CineOP completa 20 anos de existência

Consolidada como um evento singular no cenário audiovisual brasileiro e internacional, a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) completa 20 anos em 2025. Com o tema central “Preservação: A alma do cinema brasileiro”, a edição comemorativa propõe um olhar para o futuro sem abrir mão da memória. Com uma programação intensa e gratuita, a edição pretende atrair mais de 20 mil pessoas em suas exibições de filmes, debates, oficinas, encontros da preservação e da educação, rodas de conversa, exposição e diversas atrações culturais. Durante seis dias, entre 25 e 30 de junho, Ouro Preto se transforma na capital do cinema brasileiro. A diretora-geral da CineOP, Raquel Hallak, revela que chegar a 20ª edição do evento é motivo de celebração, de grande orgulho e emoção. “É a consolidação de um projeto singular que nasceu com o propósito de tratar o cinema como patrimônio e valorizar o cinema brasileiro em sua dimensão histórica, educativa e de preservação. Representa também a relevância e a continuidade de um espaço que se tornou referência nacional e internacional no debate sobre a preservação audiovisual em conexão com a educação”. “Ao longo de duas décadas, os desafios foram muitos e variados. Manter a CineOP como um evento independente, gratuito, contínuo e de qualidade em um país marcado por instabilidades econômicas e políticas foi – e continua sendo – um grande exercício de resiliência e compromisso com a cultura brasileira”, acrescenta. Raquel explica ainda que a escolha do tema reafirma o compromisso central da CineOP com a salvaguarda da memória audiovisual. “Como um ato essencial para a cultura e para a construção da identidade nacional. Sem preservação, não há história e sem história, não há futuro possível para o cinema”. Programação Ao longo de seis dias, o público poderá assistir a 144 filmes (30 longas, 1 média e 116 curtas-metragens), produzidos em 10 estados brasileiros e cinco países. As exibições estão organizadas em 12 mostras: Histórica, Competitiva, Contemporânea Longas e Curtas, Educação, Valores, TV UFOP, Preservação, Mostrinha, Cine-Escola, Cine Concerto e Itaú Cultural Play. A Praça Tiradentes será palco do Cine-Praça, com capacidade para 500 pessoas. Também terá o Cine-Teatro, instalado no auditório do Centro de Convenções, que contará com uma plateia de 510 lugares. Além do Cine-Museu, novidade nesta edição, que ocupará o Anexo do Museu da Inconfidência. Com capacidade para 90 lugares, o espaço será responsável por abrigar uma programação especial. Mais de 400 convidados são esperados para a 20ª edição da CineOP, entre cineastas, pesquisadores, arquivistas, professores, estudantes, gestores culturais e representantes de redes e instituições de todo o Brasil e do exterior. A programação será divulgada no site oficial: cineop.com.br. Homenagem A temática histórica dessa edição propõe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema, com foco na atuação das mulheres, tanto na frente quanto nos bastidores das produções audiovisuais. Assim, a edição homenageia a atriz Marisa Orth como um dos principais talentos do humor e das artes cênicas no país. Com carreira que transita entre o cômico e o dramático, a televisão e o teatro, o popular e o cult, ela se consolidou como figura multifacetada e autêntica. Sua mais icônica personagem, Magda Antibes, da sitcom “Sai de Baixo”, é lembrada ainda hoje pela crítica irônica aos lugares-comuns da representação feminina, trazendo à tona questões profundas e sempre bem-humoradas sobre o tema. Além de séries e novelas, Marisa também participou de filmes e musicais. Para o curador Cléber Eduardo, Marisa Orth é uma artista que sintetiza a elasticidade do humor e a força criativa das mulheres no audiovisual brasileiro. “O humor das mulheres no cinema brasileiro é uma expressão de resistência e de criatividade que desafia estereótipos de gênero e cria novas formas de representação”. Já a diretora destaca que a atriz é uma artista completa. “Com trajetória marcante no teatro, na televisão e no cinema. Seu trabalho no humor brasileiro é ímpar, e sua presença na cultura nacional é símbolo de talento, ousadia e empatia com o público. A escolha de homenageá-la dialoga com o recorte da mostra histórica deste ano e celebra sua contribuição ao cinema com leveza e profundidade”.
