Dor de treino ou lesão? Saiba identificar os sinais

Na busca por uma vida mais saudável, milhões de brasileiros incorporaram a prática de atividades físicas à rotina. Seja na academia, nas corridas de rua, nas aulas de dança, nas trilhas ou nos esportes coletivos, o exercício regular é reconhecido como um dos pilares da boa saúde física e mental. No entanto, junto com os benefícios, surge uma dúvida recorrente entre praticantes, desde iniciantes até atletas experientes: como diferenciar a dor natural do esforço da dor que indica uma lesão? O médico do esporte e especialista em lesões esportivas, Abaeté Neto, explica que compreender essa diferença é essencial para garantir longevidade na prática esportiva e evitar danos graves. “A Dor Muscular Tardia (DMT) é uma resposta fisiológica ao exercício, um processo natural de fortalecimento. Já a dor de lesão é uma manifestação inflamatória de dano tecidual. Saber reconhecer uma e outra faz toda a diferença entre evoluir com segurança ou interromper o treino por semanas”. De forma geral, a DMT aparece entre 24 e 72 horas após o esforço físico, é difusa e costuma melhorar com o movimento. Ela ocorre devido a microlesões nas fibras musculares, que é um processo esperado, que estimula a regeneração e o ganho de força. Já a dor de lesão é imediata, localizada e tende a piorar com a continuidade da atividade. Segundo Neto, um dos grandes equívocos cometidos por praticantes de exercícios é acreditar na máxima do “sem dor, sem ganho”. “Essa cultura pode ser extremamente prejudicial. A dor é um aviso. Quando há uma fisgada, pontada ou sensação de que algo ‘puxou’, especialmente se vier acompanhada de inchaço, calor ou limitação de movimento, é sinal de que o corpo ultrapassou o limite seguro”. As lesões esportivas estão frequentemente associadas a erros de treinamento. Entre os principais fatores de risco, o médico cita o aumento inadequado de carga ou volume, a falta de tempo de recuperação, o sedentarismo prévio e o desequilíbrio muscular. Além disso, aspectos como sono insuficiente, má alimentação e falta de aquecimento antes da prática também elevam o risco de lesões. “A dor é um alerta que deve ser interpretado dentro do contexto. Se o indivíduo aumenta a intensidade dos treinos sem respeitar o período de adaptação, o corpo responde com dor excessiva e inflamação. É nesse ponto que surgem distensões, tendinites e outros problemas que poderiam ser evitados com um planejamento adequado”, esclarece o especialista. “Prevenir é sempre melhor do que tratar. A dor de esforço é parte do processo de crescimento, mas a dor de lesão é um sinal de que algo deu errado. O autoconhecimento corporal é uma ferramenta poderosa, e o acompanhamento profissional é indispensável para que o exercício continue sendo um aliado da saúde e não uma fonte de problemas”, acrescenta. Ele conclui dizendo que a alta performance sustentável depende do equilíbrio entre estímulo e recuperação. “O cuidado preventivo é um componente essencial do treino, que garante não apenas a longevidade esportiva, mas também a qualidade de vida”.
“Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” junta teatro, música e artes visuais

O público de Belo Horizonte vai poder mergulhar em uma experiência cênica sensorial e poética nos dias 27 e 28 de novembro, às 20h, no Teatro João Ceschiatti (Palácio das Artes), com o espetáculo “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol”. A montagem, idealizada, escrita, dirigida e protagonizada por Cláudia Andrade, une teatro, videoarte, música e artes visuais em uma dramaturgia contemporânea que atravessa temas como o feminino, a maturidade, os contrastes sociais e os dilemas da existência. Segundo Cláudia, a fusão de linguagens nasce de sua formação e trajetória. “Minha linguagem é o audiovisual. Sou formada em rádio, TV e cinema na UnB e trabalhei muitos anos com cinema, publicidade e audiovisual. Quando escrevi o texto, o dramaturgo Maurício Arruda disse que minha escrita pedia o palco. E aí surgiu o desafio: como contar essa história sem ser apenas com as artes cênicas?”, explica. Essa abordagem deu origem a uma narrativa híbrida. “A videoarte complementa a história e também compõe o cenário. Ela é o que o Godard chamava de ‘roubos poéticos’. Não importa de onde você tirou a referência, mas para onde a levou. Transformei minhas influências em algo autêntico”, ressalta Cláudia. Ela cita o filme Koyaanisqatsi como inspiração estética, em uma relação direta com o próprio título do espetáculo. “Vida fora de equilíbrio, vida que pede uma outra maneira de se viver – é sobre isso que a peça fala”. “Trilhas” apresenta o encontro entre duas mulheres com mais de 50 anos, Silvia (Eloisa Cunha) e Gimena, vivida por Cláudia, que se cruzam em uma parada de ônibus e embarcam em uma jornada de reflexões, embates e reconciliações. “Foi um processo orgânico. Eu tinha 54 anos quando escrevi e quis contracenar com mulheres 50+. Essa faixa etária traz