Mulheres elaboram livro sobre empreendedorismo feminino

Inspirar e impulsionar a trajetória de outras mulheres, esses são os objetivos do livro “Mulheres que Transformam Vidas – Histórias Inspiradoras de Mulheres Empreendedoras”. Assinada por 26 coautoras, a obra reúne 26 histórias reais de superação, empreendedorismo e propósito feminino. O livro retrata a jornada dessas mulheres que, por meio do empreendedorismo, transformaram não apenas suas próprias vidas, mas também a realidade de muitas outras, como de suas famílias e comunidades. A obra teve um pré-lançamento em Campinas, em junho, e o lançamento em Belo Horizonte, em agosto. Coordenado pela especialista em marca pessoal Silvana Lages, fundadora da Editora Empreender, o livro traz à tona a voz de mulheres que decidiram não apenas contar suas histórias, mas também usá-las como instrumento de conexão, inspiração e transformação de vida de outras mulheres. Silvana destaca que a maioria das coautoras já se conheciam. “Muitas das coautoras já faziam parte dessa comunidade, outras vieram de seu ciclo de relacionamentos. A maior parte são mineiras, e as poucas que não nasceram em Minas Gerais, escolheram Belo Horizonte ou outras cidades do Estado como lar”. “A concretização desse livro nasceu dentro da comunidade ‘Mulheres que Despertam Juntas’. Criada há três anos, já carregava esse espírito colaborativo. A obra se tornou o primeiro grande projeto da Editora Empreender, cuja missão é clara: dar voz à sua história. Hoje, a editora está aberta a receber histórias de mulheres e homens de todos os lugares, unindo narrativas para alcançar mais e melhores resultados de forma colaborativa”, acrescenta. Ela explica ainda que o processo da escrita foi pensado para ser acolhedor e totalmente direcionado, respeitando a essência de cada autora. “Embora seja uma obra coletiva, a escrita é feita de forma individualizada. Tudo começou com um workshop chamado ‘Histórias que Transformam Vidas’ e depois, cada coautora recebeu guias com orientações técnicas e suporte contínuo. O resultado é uma obra que reúne capítulos individuais, formando, juntos, um mosaico de histórias reais, diversas e poderosas”. Aprendizados Houve muitos aprendizados durante a elaboração da obra, conta Silvana. “Superação, criatividade, ousadia, resiliência, capacidade de continuar apesar de tudo, e respeito. Por mais que a maioria das autoras já tivessem algum nível de convivência, muitas não conheciam as nuances e os detalhes mais profundos da história umas das outras”. “Ao conhecer as dores, todas as barreiras e ainda os desafios que cada mulher enfrentou para chegar até aqui, cresce o respeito por ela. Esse processo nos lembra que não carregamos sozinhas nossas lutas e que cada uma das nossas companheiras de jornada também carrega as suas”, pontua Silvana. Histórias inspiradoras Dentro das 26 histórias reunidas nesta obra, está a de Maria Elvira de Sales Ferreira, filha de um empreendedor visionário e de uma mulher com alma filantrópica. Com seus irmãos, fundou o Centro Universitário Newton Paiva Ferreira. Mais tarde, mergulhou na política, foi deputada estadual, federal e a primeira mulher secretária de Turismo de Minas e candidata a prefeita de Belo Horizonte em 2000. Antes disso, abriu caminho na Associação Comercial de Minas (ACMinas), criando o Conselho da Mulher Empresária. Também compõe esta obra a trajetória de Hélida Mendonça, cofundadora da Forno de Minas, que, ao lado de sua mãe e de seu irmão, deu ao pão de queijo um novo significado: de iguaria caseira, a desejo nacional e internacional. A marca nasceu da força do olhar feminino, das necessidades de uma família liderada por uma mulher que ficou viúva repentinamente. O pão de queijo mineiro se tornou sinônimo de sabor, afeto e empreendedorismo. E ainda tem a história da Silvana Lages, que nasceu na roça e até os sete anos de idade vivia em um lar sem energia elétrica. Enfrentou grandes desafios como limitações financeiras, barreiras de comportamento e aprendizagem e a descoberta tardia do TDAH. Ela é Especialista em Gestão Estratégica da Marca Pessoal, fundadora da Editora Empreender e da comunidade de mulheres empreendedoras “Mulheres que Despertam Juntas”.
