Hipertensão arterial já atinge três em cada 10 adultos brasileiros

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população adulta brasileira, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025. O levantamento do Ministério da Saúde monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. O índice representa crescimento em relação a 2006, quando 22,6% dos brasileiros relataram diagnóstico médico de pressão alta. O avanço da hipertensão no Brasil ocorre em paralelo ao aumento da obesidade e do diabetes, compondo um cenário preocupante para a saúde pública e ampliando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para a cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Érika Campana, os números refletem um problema estrutural. “O fato de quase 3 em cada 10 adultos brasileiros terem hipertensão revela um quadro preocupante de saúde cardiovascular populacional. O aumento também está relacionado ao envelhecimento da população, alimentação rica em sal e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, estresse crônico e acesso irregular ao cuidado em saúde”. A especialista destaca ainda que o problema vai além do diagnóstico. “Apenas 3 em cada 10 brasileiros portadores de hipertensão estão com a pressão arterial controlada. É um marcador claro de que estamos falhando na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”. O crescimento mais recente entre as mulheres também chama atenção. De acordo com Érika, com a queda do estrogênio, há redução da proteção natural dos vasos sanguíneos. “Além do acúmulo de jornadas de trabalho, o estresse e a piora do sono contribuem para o avanço da pressão alta nesse público após os 40 anos”. Outro fator de risco é o calor intenso. “O estresse térmico e a desidratação podem levar a quedas bruscas ou picos de pressão. Esse desequilíbrio aumenta o risco de eventos como AVC e infarto, especialmente em idosos e pacientes crônicos”, explica a médica. Além das complicações graves, Érika afirma que hipertensão impacta a qualidade de vida. “Sono fragmentado, cansaço persistente e fadiga são sinais de que o corpo está sob estresse cardiovascular constante e ser o principal fator de risco para a morte cardiovascular”. Obesidade em alta O avanço da pressão alta também está diretamente ligado ao crescimento da obesidade no Brasil. Entre 2006 e 2024, o índice mais que dobrou, passando de 11,8% para 25,7%. Para o especialista em emagrecimento Marcelo Carneiro, a relação é clara. “A obesidade favorece alterações no funcionamento do organismo que elevam a pressão arterial, como inflamações e sobrecarga do coração e dos vasos sanguíneos”. Ele ressalta que se trata de um fator de risco evitável. “A obesidade é hoje um dos principais fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. Perder peso já traz benefícios efetivos para o controle da hipertensão”. Segundo Carneiro, o excesso de peso dificulta a ação da insulina, favorece o acúmulo de sal e líquidos e compromete a flexibilidade das artérias, levando à elevação progressiva da pressão. Para o médico, o crescimento simultâneo de obesidade, diabetes e hipertensão evidencia fragilidades na prevenção. “Precisamos de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, além de acompanhamento regular da população”. Acompanhamento Érika destaca que a supervisão médica regular permite ajustar o tratamento de forma personalizada, identificar precocemente complicações e avaliar o risco cardiovascular global do paciente. “Quando esse cuidado é associado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, redução do sal, atividade física, controle do peso, sono adequado e redução do álcool, os benefícios são potencializados. Medicação e estilo de vida se complementam na proteção do coração, rim e cérebro”. “A obesidade é uma doença crônica, com múltiplas causas, e precisa de acompanhamento médico contínuo, assim como a hipertensão e o diabetes. As pessoas que sofrem de obesidade precisam de apoio familiar e não de julgamentos”, conclui Marcelo.
