Golpes por SMS já geraram mais de RS 10 bilhões em prejuízos

De acordo com o relatório da Apura Cyber Intelligence, uma onda de golpe por SMS, também conhecido como “smishing”, se destacou pela velocidade e alcance no Brasil. Conforme uma pesquisa da Norton, 54% das tentativas de fraude no país foram feitas por SMS, sendo que 43% das pessoas que receberam essas mensagens acabaram caindo no golpe. Dessas vítimas, 77% sofreram prejuízos financeiros, com perdas que vão de R$ 1,2 mil a até R$ 40 mil. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o total de perdas financeiras causadas por golpes no Brasil saltou de R$ 8,6 bilhões, em 2023, para R$ 10,1 bilhões em 2024, um crescimento de 17%. O relatório apresenta como uma das principais modalidades de fraude, as centenas de sites falsos que foram criados para enganar vítimas por meio de falsas notificações de encomendas, avisos de valores a receber e alertas de cassação da CNH. As mensagens continham links que levavam a sites fraudulentos, semelhantes a portais de empresas de logística e órgãos governamentais, induzindo as vítimas a pagar supostas taxas por meio de boleto ou pagamento instantâneo. “Conseguimos identificar, com o auxílio de nossa ferramenta de inteligência de ameaças e técnicas de investigação em fontes abertas, que mais de 300 domínios falsos foram usados apenas em campanhas que simulavam comunicações dos Correios, ampliando significativamente o alcance e o impacto dos golpes”, afirma o coordenador de reports na Apura, Marco Romer. Na avaliação do professor de prática e processo penal, Luiz Alberto Miranda Júnior, os golpes por SMS são frequentes, especialmente pela facilidade de atingir milhares de pessoas com ferramentas automatizadas de envio em massa. “Os fraudadores, geralmente, possuem listas de potenciais vítimas – aposentados, correntistas de bancos, motoristas, entre outros – e se utilizam de mensagens para induzi-las ao erro”. O objetivo comum dessas fraudes é coletar dados bancários e pessoais, redirecionando a vítima para sites falsos e instalando, por vezes, aplicativos maliciosos, afirma o professor. “Embora não exista legislação específica sobre golpes por SMS, tais condutas configuram, em regra, os crimes de estelionato e falsidade ideológica. Registre-se que a Lei nº 14.155/2021 agravou a penalidade quando a fraude é cometida por meio eletrônico, com pena de reclusão de 4 a 8 anos, se a vítima foi induzida ao erro por redes sociais, ligações telefônicas ou mensagens fraudulentas”. Principais golpes Júnior cita que os principais golpes são: falso aviso de banco, o SMS informa movimentação suspeita ou bloqueio da conta, solicitando “regularização” por meio de link; nome negativado, a mensagem menciona suposta negativação no Serasa ou SPC, ou existência de multas e débitos, com link para “consulta”; e cartão bloqueado ou transação recusada, alerta falso de tentativa de compra suspeita ou bloqueio de cartão. Ele orienta que ao identificar a fraude, é fundamental registrar boletim de ocorrência imediatamente. “Em caso de falsificação bancária, contatar o banco pelo canal oficial, bloquear transações e formalizar a contestação; e nos demais casos, alterar senhas de e-mails, redes sociais e aplicativos, e acionar o suporte da plataforma envolvida (como WhatsApp, Instagram, Mercado Livre)”. O professor ressalta ainda que é possível pleitear judicialmente a restituição do prejuízo. “Desde que demonstrada falha na segurança do sistema, especialmente em transações atípicas, como múltiplos empréstimos seguidos de Pix para contas não cadastradas. Nestes casos, entende-se que o banco possui mecanismos para detectar e bloquear tais operações”. “A melhor medida preventiva é a desconfiança. Bancos e plataformas não enviam links por SMS nem solicitam a instalação de aplicativos por mensagens ou chamadas telefônicas. O uso da autenticação em dois fatores tem se mostrado uma ferramenta eficaz para dificultar o acesso indevido”, finaliza.

