Guarda compartilhada se torna maioria nas decisões judiciais

Pela primeira vez, a guarda compartilhada de filhos menores superou a guarda concedida exclusivamente à mãe nos casos de divórcio no Brasil. A informação faz parte da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, em 44,6% dos casos de divórcio envolvendo casais com filhos menores de idade, a guarda foi compartilhada entre mãe e pai, contra 42,6% de casos em que a guarda ficou apenas com a mãe. A guarda exclusiva ao pai representou apenas 2,8%, e em outros casos foi concedida a terceiros ou não foi especificada. De acordo com a advogada especialista em Direito de Família, Nathalia de Campos, o crescimento da guarda compartilhada é resultado de uma combinação entre mudança legal e transformação social. “O principal marco jurídico foi a edição da Lei nº 13.058/2014, que estabeleceu a guarda compartilhada como regra, independentemente da existência de acordo entre os pais. Antes da vigência dessa lei, a guarda compartilhada era exceção no país e, segundo dados do IBGE, alcançava 14,9% dos casos”. Ainda segundo Nathalia, além do aspecto normativo, houve uma evolução na compreensão da parentalidade. “Observa-se uma maior conscientização sobre a importância da participação ativa de ambos os pais na vida de crianças e adolescentes. Esse movimento reflete uma mudança gradual, que deixa de centralizar o cuidado em um único genitor e passa a valorizar a corresponsabilidade parental”. Guarda compartilhada ou residência alternada Apesar do crescimento da modalidade, ainda há confusão entre guarda compartilhada e residência alternada. A advogada e pesquisadora, Fernanda Las Casas, esclarece que o compartilhamento previsto em lei não diz respeito à moradia. “A guarda compartilhada não é o compartilhamento de residência, mas de responsabilidade. O que a lei determina é que pai e mãe decidam juntos sobre a vida da criança: escola, plano de saúde, atividades, tratamentos médicos, entre outros. A residência alternada não é prevista como regra no Brasil”. Segundo Fernanda, a confusão surgiu logo após a mudança legislativa, quando muitos passaram a associar a guarda compartilhada à divisão igualitária do tempo de moradia. “Alguns acreditam que a criança precisa passar uma semana na casa de um e outra semana na casa do outro, ou que a guarda compartilhada reduz a pensão alimentícia. Nada disso é verdade”, reforça. Outro ponto debatido é a relação harmoniosa entre os pais. Para Nathalia, isso não é necessariamente pedido. “O ordenamento jurídico brasileiro admite sua aplicação mesmo em contextos de conflito, justamente para evitar que desavenças entre os adultos afastem um dos genitores da vida da criança. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou o entendimento de que dificuldades de diálogo não impedem sua fixação”. Maioria mora com as mães Mesmo com o avanço, os dados do IBGE mostram que muitas crianças ainda residem com as mães, que seguem concentrando grande parte dos cuidados cotidianos. Para Fernanda, essa realidade vai além do Direito e reflete comportamentos sociais. “A atribuição quase automática da residência à mãe ainda carrega estereótipos históricos e culturais de gênero, que associam a mulher ao cuidado e o homem à provisão. Temos mães sobrecarregadas, pais que querem paternar e um Judiciário que, muitas vezes, ainda reproduz esse viés histórico”, afirma. Nathalia de Campos acrescenta que a guarda compartilhada exige mais do que previsão legal para se tornar efetiva. “A corresponsabilidade parental depende da convivência real. O genitor que não reside com o filho não pode ser reduzido à figura de um mero visitante, sob pena de a guarda compartilhada permanecer apenas como um instituto formal, sem impacto concreto”. Desafios e perspectivas Apesar dos entraves, as especialistas avaliam que o crescimento da guarda compartilhada representa um avanço importante. “Esse movimento reflete uma mudança significativa na percepção social sobre o papel dos pais. Há um reconhecimento cada vez maior de que pai e mãe são figuras essenciais na criação dos filhos”, afirma Nathalia. “A guarda compartilhada é uma lei necessária e bem aplicada. O próximo passo é analisar com mais cuidado, em casos específicos, outras possibilidades sempre com foco no melhor interesse da criança”, conclui Fernanda.