Tecnologia e prevenção antecipada ajudam cidades a conter a dengue

O uso de tecnologia e o planejamento antecipado têm se consolidado como estratégias centrais no combate à dengue nas cidades brasileiras. Com a chegada do período chuvoso, quando aumentam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, municípios que investem em monitoramento contínuo, análise de dados e ações preventivas conseguem reduzir focos do mosquito, minimizar impactos sociais e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Segundo o gestor do Techdengue, Cláudio Ribeiro, agir antes do pico da doença é decisivo para evitar cenários mais graves. “Quando o município age apenas após o crescimento dos casos, a resposta tende a ser mais cara e menos eficiente. A prevenção permite identificar áreas críticas antes do agravamento do cenário”. Dados operacionais do Techdengue mostram que municípios atendidos pelo programa registraram reduções superiores a 90% nos focos do mosquito em áreas tratadas, além de queda significativa nos casos da doença. A estratégia se baseia no monitoramento contínuo e no uso de ferramentas tecnológicas que permitem mapear territórios, identificar padrões de risco e direcionar equipes de campo com maior precisão. “A informação estruturada muda a lógica do combate à dengue. Em vez de agir no auge do problema, o município passa a atuar antes que o surto se estabeleça. A tecnologia tem papel central nesse processo, orientando decisões, otimizando recursos e aumentando a efetividade das ações em campo”, explica Ribeiro. Além dos benefícios diretos à saúde da população, a prevenção também gera impacto econômico positivo. Internações, afastamentos do trabalho e ações emergenciais representam custos elevados para os cofres públicos. “A dengue não é apenas um problema da saúde. Ela impacta o município como um todo, o que torna o planejamento antecipado uma necessidade”. Diagnóstico reforça vigilância Enquanto a tecnologia apoia a prevenção no território, os dados laboratoriais ajudam a monitorar a circulação do vírus. Informações da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue está em 9,4% até a segunda semana de janeiro de 2026, abaixo dos 17,7% registrados no mesmo período do ano passado. Para o líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, o cenário inicial mais favorável deve ser interpretado com cautela. “A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram uma retomada após queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano”. “Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes. Um acompanhamento contínuo é essencial”, acrescenta. Galoro destaca que fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início da vacinação em alguns municípios ajudam a explicar os números, mas o clima segue como variável determinante. “A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor”. A medicina diagnóstica desempenha papel estratégico na vigilância epidemiológica, salienta Galoro. “Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica”, conclui.
Carnaval deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte

O Carnaval de Belo Horizonte chega a 2026 consolidado não apenas como um dos maiores do país em número de foliões, mas também como um dos principais motores da economia local. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) é de crescimento entre 10% e 15% na movimentação econômica durante o período, impulsionado pelo aumento do consumo, do turismo e da ocupação hoteleira. De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o Carnaval deixou de ser apenas um evento cultural para se tornar um vetor estratégico de desenvolvimento. “Ele movimenta o comércio, gera renda, cria oportunidades para pequenos empreendedores e fortalece a imagem da cidade como destino turístico”. Para Souza e Silva, o impacto é percebido principalmente no comércio de rua, nos serviços e na cadeia do turismo. “É um período em que o dinheiro circula mais rápido e atinge diferentes camadas da economia”. Um levantamento da CDL/BH aponta que 58,1% dos foliões pretendem aproveitar os blocos de rua e 48,8% devem participar de pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos. Esse perfil favorece bares, restaurantes, ambulantes, supermercados, lojas de fantasias e serviços de transporte. “O Carnaval democrático, gratuito e de rua permite que mais pessoas participem e consumam. Isso amplia o alcance econômico da festa”, destaca. Outro ponto ressaltado pelo presidente da CDL/BH é a profissionalização dos ambulantes ao longo dos últimos anos. “A organização e a capacitação dos vendedores ambulantes têm sido fundamentais. Eles conseguem gerar renda extra com qualidade, enquanto o folião tem acesso a produtos e serviços mais confiáveis”. Segundo a pesquisa, 67,4% dos consumidores pretendem comprar diretamente com ambulantes. Em Minas Gerais, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, projeta que o Carnaval deve injetar cerca de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em BH. “A Folia movimenta a economia e diversas estruturas, tanto na esfera municipal quanto estadual. Esse trabalho em rede é o que tem consolidado Belo Horizonte como um destino estratégico do Carnaval”. Quanto o folião deve gastar Os gastos individuais ajudam a explicar o otimismo do setor produtivo. De acordo com a CDL/BH, os foliões devem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços, além de cerca de R$ 70 por dia com bebidas. O pagamento à vista será predominante, com destaque para Pix, cartão de débito e crédito à vista, enquanto o transporte por aplicativo aparece como o principal meio de locomoção. Esse comportamento mostra cautela do consumidor, sem perder o desejo de aproveitar a festa, avalia Souza e Silva. “O folião quer curtir o Carnaval, mas sem comprometer o orçamento. Ele busca opções acessíveis, o que favorece os pequenos negócios”. Nos bares e restaurantes, a expectativa também é positiva. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, afirma que a maioria dos empresários espera crescimento no faturamento durante a Folia. “O Carnaval já está incorporado ao calendário econômico da cidade. Os estabelecimentos estão mais preparados para atender o público e transformar esse fluxo em resultados”, destaca. A hotelaria acompanha o mesmo ritmo. Segundo o diretor de Comunicação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diego Pires Gomes, a ocupação média em Belo Horizonte deve alcançar 85%, com 60% dos hotéis já operando com 100% de ocupação, especialmente na região Centro-Sul. “O Carnaval de BH é a maior vitrine da hotelaria. Muitos turistas prolongam a estadia, o que aumenta o ticket médio e beneficia toda a cidade”, afirma.