Automedicação causa 20 mil mortes todos os anos no Brasil

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), a automedicação causa cerca de 20 mil mortes no Brasil todos os anos, já sendo considerada, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um problema de saúde pública. Em 2023, um estudo da Anvisa mostrou que houve mais de 30 mil casos de intoxicação apenas naquele ano causados por automedicação com remédios comuns, como anti-inflamatórios, analgésicos e antialérgicos. Entre os efeitos colaterais, foram registrados casos de alergias graves, hemorragias gástricas e insuficiência renal aguda. O gerente médico das emergências de um complexo hospitalar, Thiago Mattos, alerta que a prática de tomar remédios que já funcionaram antes para tratar um problema corriqueiro é muito comum entre os brasileiros. “Mas, apesar de parecer uma solução rápida para solucionar casos de febre, azia ou dores pelo corpo, a medicação que não é orientada por um especialista pode causar intoxicação, reações adversas e até mesmo agravar doenças que o paciente já tenha”. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais e cooperado da Unimed BH, Último Libânio da Costa, a facilidade para aquisição de remédios no Brasil favorece a prática. “A sociedade recorre a medicamentos sem prescrição médica, muitas vezes por recomendação de familiares, amigos ou buscas pela internet. Essas pessoas, em geral, não dominam o assunto por não terem formação profissional na área. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde também pode ser outro fator”. Costa pontua que o uso inadequado de medicamentos pode levar ao agravamento de condições clínicas pré-existentes. “Reações adversas, por vezes graves à saúde. O uso de sintomáticos de forma descontrolada pode mascarar sintomas de doenças, levando ao atraso de diagnósticos e tratamentos”. “No Brasil, os medicamentos mais utilizados são os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. São muito usados também descongestionantes nasais, expectorantes, antiácidos e antibióticos. O uso inapropriado de antibióticos é a principal causa de resistência das bactérias aos tratamentos, apesar da exigência de retenção de receita, é muito comum pessoas se utilizarem de sobras de procedimentos incompletos”, acrescenta. Grupos mais vulneráveis O presidente esclarece que as crianças e os idosos, além das pessoas que fazem uso de medicação contínua, pelo maior risco de interações medicamentosas, são as mais vulneráveis. “Em pacientes internados, há um risco alto em situações em que acompanhantes e, às vezes, o próprio paciente, fazem uso de medicamentos por conta própria sem conhecimento da equipe que o assiste”. “O uso indiscriminado de medicamentos pode causar prejuízos irreversíveis. As pessoas se preocupam com os efeitos colaterais digestivos dos anti-inflamatórios, porém, um problema silencioso é o dano renal. O paciente não vai sentir dor, nem diminuição do volume urinário. Quando os sintomas surgirem, já terá ocorrido algo mais grave”, alerta o profissional. Ele ressalta ainda que a atenção primária, que é aquele atendimento prestado nos postos de saúde, pode contribuir para redução da automedicação. “Tornar essa estrutura mais equipada e com condições adequadas, tanto para o prestador como para o usuário, elevará a qualidade na assistência e no acesso. Além de medidas efetivas de fiscalização e controle da venda de medicamentos sem receita e da veiculação de informações falsas sobre saúde”. “Muitas vezes, mudanças de estilo de vida, buscando hábitos saudáveis, resolvem ou atenuam problemas que pareciam sem solução. Aderir a atitudes de prevenção, como criar hábitos alimentares saudáveis, praticar atividade física regularmente, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas (ou fazê-lo com moderação), ter uma boa higiene do sono e manter-se sempre bem hidratado, são medidas simples que podem prevenir doenças ou, caso ainda assim elas ocorram, tornam o organismo mais preparado para enfrentá-las”, finaliza.

Situação do Presídio de Conselheiro Lafaiete foi discutida na Assembleia

Abrigando 280 detentos, em um prédio antigo e improvisado a partir de uma antiga cadeia pública da Polícia Civil, o Presídio de Conselheiro Lafaiete foi tema de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 15 de julho. O deputado Lucas Lasmar (Rede) solicitou a audiência, após diversas denúncias quanto à violação de direitos e às condições físicas degradadas da unidade prisional, e também ter constatado a situação crítica do presídio em visita realizada no dia 5 de junho. Além de celas com goteiras, cheiro de fumaça e paredes queimadas, a área de visitação de familiares estaria em más condições, com prejuízos para presos, familiares e servidores. E também a unidade conta com 63 policiais penais, sendo alvo de denúncias antigas de violação de direitos e condições físicas degradadas nas instalações, o que nos últimos anos gerou motins e protestos. O vereador de Conselheiro Lafaiete, Pastor Angelino (PRD), que pediu a vistoria do Estado para verificar de perto a situação. “O presídio se localiza no Centro da cidade e, durante a visita, nos deparamos com uma estrutura muito precária. Porém, não só a estrutura, mas também ficamos solidários aos policiais penais, que precisam ter pelo menos o básico para que eles possam atuar mais firmemente e fazer o trabalho com mais coerência”. “Quando o Estado não consegue fornecer para os policiais penais o básico, para que eles possam fazer o seu trabalho, estamos colocando esses profissionais em risco. É preciso que os olhares se voltem para essa questão do presídio da nossa cidade, para que possamos ter alguma solução”, pontuou. Para o deputado, as condições do prédio são indignas e insalubres para o trabalho das forças de segurança. “Que os presos paguem suas penas, mas nesse cenário é impossível haver uma ressocialização. Passaram-se três anos da última rebelião e tudo continua da mesma forma”. “Muitas das obras necessárias no local poderiam ser feitas pelos próprios apenados. Como a reforma do refeitório; novo telhado no setor administrativo; iluminação nas celas, escadas e galerias; reforma das celas, principalmente com pintura das paredes queimadas; e novo sistema de câmeras”, acrescentou. Posicionamento do Estado O diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais, Leonardo Badaró, disse que a unidade de Conselheiro Lafaiete está inserida em um quadro complexo. “As 168 unidades prisionais de Minas abrigam hoje mais de 66 mil presos, 10% a mais do que no final de 2024. Nenhum planejamento daria conta de um aumento desse porte em apenas seis meses”. Já o subsecretário de Gestão Administrativa, Logística e Tecnologia da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), André Ranieri, afirmou que os problemas relatados são conhecidos e que o local foi vistoriado em março e abril deste ano. “Vamos nos esforçar para garantir à unidade o que falta para resolver esse problema do telhado antes do período da chuva”. Segundo o subsecretário, para fazer frente a melhorias necessárias nas unidades, o investimento do Estado no sistema vem crescendo, e chegará a R$ 90 milhões no biênio 2024-2025 até o final deste ano. “Mas, acaba que nunca é o bastante. Viemos de um ciclo de superlotação e precariedade, e demandas como as de Conselheiro Lafaiete chegam das unidades em geral. Há uma fila de intervenções maiores ou menores”. Ele ainda ressaltou que há no Estado um contrato de locação de viaturas. “E que será feito um esforço para aumentar o limite legal e financeiro na tentativa de viabilizar o incremento de veículos locados. Hoje são duas viaturas rodando no presídio, e uma em manutenção, o recurso vindo, com toda certeza vamos proceder a aquisição. Não conseguimos cravar que a unidade vai receber, porém, a grande preocupação que temos é fazer esse reforço de viaturas em todo o sistema prisional”.