Verão requer cuidado com as articulações em viagens e treinos

Com o aumento das viagens e da prática de exercícios ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde das articulações. Longos períodos sentado em carros, ônibus e aviões, somados ao retorno intenso às atividades físicas, podem favorecer dores, rigidez e até lesões em joelhos, quadris e ombros. De acordo com o ortopedista Guilherme Morgado Runco permanecer muito tempo imóvel compromete o funcionamento das articulações. “Quando ficamos sentados por horas, a articulação reduz sua lubrificação natural, os músculos ficam mais rígidos e a circulação se torna mais lenta, o que pode gerar dor e inchaço, especialmente em quem já tem desgaste articular”, explica. Para minimizar os desconfortos durante viagens longas, o especialista recomenda pausas e pequenos movimentos ainda no assento. “A cada uma ou duas horas, levantar, alongar e ativar a circulação. Movimentar tornozelos, esticar os joelhos e ajustar a postura aliviam a rigidez e reduzem o incômodo”. A hidratação também é um ponto-chave, segundo Runco. “Ambientes com ar-condicionado e baixa ingestão de líquidos favorecem a rigidez articular e o risco de obter lesões. Manter-se hidratado e proteger o corpo do frio excessivo ajuda a preservar a saúde dos tecidos e melhora a circulação”. Atividades ao ar livre Além das viagens, o verão impulsiona a motivação para correr, pedalar ou praticar treinos funcionais ao ar livre, o que exige cuidados extras. Segundo o ortopedista Roni Serra, o aumento repentino da carga de treino é um dos principais fatores de risco para lesões. “As articulações funcionam como amortecedores do corpo. Sem preparo adequado, microlesões podem se acumular e evoluir para problemas mais graves”, alerta. Ele lembra que joelhos, quadris e ombros estão entre as articulações mais exigidas. “A progressão gradual, o fortalecimento muscular e o uso de calçados adequados são essenciais para proteger os joelhos”. No caso do quadril, o especialista reforça a importância do fortalecimento do core e dos glúteos. “Desequilíbrios musculares e má postura sobrecarregam a articulação e podem gerar dor persistente”. Serra também destaca que os ombros merecem atenção especial em treinos de musculação e esportes aquáticos. “Exercícios de estabilização, fortalecimento do manguito rotador e foco na qualidade do movimento reduzem significativamente o risco de lesões”. A prevenção é o melhor caminho. De acordo com Serra, respeitar os limites do corpo, manter-se ativo de forma consciente e buscar avaliação médica diante de dores persistentes são atitudes que garantem um verão mais saudável e sem interrupções. “Hidratação, descanso adequado e acompanhamento profissional são aliados da saúde articular. Prevenir é sempre a melhor estratégia para manter o corpo ativo e sem dor durante o verão”, conclui.

