Estudo mostra avanço no uso das ferramentas de inteligência artificial

O uso da inteligência artificial (IA) para compreender assuntos considerados complexos, como política, economia e ciência, já faz parte da rotina de uma parcela significativa da população. Uma pesquisa da Nexus mostra que 3 em cada 10 brasileiros já utilizaram ferramentas de IA com esse objetivo, sendo que 10% afirmam apelar aos recursos com frequência. O levantamento aponta que a adoção é maior entre jovens de 18 a 30 anos, a chamada geração Z, faixa etária em que quatro em cada dez entrevistados já usaram inteligência artificial para entender temas mais complexos. No extremo oposto estão os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), entre os quais apenas 13% relatam esse tipo de uso. A utilização também aumenta conforme renda e escolaridade, chegando a 39% entre pessoas com ensino superior completo e entre aquelas que recebem mais de cinco salários mínimos. Para o especialista em Privacidade de Dados, Rogério Brum, a popularização dessas ferramentas representa um avanço relevante. “A inteligência artificial já é uma ferramenta poderosa para apoiar a compreensão de assuntos, mas ainda não pode ser tratada como uma fonte autônoma de verdade. Os modelos funcionam a partir de padrões estatísticos e não possuem compreensão crítica da realidade”. Brum ressalta que a IA é eficiente para organizar informações e explicar conceitos de forma didática, porém, ainda apresenta limitações importantes. “Pode cometer erros, simplificar excessivamente temas sensíveis ou reproduzir distorções existentes nos dados de treinamento”. Por isso, o especialista defende que a tecnologia seja utilizada como apoio, e não como substituta do pensamento humano, sobretudo em áreas delicadas como política, economia e ciência. O avanço da IA também levanta debates sobre democracia e formação de opinião. Na avaliação de Brum, a tecnologia pode ampliar o acesso à informação e gerar riscos ao mesmo tempo. “Reduz a desigualdade informacional ao traduzir conteúdos técnicos em linguagem acessível, mas também amplifica a desinformação, cria bolhas ideológicas e transmite uma falsa sensação de neutralidade”, explica. Do ponto de vista técnico, o especialista destaca que os sistemas ainda não compreendem causalidades profundas. “A IA identifica correlações, contudo, não entende eventos inéditos e tende a transformar fenômenos complexos em narrativas lineares”, afirma. Isso reforça a necessidade de análises especializadas e verificação constante das informações. Outro ponto sensível é o viés algorítmico. Em um país marcado por desigualdades históricas, Brum alerta que, sem correções adequadas, a IA pode reforçar estereótipos e transformar desigualdades sociais em desigualdades tecnológicas invisíveis. Para enfrentar esses desafios, o especialista defende o fortalecimento da educação digital. “Não basta saber usar a ferramenta. É preciso compreender seus limites, riscos, impactos e princípios éticos. O futuro da inteligência artificial no Brasil dependerá menos da tecnologia em si e mais da qualidade da governança, da regulação e da formação crítica dos usuários”, conclui.