Consumo pode ter uma alta de 3,01%

Segundo o anuário IPC Maps 2025, as famílias brasileiras deverão gastar cerca de R$ 8,2 trilhões ao longo deste ano. Com base na estimativa atual de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), essa movimentação representará um aumento real de 3,01% em relação a 2024. Mesmo com a elevada taxa de juros e a alta da inflação, o cenário é de otimismo para o consumo, com níveis percentuais bem acima aos da economia. Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, a “melhoria dos níveis de emprego com carteira assinada proporcionou uma garantia de renda ao trabalhador, refletindo diretamente na escalada dos valores de consumo”. A oferta maior de vagas de emprego formal também influenciou a atual configuração do perfil empresarial do país. Se nos anos anteriores houve um grande aumento na quantidade de empresas abertas, sobretudo de microempreendedores individuais (MEIs), em 2025, o crescimento de 4,2% em relação a 2024 foi puxado principalmente pelas microempresas (MEs) em detrimento das MEIs, cuja quantidade basicamente se manteve. O doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que o país está com um desemprego relativamente baixo, ainda que seja na informalidade, e isso se converte em consumo. “Esse crescimento é sustentável, a médio e longo prazo. Na verdade, é um movimento tendencial que poderia ser até maior e mais qualificado, a depender da democratização da renda, com a ascensão das classes C e D”. Ele destaca ainda que esse aumento no consumo não influencia tanto a inflação. “Óbvio que o consumo interno pode sim levar a um processo inflacionário em alguma medida, principalmente para alguns produtos específicos, como no caso de alimentos. Na atual composição da economia brasileira, há uma inflação sobre os serviços, mas ainda assim está dentro daquilo que vem se encaminhando em termos de incremento de renda”. Hábitos de consumo As preferências dos consumidores na hora de gastar seu dinheiro continuam sendo para a categoria de veículo próprio, cujas despesas devem somar R$ 885,9 bilhões, comprometendo 11,7% do orçamento familiar. Tal comportamento tem se repetido nos últimos cinco anos, chegando a superar, inclusive, segmentos como alimentação e bebidas no domicílio, que representam R$ 780,5 bilhões ou 10,3% do consumo domiciliar. Ainda assim, os itens básicos são prioridade, com grande margem sobre os demais: 25,2% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,7% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc.); 6,7% são medicamentos e saúde; e 4,6% alimentação e bebidas fora de casa. Classes D e E Uma pesquisa desenvolvida pela Data-Makers e divulgada com apoio da ONG Gerando Falcões e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) mostra que 59% dos consumidores, com renda até dois salários mínimos, devem aumentar o consumo ainda neste ano, índice superior a todas as outras classes sociais estudadas. De acordo com o levantamento, as classes D e E demonstram maior intenção de aumento de consumo que os demais grupos, chegando a 59%, enquanto a média da população é de 57%. Apenas 6% dos consumidores de baixa renda demonstram intenção em reduzir os gastos neste ano, o que mostra forte tendência de consumo. Cantelmo esclarece que a expectativa de aumento de gasto dessas classes se explica pelo aquecimento do mercado de trabalho. “E junto com os programas sociais importantes permitem que essa faixa de renda mais empobrecida do país consiga permanecer fazendo o consumo dos itens que são básicos para o seu dia a dia”. Porém, o economista alerta sobre o risco de endividamento dessas classes. “Existe um incremento dessa renda a partir do aquecimento do mercado de trabalho, em setores de baixa remuneração, e há também um estímulo no Brasil para o consumo por meio do crédito. O endividamento tem sido uma tônica da economia brasileira nos últimos anos e tem uma tendência de elevação”, finaliza.
Um terço dos idosos que tem mais de 65 anos sofre quedas

Anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofre quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos, e o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa. É o que estima o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Já a última edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que a prevalência de quedas dessa população, residente em áreas urbanas, foi de 25%. A ELSI-Brasil, realizada entre 2019 e 2021, também mostrou que os fatores associados à ocorrência de quedas são multidimensionais, destacando: sexo feminino (que apresenta maior prevalência), faixa etária igual ou superior a 75 anos, medo de cair devido às más condições das vias públicas, medo de atravessar a rua, artrite ou reumatismo, diabetes e depressão. O mestre, doutor e coordenador da Ortopedia do Hospital Unimed BH, José Carlos Vilela, ressalta que esses dados são muito preocupantes. “A questão da queda e fratura em idosos é de relevância para a saúde pública, em virtude da morbidade e custo dos envolvidos. Com o envelhecimento da população, essa quantidade de casos deve aumentar e muito”. Ele pontua que os fatores de risco podem ser divididos em dois grupos. “O paciente idoso, em geral, tem menos força, menos equilíbrio, tem diminuição da acuidade visual e auditiva. E 70% deles têm duas ou mais comorbidades, tomam medicamentos que diminuem a pressão, que se relacionam com o ritmo cardíaco e que, eventualmente, se relacionam com o nível de consciência, o que também favorece as quedas”. “O paciente idoso também costuma apresentar sarcopenia, que é a diminuição da massa muscular e, principalmente nas mulheres, tem a redução da densidade óssea, também conhecida como osteoporose. O primeiro favorece as quedas e o segundo as fraturas. E o risco de morte decorrente da fratura não pode ser ignorado, sendo estimado em torno de 15% a 30%”, acrescenta. Alerta O doutor elucida ainda quais sinais de alerta os familiares devem se atentar para evitar futuras quedas. “Observar os pacientes que apresentam deterioração da marcha e da autonomia, como tomar banho sozinho; e idosos que o estado de consciência tem se deteriorado, como aqueles que apresentam demência, além dos pacientes com perda auditiva e visual. É muito