Lei antidopagem diferencia vício de fraude esportiva

O combate ao doping no esporte vem passando por transformações importantes tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Se antes a lógica da punição era uniforme, hoje a legislação antidopagem reconhece que nem todo caso de uso de substâncias envolve fraude esportiva. Em especial, o consumo de drogas sociais como maconha, cocaína, ecstasy e morfina tem sido tratado de forma diferenciada, com punições mais brandas quando comprovado que não houve busca por vantagem competitiva. Segundo a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), atualmente, 15 atletas estão suspensos em definitivo e 16 cumprem suspensão provisória em diferentes modalidades esportivas. O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), João Antonio de Albuquerque e Souza, explica que essa mudança ganhou corpo com a revisão do Código Mundial Antidopagem, aprovada em 2021 e em vigor desde 2022, incorporada também pelo Código Brasileiro Antidopagem (CBA). “A última alteração criou a categoria das substâncias de abuso. São apenas quatro: cocaína, morfina, êxtase e o THC, presente na maconha. O período de suspensão é de três meses, podendo cair para um mês, o que representa um tratamento muito mais brando”. De acordo com Souza, a mudança é fruto da constatação de que o uso dessas drogas dificilmente está relacionado a ganho competitivo. “Via de regra, o atleta que utiliza substâncias de abuso não está querendo uma vantagem. Já com esteroides anabolizantes, por exemplo, há clara intenção de adquirir superioridade em relação aos adversários”. Humanização e saúde pública A introdução do artigo 119 do CBA reforça uma abordagem mais humana e próxima da realidade social brasileira, afirma Souza. “O tratamento é mais humano porque entendemos que, muitas vezes, o atleta não busca vantagem, mas sofre com um problema de dependência química. Nesse caso, estamos diante de uma questão de saúde pública. Punir com dois ou quatro anos pode significar o fim da carreira, a perda de contratos e até levar o atleta à depressão, agravando ainda mais a situação”. “Essa diferenciação permite em que situações no qual o atleta reconhece o uso e adere a um programa de tratamento, a suspensão seja reduzida a apenas 30 dias. É uma medida que estimula a recuperação, e não apenas a punição”, acrescenta. Casos emblemáticos O debate sobre drogas sociais no esporte não é exclusivo do Brasil. O presidente do TJD-AD lembra de exemplos internacionais que marcaram a história do antidoping. “O caso do Paolo Guerrero em 2017, ilustra bem como a mudança no código impacta. Ele cumpriu um período de suspensão elevado por uso de cocaína. Se fosse hoje, a pena seria muito menor”. Outro ícone do esporte, o ex-nadador Michael Phelps, também enfrentou punições relacionadas ao uso de maconha. Em ligas como a NBA, a droga está fora da lista de substâncias proibidas desde 2023. “A NBA não legalizou a maconha. O que fez foi parar de procurar a substância nos testes. Na minha visão, isso não é positivo, porque o atleta é um ídolo social e sua imagem deve estar vinculada a hábitos saudáveis”, analisa Souza. Entre punição e educação Apesar dos avanços, o presidente do TJD-AD avalia que ainda há um longo caminho a percorrer. “O Brasil está se transformando numa potência olímpica, mas ainda não está totalmente preparado para lidar com essa estrutura. É preciso avançar em educação, prevenção e programas de suporte aos atletas”. Para Souza, o equilíbrio está na diferenciação entre quem busca vantagem competitiva e quem enfrenta problemas sociais. “A principal forma de equilibrar é aplicar punições mais rigorosas aos que trapaceiam e penas reduzidas para aqueles que têm um problema de dependência. Essa diferenciação é clara no código atual e precisa ser valorizada”, conclui.