Produção de pinhão gera renda anual de R$ 3,5 milhões em Delfim Moreira

Com safra estimada em 500 mil quilos de pinhão para este ano, a cidade de Delfim Moreira, no Sul de Minas, é um dos maiores produtores da semente no Estado. O município tem cerca de mil hectares de araucárias, produzindo 60 kg por árvore e com renda anual de R$ 3,5 milhões. A produção de pinhão tem aliado geração de renda e preservação ambiental nos municípios da Serra da Mantiqueira, também no Sul de Minas. Em Delfim, os produtores trabalham em ações que estimulam o plantio de árvores e que devem aumentar os lucros. Entre esses trabalhos, estão o viveiro de mudas de araucária e a construção de uma unidade de processamento do pinhão, que está em andamento. A secretária de Agricultura, Joelma Pádua, destaca que o município tem uma produção expressiva. “Esse manejo mantém o ecossistema natural e traz renda para os produtores, e há várias ações em desenvolvimento para o fortalecimento da atividade em Delfim”. No total, cerca de dois mil produtores realizam a atividade de colheita do pinhão todos os anos no Estado. Segundo dados do Safra Agrícola da Emater-MG para 2024, além de Delfim Moreira (2ª posição), os maiores produtores de pinhão em Minas são: Itamonte (1º lugar/1,2 tonelada), Alagoa (3º lugar/700 mil quilos), Baependi (4º lugar/480 mil quilos) e Marmelópolis (5º lugar/475 mil quilos). O extensionista da Emater em Delfim Moreira, Túlio César Meirelles, explica que, atualmente, a produção de pinhão ainda não está entre as principais atividades econômicas do Sul de Minas. “No entanto, possui um potencial estratégico crescente, principalmente em áreas de altitude, onde a araucária angustifolia ocorre naturalmente. O pinhão representa uma fonte de renda complementar importante para os agricultores”. Ele afirma que toda a produção é feita por pequenos produtores. “Atualmente, a Emater orienta cerca de 175 agricultores familiares no município de Delfim Moreira, cadastrados no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPMBio)”. “Esse número representa não apenas as famílias que coletam e comercializam o pinhão, mas também aquelas que recebem assistência técnica direta da instituição em diferentes etapas do processo: desde o mapeamento de áreas com araucárias, boas práticas de coleta, regularização ambiental, até o apoio na documentação necessária para acesso à política pública”, complementa. Agregando valor Segundo Meirelles, há diversas iniciativas em andamento no município para agregar valor ao pinhão. “Promovendo não apenas a valorização econômica da semente, mas também a preservação da araucária e o fortalecimento da identidade cultural local. Essas ações são coordenadas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente”. “Entre outras ações que se complementam, formando um ecossistema de valorização do pinhão, que vai do campo à mesa, da educação à indústria, da preservação à inovação. Delfim Moreira está se tornando referência regional na integração entre cultura, economia e conservação da araucária, com apoio técnico, políticas públicas e participação da sociedade”, finaliza.

