Comércio espera alta de até 40% nas vendas na Black Friday

O comércio mineiro está otimista para a Black Friday deste ano. Segundo a pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), 94,9% das empresas varejistas conhecem a data e 39,2% afirmaram que participarão das ações de vendas, percentual superior ao de 2024 (37,9%). O evento acontece em 28 de novembro. A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, explica que a data vem se consolidando no calendário do varejo nacional. “Ano após ano, observamos um crescimento tanto no número de empresas que conhecem a data quanto naquelas que participam. Isso mostra que o comércio incorporou a data como parte essencial da estratégia de vendas, criando um verdadeiro ‘super trimestre’ entre o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal”. O estudo revela que 63,3% dos empresários calculam um aumento de até 40% nas vendas, enquanto 10,8% acreditam que a alta pode ultrapassar 50%. Para 15% das empresas, os descontos devem superar 50%. “Mesmo com juros altos e famílias endividadas, os empresários esperam que as promoções atraiam o consumidor que está mais cauteloso. O preço é o principal chamariz, e o período é uma oportunidade para girar estoque e fidelizar novos clientes”. Gabriela ressalta que a Black Friday ajuda o comércio a manter o ritmo de consumo em um contexto econômico ainda sensível. “Os lojistas entenderam que o evento não prejudica o Natal, pelo contrário: 22,9% acreditam que há um efeito positivo, pois aproxima o consumidor da loja e estimula novas compras no fim do ano. O estigma de que a data atrapalha as vendas natalinas tem perdido força”. Ela observa que o equilíbrio entre descontos atrativos e planejamento financeiro é o que garante bons resultados. “Descontos agressivos são bem-vindos, mas é preciso cuidado para que as reduções não comprometam a margem do empresário. Quando bem aplicada, a estratégia é benéfica para todos”. Consumidor atento Para a economista Valquíria Assis, o consumidor brasileiro está cada vez mais atento e seletivo nas compras. “A maioria das famílias ainda enfrenta alto nível de endividamento, principalmente com cartão de crédito, o que limita o consumo. Por isso, o cliente pesquisa antes, compara preços e busca credibilidade. Ele quer desconto, mas também segurança de que o produto será entregue e o valor é real”. A Black Friday passou a fazer parte do planejamento financeiro das famílias, destaca Valquíria. “Muitos consumidores se programam o ano inteiro para aproveitar as promoções, inclusive antecipando as compras de Natal. É um momento de grande expectativa e também de aumento no fluxo das lojas”. O levantamento mostra que 70,6% das empresas que não participarão da Black Friday simplesmente optaram por não aderir. Na avaliação de Gabriela, isso reflete a diversidade do comércio mineiro. “Há negócios que preferem não entrar nesse tipo de campanha, seja pela natureza do produto, seja pela estratégia comercial. Ainda assim, o número de participantes vem crescendo e consolidando a data como uma das mais relevantes do varejo”. Final de ano Valquíria lembra que apesar dos desafios econômicos, há fatores que sustentam o otimismo. “O aumento da renda, a queda gradual do desemprego e a expectativa das compras de fim de ano ajudam a impulsionar o consumo. Além disso, a Black Friday antecede o período mais forte do varejo, que é o Natal, quando entram em cena o 13º salário e as comemorações familiares”. Para Gabriela, o desempenho da data será um termômetro para o comportamento do consumidor até o início de 2026. “Quando o varejo vai bem na Black Friday, a tendência é de um Natal aquecido. É uma oportunidade de fortalecer a confiança, girar estoques e consolidar o relacionamento entre lojistas e clientes”, finaliza.

