2,8 milhões de pessoas estão envolvidas em conflitos de mineração

De acordo com dados recentes do relatório Conflitos da Mineração no Brasil, que vem sendo publicado anualmente pela Universidade Federal Fluminense (UFF), foram contabilizadas 901 ocorrências de conflitos de mineração. O levantamento aponta que o total de pessoas envolvidas saltou 308,1%, saindo de 688 mil para 2,810 milhões, os episódios mapeados estão associados a 786 localidades. Do total de localidades envolvidas, 31,9% situam-se em território mineiro, e o percentual é impulsionado pelos desdobramentos dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com o engenheiro geólogo e professor da Escola de Engenharia da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Guillermo Ruperto Martín Cortés. Mais de 90% dos conflitos de mineração envolveram disputas por terra ou água. Por que a maior parte desses confrontos estão ligados a esses dois fatores? Os minerais se localizam na crosta terrestre, algumas vezes ocorrem desde a superfície, outras se localizam em profundidade. A lei estabelece que os proprietários são donos da superfície dessas terras. Já os minerais são propriedade do Estado e para isso, a Agência Nacional de Mineração (ANM) é a autarquia que permite, através dos seus alvarás, a pesquisa, prospecção e extração, incluindo as águas minerais. Por isso, em muitas oportunidades, os proprietários desconhecem a presença de minerais valiosos e quando chegam às empresas para realizar seus trabalhos, munidos de autorização, surgem os problemas. Outras vezes, os donos das terras sabem da situação mineral, porém, não sabem como dar continuidade para o aproveitamento desses recursos. Os problemas com as águas resultam das consequências dos trabalhos de prospecção e de mineração. Durante a prospecção, se realizam perfurações rotativas que utilizam água como fluido de perfuração; já durante a lavra, a água é utilizada na maior parte das operações de beneficiamento e concentração. Quais políticas públicas poderiam ser feitas para evitar ou minimizar esses problemas? Tanto as empresas quanto às instituições e órgãos de direção pública das diferentes instâncias de governo devem trabalhar em estreita relação para poder diminuir ou minimizar os possíveis problemas que surgem inevitavelmente em toda negociação de trabalho e intercâmbio de interesses. Somente trabalhando dessa forma podem surgir os acordos público-privados que funcionem como lubrificante que evite os atritos. Como as empresas devem gerenciar esses conflitos nas comunidades? As instituições reúnem grande quantidade de experiências e cada dia melhoram sua relação com as comunidades em que trabalham e desenvolvem suas atividades. Nesse sentido, as continuações desses métodos devem melhorar a sua imagem na região e evitar conflitos. Como a presença das grandes mineradoras influencia a organização social e política das comunidades locais? Com a legislação vigente, a grande quantidade de instituições que supervisionam a aplicação dos alvarás de pesquisa e os de extração, a vigilância sobre a ocupação das áreas de mineração, a proteção ambiental e os estudos de impacto ambiental e a fiscalização econômica mineral, pode-se dizer que as empresas mineradoras de grande porte, nacionais e transnacionais, beneficiam mais do que prejudicam. Resultam em fonte de postos de trabalho, centros de capacitação, desenvolvimentos de áreas culturais e recreativas para o pessoal da região. A grande maioria dessas empresas são vistas com grande preocupação pela recuperação dos impactos que a mineração inevitavelmente ocasiona por causa das operações de lavra, sejam a céu aberto ou subterrâneas. Porém, pode-se concluir que a influência é positiva. Segundo uma pesquisa do Observatório da Mineração, a procura por minerais usados na transição energética acelera a crise climática. Como essa demanda pode intensificar essa adversidade? Os minerais essenciais para a transição energética incluem: lítio, níquel, cobalto, cobre, alumínio e elementos de terras raras, e podemos adicionar os minerais que contêm sílica. Todos citados são extraídos nacional e globalmente há séculos, por isso, acredito que a sua mineração não vai influir ou acrescentar os impactos ambientais que já ocasiona a inevitável extração e processamento dos mesmos.