uma bagagem única, um olhar mais maduro sobre o corpo e a vida. Não abordo o etarismo diretamente, mas mostro mulheres vividas, que poderiam ter 20 ou 60 anos – o foco é o que as atravessa”, afirma a diretora. Na trama, o feminino é tratado com profundidade e leveza, segundo Cláudia Andrade. “Falar sobre mulher nessa vida maluca é inevitável. A gente tem que fazer três vezes mais para ser reconhecida, lidar com padrões de corpo e de comportamento. Mas o espetáculo vai além do feminismo, ele fala da humanidade que existe em todos nós. Independentemente da conta bancária ou do status, todos têm dores, sonhos e lutas”. Além de Cláudia e Eloisa, o elenco conta com Genice Barego, que interpreta Gaivota, figura agênera e simbólica. A diretora define que a Gaivota é uma personagem atemporal, que representa a consciência, o mistério e a liberdade. “É a mensageira entre o céu e a terra, uma espécie de presença que antecipa e conclui os acontecimentos. Alguns veem nela a morte, outros o inconsciente e está tudo certo, porque é uma dramaturgia aberta”. Acessibilidade No dia 27, haverá sessão com audiodescrição e Libras, reforçando o compromisso do projeto com a acessibilidade e a democratização da arte. A diretora também comenta o caráter inclusivo e formativo do projeto. Além das sessões acessíveis, o grupo realiza rodas de conversa e ações educativas com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Hoje virou questão de humanidade. Já trabalhei com palhaçaria e Libras, e percebi que todos devem viver a arte plenamente. É emocionante ver uma pessoa cega descrever o que sentiu na peça – é de arrepiar”. Mais do que uma montagem teatral, “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” é uma experiência sensorial sobre encontros, transformações e o reconhecimento do outro em si mesmo. “O que mais me orgulha é ouvir do público que o texto é potente e contemporâneo. Cada reação, seja de riso, choro ou silêncio, mostra que o teatro ainda é o espaço onde a gente se encontra para sentir”, conclui Cláudia. Serviço: “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” Datas: 27 e 28 de novembro, às 20hLocal: Teatro João Ceschiatti Palácio das ArtesEndereço: Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro)Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)Vendas: eventim.com.br
Selic elevada adia o crescimento e deixa o crédito mais caro no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. O parecer reflete a postura do Banco Central (BC) de cautela diante de um cenário ainda marcado por inflação resistente, incertezas fiscais e volatilidade internacional. A medida, embora preserve o controle de preços, tem provocado efeitos profundos sobre o crédito, o consumo e o investimento produtivo no país. De acordo com ata do Copom, a autoridade monetária considera que “a manutenção do nível corrente da taxa de juros por um período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”. “A extensão do nível atual de 15% por um período maior deveria produzir uma desaceleração econômica maior, uma convergência mais rápida da inflação e, possivelmente, uma valorização adicional do câmbio”, avalia o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano. “O Banco Central precisa de maior confiança no processo de arrefecimento do mercado de trabalho para começar a cortar a taxa Selic”, acrescenta. Serrano observa que o cenário fiscal é outro entrave. O aumento de gastos do governo e a dívida pública próxima de 80% do PIB reduzem o espaço para cortes de juros, pois aumentam a percepção de risco entre investidores. “A política fiscal é fundamental para garantir juros mais baixos. Uma percepção mais negativa do endividamento do país gera taxas de juros reais mais elevadas ao longo do tempo, o que limita o potencial da queda da taxa Selic”. Para o economista, o início do ciclo de alívio monetário deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2026, projetando uma queda entre 12% e 12,5% ao ano. “Parece difícil o BC reduzir a taxa básica de juros ainda em 2025. Acreditamos que o Copom precisa de maior confiança no processo de desaceleração da inflação e do mercado de trabalho para começar a cortar”. Impactos ao crédito Enquanto isso, os efeitos dos juros altos continuam sendo sentidos na economia real. O CVO da Inteligência Comercial, Luciano Bravo, aponta que o crédito mais caro e restrito tem dificultado o crescimento das empresas, especialmente das médias e pequenas. “Com a Selic em 15%, praticamente todo o capital disponível migra para a renda fixa. Isso gera escassez de crédito para investimento produtivo, já que os ganhos são muito mais atrativos no Tesouro Direto e outros títulos”. Ele explica que diante dessa migração de recursos, o custo do crédito quando o empresário consegue é extremamente alto, entre 18% e 30% ao ano. “Quando a margem média de lucro líquido é de 10%, o empreendedor acaba vendo o seu lucro corroído pelos juros”. Bravo também ressalta o efeito