Pesquisa aponta impactos do tarifaço sobre o PIB de R$ 12 a R$ 31 bilhões

De acordo com um estudo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o impacto das ações tarifárias dos Estados Unidos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil estaria no intervalo de R$ 12 a R$ 31 bilhões (0,1% a 0,26%), a depender do efeito da efetivação das tarifas sobre os demais países e a retaliação da China. A medida ainda pode significar perda de 188.707 empregos e 57 mil ocupações. A consequência total das tarifas sobre as exportações brasileiras é negativa, com uma redução de US$ 4,2 bilhões no prazo de dois anos. O efeito seria uma queda de US$ 8,8 bilhões nas exportações, parcialmente compensado por ganhos de US$ 4,6 bilhões em função dos demais choques (especialmente a retaliação da China). No saldo, o Brasil sofre prejuízo nas exportações, apesar de benefícios em alguns setores específicos. Dentre os segmentos mais afetados negativamente destacam-se, sobretudo, os metais ferrosos, produtos químicos, de madeira e minerais, todos apresentando quedas expressivas nas exportações. Outros setores fortemente afetados incluem máquinas e equipamentos, calçados e artefatos de couro, têxteis, vestuário, produtos farmacêuticos e artigos de borracha e plástico. O estudo prevê ainda que os choques tarifários resultariam em uma queda de 0,14% no PIB global. O comércio mundial também seria prejudicado, reduzido em 3%, equivalente a perdas na ordem de US$ 645 bilhões. Nos Estados Unidos, o PIB sofreria uma redução de 0,43%. Por outro lado, a China enfrentaria uma diminuição de 0,14%, demonstrando o efeito adverso das tarifas sobre sua economia. O mestre em economia, Heldo Siqueira, acredita que o impacto no PIB, de 0,1% a 0,26%, não é tão expressivo quanto parece. “Tendo em vista que a economia brasileira tem obtido resultados econômicos satisfatórios. Mas, a diminuição da renda geral deve afetar os setores econômicos de demanda final, pois com menor renda, as pessoas deixam de adquirir ou adiam suas compras mais básicas”. Ele explica que a probabilidade de aumento de preços no mercado interno é baixa. “Pois, haverá excesso de oferta dos produtos que deixarão de ser exportados. O mais provável, caso não haja outros compradores no mercado internacional para as mercadorias que deixarão de ser exportadas, é que esses produtos sejam ofertados no mercado interno havendo uma diminuição de preços em setores específicos”. O economista afirma que a redução de 188 mil empregos é relevante, porém, a economia brasileira tem condições de absorvê-lo sem muitos problemas. “Esse número equivale à criação de vagas em pouco mais de um mês, como junho deste ano, quando foram geradas 166 mil. Ou seja, apesar de todo o alarde, as medidas não terão um impacto econômico tão significativo”. Efeito sobre os estados Segundo a pesquisa, São Paulo apresentaria o resultado mais negativo sobre o PIB, com um efeito total de R$ -2.412 milhões, seguido por Santa Catarina (R$ -1.540 milhões), Minas Gerais (R$ -1.488 milhões), Pará (R$ -1.115 milhões), Rio de Janeiro (R$ -1.091 milhões) e Espírito Santo (R$ -1.087 milhões). Esses valores evidenciam que os estados localizados na região Sudeste sofreram as maiores reduções no indicador avaliado. Siqueira pontua que para as empresas que tiverem problemas com a queda das vendas, a mitigação pode se dar. “A oferta de crédito pelos bancos públicos para companhias que tenham problema de fluxo de caixa; adiamento do recolhimento de eventuais impostos para essas firmas; e medidas de auxílio aos trabalhadores que possam ser demitidos como fruto da queda das exportações”. Contudo, o economista destaca que o Brasil já diversificou bastante os destinos de suas exportações em relação aos Estados Unidos. “Em 2000, o país norte-americano representava 24% das exportações brasileiras. Em 2020, este valor chegou a 10%. As iniciativas dos BRICS, as negociações junto ao Mercosul, G20 e outras entidades multilaterais permitem que o Brasil tenha tornado o comércio com os Estados Unidos bem menos relevante que há 30 anos”, finaliza.