Trabalhadores domésticos ainda aguardam pelo direito ao PIS

O emprego doméstico continua sendo uma das atividades mais marcadas pela desigualdade no Brasil. De acordo com dados do Instituto Doméstica Legal (IDL), atualmente, o país possui 5,7 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais 5,3 milhões (93%) são mulheres e 3,7 milhões (70%) são negras. A categoria, essencial para milhões de famílias brasileiras, ainda enfrenta o peso histórico da discriminação de gênero e do racismo estrutural. Apesar de conquistas importantes, como a PEC das Domésticas (2013) e a Lei Complementar 150 (2015), que garantiram quase todos os direitos previstos na CLT, há um benefício que segue sendo negado. O abono do PIS, pago anualmente a quem recebe até dois salários mínimos. Em entrevista ao Edição do Brasil, o presidente do IDL, Mario Avelino, falou sobre o impacto social da aprovação do benefício. Na sua avaliação, por que o PIS continua sendo negado aos empregados domésticos? Porque o governo, em termos de política de Estado, é quem bloqueia o abono do PIS para as domésticas. E aqui é importante diferenciar política de Estado e política de governo. O PT, por exemplo, sempre se apresentou como o partido dos trabalhadores, mas, quando está no poder, passa a atuar dentro da lógica de Estado. Hoje, quem impede esse direito é o Ministério da Fazenda. Atualmente, há cerca de 1,4 milhão de domésticas com carteira assinada, segundo o IBGE. O salário médio delas é de R$ 1.700, e 99% recebem até dois salários mínimos, o que significa que atenderiam aos critérios para o PIS. Calculamos que cerca de 1 milhão de trabalhadoras preencheriam os requisitos e teriam direito ao abono já no primeiro ano da sanção da lei. O governo federal ainda não se comprometeu com o tema. O que explica essa resistência? O governo argumenta que arrecadaria cerca de R$ 200 milhões e teria de pagar R$ 1,5 bilhão, mas ignora que o PIS é um programa de integração social, voltado a quem mais precisa. O objetivo não é lucro, e sim justiça social. Para corrigir o desequilíbrio, falta vontade de encarar o tema com o mesmo empenho com que se trata interesses políticos. Como equilibrar o direito do trabalhador com a capacidade financeira dos empregadores? Propomos uma contribuição de 0,65%, justamente para não onerar o empregador. Se alguém paga R$ 2 mil de salário, o custo adicional seria de R$ 13 por mês, cerca de R$ 150 por ano. Fizemos uma pesquisa com quase 3 mil empregadores, e 90% disseram apoiar a medida. O empregador doméstico é uma pessoa física, sem fins lucrativos, e não pode ser tributado como uma empresa. Ainda assim, ele entende que sua funcionária, que cuida de seus bens mais preciosos (filhos, pais, casa), merece ter os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador. Portanto, não há impacto significativo. O problema é político e estrutural, não econômico. Além de promover justiça social, você acredita que o PIS também pode contribuir para aumentar a formalização dos vínculos de trabalho doméstico? Sem dúvida. O abono funcionaria como um 14º salário e seria um forte estímulo para que mais trabalhadoras queiram ter a carteira assinada. Com o PIS, elas teriam um benefício real, vinculado ao trabalho, o que traria mais segurança e dignidade. A formalização gera um círculo virtuoso, mais contribuições ao INSS, ao FGTS e menos ações trabalhistas. O governo ganharia com mais arrecadação e menos custos judiciais. É uma política inteligente e sustentável. O trabalho doméstico é composto majoritariamente por mulheres negras e de baixa renda. Qual seria o impacto social e simbólico da aprovação do PIS para essa categoria? Todos os impactos seriam positivos. Primeiro, daria dignidade e respeito a milhões de mulheres que são chefes de família e provedoras do lar. A carteira assinada não é apenas um documento, é um símbolo de reconhecimento e cidadania. Além disso, ajudaria a quebrar uma cultura escravagista que ainda persiste no país. Essas trabalhadoras cuidam das casas, dos filhos e dos idosos. Mesmo assim, seguem sendo tratadas com desigualdade. Garantir o PIS é uma forma concreta de reparação histórica.

