Ano eleitoral pode afetar o cenário econômico e trazer incertezas

Com a aproximação das eleições presidenciais, a economia brasileira entra em um período tradicionalmente marcado por incertezas, volatilidade nos mercados e cautela por parte de investidores e consumidores. As projeções mais recentes do Boletim Focus, do Banco Central, indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8%, inflação próxima de 4%, taxa Selic em torno de 12,25% ao final do ano e dólar na faixa de R$ 5,50. Esse contexto reforça a percepção de um ano desafiador, com impacto no bolso da população e nas decisões de política econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a expectativa de crescimento mais fraco reflete tanto fatores estruturais quanto conjunturais. “A projeção de avanço reduzido do PIB em 2026 decorre, em parte, da condução da política monetária, com a Selic mantida em patamar elevado, e também das incertezas típicas de um ano eleitoral, quando os investimentos tendem a ser congelados”. Na mesma linha, o economista Noé Santiago avalia que o consumo das famílias deve sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para impulsionar a economia. “O consumo tende a ser o principal vetor, apoiado por um mercado de trabalho ainda resiliente, enquanto o investimento produtivo segue enfraquecido, pressionado por juros altos, incerteza fiscal e baixo horizonte de previsibilidade”. Inflação Apesar da desaceleração inflacionária observada nos últimos anos, a expectativa de IPCA em torno de 4% mantém o Banco Central em posição cautelosa. Segundo Pereira, despesas como impostos, aluguéis, transporte e combustíveis devem continuar pressionando o custo de vida. “A nova alíquota fixa de ICMS sobre combustíveis tende a impactar toda a cadeia de transportes, elevando preços e comprometendo o orçamento das famílias”. “Para mitigar esses efeitos, é fundamental que a taxa Selic volte a apresentar uma trajetória de queda. Um ciclo consistente de cortes aliviaria as despesas financeiras de famílias e empresas. Outra alternativa seria o adiamento do reajuste de preços administrados. A Petrobras poderia adotar políticas que suavizem a volatilidade do petróleo, reduzindo o impacto das flutuações internacionais e minimizando os efeitos para o consumidor final”, complementa. Santiago acrescenta que a inflação mais resistente decorre de fatores estruturais. “A elevada indexação da economia, as pressões fiscais e o câmbio depreciado mantêm a inflação acima do centro da meta, o que exige uma postura firme do Banco Central para ancorar expectativas, especialmente em ano eleitoral”. O ambiente político também influencia a trajetória dos juros. Pereira avalia que o cenário eleitoral pode atrasar a flexibilização monetária. “Anos de eleição elevam a volatilidade e reforçam políticas fiscais expansionistas, o que pode postergar ajustes mais profundos para depois do pleito e afetar as decisões do Banco Central”. O principal risco macroeconômico segue sendo o fiscal, conforme avalia Santiago “Com a dívida em nível elevado, qualquer sinal de perda de credibilidade pode pressionar juros, câmbio e reduzir o crescimento, formando um ciclo negativo para a economia”, alerta. Câmbio Com o dólar projetado em torno de R$ 5,50, alguns segmentos tendem a se beneficiar. “Exportações agrícolas, turismo e setores mais competitivos ganham com o câmbio depreciado, enquanto indústrias dependentes de insumos importados enfrentam aumento de custos”, observa Pereira. Já Santiago ressalta que o cenário reforça estratégias de proteção financeira. “O dólar passa a desempenhar um papel central na proteção patrimonial, o que explica o crescimento da busca por diversificação pela dolarização parcial dos investimentos”, finaliza.