Trabalho escravo urbano cresce e a punição é rara no país

O Brasil resgatou 2.772 trabalhadores em situação análoga à escravidão em 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Pela primeira vez, a maioria dos casos ocorreu em áreas urbanas, com destaque para a construção civil, que concentrou 787 resgates, sendo 601 em obras de alvenaria e 186 em edifícios e prédios. Também figuram entre os setores com maior número de ocorrências a administração pública (304), o cultivo de café (184) e a extração e britamento de pedras e outros materiais para construção (126). O Mato Grosso liderou os resgates (607), seguido por Bahia (482), Minas Gerais (393) e São Paulo (276). Apesar do avanço das fiscalizações, levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que apenas 4% dos réus foram condenados por todos os crimes relacionados ao trabalho escravo entre 2000 e 2025. Para analisar as causas desse descompasso entre resgates e punições, o Edição do Brasil conversou com o advogado trabalhista Bernardo Lage. O que explica a maioria dos resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão ter ocorrido em atividades urbanas, especialmente na construção civil? A mudança reflete o aquecimento da construção civil em áreas metropolitanas, que gerou pressões intensas por redução de custos e cumprimento de prazos agressivos. O ambiente urbano permite estruturas contratuais mais fragmentadas, com terceirizações em múltiplas camadas, o que dificulta a fiscalização e controle. Diferentemente do meio rural isolado, obras urbanas ocorrem simultaneamente em dezenas de locais, com alta rotatividade de mão de obra. Além disso, a fiscalização seguiu o fluxo das denúncias, hoje mais acessíveis nos centros urbanos. Por que o trabalho escravo contemporâneo permanece presente em setores formais da economia urbana, inclusive em cadeias ligadas ao poder público? A raiz do problema está na lógica dos mercados competitivos. Licitações e contratações privadas costumam privilegiar o menor preço, criando incentivos perversos. Empresas que cumprem integralmente a legislação trabalhista acabam em desvantagem frente àquelas que externalizam custos por meio da precarização. Fiscalizar cadeias produtivas extensas é complexo, e a distância entre conformidade documental e realidade nos canteiros é onde a exploração se instala. Como o direito do trabalho e o sistema de justiça lidam com o perfil das vítimas, marcado por baixa escolaridade e vulnerabilidade social? Essas vulnerabilidades transcendem o direito do trabalho. A esfera trabalhista responde com relativa eficácia: há resgates, pagamento de verbas e concessão de benefícios assistenciais. O problema surge na esfera penal, que exige enquadramentos mais rígidos. Além disso, há grande variação interpretativa entre magistrados sobre o que caracteriza condições degradantes ou jornada exaustiva, o que gera insegurança jurídica. Por que apenas 4% dos réus são condenados por todos os crimes imputados? O principal entrave é o tempo. Processos longos inviabilizam provas testemunhais, pois as vítimas se dispersam geograficamente. Soma-se a isso a dificuldade de estabelecer o nexo subjetivo em estruturas empresariais complexas, a contestação dos laudos fiscais no contraditório judicial e o risco de prescrição antes do trânsito em julgado. A exigência de prova direta de restrição da liberdade de locomoção distorce o conceito legal de trabalho escravo? Sim. O artigo 149 do Código Penal prevê um tipo alternativo, em que qualquer das condutas configura o crime. No entanto, muitos magistrados exigem elementos cumulativos, especialmente o cerceamento físico. Isso ignora a ampliação conceitual feita em 2003, que reconhece a vulnerabilidade econômica como forma suficiente de anulação da vontade. Você avalia que existe um desalinhamento entre os Poderes no combate ao trabalho escravo contemporâneo? Sim. O Executivo atua com parâmetros administrativos, enquanto o Judiciário aplica padrões penais tradicionais. É necessário uniformizar a jurisprudência, valorizar tecnicamente os laudos fiscais, criar protocolos objetivos de caracterização e fortalecer mecanismos preventivos nas cadeias produtivas. O problema é complexo e exige ajustes coordenados entre os Poderes.