Entenda como funcionam os testes antidopagem

Às vésperas da partida entre Flamengo e Palmeiras, válida pelo Campeonato Brasileiro, agentes da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) visitaram os Centros de Treinamento das duas equipes para a realização de testes de controle antidopagem. O Flamengo manifestou desconforto com a ação. O caso gerou repercussão e levantou dúvidas sobre como esses procedimentos funcionam e quais são os direitos das partes envolvidas. Para o ex-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), João Antonio de Albuquerque e Souza, o controle antidopagem é indispensável para a credibilidade do esporte. “A Agência Mundial Antidopagem (WADA) possui um padrão internacional para testes e investigações que precisa ser rigorosamente cumprido. Trata-se de um protocolo que define desde como tratar as informações até a postura dos oficiais de controle de dopagem e das escoltas durante a realização dos testes”. A coleta de amostras, seja em competições ou em treinos, segue diretrizes rígidas. Segundo o especialista, a realização de testes fora de competição é fundamental para evitar fraudes e manter a lisura dos resultados. “Se o atleta souber que só será testado durante as competições, ele pode criar esquemas de dopagem em períodos específicos sem ser descoberto. Por isso, esses testes precisam ser surpresa. Não faria sentido agendá-los com antecedência”, pontua. Mesmo sendo desconfortável, Souza destaca que o procedimento é necessário. “O teste de urina, por exemplo, exige que o agente visualize a uretra e a urina saindo do corpo do atleta. É um processo constrangedor, mas faz parte de um controle sério e técnico. Sempre foi assim”. Ele lembra também que o número de testes é limitado por questões orçamentárias, o que obriga a ABCD a definir prioridades com base em critérios técnicos. “Não é possível testar todos os atletas, modalidades e gêneros. Por isso, as missões de testagem precisam ser bem fundamentadas e planejadas”. Direitos e deveres Durante uma ação de controle, Souza explica que os atletas possuem direitos garantidos. “Eles podem ter uma testemunha de confiança acompanhando todo o processo, desde o questionário até a transferência da urina para os frascos A e B. Também podem registrar observações sobre a conduta dos oficiais e relatar qualquer irregularidade no formulário”. “Mas há também deveres a cumprir. O atleta não pode se recusar a ser testado, sob pena de violar regras de recusa, evasão ou fraude. Já os clubes têm a obrigação de garantir o livre acesso dos agentes da ABCD às suas instalações. No caso de obstrução ou impedimento das equipes de coleta, tanto atletas quanto dirigentes e funcionários podem ser responsabilizados e até punidos disciplinarmente”, completa. Casos anteriores A nota divulgada pelo Flamengo não é um fato isolado. “Reclamações como essa já aconteceram em outras ocasiões. É natural que os clubes sintam que a rotina de treinos foi prejudicada, mas esse é o ônus do esporte de alto rendimento. Garantir a igualdade e a limpeza das competições é mais importante”, afirma Souza. O trabalho de inteligência da ABCD realiza testes com base em denúncias e informações de bastidores, reforça o ex-presidente do TJD-AD. “Existe um serviço de inteligência que recebe denúncias, muitas vezes anônimas. Os testes são feitos a partir dessas informações. Não sei se foi o caso específico do Flamengo, mas isso acontece com frequência”. Na avaliação de Souza, a melhor forma de evitar atritos é a capacitação dos clubes e seus funcionários. “Dirigentes, técnicos e seguranças precisam saber como lidar com a chegada das equipes de dopagem. O desconhecimento pode gerar conflitos desnecessários e até sanções. É fundamental que todos entendam o papel da fiscalização e colaborem com transparência”. “Essas ações não devem ser vistas como perseguição, mas como garantia de um esporte limpo, igual e justo. Todos têm responsabilidade nesse processo”, conclui.

Arte e memória: “Doce Amargo” retrata o desastre de Mariana

Quase dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, o quadrinista e professor João Marcos Mendonça lança uma das obras mais sensíveis sobre o desastre: Doce Amargo, publicado pela Editora Nemo. O livro mistura memória pessoal e testemunho coletivo para narrar as consequências humanas e emocionais do colapso que mudou a vida de milhares de pessoas. Morador de Governador Valadares, cidade que ficou sem água por vários dias após o rompimento, João Marcos viveu a tragédia de perto. Ele conta que transformar essa vivência em quadrinhos foi, ao mesmo tempo, um processo de cura e de resistência. “Um amigo me disse que eu devia ter colocado para fora o que estava entalado, e foi exatamente isso. Contar essa história foi uma forma de compartilhar o que passamos e seguimos vivenciando até hoje. A vida da gente mudou significativamente, com muitas incertezas e dúvidas”, relembra. O autor começou a registrar o cotidiano da família logo após o desastre. “Fui fazendo uma espécie de diário, já pensando como roteiro de quadrinhos, documentando o que estava acontecendo. Quis mostrar as situações pequenas do dia a dia, as conversas com vizinhos, os gestos de solidariedade e o desespero das filas por água”, explica. Sobre o impacto da tragédia, Mendonça afirma que a relação com o Rio Doce mudou para sempre. “Aprendi que o rio é muito mais do que uma fonte de abastecimento. Ele tem uma ligação cultural e espiritual com quem vive às margens. Hoje, o ambiente ainda é de muita dúvida. A propaganda oficial fala em recuperação, mas quem vive aqui sabe que a realidade é outra”. A artista Marianne Gusmão assina as cores da HQ. Segundo o autor, teve papel essencial na narrativa. “Ela conseguiu dar o tom emocional que a história pede, usando a cor da lama, avermelhada, quase fluorescente, para pontuar os momentos de tensão. Eu sempre digo que o livro tem dois personagens principais: o Rio Doce e as cores”. Para o quadrinista, Doce Amargo também tem um papel educativo. “Os quadrinhos são uma ferramenta poderosa para tratar temas complexos. O livro pode ser usado nas escolas para refletir sobre meio ambiente, memória e sustentabilidade. Ele fala do passado, mas também aponta para o futuro e para o tipo de mundo que queremos construir”. Ele conta que a recepção do público tem sido marcada por emoção e empatia. “As pessoas me dizem que não tinham dimensão do que aconteceu. Muitos se comovem com o sofrimento humano por trás dos números e das indenizações. Ninguém sai ileso de uma tragédia como essa”. “Equilibrar o relato pessoal e o coletivo foi um desafio. Tive o cuidado de não expor demais minha família, mas quis mostrar as consequências reais da tragédia. Há cenas banais, como o banho com uma caneca de água ou o reaproveitamento do pouco que restava. São detalhes que revelam o quanto o cotidiano foi transformado”, acrescenta. A arte cumpre uma função essencial na preservação da memória, segundo Mendonça. “O que eu mais quero é que o livro ajude a voltar os olhos para o Rio Doce e para o cuidado que ele merece. O rio foi muito maltratado e a tragédia de Mariana foi, de certa forma, a pá de cal. A arte serve para não deixar isso cair no esquecimento”. Doce Amargo está disponível nas principais livrarias físicas e plataformas digitais. “Foi um processo emocionalmente intenso, mas necessário. Contar essa história é também um acerto comigo mesmo. A gente precisa lembrar o que viveu para não repetir os mesmos erros”, conclui Mendonça.