Turismo internacional no Brasil tem melhor primeiro semestre da história

Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil recebeu 5.332.111 turistas estrangeiros, um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor resultado da série histórica para o primeiro semestre. Apenas no mês de junho, 444.882 estrangeiros desembarcaram no país, um aumento de 33,8% (112.408 chegadas) na comparação com junho de 2024. Os dados são da Polícia Federal. O número representa 77,3% da meta prevista no Plano Nacional de Turismo 2024-2027 para este ano, que projeta a entrada de 6,9 milhões de visitantes internacionais. Se o ritmo for mantido, o Brasil poderá ultrapassar, já em 2025, a meta de 8,1 milhões de turistas originalmente estabelecida para 2027. Entre os principais países emissores, a Argentina lidera com 2.323.891 visitantes no semestre, seguida por Chile (442.993) e Estados Unidos (410.189). “O turismo no Brasil deixou de ser potencial e virou realidade. Estamos chegando nos patamares de chegada de turistas estrangeiros que o nosso país merece, em um nível de crescimento que é o maior do mundo hoje. Isso tem gerado novos investimentos, milhares de empregos e renda em todo o país”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Marcelo Freixo. Para o mestre em ciências econômicas e professor no Centro Universitário UNA, Mussa Agostinho Vaz Vieira, o Brasil possui uma riqueza de destinos que despertam o interesse de turistas de todo o mundo. “Mas, também o esforço do governo federal para promoção do turismo contribui para o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros. A desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro, nos últimos anos, tem dado maior poder de compra a esses turistas; shows de artistas internacionais e a modernização do mercado de turismo, são outros fatores que levaram o país a bater esse recorde”. “O turismo é fundamental para a economia brasileira, gerando empregos, movimentando a cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento de diversas regiões do país. O setor de serviços tem um peso significativo no Produto Interno Bruto (PIB), representando quase 70% do total. E esse aumento da entrada de turistas estrangeiros pode gerar impacto positivo nesse ramo, que é crucial para a economia do país”, complementa. O economista afirma ainda que os resultados para os próximos períodos dependem não só do cenário nacional, mas também do internacional (tensão existente na Europa e no Oriente Médio). “E do grau de satisfação quanto aos serviços hoteleiros, receptividade, segurança e transporte, que por consequente depende dos investimentos para sua melhor oferta no mercado, e investida em ações de promoção e divulgação do Brasil como destino turístico”. Investimentos Vieira destaca que o aumento da entrada de turistas estrangeiros vem sendo visto como um incentivo notável para aumento nos investimentos. “A hotelaria nacional e internacional tem investido bastante no Brasil, com inaugurações e expansões das redes em diversas regiões. Grupos como Accor, Vila Galé, Marriott e outros, estão ampliando sua presença no país, com foco em diferentes segmentos e destinos”. “Recentemente, o Hotel Galé Collection Ouro Preto foi inaugurado no distrito de Cachoeira do Campo, oferecendo 311 quartos. Em 2025, o setor brasileiro prevê um crescimento impulsionado pela retomada do turismo e eventos, com a chegada de novas redes nacionais e internacionais. Espera-se mais 23 mil quartos de hotel, com investimentos superiores a R$ 10 bilhões, segundo a Panrotas”, acrescenta. Minas Gerais Segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo, da Embratur e da Polícia Federal, Minas Gerais recebeu 3.732 turistas internacionais em janeiro de 2025. O valor é 6,12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 3.517 viajantes, vindos de fora, estiveram visitando o Estado. Já em 2024, Minas registrou mais de 32 milhões de turistas. Desse total, cerca de 42,6 mil visitantes eram estrangeiros, número 10,6% maior em relação ao ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2024, o segmento respondeu pela criação de quase 20 mil postos de trabalho.