986 mil jovens podem não ingressar na graduação por causa de gastos com bets

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Educa Insights indica que dos quase 2,9 milhões de potenciais ingressantes na educação superior privada, aproximadamente 986 mil estão sob risco de não efetivar a matrícula no primeiro semestre de 2026, por conta do comprometimento financeiro com apostas on-line. No mesmo período, em 2025, 34% dos entrevistados afirmaram que precisaram interromper as apostas para iniciar os estudos; esse número cai para 24% quando se considera o segundo semestre. Em um recorte regional, o Nordeste e o Sudeste são as regiões com a maior proporção de brasileiros que associam o adiamento da graduação à prática de apostas on-line. No primeiro semestre, os percentuais foram 44% e 41%, respectivamente. E no segundo, os índices foram de 32% e 27%. A pesquisa revela ainda que, entre os apostadores que já estão no ensino superior, 14% deles atrasaram a mensalidade ou trancaram o curso devido aos gastos em casas de apostas. O estudo mostra também que, em abril de 2025, entre os entrevistados impactados pelos prejuízos causados pelas perdas em apostas, 20,9% já deixaram de investir em algum curso, idiomas ou outro aprendizado. Na avaliação do diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, os dados mostram que as apostas on-line se tornaram um obstáculo adicional para o acesso à educação superior no Brasil. “Precisamos olhar com seriedade para esse cenário e desenvolver políticas públicas que conscientizem os jovens sobre as responsabilidades envolvidas com a prática de apostar”. A presidente da Comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG), Daniella Avelar, salienta que o brasileiro, de uma forma geral, não possui educação financeira. “Assim, enquanto o jovem deposita o seu dinheiro em apostas e assume dívidas, acaba deixando de investir em cursos e capacitações educacionais”. Segundo Daniella, a falta de investimento na educação pode ter vários impactos. “Inclusive na segurança, na vida, na economia, na construção da cidadania e principalmente na democracia. Existem algumas ações do poder público para tentar controlar essa situação, mas não é o suficiente. Precisamos de medidas mais efetivas e que verdadeiramente alcance as pessoas mais vulneráveis”. Possíveis soluções A presidente ressalta que é preciso mais fiscalização. “A regra já existe e menores de idade não podem apostar. Ou seja, é necessária uma equipe especializada para filtrar esses acessos e seguir a lei. Caso não seja cumprida, deve ser aplicada multa diante da plataforma”. “Investir em educação digital para toda a sociedade, inclusive as mais vulneráveis; tornar obrigatório que as plataformas de jogos passem vídeos de conscientização dos usuários sobre os riscos das apostas; e ser mais severo na aplicação de multa, em caso de descumprimento”, são algumas medidas que a advogada aponta como possíveis soluções. Ela finaliza dizendo que essa construção de uma sociedade mais consciente é dever de todos, passando pelo setor privado e também público. “Os jogos de apostas são uma realidade e é preciso ser trabalhado para que a sociedade tenha mais segurança e transparência ao utilizá-los”. Jovens apostadores De acordo com a pesquisa, 52% dos entrevistados apostam regularmente, sendo a frequência predominante de uma a três vezes por semana. Os valores investidos variam conforme a classe social: os apostadores da classe A destinam, em média, R$ 1.210 mensais, os das classes D e E, o valor médio é de R$ 421. Ainda que a maioria, cerca de 80%, afirme comprometer até 5% da renda mensal, cresceu o número de pessoas, especialmente entre os mais pobres, que ultrapassam a marca de 10% do orçamento com essa prática. Comparando os dados com 2024, houve um agravamento da situação. O percentual de jovens que apostam regularmente subiu de 42,9% para 52%, e aqueles que dizem comprometer parte da renda com as bets passou de 51,6% para 54,2%. Além disso, houve um salto de 11,4 pontos percentuais na quantidade de pessoas que deixaram de iniciar uma graduação por causa dos gastos com bets.
6 milhões de brasileiros admitem usar o ChatGPT para fazer “terapia”

Cresce o número de pessoas que estão usando o ChatGPT como terapeuta para desabafar seus problemas. Uma estimativa da agência de comportamento Talk Inc afirma que mais de 12 milhões de brasileiros utilizam ferramentas de inteligência artificial para fazer terapia, dos quais cerca de 6 milhões recorrem ao ChatGPT como forma de apoio emocional. De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados alegam dificuldade financeira para pagar um psicólogo humano e 54% disseram gostar do atendimento 24 horas. Nos Estados Unidos, um estudo do Sentio AI Research mostrou que 18% já usaram o chatbot para falar de saúde mental. O psicólogo e professor da Faseh, Welder Rodrigo Vicente, explica que a popularização do ChatGPT, como espaço de desabafo, está associada a múltiplos fatores. “Destaca-se a acessibilidade imediata, a ausência de julgamento e o anonimato, que reduzem barreiras emocionais e sociais. Muitas pessoas encontram dificuldade em se abrir com amigos, familiares ou até mesmo profissionais, seja por medo, vergonha ou falta de acesso”. “A inteligência artificial oferece respostas rápidas, disponíveis 24 horas por dia, promovendo um ambiente que simula acolhimento e escuta. Além disso, a interface conversacional cria uma sensação de interlocução empática, mesmo que tecnicamente não exista subjetividade na ferramenta”, complementa o profissional. Porém, Vicente salienta que o uso pode trazer riscos. “Entre os principais está a ilusão de estar sendo cuidado ou compreendido por um agente que não possui sensibilidade humana. Isso pode atrasar a busca por ajuda profissional adequada em casos de sofrimento psíquico intenso”. “Há também o risco da dependência emocional, do isolamento social, da validação acrítica de pensamentos distorcidos ou autodepreciativos e da limitação do aprofundamento necessário para o enfrentamento de questões complexas. A inteligência artificial pode confortar momentaneamente, mas não promove intervenções terapêuticas, escuta clínica ou diagnósticos”, acrescenta. Fenômeno crescente A comunidade de saúde mental observa esse fenômeno com interesse e cautela, afirma Vicente. “Por um