Senado discute venda de remédios sem prescrição em supermercados

Nas próximas semanas, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal deve discutir a autorização da venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), tema do Projeto de Lei (PL) 1.779/19, de autoria do deputado Glaustin da Fokus (Podemos). A medida foi apresentada ao governo federal como uma forma de reduzir o preço dos remédios para os consumidores. A comercialização de analgésicos chegou a ser permitida em supermercados e armazéns a partir da Medida Provisória (MP) 592/94, que implantou o Plano Real. No entanto, em 2004, a prática foi proibida após um entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O CEO de uma rede de clínicas médicas, Rafael Teixeira, avalia que, com a aprovação do projeto, podem surgir oportunidades como parcerias estratégicas entre farmácias e supermercados. “Há espaço para construir modelos de colaboração que garantam que os pacientes tenham acesso a consultas médicas antes da compra de medicamentos, assegurando um uso seguro e eficaz, além do aumento na demanda por um atendimento acessível”. “Por outro lado, a medida pode trazer desafios, como o crescimento da automedicação. A venda desses produtos em supermercados pode levar ao uso inadequado, resultando em erros no tratamento e agravamento de doenças”, complementa. Teixeira defende que a melhor forma de integrar o setor farmacêutico aos serviços de saúde é garantir que o paciente passe primeiro por uma consulta médica qualificada em um ambiente adequado e especializado, como uma clínica ou consultório, antes de adquirir qualquer medicamento. “Essa mudança não deve beneficiar apenas o varejo, mas sim impulsionar um modelo que fortaleça o acesso seguro e qualificado à saúde no Brasil”. Setor farmacêutico é contra Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, o CEO da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, destacou que, caso aprovada, a medida seria desastrosa para o setor. “MIPs são um segmento essencial das farmácias e representam cerca de 30% das vendas. Autorizar a comercialização em supermercados, apenas para adicionar mais uma categoria de vendas, provocaria um desequilíbrio econômico em um setor que funciona bem e é respeitado mundialmente”. “O custo operacional de uma farmácia é elevado. Provavelmente, haveria um efeito rebote com o aumento no preço dos medicamentos de prescrição, impactando negativamente a saúde da população, especialmente dos mais pobres”, acrescenta. Barreto também rebateu o argumento de que os preços desses medicamentos seriam até 35% mais baixos nos supermercados, classificando essa informação como enganosa. “Monitoramos os preços de mais de mil itens comuns a farmácias e supermercados, e constatamos que esses estabelecimentos vendem mais caro em 50% das vezes”. Também por meio de nota, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) alertou que a medida poderia trazer prejuízos à saúde pública. “Ao liberar a venda de medicamentos isentos de prescrição (mas não de riscos) nos supermercados, o governo permitirá o acesso a preços mais baixos, porém, sem orientação adequada, em um país onde cerca de 90% dos brasileiros se automedicam. O resultado será, sem dúvida, um impacto ainda maior para o Sistema Único de Saúde (SUS), que já gasta R$ 60 bilhões por ano com danos causados pelo uso inadequado de medicamentos”. O CFF ressaltou que, segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de intoxicação aumentaram 23% entre 1993 e 1995, quando a venda dos MIPs foi permitida em supermercados. Na década seguinte, com a volta da comercialização exclusiva em farmácias, houve queda nos registros de intoxicação. Entre 2007 e 2009, a redução foi de 14%. A entidade ainda repudiou qualquer medida que possa precarizar o trabalho farmacêutico e afirmou esperar que a consciência técnica e a ética prevaleçam na tomada de decisão.