sistêmico da atual política do BC. “A Selic alta causa escassez de investimento, desacelera o crescimento e aumenta a inadimplência e as recuperações judiciais. Há mais de 14 anos, o país perde, em média, mil fábricas por ano. O único culpado por isso é a alta taxa de juros e a escassez de crédito”. No cenário internacional, a Selic em 15% tem dupla consequência. Por um lado, atrai o capital estrangeiro, tornando o Brasil um destino para investidores que buscam retornos elevados. Por outro, essa entrada de recursos é voltada, em grande parte, à dívida pública, e não à produção. “O investimento estrangeiro vem para financiar a dívida do Brasil, não para gerar riqueza produtiva. É um dinheiro que entra, mas não fortalece nossa cadeia produtiva”, afirma Bravo. O especialista defende que, diante da dificuldade de acesso a crédito doméstico, as empresas brasileiras precisam explorar alternativas de financiamento externo. Ele cita a Lei nº 14.286, que regula o investimento direto estrangeiro e pode ser uma porta de saída para empresas que buscam crédito mais barato. “A taxa de juros alta aqui dentro deveria incentivar as empresas a captar lá fora, onde o custo gira em torno de 7% a 8% ao ano. Hoje, apenas 1% das firmas brasileiras têm acesso a crédito internacional, e esse grupo responde por 33% do PIB nacional. É preciso aumentar esse percentual e reduzir a dependência do crédito interno. Enquanto a Selic permanecer alta, o Brasil continuará perdendo indústrias e oportunidades de geração de riqueza”, finaliza.
Postagens ofensivas nas redes sociais podem gerar demissão

As redes sociais se tornaram parte central da vida cotidiana. Nos últimos anos, a Justiça do Trabalho tem analisado cada vez mais casos envolvendo postagens de empregados, além de situações em que empresas exigem participação de funcionários em vídeos e desafios digitais. A pergunta é simples, mas a resposta, não. Até onde vai a liberdade de expressão do trabalhador e onde começa a responsabilidade jurídica? O advogado trabalhista Júlio Baía explica que postagens feitas no tempo livre podem levar à justa causa, desde que haja violação concreta à imagem ou à honra do empregador. “Postagens feitas por um empregado em seu tempo livre podem justificar uma demissão por justa causa, mas apenas em situações específicas e mediante rigorosa análise do contexto e da gravidade da conduta”. Segundo Baía, a Justiça analisa se a postagem se enquadra em hipóteses do artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que trata de mau procedimento, difamação, injúria e condutas que rompem o vínculo de confiança. “A Justiça do Trabalho só valida a dispensa quando ficar caracterizado que a postagem ultrapassou o direito constitucional à liberdade de expressão e atingiu diretamente direitos fundamentais do empregador, colegas ou terceiros”. “Podemos citar um julgamento proferido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região que validou a dispensa por justa causa de empregado que proferiu ofensas e ameaças contra o proprietário da empresa em que trabalhava, por meio de mensagens enviadas via rede social. O funcionário foi dispensado sob fundamento dos incisos de mau procedimento e ato lesivo da honra ou da boa fama contra o empregador do artigo 482 da CLT, após encaminhar via Facebook, mensagens com xingamentos e acusações ao sócio da empresa”, exemplifica. Outro ponto em debate são empresas que obrigam funcionários a gravar vídeos, danças ou campanhas publicitárias para redes sociais corporativas. Para o advogado, exigir exposição pública que foge da função profissional é abuso. “Obrigar funcionários a participar de atividades de entretenimento digital, como dancinhas, vídeos ou campanhas, principalmente em situações vexatórias, pode ser caracterizado como abuso do poder diretivo do empregador”. “Tal conduta pode configurar assédio moral se causar constrangimento, exposição desnecessária ou prejudicar a saúde psicológica dos empregados, sendo passível de indenização por danos morais”, complementa. Direito à imagem A proteção à imagem é prevista na Constituição. De acordo com Baía, usar a imagem do empregado sem autorização gera reparação financeira. “Para o uso da imagem do trabalhador é necessária prévia e expressa autorização. O seu uso indevido acarreta o direito ao recebimento de indenização por danos morais”. Para evitar conflitos, a recomendação do especialista é que as firmas adotem regras claras sobre o uso das redes, inclusive fora do expediente. “É fundamental a empresa ter norma interna acerca do uso de redes sociais, não apenas durante o trabalho, mas também durante os momentos de lazer”. Com a digitalização acelerada, a tendência é que o tema seja ainda mais frequente nos tribunais. Para o advogado, o caminho é a prevenção. “Não se trata de criar proibições, mas de orientar os trabalhadores sobre o bom uso da rede social, evitando risco de situações que podem acarretar a aplicação de penalidades”, finaliza.