lado, reconhecemos que o ChatGPT pode ser uma porta de entrada para pessoas que nunca buscaram ajuda antes. Por outro, há preocupação com a banalização do processo terapêutico, com a substituição indevida do profissional e com os impactos do uso massivo de tecnologias não supervisionadas para lidar com sofrimento psíquico. Muitos profissionais têm estudado essas interações e apontado para a necessidade de regulamentações e orientações públicas”. Ele pontua que o ChatGPT pode funcionar como um “espaço-tampão, permitindo que a pessoa organize seus pensamentos, acalme-se ou se sinta menos sozinha em um momento crítico. Pode também ajudar na elaboração inicial de sentimentos, facilitando o processo de verbalização que será retomado em um espaço terapêutico posterior. Além disso, pode oferecer informações úteis sobre saúde mental, autocuidado ou mesmo motivar alguém a procurar ajuda profissional”. “É importante que o uso do ChatGPT, como espaço de desabafo, seja visto com senso crítico e responsabilidade. A tecnologia, por mais avançada que seja, deve ser uma ferramenta de apoio e não uma substituta das relações humanas. Precisamos incentivar a escuta entre pares, fortalecer os vínculos comunitários e democratizar o acesso à saúde mental, para que ninguém precise contar apenas com uma tela quando estiver em sofrimento”, alerta o profissional. Tecnologia O doutor em Engenharia Elétrica, especialista em Inteligência Artificial e professor da Una, Flávio Souza, destaca que a premissa do ChatGPT não é essa. “Apesar de ser criado para ter um tipo de interação, buscar respostas educadas, a ferramenta é baseada em metodologia de análises. Não é feito para ter o efeito psicológico, do tratamento do profissional sobre o seu paciente”. “E ainda há motivos para se atentar à questão de proteção de dados e privacidade. A pessoa que está nesse tipo de situação pode ser que forneça dados e se exponha mais do que deveria ao acessar o recurso da inteligência artificial. É importante utilizar a ferramenta como forma analítica ou como um apoio ao profissional de saúde”, finaliza.
Falta de saneamento básico ainda expõe população a diversas doenças evitáveis

Mesmo em 2025, mais de 33 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água tratada, e cerca de 90 milhões não têm coleta de esgoto adequada, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o país registrou mais de 344 mil internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado em 2024. O médico de Família e Comunidade da Unimed-BH, Artur Oliveira Mendes, ressalta que a falta de saneamento básico favorece a contaminação da população e da natureza com substâncias nocivas e agentes patogênicos de diversos tipos. “As inúmeras parasitoses intestinais, hepatite A e cólera, estão entre as doenças mais comuns, que se espalham facilmente com a falta de saneamento. Crianças e idosos são os grupos mais frágeis, porém, estas enfermidades impactam igualmente toda a população”. Mendes afirma que o saneamento básico está relacionado a uma expressiva redução da mortalidade infantil, além da diminuição das internações por doenças diarreicas e infecciosas. “Já vi comunidades de todos os tipos e naquelas mais desfavorecidas economicamente, sem acesso a saneamento, é flagrante o quanto as doenças são mais prevalentes e o impacto negativo deste processo em todo o grupo”. Da lama à dignidade A líder comunitária e integrante da Associação de Moradores do Verde Vale (AMOVV) de Sete Lagoas, Maria Uises Rosa, lembra bem do cenário anterior às obras. “Cada casa jogava seu esgoto na rua e tinha muito mal cheiro, insetos e doenças. Formavam poças e lama na via, pois não havia asfalto”. Ela lutou por mais de 15 anos por mudanças. “Antes das obras de saneamento, a população enfrentava surtos de arboviroses e desconfortos intestinais por causa da contaminação da água. E os mais atingidos eram as crianças e idosos com a imunidade baixa, devido à exposição ao esgoto a céu aberto”, conta. A solução começou com pressão popular. “Fizemos abaixo- -assinados, chamamos a imprensa, mobilizamos as famílias e fomos atrás do poder público. A associação liderou essa luta por direitos com reuniões e visitas dos políticos para ver a situação de perto”. “Hoje, o cenário é outro. As questões de saúde da comunidade melhoraram, com mais dignidade e qualidade de vida. Houve também uma melhora significativa na saúde das crianças. Antes eram comuns casos de verminoses, por exemplo, agora não há tantas queixas”, acrescenta. No entanto, Maria destaca que o desafio ainda não acabou. “O esgoto ainda corre a céu aberto no fim do bairro, formando um córrego com mau cheiro e poluição até chegar à estação. Isso precisa mudar”. Mais de 98% de cobertura A cidade de Sete Lagoas, na região Central do Estado, atualmente, possui 98,87% de cobertura de saneamento básico. A região rural do município ainda não é atendida com acesso completo de coleta de esgoto, sendo aproximadamente 18 bairros, segundo informações do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). A Gerente de Esgoto do SAAE de Sete Lagoas, Gabriela Moura dos Santos, explica que o maior desafio para alcançar a universalização do saneamento é a falta de recursos financeiros. “Temos várias obras em andamento e estamos buscando recursos para ampliar ainda mais a cobertura”. Sete Lagoas prevê um tratamento de 100% de todo o esgoto captado na cidade. Assim, o município vai parar de poluir o Rio das Velhas. Gabriela complementa dizendo que a obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi concluída. “No momento, estamos finalizando os ajustes relacionados à automação do sistema, etapa essencial para o pleno funcionamento da unidade. A previsão é que a estação entre em operação no mês de agosto”. Até 2030, de acordo com a gerente, a autarquia tem como objetivo alcançar avanços significativos na área de saneamento. “Com foco na expansão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, redução das perdas na distribuição de água tratada, melhoria contínua na qualidade da prestação dos serviços, e aumento da eficiência operacional e promoção do uso racional da água”. Apesar dos avanços, a falta de saneamento básico ainda é um desafio para muitas cidades brasileiras. Investimentos e mobilização social continuam sendo essenciais para garantir saúde e dignidade a todos.