importante lembrar de evitar tapetes, degraus e colocar corrimão em escadas e banheiro. Evitar também que tenham pisos escorregadios e/ou deixar o espaço molhado fora da área do chuveiro”. Vilela explica que é preciso cuidado para manipular o paciente após a queda. “O ideal é que seja chamado um serviço de urgência para mobilização adequada. Pois, muitas vezes, uma queda pode apresentar outras lesões, não só a fratura do fêmur, e a manipulação incorreta pode piorar o quadro clínico, além de causar dor”. “Esse cuidado é mais relevante ainda, quando não foi percebida por ninguém, porque a causa da queda pode ser mais importante que o quadro ortopédico. Já que motivos frequentes que causam esses tombos em idosos são o acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia cardíaca”, observa. Cuidados O especialista e professor de fisioterapia da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), José Roberto Carvalho Barbosa, destaca que para reduzir o risco de quedas é importante que os idosos adotem um estilo de vida mais ativo. “Atividade física regular e uma rotina de exercícios que incluem fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade. É essencial que essas pessoas sejam incentivadas a realizar atividades diárias que promovam a mobilidade e a independência”. Barbosa afirma ainda que os exercícios funcionais são fundamentais para manter e melhorar a capacidade física. “Permitindo que eles realizem atividades cotidianas de forma independente e segura. Estes exercícios integram vários sistemas corporais, facilitando as tarefas de vida diária”. Já a atividade física orientada pode ajudar na prevenção de quedas, avalia o especialista. “Os benefícios são melhora do equilíbrio e coordenação, da flexibilidade e mobilidade, e fortalecimento muscular. Algumas opções são: pilates, caminhada, dança, tai chi, musculação, hidroginástica, entre outros”, finaliza.
Estudo mostra que 92% dos brasileiros apoiam aumento da licença-paternidade

Uma pesquisa realizada pela Coalizão Licença Paternidade (CoPai) revela que 92% dos brasileiros apoiam o Projeto de Lei (PL) que aumenta o tempo de licença-paternidade custeado pelo governo. Outro dado do levantamento aponta que 63% dos entrevistados aprovam o aumento da licença para 30 dias. O estudo mostra também que 35% das pessoas alegam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema, em comparação com os 26% sobre a licença-maternidade. A atual regra estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é que todo trabalhador tem direito a cinco dias corridos de licença-paternidade. Por ora, o programa Empresa Cidadã permite que a licença seja estendida em até 20 dias para as instituições participantes. No entanto, segundo a Andi Comunicação e Direitos, apenas 16%, dos empreendimentos aptos a participarem, aderem ao programa. Em 2024, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou o projeto que aumenta a duração da licença-paternidade e cria o salário-paternidade. O PL 3.773/2023 determina que o prazo da licença pode ser ampliado gradualmente, chegando a até 60 dias. Atualmente, o texto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas existem outros projetos sobre o assunto no Congresso. A presidente adjunta da CoPai, Caroline Burle, pontua que a mudança na legislação é de suma importância e multifacetada. “Impactando diretamente o desenvolvimento infantil, a saúde familiar e a economia do país. Atualmente, a licença de apenas cinco dias é comprovadamente insuficiente para promover o vínculo paterno e apoiar a família nos primeiros e cruciais momentos da vida de um bebê”. “O Congresso Nacional tem um prazo, que vence no final de junho, para regulamentar a licença-paternidade, que foi definida em 1988 de forma transitória, e desde então segue sem a regulamentação devida. Precisamos aproveitar este momento para aprovar uma licença de pelo menos 30 dias, condizente com os desafios dos dias atuais”, acrescenta. Ela esclarece também que estudos e experiências internacionais demonstram que a licença-paternidade ampliada gera impactos econômicos positivos para a sociedade. “A ampliação é vantajosa para as empresas, ao contrário do que muitos pensam, os dados mostram que essa medida gera ganhos em engajamento, reputação e produtividade, sem custos adicionais para o empregador”. “Portanto, é uma política de ‘ganha-ganha’, beneficiando tanto os colaboradores quanto às empresas, ao promover um ambiente de trabalho mais motivador, produtivo e com maior retenção de talentos, sem onerar diretamente o caixa corporativo”, observa Caroline. Na avaliação da advogada especialista em direito da família, Adriana Galon, o Brasil ainda se encontra em posição bastante tímida no cenário internacional. “Nações como Suécia, Noruega, Alemanha e Espanha adotam modelos amplos e igualitários de licença parental, permitindo que pais e mães compartilhem de forma equilibrada o tempo de cuidado com os filhos, com remuneração garantida pelo Estado”. Adriana ressalta que, dessa forma, o modelo brasileiro revela-se ainda conservador e restritivo. “Sem previsão de licença compartilhada, sem política universalizada e com alcance limitado. Para alcançar os padrões internacionais de equidade de gênero e proteção à infância, seria necessário adotar reformas legislativas que ampliem e tornem efetivo o direito à paternidade ativa desde os primeiros dias de vida da criança”. Impacto A advogada destaca como argumentos jurídicos favoráveis ao aumento da licença-paternidade a igualdade de gênero e corresponsabilidade parental. “Além da proteção integral da criança e do adolescente, dignidade da pessoa humana, normas internacionais de direitos humanos, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, precedentes legislativos e políticas públicas e efetividade dos direitos sociais fundamentais”. “Ampliar a licença-paternidade por meio de lei é muito mais do que estender um benefício trabalhista, trata-se de uma medida estruturante, com forte impacto na construção de famílias mais saudáveis, na promoção da igualdade de gênero e no desenvolvimento integral das crianças. É uma transformação que repercute diretamente na qualidade das relações familiares e no avanço da sociedade como um todo”, finaliza.