Preconceito impede o diagnóstico antecipado do câncer de próstata

O “Novembro Azul” se tornou a principal campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de próstata, o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 71.730 novos diagnósticos devem ser registrados por ano no Brasil. A cada oito minutos, um novo caso é confirmado. E a cada 40 minutos, um homem morre em decorrência da doença. Mesmo diante desses números alarmantes, parte significativa da população masculina ainda evita a prevenção. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que dois terços dos homens não fazem o toque retal e metade nunca realizou o exame de PSA (antígeno prostático específico). “A ausência acontece principalmente devido ao preconceito. Esses dois testes são os que vão mostrar se é necessário fazer uma biópsia de próstata”, alerta o urologista Rodrigo Trivilato. Ele reforça que o tumor evolui de forma silenciosa e costuma não apresentar sintomas. “Quando ocorre dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, vontade frequente de urinar, dor óssea e presença de sangue na urina ou no sêmen, provavelmente, o tumor já está em estágio mais avançado”. A próstata é uma glândula que sofre naturalmente alterações com a idade. Trivilato orienta que homens negros ou com histórico familiar devem começar o acompanhamento aos 45 anos e para os demais, aos 50. “Essas faixas etárias precisam fazer o PSA e o toque prostático. Quanto mais cedo diagnosticado, maior a chance de cura, chegando a 90%”. Além do acompanhamento médico, é importante que os homens adotem hábitos saudáveis. “Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do peso, tem impacto direto na prevenção, inclusive no tratamento e na recuperação dos pacientes”, complementa. O urologista também destaca a importância de campanhas de conscientização, como o “Novembro Azul”. “O mais importante é levar informação correta para o paciente e desmistificar o preconceito ou medo em relação ao exame de toque”. Cirurgia robótica O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, também alerta que a grande barreira ainda é o diagnóstico tardio. “O diagnóstico precoce possibilita o tratamento curativo, muitas vezes com técnicas minimamente invasivas e melhores resultados funcionais, como a cirurgia robótica incorporada em outubro pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”. “Estamos falando de uma tecnologia que oferece resultados mais efetivos aos pacientes e que agora estará disponível a todos. Este cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e à ampliação do acesso a tratamentos de ponta”, acrescenta Pinheiro. Tratamento Pinheiro lembra que o tratamento do câncer de próstata é definido conforme o estágio e a agressividade da doença, bem como o perfil do paciente. Nos casos iniciais, pode-se adotar a vigilância ativa, que consiste em monitorar o tumor sem intervenção imediata, sendo indicada principalmente para neoplasias de baixo risco. Nos tumores localizados, o tratamento curativo envolve cirurgia e/ou radioterapia, enquanto nos casos localmente avançados recomenda-se a combinação de cirurgia ou radioterapia com bloqueio hormonal. Já nas situações de metástase, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal, podendo ser associada à quimioterapia ou novos agentes antiandrogênicos. “O cirurgião oncológico, junto à equipe multidisciplinar, deve individualizar o plano terapêutico, considerando as características do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente”, conclui.