North e URT se preparam para o Módulo I do Mineiro

O North e o URT se juntam ao América, Athletic, Atlético, Betim, Cruzeiro, Democrata de Governador Valadares, Itabirito, Pouso Alegre, Tombense e Uberlândia para disputar o Campeonato Mineiro Módulo I em 2026. O time de Montes Claros está subindo para a elite pela primeira vez, e com apenas três anos de existência. O clube foi campeão do Módulo II contra o URT. Já a equipe de Patos de Minas está voltando à primeira divisão depois de três anos, com a conquista do vice-campeonato. O presidente do North, Victor Oliveira, destaca que o time nasceu para resgatar o orgulho do futebol em Montes Claros e no Norte de Minas. “Trazer de volta à elite do Mineiro para a nossa cidade, após 15 anos de ausência, é a maior prova de que nosso projeto é um sucesso. O North não é apenas um time, é um símbolo de união para toda a população”. Oliveira ressalta que a equipe já está trabalhando intensamente. “Já trouxemos o pentacampeão mundial Kléberson para comandar o time em 2026. A chegada dele é um sinal claro dos nossos objetivos. Estamos avaliando o mercado para trazer jogadores e profissionais que se encaixem na filosofia do clube. A ideia é montar um elenco competitivo, capaz de enfrentar e vencer os desafios da elite”. “Nossa meta principal é, primeiro, consolidar o North na primeira divisão do Campeonato Mineiro. Não viemos apenas para participar, viemos para ficar. A partir disso, buscaremos vagas em competições nacionais, como a Copa do Brasil e a Série D do Campeonato Brasileiro. Queremos que o North esteja no cenário nacional e leve o nome de Montes Claros cada vez mais longe”, salienta. Já o presidente da URT, Igor Cunha, pontua que aumentar a arrecadação será o ponto principal no Mineiro de 2026. “Queremos montar um elenco competitivo e que alcance nossos objetivos, para isso, precisamos de receita, não somos SAF e nossa renda vem de patrocinadores e do próprio torcedor, será necessário aumentar nosso valor de patrocínio e também dos ingressos e produtos do clube, chegou o momento de todos entenderem a nova situação da URT e ajudar na campanha”. “Temos cinco jogadores com pré-contrato assinado e negociando com vários outros. Atualmente, estamos monitorando mais de 150 atletas, e nossa comissão técnica está 90% fechada”, acrescenta. Cunha afirma que o time vai trabalhar para conseguir uma vaga na Copa do Brasil e Brasileiro Série D. “A URT não pode mais pensar em só se manter na primeira divisão, precisamos ter um calendário mais extenso. Claro que podemos montar um elenco forte e dentro de campo não encaixar, mas com certeza, o trabalho está sendo feito para alcançarmos esses objetivos. E precisamos nesse momento de todos, patrocinadores e torcida, sem eles ficará difícil aumentar nosso poder financeiro e consequentemente impossível montar um bom elenco”. Módulo II Para o presidente do North, o título do Módulo II foi uma sensação indescritível. “De pura gratidão e realização. Este é o resultado de muito trabalho, dedicação e, acima de tudo, da crença em um projeto que nasceu para fazer história. Ver o North, um clube tão jovem, alcançar a elite do futebol mineiro e, de quebra, conquistar o título da competição é a coroação de um sonho”. “A jornada foi cheia de altos e baixos, como em qualquer competição. O mais desafiador foi manter a estabilidade emocional, a união do grupo e o foco no objetivo, mesmo nos momentos de pressão e incerteza. Enfrentamos adversários muito fortes e a campanha exigiu resiliência e a capacidade de superar obstáculos a cada jogo”, avalia Oliveira. Saber lidar com um Módulo II foi o maior desafio, segundo o presidente da URT. “Sem dúvidas, foi a competição mais difícil dos últimos tempos, com equipes tradicionais onde a maioria já esteve no Módulo I e precisavam voltar, a pressão da torcida e patrocinadores não foi diferente na URT. Foi preciso saber lidar com o emocional de todos e conduzir até o fim com foco e pés no chão”. “Foi uma campanha consistente, erramos na hora que podíamos errar, avaliamos os erros, estudamos as opções e tomamos as decisões na hora certa, e isso possibilitou minimizar as falhas no momento crucial da competição que foi a segunda fase, onde fizemos 9 pontos em 3 jogos”, finaliza Cunha.