Projeto de incentivo ao aleitamento materno é aprovado na Assembleia

Com o objetivo de melhorar o perfil nutricional de crianças, o Projeto de Lei (PL) 1.169/23, que trata da política estadual de promoção do aleitamento materno e da alimentação complementar saudável, recebeu parecer favorável em 2º turno na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 3 de junho. A proposição ainda pretende contribuir para o aumento da prevalência de crianças amamentadas de forma exclusiva até os seis meses de idade e de crianças amamentadas até os dois anos de idade ou mais. E também busca auxiliar na formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância e reduzir o número de crianças que recebem alimentos precocemente. De autoria da deputada Lohanna (PV), o PL dispõe que o Estado poderá formar tutores para implementar a política nos municípios, bem como poderá acompanhar o processo de implementação. Além de estimular a participação dos diversos setores e instituições no desenvolvimento de atividades que permitam a realização das ações de incentivo. A deputada Lohanna destaca que a implementação de políticas públicas de incentivo ao aleitamento humano é fundamental para promover e apoiar essa prática tão importante. “Ao incentivar a amamentação, essas políticas contribuem significativamente para a saúde infantil e para as pessoas que amamentam, reduzindo a mortalidade, prevenindo doenças e melhorando o desenvolvimento das crianças”. “É responsabilidade de governos, profissionais de saúde, empresas e comunidades apoiar e incentivar as pessoas a amamentarem, proporcionando o ambiente adequado e o apoio necessário para que esse processo seja bem-sucedido”, pontua. Ela afirma ainda que um PL análogo tramita em nível federal. “Todavia, não se pode deixar de lembrar da morosidade do processo legislativo naquela esfera, razão pela qual não se justifica a inércia do Estado de Minas Gerais quanto à regulamentação da referida política”. Diretrizes estabelecidas: Promoção da conscientização da população sobre a importância do aleitamento materno e da alimentação complementar saudável; Estímulo à amamentação em creches, escolas e ambientes de trabalho, entre outros; Incentivo à qualificação dos profissionais de saúde para apoiar o fortalecimento, o planejamento, a implementação e a avaliação de ações de promoção ao aleitamento materno e à alimentação complementar saudável; Desenvolvimento de ações contínuas de mobilização social para apoiar o aleitamento materno e a doação de leite materno; Fomento à expansão da rede de postos de coleta de bancos de leite humano; Incentivo à implementação, nos locais de trabalho, de salas destinadas ao aleitamento materno, à coleta e ao armazenamento de leite por trabalhadoras lactantes; Incentivo à alimentação saudável na infância, de acordo com a realidade local; Estímulo à adesão a programas de incentivos ou isenções fiscais por empresas que apoiem o aleitamento materno por parte de suas trabalhadoras. Aprovação A relatora e presidente da comissão, Ana Paula Siqueira (Rede), opinou pela aprovação na forma do vencido, que é o texto aprovado pelo Plenário no 1º turno, após modificações em relação ao projeto original. Dessa forma, o PL já pode voltar ao Plenário da ALMG para aprovação definitiva. A deputada Ana Paula Siqueira ressalta que o projeto constitui uma ferramenta relevante para o fortalecimento das políticas públicas voltadas para garantir os direitos das mulheres e crianças. “Isso porque a nutrição deficitária, nos primeiros anos da vida, pode acarretar danos significativos e irreversíveis ao crescimento físico e cerebral do bebê”. “E o leite materno, além de fornecer a nutrição ideal, oferece proteção contra infecções e mortes. A prática também protege a saúde das mulheres, pois estudos demonstram que em comparação das que amamentam com as que não amamentam ou amamentam menos, têm redução de 32% no risco de desenvolver diabetes tipo 2, de 26% para câncer de mama e de 37% para câncer de ovário”, finaliza.