Mercado imobiliário deve crescer com crédito e programa habitacional

A criação de uma nova linha de financiamento habitacional pelo governo federal, com teto ampliado de R$ 2,25 milhões, financiamento de até 80% pela Caixa Econômica Federal e uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para entrada ou amortização, deve movimentar o setor da construção civil e aumentar o acesso da classe média ao crédito imobiliário. Essa iniciativa chega em um momento de recuperação gradual da construção civil, que cresceu 3,2% no segundo trimestre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o Banco Central estima que a nova política possa injetar R$ 111 bilhões no setor somente no primeiro ano. Para o economista Noé Santiago, o efeito deve ser rápido. “Mais crédito significa mais negócios. Com o teto ampliado e condições acessíveis, o mercado volta a gerar oportunidades para quem quer crescer com responsabilidade”. Santiago explica que o crédito é o principal motor do setor. “É o termômetro mais sensível do mercado imobiliário. Quando o financiamento flui, o setor inteiro responde. Do corretor ao engenheiro, do incorporador ao fornecedor”. Além de impulsionar as compras, a nova linha de crédito deve gerar um efeito em cadeia. “Cada imóvel financiado movimenta dezenas de segmentos. Da engenharia à decoração, criando um efeito dominó positivo para a economia. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), cada R$ 1 investido na construção civil gera R$ 1,88 em retorno para a economia, um dos maiores multiplicadores entre todos os setores produtivos”, destaca o economista. Ainda assim, Noé alerta que a transição até 2027 exigirá atenção. “O momento é de planejamento. Com mais instituições competindo, o empresário que se antecipa pode aproveitar taxas melhores e crédito mais saudável. Mas a execução precisa ser coordenada, com regras claras e liberação efetiva de recursos”. “Reforma Casa Brasil” O governo também lançou o “Reforma Casa Brasil”, um programa que destinará R$ 40 bilhões para empréstimos de reformas residenciais, voltado a famílias que desejam melhorar o conforto e a segurança de suas moradias. De acordo com o advogado especialista em Direito do Consumidor, Stefano Ribeiro Ferri, o programa é positivo, mas exige cautela. “Nem todo crédito do governo é automaticamente vantajoso. É preciso olhar com atenção a taxa de juros, o indexador usado, o custo total da operação e as garantias exigidas”. As taxas do programa variam de 1,17% ao mês para famílias com renda até R$ 3.200 e 1,95% ao mês para rendas entre R$ 3.200 e R$ 9.600, com parcelas limitadas a 25% da renda familiar. Ferri recomenda cuidado com o orçamento. “O ideal é calcular com base na renda líquida e considerar outras dívidas já existentes. Se o orçamento estiver muito apertado, qualquer imprevisto pode levar à inadimplência. Reformas costumam ter imprevistos que aumentam o custo final”. O advogado reforça a importância de atenção aos contratos. “O consumidor deve verificar se o contrato contém cláusulas claras sobre juros, correção monetária, garantias e condições de vencimento antecipado. É essencial ler tudo antes da assinatura e exigir cópia integral do documento”, explica. Ele também alerta para os riscos da expansão do crédito imobiliário. “A elevação dos tetos e a flexibilização do uso do FGTS podem estimular o endividamento das famílias, especialmente se as instituições privadas ampliarem crédito sem análise rigorosa. Há também o risco de desigualdade de acesso, já que consumidores com melhor score tendem a ser privilegiados”. Estímulo ao setor Para Santiago, o programa de reformas complementa a nova política habitacional. “Embora o impacto macroeconômico seja menor que o da compra de imóveis, ele gera movimento imediato na base da cadeia, ativando o varejo de materiais, pequenas construtoras e prestadores de serviço. É uma medida com alto potencial social e econômico, desde que venha acompanhada de gestão e fiscalização”. “O crédito precisa ser usado com responsabilidade. Tanto por quem constrói quanto por quem contrata. Se aplicado com planejamento, o resultado é crescimento sustentável e geração de renda”, finaliza.