Ganho de peso é mais rápido após as canetas emagrecedoras

A popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no tratamento da obesidade. No entanto, uma análise publicada no British Medical Journal acendeu um alerta importante: a interrupção dessas terapias pode levar à recuperação acelerada do peso. A revisão analisou 37 estudos com cerca de 9,3 mil adultos e mostrou que, após a suspensão dos análogos de GLP-1, o reganho médio foi de 0,8 kg por mês, ritmo até quatro vezes mais rápido do que o observado em pessoas que emagreceram apenas com dieta e atividade física. Em muitos casos, o retorno ao peso anterior ocorreu em um ano e meio. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, o fenômeno não deve ser interpretado como falha individual. “Do ponto de vista endocrinológico, o reganho não é surpresa. Ele confirma o que já sabemos sobre a obesidade como uma doença crônica recidivante. Quando uma pessoa perde muitos quilos, o corpo reage com dois movimentos previsíveis: diminui a queima calórica, por adaptação metabólica, e altera o controle de fome e saciedade, aumentando os sinais que estimulam o apetite”. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 atuam justamente nesses mecanismos enquanto estão em uso. “Quando a medicação é retirada, esses sistemas voltam a operar com força, e o peso tende a subir. Isso foi demonstrado de forma clara nos estudos de extensão do STEP-1, com semaglutida, e do SURMOUNT-4, com tirzepatida”. Alessandra explica que o ritmo de reganho pode variar entre os pacientes. “Quanto maior a perda inicial, maior tende a ser a pressão biológica para recuperar peso. Esse ritmo depende de quanto peso foi perdido, por quanto tempo foi mantido, da preservação da massa muscular, além da genética, sono, estresse e padrão alimentar”. A endocrinologista reforça que associar o reganho à falta de disciplina é um equívoco. “Não é falta de força de vontade. Após emagrecer, aumentam os hormônios que estimulam a fome, reduzem-se os sinais de saciedade e o corpo passa a gastar menos energia. O paciente fica fisiologicamente pronto para reganhar peso”. Outras perdas Além do peso, parte dos benefícios metabólicos também pode ser perdida após a suspensão do tratamento. “Os estudos mostram que, ao retirar a medicação, não só o peso retorna, como também parte das melhoras na pressão arterial, glicemia, colesterol e esteatose hepática regride em cerca de 1,4 ano”, destaca a médica. Entre os principais erros ao interromper o tratamento, a endocrinologista cita a retirada abrupta e a falta de acompanhamento clínico. “Parar sem planejamento, não proteger a massa muscular, tratar o medicamento como algo pontual e não acompanhar o paciente no pós-medicação são falhas comuns. Quando o peso começa a subir um ou dois quilos, ainda dá para intervir; mas, quando sobe seis ou oito, o controle se torna muito mais difícil”. Diante do alto custo das canetas no Brasil, muitos pacientes consideram interromper o uso após o emagrecimento inicial. Para Alessandra, é possível reduzir riscos, mas não eliminá-los. “Não existe garantia de zero reganho. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. A lógica do tratamento é semelhante à da hipertensão ou do diabetes: muitas vezes exige uso contínuo ou estratégias de manutenção”. “O reganho de peso não é falha do paciente, não é falta de força de vontade. É a biologia da obesidade. O desafio agora é desenhar o ‘pós-caneta’: como manter saúde metabólica, força muscular e qualidade de vida de forma individualizada e sustentável”, conclui.
Curso de defesa pessoal fortalece a segurança das mulheres em Contagem

A Prefeitura de Contagem reabriu as inscrições para o curso gratuito de defesa pessoal destinado exclusivamente às mulheres do município. A iniciativa integra as políticas públicas de esporte, lazer e enfrentamento à violência de gênero, com foco na promoção da autonomia, da segurança e da qualidade de vida das participantes. O curso é voltado para meninas e mulheres a partir dos 10 anos de idade e oferece aulas regulares de defesa pessoal com abordagem prática e acessível, independentemente de experiência prévia em artes marciais. As inscrições podem ser feitas presencialmente até o dia 28 de janeiro, no próprio local das aulas, a Escola Municipal Eli Horta Costa, situada na rua Professora Neuza Rocha, 406 – Centro. As atividades acontecem às segundas e quartas-feiras, das 18h10 às 20h. No momento da inscrição, é necessário apresentar um documento de identidade e a declaração de aptidão física. As participantes também deverão entregar, no prazo de até 15 dias úteis, um atestado médico que comprove condições adequadas de saúde para a prática esportiva. De acordo com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o curso tem como principal objetivo fortalecer a autoconfiança das mulheres, oferecendo ferramentas que contribuam para a prevenção da violência e para uma maior sensação de segurança no cotidiano. A titular da pasta, Leidna Duarte, destaca o papel do projeto como política pública de cuidado e proteção. “As aulas de defesa pessoal são uma ferramenta de empoderamento. Elas ajudam as mulheres a se sentirem mais seguras, confiantes e preparadas para lidar com situações do cotidiano, ao mesmo tempo em que promovem saúde, convivência e qualidade de vida”. A metodologia das aulas reúne técnicas adaptadas de jiu-jitsu, muay thai, boxe e MMA, aplicadas