Projeto cria um grande corredor de arte urbana na Região Metropolitana de BH

O maior corredor de arte urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) está sendo executado em Contagem. O projeto NuBeco vai transformar becos no entorno da Praça da Glória com murais inéditos sobre biomas, água, clima e futuro usando graffiti e muralismo, entre setembro e outubro. Serão mais de 1.600 metros quadrados de pintura. Ao todo, 650 latas de spray serão usadas e mais de 20 artistas, locais e nacionais, estão envolvidos no processo, desde o dia 8 de setembro. Três becos receberão murais temáticos sobre biomas do Brasil, água e clima, e abordando questões socioambientais, enquanto o quarto espaço será palco de um grande evento coletivo para criar um mural inspirado em “A Cidade que Queremos”. A edição 2025 do NuBeco acontece no ano em que o bairro Eldorado celebra 71 anos de sua fundação. A iniciativa, assinada pela Associação Move Cultura e com o apoio do Ministério da Cultura e do governo federal, propõe um diálogo direto entre arte, comunidade e meio ambiente. A coordenação artística do projeto está sob a responsabilidade do artista Alberto Tadeu. Esta edição vai ser um dos maiores eventos que Contagem já viveu, acredita Tadeu. “Pelo volume de trabalhos, pela quantidade de becos e pelas temáticas que poderão ser exploradas pela sociedade. Estamos criando um circuito de arte urbana capaz de atrair visitantes e fortalecer ainda mais a Praça da Glória como um ponto de encontro da cidade”. O diretor executivo da Move Cultura, Rafael Aquino, pontua que desde 2012, a Associação reúne parceiros para revitalizar os becos do bairro Eldorado. “Por entendermos que são passagens urbanas necessárias para o deslocamento na região, mas que historicamente são espaços marginalizados”. “A ideia é fazer dos becos mais do que uma simples passagem, vamos torná-los um circuito em que as pessoas poderão visitar no entorno da praça da Glória. Esses locais estão sendo transformados em galerias abertas de arte urbana e experiências semelhantes pelo Brasil demonstram que trabalhos como este contribuem diretamente com o turismo e atraem diversas iniciativas ligadas à economia criativa”, esclarece o diretor. Ele ressalta ainda que a arte tem o potencial de comunicar diretamente e também de forma subjetiva com diferentes gerações e com pessoas de todos os segmentos da sociedade. “Por isso, tivemos a preocupação de tratar de temas que são urgentes, não só para o morador de Contagem, como também para a humanidade”. NuBeco O NuBeco foi idealizado para sensibilizar os moradores e as autoridades quanto à necessidade de resolverem os problemas de segurança e de manutenção dos becos dos bairros Eldorado e JK, em Contagem. Durante as ações, o projeto catalogou 53 becos, fez mutirões de limpeza em sua grande maioria e realizou apresentações culturais, projeções audiovisuais e exposições. Aquino explica que a proposta surgiu em 2012. “Quando nós tínhamos um projeto chamado Bangalô Cultural, que buscava aproximar os artistas do público da cidade, através de eventos gratuitos nos espaços públicos. Como passar pelos becos fazia parte da nossa rotina, tivemos a ideia de utilizar do nosso trabalho na cultura para convidar a população para melhorar um local que todos precisavam utilizar no dia a dia”. O projeto já revitalizou os becos entre a rua Jequitibás e a Avenida Babita Camargos; da rua das Acácias, altura do número 349 e 330; da Avenida João César de Oliveira, altura do 2.415; da Avenida José Faria da Rocha, altura do 5.478 e da rua Monsenhor Bicalho, altura do número 312. Cronograma Beco 1 – Biomas do Brasil8 a 19 de setembroRua dos Ingás, entre os números 161 e 163 Beco 2 – Água é Vida22 de setembro a 3 de outubroRua dos Ingás, entre os números 255 e 2653 Beco 3 – Clima e Futuro6 a 17 de outubroRua dos Ingás, entre os números 325 e 345 Beco 4 – Beco do Evento24 a 26 de outubroRua dos Ingás, entre os números 417 e 435

Concorrência do setor de calçados com a China deve afetar indústria nacional

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), as importações de calçados chineses estão em elevação no país, no mês de agosto, entraram no Brasil 492 mil pares chineses, pelos quais foram pagos US$ 3,7 milhões, incrementos tanto em volume (+41,5%) quanto em receita (+67,2%) frente ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as importações chinesas somaram 8,45 milhões de pares e US$ 31,18 milhões, aumentos em pares (+9%) e em valores (+14,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. No total, as importações de agosto somaram 3,55 milhões de pares e US$ 49,27 milhões, incrementos de 23% em pares e de 18,4% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2024. “Com a tarifa aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos chineses, os produtores daquele país vêm escoando seus excedentes em outros mercados, inclusive no brasileiro, com preços muito baixos”, explica o presidente- -executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. O economista Ricardo Paixão ressalta que essa concorrência com os produtos chineses vai pressionar os preços e as margens. “É uma concorrência via custo, que vai deslocar a participação do mercado nas faixas populares e encurtar prazo de produção doméstica, podendo realmente sacrificar a indústria nacional”. “A importação não pode ser totalmente liberada. Por exemplo, precisa verificar se a concorrência é leal e não utiliza de meios ilegais para poder operacionalizar com aquele custo de produção tão baixo. Uma das coisas que o governo poderia adotar é a defesa comercial, como manter e atualizar as questões antidumping. Utilizar de uso criterioso dos instrumentos, sem violar o compromisso com a Organização Mundial do Comércio (OMC), além de uma política industrial mais eficaz”, complementa. Exportações De acordo com a Abicalçados, as exportações seguem em ritmo de queda, agora impactadas pelo tarifaço de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos. Os índices do setor somaram 7,64 milhões de pares, que geraram US$ 77 milhões, quedas de 0,5% em volume e de 9,1% em receita na relação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, foram embarcados 67,52 milhões de pares por US$ 651,1 milhões, incremento de 5,7% em volume e queda de 0,6% em receita no comparativo com intervalo correspondente de 2025. As exportações para os Estados Unidos registraram 803,7 mil pares e US$ 21,4 milhões, quedas tanto em volume (-17,6%) quanto em receita (-1,4%) em relação ao mesmo mês de 2024. Já no acumulado do ano, as exportações para o país somaram 7,7 milhões de pares e US$ 156,3 milhões, incrementos de 10,7% em pares e de 5,8% em receita no comparativo com o mesmo período de 2024. O segundo destino do calçado brasileiro é a Argentina, que em agosto importou 1,63 milhão de pares brasileiros por US$ 18,44 milhões, incrementos de 68% e 11,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, foram exportados 9,35 milhões de pares, que geraram US$ 135,68 milhões, crescimento tanto em volume (+37,4%) quanto em receita (+5,3%) em relação ao mesmo período de 2024. Paixão afirma que o Brasil está sofrendo com a concorrência asiática. “Principalmente porque um dos grandes consumidores, os Estados Unidos, está abrindo espaço para os asiáticos na compra de produtos. Outro ponto é a Argentina que tem passado por muita dificuldade em termos governamentais e isso afeta a exportação dos calçados brasileiros”. “Acredito que a taxa de câmbio e as questões logísticas também acabam prejudicando as exportações. Às vezes, o câmbio não está tão propício a exportar e acaba encarecendo mais o produto, e não conseguimos uma logística mais adequada, onde possa ter uma redução de custo. Além, da grande disputa por preço”, observa o economista. Ele pontua que, no curto prazo, o viés é de pressão importadora nas faixas de preços mais baixos e as exportações vão ficar lateralizadas. “Essa trajetória pode ser revertida com a defesa comercial efetiva, câmbio neutro, promoção de marcas e ganhos de produtividade. O cenário nacional é preocupante, porém, acredito que esse conjunto de fatores vai ajudar a melhorar essa situação”, finaliza.