Kings League transforma o futebol em espetáculo digital

Com milhões de espectadores conectados simultaneamente, estádio lotado e forte apelo entre jovens, a Kings League consolida sua chegada ao Brasil como um dos fenômenos mais relevantes do entretenimento esportivo recente. Criada pelo ex-jogador Gerard Piqué, a competição aposta em partidas mais curtas, regras dinâmicas e forte presença de influenciadores digitais para dialogar com um público que já não se vê representado pelo modelo tradicional do futebol. Por trás dessa operação no país está o empresário Cris Guedes, presidente da Fúria FC e um dos principais responsáveis por trazer a liga para o Brasil. “O potencial do formato ficou evidente desde os primeiros passos da Kings League na Europa. Assim que o Piqué começou a mobilizar times na Espanha, vi que essa modalidade também seria promissora no Brasil”. Segundo Guedes, a mudança de comportamento das novas gerações foi determinante para a aposta. “O público das Gerações Z e Alpha não adere mais ao futebol tradicional. É muito lento, 90 minutos, partidas às vezes sem gols. Não é mais a linguagem deles”. Em contrapartida, ele aponta que a Kings League dialoga diretamente com esse perfil ao unir esporte, tecnologia e cultura digital. “É rápido, mistura preceitos do futebol tradicional com os e-Sports, tem figuras com quem eles se identificam e está no ambiente deles, que é a internet”. O engajamento é um dos principais diferenciais do modelo. Os clubes são presididos por influenciadores, o que cria uma relação direta entre público e competição. “Essa sensação de proximidade que só a internet oferece faz toda a diferença. Eles se sentem parte do dia a dia da liga”, explica o presidente da Fúria FC, citando ainda recursos como o uso de dados que interferem no andamento das partidas. Os números ajudam a dimensionar o impacto. Na final da KL Cup Nations 2026, considerada a Copa do Mundo da modalidade, a transmissão oficial pelo YouTube atingiu 3,5 milhões de aparelhos conectados, enquanto 41.316 torcedores lotaram o Allianz Parque. O público presencial supera, inclusive, a média registrada em partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, que foi de 26.314 pessoas em 2025. Apesar do sucesso, Guedes descarta a ideia de concorrência direta com o futebol tradicional. “O futebol segue consolidado como uma indústria bilionária e global”. Ele diz que a Kings League é um caminho para os mais jovens começarem a se interessar pelo universo da bola. Na avaliação do empresário, os dados de audiência revelam uma mudança estrutural no consumo esportivo. “Precisamos nos atentar ao entretenimento oferecido pelo esporte”, defende, citando a NFL como exemplo de liga que transformou o espetáculo em produto global. “É para esse lugar que a Kings League caminha e que outros esportes deveriam olhar também”. O Brasil ocupa papel central na estratégia de expansão da liga. Além da paixão histórica pelo futebol, o país se destaca pela formação de atletas. “Somos um celeiro de talentos. Trouxemos jogadores que vieram da base de clubes tradicionais e do futsal, que hoje compõem nossa Seleção bicampeã”, ressalta Guedes. Mais do que um novo formato esportivo, a Kings League aponta para uma transformação cultural. “O principal legado é aprender a explorar o entretenimento para fora do campo, não apenas dentro das quatro linhas”, conclui.