23 milhões de crianças em idade escolar têm problemas de visão

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos apresentam problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A ausência de um acompanhamento adequado pode impactar o desempenho em sala de aula e reduzir a motivação delas para ir à escola e estudar em casa. Segundo a oftalmopediatra Lara Seixas, é fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a possíveis sinais de dificuldades visuais nos filhos. “Em casa, eles devem observar se a criança ou adolescente se aproxima demais da televisão ou de objetos, lacrimejam excessivamente, demonstra sensibilidade à luz, reclama de dor de cabeça e nos olhos, sofre quedas frequentes, desvia os olhos involuntariamente ou fecha os olhos para tentar enxergar melhor”. “Na escola, sinais como baixo rendimento acadêmico, dificuldade de aprendizado, necessidade de sentar-se mais próximo ao quadro para acompanhar a aula ou copiar do caderno do colega também são indicativos da necessidade de uma avaliação oftalmológica”, acrescenta. A oftalmopediatra reforça que crianças e adolescentes devem passar por consultas oftalmológicas de rotina periodicamente, mesmo na ausência de queixas, e a qualquer momento em que apresentem algum sintoma ou sinal de problema visual. “Muitas vezes, esse público ainda não tem a percepção da dificuldade visual e, por isso, não se manifesta. Os cuidados com a saúde ocular devem incluir uma alimentação equilibrada, o uso moderado de telas conforme a faixa etária e o estímulo a atividades ao ar livre e em contato com a natureza”. Uso de telas Lara explica que o uso excessivo de telas pode comprometer a visão de crianças e adolescentes. “Isso pode causar distúrbios na superfície ocular, como olho seco, e, quando utilizadas muito próximas aos olhos, favorecer ou agravar a miopia e o estrabismo. Para minimizar os impactos, é essencial respeitar o tempo máximo de uso por faixa etária, além de adotar medidas como fazer pausas regulares e optar por ambientes bem iluminados”. Passar tempo excessivo diante das telas também pode gerar impactos psicológicos e comportamentais nesse público. “O primeiro deles é a desatenção. Elas podem desenvolver um quadro de distração acentuado e, em alguns casos, até apresentar sinais semelhantes a um vício. A criança pode ficar mais irritada, ansiosa e ter dificuldades de concentração e socialização, prejudicando o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A longo prazo, o uso demasiado pode levar à dependência de telas e comprometer o crescimento social e emocional, uma vez que ela não estará interagindo com outras pessoas”, explica a doutora em psicologia Catiele Reis. Ela recomenda que crianças e adolescentes utilizem telas por, no máximo, duas horas diárias. “Os pais também devem dar o exemplo. Não adianta impor limites se eles próprios estão sempre no celular. É importante reservar um tempo para interagir com os filhos. Estratégias como restringir o uso, principalmente à noite, próximo à hora de dormir, e oferecer alternativas como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças para reduzir o tempo de tela”. “Os pais também precisam incentivar atividades ao ar livre e investir em momentos de qualidade com os filhos, promovendo passeios e estimulando um equilíbrio maior entre a conectividade e a vida real”, acrescenta. Sobre a proibição dos celulares nas escolas, Catiele avalia que a medida é um primeiro passo. “As escolas têm exigido muito a utilização das tecnologias. É necessário um trabalho de conscientização sobre o uso responsável dos dispositivos e a importância do retorno à socialização”, conclui.
Memorial Brumadinho relembra a história das vítimas da tragedia

Nascido a partir da mobilização dos familiares das vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, o Memorial Brumadinho foi inaugurado para salvaguardar segmentos corpóreos de vítimas e honrar as 272 vidas ceifadas na tragédia, sendo 251 trabalhadores, dois nascituros, além de moradores da comunidade e turistas. O local está aberto à visitação pública, com entrada gratuita. O espaço é um memorial in situ, construído no local onde o desastre ocorreu, e abriga um bosque com 272 ipês-amarelos, plantados em homenagem a cada uma das vítimas. “Dizem que o ipê-amarelo representa força e vitalidade porque tem a capacidade de florescer intensamente mesmo em condições adversas. Na inauguração, afirmei que nós, familiares das vítimas, somos parceiros na esperança, porque não ficamos presos ao dia 25 de janeiro de 2019. A dor e a saudade, estamos transformando em resistência, em defesa da vida e solidariedade. Nossa esperança rima com transformação, com mudança”, destaca o presidente do conselho curador do Memorial Brumadinho, Vagner Diniz. Além do bosque, o espaço conta com uma escultura-monumento, um ambiente meditativo, uma drusa de cristais, duas salas de exposição e um local dedicado à guarda digna e honrosa dos segmentos corpóreos das vítimas. “É um momento em que apresentamos esse lugar tão importante, que honra e mostra quem são as pessoas dessa tragédia, indo além dos números. Ao mesmo tempo, é