Estudo sobre a Identidade Gastronômica pretende alavancar o setor em Diamantina

O Sebrae Minas está promovendo o estudo de Identidade Gastronômica de Diamantina, localizado no Vale do Jequitinhonha, que consiste em um diagnóstico da cultura alimentar do território, somado às diversas pesquisas já realizadas sobre o tema, para a construção de um plano de desenvolvimento do setor. Para isso, serão identificados os ingredientes regionais, personagens e modos de preparo que irão transformar essas características em oportunidades de negócios. A analista técnica do Sebrae Minas e responsável pela coordenação de projetos de gastronomia no Estado, Simone Lopes, explica que a escolha por Diamantina foi motivada pela relevância histórica e cultural. “Reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, além do potencial da cidade para fortalecer o setor de alimentação e impulsionar o turismo gastronômico por meio do resgate e valorização da identidade alimentar local”. Ela afirma que o estudo tem previsão de início em junho, com a etapa de entrevistas primárias com atores da gastronomia do território. “O levantamento vai ocorrer através dessas entrevistas, além de visitas técnicas a feiras, mercados e empreendimentos gastronômicos. A metodologia inclui também o registro de receitas tradicionais e modos de preparo típicos da região”. “O impacto da pesquisa será na criação de uma base sólida para estruturar e divulgar roteiros gastronômicos, fortalecer a oferta de produtos típicos e consolidar Diamantina como destino de turismo gastronômico, agregando valor à experiência turística. O plano de futuro, que será construído a partir do trabalho, vai embasar a estratégia de desenvolvimento e promoção da gastronomia do destino, com ações de curto, médio e longo prazos”, pontua. O estudo de Identidade Gastronômica faz parte da nacionalização do programa “Prepara Gastronomia”, idealizado em Minas Gerais e que, agora, está sendo replicado para todo o Brasil. A iniciativa também disponibiliza a donos de bares, restaurantes, lanchonetes e similares uma série de capacitações para melhorar a gestão dos negócios e reduzir custos de produção, melhorando a eficiência operacional. Ações A analista de negócios do Sebrae, Kele Vespermann, ressalta que no final de junho terá início o suporte empresarial, que será o atendimento às empresas, que serão 20 no total. “Vamos oferecer uma série de consultorias para esses empreendimentos. E também será realizada uma expedição gastronômica que será executada em setembro”. “Pretendemos elaborar um catálogo, um e-book, dos pratos desenvolvidos durante a consultoria e também da identidade gastronômica de Diamantina, e um plano de ação para os empreendimentos de alimentação no município. Ou seja, algo aplicável, com o passo a passo para desenvolver ainda mais o setor e melhorar o posicionamento no território”, afirma Kele. Simone acrescenta ainda que estão previstas ações de capacitação para aprimorar técnicas. “Estimular a inovação com base na tradição e preparar os empreendedores para aproveitar as oportunidades criadas pelo fortalecimento da identidade gastronômica”. Ela esclarece que a conclusão do diagnóstico e a apresentação do plano de desenvolvimento estão previstas para o segundo semestre de 2025. “O Sebrae pretende transformar essa experiência em um modelo que poderá ser aplicado em outros territórios em todo o Brasil, adaptando-se às especificidades culturais e produtivas de cada local”. “E está prevista a nacionalização do método, com a replicação das ações em diversos estados do Brasil, fortalecendo a identidade gastronômica como estratégia de desenvolvimento econômico e turístico. Já que ao identificar e valorizar produtos típicos, o estudo pode estimular a criação de novos negócios, produtos e serviços que dialoguem com a identidade gastronômica local, fortalecendo a economia criativa e o turismo”, finaliza.
102 mil unidades residenciais já foram vendidas este ano

Com os resultados alavancados pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o mercado imobiliário nacional apresentou um crescimento acima dos 15% nas vendas. Foram vendidas 102.485 unidades residenciais em uma amostragem de 221 cidades em todo o país, entre janeiro e março deste ano, o que representa um crescimento de 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior (88.583). Já os lançamentos totalizaram 84.924 unidades, com alta de 15,1% na comparação anual, os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O volume total lançado nos últimos 12 meses, nas mesmas 221 cidades, chegou a 407.949 unidades, e as vendas acumuladas no período atingiram 418.136 unidades, um aumento de 22,5% em relação ao ano passado. Já a oferta final de imóveis caiu para 287.980 unidades, o que corresponde a uma redução de 4,6%, sinalizando forte absorção pelo mercado. O MCMV respondeu por 53% dos lançamentos e 47% das vendas no período, com crescimento de 40,9% nas vendas e de 31,7% nos lançamentos em relação ao primeiro trimestre de 2024. A maior presença do programa é explicada pelas condições de crédito mais acessíveis, com juros reais a partir de 4%, e pelo aumento da participação de estados e municípios com subsídios adicionais. Além do fortalecimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que também ajuda a explicar o bom momento. Em dois anos, o orçamento do fundo dobrou, passando de R$ 80 bilhões para R$ 160 bilhões, com o reforço da Faixa 4 do programa feito neste ano pelo governo federal. O presidente da CBIC, Renato Correia, destaca que mesmo em um cenário de crédito caro, o brasileiro segue acreditando no investimento em moradia. “A força do MCMV, aliada ao crescimento da renda e à estabilidade no emprego, sustenta esse desempenho positivo. Como nosso déficit habitacional é majoritariamente de habitações econômicas, esse programa traz justiça social. E é fundamental que esse mercado seja valorizado e continue crescendo”. O sócio-fundador da Brain Inteligência Estratégica, Marcos Kahtalian, explica que o primeiro trimestre na economia brasileira está vindo forte. “Tivemos a menor taxa de desemprego para o