especificamente ao contexto da defesa pessoal. O conteúdo prioriza estratégias de prevenção, percepção de risco, evasão de situações de perigo e, quando necessário, reações seguras e eficazes. Responsável pelas aulas, o lutador profissional de jiu-jitsu e professor do projeto, Leonardo Rocha, ressalta que a proposta vai além do ensino de golpes e busca preparar as participantes para situações reais. “Trabalhamos um pouco de cada modalidade, reunindo técnicas que podem fazer a diferença em situações do dia a dia. É uma proposta que vai desde aprender a identificar e evitar riscos até saber agir para se defender, seja fugindo da situação ou, quando não for possível, reagindo de forma segura”. Segundo o professor, o principal objetivo é ampliar a confiança e a sensação de segurança das participantes. “A ideia é oferecer mais tranquilidade para que elas possam caminhar pelas ruas com confiança, sabendo que têm recursos para se proteger”. O município planeja ampliar o alcance do projeto. A partir do dia 11 de fevereiro, a iniciativa entrará em fase de expansão para outras regiões da cidade, começando pela Ressaca. O formato itinerante levará aulas de defesa pessoal, orientações preventivas e ações de conscientização a diferentes bairros. As informações sobre novas turmas e inscrições serão divulgadas nos canais oficiais do município. ServiçoDias: segundas e quartas-feiras (inscrições até 28 de janeiro)Horário: 18h10 às 20hLocal: Escola Municipal Eli Horta CostaPúblico-alvo: meninas e mulheres a partir de 10 anos Documentos necessários:• Carteira de identidade• Declaração de aptidão física• Atestado médico (entrega em até 15 dias úteis)
Ano eleitoral pode afetar o cenário econômico e trazer incertezas

Com a aproximação das eleições presidenciais, a economia brasileira entra em um período tradicionalmente marcado por incertezas, volatilidade nos mercados e cautela por parte de investidores e consumidores. As projeções mais recentes do Boletim Focus, do Banco Central, indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8%, inflação próxima de 4%, taxa Selic em torno de 12,25% ao final do ano e dólar na faixa de R$ 5,50. Esse contexto reforça a percepção de um ano desafiador, com impacto no bolso da população e nas decisões de política econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a expectativa de crescimento mais fraco reflete tanto fatores estruturais quanto conjunturais. “A projeção de avanço reduzido do PIB em 2026 decorre, em parte, da condução da política monetária, com a Selic mantida em patamar elevado, e também das incertezas típicas de um ano eleitoral, quando os investimentos tendem a ser congelados”. Na mesma linha, o economista Noé Santiago avalia que o consumo das famílias deve sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para impulsionar a economia. “O consumo tende a ser o principal vetor, apoiado por um mercado de trabalho ainda resiliente, enquanto o investimento produtivo segue enfraquecido, pressionado por juros altos, incerteza fiscal e baixo horizonte de previsibilidade”. Inflação Apesar da desaceleração inflacionária observada nos últimos anos, a expectativa de IPCA em torno de 4% mantém o Banco Central em posição cautelosa. Segundo Pereira, despesas como impostos, aluguéis, transporte e combustíveis devem continuar pressionando o custo de vida. “A nova alíquota fixa de ICMS sobre combustíveis tende a impactar toda a cadeia de transportes, elevando preços e comprometendo o orçamento das famílias”. “Para mitigar esses efeitos, é fundamental que a taxa Selic volte a apresentar uma trajetória de queda. Um ciclo consistente de cortes aliviaria as despesas financeiras de famílias e empresas. Outra alternativa seria o adiamento do reajuste de preços administrados. A Petrobras poderia adotar políticas que suavizem a volatilidade do petróleo, reduzindo o impacto das flutuações internacionais e minimizando os efeitos para o consumidor final”, complementa. Santiago acrescenta que a inflação mais resistente decorre de fatores estruturais. “A elevada indexação da economia, as pressões fiscais e o câmbio depreciado mantêm a inflação acima do centro da meta, o que exige uma postura firme do Banco Central para ancorar expectativas, especialmente em ano eleitoral”. O ambiente político também influencia a trajetória dos juros. Pereira avalia que o cenário eleitoral pode atrasar a flexibilização monetária. “Anos de eleição elevam a volatilidade e reforçam políticas fiscais expansionistas, o que pode postergar ajustes mais profundos para depois do pleito e afetar as decisões do Banco Central”. O principal risco macroeconômico segue sendo o fiscal, conforme avalia Santiago “Com a dívida em nível elevado, qualquer sinal de perda de credibilidade pode pressionar juros, câmbio e reduzir o crescimento, formando um ciclo negativo para a economia”, alerta. Câmbio Com o dólar projetado em torno de R$ 5,50, alguns segmentos tendem a se beneficiar. “Exportações agrícolas, turismo e setores mais competitivos ganham com o câmbio depreciado, enquanto indústrias dependentes de insumos importados enfrentam aumento de custos”, observa Pereira. Já Santiago ressalta que o cenário reforça estratégias de proteção financeira. “O dólar passa a desempenhar um papel central na proteção patrimonial, o que explica o crescimento da busca por diversificação pela dolarização parcial dos investimentos”, finaliza.