Novas regras da aposentadoria exigem planejamento

Desde a entrada em vigor da reforma da Previdência, em novembro de 2019, as regras para aposentadoria no Brasil passaram por mudanças profundas. A extinção da aposentadoria apenas por tempo de contribuição, a adoção da idade mínima obrigatória e a criação de diferentes regras de transição tornaram o processo mais complexo e cercado de dúvidas para milhões de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em um cenário de envelhecimento da população e pressão sobre as contas públicas, especialistas apontam que entender as novas exigências e planejar o momento de requerer o benefício pode fazer uma diferença significativa no valor final da aposentadoria. Para analisar os impactos dessas mudanças e orientar os trabalhadores, o Edição do Brasil conversou com o advogado previdenciário Carlos Brandão. Passados mais de seis anos da reforma, as novas regras conseguiram tornar o sistema mais sustentável sem comprometer direitos? O objetivo central da reforma da Previdência de 2019 foi reduzir o ritmo de crescimento do déficit previdenciário, e isso de fato foi alcançado. No entanto, esse resultado veio acompanhado de um grave comprometimento de direitos de parte dos segurados, especialmente daqueles em situações mais sensíveis. A idade mínima obrigatória representa um avanço ou penaliza quem começou a trabalhar cedo? A idade mínima foi um aperfeiçoamento necessário. A antiga aposentadoria apenas por tempo de contribuição permitia que pessoas se aposentassem muito jovens, sem que houvesse um risco social consumado, como doença ou idade avançada. Isso tornava o sistema insustentável. Por outro lado, a reforma exagerou em alguns pontos, como na aposentadoria especial, ao exigir idade mínima de 60 anos para trabalhadores expostos a agentes nocivos, o que pode gerar sofrimento e adoecimento. Quais regras de transição são mais vantajosas em 2026? Para a maioria dos trabalhadores mais humildes, a regra de transição da aposentadoria por idade é a mais acessível, pois exige apenas idade mínima e 15 anos de contribuição. Já em termos de valor de benefício, a regra do pedágio de 100% costuma ser a mais vantajosa, pois permite alcançar 100% da média salarial, desde que cumpridos os requisitos. Ainda assim, cada caso deve ser analisado individualmente. O aumento progressivo de idade e pontuação cria uma “corrida contra o tempo”? Essa sensação existe, mas é importante lembrar que, a cada ano trabalhado, o segurado também acumula pontos. Além disso, é possível buscar estratégias para aumentar o tempo de contribuição, como reconhecer períodos especiais, tempo rural ou indenizar contribuições em atraso. Uma análise técnica pode fazer grande diferença. As mudanças no cálculo do benefício podem levar ao empobrecimento na velhice? Para quem tem pouco tempo de contribuição e salários mais altos, sim, há esse risco. Hoje, mulheres só atingem 100% da média com 35 anos de contribuição e homens com 40. No entanto, dois terços dos benefícios pagos pelo INSS continuam sendo de um salário mínimo. Além disso, o que mais compromete a renda do aposentado em longo prazo é a correção dos benefícios apenas pelo INPC, que nem sempre preserva o poder de compra. O planejamento previdenciário se tornou indispensável? Sem dúvida. O erro mais comum é pedir a aposentadoria assim que o direito é adquirido, sem avaliar se vale a pena esperar mais um pouco para receber um valor maior. A aposentadoria não pode ser desfeita depois de concedida, e as possibilidades de revisão são limitadas. Por isso, o planejamento individualizado é essencial.
Exercícios fáceis ajudam na recuperação da disposição

Com a chegada de 2026, muita gente tenta retomar a rotina e recuperar a disposição depois dos excessos das festas de fim de ano. No entanto, a falta de tempo e a dificuldade de voltar ao ritmo costumam ser obstáculos para quem deseja se exercitar com regularidade. Para ajudar nesse recomeço, o professor de Educação Física, Henrique Santos, destaca que é possível manter o corpo ativo com exercícios simples, feitos em casa e sem a necessidade de equipamentos. De acordo com Santos, movimentos básicos podem trazer bons resultados quando executados corretamente. “O mais importante, especialmente para quem está retomando a atividade física, é priorizar a qualidade do movimento. Não adianta fazer rápido ou em grande quantidade se a postura