Cine Navegança valoriza a cultura mineira com exibição de 15 filmes

De 12 a 18 de setembro, Contagem receberá a 2ª edição do Cine Navegança, mostra audiovisual que busca valorizar a produção mineira e as narrativas que traduzem a identidade cultural, social e histórica de Minas Gerais. O evento ocupará cinco espaços da cidade com sessões gratuitas de cinema, rodas de conversa e uma exposição artística. Serão exibidos 15 filmes selecionados entre 146 inscritos, além do documentário convidado Nada Será Como Antes (2023), dirigido por Ana Rieper, sobre a trajetória do Clube da Esquina. O longa será apresentado na abertura, na Praça da Jabuticaba, com a presença da diretora e do coprodutor José Roberto Borges. Haverá ainda um show de Felipe Bedetti e Marilton Borges, interpretando clássicos do movimento musical. “O público terá uma experiência diferenciada, pois os filmes selecionados para esta edição possuem muita qualidade técnica e artística. São documentários, animações, videoartes e ficções, sendo a maioria com classificação livre. Assim, as famílias poderão participar com as crianças em quase todas as sessões”, explica a idealizadora do festival, Andreia Carvalho. A curadoria, formada por ela, o ator e diretor Carlos Henrique e o artista Ayam Ubrais Barco, priorizou diversidade cultural e territorial, reunindo obras de cidades como Belo Horizonte, Contagem, Montes Claros, Serra do Cipó e Uberlândia. “Consideramos também critérios como gênero, raça, locais de exibição, público prioritário da mostra, acessibilidade, entre outros. O desafio da seleção foi grande, dada a qualidade e diversidade dos filmes”, esclarece a idealizadora. Outras atividades O festival ainda contará com rodas de conversa acessíveis, reunindo diretores e produtores para debater processos criativos e com o lançamento da exposição fotopoética “Furtacor”, criada por Andreia, no dia 18 de setembro, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira. Andreia afirma que a exposição fotopoética foi desenvolvida a partir de suas experiências fotográficas e poéticas. “Busquei nas imagens que capturei a inspiração para as poesias, assim como me inspirei em outros versos a inspiração para as fotografias”. “Este trabalho explora diferentes cores, luzes e elementos da natureza que estão imersos no cotidiano e que muitas vezes passam despercebidos. Já as poesias dialogam e ilustram cenas fotografadas, extraindo delas a sutileza dos aspectos naturais, sem deixar de tratar da profundidade do humano”, acrescenta. Locais das apresentações: 12/09 e 13/09:Praça da JabuticabaAvenida Prefeito Gil Diniz – Centro 15/09:CEU das Artes Nova ContagemRua VP-2, 2.490 – Nova Contagem 16/09 e 17/09:CEU das Artes RessacaRua Magnólia, 100 – Arvoredo 17/09:Biblioteca MunicipalRua Bernardo Monteiro, 105 – Centro 18/09:Casa de Cultura Nair Mendes MoreiraPraça Vereador Josias Belém – Centro Entrada gratuita

Exportações das MPEs devem crescer após o incentivo do governo federal

O lançamento do Programa Acredita Exportação trouxe otimismo para as micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras, que representam 40% do total de exportadores, mas respondem por apenas 0,8% do valor das vendas externas do país. A iniciativa do governo federal prevê a devolução de até 3% da receita obtida com exportações, corrigindo distorções históricas que penalizavam pequenos negócios. Para o especialista em comércio exterior, Sandro Marin, o impacto deve ser expressivo. “O programa federal pode mudar esse cenário e abrir novas oportunidades para ampliar a competitividade e o faturamento das MPEs no país. Essa medida pode gerar um crescimento de cerca de 6% nas exportações brasileiras das micro e pequenas empresas, além de incentivar a oferta internacional de produtos com maior valor agregado e identidade nacional”. Segundo Marin, o ressarcimento dos tributos federais funciona como um alívio imediato no caixa das empresas. “Essa correção de distorções é um benefício importante. Com a devolução dos tributos, as MPEs passam a competir em condições mais justas com as empresas de maior porte. Essa compensação aumenta a capacidade de reinvestimento em inovação, marketing e expansão, reduzindo a desvantagem que essas empresas historicamente tinham no comércio exterior”, explica. Setores com maior potencial De acordo com o especialista, segmentos como móveis, calçados e vestuário devem sentir os efeitos mais imediatos. “São setores com forte vocação exportadora, base produtiva pulverizada e alto potencial criativo. Eles já têm presença consolidada em mercados vizinhos, como Argentina e Chile, e agora poderão ampliar margens com o benefício fiscal”. Ele reforça que o caminho mais vantajoso para as MPEs está em nichos diferenciados, em vez de commodities. “Exportar commodity não é o melhor caminho para as micro e pequenas. O brasileiro é criativo por natureza. Produtos com design, apelo regional ou soluções inovadoras agregam mais valor. É aí que essas empresas podem se destacar e alcançar maior lucratividade, principalmente recebendo numa moeda forte”, pontua. É importante os empresários utilizarem os valores recuperados para modernizar processos e expandir mercados, reforça Marin. “Os recursos podem ser direcionados para modernizar processos produtivos e equipamentos, investir em certificações internacionais, desenvolver coleções exclusivas e fortalecer a presença digital no exterior. O marketing internacional e a participação em feiras estratégicas também são fundamentais para consolidar marcas brasileiras em novos mercados”. Duração do programa O Acredita Exportação tem vigência até 2027, quando passará a valer a nova Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) prevista na reforma tributária. Essa transição deve eliminar a cumulatividade que encarece as exportações brasileiras. Para Marin, é essencial que as empresas já comecem a se preparar. “Elas precisam estruturar sua gestão tributária e financeira para acompanhar a transição. A CBS deve simplificar regras, porém, exigirá mais organização contábil. É recomendável também que as MPEs invistam em capacitação e tecnologia de gestão para de fato se beneficiar do programa”, orienta. Sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de julho de 2025, o programa entrou em vigor no dia 1º de agosto. Na ocasião, o governo federal destacou que a iniciativa antecipa os efeitos da reforma tributária e pode democratizar a capacidade exportadora, ampliando a participação das micro e pequenas empresas no comércio internacional. Atualmente, mais de 11,5 mil negócios brasileiros já atuam no mercado externo, somando cerca de US$ 2,6 bilhões em vendas, mas ainda com espaço significativo para crescer. “O Acredita Exportação visa corrigir distorções do sistema tributário atual que penalizam os pequenos exportadores. Com a devolução dos resíduos tributários, essas empresas – que exportam produtos como móveis, calçados e vestuário, ganham fôlego para competir em igualdade de condições no mercado global”, destacou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Fraudes na internet e IA testam os limites da proteção de dados