“Efeito preguiça” associado ao Bolsa Família é tema de estudo do Ipea

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) questionou a ideia de que o Bolsa Família desestimula a busca por trabalho, uma hipótese popularmente conhecida como “efeito preguiça”. A pesquisa revelou que, mesmo com a ampliação expressiva do programa social entre 2019 e 2023, houve avanço nos indicadores de emprego com carteira assinada, especialmente entre os mais pobres. A renda real do trabalho também apresentou um crescimento anual médio, entre os ocupados dos 20% mais pobres, de 9,5%, acumulando alta de 43,6%. A sondagem utilizou as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Para debater o assunto, o Edição do Brasil conversou com o cientista social e professor do UniArnaldo Centro Universitário, Luciano Gomes dos Santos. Por que essa ideia de que o programa desestimula o trabalho persiste no debate público? É alimentada por preconceitos históricos e por uma visão moralizante da pobreza, muito presente no imaginário social brasileiro. Ainda existe a crença de que as pessoas em situação de vulnerabilidade precisam ser “incentivadas” a trabalhar, como se a pobreza fosse resultado de uma escolha individual e não de desigualdades estruturais. A ideia de que o Bolsa Família estimula a ociosidade não se sustenta diante das evidências empíricas, mas ela continua sendo repetida, principalmente em momentos de polarização política. Em sua avaliação, o Bolsa Família realmente pode desincentivar a busca por emprego? Não, o Bolsa Família é um programa de transferência de renda de valores modestos, que não substituem os ganhos de um emprego formal. Na verdade, o projeto oferece uma segurança mínima que pode, inclusive, permitir que o beneficiário busque trabalho com mais estabilidade. Estudos do Ipea, da Universidade de São Paulo (USP) e de organismos internacionais, como o Banco Mundial, mostram que beneficiários estão entre os que mais procuram emprego, exatamente porque desejam melhorar de vida. Que outros mitos atrapalham a compreensão sobre programas de transferência de renda? De que o programa gera dependência, pesquisas mostram que a maioria dos beneficiários permanece por períodos temporários e que há grande rotatividade nos cadastros; de que o projeto é “gasto” e não investimento, ele movimenta a economia local, principalmente no comércio de pequenas cidades; e por fim, que o programa é “clientelista”, quando na verdade ele tem critérios objetivos de acesso e é monitorado por órgãos de controle. Em quais pontos o programa pode ajudar as pessoas em vulnerabilidade a se colocarem no mercado de trabalho? Ele pode funcionar como uma base de proteção que permite que as pessoas se movam com mais autonomia em busca de qualificação e de oportunidades de trabalho. A segurança de uma renda mínima, ainda que modesta, pode significar a diferença entre aceitar ou não um trabalho temporário, um estágio, ou participar de um curso de capacitação. Além disso, o programa está articulado com políticas de saúde, educação e assistência social, o que amplia a capacidade de inclusão social. O estigma do “efeito preguiça” pode atrapalhar o acesso a oportunidades por beneficiários? Sim, a ideia de que beneficiários são “preguiçosos” ou “acomodados” pode dificultar sua inserção no mercado de trabalho, pois reforça preconceitos por parte de empregadores e até de instituições públicas. Além disso, esse estigma desvia o foco do verdadeiro problema, que é estrutural: a baixa oferta de empregos de qualidade e a falta de políticas públicas que apoiem a transição para o trabalho decente. O Bolsa Família deveria estar atrelado a metas de inserção no mercado de trabalho? A vinculação direta com metas de emprego pode ser injusta, pois ignora as realidades locais e as condições de vida das famílias. O ideal é que o programa esteja articulado a políticas públicas que promovam oportunidades de trabalho, mas sem condicionar o benefício ao cumprimento de metas rígidas que podem acabar penalizando os mais vulneráveis.