Novas regras da aposentadoria exigem planejamento

Desde a entrada em vigor da reforma da Previdência, em novembro de 2019, as regras para aposentadoria no Brasil passaram por mudanças profundas. A extinção da aposentadoria apenas por tempo de contribuição, a adoção da idade mínima obrigatória e a criação de diferentes regras de transição tornaram o processo mais complexo e cercado de dúvidas para milhões de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em um cenário de envelhecimento da população e pressão sobre as contas públicas, especialistas apontam que entender as novas exigências e planejar o momento de requerer o benefício pode fazer uma diferença significativa no valor final da aposentadoria. Para analisar os impactos dessas mudanças e orientar os trabalhadores, o Edição do Brasil conversou com o advogado previdenciário Carlos Brandão. Passados mais de seis anos da reforma, as novas regras conseguiram tornar o sistema mais sustentável sem comprometer direitos? O objetivo central da reforma da Previdência de 2019 foi reduzir o ritmo de crescimento do déficit previdenciário, e isso de fato foi alcançado. No entanto, esse resultado veio acompanhado de um grave comprometimento de direitos de parte dos segurados, especialmente daqueles em situações mais sensíveis. A idade mínima obrigatória representa um avanço ou penaliza quem começou a trabalhar cedo? A idade mínima foi um aperfeiçoamento necessário. A antiga aposentadoria apenas por tempo de contribuição permitia que pessoas se aposentassem muito jovens, sem que houvesse um risco social consumado, como doença ou idade avançada. Isso tornava o sistema insustentável. Por outro lado, a reforma exagerou em alguns pontos, como na aposentadoria especial, ao exigir idade mínima de 60 anos para trabalhadores expostos a agentes nocivos, o que pode gerar sofrimento e adoecimento. Quais regras de transição são mais vantajosas em 2026? Para a maioria dos trabalhadores mais humildes, a regra de transição da aposentadoria por idade é a mais acessível, pois exige apenas idade mínima e 15 anos de contribuição. Já em termos de valor de benefício, a regra do pedágio de 100% costuma ser a mais vantajosa, pois permite alcançar 100% da média salarial, desde que cumpridos os requisitos. Ainda assim, cada caso deve ser analisado individualmente. O aumento progressivo de idade e pontuação cria uma “corrida contra o tempo”? Essa sensação existe, mas é importante lembrar que, a cada ano trabalhado, o segurado também acumula pontos. Além disso, é possível buscar estratégias para aumentar o tempo de contribuição, como reconhecer períodos especiais, tempo rural ou indenizar contribuições em atraso. Uma análise técnica pode fazer grande diferença. As mudanças no cálculo do benefício podem levar ao empobrecimento na velhice? Para quem tem pouco tempo de contribuição e salários mais altos, sim, há esse risco. Hoje, mulheres só atingem 100% da média com 35 anos de contribuição e homens com 40. No entanto, dois terços dos benefícios pagos pelo INSS continuam sendo de um salário mínimo. Além disso, o que mais compromete a renda do aposentado em longo prazo é a correção dos benefícios apenas pelo INPC, que nem sempre preserva o poder de compra. O planejamento previdenciário se tornou indispensável? Sem dúvida. O erro mais comum é pedir a aposentadoria assim que o direito é adquirido, sem avaliar se vale a pena esperar mais um pouco para receber um valor maior. A aposentadoria não pode ser desfeita depois de concedida, e as possibilidades de revisão são limitadas. Por isso, o planejamento individualizado é essencial.