Evento “Desafio Total” será realizado em Juatuba

A cidade de Juatuba, na região Central do Estado, vai receber uma corrida de obstáculos, o Desafio Total. O evento será realizado no dia 5 de outubro, das 8h às 15h, no Ginásio Poliesportivo, na rua João Saliba, 163. O público estimado é de 500 participantes. O Desafio Total é uma corrida de obstáculos com lama, cordas e muros, uma prova de resistência física e mental. O objetivo é promover atividades esportivas, incentivar a prática de exercícios físicos, a integração social e a qualidade de vida dos participantes, com provas de superação e desafios recreativos. O evento vai incluir corrida recreativa ou competitiva sem premiação e/ou categorias; desafios funcionais; provas de resistência ou força e jogos cooperativos. A programação detalhada será divulgada no Instagram @corridadesafiototal. A administradora do projeto, Gisele Gonçalves, explica que essa será a primeira edição. “Nós somos quatro sócios, e um dos sócios já faz esse tipo de evento de corridas de obstáculos, downhill e corrida em mata, e teve a ideia de trazer para Juatuba, onde nós temos uma academia. Assim, nasceu o projeto de fazer o Desafio Total no município mineiro”. “O município de Juatuba não tem muito histórico de eventos esportivos, e essa foi até uma ideia de tentar incentivar o esporte na cidade. O nosso intuito é promover a saúde e bem-estar, incentivando a atividade física e um estilo de vida saudável entre os participantes. E também ser um desafio pessoal, proporcionando aos atletas uma oportunidade de testar suas habilidades físicas e mentais, superando desafios e obstáculos”, complementa. Gisele pontua que o percurso terá entre 5 a 6 quilômetros. “Terá uma média de 20 obstáculos, bem variados. Por exemplo, passar por buracos de lama e escalar algo. Além dos obstáculos com lama, vai ter uns dois quilômetros da corrida que é dentro de uma mata, uma trilha. E o nível de dificuldade será leve para moderado”. Qualquer interessado pode participar desse evento, não é necessário ter nenhum tipo de preparação, ressalta Gisele. “O participante só tem que ter vontade de ir. Se tiver algum obstáculo que a pessoa não dá conta ou acha difícil, existe a opção de pular aquela barreira. Mas, a ideia do desafio, da corrida, é se desafiar a fazer algo novo, diferente, sair da zona de conforto”. As inscrições para essa edição já terminaram, porém, a administradora afirma que pretende fazer uma segunda edição no ano que vem. Superação O comerciante e professor, Felipe Xavier, 32 anos, não se denomina atleta. “Porém, pratico exercícios regulares de alta intensidade há 11 anos. Procuro manter sempre a disciplina e a frequência, a constância é sempre muito importante. Já participei de outras corridas de obstáculos como a Bravus Race e a Ninjas Race. E também de algumas trilhas e corridas em áreas de natureza. É sempre uma experiência maravilhosa. Nos esforçamos durante o percurso, mas a sensação de missão cumprida no final de cada desafio como este é impagável”. Ele revela que gosta de autossuperação, por isso, vai participar do Desafio Total. “Para testar os limites físicos do corpo e também os mentais. E tem algo interessante em corridas de obstáculos que é a cooperação entre os competidores, porque em muitas barreiras precisamos nos ajudar para conseguir concluí-las. É ótimo para criarmos boas conexões e memórias”. Xavier destaca que é de extrema importância esses eventos para promover saúde e esporte. “O incentivo a atividades físicas acaba proporcionando melhorias na saúde mental e emocional, e atividades como esta também podem ser uma excelente porta de entrada no mundo esportivo para quem ainda leva um estilo de vida menos ativo. Espero que nossa comunidade abrace esta oportunidade”, finaliza.