Políticas públicas voltadas ao Carnaval é pauta na Assembleia

As políticas públicas voltadas ao Carnaval em Minas Gerais estiveram no centro do debate em audiência da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (ALMG). O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, blocos de rua, escolas de samba, trabalhadores ambulantes, catadores e conselheiros de cultura, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Projeto de Lei (PL) nº 3.587/2025, que institui a Lei Estadual de Incentivo ao Carnaval. A autora da proposição, deputada Bella Gonçalves (PSOL), ressaltou que o Carnaval precisa ser reconhecido como política cultural permanente. “A folia não acontece apenas em fevereiro. Ela mobiliza artistas, trabalhadores e comunidades durante todo o ano e precisa de financiamento público estruturado”. Segundo a parlamentar, a audiência busca corrigir distorções históricas no apoio à maior manifestação cultural popular do Estado. Representando a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, a superintendente Maria Luiza Reis Jardim destacou o aumento expressivo por recursos. “Somente nos últimos meses, recebemos centenas de projetos ligados ao Carnaval. Estamos nos organizando para dar vazão a essa demanda, dentro das regras da Lei Estadual de Incentivo à Cultura”. Ela reconheceu, porém, que ainda não há editais específicos do Fundo Estadual de Cultura voltados exclusivamente para o Carnaval. Entre as principais críticas apresentadas está a concentração de recursos públicos em projetos de infraestrutura, como as chamadas vias sonorizadas. Para o conselheiro estadual de Política Cultural, Leandro César, o modelo atual não atende às reais necessidades dos fazedores de cultura. “Não existe planejamento efetivo para o Carnaval. O dinheiro não chega aos blocos, às escolas de samba e aos trabalhadores que sustentam a festa”. As vereadoras de Belo Horizonte Iza Lourença e Juhlia Santos, ambas do PSOL, reforçaram a importância de tratar o Carnaval como expressão cultural, direito à cidade e política pública. “Não podemos ter um Carnaval que beneficie poucos, enquanto a maioria enfrenta precarização”, disse Iza. Juhlia, que também é carnavalesca, lembrou que a retomada da festa foi fruto de mobilização popular. “Fizemos Carnaval por anos sem fomento. Esse modelo chegou ao limite”. A audiência também deu espaço às demandas dos trabalhadores. O presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Belo Horizonte, Adailson Severo, denunciou a falta de reconhecimento da categoria. “Nós somos lembrados apenas na festa, mas ignorados no resto do ano. Queremos melhores condições de trabalho, o fim de monopólios e políticas de cuidado para filhos de trabalhadores durante o período carnavalesco”. Os representantes dos blocos de rua e da cultura afro-periférica chamaram atenção para a desigualdade no acesso aos recursos. “Não adianta dizer que o recurso existe se o acesso não é democrático. Quem faz o Carnaval precisa ser valorizado”, lembrou o integrante do Bloco Afro Periférico e Samba, Gabriel Ricardo de Moura. PL 3.587/2025 A proposta reconhece oficialmente o Carnaval como um conjunto de manifestações artístico-culturais populares e democráticas de Minas Gerais e estabelece diretrizes para uma política pública permanente. O texto prevê apoio do poder público ao longo de todo o ano, com participação social no planejamento, respeito à diversidade cultural, às tradições populares e às culturas afro-brasileiras. Entre os pontos centrais estão a garantia do uso livre do espaço público, a autonomia dos blocos e escolas, a valorização de ambulantes e catadores de recicláveis, a sustentabilidade ambiental e a transparência no financiamento. O projeto autoriza a concessão de auxílio financeiro com recursos do orçamento público e de parcerias privadas, vedando a exclusividade comercial em espaços públicos e a comercialização de áreas restritas. Também propõe a descentralização dos recursos e o fortalecimento do Carnaval nos municípios do interior. As contribuições apresentadas durante a audiência devem subsidiar ajustes no texto antes da tramitação final. A expectativa dos participantes é que a nova lei ajude a consolidar o Carnaval como política cultural estruturante, democrática e sustentável no Estado.

11ª edição do Natal da Favelinha chega com magia, afeto e tradição

A magia do Natal ficará ainda mais colorida no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, no dia 20 de dezembro. Das 10h às 14h, o Centro Cultural Lá da Favelinha promove a 11ª edição do Natal da Favelinha, uma celebração que já se tornou tradição e referência comunitária. A festa contará com distribuição de brinquedos, lanche coletivo, atrações artísticas e brinquedos ao ar livre, tudo oferecido de forma gratuita. Para que a iniciativa seja possível, o projeto realiza uma campanha de arrecadação de alimentos, brinquedos e apoio voluntário. O evento nasceu como uma ação comunitária de fim de ano, mas, ao longo de onze edições, se firmou como um momento de fortalecimento coletivo, afeto e pertencimento. Para Kdu dos Anjos, idealizador do projeto, o que mais o emociona é perceber a força da favela para criar e sonhar. “O que mais me emociona é ver que, mesmo com todas as dificuldades, a favela nunca perde a capacidade de sonhar junta. Onze anos depois, ainda me toca olhar para as crianças e perceber que elas acreditam na magia porque nós a construímos coletivamente. Assim, fortalecemos o sentimento de pertencimento e mostramos que a periferia merece celebrar em grande estilo”. Para que a festa aconteça, o projeto depende diretamente de contribuições. Doações físicas de brinquedos, doces e alimentos podem ser entregues no Centro Cultural, localizado na rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191 – São Lucas. Também é possível contribuir via Pix pelo CNPJ da instituição (34.863.832/0001-53), além de se voluntariar no dia do evento ou oferecer atividades. Os interessados devem entrar em contato pelo Instagram @ladafavelinha. Segundo Kdu, a mobilização reflete o espírito do projeto. “Nós dependemos de doações e de gente disposta a ajudar. Quem quiser contribuir pode doar, divulgar, aparecer para somar. Cada gesto vira parte desse grande movimento que mantém o Natal vivo”. Além da distribuição de presentes, o evento contará com futebol de sabão, pula-pula e apresentações artísticas que envolvem crianças, jovens e artistas da comunidade. Para o idealizador, é essa troca que sustenta a celebração. “Quando a gente distribui brinquedo, sentamos para comer juntos e artistas da quebrada sobem ao palco, tudo isso sustenta a magia. Mas o momento mais forte é sempre ver a alegria estampada no rosto das crianças”. Ações diversificadas O Natal da Favelinha é uma das ações do Centro Cultural Lá da Favelinha, fundado em 2015 e reconhecido pelo seu trabalho com educação, cultura e desenvolvimento. O espaço oferece oficinas gratuitas, eventos, articula parcerias e mantém a marca de moda sustentável “Remexe”. Para Kdu, a festa de dezembro é reflexo direto do que o projeto constrói diariamente. “Nós acreditamos nas pessoas. Se durante o ano oferecemos arte, educação e oportunidades, no Natal celebramos esses encontros. É um jeito de reforçar que a favela cria, se organiza e transforma realidades”. Com expectativa de grande participação de famílias e crianças, ele resume que essa edição deste ano pretende oferecer não apenas diversão, mas também memória afetiva. “Quero proporcionar um dia leve, bonito e inesquecível. Que cada criança volte para casa com um brinquedo na mão e um brilho no olhar. A mensagem é simples: a periferia merece afeto, encantamento e estar no centro das celebrações”. Realização de sonhos Ao olhar para trás, Kdu celebra o que mudou dentro e fora dos becos da Serra. “O mais marcante é ver as crianças de ontem virando jovens que hoje ajudam a construir a festa. Isso mostra continuidade. Meu sonho é ampliar ainda mais, transformar o Natal da Favelinha em um grande polo de mobilização e carinho, e inspirar outras comunidades a criarem suas próprias tradições de esperança”, finaliza.