Volume de vendas no Dia dos Pais deve alcançar mais de R$ 7 bilhões

Considerada a quarta data comemorativa mais importante do varejo, as vendas do Dia dos Pais de 2025 devem alcançar R$7,84 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A projeção representa um avanço de 3,2% em relação ao ano de 2024. Já um estudo realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, mostra que 55,2% das empresas que são afetadas pela data (74,4%) esperam vender mais este ano. O otimismo dos empresários (68,5%) é a principal justificativa para a boa expectativa com as vendas, sendo que 47,6% deles esperam um retorno positivo de até 20% no faturamento. Roupas, kits/cestas, calçados e carnes encabeçam a lista dos produtos que devem vender mais na data. O tíquete médio, segundo 49,5% dos empresários, ficará entre R$ 70 e R$ 200. Já a modalidade de pagamento mais utilizada será o cartão de crédito. O Dia dos Pais é muito importante para o calendário varejista, diz a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins. “A data possui um grande apelo emocional. Isso implica que, por mais que o consumidor esteja endividado, há um aumento considerável da busca por determinados produtos. Consequentemente, esta é uma oportunidade para os comerciantes aumentarem suas vendas e traçarem estratégias”. O economista Ricardo Paixão esclarece que a expectativa maior de vendas pode ser atribuída à economia. “Estamos entrando em um cenário de recuperação muito importante, com geração de empregos, renda e inflação sob controle. Isso reflete no consumo maior, impactando positivamente vários setores”. “Também podemos atribuir essa expectativa às ações do governo federal, que promoveu políticas públicas de transferência de renda, além do aumento real do salário mínimo, fazendo com que os consumidores recuperem a confiança. Outro ponto importante é a redução da inadimplência”, pontua. Na avaliação do economista, o consumo nos períodos sazonais não é sustentável. “Pelo lado do consumidor, não entrar em um alto grau de endividamento. Já para os empresários, respeitar determinado limite para que não tenha estoque e acabe gerando custos”. “Tudo tem que ser com cautela, contratando pessoas dentro da efetiva necessidade, mas a tendência é o aumento das vendas se manter ao longo do ano. O panorama internacional é muito importante, saber como essas questões tarifárias podem impactar futuramente, porém, a economia brasileira entrando nesse cenário de contenção, a tendência é que mantenha esse crescimento”, acrescenta. Recorde de temporários Paixão ressalta que o aumento das vendas pode significar contratações temporárias. “Isso tem um alto impacto para economia, porque essas vagas podem se transformar em postos efetivos. É um momento de oportunidade para o trabalhador que busca uma recolocação, ou até mesmo uma melhora na sua condição de trabalho”. A CNC projeta oferta de 11,53 mil vagas temporárias no varejo para atender a demanda sazonal das vendas do Dia dos Pais. Se confirmado, esse será o maior contingente de trabalhadores por tempo determinado contratados dos últimos 12 anos. A taxa de efetivação pode ser de 15%, maior porcentual desde 2021 (16%). Faturamento Conforme a estimativa da CNC, as lojas de vestuário deverão faturar R$ 3,23 bilhões com a data. Seguido pelos produtos de perfumaria e cosméticos (R$ 1,57 bilhão) e de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,26 bilhão). Somados, esses segmentos devem responder por quase 77% das vendas totais no varejo. Segundo a Fecomércio MG, a região do Alto Paranaíba será a mais impactada pela data, com 85,7%, seguido pelo Sul de Minas (77,5%), Central (76,2%), Rio Doce (75%) e Noroeste (72,5%). As regiões com menos impacto serão a Centro-Oeste (70%) e Jequitinhonha (68,3%).