um espaço que contará essa história sob a perspectiva dos familiares. Não a versão oficial, mas a deles. Estamos abrindo este memorial para que todos possam conhecer, se identificar e também compreender sua importância nesse processo de luta”, afirma a presidente da Fundação Memorial Brumadinho, Fabíola Moulin. Diniz ressalta que, desde o início do projeto, a comunidade foi incentivada a participar da construção e organização do memorial. “Isso aconteceu já na escolha, pelos familiares, do projeto arquitetônico vencedor. Posteriormente, processos de escuta dos parentes, visitas prévias ao local e diálogos com associações ajudaram a dar ao memorial contornos nos quais familiares e moradores da região se reconhecem. É para isso e sobre isso que ele existe”. Para o presidente do conselho curador, o espaço surgiu com o propósito de tornar visível um acontecimento que tende a ser apagado e silenciado. “Na nota conceitual do memorial, manifestamos o entendimento de que as instituições de memória têm como um dos objetivos instituir espaços onde a cultura dos direitos humanos e dos valores democráticos se convertam em fundamentos éticos compartilhados, de modo que as violências abordadas não se repitam, em uma clara dimensão de produção social da memória. Esse entendimento carrega esperança. Podemos apontar novos caminhos para uma mineração responsável, que priorize a vida acima de tudo, e formas de engajamento da sociedade para um viver sustentável, sem devastar a natureza, compreendendo que somos parte dela”, conclui. Serviço:Memorial BrumadinhoEndereço: Rua Hum, 100, Bairro Córrego do Feijão – BrumadinhoFuncionamento: quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30 Informações:Site: memorialbrumadinho.org.brInstagram: @memorial.brumadinho
Hotéis de BH já possuem 50% de ocupação para o Carnaval

O Carnaval de Belo Horizonte deve ter um impacto econômico de R$ 1 bilhão e atrair 6 milhões de foliões durante o período festivo, segundo projeção da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). De acordo com o órgão, são esperados 275 mil turistas ao longo do evento. A alta demanda por hospedagem na capital já se reflete no número de reservas em hotéis. Segundo a Associação Mineira da Indústria de Hotéis e Lazer (AMIHLA), a taxa de ocupação já atinge 50% das vagas disponíveis em Belo Horizonte e na região metropolitana. Em todo o Estado, a expectativa é que 85% dos leitos sejam preenchidos durante o Carnaval, um aumento de 20% em relação ao ano passado. O presidente da AMIHLA, Alexandre Santos, explica que a procura por pacotes carnavalescos começou ainda em dezembro de 2024. Ele explica que esse crescimento se deve à consolidação do Carnaval de Belo Horizonte como uma das maiores festas do país e ao trabalho de promoção de Minas Gerais como destino turístico. “Temos aproveitado bem esse crescimento. Percebemos que é um movimento solidificado, e os empresários vêm se preparando para tirar o melhor proveito dessa alta demanda, investindo na divulgação de seus estabelecimentos, ampliando o número de quartos e expandindo a rede hoteleira”. Nas cidades históricas do Estado, a expectativa é que a taxa de ocupação chegue a 97%. “Muitos foliões que hoje escolhem Belo Horizonte costumavam frequentar locais como Diamantina e Ouro Preto. Esses municípios registraram uma redução no número de visitantes durante o Carnaval nos últimos anos. No entanto, têm se reposicionado, oferecendo festas igualmente atrativas e agregando o diferencial do turismo histórico e cultural”, ressalta Santos. Ele também destaca que há um movimento de turistas que buscam alternativas ao Carnaval de rua, preferindo resorts e pousadas com programação especial para o período. “Os estabelecimentos localizados até duas horas de distância de Belo Horizonte devem registrar ocupação superior a 95%, impulsionados principalmente por famílias com crianças pequenas e pelo público da terceira idade, que procura uma experiência mais tranquila”, acrescenta. Empregos durante a folia De acordo com a Belotur, entre os dias 15 de fevereiro e 9 de março, cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos devem ser gerados. “Destacam-se os ambulantes cadastrados, que comercializarão seus produtos durante o evento, além de toda a cadeia da economia criativa beneficiada pela festividade. O setor hoteleiro, por exemplo, demonstra grande otimismo, registrando reservas recordes para o período. Outros profissionais também serão impactados positivamente, como motoristas de aplicativos e pequenos empresários do ramo de bares e restaurantes”, informou o órgão em nota ao Edição do Brasil. Para atender à demanda gerada pelo evento, a Belotur ressaltou que diversos planos operacionais foram desenvolvidos em parceria com órgãos públicos para viabilizar o Carnaval de Belo Horizonte. “O Centro de Operações da Prefeitura de Belo Horizonte (COP-BH), em articulação com instituições municipais, estaduais, federais e até mesmo privadas, integra esses planos setoriais para garantir uma atuação mais eficiente do poder público. Isso permite otimizar recursos e serviços, contribuindo para o sucesso do evento”.
