estresse crônico altera o equilíbrio hormonal e reduz a eficiência do sistema imunológico em reconhecer e eliminar células anormais. Assim, um estilo de vida desequilibrado cria um ambiente interno que facilita o surgimento e a progressão de tumores”, explica. Prevenção Fernanda destaca que a vacinação contra HPV e hepatite B, reduz significativamente os cânceres de colo de útero, orofaringe e fígado; mudança de hábitos; proteção solar; e aconselhamento genético, em famílias com histórico de câncer precoce, permite rastreamento e intervenções personalizadas, são alguns dos cuidados que as pessoas podem ter para se prevenir. Ela cita ainda alguns sinais de alerta que esse grupo não pode ignorar. “Nódulos ou caroços persistentes em qualquer região do corpo; feridas que não cicatrizam em boca, pele ou genitais; sangramentos anormais nas fezes, na urina, no corrimento vaginal ou no vômito; perda de peso inexplicada superior a 5% do peso corporal em seis meses; dor persistente sem causa aparente; e mudanças na pele, como pintas que alteram de cor, tamanho e bordas irregulares”, finaliza.

Cidades do Vale do Aço cobram segurança em audiência pública

Nos últimos cinco anos, as ocorrências de estelionato triplicaram no Vale do Aço, foram 2.286 episódios somente em Ipatinga. Em 2024, 1.314 casos de agressões contra mulheres, na Região Metropolitana do Vale do Aço, foram registrados. Um crescimento de mais de 20% em relação a 2023, segundo o deputado Celinho Sintrocel (PCdoB). O parlamentar solicitou uma audiência na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada no dia 22 de abril. O intuito da audiência pública foi debater as condições da segurança pública, a violência, a criminalidade e as ocorrências policiais na área de abrangência do 58º Batalhão de Polícia Militar, no município de Timóteo e no Colar Metropolitano do Vale do Aço. O presidente da Câmara Municipal de Timóteo, Adriano Costa Alvarenga (PRD), explicou que há uma falta de efetivo na Polícia Militar na região. “Vários policiais foram para a reserva e nós não temos profissionais para recompor o quadro. Na Civil também faltam investigadores. Há uma dificuldade de operação de forma mais consolidada, tanto por parte da Polícia Militar quanto por parte da Civil”. “Temos que trazer uma solução para os crimes, melhorar a sensação de segurança para a população e dar condições para que o efetivo Militar e Civil possa ser acrescido na região. Além de trazer uma solução sobre a Delegacia Regional de Coronel Fabriciano que trará um impacto muito positivo, se caso ela se consolidar, pois vai diminuir a perda de efetivo no horário de trabalho, por ter que se deslocar para a cidade de Ipatinga, por contar com apenas uma Regional, e ter um investimento maior nas forças de segurança”, finaliza. Vários representantes da população da região estiveram presentes, como vereadores e prefeito, e algumas reivindicações foram apresentadas na reunião, como a criação de guardas municipais, a implantação de Delegacia Regional, aumento do efetivo das Polícias Militar e Civil e uma Delegacia Especializada da Mulher. O deputado Celinho Sintrocel destacou a importância de maior efetivo policial, tanto nas ruas como na zona rural, para prevenir a criminalidade e diminuir a sensação de insegurança da população. “Precisa que o Estado promova mais concurso público para oferecer mais policiais, pois quando vemos a polícia militar na rua, em maior número, a gente sente a segurança mais forte. Mesmo sabendo que esses profissionais têm feito o possível, só com investimentos do governo do Estado que vamos melhorar”. Já o deputado Sargento Rodrigues (PL), que presidiu a comissão, ressaltou que nos últimos três anos a rubrica de investimento do Estado nas polícias militar e civil tem sofrido queda brusca. “Tendo o Executivo se valido de emendas parlamentares, de transferências da União e de recursos oriundos dos acordos pelos desastres de Mariana e Brumadinho”. Posicionamento das polícias O comandante da 12ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais – que abrange 97 cidades, entre as quais Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga – coronel Márcio Roberto de Sousa, disse que, no ano passado, 178 novos policiais militares passaram por formação para que os municípios do Colar Metropolitano recebessem cada um, pelo menos, oito policiais. “E também há um concurso em andamento destinando mais de 300 vagas só para a 12ª Região. A formação dos selecionados deverá começar no segundo semestre, com os formandos já entrando em estágio durante a própria formação”. No âmbito da Polícia Civil, o delegado Gilmaro Alves Ferreira, afirmou que está em estudo a implantação da reivindicada Delegacia Regional de Coronel Fabriciano. “Já sobre a Delegacia Especializada da Mulher, frisou que, até o momento, houve a criação do Núcleo de Atendimento à Mulher, com a designação de delegada atuando em Coronel Fabriciano e Timóteo”. Ele ainda declarou que há um esforço do Estado para aumentar o efetivo. “No último concurso foram destinados a Coronel Fabriciano dois escrivães, estando previstos mais servidores para a região”, afirmou o delegado.