Criada para estabelecer regras claras no tratamento de informações pessoais e reforçar a privacidade dos cidadãos, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) completa sete anos em agosto. A norma provocou mudanças significativas no mercado brasileiro. Porém, mesmo com avanços, os desafios seguem expressivos. Apenas em 2024, mais de 84 milhões de contas de usuários brasileiros sofreram violações de segurança, segundo uma empresa de cibersegurança, colocando o país na sétima posição mundial nesse tipo de incidente. De acordo com a advogada Giovanna Vigil, especialista em Direito Digital, a maior conquista foi a transformação cultural. “A proteção de dados deixou de ser um tema restrito ao setor jurídico ou de tecnologia e passou a fazer parte da estratégia das empresas. Hoje é comum que organizações tenham políticas de privacidade, canais para atendimento e cláusulas contratuais específicas sobre o tratamento de dados. Também houve maior conscientização e os cidadãos passaram a entender melhor seus direitos”, afirma. Apesar disso, Giovanna avalia que o número elevado de incidentes mostra que a maturidade ainda está longe do ideal. “Muitas empresas se adequaram apenas no papel, mas ainda carecem de investimentos consistentes em segurança da informação. Segurança não é apenas tecnologia. Envolve processos, treinamentos e respostas rápidas a incidentes. “Cumprir as regras da LGPD deve ser visto como um investimento em credibilidade. Empresas que cuidam dos dados ganham a confiança de clientes, parceiros e investidores”, acrescenta. Fiscalização A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) intensificou a fiscalização e aplica multas que podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração. O advogado criminalista e especialista em Direito Digital, Thiago Calazans, explica que o cálculo considera fatores como gravidade da infração, número de titulares afetados e histórico de conformidade. “Antes da imposição da penalidade há um processo administrativo que garante o contraditório e a ampla defesa”. Calazans alerta que em incidentes graves como vazamentos massivos ou golpes com inteligência artificial, as responsabilidades vão além da reparação técnica. “A LGPD exige comunicação imediata à ANPD e aos titulares, medidas para mitigar os danos e, se comprovada ausência de segurança adequada, a empresa pode ser responsabilizada civilmente”. Inteligência artificial As ferramentas de inteligência artificial generativa já são usadas para ataques de phishing sofisticados, deepfakes e também clonagem de voz. Giovanna avalia que a prevenção exige treinamentos, autenticação forte, criptografia, monitoramento e políticas claras de uso. “No ambiente corporativo, auditoria de fornecedores e testes de segurança são indispensáveis”. Sistemas treinados com dados enviesados podem gerar discriminação algorítmica em decisões como crédito e contratações. “A LGPD já prevê revisão humana e transparência, e o Marco Legal da Inteligência Artificial tende a reforçar esses mecanismos”, ressalta Calazans. Embora não exista lei específica para deepfakes e clonagem de voz, o especialista acrescenta que elas podem ser enquadradas em crimes como estelionato e falsidade ideológica. “O desafio é a prova, pois identificar a autoria exige perícia forense e cooperação internacional”. Giovanna defende um modelo regulatório híbrido. “Temos uma base sólida com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, mas a velocidade da evolução tecnológica exige normas complementares e flexíveis para lidar com os riscos sem sufocar a inovação”. A proteção de dados é uma questão de sobrevivência empresarial, projeta Calazans. “A tendência é vermos maior integração da LGPD com normas setoriais, mais poder fiscalizatório da ANPD e uso da inteligência artificial como ferramenta de compliance”, finaliza.