Bloco Fúnebre levará lendas urbanas de Belo Horizonte para as ruas

O Carnaval de Belo Horizonte em 2026 começa de forma simbólica, irreverente e profundamente ligada ao imaginário da cidade. Na madrugada da sexta-feira, 13 de fevereiro, o Bloco Fúnebre realiza seu tradicional cortejo e abre oficialmente a folia na capital mineira com o tema “Sexta-feira 13 – Ô Sorte!!”. A concentração acontece às 23h, na Praça da Bandeira, com saída à meia-noite pela Avenida Afonso Pena e dispersão prevista para as 3h, na Praça Milton Campos. O desfile marca também os 13 anos do Bloco Fúnebre, fundado em 2013 com o lema que se tornou sua assinatura: “Enterrar as tristezas e ressuscitar as alegrias”. Segundo a fundadora e vocalista Flávia Ribeiro, iniciar o Carnaval na madrugada de uma sexta-feira 13 é quase um manifesto artístico e cultural. “É pegar um símbolo que muita gente associa ao medo e ao azar e transformar em encontro e celebração. O Carnaval é esse lugar onde a cidade se autoriza a rir do que assusta e a ressignificar símbolos”. Neste ano, o cortejo ganha um tempero especial do imaginário belo-horizontino com a presença da Loira do Bonfim e do Capeta do Vilarinho, duas das lendas urbanas mais conhecidas da capital. As figuras inspiram fantasias, adereços e narrativas que atravessam gerações e ajudam a construir a estética do desfile. “São personagens vivos do imaginário de BH. Elas entram como presença simbólica e estética, fazendo a cidade se reconhecer no cortejo”, explica Flávia. O tema “Sexta-feira 13 – Ô Sorte!!” dialoga diretamente com a essência do bloco, que brinca com símbolos ligados ao medo, à morte e às superstições sem desrespeito, mas com humor, crítica e afeto. “É inverter o presságio, transformar susto em dança e tensão em riso. Falar da morte também é uma forma de valorizar a vida”, resume. Para o fundador Léo Lima, o desfile é um convite para Belo Horizonte se reconhecer na rua. “A gente pega um dia carregado de superstição e vira a chave: transforma em sorte, em encontro, em celebração. O Carnaval é esse lugar onde tudo pode ser ressignificado coletivamente”, afirma. O Bloco Fúnebre abre o Carnaval em um momento de forte crescimento da festa na capital. A expectativa é que BH receba cerca de 6,5 milhões de pessoas durante o período carnavalesco em 2026. De acordo com o vocalista do Bloco Fúnebre, esse avanço demonstra maturidade cultural do evento e amplia a responsabilidade dos blocos. “O Carnaval cresce junto com a diversidade de linguagens. Nosso papel é abrir a festa com uma mensagem de convivência, sentido e acolhimento, sem perder a alma do cortejo”, finaliza. Serviço Desfile do Bloco FúnebreData: 13 de fevereiroConcentração: 23h na Praça da Bandeira
Pagamento do PIS/Pasep injeta R$ 33,5 bilhões na economia

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep em 2026 deve beneficiar cerca de 26,9 milhões de pessoas em todo o país, com a liberação estimada de R$ 33,5 bilhões na economia. Destinado a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que atuaram formalmente em 2024, o pagamento terá calendário unificado e com mudanças que impactam o alcance do programa nos próximos anos. Segundo dados do governo federal, o valor do abono segue proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e pode chegar a até um salário mínimo, conforme as regras vigentes. Os pagamentos começam em fevereiro, de acordo com o mês de nascimento do trabalhador. Para o economista Gelton Pinto Coelho Filho, o impacto desses recursos tende a ser imediato e concentrado no consumo essencial. “O público que recebe este benefício tem baixa propensão marginal à poupança. Nesse sentido, os valores, em sua maioria, são destinados ao pagamento de contas e ao consumo direto”. Ele destaca ainda que, considerando o efeito multiplicador típico de programas de transferência de renda, o impacto total pode alcançar quase R$ 60 bilhões ao longo do ano. O economista explica que o perfil dos beneficiários faz com que o dinheiro circule rapidamente. “Setores como o de alimentos recebem maior fluxo desses recursos, assim como farmácias e companhias de energia, água e saneamento. Bancos e financeiras também são beneficiados por aqueles que optam por quitar suas dívidas”. Apesar disso, Filho pondera que o cenário macroeconômico limita efeitos mais duradouros. “A distribuição ocorre essencialmente no primeiro semestre, até o mês de agosto, período em que são realizados os pagamentos. O uso dos recursos