Fortunas bilionárias cresceram três vezes mais rápido em 2024

Segundo um relatório da Organização Não Governamental (ONG) Oxfam, o mundo registrou, em média, quatro novos bilionários por semana em 2024. No total, esse número aumentou de 2.565 em 2023 para 2.769 no ano passado. Juntas, essas fortunas alcançaram a marca de US$ 15 trilhões. Por dia, o patrimônio dessas pessoas cresceu US$ 5,7 bilhões, em uma taxa três vezes superior à do ano anterior. Por outro lado, o documento destaca que, conforme o Banco Mundial, o número de pessoas que vivem na pobreza se manteve igual. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago. O relatório aponta que a riqueza dos bilionários aumentou três vezes mais rápido em 2024 do que em 2023. O que impulsionou esse crescimento e quais seriam as principais consequências para a economia? Esse fenômeno pode ser explicado pela concentração crescente de riqueza desde a década de 1980. De acordo com o economista Gabriel Zucman, as fortunas dos bilionários expandiram-se mais rapidamente do que a economia global como um todo. Esse padrão reflete um aumento desigual, no qual as famílias mais ricas têm acumulado uma parcela cada vez maior do patrimônio mundial. Por exemplo, a riqueza dos 0,0001% mais abastados, que representava 3% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 1987, agora corresponde a 13%. Quase quatro novos bilionários surgiram por semana em 2024. Como essa velocidade na criação de fortunas extremas reflete a estrutura econômica global atual e o impacto das políticas públicas?A riqueza está crescendo muito mais rápido do que prevíamos. Isso significa que a taxa média de avanço anual das grandes fortunas disparou. Apenas os dez homens mais ricos do mundo viram seu patrimônio aumentar, em média, quase US$ 100 milhões por dia em 2024. A rápida criação de novos bilionários evidencia um sistema econômico global que concentra cada vez mais recursos no topo, favorecendo aqueles que já possuem grandes fortunas. A ausência de políticas públicas eficazes desempenha um papel central nesse cenário. Baixos impostos sobre riqueza, falhas na regulação de monopólios e a falta de mecanismos de redistribuição contribuem para essa concentração. Sem medidas governamentais para regular essas práticas e distribuir recursos de maneira mais equitativa, a desigualdade tende a se aprofundar. Pelo menos cinco trilionários devem surgir na próxima década. Que medidas podem ser adotadas para evitar a concentração extrema de riqueza e seus impactos na desigualdade?Primeiro, é essencial que os governos implementem políticas para garantir que a renda dos 10% mais ricos não ultrapasse a dos 40% mais pobres, acelerando a erradicação da pobreza. É fundamental reformar a tributação global, assegurando que os mais ricos paguem sua parcela justa e combatendo os paraísos fiscais. Além disso, tributar grandes heranças ajudaria a desmontar uma nova aristocracia econômica. Também é necessário desmantelar monopólios, democratizar as regras comerciais e garantir que as corporações paguem salários dignos, ao mesmo tempo em que se reestruturam instituições financeiras internacionais para garantir uma representação mais justa dos países do Sul Global. Atualmente, 60% da riqueza dos bilionários provêm de herança, monopólios ou conexões políticas. Como enfrentar essa grande concentração de recursos?Reformas tributárias são fundamentais para reduzir a extrema concentração de riqueza e promover maior justiça econômica. Impostos progressivos sobre grandes heranças ajudariam a mitigar esse efeito, garantindo que o patrimônio acumulado beneficie a sociedade como um todo. Uma tributação mais rigorosa sobre grandes fortunas poderia financiar políticas públicas essenciais, como educação, saúde e proteção social, reduzindo desigualdades estruturais. No Brasil, como a concentração de riqueza e a criação de novos bilionários têm impactado a desigualdade social? A concentração de riqueza no Brasil está profundamente ligada a um histórico de exclusão social, no qual populações negras, indígenas e periféricas têm menos acesso a oportunidades econômicas e educacionais. Além disso, o sistema tributário brasileiro é altamente regressivo, com elevados impostos sobre o consumo e baixa tributação sobre renda e patrimônio, o que aprofunda ainda mais a desigualdade, tornando-o um dos mais injustos do mundo.