BH tem trilhas guiadas gratuitas que mostram a biodiversidade de parques

Com o objetivo de apresentar a riqueza ambiental dos parques municipais com o olhar voltado para a preservação desses recursos e para a importância de uma ocupação sustentável, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) oferece à população trilhas guiadas gratuitas, durante todo o ano, em diferentes áreas verdes da cidade. Belo Horizonte possui, ao todo, 81 parques, e oito deles participam desse projeto. Na região Oeste: Jacques Cousteau e Aggeo Pio Sobrinho; Pampulha: Ursulina de Andrade Mello; Centro-Sul: Mangabeiras (atividades no Lago dos Sonhos e Cerrado), Serra do Curral e Américo Renné Giannetti (Municipal); Noroeste: Ecológico e de Lazer do bairro Caiçara; e Norte: Nossa Senhora da Piedade. Durante os percursos, que variam de acordo com o local escolhido, os participantes conhecem um pouco mais da história desses parques, as espécies da fauna e da flora, características específicas e ações de preservação. As trilhas ocorrem dentro das matas e são guiadas por integrantes da equipe de Educação Ambiental da FPMZB com grupos que podem variar de 5 a 25 participantes, com duração entre 30 minutos e 2 horas. A gerente de Educação Ambiental, Roberta Martins, explica que já incentivava, há um tempo, ações educativas com as escolas municipais, estaduais e privadas nos parques da capital. “Em julho de 2024, foi a primeira edição do projeto, através do Parque Municipal, com uma proposta de uma trilha histórica ambiental”. “Tivemos uma procura significativa, e percebemos que tinha um espaço para um diálogo, e através dessa experiência, pensamos em outras vertentes de trilhas, que a princípio divulgamos em escolas, e em janeiro de 2025, começamos a ofertar para o cidadão comum, através do site”, complementa. Ela pontua que, até o momento, cerca de 700 pessoas já participaram do projeto. “Esse passeio faz a comunidade saber sobre a importância do local. Quando entramos em uma trilha percebemos a diferença no clima, a respiração fica diferente, sentimos o frescor. Percebemos também a relevância de cada indivíduo, tanto da flora quanto da fauna. Além de trazer uma mudança de atitude em todos os sentidos”. Roberta pontua que a Serra do Curral e o Ursulina de Andrade são os que atraem mais participantes. “O Curral é belíssimo, por mais que tenha um espaço aberto para visitas, a população gosta da nossa intervenção. Já o Ursulina tem um diferencial, lá existe um grupo de guardiões que cuidam daquele lugar e eles adoram participar das trilhas, divulgar e trazer pessoas da comunidade. Tanto que, desde o ano passado, quando o parque começou a receber o público livre, fizemos um combinado que todo mês iríamos fazer uma visita e estamos cumprindo. O parque teve três incêndios significativos, e mostramos a área regenerada e o plantio que fizemos com a própria comunidade para reflorestar o local”. Descoberta A empresária Catherine Santos, 50 anos, visitou o parque Ursulina de Andrade. “Fiquei sabendo dessa ação pelas redes sociais e gostei muito da atividade. Pois, foi uma descoberta de um local que não sabia que existia. E o que mais me chamou a atenção foi a riqueza da nossa flora, e árvores centenárias, que somente quando adentramos na mata que podemos observar”. Segundo Catherine, o projeto a inspirou a conhecer os outros parques. “Ainda mais que tomei conhecimento de que temos mais de 70 locais para explorar. É muito importante que esse tipo de ação continue acontecendo, pois nessa trilha aprendi que não devemos dar alimentos aos animais, como os micos, além de conhecer a riqueza da nossa natureza. Também levei a minha sobrinha de 7 anos que adorou”, conta. A atividade é indicada para toda a família, mas a participação de crianças é permitida somente acompanhadas de um responsável. É obrigatório o uso de sapatos fechados e recomenda-se a utilização de roupas confortáveis, protetor solar, repelentes, chapéu ou boné, e levar uma garrafinha de água. É importante reforçar que a trilha conta com trechos em leve subida, não sendo indicado para pessoas com mobilidade reduzida. Para participar, é necessário fazer a inscrição pelo e-mail: educaparques@pbh.gov.br. Outras informações podem ser obtidas pelo mesmo endereço eletrônico.

BH completa 30 meses com altas consecutivas no preço do aluguel

Desde novembro de 2022, os moradores da capital mineira não observaram queda nos valores cobrados na cidade. Dados do Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb mostram que o mercado de aluguéis residenciais de Belo Horizonte completou, em maio, o 30º mês consecutivo de alta nos preços. O preço médio do metro quadrado atingiu um novo recorde, R$ 41,67, uma alta de 0,37% em relação a abril. Somente neste ano, o valor médio já acumula alta de 8,63%. Na questão nacional, São Paulo aparece com o valor mais alto (R$ 68,91), seguido por Brasília (R$ 53,42), Rio de Janeiro (R$ 45,50), Curitiba (R$ 44,92) e Porto Alegre (R$ 38,25). Segundo o estudo, entre os fatores que explicam essa valorização prolongada estão questões econômicas e o estoque reduzido de imóveis disponíveis, que desequilibram a relação entre oferta e demanda, pressionando os preços para cima. “Esse movimento contínuo de alta expressiva decorre do cenário macroeconômico e também da escassez de imóveis para alugar em Belo Horizonte. Outros indicadores do setor também apontam para uma valorização significativa, tanto nos preços quanto na rentabilidade dos imóveis”, afirma Pedro Capetti, especialista em dados do QuintoAndar. Em sua avaliação, ainda é cedo para traçar uma tendência para o restante do ano. “No entanto, o crescimento observado até maio de 2025 já supera o registrado no mesmo período de 2024. Fatores como renda, desemprego, taxa de juros e variáveis locais podem influenciar a dinâmica dos preços nos próximos meses”. Para o especialista em finanças e economia, Rodrigo de Felippe Rabello, uma combinação de alta demanda, juros altos que dificultam a compra e oferta limitada, justificam a alta de preços. “O retorno ao trabalho presencial e o desejo por localizações mais centrais também pressionam os valores para cima. Esse cenário de valorização deve se manter no curto e médio prazo, só tende a desacelerar quando houver mais oferta, queda nos juros ou ajustes na renda da população”. Ele acredita que os riscos de bolha no setor de locação ainda são baixos. “Se os aluguéis subirem além da capacidade das famílias, o mercado se ajusta por meio do aumento da vacância e da queda nos preços. Porém, temos bolhas imobiliárias recentes em várias cidades pelo mundo. Por isso, deve ser um tópico de atenção constante”. Rabello acrescenta que Belo Horizonte carece de políticas habitacionais robustas e planejamento urbano que incentive mais oferta de moradias bem localizadas. “O problema é que as políticas públicas na capital mineira visam, de modo geral, o curto prazo e se esquecem de problemas de longa duração”. Bairros mais valorizados Nos últimos 12 meses, todos os 35 bairros monitorados da capital registraram aumento nos preços. Os cinco locais mais valorizados no último ano são: Luxemburgo (60%), Ipiranga (47,3%), Barro Preto (46,2%), Santa Efigênia (45,2%) e Heliópolis (35%). No período, nenhuma região apresentou desvalorização. A pesquisa também apresentou os bairros mais caros da cidade no mês com base no preço médio do metro quadrado. Savassi aparece em primeiro lugar (R$ 69,7), seguido por Lourdes (R$ 68,4), Barro Preto (R$ 66,3), Luxemburgo (63,8) e Santo Agostinho (61,8). Impacto no setor O especialista nas áreas administrativa, financeira e econômica, Sérgio Rausses, esclarece que quando os índices Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Geral de Preços – Mercado (IGP-M) sobem, indicam aumento dos preços e afetam o mercado imobiliário de várias maneiras. “Construir imóveis fica mais caro, o que pode reduzir a oferta de novos empreendimentos ou elevar os preços dos existentes. Uma alta nesses índices faz com que os valores de aluguéis aumentem, impactando os inquilinos e o mercado de locação. Por último, a inflação alta pode levar a uma valorização geral dos imóveis, já que os ativos imobiliários tendem a acompanhar a inflação, o que pode atrair investidores”, pontua. Rausses ressalta ainda que as consequências da alta desses índices na economia podem elevar os custos e os preços no mercado imobiliário. “Influenciando tanto os valores de venda quanto os de aluguel, além de afetar a oferta e a demanda”.