Benefício do INSS ampara quem sofre sequelas após acidente no trabalho

Mesmo com o aumento dos acidentes de trabalho no país, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Brasil registrou 724 mil Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) em 2024, um aumento de 18,1% em relação ao ano anterior. Muitos brasileiros ainda desconhecem que podem receber do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) um benefício mensal que garante uma compensação financeira a quem teve redução permanente da capacidade laboral. O auxílio-acidente, previsto no artigo 86 da Lei nº 8.213/1991, tem caráter indenizatório e é pago ao trabalhador que ficou com sequelas definitivas, mesmo que leves, após um acidente de qualquer natureza. “O benefício é devido aos segurados que sofreram um acidente ou doença que resultou em uma sequela definitiva que reduziu a capacidade de trabalho, podendo ser solicitado por empregados, domésticos, trabalhadores avulsos e segurados especiais”, explica a advogada previdenciária Giovanna Guareschi. O valor corresponde a 50% do salário de benefício, calculado com base na média das contribuições do segurado, podendo ser pago até a aposentadoria ou o falecimento do segurado. “Ele pode, inclusive, ser inferior ao salário mínimo, pois é um benefício de natureza indenizatória”, diz a advogada. Giovanna destaca que o trabalhador não precisa parar de trabalhar para ter direito. “A principal diferença em relação ao auxílio-doença é que, no auxílio-acidente, o segurado pode continuar exercendo suas funções, mesmo que em outra atividade. Já o auxílio-doença exige afastamento total”. Ela lembra ainda que é possível acumular o auxílio-acidente com pensão por morte ou auxílio-doença, desde que os benefícios tenham origens diferentes. “Se o trabalhador sofreu um acidente e depois ficou doente por outro motivo, ele pode acumular. Mas não é possível receber dois benefícios gerados pela mesma causa”. “Por exemplo, um motoboy que sofre um acidente de trânsito e tem a perna amputada, em um primeiro momento, ele vai pedir o auxílio-doença, porque precisará de tempo para se recuperar. Quando voltar a trabalhar, mas não puder mais exercer a mesma função, terá direito ao auxílio-acidente. Esse benefício é uma forma de compensar financeiramente a redução permanente da capacidade de trabalho”, complementa. Benefício desconhecido O advogado especialista em Direito Previdenciário, Gilberto Mendes, reforça que o auxílio-acidente é um dos menos conhecidos da Previdência Social. “Ele pode representar uma importante indenização para o trabalhador que ficou com sequelas permanentes e não se restringe a acidentes de trabalho, podendo ser concedido também em casos domésticos, de trajeto ou fora do ambiente laboral”. “O auxílio-acidente ainda é pouco divulgado e subutilizado, especialmente entre trabalhadores informais e autônomos. O desconhecimento desse direito faz com que milhares de brasileiros deixem de receber uma compensação legítima pela perda parcial de sua capacidade de trabalho”, acrescenta. Para Giovanna, o desconhecimento é o maior obstáculo. “Muitos acreditam que o benefício só vale para acidentes graves, mas até lesões pequenas, como perda parcial de força ou visão, podem garantir o direito. É importante buscar orientação com um especialista em Direito Previdenciário ou diretamente no INSS para garantir esse direito”. Mendes complementa que a falta de informação e de padronização nas perícias médicas ainda é um desafio. “Pequenas limitações já são suficientes para gerar o benefício. O que falta é divulgação e clareza nas regras. Modernizar o sistema e ampliar o acesso à informação é essencial para que mais brasileiros saibam que têm esse direito”, conclui.