Exportação de veículo tem melhor resultado desde junho de 2018

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a exportação de veículos apresentou o seu melhor resultado desde junho de 2018. Foram 57,1 mil unidades exportadas em agosto, representando uma alta de 19,3% sobre julho e de 49,3% sobre o mesmo mês do ano passado. A Argentina foi a maior responsável por esse índice, já que responde por 59% dos embarques no ano, de acordo com a Anfavea. O acumulado geral dos oito primeiros meses soma 313,3 mil unidades, 12,1% acima das exportações do mesmo período de 2024. Em agosto, as fábricas brasileiras produziram 247 mil veículos, sem grandes variações em relação ao mês anterior (+3%) e agosto do ano passado (-4,8%). No ano, são 1,743 milhão de unidades produzidas, alta de 6%. O economista e professor do Centro Universitário Una, Giovane Castro, explica que além da expansão do mercado automotivo argentino, que é o principal destino dos veículos brasileiros, e que registrou um grande aumento nas compras no primeiro semestre de 2025. “O crescimento da produção automotiva no Brasil, que a tornou mais competitiva, e a moeda desvalorizada, que barateou os produtos brasileiros no mercado internacional, também contribuíram para este resultado positivo”. Para Castro, o cenário é promissor, mas exige adaptação rápida. “O Brasil tem tradição na fabricação de carros e uma localização estratégica para atender a América Latina. Nossa indústria só precisa acelerar os investimentos em tecnologia e eletrificação dos veículos. Pois, apesar do crescimento, a concorrência externa vem expandindo substancialmente, principalmente pelos carros chineses devido aos seus investimentos em tecnologia, veículos elétricos e preços extremamente competitivos”. Ele destaca ainda que a tendência é de expectativa. “Nosso principal importador de veículos, a Argentina, está enfrentando problemas como a alta de juros recentes e dificuldades de natureza política, o que pode impactar em futuras reduções, graças a estes fatores que provocam instabilidade”. Vendas internas O mercado interno mantém comportamento de estabilidade, mas com elevação da venda de importados e dos canais de vendas diretas, em detrimento do varejo de modelos nacionais. Em agosto, o total de emplacamentos foi de 225,4 mil veículos. O acumulado deste ano é de 1,668 milhão, e as vendas de importados atingiram alta de 12,1%. As vendas de modelos nacionais no varejo caíram 9,3% no ano, ante um crescimento de 17,3% dos importados. Mesmo nas vendas diretas, os nacionais cresceram 12,4%, um pouco abaixo dos 13,8% de alta dos estrangeiros. Entre todos os segmentos de veículos, o que mais sofre os efeitos dos juros elevados, da alta inadimplência e da desaceleração da atividade econômica é o de caminhões. Em agosto, pela primeira vez houve queda na produção acumulada em relação a 2024. O recuo é de 1%, porém, indica uma inversão da curva de crescimento que se mantinha ao longo dos primeiros sete meses do ano. O mercado interno de caminhões já vinha em retração desde abril. As exportações vêm equilibrando o setor automobilístico, afirma o economista. “Contudo, a alta competitividade chinesa através de tecnologias mais avançadas e preços competitivos, juntamente com problemas econômicos crescentes de nosso principal mercado externo, podem impactar no volume vendido em um futuro breve”. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressalta que a média diária de vendas foi de 10,7 mil unidades. “O segundo mês no ano com média inferior ao mesmo mês de 2024, o que acende um alerta para o último quadrimestre de 2025, que precisa subir bastante para acompanhar o ritmo acelerado do ano passado. No caso dos caminhões, nem a alta das exportações está sendo suficiente para sustentar os níveis de produção, o que já começa a se refletir em perdas de postos de trabalho nas fábricas de pesados”, finaliza.