Audiência debate expansão da microgeração solar em Minas

A implantação de usinas voltadas à microgeração e à minigeração de energia solar fotovoltaica, bem como a absorção dessa produção pelas concessionárias e permissionárias de energia elétrica no Estado, foi tema de uma audiência pública conjunta das Comissões de Minas e Energia e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro também abordou a ampliação das microusinas, com até 75 quilowatts (kW) de potência instalada. De acordo com o requerimento, Minas Gerais possui hoje 308.787 unidades geradoras, das quais 307.948 são de micro e minigeração. No Brasil, são 2.816.098 sistemas desse tipo, sendo 99% de origem fotovoltaica. “O Estado é referência nacional em geração distribuída. Isso mostra que o povo mineiro, especialmente quem vive no campo, está comprometido com a transição energética e com a produção de energia limpa e renovável”, destacou a deputada Leninha (PT), autora do Projeto de Lei (PL) 3.159/24. A proposta que tramita na Casa busca garantir protagonismo às cooperativas e associações de agricultores familiares na geração e comercialização de energia solar em Minas. O texto também cria o Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (Funderur), voltado ao financiamento de programas para implantação de usinas de micro e minigeração. Leninha detalhou ainda que o PL prevê a obrigatoriedade de compra, pelas concessionárias, de parte da energia gerada no meio rural. “Estamos propondo que 30% dessa energia seja adquirida dessas associações, considerando os custos e os benefícios sociais e ambientais”. O diretor de Infraestrutura da Emater-MG, Vitório Alves Freitas, sugeriu que o texto priorize a microgeração, para atender de forma mais eficaz os pequenos produtores. Segundo ele, mais agricultores podem ter acesso a essa tecnologia, gerando impactos econômicos positivos nas propriedades. “É possível ampliar o uso de equipamentos elétricos, aumentar a sustentabilidade, distribuir renda e atender mais de um estabelecimento”. Freitas também propôs utilizar recursos da Tarifa Social de Energia Elétrica para financiar a compra de equipamentos necessários às microusinas e garantir o fornecimento para quem já é beneficiário. “Uma usina de 75 kW atende 87 famílias. Seriam necessárias 16.217 usinas operadas por agricultores familiares para suprir toda a demanda. Assim, o produtor teria uma receita média de R$ 2.600,47 por mês. É uma renda que já existe e que beneficia a todos. Se a proposta avançar, a legislação pode impulsionar programas específicos e fortalecer o desenvolvimento sustentável”. O diretor de Operações da Coopersolar, Gilmar Braga, reforçou que, ao gerar sua própria energia, o produtor rural consegue reduzir em até 85% o valor da conta de luz. Ele lembrou que o excedente pode ser vendido à concessionária, gerando retorno financeiro e acelerando o payback do investimento. “Temos uma grande oportunidade de dar segurança jurídica ao setor e garantir ao produtor rural um retorno que ele dificilmente terá em outro tipo de atividade”, observou.
Casa Marina transforma vidas de mulheres em Ribeirão das Neves

Ribeirão das Neves acaba de ganhar um novo espaço dedicado à transformação social e ao empoderamento feminino. Inaugurada pelo Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), a Casa Marina, instalada dentro da Cidade dos Meninos São Vicente de Paulo, nasce com a missão de acolher e capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo cursos profissionalizantes gratuitos e oficinas que estimulam a autonomia e o empreendedorismo. “A Casa Marina nasce como marco do legado do casal Flávio Pentagna Guimarães e de Marina, sua esposa, que construíram uma vida marcada pela solidariedade. Juntos, apoiaram hospitais, escolas, creches e famílias, sempre acreditando que a qualificação profissional é uma chave para transformar vidas. Assim, a Casa Marina é um lugar com esse potencial, com a missão de oferecer capacitação, acolhimento e ferramentas para a autonomia das mulheres”, explica Rosana Aguiar, diretora-executiva do IMFG. O espaço oferece cursos gratuitos de cabeleireiro, corte e costura, manicure e pedicure e cuidador de idosos, com duração de três meses e aulas nos turnos da manhã e da tarde. Além disso, as participantes recebem oficinas de educação financeira, empreendedorismo e inclusão digital, bem como atendimento psicossocial e rodas de conversa sobre saúde e bem-estar. De acordo com Rosana, os primeiros resultados já são visíveis. “A mulher, por natureza, é empreendedora e sabe atuar em várias frentes. A Casa Marina oferece formação em áreas com alta demanda no mercado, abrindo oportunidades tanto para o trabalho formal quanto para o empreendedorismo. As primeiras turmas se formam em dezembro, e as inscrições para as próximas já estão abertas”, afirma. A trajetória de Vanessa de Souza Santos, 42 anos, mãe de dois filhos, mostra o impacto do projeto. “A oportunidade do curso da Casa Marina é para que eu continue trabalhando em casa para cuidar dos meus filhos e, no futuro, ter meu próprio negócio. Com o curso, vou adquirir conhecimento, empoderamento, ganhar uma renda e dar um futuro melhor para as crianças”. Para a diretora-executiva do IMFG, capacitar uma mulher é transformar toda uma comunidade. “Ao fortalecer mulheres em situação de vulnerabilidade com qualificação, rede de apoio e acesso a oportunidades, elas conseguem