é quase imediato após o recebimento. Em um ambiente de juros elevados, o abono ajuda, mas não resolve o aperto financeiro das famílias de menor renda”. Mudanças nas regras Uma das principais alterações está no critério de renda para ter direito ao benefício. A partir do pagamento de 2026, o limite deixa de ser automaticamente vinculado a dois salários mínimos e passa a ser um valor nominal corrigido apenas pela inflação. No ano-base 2024, esse teto ficou em torno de R$ 2.766 de renda média mensal. Filho lembra que a mudança faz parte de um esforço de ajuste fiscal. “A medida visa reduzir gastos públicos no longo prazo. O limite de ganho para ter direito ao abono deixa de ser fixado em dois salários mínimos e passa a ser corrigido exclusivamente pela inflação”. Do ponto de vista jurídico, o advogado Rafael Oliveira explica que a alteração busca maior previsibilidade orçamentária, mas não está isenta de controvérsias. “A mudança tem como objetivo principal conferir previsibilidade orçamentária e sustentabilidade financeira ao programa”. Ele alerta que a desvinculação do salário mínimo tende a restringir o acesso ao benefício ao longo do tempo. “Isso pode resultar na exclusão progressiva de trabalhadores que, embora formalmente acima do teto, permanecem em situação de vulnerabilidade econômica”. Na avaliação dos especialistas, as alterações reforçam a sustentabilidade fiscal do programa, mas exigem atenção aos efeitos sociais. “As mudanças contribuem para o equilíbrio das contas públicas, mas precisam ser acompanhadas de políticas que ampliem renda e emprego, reduzindo a dependência de programas sociais”, conclui Filho. Já Oliveira ressalta que transparência e informação serão decisivas. “A correta prestação de informações, a atuação preventiva das entidades de classe e a transparência na aplicação das regras são fundamentais para preservar a finalidade social do benefício e reduzir litígios futuros”, finaliza. Mês de nascimento Data de pagamento Janeiro 15 de fevereiro Fevereiro 15 de março Março e abril 15 de abril Maio e junho 15 de maio Julho e agosto 15 de junho Setembro e outubro 15 de julho Novembro e dezembro 15 de agosto Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
Estudo mostra avanço no uso das ferramentas de inteligência artificial

O uso da inteligência artificial (IA) para compreender assuntos considerados complexos, como política, economia e ciência, já faz parte da rotina de uma parcela significativa da população. Uma pesquisa da Nexus mostra que 3 em cada 10 brasileiros já utilizaram ferramentas de IA com esse objetivo, sendo que 10% afirmam apelar aos recursos com frequência. O levantamento aponta que a adoção é maior entre jovens de 18 a 30 anos, a chamada geração Z, faixa etária em que quatro em cada dez entrevistados já usaram inteligência artificial para entender temas mais complexos. No extremo oposto estão os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), entre os quais apenas 13% relatam esse tipo de uso. A utilização também aumenta conforme renda e escolaridade, chegando a 39% entre pessoas com ensino superior completo e entre aquelas que recebem mais de cinco salários mínimos. Para o especialista em Privacidade de Dados, Rogério Brum, a popularização dessas ferramentas representa um avanço relevante. “A inteligência artificial já é uma ferramenta poderosa para apoiar a compreensão de assuntos, mas ainda não pode ser tratada como uma fonte autônoma de verdade. Os modelos funcionam a partir de padrões estatísticos e não possuem compreensão crítica da realidade”. Brum ressalta que a IA é eficiente para organizar informações e explicar conceitos de forma didática, porém, ainda apresenta limitações importantes. “Pode cometer erros, simplificar excessivamente temas sensíveis ou reproduzir distorções existentes nos dados de treinamento”. Por isso, o especialista defende que a tecnologia seja utilizada como apoio, e não como substituta do pensamento humano, sobretudo em áreas delicadas como política, economia e ciência. O avanço da IA também levanta debates sobre democracia e formação de opinião. Na avaliação de Brum, a tecnologia pode ampliar o acesso à informação e gerar riscos ao mesmo tempo. “Reduz a desigualdade informacional ao traduzir conteúdos técnicos em linguagem acessível, mas também amplifica a desinformação, cria bolhas ideológicas e transmite uma falsa sensação de neutralidade”, explica. Do ponto de vista técnico, o especialista destaca que os