Outubro Rosa chama a atenção para reconstrução mamária

O Outubro Rosa busca conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao atendimento médico e aos direitos de tratamento e reabilitação das pacientes. Mais do que alertar para os exames de rotina, a campanha também chama atenção para a autoestima e a reconstrução mamária, que é um direito garantido por lei e uma parte essencial da recuperação emocional das mulheres que passam pela mastectomia. “A reconstrução mamária é um direito garantido por lei desde 1999 no Sistema Único de Saúde (SUS) e desde 2001 na rede privada, para as mulheres vitimadas pelo câncer de mama. Ela representa muito mais que um procedimento cirúrgico, é um ato de resgate da autoestima e da identidade feminina”, destaca a cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Ângela Fausto. Embora o direito esteja assegurado em lei, o acesso ao procedimento ainda é desigual no Brasil. Segundo a cirurgiã, faltam materiais, leitos hospitalares e profissionais especializados em várias regiões do país. “Na prática, as pacientes enfrentam longas filas e muitas vezes, esperam anos para conseguir a reconstrução. A falta de infraestrutura e de planejamento impacta diretamente a dignidade e o bem-estar dessas mulheres”. Ela lembra que a reconstrução mamária faz parte do tratamento integral do câncer de mama e deve ser vista como uma etapa de reabilitação. “A mama é um símbolo de identidade feminina, e sua perda ou deformidade afeta profundamente a autoimagem. A cirurgia devolve qualidade de vida, confiança e dignidade”. Ângela explica que, atualmente, as técnicas são variadas e seguras com opções que utilizam tecido local, enxertos de outras regiões do corpo ou próteses de silicone. “As técnicas reconstrutivas são cada vez mais personalizadas, escolhidas conforme a idade, o tipo de doença, as condições clínicas e o estilo de vida da paciente. O objetivo é sempre garantir resultados estéticos e funcionais, respeitando o tratamento oncológico em curso”. Prevenção e diagnóstico Para o ginecologista e mastologista Rodrigo Pereira de Freitas, o diagnóstico precoce é o fator que mais impacta as chances de cura, podendo ultrapassar 90% quando o tumor é identificado nas fases iniciais. “Ele é o fator que mais impacta as chances de cura do câncer de mama. As principais orientações incluem conhecer o próprio corpo, fazer o exame clínico das mamas anualmente e realizar mamografia a partir dos 40 anos”. Freitas pontua que apesar da ampla divulgação da campanha, muitas mulheres ainda deixam de realizar os exames de rotina. “Essa resistência é multifatorial. Envolve medo do diagnóstico, desinformação e até dificuldades de acesso. A educação em saúde é o caminho mais eficaz para mudar esse cenário, tornando o cuidado um ato de amor próprio”. Ele também alerta para a importância de olhar para a saúde feminina de forma integral. “A mulher é um ser completo. Corpo, mente e hormônios estão interligados. O estresse, o sono irregular e o desequilíbrio hormonal podem influenciar até na resposta ao tratamento oncológico. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da física”, reforça. Segundo o especialista, o Outubro Rosa deve ser entendido como um ponto de partida para o autocuidado contínuo. “Outubro é um lembrete, mas o cuidado precisa durar o ano inteiro. Cuidar da saúde é um ato de amor próprio. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as chances de cura e de uma vida longa e saudável”. “A informação é a base de tudo. Quando a mulher entende seus direitos e conhece seu corpo, ela se fortalece para enfrentar o tratamento e retomar sua história com confiança e esperança”, finaliza Ângela Fausto.

ALMG debate reposição salarial na área da Segurança Pública

A política remuneratória dos militares e servidores civis da Segurança Pública de Minas Gerais foi tema de uma audiência pública realizada pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (ALMG). O debate, requerido e presidido pelo deputado Sargento Rodrigues (PL), discutiu o cumprimento da Lei 19.973/2011, que prevê a concessão do reajuste geral anual aos servidores, conforme o artigo 24 da Constituição Estadual, cuja implementação deveria acontecer em 1º de outubro. De acordo com dados apresentados por Rodrigues, com base em levantamento da Gerência de Finanças e Orçamento da Assembleia, a inflação acumulada de 2015 a 2024, medida pelo IPCA, foi de 74,89%, enquanto os servidores da segurança pública receberam 30,1% no mesmo período, representando uma defasagem de 44,79%. “O governo não cumpre a lei. A Constituição garante a revisão geral anual, mas o Estado insiste em negar o direito dos servidores. O próprio vice-governador reconheceu que Minas está com a folha abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se há espaço, por que não reajustar os salários?”, questionou o parlamentar. Rodrigues também criticou a ausência de reposições em gestões anteriores. “A perda inflacionária dos últimos dez anos compromete o sustento das famílias e o funcionamento das forças de segurança”. Representando o Executivo, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, destacou os avanços na recuperação financeira do Estado e disse que Minas mantém “marginalmente abaixo” o limite da folha de pagamento previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Hoje estamos em torno de 48% do comprometimento da receita com pessoal, o que demonstra equilíbrio. No entanto, não há espaço fiscal neste momento para novos reajustes salariais sem comprometer a sustentabilidade financeira do Estado”. A subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Planejamento e Gestão, Helga Beatriz Gonçalves de Almeida, reforçou o discurso de cautela. “O governo tem atuado com responsabilidade, garantindo o pagamento em dia, o décimo terceiro e benefícios. As decisões sobre recomposição devem respeitar os limites fiscais para que sejam sustentáveis no longo prazo”. Sindicatos reagiram As entidades representativas dos policiais civis, penais e bombeiros manifestaram frustração com a falta de proposta concreta. O vice-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (Sindepominas), Márcio Simões Naback, afirmou que a defasagem salarial e a sobrecarga de trabalho têm levado ao adoecimento dos servidores. “Estamos perdendo profissionais qualificados. O efetivo está reduzido e o governo só faz propaganda. A realidade é que faltam recursos, valorização e diálogo”. A presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-MG), Elaine Matosinhos, também fez um apelo ao Executivo. “Temos investigadores ganhando pouco mais de R$ 5 mil e delegados recebendo cerca de R$ 10 mil líquidos. É impossível manter o padrão de vida e garantir segurança à população com esse quadro. O Estado precisa olhar para quem arrisca a própria vida todos os dias”. O presidente do Sindicato dos Policiais Penais, Jean Carlos Otoni Rocha, endossou as críticas. “O governo alega falta de recursos, mas concedeu aumento de 298% para o governador e secretários e bilhões em isenções fiscais. Falta vontade política para valorizar as forças de segurança”. Ao encerrar a reunião, o deputado Sargento Rodrigues afirmou que a comissão continuará acompanhando o tema e poderá adotar medidas judiciais para garantir o cumprimento da lei. “O servidor da segurança pública tem o direito de ter sua perda inflacionária recomposta. Não é favor, é justiça”, finalizou.