gerar renda, conquistar autonomia e inspirar mudanças ao redor. A expectativa é ver mais mulheres empregadas ou empreendendo, famílias com maior estabilidade financeira e uma comunidade feminina mais confiante e reconhecida como protagonista do desenvolvimento local”. Essas mudanças também são fruto de parcerias. Segundo Dolores Bertilla, superintendente do Sistema Divina Providência, a união de esforços é essencial. “Quando as instituições estão unidas, ninguém segura. É um trabalho que abrange toda uma comunidade, mobiliza pessoas e causa um impacto imenso. O Instituto é um grande parceiro nosso”. Além de formar para o mercado de trabalho, Rosana afirma que o projeto investe em habilidades de vida. “A educação financeira ajuda na organização do dinheiro e na redução da dependência de outras pessoas. O empreendedorismo incentiva a iniciativa própria e aumenta a confiança em transformar ideias em oportunidades. Quando combinados, esses aprendizados fortalecem a autoestima e a capacidade de enfrentar desafios”. “O trabalho conjunto amplia o impacto do projeto porque soma recursos, conhecimentos e redes de contato. Essa cooperação torna a Casa Marina mais inclusiva e sustentável, garantindo que os benefícios cheguem a mais pessoas e gerem transformação social em maior escala”, conclui. Como se inscrever As inscrições devem ser realizadas presencialmente na Cidade dos Meninos (Rua Seicidio Jorge Ricardo, 250 – Bairro Santa Paula). Os documentos necessários são cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O horário de matrícula é das 7h30 às 11h e 13h às 16h30. Telefone para contato: (31) 3614-9157.
Comércio espera alta de até 40% nas vendas na Black Friday

O comércio mineiro está otimista para a Black Friday deste ano. Segundo a pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), 94,9% das empresas varejistas conhecem a data e 39,2% afirmaram que participarão das ações de vendas, percentual superior ao de 2024 (37,9%). O evento acontece em 28 de novembro. A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, explica que a data vem se consolidando no calendário do varejo nacional. “Ano após ano, observamos um crescimento tanto no número de empresas que conhecem a data quanto naquelas que participam. Isso mostra que o comércio incorporou a data como parte essencial da estratégia de vendas, criando um verdadeiro ‘super trimestre’ entre o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal”. O estudo revela que 63,3% dos empresários calculam um aumento de até 40% nas vendas, enquanto 10,8% acreditam que a alta pode ultrapassar 50%. Para 15% das empresas, os descontos devem superar 50%. “Mesmo com juros altos e famílias endividadas, os empresários esperam que as promoções atraiam o consumidor que está mais cauteloso. O preço é o principal chamariz, e o período é uma oportunidade para girar estoque e fidelizar novos clientes”. Gabriela ressalta que a Black Friday ajuda o comércio a manter o ritmo de consumo em um contexto econômico ainda sensível. “Os lojistas entenderam que o evento não prejudica o Natal, pelo contrário: 22,9% acreditam que há um efeito positivo, pois aproxima o consumidor da loja e estimula novas compras no fim do ano. O estigma de que a data atrapalha as vendas natalinas tem perdido força”. Ela observa que o equilíbrio entre descontos atrativos e planejamento financeiro é o que garante bons resultados. “Descontos agressivos são bem-vindos, mas é preciso cuidado para que as reduções não comprometam a margem do empresário. Quando bem aplicada, a estratégia é benéfica para todos”. Consumidor atento Para a economista Valquíria Assis, o consumidor brasileiro está cada vez mais atento e seletivo nas compras. “A maioria das famílias ainda enfrenta alto nível de endividamento, principalmente com cartão de crédito, o que limita o consumo. Por isso, o cliente pesquisa antes, compara preços e busca credibilidade. Ele quer desconto, mas também segurança de que o produto será entregue e o valor é real”. A Black Friday passou a fazer parte do planejamento financeiro das famílias, destaca Valquíria. “Muitos consumidores se programam o ano inteiro para aproveitar as promoções, inclusive antecipando as compras de Natal. É um momento de grande expectativa e também de aumento no fluxo das lojas”. O levantamento mostra que 70,6% das empresas que não participarão da Black Friday simplesmente optaram por não aderir. Na avaliação de Gabriela, isso reflete a diversidade do comércio mineiro. “Há negócios que preferem não entrar nesse tipo de campanha, seja pela natureza do produto, seja pela estratégia comercial. Ainda assim, o número de participantes vem crescendo e consolidando a data como uma das mais relevantes do varejo”. Final de ano Valquíria lembra que apesar dos desafios econômicos, há fatores que sustentam o otimismo. “O aumento da renda, a queda gradual do desemprego e a expectativa das compras de fim de ano ajudam a impulsionar o consumo. Além disso, a Black Friday antecede o período mais forte do varejo, que é o Natal, quando entram em cena o 13º salário e as comemorações familiares”. Para Gabriela, o desempenho da data será um termômetro para o comportamento do consumidor até o início de 2026. “Quando o varejo vai bem na Black Friday, a tendência é de um Natal aquecido. É uma oportunidade de fortalecer a confiança, girar estoques e consolidar o relacionamento entre lojistas e clientes”, finaliza.