Programa melhora a qualidade das águas no Norte de Minas

Com o objetivo de proteger e recuperar as microbacias hidrográficas e as áreas de recarga dos aquíferos dos mananciais utilizados para a captação de água, o programa Socioambiental de Proteção e Recuperação de Mananciais, o Pró-Mananciais, está em atividade desde 2018 em Divisa Alegre, Norte de Minas. O projeto é idealizado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), em parceria com a prefeitura e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). De acordo com o extensionista e engenheiro agrônomo da Emater no município, Ernesto Filipe Lopes, o projeto proposto pela Copasa apresentava um plano desburocratizado e com efeito ambiental imediato. “Tendo em vista que objetiva o isolamento de áreas com cobertura vegetal nativa, englobando tanto as reservas legais, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e fragmentos de florestas remanescentes, garantido ganho ambiental na conservação do solo, florestas e recursos hídricos. Trazendo benefícios a curto, médio e longo prazo para os produtores locais”. Para proteger e recuperar os mananciais de água de Divisa Alegre foram realizadas, nas propriedades, várias ações como o cercamento de nascentes e áreas de reservas legais, a adequação de estradas vicinais, o plantio de mudas nativas e a construção de terraços e de bacias de contenção de água da chuva. O programa está beneficiando mais de 50 produtores, atualmente. O extensionista pontua que a cidade é mais afetada pela escassez da água em área rural. “No entanto, devido à distribuição irregular de chuvas na região, a população urbana também acaba sentindo os efeitos em razão do reservatório de abastecimento afetados. Por isso, a execução do projeto foi predominantemente em área rural, porém acaba beneficiando a população de modo geral”. Ele esclarece ainda que a Emater auxilia no programa Pró-Mananciais fazendo o levantamento junto aos produtores das demandas a serem executadas. “E os mobilizando e dando auxílio técnico nas execuções das atividades, como construções de barraginhas, terraços, cercamento de nascentes, entre outros”. Implantação Lopes destaca que na implantação do programa não houve dificuldade. “Mas, as ações nas comunidades houveram, no primeiro momento, receio dos proprietários. Contudo, depois de verem os benefícios nos locais onde foram executados, teve uma ótima aceitação nos anos posteriores”. A chefe da Divisão Municipal de Meio Ambiente, Kérlen Sabrina Vieira Moreira, afirma que o trabalho desenvolvido pela Emater foi fundamental para que mais propriedades aderissem ao Pró-Mananciais. “A instituição é um parceiro longevo e muito importante aqui no município, e o contato e o diálogo com o produtor foram facilitados por essa parceria. Além do suporte técnico aos nossos agricultores, auxiliando em projetos e atividades desenvolvidas na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente”. “Os trabalhos desse programa, em específico, têm impactando diretamente na diminuição da erosão e conservação das estradas rurais, bem como no cercamento de áreas de vegetação nativa em propriedades rurais”, ressalta Kérlen sobre os resultados obtidos. O agricultor Roger Spósito conta que a proposta desburocratizada e com efeito ambiental imediato foram fatores que o fizeram participar do programa, há dois anos. “Tive melhoria da qualidade das águas das nascentes e córregos da fazenda. Observo também uma diminuição da extração clandestina de lenha. Isso está ocorrendo, porque as pessoas compreendem que se trata de um local protegido”. A expectativa do projeto para os próximos anos é dar continuidade ao trabalho em parceria com o município, órgãos e entidades pertinentes, segundo explica Lopes. “Com a execução de mais ações de proteção e contenção das águas de chuva para evitar o assoreamento dos mananciais de água ainda perenes”.