sistemas ainda não compreendem causalidades profundas. “A IA identifica correlações, contudo, não entende eventos inéditos e tende a transformar fenômenos complexos em narrativas lineares”, afirma. Isso reforça a necessidade de análises especializadas e verificação constante das informações. Outro ponto sensível é o viés algorítmico. Em um país marcado por desigualdades históricas, Brum alerta que, sem correções adequadas, a IA pode reforçar estereótipos e transformar desigualdades sociais em desigualdades tecnológicas invisíveis. Para enfrentar esses desafios, o especialista defende o fortalecimento da educação digital. “Não basta saber usar a ferramenta. É preciso compreender seus limites, riscos, impactos e princípios éticos. O futuro da inteligência artificial no Brasil dependerá menos da tecnologia em si e mais da qualidade da governança, da regulação e da formação crítica dos usuários”, conclui.
Ganho de peso é mais rápido após as canetas emagrecedoras

A popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no tratamento da obesidade. No entanto, uma análise publicada no British Medical Journal acendeu um alerta importante: a interrupção dessas terapias pode levar à recuperação acelerada do peso. A revisão analisou 37 estudos com cerca de 9,3 mil adultos e mostrou que, após a suspensão dos análogos de GLP-1, o reganho médio foi de 0,8 kg por mês, ritmo até quatro vezes mais rápido do que o observado em pessoas que emagreceram apenas com dieta e atividade física. Em muitos casos, o retorno ao peso anterior ocorreu em um ano e meio. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, o fenômeno não deve ser interpretado como falha individual. “Do ponto de vista endocrinológico, o reganho não é surpresa. Ele confirma o que já sabemos sobre a obesidade como uma doença crônica recidivante. Quando uma pessoa perde muitos quilos, o corpo reage com dois movimentos previsíveis: diminui a queima calórica, por adaptação metabólica, e altera o controle de fome e saciedade, aumentando os sinais que estimulam o apetite”. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 atuam justamente nesses mecanismos enquanto estão em uso. “Quando a medicação é retirada, esses sistemas voltam a operar com força, e o peso tende a subir. Isso foi demonstrado de forma clara nos estudos de extensão do STEP-1, com semaglutida, e do SURMOUNT-4, com tirzepatida”. Alessandra explica que o ritmo de reganho pode variar entre os pacientes. “Quanto maior a perda inicial, maior tende a ser a pressão biológica para recuperar peso. Esse ritmo depende de quanto peso foi perdido, por quanto tempo foi mantido, da preservação da massa muscular, além da genética, sono, estresse e padrão alimentar”. A endocrinologista reforça que associar o reganho à falta de disciplina é um equívoco. “Não é falta de força de vontade. Após emagrecer, aumentam os hormônios que estimulam a fome, reduzem-se os sinais de saciedade e o corpo passa a gastar menos energia. O paciente fica fisiologicamente pronto para reganhar peso”. Outras perdas Além do peso, parte dos benefícios metabólicos também pode ser perdida após a suspensão do tratamento. “Os estudos mostram que, ao retirar a medicação, não só o peso retorna, como também parte das melhoras na pressão arterial, glicemia, colesterol e esteatose hepática regride em cerca de 1,4 ano”, destaca a médica. Entre os principais erros ao interromper o tratamento, a endocrinologista cita a retirada abrupta e a falta de acompanhamento clínico. “Parar sem planejamento, não proteger a massa muscular, tratar o medicamento como algo pontual e não acompanhar o paciente no pós-medicação são falhas comuns. Quando o peso começa a subir um ou dois quilos, ainda dá para intervir; mas, quando sobe seis ou oito, o controle se torna muito mais difícil”. Diante do alto custo das canetas no Brasil, muitos pacientes consideram interromper o uso após o emagrecimento inicial. Para Alessandra, é possível reduzir riscos, mas não eliminá-los. “Não existe garantia de zero reganho. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. A lógica do tratamento é semelhante à da hipertensão ou do diabetes: muitas vezes exige uso contínuo ou estratégias de manutenção”. “O reganho de peso não é falha do paciente, não é falta de força de vontade. É a biologia da obesidade. O desafio agora é desenhar o ‘pós-caneta’: como manter saúde metabólica, força muscular e qualidade de vida de forma individualizada e sustentável”, conclui.