Mais pessoas tem buscado o pilates como uma atividade física regular

De acordo com o relatório “Tendências Wellhub: Destaques de 2024”, o pilates foi a segunda modalidade mais procurada no mundo por seus praticantes, ficando atrás apenas da musculação. O levantamento mostrou ainda que 25% dos iniciantes em atividades físicas escolhem o pilates para começar uma rotina de treinos. O médico do esporte Thiago Viana explica que o pilates é uma atividade completa, com foco no fortalecimento muscular, flexibilidade, postura e controle da respiração. “Por ser uma modalidade de baixo impacto e sem grandes restrições, pode ser praticado por qualquer pessoa e em qualquer idade, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e da saúde a longo prazo”. “Ele é adaptável, podendo ser ajustado para diferentes níveis de condicionamento, desde iniciantes até atletas de alto rendimento. Para quem está começando, o pilates ajuda a desenvolver a consciência corporal, corrigindo posturas erradas e prevenindo dores. Já para atletas, melhora o desempenho, desequilíbrios musculares e previne lesões”, completa. A prática do pilates é especialmente benéfica para quem passa muitas horas sentado ou em posições inadequadas no trabalho. “Serve para aliviar as tensões nas costas, ombros e pescoço, áreas muito sobrecarregadas pela má postura. Ele fortalece os músculos do abdômen e da lombar, essenciais para estabilizar a coluna e evitar dores”, pontua Viana. Quem já sente os benefícios do pilates é a analista de marketing Mariana Almeida. Praticante há dois anos, ela sofria com dores constantes na coluna devido ao longo período que passava sentada no trabalho e ao sedentarismo. “É uma modalidade que trabalha o corpo de forma integrada, com movimentos suaves e um foco muito grande na respiração. O pilates mudou minha vida de uma forma que nunca imaginei”. Principais benefícios Segundo Viana, o ideal para os iniciantes no pilates é praticar pelo menos duas ou três vezes por semana para alcançar as vantagens, como fortalecimento muscular, correção postural e redução do estresse. “Isso permite que o corpo se adapte gradualmente e proporciona resultados consistentes. Para quem busca benefícios mais específicos, como desempenho esportivo ou reabilitação, a frequência pode ser ajustada conforme orientação profissional”. “Nos idosos, o pilates melhora o equilíbrio, a força muscular e a coordenação, reduzindo significativamente o risco de quedas, avalia o médico. “Também mantém as articulações mais saudáveis, ajudando na mobilidade para atividades diárias, como subir escadas ou pegar objetos do chão”, acrescenta. Para finalizar, Viana afirma que o pilates pode ser útil também para praticantes de esportes de alta intensidade, como corrida e futebol. “Contribui para o alinhamento corporal, aumento da flexibilidade e o fortalecimento de músculos estabilizadores. Isso reduz o risco de lesões e melhora a eficiência dos movimentos. Um corredor que faz pilates pode trabalhar o alinhamento da pelve e a força do core, o que resulta em passadas mais eficientes e menos impacto nas articulações. Para jogadores de futebol, o pilates pode prevenir lesões no joelho e tornozelo”, conclui.