Receita estimada do crime organizado no Brasil chega a quase R$ 350 bilhões

De acordo com dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a receita estimada do crime organizado no Brasil é de R$ 348 bilhões. Entre esses números, destacam-se os R$ 186 bilhões provenientes de cybercrimes e roubos, os R$ 146 bilhões ligados a produtos como combustíveis, bebidas, cigarros e ouro ilegais, e os R$ 15 bilhões do tráfico de cocaína. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada criminalista Thays Murta. Quais são os principais desafios legais no combate ao crime organizado no Brasil? No aspecto normativo, verifica-se a existência de lacunas em relação à tipificação de novas modalidades de crimes praticados por organizações, como os cibernéticos, lavagem de criptomoedas e fraudes digitais. Em âmbito institucional, nota-se que o combate à atuação das organizações criminosas é dificultado pela fragmentação das ações inibitórias que são coordenadas pelas autoridades policiais, Ministério Público e por órgãos de fiscalização. A ausência de integração plena leva a sobreposição de esforços ou falhas de comunicação. A Lei das Organizações Criminosas é suficiente para lidar com esse cenário? É incontestável que a lei foi um avanço essencial no combate à atuação das organizações criminosas, mas isoladamente, não é suficiente. Além da necessidade de atualização constante do diploma legal para que abranja novas modalidades de crime, é fundamental que sejam fomentados investimentos voltados à efetivação dos mecanismos de concretização dos ditames legais, logo, em estrutura investigativa, inteligência financeira e cooperação internacional para torná-la realmente eficaz. Há punições adequadas para quem financia ou movimenta recursos ilícitos ligados ao crime organizado? Sob um viés estritamente formal, é possível se concluir que o ordenamento jurídico brasileiro é suficiente e adequado na previsão de punições. Contudo, sob um enfoque material, a concretização das punições previstas legalmente encontra obstáculos práticos que inviabilizam sua aplicação efetiva, como a sofisticação das organizações criminosas, a morosidade processual e a dificuldade de cooperação internacional. Quais são os principais entraves legais para combater o comércio ilegal de combustíveis, bebidas, cigarros e ouro? A falta de harmonização tributária, que dificulta o controle e gera brechas exploradas pelo crime organizado. A tributação de combustíveis, bebidas e cigarros, por exemplo, envolve tributos federais, estaduais e municipais. No caso do ouro, há a regra de que ele pode ser considerado “ativo financeiro” ou “bem mineral”, criando dúvidas jurídicas sobre a fiscalização e tributação do mineral. Nota-se que no comércio de combustíveis, fraudes em notas fiscais e uso de empresas de fachada dificultam a identificação da origem e destino. No setor de bebidas e cigarros, por sua vez, o contrabando internacional é um desafio que exige não apenas lei, mas cooperação internacional efetiva. O ouro sofre com o uso de declarações de origem falsas em garimpos ilegais, o que permite a “legalização” de produto extraído de forma criminosa e ambientalmente devastadora. Como o sistema de justiça pode ser mais eficiente na repressão aos crimes ligados ao tráfico de cocaína? Embora existam normas rígidas, a repressão ainda enfrenta obstáculos. A eficiência do sistema de justiça no combate a esse tráfico depende de uma ação coordenada entre repressão penal, estrangulamento financeiro e medidas estruturais no sistema prisional, aliada a políticas sociais que reduzam a base de recrutamento do crime organizado. Que avanços jurídicos seriam essenciais para reduzir esse impacto bilionário do crime organizado? O enfrentamento jurídico do crime organizado deve combinar o enlace entre um ordenamento jurídico que contemple tipificações penais compatíveis com o dinamismo imposto pelos avanços tecnológicos, a eficiência processual através da criação de varas e câmaras especializadas em crime organizado e lavagem de dinheiro, o fortalecimento da cooperação internacional e por meio do reforço legal nos programas de proteção a testemunhas e delatores. É essencial aumentar a efetividade da persecução penal e da recuperação de ativos, de modo a atingir o coração das organizações criminosas: o patrimônio.