não estiver adequada”. Entre os exercícios indicados está o agachamento com peso corporal, considerado um dos mais completos para o fortalecimento de pernas e glúteos. Santos explica que manter os pés alinhados à largura dos ombros, as costas retas e o abdômen contraído é essencial para evitar sobrecarga. “A execução adequada previne lesões no joelho e na lombar. Realizar o agachamento de forma controlada garante benefícios sem riscos de desconforto”, orienta. Outro movimento bastante acessível é a flexão de braços, que trabalha a parte superior do corpo, especialmente peito e ombros. Segundo o especialista, o erro mais comum é perder o alinhamento do tronco durante a execução. “Muitas vezes, as pessoas deixam o quadril cair ou subir demais, o que pode gerar sobrecarga na coluna. Manter o corpo alinhado do início ao fim do movimento é essencial”. A prancha também aparece como uma opção eficiente para fortalecer o core, região central do corpo. “Ela é excelente para estabilização, mas, se o quadril começar a cair, o exercício deixa de ser seguro. Esse é o momento de interromper, corrigir a postura e só então continuar”, alerta Santos. Para trabalhar os glúteos e a região lombar, a elevação de quadril é outra alternativa indicada. O profissional reforça que o controle do movimento faz toda a diferença. “Levantar os quadris sem forçar a lombar permite ativar corretamente os glúteos e reduz o risco de lesões na parte inferior da coluna”, afirma. Além dos exercícios de força, o alongamento de corpo inteiro é fundamental, especialmente após períodos de inatividade. Santos recomenda movimentos suaves e sem pressa. “O alongamento deve respeitar os limites do corpo. Forçar além do necessário pode causar distensões musculares. O ideal é um movimento controlado, que ajude a relaxar os músculos e melhorar a flexibilidade”. Por fim, o profissional reforça que, mesmo em casa, a prática de exercícios exige cuidados básicos para evitar lesões. Aquecer antes de iniciar, manter a postura correta, respeitar os próprios limites e interromper a atividade ao sentir dor são medidas essenciais. “Quando falamos de exercício físico, a forma correta é sempre mais importante do que a quantidade. A paciência e a constância são os maiores aliados para alcançar resultados de forma segura e duradoura”, conclui.
Palácio das Artes inicia o ano com esculturas de Ricardo Carvão Levy

A programação de 2026 do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, começa com uma exposição que reúne memória, trajetória e permanente reinvenção. A mostra “Forma, Espaço e Matéria!”, do escultor Ricardo Carvão Levy, ocupa diferentes áreas do complexo cultural até o dia 1º de fevereiro, com entrada gratuita, e integra as comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes. O retorno do artista ao espaço é carregado de simbolismo. Foi ali que ele realizou momentos decisivos de sua carreira, como a primeira exposição individual, em 1979, e a ocupação pioneira dos jardins internos, em 1998. “É com profunda alegria e emoção que recebo este convite, que carrega um significado muito especial para mim. Esses espaços seguem sendo parte viva da minha história e da minha formação como artista”. O título da exposição traduz uma pesquisa construída ao longo de décadas. Para Carvão Levy, forma, espaço e matéria são inseparáveis e dialogam de maneira orgânica. “Penso a escultura como uma composição musical, em que as formas ocupam o lugar dos sons. O espaço atua como intervalo ou pausa, essencial para que a obra respire. A harmonia surge do equilíbrio entre forma, espaço e matéria, mas permanece sempre aberta ao imprevisto, ao improviso e à quebra de regras”. A mostra se espalha por quatro espaços do Palácio das Artes, incluindo a Galeria Aberta Amilcar de Castro, jardins internos, o Passeio Niemeyer e o Café do Palácio. A proposta é ampliar o contato da arte com o público, inclusive aquele que não entrou no local com a intenção de visitar uma exposição. “Quando a escultura ocupa jardins, áreas abertas ou lugares de passagem, deixa de ser destino e vira encontro. Elas não estão ali para serem isoladas, mas para conviver com a arquitetura, com o ritmo urbano e com a vida cotidiana”, revela Ricardo. Um dos destaques é a instalação “O Último Suspiro da Mata”, composta por esculturas feitas com materiais descartados, aço oxidado e argila expandida. O escultor explica que a obra