ECA é uma das leis mais avançadas na defesa da infância e da juventude

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) consolidou o princípio da proteção integral, reconhecendo jovens como sujeitos de direitos e colocando suas necessidades no centro das políticas públicas. Em julho deste ano, o Estatuto completou 35 anos. Inspirado na Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), o ECA foi fruto da mobilização de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e da redemocratização do país, e é considerado uma das legislações mais avançadas do mundo. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com Márcia Rodrigues, advogada e membro da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG). Quais foram os progressos mais significativos promovidos pelo ECA? Destaco a criação dos Conselhos Tutelares; além da articulação de políticas públicas nas áreas da assistência social, educação e saúde; o fortalecimento das medidas socioeducativas com caráter pedagógico e não punitivo; e a consolidação de uma rede de proteção. Que direitos passaram a ser mais respeitados após a criação do Estatuto? A convivência familiar e comunitária deixou de ser negligenciada; as institucionalizações passaram a ser medidas excepcionais, com incentivo ao fortalecimento de vínculos e à adoção legal; a proteção contra todas as formas de violência e negligência ganhou força com a criação de canais de denúncia e responsabilização; e a educação também foi centralizada como um direito. Além da saúde, especialmente na atenção básica; e o reconhecimento do direito à escuta e à participação de crianças e adolescentes também foram marcos extremamente importantes. Existem desafios para efetivar o que está previsto no ECA? Os desafios são muitos e complexos. Por exemplo, o trabalho em rede, essencial para garantir a proteção integral, ainda encontra obstáculos como a falta de articulação, indefinição de atribuições, sobrecarga das equipes e ausência de formação continuada. Outro ponto crítico é a defasagem do ECA diante das transformações tecnológicas. O Estatuto ainda não contempla, com a profundidade necessária, crimes cibernéticos como aliciamento sexual, cyberbullying e exposição de dados. Quais avanços foram percebidos na educação e no combate ao trabalho infantil? O Estatuto afirmou o direito à educação como central para o desenvolvimento infantojuvenil. A exigência da matrícula obrigatória, o combate à evasão escolar e o reconhecimento da diversidade no ambiente educacional foram fundamentais para ampliar o acesso à escola. Na mesma linha, o enfrentamento ao trabalho infantil deu um salto qualitativo. O ECA rompeu com a lógica da naturalização do trabalho precoce e impulsionou políticas públicas, além da constante fiscalização pelas autoridades competentes. De que forma a proteção às crianças foi transformada pelos Conselhos Tutelares? Os Conselhos são órgãos permanentes e autônomos, responsáveis por zelar pelos direitos da infância e adolescência. Essa estrutura descentralizada trouxe a proteção para mais perto dos territórios. Antes, era quase exclusiva do Judiciário. Hoje, os conselheiros atuam diretamente na aplicação de medidas protetivas, no encaminhamento para a rede de serviços e na fiscalização de entidades. São eleitos pela comunidade, o que reforça seu caráter democrático. O Estatuto precisa passar por atualizações? Sim, o ECA tem de acompanhar as mudanças sociais, culturais, tecnológicas e científicas que atravessam a infância contemporânea. O mundo de hoje é profundamente diferente daquele de três décadas atrás. Novas formas de convivência, tecnologias digitais, redes sociais, inteligência artificial, transformações nas dinâmicas familiares, nos padrões de violência e nas formas de exclusão, exigem do Estado e da sociedade uma escuta atenta e uma capacidade constante de atualização. Um estatuto que nasceu para garantir dignidade e direitos não pode permanecer alheio às novas vulnerabilidades que surgem.
Torneio de Motovelocidade será realizado em Curvelo

Com 4.420 metros de extensão, 18 curvas, desníveis e uma reta de 840 metros, o Circuito dos Cristais, em Curvelo, na região Central do Estado, vai receber a quarta etapa do MOTO1000GP, do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, nos dias 2 e 3 de agosto. No início deste ano, o município sediou a segunda etapa da temporada e registrou o maior público do campeonato na cidade, que integra o calendário desde 2023. As atividades de pista começam no dia 1º de agosto, com mais de 50 sessões entre treinos, classificatórios e corridas. E, no fim de semana, estão previstas provas das oito categorias da competição: GP1000, Daytona 660 Cup, GP600, Motul 300V Cup, Yamaha R15 BLU CRU LA, Yamalube R3 BLU CRU LA Cup e Talent e Mottu Endurance. Todas as corridas serão transmitidas no YouTube do MOTO1000GP, e também, no domingo, no canal BandSports, na plataforma RACER e no Motorsport.com. Além do New Brasil, canal do grupo Bandeirantes. O organizador do evento, Donato Khouri, explica que o município de Minas tem papel importante na motovelocidade nacional por contar com uma das poucas pistas aptas a receber provas com segurança e estrutura adequada. “Em 2025, o MOTO1000GP terá etapas em cinco autódromos, e o Circuito dos Cristais segue como uma das principais opções do calendário. A etapa de agosto, inclusive, estava inicialmente prevista para Goiânia, que passa por reformas para receber o MotoGP em 2026, reforçando ainda mais a relevância de Curvelo para a continuidade do campeonato”. Ele destaca ainda que a motovelocidade é um esporte ainda em expansão no Brasil. “Porém, o nosso objetivo é que, como nos principais mercados do mundo, a modalidade seja uma ferramenta de desenvolvimento de tecnologias. Isso é muito importante, especialmente em um país com um mercado de quase 2 