trimestre, desde 2012, e um crescimento real da renda. Então, conjugamos uma situação de oferta de produto com crédito acessível, sobretudo do MCMV, com um mercado de trabalho e economia forte no período avaliado”. Oferta A oferta final de imóveis caiu para 287.980 unidades, o que corresponde a uma redução de 4,6%, sinalizando forte absorção pelo mercado. A queda na oferta geral, que reduziu 5,5% em relação ao trimestre anterior, reflete uma combinação entre aumento nas vendas e redução no ritmo de lançamentos fora do programa social. “O setor tem mercado para produzir mais do que está ofertando, o que está faltando é funding para o segmento acompanhar o crescimento e a demanda. O ideal era que os números de lançamentos, ofertas e vendas estivessem equilibrados, apesar da diminuição de oferta acarretar uma subida nos preços dos imóveis”, pontua o vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, Ely Wertheim. “Para os produtores, o ideal é que tivesse financiamento suficiente para que as empresas produzissem o que a demanda exige. E capacidade produtiva nós temos, o que está faltando é dinheiro para produção. Hoje, quem compra imóvel com financiamento, especialmente pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), faz um bom negócio. As taxas reais estão negativas e, se os juros caírem, o mutuário se beneficia”, acrescenta Wertheim. Projeções As expectativas da CBIC é de que o mercado imobiliário se mantenha em patamar elevado ao longo de 2025, especialmente com a consolidação da Faixa 4 do MCMV, que iniciou as contratações no mês de maio, e a continuidade dos financiamentos via FGTS e poupança. O desafio está na capacidade de manter a oferta na mesma velocidade da demanda, especialmente no segmento popular. O economista e conselheiro da CBIC, Celso Petrucci, afirma que a resiliência do mercado imobiliário é evidente. “A despeito da Selic elevada e das incertezas macroeconômicas, o desejo do brasileiro pela casa própria continua movimentando o setor”, finaliza.
Demanda por pensão alimentícia tem aumento no Brasil

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de processos de pensão alimentícia registrados no Brasil vem aumentando. Entre 2014 e 2019, o índice praticamente dobrou; sendo que, em 2021, o total foi de 460 mil pedidos. Recentemente, a exibição de uma cena sobre o tema na novela Vale Tudo, da TV Globo, provocou um aumento inédito na procura por atendimentos na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. Segundo dados oficiais, o aplicativo da instituição atingiu a marca de 4.560 acessos por minuto, um crescimento de 300% em relação à média habitual. Além disso, foram contabilizados 1.148 agendamentos realizados no mesmo período, número 70% acima da média diária registrada em 2025. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em direito de família, Isabela Oliveira. Como funciona o processo judicial para pedir a pensão? A solicitação pode ser feita por meio de uma ação judicial de alimentos. Ela deve ser proposta no foro de domicílio de quem vai receber a pensão e deve conter documentos básicos, se possível, dados sobre a renda de quem deverá pagar. O juiz pode fixar uma pensão provisória já no início do processo, garantindo o sustento do dependente enquanto a ação é julgada. Qual é a orientação para mulheres ou responsáveis que não sabem por onde começar? O primeiro passo é reunir documentos básicos: certidão de nascimento da criança ou adolescente, comprovantes de despesas mensais (como escola, alimentação, saúde, lazer, moradia, transporte e vestuário) e qualquer informação sobre a renda do pai. Vale aqui destacar que, apesar de quem irá pagar a pensão não ter uma renda efetivamente comprovada, os tribunais aceitam como indício de prova os sinais exteriores de riqueza para fins de identificação da possibilidade de pagamento da pensão, por exemplo, postagens em redes sociais de uma vida de luxo, uso de carros com o preço elevado, viagens para o exterior, entre outros. Com isso, a mulher ou responsável pode procurar a Defensoria Pública da sua cidade ou um advogado particular. É possível pedir pensão sem um advogado ou defensoria? Sim, contudo, de acordo com entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ADPF 591, uma pessoa somente poderá começar o processo de alimentos sem advogado ou defensor público, podendo comparecer pessoalmente ao juiz, apenas na primeira audiência. Após essa sessão, o próprio juiz vai designar um advogado para atuar no processo. Como a Defensoria Pública atua nesses casos? A Instituição oferece atendimento gratuito à população de baixa renda. Nos casos de pensão alimentícia, ela orienta, propõe a ação judicial, participa de audiências e acompanha o cumprimento da decisão. Muitas defensorias também tentam acordos extrajudiciais, antes de ingressar com a ação, o que pode acelerar a solução do conflito. Quais são os principais mitos e equívocos sobre o tema? Um dos principais mitos é que a pensão deve ser de 30% do salário do pai. Na verdade, o valor depende do binômio necessidade de quem recebe e possibilidade de quem paga, conforme previsto no artigo 1.694 do Código Civil. Outro equívoco comum é pensar que a pensão acaba automaticamente aos 18 anos. A jurisprudência do STJ reconhece que, se o filho estiver cursando o ensino superior, o pagamento pode ser estendido até a conclusão dos estudos. Parar de pagar uma pensão fixada judicialmente sem que outra decisão oriunda de um juiz tenha revogado tal obrigação pode motivar na prisão do devedor de alimentos. O que mudou nos últimos anos na legislação ou jurisprudência sobre pensão alimentícia? Nos últimos anos, a jurisprudência tem avançado no assunto fixando, por exemplo, que caso o genitor não consiga arcar com as despesas integrais do filho, os avós podem ser acionados; o STJ também decidiu no sentido de permitir a quebra do sigilo bancário e fiscal na ação de oferta de alimentos; e outro avanço importante, que merece destaque, diz respeito à possibilidade de mudança do foro da execução de alimentos ainda que o processo já tenha sido iniciado e o autor/credor de alimentos seja maior e capaz.