dialoga diretamente com questões ambientais e com a memória da matéria. “Reaproveitar não é apenas uma questão de sustentabilidade, é um gesto de cuidado, de escuta e de responsabilidade”. Ele relembra ainda o incentivo do também escultor Frans Krajcberg. “Ouvir dele que ali estava ‘a arte do futuro’ me marcou profundamente”. Sobre o artista Nascido em Belém do Pará e radicado em Minas Gerais há mais de seis décadas, Ricardo Carvão Levy reúne influências da paisagem amazônica, das culturas pré-colombianas e da tradição mineira do ferro e da geometria. “Essas referências não se contradizem, elas se somam. Eu me vejo como um artista meio caleidoscópio”, define. Fiel à ideia de que “não cristalizar é uma norma”, o escultor segue assumindo riscos criativos. “Criar sempre foi um jeito de quebrar limites, inclusive os meus próprios. O que ainda me desafia é não cair na repetição. Variar materiais, técnicas e escalas é uma forma de permanecer em movimento e de manter a arte viva no diálogo com o espaço, a matéria e as pessoas”, finaliza. Serviço: Mostra “Forma, Espaço e Matéria!”Quando: até 1º de fevereiroHorário: terça à sábado de 9h30 às 21h, e aos domingos de 17h às 21hLocal: Palácio das ArtesAvenida Afonso Pena, 1.537 – Centro Entrada gratuita
Janeiro é o mês das despesas e testa o bolso do consumidor

Com a virada do ano, muitas famílias enfrentam um velho desafio: a concentração de despesas em janeiro e fevereiro, que inclui tributos e compromissos previsíveis, mas que, sem preparo, transformam o orçamento em fonte de estresse. Em Minas Gerais, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 terá início de pagamento em 9 de fevereiro, com possibilidade de antecipação a partir de 2 de janeiro e desconto na cota única. No caso do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Belo Horizonte, a primeira cota vence em 30 de janeiro, com opção de guia com desconto de 7% até esta data. O contribuinte também pode pagar o imposto em até 11 prestações mensais e consecutivas, com vencimento até o dia 15 de cada mês, seguindo até dezembro. Para o consultor de finanças e carreira, Robson Profeta, o problema não é o gasto em si, mas a ordem das decisões. “Essas contas não aparecem de repente. Elas têm data, valor aproximado e já fazem parte da rotina das famílias. Quando não há planejamento, compromissos como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar se acumulam e geram necessidade de crédito caro como cartão de crédito ou cheque especial”. “Quando as pessoas priorizam consumo e deixam obrigações previsíveis para depois, acabam pagando juros para resolver algo que poderia ter sido planejado com antecedência. Gerenciar bem as finanças pessoais não exige soluções complexas, mas sim previsibilidade e disciplina”, acrescenta. Dicas do especialista Antecipar despesas fixas: usar parte do 13º salário para reservar recursos para IPVA, IPTU e matrículas ainda no final do ano anterior. “A quantia deveria funcionar como um amortecedor financeiro para as despesas que já estavam no horizonte”, pontua. Evitar créditos caros: sempre que possível, evitar o uso de crédito rotativo ou parcelamento de fatura, que têm juros entre os mais altos do mercado, comprometendo o orçamento ao longo dos meses seguintes. Organizar o fluxo de caixa: registrar entradas e saídas e projetar os próximos meses para visualizar compromissos e ajustar metas. Pagamento à vista: quando existe uma reserva financeira, quitar antecipadamente pode trazer alívio e evitar custos adicionais com juros. “Mas se comprometer reservas de emergência ou afetar o equilíbrio financeiro dos meses seguintes, pode ser melhor optar por parcelamentos com taxas menores”. Acompanhamento contínuo Para não repetir o ciclo de apertos no próximo janeiro, o consultor enfatiza a importância do acompanhamento contínuo ao longo do ano. Registrar despesas, revisar metas e construir reservas gradualmente ajuda a lidar com imprevistos e evita escolhas impulsivas. “Quando a pessoa entende o calendário financeiro do próprio ano, deixa de ser refém das contas e passa a ter controle”, finaliza. Chegar organizado a 2027 exigirá olhar para além do primeiro mês do ano. Isso porque a educação financeira deve ser incorporada como hábito, com foco em disciplina e regras claras para uso de recursos extraordinários como o 13º salário, assim como atenção às datas de vencimento de tributos e serviços.