Curso de defesa pessoal fortalece a segurança das mulheres em Contagem

A Prefeitura de Contagem reabriu as inscrições para o curso gratuito de defesa pessoal destinado exclusivamente às mulheres do município. A iniciativa integra as políticas públicas de esporte, lazer e enfrentamento à violência de gênero, com foco na promoção da autonomia, da segurança e da qualidade de vida das participantes. O curso é voltado para meninas e mulheres a partir dos 10 anos de idade e oferece aulas regulares de defesa pessoal com abordagem prática e acessível, independentemente de experiência prévia em artes marciais. As inscrições podem ser feitas presencialmente até o dia 28 de janeiro, no próprio local das aulas, a Escola Municipal Eli Horta Costa, situada na rua Professora Neuza Rocha, 406 – Centro. As atividades acontecem às segundas e quartas-feiras, das 18h10 às 20h. No momento da inscrição, é necessário apresentar um documento de identidade e a declaração de aptidão física. As participantes também deverão entregar, no prazo de até 15 dias úteis, um atestado médico que comprove condições adequadas de saúde para a prática esportiva. De acordo com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o curso tem como principal objetivo fortalecer a autoconfiança das mulheres, oferecendo ferramentas que contribuam para a prevenção da violência e para uma maior sensação de segurança no cotidiano. A titular da pasta, Leidna Duarte, destaca o papel do projeto como política pública de cuidado e proteção. “As aulas de defesa pessoal são uma ferramenta de empoderamento. Elas ajudam as mulheres a se sentirem mais seguras, confiantes e preparadas para lidar com situações do cotidiano, ao mesmo tempo em que promovem saúde, convivência e qualidade de vida”. A metodologia das aulas reúne técnicas adaptadas de jiu-jitsu, muay thai, boxe e MMA, aplicadas especificamente ao contexto da defesa pessoal. O conteúdo prioriza estratégias de prevenção, percepção de risco, evasão de situações de perigo e, quando necessário, reações seguras e eficazes. Responsável pelas aulas, o lutador profissional de jiu-jitsu e professor do projeto, Leonardo Rocha, ressalta que a proposta vai além do ensino de golpes e busca preparar as participantes para situações reais. “Trabalhamos um pouco de cada modalidade, reunindo técnicas que podem fazer a diferença em situações do dia a dia. É uma proposta que vai desde aprender a identificar e evitar riscos até saber agir para se defender, seja fugindo da situação ou, quando não for possível, reagindo de forma segura”. Segundo o professor, o principal objetivo é ampliar a confiança e a sensação de segurança das participantes. “A ideia é oferecer mais tranquilidade para que elas possam caminhar pelas ruas com confiança, sabendo que têm recursos para se proteger”. O município planeja ampliar o alcance do projeto. A partir do dia 11 de fevereiro, a iniciativa entrará em fase de expansão para outras regiões da cidade, começando pela Ressaca. O formato itinerante levará aulas de defesa pessoal, orientações preventivas e ações de conscientização a diferentes bairros. As informações sobre novas turmas e inscrições serão divulgadas nos canais oficiais do município. ServiçoDias: segundas e quartas-feiras (inscrições até 28 de janeiro)Horário: 18h10 às 20hLocal: Escola Municipal Eli Horta CostaPúblico-alvo: meninas e mulheres a partir de 10 anos Documentos necessários:• Carteira de identidade• Declaração de aptidão física• Atestado médico (entrega em até 15 dias úteis)