Trabalhadores domésticos ainda aguardam pelo direito ao PIS

O emprego doméstico continua sendo uma das atividades mais marcadas pela desigualdade no Brasil. De acordo com dados do Instituto Doméstica Legal (IDL), atualmente, o país possui 5,7 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais 5,3 milhões (93%) são mulheres e 3,7 milhões (70%) são negras. A categoria, essencial para milhões de famílias brasileiras, ainda enfrenta o peso histórico da discriminação de gênero e do racismo estrutural. Apesar de conquistas importantes, como a PEC das Domésticas (2013) e a Lei Complementar 150 (2015), que garantiram quase todos os direitos previstos na CLT, há um benefício que segue sendo negado. O abono do PIS, pago anualmente a quem recebe até dois salários mínimos. Em entrevista ao Edição do Brasil, o presidente do IDL, Mario Avelino, falou sobre o impacto social da aprovação do benefício. Na sua avaliação, por que o PIS continua sendo negado aos empregados domésticos? Porque o governo, em termos de política de Estado, é quem bloqueia o abono do PIS para as domésticas. E aqui é importante diferenciar política de Estado e política de governo. O PT, por exemplo, sempre se apresentou como o partido dos trabalhadores, mas, quando está no poder, passa a atuar dentro da lógica de Estado. Hoje, quem impede esse direito é o Ministério da Fazenda. Atualmente, há cerca de 1,4 milhão de domésticas com carteira assinada, segundo o IBGE. O salário médio delas é de R$ 1.700, e 99% recebem até dois salários mínimos, o que significa que atenderiam aos critérios para o PIS. Calculamos que cerca de 1 milhão de trabalhadoras preencheriam os requisitos e teriam direito ao abono já no primeiro ano da sanção da lei. O governo federal ainda não se comprometeu com o tema. O que explica essa resistência? O governo argumenta que arrecadaria cerca de R$ 200 milhões e teria de pagar R$ 1,5 bilhão, mas ignora que o PIS é um programa de integração social, voltado a quem mais precisa. O objetivo não é lucro, e sim justiça social. Para corrigir o desequilíbrio, falta vontade de encarar o tema com o mesmo empenho com que se trata interesses políticos. Como equilibrar o direito do trabalhador com a capacidade financeira dos empregadores? Propomos uma contribuição de 0,65%, justamente para não onerar o empregador. Se alguém paga R$ 2 mil de salário, o custo adicional seria de R$ 13 por mês, cerca de R$ 150 por ano. Fizemos uma pesquisa com quase 3 mil empregadores, e 90% disseram apoiar a medida. O empregador doméstico é uma pessoa física, sem fins lucrativos, e não pode ser tributado como uma empresa. Ainda assim, ele entende que sua funcionária, que cuida de seus bens mais preciosos (filhos, pais, casa), merece ter os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador. Portanto, não há impacto significativo. O problema é político e estrutural, não econômico. Além de promover justiça social, você acredita que o PIS também pode contribuir para aumentar a formalização dos vínculos de trabalho doméstico? Sem dúvida. O abono funcionaria como um 14º salário e seria um forte estímulo para que mais trabalhadoras queiram ter a carteira assinada. Com o PIS, elas teriam um benefício real, vinculado ao trabalho, o que traria mais segurança e dignidade. A formalização gera um círculo virtuoso, mais contribuições ao INSS, ao FGTS e menos ações trabalhistas. O governo ganharia com mais arrecadação e menos custos judiciais. É uma política inteligente e sustentável. O trabalho doméstico é composto majoritariamente por mulheres negras e de baixa renda. Qual seria o impacto social e simbólico da aprovação do PIS para essa categoria? Todos os impactos seriam positivos. Primeiro, daria dignidade e respeito a milhões de mulheres que são chefes de família e provedoras do lar. A carteira assinada não é apenas um documento, é um símbolo de reconhecimento e cidadania. Além disso, ajudaria a quebrar uma cultura escravagista que ainda persiste no país. Essas trabalhadoras cuidam das casas, dos filhos e dos idosos. Mesmo assim, seguem sendo tratadas com desigualdade. Garantir o PIS é uma forma concreta de reparação histórica.