Comércio de BH prevê movimentação de R$ 2,55 bilhões durante dezembro

O mês de dezembro deve confirmar o melhor momento do varejo em Belo Horizonte em 2025. Segundo o Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a expectativa é que o comércio do capital mineira movimente R$ 2,55 bilhões durante o período natalino, alto estimado de cerco de 1% em relação do ano passado, quando o mercado registrou R$ 2,53 bilhões no mesmo período. A pesquisa realizado pela entidade apontou que 49% dos consumidores pretendem fazer compras de Natal, e 82% afirmam que irão às lojas físicas, o que reforço o poder do comércio presencial na capital. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o cenário reflete o comportamento tradicional do público mineiro, que pesquisa on-line, mas finaliza a compro presencialmente. “O consumidor de Belo Horizonte valoriza a experiência completa, atendimento, qualidade e confiança. Isso mostra a força do comércio local e abre oportunidades para quem investe em vitrines, equipes preparados e conveniência”. Perfil de compra O levantamento com consumidores do capital revela que o ticket médio deve chegar a R$ 467. As roupas lideram o ranking das intenções, com 57,1%. Seguido por brinquedos (26,5%), calçados (20,4%) e cosméticos (17,3%). Roupas devem ser os itens mais adquiridos E a maioria das compras (75,5%) será realizado entre 15 dias antes do Natal e a véspera, o que exige reforço de estoque, estrutura e atendimento no comércio. “Vemos um salto no valor a ser gosto com presentes no comparação com o ano passado, que foi de R$ 270. É um sinal de que BH está com o empregabilidade em alta, uma média salarial maior que a do brasileiro e um custo de vida menor. Por isso, temos essa possibilidade de gasto maior com presentes”, comenta o presidente da COL/BH. Quanto a forma de pagamento, 63,3% pretendem comprar à vista; quem parcelar deve dividir em até quatro vezes. Para Souza e Silva, o pagamento à visto é um sinal de que o consumidor está se planejando financeiramente, além de dar mais segurança e reduzir a inadimplência, Para o lojista, ou-mento o giro de caixa e a margem de negociação”. Por outro lado, a pesquisa revela que 45,5% dos entrevistados não pretendem comprar presentes neste ano, e o principal motivo é a alta dos preços, apontado por 82,4% desse grupo. Sobre o resultado, Souza e Silva aponta a necessidade de políticas económicos estáveis e maior previsibilidade para as famílias. “O consumidor está sensível aos aumentos de preços. Mesmo assim, o comércio de Belo Horizonte segue forte, mostrando capacidade de adaptação e com alterativas para diferentes perfis de compro. Confiança do lojista Entre os comerciantes entrevistados, 62,5% acreditam que vão vender mais do que no ano passado, e quase metade planeja ampliar estoque para atender o demando. As estratégias mais citadas para aumentar o desempenho em dezembro são variedade de produtos (71,7%), promoções e divulgação (59,5%), facilidade de pagamento (50%), aperfeiçoo-mento do atendimento (30,9%) e decoração temático (23%). Os lojistas também dever intensificar anúncios nos redes sociais. WhatsApp (88,4%) e Instagram (84,5%) serão os principais meios de comunicação com clientes.