Estudo revela uma exigência por médicos atualizados no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Associação Médica Brasileira (AMB) apontou que 87% dos brasileiros consideram fundamental que os médicos mantenham seus conhecimentos atualizados. O estudo também apontou que 76% defendem que a atualização do certificado de médico especialista seja obrigatória. Segundo o secretário-geral da AMB, Dr. Florisval Meinão, o resultado confirma uma percepção crescente da sociedade, o avanço constante da medicina exige que os profissionais acompanhem as mudanças. “A medicina muda por completo em poucos anos, com novos procedimentos, exames, técnicas cirúrgicas e avanços científicos. Um médico que não acompanha essa evolução pode oferecer um atendimento defasado. Hoje, o título de especialista pode ter sido obtido há décadas, mas o paciente não sabe se aquele profissional continuou se atualizando”. A pesquisa comparou a importância da atualização médica com outras cinco profissões. Pilotos de avião aparecem em segundo lugar (82%), seguidos por jornalistas (75%), engenheiros (74%), advogados (71%) e arquitetos (68%). O destaque da medicina no ranking está ligado à natureza do trabalho, afirma Meinão. “O médico lida diretamente com vidas humanas. Seus atos podem significar a sobrevivência ou não de um paciente, ou até evitar sequelas graves. A população entende que, se a medicina avança, o médico precisa avançar junto”. A sondagem mostrou ainda que 64% dos brasileiros procurariam informações sobre a qualificação do médico antes de marcar uma consulta, caso esses dados estivessem disponíveis. Para o secretário-geral da AMB, essa é uma evidência de que a sociedade está mais vigilante quanto à qualidade do atendimento. “O paciente ter confiança de que o médico está atualizado fortalece a relação médico-paciente e impacta diretamente na segurança do atendimento”. Mudanças em certificação Meinão defende que o Brasil siga o exemplo de países desenvolvidos, que já adotam sistemas de recertificação periódica, exigindo que médicos comprovem atualização a cada cinco ou dez anos. Ele destaca que, embora haja obstáculos jurídicos para aplicar a regra a profissionais já formados, o país poderia adotar a exigência para novos especialistas. “Se quisermos atender à necessidade da população, teremos de criar instrumentos que obriguem os médicos a se atualizar. É algo que já é rotina em nações de primeiro mundo”. Outro ponto levantado pelo secretário-geral é a expansão acelerada das escolas de medicina no país, muitas vezes sem a estrutura necessária para formar profissionais aptos. “Estamos graduando muitos médicos, mas nem sempre com a qualidade adequada. Faltam professores preparados e hospitais-escola com condições para o ensino prático. Em alguns casos, recém- -formados não dominam conhecimentos básicos da profissão. Por isso, defendemos um exame de proficiência, como o da OAB, para garantir que só ingressem no mercado aqueles realmente preparados”. Para o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, os resultados reforçam a necessidade de uma estratégia nacional para assegurar a qualidade da assistência médica. “Entendemos que o problema do Brasil não é a falta de médicos, mas sim a qualidade. É preciso ter uma política de provisionamento de médicos que assegure a presença de profissionais qualificados, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a resolutividade dos casos depende da capacitação”, conclui.