Entenda como funcionam os testes antidopagem

Às vésperas da partida entre Flamengo e Palmeiras, válida pelo Campeonato Brasileiro, agentes da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) visitaram os Centros de Treinamento das duas equipes para a realização de testes de controle antidopagem. O Flamengo manifestou desconforto com a ação. O caso gerou repercussão e levantou dúvidas sobre como esses procedimentos funcionam e quais são os direitos das partes envolvidas. Para o ex-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), João Antonio de Albuquerque e Souza, o controle antidopagem é indispensável para a credibilidade do esporte. “A Agência Mundial Antidopagem (WADA) possui um padrão internacional para testes e investigações que precisa ser rigorosamente cumprido. Trata-se de um protocolo que define desde como tratar as informações até a postura dos oficiais de controle de dopagem e das escoltas durante a realização dos testes”. A coleta de amostras, seja em competições ou em treinos, segue diretrizes rígidas. Segundo o especialista, a realização de testes fora de competição é fundamental para evitar fraudes e manter a lisura dos resultados. “Se o atleta souber que só será testado durante as competições, ele pode criar esquemas de dopagem em períodos específicos sem ser descoberto. Por isso, esses testes precisam ser surpresa. Não faria sentido agendá-los com antecedência”, pontua. Mesmo sendo desconfortável, Souza destaca que o procedimento é necessário. “O teste de urina, por exemplo, exige que o agente visualize a uretra e a urina saindo do corpo do atleta. É um processo constrangedor, mas faz parte de um controle sério e técnico. Sempre foi assim”. Ele lembra também que o número de testes é limitado por questões orçamentárias, o que obriga a ABCD a definir prioridades com base em critérios técnicos. “Não é possível testar todos os atletas, modalidades e gêneros. Por isso, as missões de testagem precisam ser bem fundamentadas e planejadas”. Direitos e deveres Durante uma ação de controle, Souza explica que os atletas possuem direitos garantidos. “Eles podem ter uma testemunha de confiança acompanhando todo o processo, desde o questionário até a transferência da urina para os frascos A e B. Também podem registrar observações sobre a conduta dos oficiais e relatar qualquer irregularidade no formulário”. “Mas há também deveres a cumprir. O atleta não pode se recusar a ser testado, sob pena de violar regras de recusa, evasão ou fraude. Já os clubes têm a obrigação de garantir o livre acesso dos agentes da ABCD às suas instalações. No caso de obstrução ou impedimento das equipes de coleta, tanto atletas quanto dirigentes e funcionários podem ser responsabilizados e até punidos disciplinarmente”, completa. Casos anteriores A nota divulgada pelo Flamengo não é um fato isolado. “Reclamações como essa já aconteceram em outras ocasiões. É natural que os clubes sintam que a rotina de treinos foi prejudicada, mas esse é o ônus do esporte de alto rendimento. Garantir a igualdade e a limpeza das competições é mais importante”, afirma Souza. O trabalho de inteligência da ABCD realiza testes com base em denúncias e informações de bastidores, reforça o ex-presidente do TJD-AD. “Existe um serviço de inteligência que recebe denúncias, muitas vezes anônimas. Os testes são feitos a partir dessas informações. Não sei se foi o caso específico do Flamengo, mas isso acontece com frequência”. Na avaliação de Souza, a melhor forma de evitar atritos é a capacitação dos clubes e seus funcionários. “Dirigentes, técnicos e seguranças precisam saber como lidar com a chegada das equipes de dopagem. O desconhecimento pode gerar conflitos desnecessários e até sanções. É fundamental que todos entendam o papel da fiscalização e colaborem com transparência”. “Essas ações não devem ser vistas como perseguição, mas como garantia de um esporte limpo, igual e justo. Todos têm responsabilidade nesse processo”, conclui.