Guarda compartilhada se torna maioria nas decisões judiciais

Pela primeira vez, a guarda compartilhada de filhos menores superou a guarda concedida exclusivamente à mãe nos casos de divórcio no Brasil. A informação faz parte da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, em 44,6% dos casos de divórcio envolvendo casais com filhos menores de idade, a guarda foi compartilhada entre mãe e pai, contra 42,6% de casos em que a guarda ficou apenas com a mãe. A guarda exclusiva ao pai representou apenas 2,8%, e em outros casos foi concedida a terceiros ou não foi especificada. De acordo com a advogada especialista em Direito de Família, Nathalia de Campos, o crescimento da guarda compartilhada é resultado de uma combinação entre mudança legal e transformação social. “O principal marco jurídico foi a edição da Lei nº 13.058/2014, que estabeleceu a guarda compartilhada como regra, independentemente da existência de acordo entre os pais. Antes da vigência dessa lei, a guarda compartilhada era exceção no país e, segundo dados do IBGE, alcançava 14,9% dos casos”. Ainda segundo Nathalia, além do aspecto normativo, houve uma evolução na compreensão da parentalidade. “Observa-se uma maior conscientização sobre a importância da participação ativa de ambos os pais na vida de crianças e adolescentes. Esse movimento reflete uma mudança gradual, que deixa de centralizar o cuidado em um único genitor e passa a valorizar a corresponsabilidade parental”. Guarda compartilhada ou residência alternada Apesar do crescimento da modalidade, ainda há confusão entre guarda compartilhada e residência alternada. A advogada e pesquisadora, Fernanda Las Casas, esclarece que o compartilhamento previsto em lei não diz respeito à moradia. “A guarda compartilhada não é o compartilhamento de residência, mas de responsabilidade. O que a lei determina é que pai e mãe decidam juntos sobre a vida da criança: escola, plano de saúde, atividades, tratamentos médicos, entre outros. A residência alternada não é prevista como regra no Brasil”. Segundo Fernanda, a confusão surgiu logo após a mudança legislativa, quando muitos passaram a associar a guarda compartilhada à divisão igualitária do tempo de moradia. “Alguns acreditam que a criança precisa passar uma semana na casa de um e outra semana na casa do outro, ou que a guarda compartilhada reduz a pensão alimentícia. Nada disso é verdade”, reforça. Outro ponto debatido é a relação harmoniosa entre os pais. Para Nathalia, isso não é necessariamente pedido. “O ordenamento jurídico brasileiro admite sua aplicação mesmo em contextos de conflito, justamente para evitar que desavenças entre os adultos afastem um dos genitores da vida da criança. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou o entendimento de que dificuldades de diálogo não impedem sua fixação”. Maioria mora com as mães Mesmo com o avanço, os dados do IBGE mostram que muitas crianças ainda residem com as mães, que seguem concentrando grande parte dos cuidados cotidianos. Para Fernanda, essa realidade vai além do Direito e reflete comportamentos sociais. “A atribuição quase automática da residência à mãe ainda carrega estereótipos históricos e culturais de gênero, que associam a mulher ao cuidado e o homem à provisão. Temos mães sobrecarregadas, pais que querem paternar e um Judiciário que, muitas vezes, ainda reproduz esse viés histórico”, afirma. Nathalia de Campos acrescenta que a guarda compartilhada exige mais do que previsão legal para se tornar efetiva. “A corresponsabilidade parental depende da convivência real. O genitor que não reside com o filho não pode ser reduzido à figura de um mero visitante, sob pena de a guarda compartilhada permanecer apenas como um instituto formal, sem impacto concreto”. Desafios e perspectivas Apesar dos entraves, as especialistas avaliam que o crescimento da guarda compartilhada representa um avanço importante. “Esse movimento reflete uma mudança significativa na percepção social sobre o papel dos pais. Há um reconhecimento cada vez maior de que pai e mãe são figuras essenciais na criação dos filhos”, afirma Nathalia. “A guarda compartilhada é uma lei necessária e bem aplicada. O próximo passo é analisar com mais cuidado, em casos específicos, outras possibilidades sempre com foco no melhor interesse da criança”, conclui Fernanda.