Circuito Sesc de Corridas completa 10 anos com provas em cinco cidades

Com o propósito de promover uma vida mais saudável pela prática esportiva, o Circuito Sesc de Corridas, realizado pelo Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), está completando 10 anos. O evento será realizado em cinco cidades e será totalmente gratuito para quem quiser assistir e aproveitar as atrações na arena do evento. A primeira a receber o circuito será Teófilo Otoni, região Nordeste de Minas, no dia 1º de junho, às 8h, na praça Tiradentes. Na sequência, o evento será em Varginha, em 29 de junho; e depois em Governador Valadares, Patos de Minas e Belo Horizonte. A atividade oferece percursos de 5 km e 10 km, caminhada de 2,5 km, corrida kids (100 a 500m), evento pet friendly, música ao vivo e kit atleta exclusivo. A inscrição é feita pelo site: circuitosesc.com.br, e é aberta a todas as pessoas, sendo que o trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo tem condições especiais. A inscrição tem valores a partir de R$ 55 e toda a renda vai ser direcionada ao Programa Mesa Brasil do Sesc, uma ação de combate à fome. O gerente de Esportes do Sesc em Minas, Marcelo Rochael, destaca que Teófilo Otoni foi a primeira cidade do interior de Minas a receber um evento de corrida da instituição que originou o Circuito Sesc de Corridas. “Então, nada mais justo do que sediar a abertura dos 10 anos desta atividade que impacta o cenário de corridas mineiras. Temos a expectativa de proporcionar uma experiência diferenciada aos participantes, com uma prova tecnicamente qualificada e com entretenimento”. Ele afirma ainda que o circuito gera um impacto social positivo, pois tem o poder de transformar hábitos. “Quem experimenta a corrida costuma buscar a prática mais frequente de atividade física, contribuindo para o bem-estar e qualidade de vida. No aspecto econômico, movimentamos o comércio de bens, serviços e turismo local, impulsionando a economia”. “Esse evento já mobilizou milhares de pessoas ao longo dos seus 10 anos, sendo reconhecido pelo público e por órgãos competentes como um exemplo de qualidade na organização e atendimento. O Circuito tem uma trajetória relevante e tem esgotado suas vagas por onde passa. E é o maior circuito de corridas da América Latina, com aproximadamente 100 edições em todo o Brasil”, acrescenta. Rochael finaliza dizendo que a maior conquista do Circuito Sesc de Corridas, ao longo desses dez anos, foi ter democratizado o acesso a serviços de corrida de qualidade. “Proporcionando uma experiência única. A Fecomércio MG, por meio do Sesc, acredita que o esporte é uma ferramenta de transformação social poderosa e ações como essa tem impactado a vida de muita gente”. 13 anos na corrida O atleta Renan Costa, 40 anos, participa do Circuito Sesc desde 2015, quando teve a edição noturna em Belo Horizonte. “Pratico a corrida de rua tem cerca de 13 anos e a energia é contagiante. Estar em um ambiente inclusivo, de lazer e superação pessoal me motiva a correr as provas”. “Sou ex-atleta de futsal e após parar de jogar queria me manter ativo. Então, iniciei na corrida e me apaixonei por essa modalidade. Não tenho objetivo relacionado a conquistas esportivas, mas sim em me superar a cada circuito. E aumentar as distâncias de provas é um objetivo, talvez uma maratona”, pontua. Costa acredita que o Sesc proporciona inclusão nas suas atividades. “Para nós, comerciários, os preços são muito acessíveis. A estrutura é comparável às grandes provas do Brasil e é sempre tudo muito organizado, com um atendimento ótimo”, conclui. 13 milhões de corredores De acordo com uma pesquisa realizada pela Olympikus, mais de 13 milhões de brasileiros praticam corrida, seja nas ruas, na esteira, nos parques ou em pistas. Sendo o quarto esporte mais popular no país, ficando atrás apenas de caminhada, musculação e futebol. Ainda segundo o levantamento, 75% dos entrevistados começaram a correr a partir de 2021-2022, durante a pandemia da COVID-19. Para 83%, a decisão de começar a prática está ligada à saúde física e mental. E a maioria dos corredores são homens, 58%; 46% está na faixa etária entre 25 e 45 anos, 51% mora no Sudeste e 47% são brancos.