R$ 60 milhões serão destinados para a agricultura familiar

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar R$ 60 milhões em recursos não reembolsáveis a cooperativas da agricultura familiar para a produção e multiplicação de bioinsumos acessíveis e replicáveis. A ideia é incentivar essas ações em unidades industriais ou semi-industriais. Feitos a partir de microrganismos, resíduos vegetais e orgânicos, os bioinsumos são importantes na fertilização do solo e promoção da agricultura sustentável. Eles também atuam como predadores de pragas e promovem o crescimento, desenvolvimento e a saúde dos sistemas agrícolas, animais, aquícolas e florestais. A iniciativa conta com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O BNDES Bioinsumos atende a dois compromissos históricos: além de contribuir com o aumento da produção de alimentos saudáveis, garantindo a segurança e soberania alimentar e nutricional, essa iniciativa fortalece a geração de renda de cooperativas da agricultura familiar, ao ampliar o acesso aos bioinsumos, com menores custos e maior produtividade”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. O engenheiro agrônomo e professor da UniArnaldo Centro Universitário, Marcos Flávio Godoy de Oliveira, explica que esse investimento representa uma iniciativa pioneira mundial. “Embora pareça pequeno diante dos R$ 89 bilhões anuais destinados ao segmento, os R$ 60 milhões têm importância estratégica singular: é o primeiro e único programa específico de bioinsumos para agricultura familiar identificado entre as grandes economias mundiais”. “O programa pode revolucionar o setor ao reduzir drasticamente a dependência de fertilizantes importados. Hoje, o Brasil importa 83% dos fertilizantes que consome, uma vulnerabilidade que afeta diretamente os pequenos produtores. Com os bioinsumos, estudos da Embrapa mostram que é possível reduzir pela metade o uso de fertilização fosfatada e aumentar a produtividade em até 20%, enquanto reduz seus custos de produção em até 30%. Para as cooperativas das regiões Norte e Nordeste, prioritárias no programa, isso significa acesso à tecnologia de ponta que antes era restrita ao agronegócio empresarial”, complementa. Para Oliveira, a produção orgânica nacional já cresce mais de 20% ao ano, muito acima da média mundial de 8% a 12%. “E os bioinsumos podem acelerar ainda mais esse crescimento. Os dados mostram uma correlação direta entre investimento em tecnologias sustentáveis e expansão da agricultura orgânica. Eles facilitam a transição para o orgânico porque eliminam a principal barreira: a dependência de insumos químicos sintéticos”. Agricultura familiar No Brasil, a agricultura familiar ocupa uma extensão de área de 80,9 milhões de hectares, o que representa 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários. De acordo com o Censo Agropecuário mais recente, o segmento é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais possui 441,8 mil estabelecimentos, sendo o segundo Estado brasileiro com mais pessoas ocupadas no setor, cerca de um milhão de trabalhadores. O engenheiro pontua que a agricultura familiar produz a maior parte dos alimentos consumidos no Brasil. “Responsável por 70% dos produtos que chegam à mesa dos brasileiros, o setor produz a maior parte dos itens básicos da alimentação nacional: 69,6% do feijão, 83% da mandioca, 45,6% do milho, 57,6% do leite de vaca e 67% do leite de cabra”. “Em Minas Gerais, o papel é ainda mais estratégico. A agricultura familiar mineira se concentra especialmente no Vale do Jequitinhonha, onde 78 mil agricultores representam 9% da produção estadual e constituem a principal base econômica regional. Esses produtores não apenas garantem alimentos para o Estado, mas também abastecem outras regiões do país”, acrescenta. Ele finaliza dizendo que os desafios do setor são complexos e interconectados. “O principal é a defasagem tecnológica, enquanto países como China e União Europeia têm multiplicadores tecnológicos de 2,5 a 3,0, o Brasil ainda está em 1,2. Isso significa menor produtividade e maior dependência de insumos externos. A superação exige estratégia integrada baseada em três pilares: modernização tecnológica, desburocratização e integração digital”.

Índice de vacinação infantil no país enfrenta crise prolongada

O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis a partir de 2015, intensificada em alguns casos após 2020. Apesar da recuperação iniciada em 2022 e acelerada em 2023, o relatório mostra que nenhuma das vacinas infantis do calendário nacional atingiu as metas de cobertura estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em todos os estados em 2023. A pesquisa destaca o abandono vacinal como um problema crônico: vacinas que exigem múltiplas doses, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), apresentam altas taxas de evasão entre a primeira e a segunda dose. Em alguns estados, esse indicador ultrapassa os 50%, comprometendo a efetividade da imunização e aumentando o risco de reintrodução de doenças controladas. Em termos populacionais, o relatório aponta que, apesar da recuperação observada, em 2023, 80% ou mais da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo PNI para a maioria das vacinas analisadas individualmente. Na avaliação da presidente do IQC, Natália Pasternak, esse cenário evidencia a importância da transparência e da sistematização do acompanhamento dos indicadores relativos à vacinação. “Precisamos de dados, estratégia e compromisso institucional com a ciência e a prevenção”. Para o infectologista da Unimed-BH, Adelino de Melo Freire Júnior, a queda se dá por uma série de fatores. “Sendo os principais a desinformação sobre vacinas e a hesitação dos pais, que se acentuaram após a pandemia de COVID-19. Tivemos também problemas em relação às políticas públicas e com a cadeia de distribuição de vacinas nesses últimos anos. Apesar dos avanços, muitas regiões ainda não atingiram as metas de cobertura. Isso mostra que o impacto desses fatores leva bastante tempo para ser revertido, sobretudo quando falamos de credibilidade quanto à segurança e eficácia dos imunizantes”. “Há risco concreto de retorno de doenças como sarampo e poliomielite, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal, o que pode gerar surtos graves. A vacinação infantil é essencial do ponto de vista individual e coletivo. Individualmente, as vacinas protegem contra enfermidades graves, evitam sequelas e mortes, além de reduzir consultas e internações. Do ponto de vista coletivo, restringe a circulação de doenças mais comuns, assim como contribui para a imunidade coletiva, beneficiando toda a população”, ressalta. Metas não atingidas Segundo o Anuário, nenhuma vacina infantil do calendário nacional atingiu a meta de cobertura em todos os estados, com destaque negativo para poliomielite, meningococo C, Hib e varicela, para as quais nenhum estado alcançou a meta naquele ano. A situação da vacina meningocócica C é considerada crítica, pois nenhum estado cumpriu a meta entre 2021 e 2023. O pediatra da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, esclarece que só a educação contínua e bem fundamentada é que pode reverter essa confiança que foi abalada a respeito das vacinas. “Temos que ter uma política de saúde pública que garanta o acesso às vacinas, porque não adianta a gente insistir com os pais para vacinar os bebês se as vacinas não estiverem disponíveis”. “E tem que haver uma política global da sociedade a respeito de que a vacina confere a proteção individual, mas também tem um papel social, já que a imunização de uma pessoa leva a proteção das outras ao seu redor. E se todos ao seu redor estiverem imunizados, a chance da entrada de alguma doença infecciosa do exterior se propagar dentro do Brasil diminui. Só a educação e o convencimento podem gerar um índice maior de vacinação”, acrescenta. Freire destaca que é essencial investir em campanhas educativas, combater fake news, envolver líderes comunitários e influenciadores digitais que se comuniquem bem com os pais. “Além de garantir transparência nas informações sobre vacinação na rede pública e privada. Há sinais positivos que os índices vão se manter em ascensão. Mas, o crescimento depende da continuidade das políticas públicas, do combate à desinformação e do engajamento da sociedade”, finaliza.