Verão requer cuidado com as articulações em viagens e treinos

Com o aumento das viagens e da prática de exercícios ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde das articulações. Longos períodos sentado em carros, ônibus e aviões, somados ao retorno intenso às atividades físicas, podem favorecer dores, rigidez e até lesões em joelhos, quadris e ombros. De acordo com o ortopedista Guilherme Morgado Runco permanecer muito tempo imóvel compromete o funcionamento das articulações. “Quando ficamos sentados por horas, a articulação reduz sua lubrificação natural, os músculos ficam mais rígidos e a circulação se torna mais lenta, o que pode gerar dor e inchaço, especialmente em quem já tem desgaste articular”, explica. Para minimizar os desconfortos durante viagens longas, o especialista recomenda pausas e pequenos movimentos ainda no assento. “A cada uma ou duas horas, levantar, alongar e ativar a circulação. Movimentar tornozelos, esticar os joelhos e ajustar a postura aliviam a rigidez e reduzem o incômodo”. A hidratação também é um ponto-chave, segundo Runco. “Ambientes com ar-condicionado e baixa ingestão de líquidos favorecem a rigidez articular e o risco de obter lesões. Manter-se hidratado e proteger o corpo do frio excessivo ajuda a preservar a saúde dos tecidos e melhora a circulação”. Atividades ao ar livre Além das viagens, o verão impulsiona a motivação para correr, pedalar ou praticar treinos funcionais ao ar livre, o que exige cuidados extras. Segundo o ortopedista Roni Serra, o aumento repentino da carga de treino é um dos principais fatores de risco para lesões. “As articulações funcionam como amortecedores do corpo. Sem preparo adequado, microlesões podem se acumular e evoluir para problemas mais graves”, alerta. Ele lembra que joelhos, quadris e ombros estão entre as articulações mais exigidas. “A progressão gradual, o fortalecimento muscular e o uso de calçados adequados são essenciais para proteger os joelhos”. No caso do quadril, o especialista reforça a importância do fortalecimento do core e dos glúteos. “Desequilíbrios musculares e má postura sobrecarregam a articulação e podem gerar dor persistente”. Serra também destaca que os ombros merecem atenção especial em treinos de musculação e esportes aquáticos. “Exercícios de estabilização, fortalecimento do manguito rotador e foco na qualidade do movimento reduzem significativamente o risco de lesões”. A prevenção é o melhor caminho. De acordo com Serra, respeitar os limites do corpo, manter-se ativo de forma consciente e buscar avaliação médica diante de dores persistentes são atitudes que garantem um verão mais saudável e sem interrupções. “Hidratação, descanso adequado e acompanhamento profissional são aliados da saúde articular. Prevenir é sempre a melhor estratégia para manter o corpo ativo e sem dor durante o verão”, conclui.
Políticas públicas voltadas ao Carnaval é pauta na Assembleia

As políticas públicas voltadas ao Carnaval em Minas Gerais estiveram no centro do debate em audiência da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (ALMG). O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, blocos de rua, escolas de samba, trabalhadores ambulantes, catadores e conselheiros de cultura, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Projeto de Lei (PL) nº 3.587/2025, que institui a Lei Estadual de Incentivo ao Carnaval. A autora da proposição, deputada Bella Gonçalves (PSOL), ressaltou que o Carnaval precisa ser reconhecido como política cultural permanente. “A folia não acontece apenas em fevereiro. Ela mobiliza artistas, trabalhadores e comunidades durante todo o ano e precisa de financiamento público estruturado”. Segundo a parlamentar, a audiência busca corrigir distorções históricas no apoio à maior manifestação cultural popular do Estado. Representando a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, a superintendente Maria Luiza Reis Jardim destacou o aumento expressivo por recursos. “Somente nos últimos meses, recebemos centenas de projetos ligados ao Carnaval. Estamos nos organizando para dar vazão a essa demanda, dentro das regras da Lei Estadual de Incentivo à Cultura”. Ela reconheceu, porém, que ainda não há editais específicos do Fundo Estadual de Cultura voltados exclusivamente para o Carnaval. Entre as principais críticas apresentadas está a concentração de recursos públicos em projetos de infraestrutura, como as chamadas vias sonorizadas. Para o conselheiro estadual de Política Cultural, Leandro César, o modelo atual não atende às reais necessidades dos fazedores de cultura. “Não existe planejamento efetivo para o Carnaval. O dinheiro não chega aos blocos, às escolas de samba e aos trabalhadores que sustentam a festa”. As vereadoras de Belo Horizonte Iza Lourença e Juhlia Santos, ambas do PSOL, reforçaram a importância de tratar o Carnaval como expressão cultural, direito à cidade e política pública. “Não podemos ter um Carnaval que beneficie poucos, enquanto a maioria enfrenta precarização”, disse Iza. Juhlia, que também é carnavalesca, lembrou que a retomada da festa foi fruto de mobilização popular. “Fizemos Carnaval por anos sem fomento. Esse modelo chegou ao limite”. A audiência também deu espaço às demandas dos trabalhadores. O presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Belo Horizonte, Adailson Severo, denunciou a falta de reconhecimento da categoria. “Nós somos lembrados apenas na festa, mas ignorados no resto do ano. Queremos melhores condições