Menos aulas e mais acesso: o impacto das novas regras da CNH

Com a aprovação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) da retirada da exigência de frequentar autoescola para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e publicada no Diário Oficial, o processo de formação foi reestruturado. Agora, o candidato poderá fazer o curso teórico de forma gratuita e on-line, realizar apenas duas horas de aula prática – antes eram 20 horas – e escolher entre autoescola, instrutor credenciado ou preparação independente. O governo federal defende que a mudança pode reduzir o custo total da formação em até 80%, ampliando o acesso à habilitação para quem antes não tinha condições financeiras. No entanto, a alteração também levanta questionamentos sobre o impacto na segurança viária. Para aprofundar essa discussão, o Edição do Brasil conversou com o especialista em gestão, educação e segurança de trânsito, Renato Ribeiro. Como garantir que a qualidade do ensino de direção será mantida após essa mudança? A padronização deixa de ser automática. Hoje, o sistema é centralizado e auditável; com a flexibilização, passamos para um modelo pulverizado, onde cada instrutor e plataforma poderá trabalhar com metodologia própria. Isso torna o controle mais difícil. Se a fiscalização estadual não for rigorosa e contínua, veremos ensino improvisado, sem garantia pedagógica. A formação deixa de ser estruturada e passa a depender da capacidade individual do instrutor – e improviso no trânsito não gera eficiência, gera risco. A norma amplia a responsabilidade, mas enfraquece as ferramentas do Estado para garanti-la. A nova carga mínima prática prepara o aluno com segurança? Duas horas são insuficientes. A função do instrutor deixa de ser formativa e passa a ser superficial. O aluno aprenderá majoritariamente fora da estrutura supervisionada, com familiares ou pessoas sem preparo técnico. Isso significa que hábitos incorretos, crenças populares e práticas inseguras poderão se consolidar. A formação de um condutor envolve muito mais que domínio mecânico do veículo. Ela exige percepção de risco, leitura do ambiente e tomada de decisão, competências que só se desenvolvem com acompanhamento profissional. Quais os riscos concretos que a flexibilização pode trazer? Pelo menos três dimensões: pedagógica, física e patrimonial. Sem método, o aluno aprende por tentativa e erro. Sem preparo, aumenta a chance de acidentes, como casos envolvendo aprendizes ao volante sem supervisão adequada. No risco patrimonial, se alguém em treinamento causa um acidente com veículo próprio, não existe garantia de ressarcimento como ocorre quando há uma autoescola responsável. A consequência pode aparecer nos hospitais, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na estatística de mortos, não apenas no bolso. A mudança democratiza o acesso ou amplia desigualdades? A promessa de inclusão é sedutora, mas sem estrutura pode gerar o oposto. A redução de exigências pode levar candidatos vulneráveis a concluir o processo com formação insuficiente. Além disso, mais reprovações podem gerar novos custos, aumentando frustração e desistência. Famílias com maior renda poderão contratar ensino complementar, enquanto as de baixa renda ficarão expostas a uma formação mínima e arriscada. A flexibilização tende a intensificar desigualdade, não reduzir. O Brasil está preparado para esse modelo? Ainda não. Para um sistema mais livre funcionar, seria necessário primeiro fortalecer fiscalização, credenciar instrutores com rigor técnico, padronizar conteúdo, digitalizar registros de aulas e consolidar educação para o trânsito nas escolas. Sem isso, a flexibilização caminha para desregulação. O trânsito não tolera improviso e quando a formação falha na entrada, a sociedade paga o preço na saída.