Programa de aceleração impulsiona startups de impacto em Minas Gerais

Com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação e promover soluções que gerem impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, o Programa de Aceleração de Impacto visa apoiar o crescimento de startups de impacto social e ambiental, ampliando seu potencial de escala, competitividade e transformação. A iniciativa é do Sebrae Minas, em parceria com a Beta-i Brasil. O programa contou com a participação de 28 empresas que receberam capacitação e suporte estratégico. As empresas ainda participarão, em novembro, de ações go-to-market, que envolvem rodadas de negócios e aproximações comerciais. Uma das participantes do programa é a Reuso Recicla+, startup de Poços de Caldas (MG) que atua com gestão integrada de resíduos sólidos. A empresa oferece serviços de coleta seletiva, doação de materiais recicláveis para cooperativas e projetos de sustentabilidade corporativa. A CEO da empresa, Yula Merola, explica que o negócio nasceu em 2020, a partir de uma vivência pessoal e de uma necessidade observada no setor. “Após mais de 20 anos atuando na área ambiental e de saúde pública, percebi que a gestão de resíduos no Brasil ainda enfrenta desafios profundos, principalmente nas cidades pequenas e médias, onde faltam estrutura e soluções integradas. A semente do projeto surgiu da convivência com um ex- -catador de materiais recicláveis, alguém que conhecia profundamente as dores e o potencial transformador desse setor”, relembra. De acordo com a analista do Sebrae Minas, Manuela de Assis, o propósito da iniciativa é fomentar negócios que unam inovação e impacto positivo. “Nosso objetivo foi apoiar o desenvolvimento e a evolução de negócios inovadores que geram impacto socioambiental positivo. Reconhecemos que essa vertical é estratégica para a transformação do planeta e acredita no poder das soluções inovadoras para enfrentar os grandes desafios sociais e ambientais da atualidade”. “Esse movimento está alinhado com tendências como a COP 30, que será realizada em Belém, e reforça a urgência de ações concretas voltadas à sustentabilidade e à economia verde. Ao fomentar startups de impacto, contribuímos diretamente para a construção de um ecossistema mais consciente e preparado para os desafios do futuro”, acrescenta. De acordo com Manuela, o processo levou em conta fatores como maturidade, inovação e potencial de impacto. “Observamos também aspectos como o grau de inovação, estrutura da equipe, alinhamento com o mercado, viabilidade de escalabilidade e capacidade de gerar mudanças positivas e mensuráveis. O diferencial do programa está no foco exclusivo em negócios de impacto socioambiental. Todas as atividades, desde as mentorias até as conexões, foram pensadas para atender às especificidades e desafios desse tipo de negócio inovador”. Yula conta que o programa foi um divisor de águas. “Ele nos ajudou a enxergar nosso negócio com mais clareza estratégica, fortalecer nossa estrutura interna e preparar o terreno para escalar nossas soluções com mais segurança e consistência. Foi uma experiência de amadurecimento e fortalecimento institucional”. Durante o processo de aceleração, a empresa deu um passo importante ao iniciar o desenvolvimento da Recicla.ESG, plataforma digital que transforma resíduos em indicadores ESG (Ambiental, Social e Governança). “É uma solução digital que transforma resíduos em dados e dados em impacto positivo. Oferece rastreabilidade em tempo real, dashboards personalizados com indicadores automáticos e integração direta com cooperativas locais, fortalecendo a economia circular. Já rastreamos mais de 500 toneladas de resíduos, com impacto direto em 11 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, destaca a CEO. Ela revela os próximos passos da startup. “Queremos escalar a Recicla.ESG, ampliando sua implementação junto a empresas e municípios e fortalecendo a economia circular regional. Nosso objetivo é nos posicionar como referência nacional em gestão de resíduos com impacto socioambiental real”. Futuro sustentável Para a analista, a iniciativa reforça a importância de apoiar negócios que unem propósito, inovação e sustentabilidade. “Acreditamos no potencial dessas startups e na transformação que elas geram na sociedade. Por meio desse programa, impulsionamos negócios inovadores que unem propósito, impacto positivo e sustentabilidade”, conclui.