48% das empresas pretendem contratar no segundo trimestre

As empresas brasileiras pretendem elevar o número de colaboradores em 48% no 2º trimestre de 2025, é o que aponta a Pesquisa de Expectativa de Emprego, desenvolvida trimestralmente pelo ManpowerGroup, empresa de soluções de força de trabalho. Se comparado com o trimestre passado, houve um acréscimo de 4 pontos. Atualmente, o Brasil ocupa o 12º lugar do ranking Expectativa Líquida de Emprego, calculada subtraindo-se empregadores que planejam fazer reduções na equipe daqueles que pretendem contratar. Para o período de abril a junho, essa taxa média é de 26% no país, apontando redução de 1% em relação ao trimestre passado. A pesquisa destaca também que as empresas de porte de 250 a 999 colaboradores estão mais propensas a contratar, 37%; seguida pelas instituições que possuem de 1.000 a 4.999 trabalhadores (32%); e acima dos 5 mil funcionários (29%). Entre os segmentos com expectativas mais altas, o de tecnologia da informação lidera com 39%. Em segundo, vem o setor de serviços de comunicação (38%) e em terceiro, saúde e ciências da vida (36%). De acordo com o diretor do ManpowerGroup Brasil, Nilson Pereira, o início do ano costuma ser marcado por incertezas econômicas e 2025 não foi diferente. “No entanto, à medida que o cenário vai se consolidando ao longo do primeiro trimestre, as empresas começam a ter uma visão mais clara sobre o que esperar e, consequentemente, aumentam os investimentos em contratações”. O economista Gelton Pinto Coelho ressalta que o Brasil encontrou um caminho consistente de crescimento econômico e também de ampliação do emprego e da renda. “Assim, empresas têm buscado melhorar seus quadros técnicos visando se preparar para atender às demandas. Esse cenário positivo pode melhorar ainda mais se os programas de financiamento da indústria e do agro surtirem efeito ainda neste ano de 2025”. “A melhoria da renda e a consistência no emprego e a possibilidade de melhoria salarial, faz com que o consumo da população gere rentabilidade adequada. A conquista de novos mercados externos gera possibilidades ainda maiores. Internamente, setores estratégicos integrados à Nova Indústria Brasil têm demanda garantida nas compras governamentais, como foi o caso da produção de insulina e de outros produtos de saúde nas últimas semanas em Minas”, observa o profissional sobre os benefícios dessas projeções na economia. Coelho pontua ainda que à medida que o país se especializa, setores como o de tecnologia da informação ampliam seus investimentos. “A produção, organização e análise de dados é fundamental para qualquer decisão. Neste sentido, as empresas investem cada vez mais na compra de equipamentos e serviços. Na medida em que crescem os serviços digitais, amplia-se a necessidade de garantir segurança ao consumidor nas transações pela internet e também, a Lei Geral de Proteção de Dados passou a responsabilizar quem não cuida corretamente das informações. Certamente, haverá crescimento e ampliação das contratações neste ano e nos próximos”. Expectativas dos estados Conforme o estudo, Minas Gerais aparece em quarto lugar, em relação as expectativas de emprego no Brasil, com 25%. Atrás de São Paulo (50%), Rio de Janeiro (34%) e outras regiões (30%). A cidade de São Paulo (24%) e Paraná (23%) fecham a lista. Sobre o índice de Minas, comparado com o nacional, o economista explica que o Estado está parado em termos de melhorias logísticas. “Não temos projetos claros de expansão das ferrovias, nossas estradas estão cada vez piores e com manutenções inadequadas. Isso, obviamente, interfere decisivamente nas decisões pessoais. Mesmo com renda e setores altamente especializados, o sentimento pessoal, por vezes, reduz o ímpeto de avançar”. Ele finaliza dizendo que, no geral, não há motivos para neste momento não ser otimista. “Para isso, é fundamental ampliar as reformas já iniciadas, como foi o caso da reforma tributária. Assim, as pautas econômicas precisam substituir as discussões atrasadas que o Congresso propõe hoje. Os avanços dependem de melhores leis, de mais justiça tributária e da melhoria da distribuição da renda no país. Quanto mais concentrada, piores serão as nossas possibilidades de competição num mundo cada vez mais conectado”.