Peça estrelada por Vera Holtz volta a Belo Horizonte em junho

Estrelado por Vera Holtz e escrito e encenado por Rodrigo Portella, a peça “Ficções” volta a Belo Horizonte, no Sesc Palladium, de 20 a 22 de junho, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h, com ingressos entre R$ 21 e R$ 180 pelo Sympla. Aclamado por público e crítica, com 22 indicações e vencedor de prêmios, o espetáculo percorreu 43 cidades e atingiu mais de 130 mil espectadores em dois anos e meio. Idealizado pelo produtor Felipe Heráclito Lima, “Ficções” teve como ponto de partida o livro Sapiens – uma breve história da humanidade, do professor e filósofo Yuval Noah Harari, que vendeu mais de 23 milhões de cópias em todo o mundo. O espetáculo conduz o público por uma bem-humorada viagem sobre a trajetória do Homo Sapiens. Vera Holtz se desdobra em personagens da obra literária e em outras criadas por Rodrigo, canta, improvisa, “conversa” com Harari, brinca, instiga a plateia e interage com o multi-instrumentista italiano Federico Puppi – autor e performer da trilha sonora original, com quem divide o palco. Juntos, eles envolvem o público em uma profunda reflexão sobre as ficções que moldam a realidade e a evolução da espécie humana. “Quando o Rodrigo, um jovem diretor, talentoso e vocacionado, chegou com essa proposta da performatividade, foi uma delícia. Como se eu falasse, agora é hora de você usar a sua liberdade técnica, porque toda essa convivência, o excesso de trabalho gera uma técnica. Não é um método, mas você tem uma técnica para você abordar os personagens e as cenas que lhes são propostas”, pontua Vera. “Já tinha lido o livro e também tinha uma vivência com a obra e essa questão das narrativas. Quando o texto veio, acredito em tudo que falo e dou aval a tudo aquilo que o Rodrigo escreveu. Algumas pessoas, às vezes, até acreditam que fui eu que escrevi o texto. Acho o recorte dele muito interessante, e a minha grande dúvida era que recorte do livro ele ia fazer. Acredito nessa capacidade que o homem tem de criar e crer, e de crer coletivamente. E que tudo se cria. E se você cria, você pode descriar”, acrescenta. O dramaturgo e diretor, Rodrigo Portella, explica que foi a Alessandra Reis, diretora de produção, que o convidou para escrever e dirigir a peça. “Já tinha escutado falar, mas não tinha lido a obra ainda. No que comecei a ler já entendi que aquilo dava teatro. Aliás, acho que qualquer coisa pode dar uma boa peça de teatro, porém, aquele livro já tinha muitos pontos ali colocados. Temas que acredito muito interessantes a serem discutidos na atualidade”. “O recorte da ficção que escolhi no processo de adaptação do livro, passa a ideia de que a vida humana, quase tudo o que a gente construiu, desde os nossos primeiros pactos civilizatórios até toda a estrutura tecnológica, a ideia de cidade, religião, economia, tudo, está ligado ao princípio da ficção, da crença em alguma coisa que não existe de fato, mas que a gente convenciona coletivamente. O principal desafio, na verdade, quando ela me convidou para fazer o meu entendimento, é porque o livro do Harari não é uma obra de ficção, é um estudo científico e histórico. Contudo, fiquei muito desafiado pela possibilidade de construir ficção em cima daquilo que não é ficção, que é um pouco o que o livro fala”, afirma. Trilha sonora O compositor da trilha sonora e performática da peça, Federico Puppi, ressalta que a trilha tem um papel muito importante na construção do espetáculo, como complemento dramatúrgico. “Tem a parte que toco no palco, e tem a da ambientação, da paisagem sonora. Todo o áudio da peça é em surround, propõe uma experiência imersiva para a plateia. A gente tem caixas espalhadas pelo teatro e o público está literalmente dentro do som do espetáculo, que é algo muito utilizado no cinema”. Para Puppi, o maior desafio foi criar uma dramaturgia musical que pudesse complementar a dramaturgia literária. “Porque é um texto muito denso, são muitas informações que são repassadas para a plateia, e a gente precisava de momentos que a música reforçasse as temáticas tratadas, mas também criasse um período de suspensão, que pudesse criar uma bolha para que o pensamento pudesse fluir e também ter aberturas para poder puxar novos assuntos”, finaliza.