Preço da cesta básica recua em BH, mas ainda pesa para o trabalhador

O custo da cesta básica em Belo Horizonte voltou a cair em setembro e chegou a R$ 739,09, segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG. A redução foi de 0,46% em relação a agosto, marcando o sexto mês consecutivo de queda. No acumulado de 2025, a redução é de 1,20%. Mas em 12 meses, a cesta registra uma alta de 7,36%. Atualmente, o custo da cesta representa 48,69% do salário mínimo (R$ 1.518), o que significa que quase metade da renda de um trabalhador é consumida apenas com alimentação. Segundo o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, o aumento acumulado no ano é resultado de fatores climáticos e econômicos que afetaram a produção e o custo de insumos. “Essa elevação no longo prazo é explicada principalmente por aumentos significativos em itens específicos, influenciados por condições climáticas adversas, variações cambiais e pressões na cadeia de suprimentos”. “O café moído, por exemplo, registrou uma variação de +44,38% em 12 meses, impulsionado por problemas na safra 2024/2025 e valorização do dólar. Outros produtos, como tomate, chã de dentro e óleo de soja, também contribuíram para essa pressão”, acrescenta. Antunes destaca que os produtos que mais recuaram, tomate (-17,54%) e batata inglesa (-6,12%), são altamente sensíveis à sazonalidade. “Eles são hortaliças dependentes das condições climáticas. Setembro marca uma safra mais abundante, com colheitas favorecidas pelo clima mais estável no Sudeste. Já a manteiga caiu devido à maior produção de leite na primavera, que aumenta a oferta de derivados lácteos”. Apesar disso, alguns itens seguem em alta, como a banana caturra (5,54%), o óleo de soja (5,20%) e o feijão carioca (5,03%). “Essas elevações refletem a combinação de menor oferta e demanda aquecida, além da expectativa de maior uso de soja para produção de biodiesel”. Diferenças entre supermercados Um levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro, em parceria com o aplicativo comOferta, revelou fortes variações de preços entre supermercados e atacarejos da Região Metropolitana de BH. O arroz Camil 5 kg foi encontrado entre R$ 18,99 e R$ 25,99, uma diferença de 36,8%, e o arroz Tio João 5 kg, entre R$ 26,90 e R$ 38,99, variação de 45%. Já o feijão carioca Galante 1 kg subiu de R$ 7,97 para R$ 9,62, alta de 20,7%, enquanto o óleo de soja Veleiro (900 ml) passou de R$ 7,09 para R$ 8,42, um aumento de 18,8%. O pente de ovos vermelhos com 20 unidades variou 70% entre os estabelecimentos (de R$ 12,90 a R$ 21,99), e a maionese Liza (450g) apresentou variação de 74%, indo de R$ 6,58 a R$ 11,49. Para o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a principal orientação é pesquisar antes de comprar, já que as diferenças entre marcas e locais são grandes. “Nós encontramos variações superiores a 60% para o mesmo produto em supermercados próximos. É importante que o consumidor pesquise, especialmente em tempos de orçamento apertado. Se não for apegado a marcas, é possível economizar até 90% em alguns itens”, afirma. O comportamento recente do mercado mostra movimentos opostos, avalia Antunes. “Enquanto o arroz caiu, produtos como feijão, café e óleo de soja voltaram a subir. O arroz teve reduções médias de 8%, mas o feijão carioca, o óleo e o café dispararam. São produtos de primeira necessidade, que continuam pressionando o bolso do consumidor”, ressalta. Perspectivas para o fim do ano O Ipead prevê que a cesta básica pode manter a tendência de estabilidade até o fim de 2025, mas alerta que o período de festas e possíveis impactos climáticos ainda podem elevar os preços. “A tendência é de continuidade das reduções moderadas, mas há riscos de alta sazonal. Mesmo com a queda recente, o custo da alimentação ainda compromete quase metade do salário mínimo, um patamar que mostra a erosão do poder de compra e o peso dos alimentos no orçamento familiar”, conclui Antunes.