Peça “Maio, antes que você me esqueça” aborda temas relacionados ao Alzheimer

Contando a relação entre um filho e seu pai, que enfrenta a doença de Alzheimer, “Maio, antes que você me esqueça” aborda questões como o esquecimento, o amor incondicional e a perda da identidade pessoal. Trata-se de uma reflexão profunda sobre a fragilidade da memória e o valor das lembranças na construção de quem somos. A peça integra a programação da 50ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte e estará em cartaz nos dias 29 e 30 de janeiro, além de 5, 6, 12 e 13 de fevereiro, no Teatro Feluma. Com direção e texto de Jair Raso, a peça narra a história de Hélio (Ilvio Amaral), que sofre de Alzheimer, e precisa passar um fim de semana na casa do filho Mauro (Maurício Canguçú), com quem sempre teve uma relação distante. Mauro tem uma irmã, responsável por cuidar do pai no dia a dia, e um irmão que mora longe e raramente aparece. Durante esses dias juntos, enfrentando desentendimentos e revivendo memórias do passado, pai e filho se redescobrem, ressignificando seus afetos e lembranças. É um espetáculo tocante e divertido que revela a intimidade dessa relação. Além de diretor e dramaturgo, Jair Raso é médico neurocirurgião. Ele ressalta que compreender a história de uma doença como o Alzheimer permite utilizar seus sinais e sintomas para criar ou resolver conflitos. “‘Maio, antes que você me esqueça’ não é uma peça sobre a doença de Alzheimer, mas ela permeia toda a trama. Por exemplo, entre tantas memórias esquecidas pelo pai, algumas relacionadas à infância do filho permanecem intactas e pavimentam o caminho para a reconciliação. Essas memórias são como ilhas em um mar de esquecimento. Os primeiros sintomas da doença costumam ser sutis, e o comportamento da pessoa pode gerar conflitos. Isso é explorado na peça”. O ator Maurício Canguçú revela que, para trazer autenticidade ao personagem Mauro, se inspirou na própria experiência com sua mãe, que também teve Alzheimer. Ele descreve o processo de construção do papel, que transita entre o peso do passado e a leveza de novos momentos com o pai. “O ressentimento é, ao mesmo tempo, terrível e lindo, sob a perspectiva da composição do personagem. Mauro tem tanta certeza de que está certo que mantém uma relação tensa com o pai. Em cena, percebo a plateia reagir com tensão, questionando se aquilo está correto ou não. Acho que isso mostra que, às vezes, o ressentimento pode nos enganar, e não o pai ou a mãe que enfrenta a demência. É maravilhoso o momento em que ele percebe que toda mágoa vivida era infundada”. “Acredito que nunca é tarde para nós, seres humanos, nos arrependermos e mudarmos. Somos seres em constante movimento e evolução, e é bonito ver a reconciliação entre pai e filho, mas, sobretudo, a reconciliação do Mauro consigo mesmo, com suas dores e mágoas”, acrescenta. O ator Ilvio Amaral comenta que interpretar Hélio foi um grande desafio, mas o apoio de Jair Raso e Andréa Raso foi fundamental para desempenhar o papel. Ele também destaca o equilíbrio entre os momentos de drama e humor. “É muito gratificante abordar um tema tão sério de forma leve. Sem desrespeitar o Alzheimer ou as pessoas que convivem com a doença, conseguimos trazer leveza ao espetáculo. É um texto perfeito, com a direção criativa do Jair e da Andréa, e temos conseguido transmitir tanto a comédia quanto o drama durante a apresentação”. Canguçú conclui destacando o impacto da peça no público. “Temos recebido depoimentos incríveis. Além de ser uma obra bonita, acredito que também prestamos um serviço às pessoas que estão vivendo esse momento”. Serviço “Maio, antes que você me esqueça” Datas: 29 e 30 de janeiro, 5, 6, 12 e 13 de fevereiroHorário: sempre às 20hLocal: Teatro Feluma Alameda Ezequiel Dias, 275 Belo Horizonte – MGIngressos: R$ 25 pelo site vaaoteatromg.com.br ou R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) na bilheteria do teatro
Incerteza com economia brasileira ajuda na queda do ICEI em janeiro