ALMG debate o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública para discutir o acesso a tratamentos de alta complexidade e elevado custo, com destaque para o Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque). Trata-se da primeira terapia gênica aprovada para a distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara, progressiva e incapacitante que afeta, principalmente, meninos. O medicamento foi autorizado pela Food and Drug Administration (FDA), em junho de 2023, e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em dezembro de 2024. Sua aplicação precoce, entre 4 anos e 7 anos, 11 meses e 29 dias, é crucial para impedir a progressão irreversível da doença. O debate reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, especialistas em saúde, associações de pacientes, familiares e entidades da sociedade civil. Durante a abertura, o deputado Lucas Lasmar (Rede) ressaltou que, embora o custo do Elevidys, estimado entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões, seja elevado, “a vida não tem preço” e o tempo é um fator determinante. A DMD leva à perda progressiva da força muscular, tornando a maioria das crianças cadeirantes por volta dos 8 anos, com complicações cardíacas e respiratórias que reduzem drasticamente a expectativa de vida. “Temos que buscar caminhos para ajudar essas crianças e seus familiares no período correto, aonde já temos uma esperança”, afirmou o deputado. Parentes de pacientes relataram a luta contra o tempo e a burocracia. João Robson, pai do pequeno Davi, disse que o filho recebeu o diagnóstico quando tinha pouco mais de um ano e que a família só conheceu o Elevidys graças à mobilização de outros pais. “Essa medicação é imprescindível e que seja dada o quanto antes possível, porque o tempo é crucial. Enquanto a família luta na Justiça, a criança perde habilidades em casa”. Fabrícia Geraldo do Amaral, mãe de Tiago, contou que o filho completará 8 anos em outubro e ainda aguarda decisão judicial. “A idade dele vai passando e as dificuldades aumentando. Ele sobe as escadas engatinhando e tem dificuldade até para correr. Nossa luta é contra o tempo”. Representantes do Conselho Estadual de Saúde, como Hilke Novato, defenderam a incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Recursos para isso existem. O que falta é política pública para garantir acesso. Se o medicamento tem eficácia e segurança, o SUS deve oferecer”, afirmou. Mariane Rodrigues reforçou que o Elevidys é hoje o único tratamento para a doença, e a burocracia não pode atrasar seu acesso. Carolina Andrade Oliveira Dibai, diretora de Políticas de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde, ressaltou que a pasta acompanha o tema e reconhece a importância do diagnóstico precoce. “As doenças raras representam um desafio para qualquer sistema de saúde. Precisamos de estratégias que unam protocolos bem definidos, parcerias institucionais e avaliação criteriosa das tecnologias para garantir que o tratamento chegue a quem realmente precisa no momento certo”, afirmou. O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Éder Luciano, reforçou que o acesso deve ir além do medicamento, abrangendo fisioterapia e acompanhamento especializado. “Essas crianças não têm tempo. A medicação precisa ser para ontem, acompanhada de terapias de qualidade”. Projeto de Lei O Projeto de Lei 4.145/2025, apresentado na ALMG, prevê a isenção do ICMS sobre o Elevidys, que poderia reduzir o preço em cerca de R$ 3,4 milhões por dose. A proposta também inclui a realização do exame de creatina quinase (CPK) no teste do pezinho para diagnóstico precoce e a criação de protocolos estaduais de tratamento. A Comissão de Saúde se comprometeu a encaminhar requerimentos à Anvisa, à Secretaria de Estado de Saúde e ao governo federal, solicitando providências para garantir o fornecimento do Elevidys no prazo adequado.

Projeto social capacita moradores de Betim e região no segmento da beleza

Com o objetivo de promover inclusão social, geração de renda e incentivo ao empreendedorismo, o Instituto Ramacrisna, sediado em Betim, abriu inscrições para novos cursos gratuitos na área da beleza. A iniciativa integra o projeto Construindo o Futuro VI, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. São oferecidas capacitações nas áreas de cabeleireiro, barbeiro, trancista, designer de sobrancelhas e manicure e pedicure. Os cursos são voltados para moradores em situação de vulnerabilidade social dos bairros Imbiruçu e Petrovale, em Betim, e também das cidades de Ibirité e Sarzedo, áreas próximas à Refinaria Gabriel Passos (REGAP). A proposta é capacitar tecnicamente e oferecer condições para que os participantes ingressem rapidamente no mercado de trabalho, seja em salões, clínicas de estética ou como autônomos. Ao fim da formação, os alunos recebem um kit de produtos que permite iniciar os atendimentos. “Os cursos são pensados estrategicamente para atender áreas com alta demanda e baixo custo de entrada. Isso permite que, mesmo com poucos recursos, os alunos comecem a atuar logo após a formação. Muitos veem neles a chance de conquistar independência financeira e transformar a própria realidade. Com apoio da Petrobras, conseguimos ampliar esse impacto e promover inclusão produtiva”, explica a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro. A formação em designer de sobrancelhas é um dos destaques. A capacitação abrange técnicas como modelagem, visagismo e coloração, e pode servir de base para outras especializações, como extensão de cílios e micropigmentação. Segundo Solange, os cursos também oferecem noções de gestão, precificação e divulgação nas redes sociais, para incentivar o empreendedorismo. “Esse apoio é ainda mais simbólico para as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas e barreiras sociais”. Transformando vidas A trajetória da ex-aluna Pâmela Abrantes é um reflexo desse impacto. Mãe de três filhos, ela buscava uma alternativa de renda que pudesse conciliar com a rotina em casa. Participou do curso de designer de sobrancelhas e construiu o próprio negócio com o apoio da família. Com o kit inicial, comecei a atender em domicílio e, depois, montei um cantinho só meu”, conta. O Instituto mantém contato com os alunos mesmo após a formação, monitorando como estão aplicando os conhecimentos adquiridos. Segundo a vice-presidente, muitos iniciam atendimentos em casa e com o tempo, estruturam seus próprios negócios. Como se inscrever As inscrições devem ser feitas pelo site ramacrisna.org.br/nossos-cursos. Os cursos têm início a partir de setembro, com turmas formadas conforme a área e o local da capacitação. São de 10 a 20 alunos por turma. Para garantir que as vagas sejam destinadas a quem realmente precisa, o Instituto realiza uma avaliação socioeconômica dos inscritos. “Esses cursos são voltados especialmente para bairros com maior índice de vulnerabilidade. A seleção é feita com base nesse critério”, detalha Solange. Ela aponta que a meta do projeto é beneficiar mais de 4,3 mil pessoas diretamente até 2027 e alcançar outras 17 mil indiretamente, por meio de eventos, oficinas e atividades culturais e esportivas. “O projeto possui vários cursos que serão realizados de forma contínua até o final de 2027. As metas foram traçadas no início dos trabalhos e seguimos com foco em ampliar o acesso à qualificação e à geração de renda”, finaliza.