Ensino público ainda não retomou aos níveis do período pré-pandemia

Embora os níveis de aprendizagem tenham avançado nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 ainda impacta a educação brasileira, é o que revela o estudo do Todos Pela Educação, com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado para estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio para avaliar o desempenho em matemática e língua portuguesa. Em todas as etapas, os resultados de 2023 ainda não chegaram aos níveis atingidos em 2019. Por exemplo, no 5º ano do ensino fundamental, em 2023, 55,1% dos estudantes tinham aprendizagem adequada em língua portuguesa e 43,5%, em matemática. Esses índices eram de 56,5% e 46,7% em 2019, respectivamente. A educadora e doutora em educação, Josefina Baettens (foto), conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. Quais são os principais fatores que impedem a retomada dos níveis de aprendizagem pré-pandemia? A pandemia expôs e aprofundou desigualdades históricas do sistema educacional brasileiro. Entre os fatores mais críticos estão: o aumento da evasão escolar, o agravamento das vulnerabilidades socioeconômicas, as lacunas acumuladas nas aprendizagens essenciais e o esgotamento emocional de alunos e professores. Além disso, o período afetou as condições sociais em que a aprendizagem se dá. A ausência de interações sociais ricas e mediadas, fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e emocional, interrompeu os processos coletivos de construção de conhecimento. Como a formação e a valorização dos professores impactam esse quadro? A recuperação da aprendizagem passa, de forma central, pela valorização e formação docente. Sem condições adequadas de trabalho, políticas de carreira atrativas e oportunidades efetivas de formação continuada, os professores – protagonistas do processo educativo – ficam limitados em sua atuação. A alfabetização na idade certa continua sendo um desafio? Sim, e com agravamento. A meta de alfabetização até o 2º ano do ensino fundamental tornou-se ainda mais distante para milhares de crianças. Muitos estudantes ingressaram nos anos finais do ciclo de alfabetização sem desenvolver as habilidades mínimas de leitura e escrita, o que compromete todo o percurso escolar subsequente. A alfabetização, por sua natureza, exige interações frequentes, feedback imediato e mediação constante do professor. Há sinais de melhora no cenário atual? Embora algumas redes e escolas tenham implementado ações promissoras, o panorama nacional segue crítico. Os avanços, quando existem, são localizados e ainda insuficientes para reverter o quadro geral de estagnação e retrocesso educacional. Superar esse cenário demanda não apenas ações pontuais, mas um esforço estruturado para reconstituir os vínculos sociais, a confiança no processo educativo e o engajamento dos estudantes. Quais medidas emergenciais podem ser tomadas para recuperar a aprendizagem?As medidas precisam ser articuladas, intensivas e baseadas em evidências. Entre elas destacam-se: implementação de programas de reforço e recuperação com base em diagnósticos precisos; ampliação da jornada escolar, com foco em atividades de recomposição das aprendizagens; acompanhamento psicossocial dos estudantes, com ações que fortaleçam o pertencimento escolar; investimento contínuo em formação docente, com ênfase nas aprendizagens essenciais e na reconstrução de práticas pedagógicas mediadoras; e fortalecimento da gestão escolar, com foco explícito na aprendizagem e no desenvolvimento de ambientes colaborativos de ensino. O que pode ser feito para garantir que os avanços sejam duradouros e não pontuais? É fundamental transformar ações emergenciais em políticas de Estado, com continuidade de financiamento, monitoramento rigoroso de resultados, fortalecimento da gestão educacional e centralidade na equidade. Além disso, é imprescindível consolidar políticas de formação e valorização docente que compreendam a aprendizagem como um processo que se dá na e pela interação social. Promover ambientes escolares ricos em diálogo, mediação e colaboração é condição para garantir a sustentabilidade das mudanças no longo prazo.