Exercícios fáceis ajudam na recuperação da disposição

Com a chegada de 2026, muita gente tenta retomar a rotina e recuperar a disposição depois dos excessos das festas de fim de ano. No entanto, a falta de tempo e a dificuldade de voltar ao ritmo costumam ser obstáculos para quem deseja se exercitar com regularidade. Para ajudar nesse recomeço, o professor de Educação Física, Henrique Santos, destaca que é possível manter o corpo ativo com exercícios simples, feitos em casa e sem a necessidade de equipamentos. De acordo com Santos, movimentos básicos podem trazer bons resultados quando executados corretamente. “O mais importante, especialmente para quem está retomando a atividade física, é priorizar a qualidade do movimento. Não adianta fazer rápido ou em grande quantidade se a postura não estiver adequada”. Entre os exercícios indicados está o agachamento com peso corporal, considerado um dos mais completos para o fortalecimento de pernas e glúteos. Santos explica que manter os pés alinhados à largura dos ombros, as costas retas e o abdômen contraído é essencial para evitar sobrecarga. “A execução adequada previne lesões no joelho e na lombar. Realizar o agachamento de forma controlada garante benefícios sem riscos de desconforto”, orienta. Outro movimento bastante acessível é a flexão de braços, que trabalha a parte superior do corpo, especialmente peito e ombros. Segundo o especialista, o erro mais comum é perder o alinhamento do tronco durante a execução. “Muitas vezes, as pessoas deixam o quadril cair ou subir demais, o que pode gerar sobrecarga na coluna. Manter o corpo alinhado do início ao fim do movimento é essencial”. A prancha também aparece como uma opção eficiente para fortalecer o core, região central do corpo. “Ela é excelente para estabilização, mas, se o quadril começar a cair, o exercício deixa de ser seguro. Esse é o momento de interromper, corrigir a postura e só então continuar”, alerta Santos. Para trabalhar os glúteos e a região lombar, a elevação de quadril é outra alternativa indicada. O profissional reforça que o controle do movimento faz toda a diferença. “Levantar os quadris sem forçar a lombar permite ativar corretamente os glúteos e reduz o risco de lesões na parte inferior da coluna”, afirma. Além dos exercícios de força, o alongamento de corpo inteiro é fundamental, especialmente após períodos de inatividade. Santos recomenda movimentos suaves e sem pressa. “O alongamento deve respeitar os limites do corpo. Forçar além do necessário pode causar distensões musculares. O ideal é um movimento controlado, que ajude a relaxar os músculos e melhorar a flexibilidade”. Por fim, o profissional reforça que, mesmo em casa, a prática de exercícios exige cuidados básicos para evitar lesões. Aquecer antes de iniciar, manter a postura correta, respeitar os próprios limites e interromper a atividade ao sentir dor são medidas essenciais. “Quando falamos de exercício físico, a forma correta é sempre mais importante do que a quantidade. A paciência e a constância são os maiores aliados para alcançar resultados de forma segura e duradoura”, conclui.