Mercado imobiliário desafia juros altos e segue ritmo de crescimento

Apesar da Selic estacionada em 15% ao ano, a construção civil brasileira mostra resiliência e segue gerando empregos. Em maio deste ano, o setor ultrapassou a marca de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que não era alcançado desde 2014. Só nos primeiros cinco meses de 2025, o saldo é de 159.440 mil novos postos formais, o que representa 14,2% de todas as vagas geradas no país no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, a vitalidade do setor contrasta com uma grave retração no crédito à produção imobiliária, que caiu 62,9% em unidades e 54,1% em valores de janeiro a maio, segundo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A retração está ligada à fuga de recursos da caderneta de poupança, com captação líquida negativa de R$ 38,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, comprometendo uma das principais fontes de financiamento da construção civil, tanto para a aquisição quanto para a produção de imóveis. “Quando os juros estão elevados, os investidores migram para aplicações com maior rentabilidade e retiram recursos da poupança. Isso reduz drasticamente o volume disponível para financiar a produção imobiliária e obriga o construtor a buscar crédito mais caro no mercado, elevando o custo das obras”, explica Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ainda assim, a CBIC manteve a projeção de crescimento em 2,3% para 2025, sustentada por empreendimentos lançados nos últimos dois anos, que ainda estão em fase de execução. Mas, Ieda alerta que o cenário inspira cautela. “Estamos vivendo os efeitos de investimentos passados. Se esse patamar elevado da Selic persistir, novos projetos tendem a ser adiados, o que pode comprometer o desempenho do setor a partir de 2026”. “A palavra-chave para atravessar esse momento é planejamento. O setor cresceu mesmo em períodos difíceis por saber se organizar. É esse plano de longo prazo que garante a continuidade do ciclo de crescimento”, completa. Estratégias contra o crédito caro Empresas do setor têm buscado alternativas para manter o ritmo de vendas. Um dos fatores que tem ajudado é o fato de o programa “Minha Casa Minha Vida” operar com taxas pré-fixadas nas Faixas 1, 3 e 4, amenizando os impactos diretos da Selic para o consumidor final. “O que mais tem afetado é o custo para viabilizar os empreendimentos. Com os recursos livres, as taxas chegam a 18% ao ano, o que exige projetos com maior valor agregado e um volume maior de vendas para equilibrar os custos. Por isso, é fundamental estruturar bem a contratação e ajustar o perfil dos produtos”, explica Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos. O segmento tem apostado na Faixa 4 do “Minha Casa Minha Vida”, voltada para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Ainda que represente apenas 3,5% do déficit habitacional, esse público tem poder aquisitivo para adquirir imóveis com mais diferenciais como varanda, suíte e áreas de lazer completas. O que tem mantido esse nicho atrativo mesmo em tempos de crédito caro. Morais explica que esses clientes buscam qualidade, localização e bons acabamentos. “Apesar de mais seletivo, é um público estratégico. Mas exige atenção na análise de crédito e no encaixe da renda com o valor do imóvel”. Ele revela que houve mudanças no perfil do comprador. Há maior exigência de comprovação de renda por parte dos bancos, e o recurso à composição de renda tem crescido. “Cada vez mais vemos compradores unindo a renda com cônjuges, familiares ou parceiros para conseguir financiamento. Isso amplia o acesso ao crédito e viabiliza as compras com exigências mais rigorosas”. Riscos A CBIC aponta que a queda no crédito à produção e a instabilidade no cenário macroeconômico, com inflação fora da meta e incertezas fiscais e internacionais, geram preocupação para o médio prazo. “O ciclo da construção é longo. A obra que começa hoje será entregue daqui a dois ou três anos. Se os investimentos forem adiados agora, o setor poderá sofrer uma freada brusca no futuro”, destaca Ieda. Cada R$ 1 milhão investido na construção gera 13 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de movimentar mais de 90 segmentos produtivos. “Limitar o crescimento da construção é comprometer o desenvolvimento do país. Precisamos de previsibilidade, ambiente estável e crédito acessível para manter esse motor em funcionamento”, finaliza a economista.