Módulo II do Mineiro vai entrar na segunda fase da competição

O Campeonato Mineiro do Módulo II vai mudar de fase no final do mês, a última rodada da primeira etapa será no dia 21 de junho. Após 10 rodadas, 12 times lutam para subir para a divisão de elite do Mineiro. A segunda fase será um triangular, com os três melhores clubes de cada grupo. Na primeira fase, os times foram divididos em dois grupos: Caldense, Mamoré, Patrocinense, URT, Uberaba e Varginha no grupo A, e Democrata de Sete Lagoas, Guarani, Ipatinga, Nacional, North e Valeriodoce no grupo B, para jogarem entre si. Os dois últimos colocados serão rebaixados para a segunda divisão e os seis primeiros vão disputar as duas vagas para a elite do mineiro. A fase triangular está prevista para acontecer entre os dias 28 de junho e 27 de julho e as finais serão entre 30 de julho e 2 de agosto. A jornalista e comentarista da competição pela Rádio Web Novidade e FMF/TV, Aline Teixeira, destaca que a fase de classificação se mostrou equilibrada nos dois grupos. “Embora alguns times possuam orçamentos mais vultosos, alguns não conseguiram confirmar em campo o seu inteiro favoritismo e outras, que investiram de forma mais tímida, mostraram força e competitividade. Isso só comprova que no futebol a organização e a entrega sobressaem-se ao investimento, quando este não vem acompanhado de um planejamento bem executado”. “Em todos os anos, o Módulo II é um campeonato equilibrado tecnicamente, vejo que este nível se manteve nesta temporada. E na questão de jogadores em destaque, o Hiwry, do Democrata, tem muito potencial, não é mais tão garoto assim, porém, pode ser um nome bastante ouvido na sequência da temporada”, pontua Aline. Já o jornalista e coordenador de esportes da Rádio Inconfidência, José Augusto Toscano, tem uma avaliação positiva da competição até o momento. “Destaco o equilíbrio, especialmente, do grupo B. Uma surpresa positiva foi o desempenho das equipes de Patos de Minas (Mamoré e URT), e o negativo fica para o Uberaba”. Mamoré, URT e Democrata foram os times que apresentaram maior regularidade, afirma o jornalista. “Sendo que o North e o Mamoré são os destaques no setor ofensivo. Acredito que o nível da competição em 2025 está melhor, prova disso é o equilíbrio e as chances de classificação ao hexagonal de, pelo menos, 2/3 dos disputantes”. Hexagonal Os seis clubes classificados serão divididos em dois grupos (C e D), com três participantes em cada. Nessa fase, as equipes se enfrentarão, dentro de seu grupo, em confrontos de ida e volta (turno e returno), classificando-se para a fase seguinte o primeiro colocado ao final do returno. No hexagonal, a experiência e o foco se tornam tão importantes quanto à qualidade técnica, ressalta Aline. “Quem gerenciar melhor a ansiedade e conseguir se impor tecnicamente larga na frente na briga pelo acesso. Um treinador que consegue equalizar as vaidades, ajudar a controlar a ansiedade e fazer com que o time seja obediente tecnicamente, é essencial. O bom desempenho também é reflexo dos bastidores”. Para Aline, a logística é muito prejudicial. “São viagens longas de ônibus, curtos intervalos para descanso e automaticamente, vem o desgaste físico e a dificuldade de se manter concentrado. As lesões também surgem no meio do caminho e obrigam o recálculo da rota em tempo recorde. Disputar competições de tiro curto é sempre um desafio e é um bom planejamento que ajuda a amenizar estes impactos”. Toscano espera na segunda fase, em termos de competitividade, mais equilíbrio e pegada. “Nessa etapa, os clubes devem melhorar, principalmente, os sistemas defensivos. E a estabilidade nos bastidores é fundamental. Aliás, não só na fase final do torneio, mas como um todo no futebol brasileiro”. “A diferença para a primeira divisão, pode não parecer, mas é grande. Aquelas equipes que subirem precisam se reforçar técnica e logisticamente, com antecedência e qualidade. Principalmente, no quesito estádio. Jogar a divisão principal, em seus domínios e diante de seus torcedores, é crucial para uma boa campanha”, finaliza o jornalista. As partidas estão sendo exibidas, em rede, pela Rede Minas e também pela Rádio Inconfidência.