Palácio das Artes inicia o ano com esculturas de Ricardo Carvão Levy

A programação de 2026 do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, começa com uma exposição que reúne memória, trajetória e permanente reinvenção. A mostra “Forma, Espaço e Matéria!”, do escultor Ricardo Carvão Levy, ocupa diferentes áreas do complexo cultural até o dia 1º de fevereiro, com entrada gratuita, e integra as comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes. O retorno do artista ao espaço é carregado de simbolismo. Foi ali que ele realizou momentos decisivos de sua carreira, como a primeira exposição individual, em 1979, e a ocupação pioneira dos jardins internos, em 1998. “É com profunda alegria e emoção que recebo este convite, que carrega um significado muito especial para mim. Esses espaços seguem sendo parte viva da minha história e da minha formação como artista”. O título da exposição traduz uma pesquisa construída ao longo de décadas. Para Carvão Levy, forma, espaço e matéria são inseparáveis e dialogam de maneira orgânica. “Penso a escultura como uma composição musical, em que as formas ocupam o lugar dos sons. O espaço atua como intervalo ou pausa, essencial para que a obra respire. A harmonia surge do equilíbrio entre forma, espaço e matéria, mas permanece sempre aberta ao imprevisto, ao improviso e à quebra de regras”. A mostra se espalha por quatro espaços do Palácio das Artes, incluindo a Galeria Aberta Amilcar de Castro, jardins internos, o Passeio Niemeyer e o Café do Palácio. A proposta é ampliar o contato da arte com o público, inclusive aquele que não entrou no local com a intenção de visitar uma exposição. “Quando a escultura ocupa jardins, áreas abertas ou lugares de passagem, deixa de ser destino e vira encontro. Elas não estão ali para serem isoladas, mas para conviver com a arquitetura, com o ritmo urbano e com a vida cotidiana”, revela Ricardo. Um dos destaques é a instalação “O Último Suspiro da Mata”, composta por esculturas feitas com materiais descartados, aço oxidado e argila expandida. O escultor explica que a obra dialoga diretamente com questões ambientais e com a memória da matéria. “Reaproveitar não é apenas uma questão de sustentabilidade, é um gesto de cuidado, de escuta e de responsabilidade”. Ele relembra ainda o incentivo do também escultor Frans Krajcberg. “Ouvir dele que ali estava ‘a arte do futuro’ me marcou profundamente”. Sobre o artista Nascido em Belém do Pará e radicado em Minas Gerais há mais de seis décadas, Ricardo Carvão Levy reúne influências da paisagem amazônica, das culturas pré-colombianas e da tradição mineira do ferro e da geometria. “Essas referências não se contradizem, elas se somam. Eu me vejo como um artista meio caleidoscópio”, define. Fiel à ideia de que “não cristalizar é uma norma”, o escultor segue assumindo riscos criativos. “Criar sempre foi um jeito de quebrar limites, inclusive os meus próprios. O que ainda me desafia é não cair na repetição. Variar materiais, técnicas e escalas é uma forma de permanecer em movimento e de manter a arte viva no diálogo com o espaço, a matéria e as pessoas”, finaliza. Serviço: Mostra “Forma, Espaço e Matéria!”Quando: até 1º de fevereiroHorário: terça à sábado de 9h30 às 21h, e aos domingos de 17h às 21hLocal: Palácio das ArtesAvenida Afonso Pena, 1.537 – Centro Entrada gratuita
Janeiro é o mês das despesas e testa o bolso do consumidor

Com a virada do ano, muitas famílias enfrentam um velho desafio: a concentração de despesas em janeiro e fevereiro, que inclui tributos e compromissos previsíveis, mas que, sem preparo, transformam o orçamento em fonte de estresse. Em Minas Gerais, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 terá início de pagamento em 9 de fevereiro, com possibilidade de antecipação a partir de 2 de janeiro e desconto na cota única. No caso do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Belo Horizonte, a primeira cota vence em 30 de janeiro, com opção de guia com desconto de 7% até esta data. O contribuinte também pode pagar o imposto em até 11 prestações mensais e consecutivas, com vencimento até o dia 15 de cada mês, seguindo até dezembro. Para o consultor de finanças e carreira, Robson Profeta, o problema não é o gasto em si, mas a ordem das decisões. “Essas contas não aparecem de repente. Elas têm data, valor aproximado e já fazem parte da rotina das famílias. Quando não há planejamento, compromissos como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar se acumulam e geram necessidade de crédito caro como cartão de crédito ou