Esportes femininos estão na melhor fase e atraem marcas

O avanço dos esportes femininos, consolidado em 2025 com recordes de audiência, engajamento e receitas bilionárias, prepara o terreno para um 2026 marcado por expansão e forte movimentação do mercado publicitário. O segmento deixa de ser apenas uma pauta de representatividade para assumir o posto de plataforma estratégica de investimento para marcas que buscam alcançar consumidores engajados, alta capacidade de influência e retorno financeiro acima da média. Dados da Women’s Sport Trust mostram a dimensão dessa virada: 80% das marcas globais planejam investir em esportes femininos até 2027, enquanto 86% afirmam que o retorno sobre investimento (ROI) já supera as expectativas. O consumidor dessa modalidade também demonstra características que atraem o mercado, segundo o Women in Sports Review, fãs do esporte feminino são 4,7% mais receptivos às marcas patrocinadoras e têm 2,1% mais probabilidade de compra. Cada dólar investido gera, em média, US$ 7,29 em valor de cliente. Na visão do CEO da US Media, Bruno Almeida, essa evolução marca uma mudança estrutural no setor. “Os esportes femininos abriram uma nova fronteira premium de mídia e branding, sustentada por dados sólidos, crescimento de audiência e retorno comprovado. É hoje um dos terrenos mais seguros para marcas que buscam relevância cultural e resultado mensurável”. Receita global O relatório da Deloitte projeta que os esportes femininos cheguem a US$ 2,35 bilhões em receita global até dezembro de 2025, quase o dobro do registrado dois anos antes. O basquete responde pela maior fatia, movimentando cerca de US$ 1,03 bilhão, enquanto o futebol soma US$ 820 milhões. No Brasil, o futebol feminino puxa a fila do mercado. A segunda partida da final do Campeonato Brasileiro Feminino, entre Corinthians e Cruzeiro, levou 41.130 torcedores à Neo Química Arena e registrou a maior renda da modalidade, com R$ 1,23 milhão. A modalidade tem mostrado um público fiel e ativo no Brasil. Segundo a pesquisa “Consumo do Futebol Feminino”, 96% acompanham a modalidade semanalmente, 70% usam redes sociais diariamente para se informar, 82% preferem marcas patrocinadoras do futebol feminino, 67% já compraram produtos oficiais e 80,8% pretendem comprar ingressos para a Copa 2027, sediada no Brasil. Para Almeida, o engajamento do torcedor brasileiro reforça o potencial do setor. “Não é apenas um público que cresce. É um consumidor altamente comprometido, que reconhece e apoia marcas investidoras”. Ele conclui dizendo que os esportes femininos deixaram de ser tendência para se tornarem um eixo estratégico de investimento. “Quem entender desde já a progressão do setor vai liderar a conversa com o consumidor. O esporte feminino une propósito e eficiência e é uma oportunidade rara de escala e construção de marca”.

Festival CircoLar amplia acesso às artes circenses em Belo Horizonte

Pela primeira vez, Belo Horizonte recebe o Festival CircoLar, que chega à capital após seis edições realizadas em Contagem. Reconhecido por promover as artes circenses como ferramentas de formação e transformação social, o evento acontece de 12 a 14 de dezembro, na Funarte-MG, com uma programação ampla e gratuita voltada para adultos e jovens a partir de 16 anos. As inscrições já estão abertas e contemplam oficinas de bambolê, palhaçaria, roda Cyr, contorcionismo, arame esticado, força capilar e vivências corporais, além de um aulão matinal de alongamentos e exercícios para o dia a dia, livre para o público. “Levar o Festival CircoLar à capital mineira é um desafio muito simbólico para nós da gestão do Instituto Cultural CircoLar (ICC). As artes circenses precisam ocupar lugares de destaque na sociedade”, destaca a diretora e presidente do ICC, Deisy Castro. O coordenador e cofundador do ICC, Lucas Castro, reforça que ocupar um espaço de relevância em Minas é uma maneira de reafirmar a vitalidade do circo contemporâneo. “A gente acredita que o circo merece e precisa ocupar lugares centrais das nossas cidades e do nosso Estado. Queremos mostrar que as artes circenses estão mais vivas e técnicas do que nunca, e continuam encantando tanto quem já tem memória afetiva quanto novos públicos”. Deisy explica que a programação desta edição foi pensada para oferecer tanto modalidades populares quanto práticas mais raras no universo circense, ampliando a vivência artística do público. “As atividades oferecem experiências práticas variadas, promovendo um encontro entre formação, arte e coletividade”. Essa diversidade reforça a missão do ICC de promover encontros qualificados entre artistas, instrutores e participantes, salienta Castro. “Optamos por dois caminhos: trazer técnicas especiais e apreciadas pelo público, como a palhaçaria, e oferecer práticas raras, como arame esticado e força capilar. Queremos proporcionar experiências únicas que nem sempre estão acessíveis”. As oficinas terão entre duas e três horas de duração e serão conduzidas por profissionais com ampla experiência técnica e forte atuação no ICC, como Naara Andrade, Rafaela Martins, Lucas Castro, Richard Rodrigues, Janaína Morse, Nayara Camargos e Stéfany Lorraine. “Nos preocupamos com a continuidade das atividades circenses, valorizando a formação técnica especializada dos professores convidados”, ressalta a presidente do instituto. Castro acrescenta que a equipe foi selecionada não apenas pelo domínio técnico, mas também pela sensibilidade e pela capacidade de acolhimento – característica fundamental do ambiente circense. “Escolhemos profissionais experientes e sensíveis. O circo é a arte do encontro, e queremos receber pessoas diversas de forma humana e respeitosa”. Ele afirma ainda que além do desenvolvimento físico, o festival busca estimular dimensões emocionais e sociais da prática circense. “Circo é saúde. Trabalha força, flexibilidade e equilíbrio, mas também promove conexão emocional e social. Resgata memórias positivas e valoriza as diferenças”. A expectativa de Deisy é que esta edição amplie o alcance social e formativo do ICC, fortalecendo a cena circense em Minas Gerais e aproximando novos públicos das modalidades oferecidas. “Nosso objetivo é impactar positivamente a vida das pessoas por meio das práticas circenses”, finaliza. Serviço: 7º Festival CircoLarData: 12 a 14 de dezembroLocal: Funarte-MGEndereço: Rua Januária, 68, Centro – Belo HorizonteInscrições gratuitas: linktr.ee/FestivalCircoLarInformações: institutocircolar.org.brInstagram: @institutoculturalcircolar