milhões de motos produzidas por ano”. Os ingressos para o evento já estão disponíveis no Sympla, com opções para diferentes experiências a partir de R$ 30. Além das credenciais à venda e distribuídas para os convidados, terá um local com entrada gratuita, estacionamento e food trucks para 10 mil pessoas. As cortesias podem ser retiradas nos pontos de venda físicos de Curvelo e Belo Horizonte. Já à próxima etapa do MOTO1000GP será em Cascavel, no Paraná, nos dias 30 e 31 de agosto. Novos talentos A competição conta com mais de 150 pilotos de 10 diferentes países. De acordo com Khouri, o MOTO1000GP foca muito no desenvolvimento de novos talentos, em fornecer condições seguras para que eles se desenvolvam no esporte. “A Yamalube R3 BLU CRU LA Talent, categoria para pilotos de 12 a 22 anos, leva todos os anos, os dois primeiros na classificação do campeonato para competir na R3 World, que reúne competidores do mundo dentro do WSBK, uma das maiores competições de motociclismo que temos”. “O torneio também é uma alternativa para aqueles que retornam ao Brasil, ou que focam no desenvolvimento nacional. A competição é importante por ser vitrine para novos talentos, mas também por fornecer opções de categorias para o desenvolvimento dos pilotos até a GP1000, com as motos de mil cilindradas”, acrescenta. O circuito Khouri pontua que o circuito é a pista mais longa e técnica que o MOTO1000GP visita. “Os pilotos precisam de um maior preparo, principalmente físico. Pode ser um pouco complicado no início para quem nunca competiu no circuito. Além disso, é uma pista segura, e o autódromo tem uma ótima estrutura para o evento”. Para o mineiro Diego Hilel, campeão da 1000 Light em 2024 e piloto da 1000 Evo nesta temporada, a exigência da pista vai além da técnica. “O Circuito dos Cristais é o autódromo de maior complexidade técnica do calendário. Exige muito fisicamente, não só pelo calor, mas pelas muitas curvas e chicanes”. A sequência de aceleração e frenagem curtas, somada às subidas e descidas do traçado, impõe um desafio constante, afirma o piloto da Castrol. “É um circuito de muita aceleração e frenagem curta. Você acelera e freia o tempo inteiro. Se a moto não estiver bem ajustada, o piloto não consegue extrair desempenho. Tem curva cega, chicane antes de reta, depois de reta. Exige leitura de pista e pilotagem limpa”, finaliza.
Cerca de 100 mil pessoas visitaram a Rota Peter Lund no ano passado

Somando mais de 2,4 mil hectares de áreas naturais, a Rota Peter Lund possui cerca de 50 cavernas e 170 sítios arqueológicos, e é uma ótima opção para o período de férias. A rota passa pelos municípios de Belo Horizonte, Cordisburgo, Lagoa Santa, Pedro Leopoldo e Sete Lagoas, abrangendo três unidades de conservação: o Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa e Pedro Leopoldo; o Monumento Natural Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas; e o Monumento Natural Peter Lund, em Cordisburgo. Além disso, a Rota reúne sete marcos principais: o Museu de Ciências Naturais – PUC Minas (Belo Horizonte), o túmulo do Dr. Peter W Lund (Lagoa Santa), o Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire (Lagoa Santa), o Museu Peter Lund (Lagoa Santa), o Receptivo Gruta Rei do Mato (Sete Lagoas), o Museu da Gruta do Maquiné (Cordisburgo) e Museu Casa Guimarães Rosa (Cordisburgo). O percurso leva esse nome em homenagem ao pesquisador dinamarquês Peter Lund, que se tornou conhecido como “pai da paleontologia brasileira”. A diretora de Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Letícia Horta Villas Boas, explica que as cavernas e grutas possuem grande importância local, nacional e internacional. “Em diversos aspectos, incluindo ambiental, cultural, científico e turístico. As cavernas são testemunhas da história humana e do planeta, abrigando sítios arqueológicos e pinturas rupestres, e são fontes de conhecimento interdisciplinar”. A Rota das Grutas Peter Lund é uma das mais importantes áreas de visitação de cavernas do Brasil, destaca Letícia. “Representando um polo significativo para o ecoturismo e a preservação ambiental no Estado. Busca promover o desenvolvimento econômico e a geração de negócios por meio do turismo ecológico e histórico- -cultural, sempre aliado à conservação ambiental e à valorização das riquezas culturais e históricas. Só em 2024, o circuito recebeu 100,4 mil visitantes, somando as três Unidades de conservação”. “O circuito se diferencia de outras rotas turísticas no Estado pelo seu foco na pré-história e paleontologia, considerando a sua profunda conexão com a pré-história de Minas Gerais e o legado do cientista Peter Wilhelm Lund, que realizou importantes descobertas de fósseis humanos e de animais extintos na região. Isso oferece uma experiência única de aprendizado sobre a evolução da vida e a ocupação humana no continente”, ressalta a diretora. Particularidades Letícia esclarece que cada gruta da Rota possui suas particularidades, com formações cársticas únicas e peculiares e extensões diferenciadas. O valor do ingresso da visita guiada é R$ 30, mas também existem outras atividades com outros valores. Peruaçu Em julho, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado no Norte do Estado, foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o reconhecimento abre novas oportunidades para o ecoturismo. “E também para a pesquisa científica e a inclusão social das comunidades do entorno, especialmente por meio do fortalecimento da economia local e do turismo de base comunitária”. Para Letícia, esse reconhecimento é de imensa importância. “Pois, destaca a relevância global do parque em termos ambientais, arqueológicos e culturais. E pode beneficiar indiretamente a Rota das Grutas Peter Lund de diversas formas, como no aumento de visibilidade, no fortalecimento do turismo, investimentos e parcerias”.