cheque especial”. “Quando as pessoas priorizam consumo e deixam obrigações previsíveis para depois, acabam pagando juros para resolver algo que poderia ter sido planejado com antecedência. Gerenciar bem as finanças pessoais não exige soluções complexas, mas sim previsibilidade e disciplina”, acrescenta. Dicas do especialista Antecipar despesas fixas: usar parte do 13º salário para reservar recursos para IPVA, IPTU e matrículas ainda no final do ano anterior. “A quantia deveria funcionar como um amortecedor financeiro para as despesas que já estavam no horizonte”, pontua. Evitar créditos caros: sempre que possível, evitar o uso de crédito rotativo ou parcelamento de fatura, que têm juros entre os mais altos do mercado, comprometendo o orçamento ao longo dos meses seguintes. Organizar o fluxo de caixa: registrar entradas e saídas e projetar os próximos meses para visualizar compromissos e ajustar metas. Pagamento à vista: quando existe uma reserva financeira, quitar antecipadamente pode trazer alívio e evitar custos adicionais com juros. “Mas se comprometer reservas de emergência ou afetar o equilíbrio financeiro dos meses seguintes, pode ser melhor optar por parcelamentos com taxas menores”. Acompanhamento contínuo Para não repetir o ciclo de apertos no próximo janeiro, o consultor enfatiza a importância do acompanhamento contínuo ao longo do ano. Registrar despesas, revisar metas e construir reservas gradualmente ajuda a lidar com imprevistos e evita escolhas impulsivas. “Quando a pessoa entende o calendário financeiro do próprio ano, deixa de ser refém das contas e passa a ter controle”, finaliza. Chegar organizado a 2027 exigirá olhar para além do primeiro mês do ano. Isso porque a educação financeira deve ser incorporada como hábito, com foco em disciplina e regras claras para uso de recursos extraordinários como o 13º salário, assim como atenção às datas de vencimento de tributos e serviços.
Guarda compartilhada se torna maioria nas decisões judiciais

Pela primeira vez, a guarda compartilhada de filhos menores superou a guarda concedida exclusivamente à mãe nos casos de divórcio no Brasil. A informação faz parte da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, em 44,6% dos casos de divórcio envolvendo casais com filhos menores de idade, a guarda foi compartilhada entre mãe e pai, contra 42,6% de casos em que a guarda ficou apenas com a mãe. A guarda exclusiva ao pai representou apenas 2,8%, e em outros casos foi concedida a terceiros ou não foi especificada. De acordo com a advogada especialista em Direito de Família, Nathalia de Campos, o crescimento da guarda compartilhada é resultado de uma combinação entre mudança legal e transformação social. “O principal marco jurídico foi a edição da Lei nº 13.058/2014, que estabeleceu a guarda compartilhada como regra, independentemente da existência de acordo entre os pais. Antes da vigência dessa lei, a guarda compartilhada era exceção no país e, segundo dados do IBGE, alcançava 14,9% dos casos”. Ainda segundo Nathalia, além do aspecto normativo, houve uma evolução na compreensão da parentalidade. “Observa-se uma maior conscientização sobre a importância da participação ativa de ambos os pais na vida de crianças e adolescentes. Esse movimento reflete uma mudança gradual, que deixa de centralizar o cuidado em um único genitor e passa a valorizar a corresponsabilidade parental”. Guarda compartilhada ou residência alternada Apesar do crescimento da modalidade, ainda há confusão entre guarda compartilhada e residência alternada. A advogada e pesquisadora, Fernanda Las Casas, esclarece que o compartilhamento previsto em lei não diz respeito à moradia. “A guarda compartilhada não é o compartilhamento de residência, mas de responsabilidade. O que a lei determina é que pai e mãe decidam juntos sobre a vida da criança: escola, plano de saúde, atividades, tratamentos médicos, entre outros. A residência alternada não é prevista como regra no Brasil”. Segundo Fernanda, a confusão surgiu logo após a mudança legislativa, quando muitos passaram a associar a guarda compartilhada à divisão igualitária do tempo de moradia. “Alguns acreditam que a criança precisa passar uma semana na casa de um e outra semana na casa do outro, ou que a guarda compartilhada reduz a pensão alimentícia. Nada disso é verdade”, reforça. Outro ponto debatido é a relação harmoniosa entre os pais. Para Nathalia, isso não é necessariamente pedido. “O ordenamento jurídico brasileiro admite sua aplicação mesmo em contextos de conflito, justamente para evitar que desavenças entre os adultos afastem um dos genitores da vida da criança. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou o entendimento de que dificuldades de diálogo não impedem sua fixação”. Maioria mora com as mães Mesmo com o avanço, os dados do IBGE mostram que muitas crianças ainda residem com as mães, que seguem concentrando grande parte dos cuidados cotidianos. Para Fernanda, essa realidade vai além do Direito e reflete comportamentos sociais. “A atribuição quase automática da residência à mãe ainda carrega estereótipos históricos e culturais de gênero, que associam a mulher ao cuidado e o homem à provisão. Temos mães sobrecarregadas, pais que querem paternar e um Judiciário que, muitas vezes, ainda reproduz esse viés histórico”, afirma. Nathalia de Campos acrescenta que a guarda compartilhada exige mais do que previsão legal para se tornar efetiva. “A corresponsabilidade parental depende da convivência real. O genitor que não reside com o filho não pode ser reduzido à figura de um mero visitante, sob pena de a guarda compartilhada permanecer apenas como um instituto formal, sem impacto concreto”. Desafios e perspectivas Apesar dos entraves, as especialistas avaliam que o crescimento da guarda compartilhada representa um avanço importante. “Esse movimento reflete uma mudança significativa na percepção social sobre o papel dos pais. Há um reconhecimento cada vez maior de que pai e mãe são figuras essenciais na criação dos filhos”, afirma Nathalia. “A guarda compartilhada é uma lei necessária e bem aplicada. O próximo passo é analisar com mais cuidado, em casos específicos, outras possibilidades sempre com foco no melhor interesse da criança”, conclui Fernanda.
Verão requer cuidado com as articulações em viagens e treinos

Com o aumento das viagens e da prática de exercícios ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde das articulações. Longos períodos sentado em carros, ônibus e aviões, somados ao retorno intenso às atividades físicas, podem favorecer dores, rigidez e até lesões em joelhos, quadris e ombros. De acordo com o ortopedista Guilherme Morgado Runco permanecer muito tempo imóvel compromete o funcionamento das articulações. “Quando ficamos sentados por horas, a articulação reduz sua lubrificação natural, os músculos ficam mais rígidos e a circulação se torna mais lenta, o que pode gerar dor e inchaço, especialmente em quem já tem desgaste articular”, explica. Para minimizar os desconfortos durante viagens longas, o especialista recomenda pausas e pequenos movimentos ainda no assento. “A cada uma ou duas horas, levantar, alongar e ativar a circulação. Movimentar tornozelos, esticar os joelhos e ajustar a postura aliviam a rigidez e reduzem o incômodo”. A hidratação também é um ponto-chave, segundo Runco. “Ambientes com ar-condicionado e baixa ingestão de líquidos favorecem a rigidez articular e o risco de obter lesões. Manter-se hidratado e proteger o corpo do frio excessivo ajuda a preservar a saúde dos tecidos e melhora a circulação”. Atividades ao ar livre Além das viagens, o verão impulsiona a motivação para correr, pedalar ou praticar treinos funcionais ao ar livre, o que exige cuidados extras. Segundo o ortopedista Roni Serra, o aumento repentino da carga de treino é um dos principais fatores de risco para lesões. “As articulações funcionam como amortecedores do corpo. Sem preparo adequado, microlesões podem se acumular e evoluir para problemas mais graves”, alerta. Ele lembra que joelhos, quadris e ombros estão entre as articulações mais exigidas. “A progressão gradual, o fortalecimento muscular e o uso de calçados adequados são essenciais para proteger os joelhos”. No caso do quadril, o especialista reforça a importância do fortalecimento do core e dos glúteos. “Desequilíbrios musculares e má postura sobrecarregam a articulação e podem gerar dor persistente”. Serra também destaca que os ombros merecem atenção especial em treinos de musculação e esportes aquáticos. “Exercícios de estabilização, fortalecimento do manguito rotador e foco na qualidade do movimento reduzem significativamente o risco de lesões”. A prevenção é o melhor caminho. De acordo com Serra, respeitar os limites do corpo, manter-se ativo de forma consciente e buscar avaliação médica diante de dores persistentes são atitudes que garantem um verão mais saudável e sem interrupções. “Hidratação, descanso adequado e acompanhamento profissional são aliados da saúde articular. Prevenir é sempre a melhor estratégia para manter o corpo ativo e sem dor durante o verão”, conclui.