Itens da ceia têm valores distintos e exigem atenção do consumidor

Os preços dos produtos natalinos em Belo Horizonte chegaram às prateleiras com comportamento dividido em 2025. Enquanto parte dos itens tradicionais ficou mais em conta em relação ao ano passado, outros, justamente os mais procurados para a ceia, apresentaram altas expressivas e prometem pesar no bolso do consumidor. No levantamento realizado pelos sites Mercado Mineiro e comOferta foram identificadas variações que ultrapassam 200% entre estabelecimentos da capital. Por exemplo, o bacalhau Saithe pode ser encontrado de R$ 49,80 a R$ 149,80. Panetones industrializados também registram diferenças que chegam a 43%, dependendo da marca e do local de compra. No caso do peru, outro item tradicional da ceia, a pesquisa encontrou diferenças que atingem até 37,03% entre as marcas analisadas. Segundo o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, oscilações tão amplas não são novidade, mas reforçam a necessidade de atenção por parte do consumidor. “As variações são grandes, porque são produtos típicos e a gente tende a ter diferenças superiores a 100%. No caso do bacalhau Saithe a diferença chega a 200%, muito em função da espessura da carne”. A pesquisa também mostra que castanhas, amêndoas, nozes e frutas cristalizadas permanecem entre os produtos mais caros da mesa festiva. “Este Natal, se for de produtos bem tradicionais, vai ser caro. Mas, se o consumidor optar por uma ceia mais tropical, com frutas, é possível organizar algo mais acessível”, aponta Abreu. Queda em 14 itens Outro estudo, desta vez realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/ UFMG), confirma que 14 dos 26 produtos monitorados tiveram redução de preço em relação a 2024, com destaque para azeite de oliva (-21,16%), lombo suíno (-11,16%), gelatina (-7,3%) e panetone de frutas (-4,6%). No entanto, os itens que aumentaram de preço registraram altas muito mais intensas. De acordo com o gerente de pesquisas do instituto, Eduardo Antunes, o contraste ocorre porque a intensidade das altas foi muito maior que a das quedas. “Os produtos que subiram tiveram média de +13,32%, enquanto os que caíram recuaram apenas –5,59%. Ou seja, o volume de itens em queda até é maior, mas o peso das altas é muito mais significativo”. Além disso, nove produtos subiram acima do IPCA de Belo Horizonte, acumulado em 4,74% no período de 12 meses. Entre os que mais encareceram estão azeitona verde (+25%), uva passa escura (+24,4%), doce de pêssego (+22,8%) e balas mastigáveis (+23,9%). Sobre a expressiva redução no preço do azeite, Antunes esclarece que houve recomposição de oferta internacional. “Não é uma promoção pontual. Houve um ajuste de oferta global somado a condições locais favoráveis. A tendência é de preços mais baixos até meados de 2026, salvo novos choques climáticos”. Como economizar Embora o período pré-Natal costume pressionar o custo dos alimentos, Abreu avalia que alguns itens podem sofrer reduções próximas ao feriado. “A chegada da data gera desespero no varejo. O comerciante não quer ficar estocado de nozes, panetone e peru em fevereiro. Então é comum que ocorram promoções na segunda quinzena de dezembro, mas não na última hora”. Para Antunes, planejamento é a chave para uma ceia equilibrada. “Substituir produtos caros, aproveitar quedas fortes, reduzir o consumo de peru e espumante, comprar com antecedência e fazer lista ponderada são caminhos”. “A recomendação é pesquisar muito. Não deixar para a última hora para evitar produtos de qualidade ruim ou preços altos. E, principalmente, não se endividar para comemorar, porque o cenário econômico não permite”, conclui Abreu.