Mudança na lei de aprendizagem pode ampliar oportunidades para jovens

Criada em 2000, a Lei da Aprendizagem garante a jovens, entre 14 e 24 anos, o direito à qualificação profissional aliada ao emprego com carteira assinada, sendo um dos principais instrumentos de inserção produtiva para quem está começando a trajetória profissional no mercado de trabalho. Para modernizar e consolidar essa política pública, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 6.461/2019, o Estatuto do Aprendiz, que deve ser votado nas próximas semanas. O texto busca reunir, em um só instrumento jurídico, regras que hoje estão dispersas e frequentemente modificadas, o que gera insegurança para empresas e entidades formadoras. Para entender melhor essas mudanças, o Edição do Brasil conversou com a diretora de Assistência Social da Rede Cidadã, Keure Chamse. Quais são os principais impactos do Estatuto para os jovens? O PL reforça os direitos já conquistados, especialmente o direito constitucional à profissionalização. Muitos adolescentes e jovens atendidos pelo programa estão em sua primeira experiência de trabalho e essa transição precisa ser acompanhada com responsabilidade. O Estatuto garante que eles não sejam expostos a atividades insalubres ou perigosas e também promove uma atuação intersetorial com educação e assistência social, que envolve as famílias e as escolas. Isso amplia as chances de sucesso escolar e profissional. Além disso, é uma política de prevenção que protege o jovem de contextos de risco e oferece perspectiva de futuro. A proposta pode ajudar a combater o desemprego juvenil e a evasão escolar? Sim, e já temos resultados que mostram isso. O estudante que entra no programa precisa manter frequência escolar, porque se abandonar os estudos, é desligado. Isso ajuda a manter o vínculo com a escola e afasta o risco do trabalho infantil, que muitas vezes é consequência da necessidade de renda. Com a aprendizagem, o jovem permanece na escola, recebe formação técnica e humana, e desenvolve competências socioemocionais. É um caminho estruturado para o mundo do trabalho. Vale lembrar que o Brasil tem hoje cerca de 650 mil aprendizes ativos, mas estudos do Ministério do Trabalho mostram que poderíamos ter mais de 1 milhão de vagas preenchidas. O Estatuto cria as condições para que isso se torne realidade. Como o Estatuto pode melhorar o ambiente para as empresas? Hoje, as regras estão dispersas em várias normativas, o que causa insegurança. A cada mudança no governo, surgem medidas provisórias que alteram requisitos, carga horária e processos. Isso desestrutura os programas e afeta a confiança das empresas. O Estatuto vem para consolidar tudo em um marco legal, moderno e estável, trazendo segurança para todos os envolvidos, empresas, entidades e os próprios aprendizes. Há benefícios previstos para pequenas empresas e o setor público? O projeto propõe incentivos para que micro e pequenas empresas e órgãos públicos também possam contratar aprendizes. São segmentos que hoje não são obrigados, mas que podem contribuir com a geração de oportunidades. Quando uma empresa contrata um jovem, cumpre não apenas a cota como também forma um futuro colaborador alinhado aos seus valores. Ao longo de dois anos, o aprendiz passa por diferentes áreas, adquire conhecimento técnico e humano, e sai pronto para o mercado. É uma via de mão dupla onde todos ganham. O que muda na formação dos aprendizes com o novo texto? O Estatuto qualifica as exigências para as entidades formadoras. Hoje, fala-se muito em estrutura física adequada, equipe técnica, educadores preparados e material didático atualizado. São coisas fundamentais para que o estudante receba mais do que capacitação técnica, porém, o jovem precisa de formação cidadã, de visão crítica e apoio para lidar com os desafios da vida e do trabalho. Quando a empresa percebe esse diferencial no aprendiz, reconhece o valor da parceria com a entidade e tende a manter uma cultura de formação.