de trabalho, o fim de monopólios e políticas de cuidado para filhos de trabalhadores durante o período carnavalesco”. Os representantes dos blocos de rua e da cultura afro-periférica chamaram atenção para a desigualdade no acesso aos recursos. “Não adianta dizer que o recurso existe se o acesso não é democrático. Quem faz o Carnaval precisa ser valorizado”, lembrou o integrante do Bloco Afro Periférico e Samba, Gabriel Ricardo de Moura. PL 3.587/2025 A proposta reconhece oficialmente o Carnaval como um conjunto de manifestações artístico-culturais populares e democráticas de Minas Gerais e estabelece diretrizes para uma política pública permanente. O texto prevê apoio do poder público ao longo de todo o ano, com participação social no planejamento, respeito à diversidade cultural, às tradições populares e às culturas afro-brasileiras. Entre os pontos centrais estão a garantia do uso livre do espaço público, a autonomia dos blocos e escolas, a valorização de ambulantes e catadores de recicláveis, a sustentabilidade ambiental e a transparência no financiamento. O projeto autoriza a concessão de auxílio financeiro com recursos do orçamento público e de parcerias privadas, vedando a exclusividade comercial em espaços públicos e a comercialização de áreas restritas. Também propõe a descentralização dos recursos e o fortalecimento do Carnaval nos municípios do interior. As contribuições apresentadas durante a audiência devem subsidiar ajustes no texto antes da tramitação final. A expectativa dos participantes é que a nova lei ajude a consolidar o Carnaval como política cultural estruturante, democrática e sustentável no Estado.
11ª edição do Natal da Favelinha chega com magia, afeto e tradição

A magia do Natal ficará ainda mais colorida no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, no dia 20 de dezembro. Das 10h às 14h, o Centro Cultural Lá da Favelinha promove a 11ª edição do Natal da Favelinha, uma celebração que já se tornou tradição e referência comunitária. A festa contará com distribuição de brinquedos, lanche coletivo, atrações artísticas e brinquedos ao ar livre, tudo oferecido de forma gratuita. Para que a iniciativa seja possível, o projeto realiza uma campanha de arrecadação de alimentos, brinquedos e apoio voluntário. O evento nasceu como uma ação comunitária de fim de ano, mas, ao longo de onze edições, se firmou como um momento de fortalecimento coletivo, afeto e pertencimento. Para Kdu dos Anjos, idealizador do projeto, o que mais o emociona é perceber a força da favela para criar e sonhar. “O que mais me emociona é ver que, mesmo com todas as dificuldades, a favela nunca perde a capacidade de sonhar junta. Onze anos depois, ainda me toca olhar para as crianças e perceber que elas acreditam na magia porque nós a construímos coletivamente. Assim, fortalecemos o sentimento de pertencimento e mostramos que a periferia merece celebrar em grande estilo”. Para que a festa aconteça, o projeto depende diretamente de contribuições. Doações físicas de brinquedos, doces e alimentos podem ser entregues no Centro Cultural, localizado na rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191 – São Lucas. Também é possível contribuir via Pix pelo CNPJ da instituição (34.863.832/0001-53), além de se voluntariar no dia do evento ou oferecer atividades. Os interessados devem entrar em contato pelo Instagram @ladafavelinha. Segundo Kdu, a mobilização reflete o espírito do projeto. “Nós dependemos de doações e de gente disposta a ajudar. Quem quiser contribuir pode doar, divulgar, aparecer para somar. Cada gesto vira parte desse grande movimento que mantém o Natal vivo”. Além da distribuição de presentes, o evento contará com futebol de sabão, pula-pula e apresentações artísticas que envolvem crianças, jovens e artistas da comunidade. Para o idealizador, é essa troca que sustenta a celebração. “Quando a gente distribui brinquedo, sentamos para comer juntos e artistas da quebrada sobem ao palco, tudo isso sustenta a magia. Mas o momento mais forte é sempre ver a alegria estampada no rosto das crianças”. Ações diversificadas O Natal da Favelinha é uma das ações do Centro Cultural Lá da Favelinha, fundado em 2015 e reconhecido pelo seu trabalho com educação, cultura e desenvolvimento. O espaço oferece oficinas gratuitas, eventos, articula parcerias e mantém a marca de moda sustentável “Remexe”. Para Kdu, a festa de dezembro é reflexo direto do que o projeto constrói diariamente. “Nós acreditamos nas pessoas. Se durante o ano oferecemos arte, educação e oportunidades, no Natal celebramos esses encontros. É um jeito de reforçar que a favela cria, se organiza e transforma realidades”. Com expectativa de grande participação de famílias e crianças, ele resume que essa edição deste ano pretende oferecer não apenas diversão, mas também memória afetiva. “Quero proporcionar um dia leve, bonito e inesquecível. Que cada criança volte para casa com um brinquedo na mão e um brilho no olhar. A mensagem é simples: a periferia merece afeto, encantamento e estar no centro das celebrações”. Realização de sonhos Ao olhar para trás, Kdu celebra o que mudou dentro e fora dos becos da Serra. “O mais marcante é ver as crianças de ontem virando jovens que hoje ajudam a construir a festa. Isso mostra continuidade. Meu sonho é ampliar ainda mais, transformar o Natal da Favelinha em um grande polo de mobilização e carinho, e inspirar outras comunidades a criarem suas próprias tradições de esperança”, finaliza.