Acordos de leniência avançam pouco e empresas ainda resistem a colaborar

Os acordos de leniência, previstos na Lei Anticorrupção, foram criados para oferecer às empresas um caminho de colaboração com o Estado capaz de reduzir danos, reparar prejuízos e dar previsibilidade jurídica em casos de irregularidades. Porém, mesmo após mais de uma década de vigência da lei, a adesão ao instrumento continua baixa no Brasil. Desde 2014, apenas 34 acordos foram firmados, apesar de 99 propostas apresentadas no período, segundo dados da Controladoria-Geral da União. Os valores negociados ultrapassam R$ 20 bilhões, mas a quantidade de empresas dispostas a cooperar permanece distante do que se esperava quando o mecanismo foi criado. Para a advogada especialista em Direito Penal Empresarial, Eduarda Ciscato, parte dessa resistência está no impacto reputacional envolvido na decisão de colaborar. “Há um forte receio de exposição pública. A necessidade de admitir a prática do ilícito e de colaborar com as autoridades faz com que muitas empresas tenham receio dos danos imediatos à reputação e à relação com clientes, investidores e o mercado”. Ela ressalta que esse medo empurra muitas organizações para uma postura defensiva, na tentativa de controlar danos internamente, mesmo quando isso significa abrir mão de uma solução juridicamente mais segura. O cenário inicial da lei também contribuiu para alimentar dúvidas e desconfiança. Eduarda lembra que nos primeiros anos da lei em vigor, faltava coordenação entre os órgãos envolvidos, o que gerava sobreposições de investigações e conflitos de interpretação. “Antes do Acordo de Cooperação Técnica entre a CGU, Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça em 2020, havia o risco de múltiplas investigações paralelas, exigências conflitantes e entendimentos divergentes entre órgãos de controle. Mesmo colaborando, a empresa ainda poderia ser surpreendida por novas sanções”, afirma. “Agora, com a integração do Ministério Público Federal (MPF), tende a reduzir o risco de responsabilização fragmentada e torna o sistema mais transparente e confiável, estimulando maior adesão”, completa. Falta de compreensão A advogada observa que muitas empresas, especialmente as de médio porte, ainda carecem de estrutura de compliance capaz de lidar com a complexidade da leniência. “Organizações sem mecanismos sólidos de controle interno e gestão de riscos tendem a desconhecer a real extensão das irregularidades praticadas. Isso gera insegurança sobre o que revelar, receio de exposição e medo das consequências financeiras e reputacionais do acordo”. Para superar essa barreira, Eduarda recomenda diagnóstico interno, políticas claras e assessoria especializada. “Criar um ambiente de governança permite avaliar riscos com mais precisão e adotar a leniência como ferramenta estratégica, não como último recurso”, explica. A especialista também destaca que erros cometidos no início do processo podem comprometer toda a negociação. “Autodenúncia incompleta, falta de provas e renúncia inconsciente a direitos importantes são falhas que podem tornar inviável a assinatura do acordo”. “A preparação jurídica precisa ser cuidadosa, incluindo investigação interna detalhada, mapeamento de riscos e estratégia bem definida. Sem isso, a empresa corre o risco de se contradizer ou assumir obrigações que não consegue cumprir, o que pode levar até à rescisão do acordo”, alerta. Sobre a percepção de que a leniência seria uma forma de impunidade ainda persiste em alguns setores, Eduarda rebate esse entendimento. “A leniência não elimina a responsabilização. A empresa paga multas, entrega provas, adota medidas de reparação e implementa controles internos, muitas vezes sob monitoramento. É um processo oneroso, que exige mudança profunda de postura”. Apesar das dificuldades, a advogada acredita que o fortalecimento da cultura de integridade tende a ampliar o uso da leniência no país. Com maior previsibilidade institucional e melhor compreensão dos benefícios do mecanismo, mais empresas podem enxergar o acordo não como um problema, mas como uma oportunidade de reconstrução. “O desafio agora é fazer com que o setor privado entenda que a colaboração não representa derrota, mas sim um passo essencial para preservar contratos, reduzir riscos e recuperar credibilidade”, finaliza.