2,4 milhões de brasileiros estão cadastrados no “Celular Seguro”

Segundo o Ministério da Justiça, mais de 2,4 milhões de brasileiros se cadastraram no aplicativo “Celular Seguro”, que é o programa que visa combater o roubo e o furto de aparelhos em todo país. Recentemente, o projeto entrou em nova fase, e agora passa a enviar notificações para o aparelho roubado, furtado ou perdido para incentivar a devolução voluntária. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora, 107 celulares são roubados ou furtados no país. Em 2023, foram registrados 937 mil aparelhos que estavam nessa situação. O Edição do Brasil conversou sobre o tema com a professora de Direito Criminal da Uniarnaldo Centro Universitário, Renata Furbino. O projeto “Celular Seguro” é a melhor medida para combater o crescimento desse tipo de delito?O programa é um avanço no combate aos roubos e furtos, porque facilita o bloqueio rápido de aparelhos e contas vinculadas. Ele atua mais como uma medida de rastreio e bloqueio de uso dos celulares furtados, todavia, esse tipo de crime é um problema complexo e estrutural, que envolve o desmantelamento do mercado ilegal e suas conexões. A iniciativa do governo de implementar o projeto é ótima e espero que seja cada vez mais aperfeiçoada. De que maneira o mercado de revenda de celulares roubados contribui para o aumento desses crimes?A existência de um mercado ativo para a revenda de celulares roubados, inclusive no exterior, como países onde o bloqueio brasileiro não tem efeito, estimula diretamente a prática do crime. Esses aparelhos têm alto valor de revenda e servem não só como dispositivos de comunicação, mas também como ferramentas para práticas de crime, como estelionato. Enquanto houver demanda e facilidade em revenda, haverá incentivo para a subtração desses bens. O que explica o número cada vez mais alto desse tipo de delito?Diversos fatores ajudam a explicar esse aumento, por exemplo, o celular se tornou uma espécie de banco na palma da mão, com acesso direto às contas, cartões e dados sensíveis. Além disso, é um alvo fácil, especialmente em grandes centros urbanos. A dificuldade de encontrar os autores dos crimes e a facilidade de escoamento do produto roubado completam esse cenário. Existe uma relação desse crime com o fortalecimento de facções?Sim. As facções criminosas se aproveitam desse tipo de crime para circular e gerar dinheiro com rapidez e constância. Elas operam redes de receptação de celulares roubados e cooptam os jovens para executarem os furtos e roubos. Com isso, fortalecem seu poder territorial e financeiro. Que papel as empresas de tecnologia podem ter para deixar as pessoas mais protegidas?As empresas têm um papel fundamental. Elas podem tornar os aparelhos menos atrativos para o mercado ilegal por meio de sistemas que inutilizem totalmente o celular após o roubo, mesmo com formatação. Além disso, há espaço para parcerias com o poder público para rastreamento mais eficiente e integração de dados em tempo real com autoridades. O que mais pode ser feito para reduzir o número de furtos e roubos de celulares além desse programa?É fundamental investir em investigação e atuação coordenada de inteligência para desarticular as redes de receptação e revenda de aparelhos celulares que são fruto de roubo ou furto. A melhoria na iluminação pública, o monitoramento por câmeras, o policiamento ostensivo em áreas críticas e campanhas de conscientização também são medidas complementares importantes que podem contribuir na redução desse tipo de delito. O tema segurança pública tem que ser tratado de maneira diferente pelos nossos governantes?Certamente. A segurança pública precisa ser encarada de forma integrada, um agir que envolva uma ação planejada de todos os entes federativos, atuação de prevenção e repressão pautadas em inteligência e compartilhamento de dados cruciais para a investigação. Analisando o momento atual, você acredita que podemos ter uma diminuição desse tipo de crime, em curto prazo?A curto prazo, penso ser difícil prever uma queda significativa na quantidade de furtos ou roubos de dispositivos celulares. O número de armas em circulação aumentou, há dificuldades claras na investigação dos crimes e o mercado ilegal de revenda do produto permanece aquecido. No entanto, diversas ações coordenadas e efetivas, como repressão às redes de receptação, melhoria na tecnologia dos aparelhos e campanhas de conscientização e prevenção, podem começar a produzir resultados cada vez mais concretos.