Estado registrou 58,3 mil novas empresas no primeiro semestre

Minas Gerais registrou, pelo menos, 10 mil novas empresas a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo a Junta Comercial do Estado (Jucemg), no primeiro semestre deste ano, já foram registrados 58.399 novos empreendimentos, superando em 21,3% o resultado em 2024. Em junho, foram 8.613 novas firmas, 5,6% a mais que no ano passado. Todas as regiões apresentaram saldo positivo, com destaque para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, que cresceram 33,68%. Na sequência, Norte de Minas (29,35%), Central (23,85%) e Centro-Oeste (20,47%). O setor de serviços liderou a abertura de empresas, com 43.336 novos registros e alta de 24,39%. O comércio cresceu 13,28%, com 12.383 empresas abertas, enquanto a indústria avançou 12,28%, com 2.679 registros. Em junho, os serviços se destacaram novamente, com alta de 8,53%, seguidos pela indústria (+9,12%). Já o comércio teve leve queda de 4,29%. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, afirma que o crescimento na abertura de empresas reforça a melhoria no ambiente de negócios nos municípios mineiros. “Essa ação estratégica do Governo de Minas tem apresentado resultados surpreendentes em regiões que precisavam de mais desenvolvimento. Novas empresas significam novos empregos”. Conforme o economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, houve um crescimento na abertura de empresas nos últimos anos, não só em Minas Gerais, mas em todo o país. “Minas tem se destacado porque apostou na desburocratização e na facilidade para a abertura de empresas, com maior digitalização e menor tempo de espera. O Estado também tem investido em políticas públicas para incentivar o empreendedorismo”. “Porém, tem vários outros fatores associados, como o avanço da economia que foi consistente nos últimos anos, em 2023 e 2024, crescendo acima de 3%, tanto no país quanto em Minas, o que gera confiança na população. E também tem um sentimento dos brasileiros de maior busca no empreendedorismo e menos no trabalho formal”, observa o profissional. Aguiar destaca ainda que os dados mostram que a maior concentração das aberturas das empresas em Minas tem sido no setor de comércio e serviço. “E isso está relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que tem sido alavancado fortemente por esses ramos”. “Além do crescimento sustentável da economia nos últimos anos, alguns indicadores econômicos favorecem esse cenário de estabilidade para que mais pessoas busquem o caminho do empreendedorismo, como o aumento da renda dos brasileiros e a queda do desemprego. Isso tudo favorece para que as pessoas criem condições de abrir seu próprio negócio”, acrescenta. Ainda de acordo com a pesquisa, o primeiro semestre somou 46.164 extinções empresariais, uma variação de 50,60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deste total, 6.617 empresas fecharam as portas em junho. Cidades Belo Horizonte segue como o município com o maior número de empresas abertas no primeiro semestre de 2025. Foram 15.954 formalizações, alta de 23,36% em relação ao mesmo período do ano passado (12.933). Em junho, a capital mineira registrou 2.430 novos negócios, alta de 9,61% em relação a 2024 (2.217). Seguindo o ranking dos demais municípios, nos mesmos intervalos comparados, aparecem: Uberlândia (3.359 no ano e 506 em junho), Contagem (1.940 e 307), Juiz de Fora (1.574 e 226) e Montes Claros (1.297 e 192). Além de Betim (1.134 e 161), Uberaba (1.086 e 139), Divinópolis (815 e 108), Governador Valadares (717 e 121) e Patos de Minas (705 e 86). O economista finaliza dizendo que acredita que a tendência é seguir avançando o índice de criação de empresas. “Ao que tudo indica, a taxa básica de juros não deve aumentar mais neste ano. E a perspectiva é que a economia tenha um crescimento expressivo de 2,5%. Com a expectativa do índice do desemprego caindo e a renda dos brasileiros em patamar elevado, a economia continuará aquecida, fazendo que as gerações das empresas continuem em ritmo acelerado”.