CONAFUT Summit debate futuro do futebol nacional

Pela primeira vez fora de São Paulo, um dos principais eventos da indústria do futebol brasileiro, o CONAFUT Summit, terá uma edição especial em Belo Horizonte. O encontro acontecerá nos dias 7 e 8 de agosto de 2025, no Estádio Mineirão, e reunirá líderes, especialistas, executivos e representantes dos principais clubes e instituições do futebol nacional. A iniciativa marca um novo momento da conferência, com um formato mais enxuto e itinerante, que permitirá sua realização em outras capitais brasileiras a cada dois anos. A abertura, no dia 7, será marcada por uma noite exclusiva de networking com convidados especiais, e o dia 8 será dedicado a painéis e palestras com foco em inovação, gestão e desenvolvimento do futebol brasileiro. As inscrições para o evento podem ser feitas no site oficial www.conafut.com.br/summit. Segundo Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios, a escolha da capital mineira não foi por acaso. “A CONAFUT acontece em São Paulo anualmente desde 2017. Criamos um formato chamado CONAFUT Summit que será itinerante. Escolhemos Minas Gerais para ser a casa desta primeira edição por ser fora do eixo Rio-São Paulo. É o estado mais relevante economicamente e mais representativo do futebol nacional, talvez ao lado do Rio Grande do Sul. E nada mais natural do que o evento acontecer no Mineirão, palco histórico da modalidade”. O CONAFUT Summit 2025 abordará temas relevantes para o mercado do futebol, como a saúde financeira dos clubes, a valorização dos estádios como centros de entretenimento, os preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e os desafios da publicidade esportiva em meio ao avanço do setor de apostas. A programação inclui painéis com a participação de nomes de peso, como os CEOs do Palmeiras, América-MG, Atlético-MG, Athletic Club e Cruzeiro, além de representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Liga Forte União (LFU). O novo modelo também tem como objetivo ampliar o alcance e a representatividade do evento. “Apesar da maior parte do público das edições da CONAFUT ser do eixo Rio-São Paulo, um percentual relevante de pessoas vinham de outras praças. Então, a ideia deste novo formato é ir até essas regiões, movimentar a indústria local do futebol e aprofundar nas temáticas mais específicas dali, fazendo um diálogo com os temas nacionais e internacionais”, explica Trevisan. Ele pontua que os debates propostos refletem alguns dos principais desafios do futebol nacional. “O futebol brasileiro vive um paradoxo na questão financeira: os clubes nunca arrecadaram tanto, superando a marca dos R$ 10 bilhões de faturamento, mas também nunca estiveram tão endividados. Isso porque os gastos têm aumentado em uma velocidade superior ao crescimento da receita. Então este é um debate fundamental para a sustentabilidade do setor”. O dirigente também destaca a importância de discutir o crescimento do futebol feminino, em especial com a proximidade da Copa do Mundo de 2027. “É um segmento que vive uma profunda transformação no Brasil. Com a confirmação do país como sede, a modalidade tende a ganhar mais visibilidade, investimento e, principalmente, expectativa. O Campeonato Brasileiro Feminino A1 teve um crescimento de mais de 600% em audiência entre 2020 e 2023, inclusive, teve o Cruzeiro liderando a primeira fase esse ano”. A expectativa de Trevisan é que essa edição amplie o reconhecimento das boas práticas de gestão dos clubes locais. “A CONAFUT Summit em Minas Gerais pretende expandir a visibilidade da importância do Estado para o desenvolvimento do futebol nacional, além de abrir espaço para iniciativas de destaque do interior, como o modelo exitoso de gestão do Athletic e a inovadora parceria do North e o Sicoob Credinor no seu estádio”. “A CONAFUT tem dois objetivos principais. Levar para discussão conteúdos de vanguarda e ser um ponto de encontro da indústria do futebol, tão carente desse tipo de espaço. A ideia do kick-off é ser um momento de fortalecimento de conexões e ampliação do networking entre os membros do setor”, finaliza.