Contratos de trabalho intermitente totalizam mais de 400 mil vínculos

Sendo uma alternativa viável para ampliar as admissões, com uma jornada flexível e a contratação de profissionais formais por hora, os contratos de trabalho intermitente cresceram quase 60 vezes entre 2017 e 2023, passando de 7,3 mil para 416 mil vínculos, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Na Alimentação Fora do Lar (AFL), o crescimento também foi expressivo: de apenas 315 contratos para 15,8 mil no mesmo intervalo de tempo. A taxa média anual no setor foi de 92,1%, consolidando o AFL como um dos principais usuários da modalidade. Dentre os diferentes tipos de estabelecimentos, os bares, em especial, quadruplicaram sua participação, passando de 2,5% para 24,2% dos vínculos intermitentes. O economista e docente no Centro Universitário Una, Fernando Sette Júnior, destaca que esse crescimento se deve, principalmente, à mudança na lei trabalhista de 2017, que abriu espaço para esse tipo de contrato. “Esse avanço reduz um pouco a taxa de desemprego, porque mais pessoas passam a ser registradas, mas aumenta a estatística de subocupação, já que muitos trabalham menos horas do que gostariam”. Para Júnior, essa ampliação faz com que a massa salarial cresça de forma mais lenta. “Eles aumentam o número de pessoas com carteira assinada, mas como a maioria trabalha menos horas, o valor final recebido todo mês tende a ser menor. Como o consumo das famílias é um dos motores do Produto Interno Bruto (PIB), o efeito desses contratos sobre a economia pode ser positivo, porém, limitado. No caso de bares e restaurantes, por exemplo, o impacto existe, contudo, não é tão forte quanto o de setores que pagam salários mais altos”. Ele acrescenta ainda que pode aumentar a desigualdade de renda. “De um lado, esses contratos dão chance para trabalhadores que antes estavam totalmente na informalidade. Mas, de outro, a renda instável e mais baixa pode reforçar desigualdades, especialmente se essas vagas se concentrarem em pessoas com menor escolaridade ou em regiões com menos oportunidades. Sem políticas que incentivem qualificação e proteção social, o risco é aumentar a distância entre os que têm empregos fixos e bem pagos e os que dependem só de contratos temporários”. Vagas temporárias Segundo um levantamento da Robert Half, 24% das empresas brasileiras apontam o crescimento nas demandas temporárias. As principais razões que impulsionam essa tendência, entre os recrutadores, a oportunidade de projetos pontuais extras (32%) é o motivo mais citado para a expansão da modalidade, seguida pela imprevisibilidade do cenário político-econômico (29%) e pela demanda urgente por profissionais com características técnicas específicas (25%). Já entre os profissionais, a adesão ao modelo também é crescente. Quase 40% dos trabalhadores ouvidos esperam participar de mais projetos temporários ainda em 2025, e 22% percebem que há mais facilidade na contratação por essa modalidade do que na ampliação de quadros fixos nas empresas. O diretor regional da Robert Half, Lucas Nogueira, afirma que a contratação por projetos se consolidou como uma alternativa estratégica. “Ela oferece às empresas agilidade, especialização e flexibilidade para responder rapidamente a desafios específicos. Isso é especialmente importante em momentos de transição ou mudanças regulatórias, como o atual contexto da reforma tributária, que exige adaptações rápidas e conhecimento técnico apurado”. Apesar do crescimento dessas modalidades de contratos, o economista não acredita que esses modelos se tornem predominantes no país. “Pelo menos não em curto prazo. Eles são importantes e estão crescendo, mas servem mais como complemento. A maior parte dos trabalhos no Brasil ainda precisa de gente presente todos os dias, em horários regulares, para garantir continuidade e estabilidade. O intermitente e o temporário funcionam melhor em setores que precisam de reforço em períodos específicos”. Ele finaliza dizendo que essas formas de contratação são sustentáveis em longo prazo. “Desde que sejam usadas de maneira equilibrada. Se o trabalho temporário ou intermitente for usado para completar o quadro em momentos de pico, pode ajudar bastante. Mas se virar regra em áreas que precisam de estabilidade, o risco é de criar empregos frágeis, com pouca segurança e menos perspectiva de crescimento profissional”.