Comércio de BH prevê movimentação de R$ 2,55 bilhões durante dezembro

O mês de dezembro deve confirmar o melhor momento do varejo em Belo Horizonte em 2025. Segundo o Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a expectativa é que o comércio do capital mineira movimente R$ 2,55 bilhões durante o período natalino, alto estimado de cerco de 1% em relação do ano passado, quando o mercado registrou R$ 2,53 bilhões no mesmo período. A pesquisa realizado pela entidade apontou que 49% dos consumidores pretendem fazer compras de Natal, e 82% afirmam que irão às lojas físicas, o que reforço o poder do comércio presencial na capital. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o cenário reflete o comportamento tradicional do público mineiro, que pesquisa on-line, mas finaliza a compro presencialmente. “O consumidor de Belo Horizonte valoriza a experiência completa, atendimento, qualidade e confiança. Isso mostra a força do comércio local e abre oportunidades para quem investe em vitrines, equipes preparados e conveniência”. Perfil de compra O levantamento com consumidores do capital revela que o ticket médio deve chegar a R$ 467. As roupas lideram o ranking das intenções, com 57,1%. Seguido por brinquedos (26,5%), calçados (20,4%) e cosméticos (17,3%). Roupas devem ser os itens mais adquiridos E a maioria das compras (75,5%) será realizado entre 15 dias antes do Natal e a véspera, o que exige reforço de estoque, estrutura e atendimento no comércio. “Vemos um salto no valor a ser gosto com presentes no comparação com o ano passado, que foi de R$ 270. É um sinal de que BH está com o empregabilidade em alta, uma média salarial maior que a do brasileiro e um custo de vida menor. Por isso, temos essa possibilidade de gasto maior com presentes”, comenta o presidente da COL/BH. Quanto a forma de pagamento, 63,3% pretendem comprar à vista; quem parcelar deve dividir em até quatro vezes. Para Souza e Silva, o pagamento à visto é um sinal de que o consumidor está se planejando financeiramente, além de dar mais segurança e reduzir a inadimplência, Para o lojista, ou-mento o giro de caixa e a margem de negociação”. Por outro lado, a pesquisa revela que 45,5% dos entrevistados não pretendem comprar presentes neste ano, e o principal motivo é a alta dos preços, apontado por 82,4% desse grupo. Sobre o resultado, Souza e Silva aponta a necessidade de políticas económicos estáveis e maior previsibilidade para as famílias. “O consumidor está sensível aos aumentos de preços. Mesmo assim, o comércio de Belo Horizonte segue forte, mostrando capacidade de adaptação e com alterativas para diferentes perfis de compro. Confiança do lojista Entre os comerciantes entrevistados, 62,5% acreditam que vão vender mais do que no ano passado, e quase metade planeja ampliar estoque para atender o demando. As estratégias mais citadas para aumentar o desempenho em dezembro são variedade de produtos (71,7%), promoções e divulgação (59,5%), facilidade de pagamento (50%), aperfeiçoo-mento do atendimento (30,9%) e decoração temático (23%). Os lojistas também dever intensificar anúncios nos redes sociais. WhatsApp (88,4%) e Instagram (84,5%) serão os principais meios de comunicação com clientes.