O cenário é de pessimismo na indústria brasileira em relação à economia no início de 2025. De acordo com dados do primeiro Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador que mede as expectativas dos empresários para a economia brasileira nos próximos seis meses ficou em 42,5 pontos, diferente de janeiro de 2024, quando estava em 50,1 pontos, indicando otimismo. De forma geral, o ICEI em janeiro de 2025 atingiu 49,1 pontos, um ponto a menos em relação a dezembro de 2024. Desde setembro do ano passado, o índice acumula queda de 4,2 pontos. “Isso vem acontecendo devido a piora na avaliação das condições de negócio e uma percepção dos empresários de deterioração nas condições atuais da economia brasileira. Esse cenário está relacionado à mudança na política monetária, com os aumentos na taxa Selic e a variação na taxa de câmbio, impactando negativamente a indústria e a confiança”, explica o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo. Outros componentes do ICEI registraram queda. O Índice de Condições Atuais recuou 2,3 pontos, atingindo 44,2 pontos. Na avaliação dos empresários, as condições atuais da economia e das empresas tornaram-se desfavoráveis em relação aos seis meses anteriores. O Índice de Expectativas diminuiu 0,4 ponto, chegando a 51,5 pontos. Segundo Azevedo, o número permanece positivo para os próximos meses devido ao otimismo dos empresários em relação às suas empresas. “Com 56 pontos, ele sustenta o índice acima dos 50 pontos”. Política econômica Para que a confiança dos empresários melhore nos próximos meses, Azevedo avalia ser necessária uma revisão da política monetária. “O Banco Central precisa retomar os cortes na Selic. Entendemos que a política atual está excessivamente restritiva para conter a inflação e observamos uma série de fatores que indicam desaceleração da economia, afetando a indústria e a atividade econômica como um todo”. O economista Wallace Marcelino Pereira ressalta que a comunicação do governo federal tem sido deficiente, sendo necessárias melhorias para evitar incertezas econômicas na sociedade. “Uma economia cujos agentes estão tomados pela dúvida faz com que as expectativas negativas aumentem, e o efeito direto disso é a queda do investimento produtivo. Nenhum empresário vai arriscar investir se, na sua percepção, o cenário econômico está incerto e o governo não consegue sinalizar claramente qual será a estratégia para conduzir a política econômica”. Ele também sugere maior assertividade na condução da política econômica. “Pouco se observa nas falas do Ministro da Fazenda, temas como investimento em infraestrutura, melhoria da produtividade, retomada da industrialização, qualificação da mão de obra e desburocratização. Ao falar apenas em arrecadação, cria a sensação de que o governo está preocupado apenas em garantir receitas. A qualidade do crescimento econômico é crucial para a indústria, pois ela pavimenta o caminho para decisões favoráveis ao investimento privado no médio e longo prazo”. Governo Trump Sobre o novo mandato de Donald Trump, Azevedo acredita que é necessário aguardar para ver como as promessas do republicano serão implementadas na prática. “Os Estados Unidos são um parceiro importante no setor industrial. Certamente surgirão oportunidades. A indústria brasileira precisa estar atenta para aproveitá-las e ocupar espaços nos EUA e em outros países, as mudanças que devem ser provocadas por medidas do novo governo”. O economista destaca que Trump buscará realinhar a ordem econômica mundial em condições mais favoráveis aos EUA. Ele avalia que nos primeiros seis meses de gestão do republicano, a indústria estará menos disposta a ampliar sua capacidade produtiva. “No Brasil pode haver uma redução na atividade econômica. Internacionalmente, existe a possibilidade de os produtos brasileiros sofrerem taxações adicionais. O cenário é de incerteza, com expectativa neutra sobre os desdobramentos iniciais”. “Não acredito que haverá grandes impactos nas exportações e nos acordos comerciais. Se Trump seguir o que tem dito, a inflação norte-americana poderá aumentar significativamente, prejudicando a imagem de seu governo. O foco principal será nas relações com a China. No caso do Brasil e outros países, as negociações devem ser pontuais e os impactos mais limitados”, finaliza.
Mais da metade dos profissionais querem mudar de emprego este ano

Pouco mais de 103 milhões de pessoas estão trabalhando no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e uma parte desses trabalhadores deseja mudar de emprego em 2025. De acordo com o Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 54% dos profissionais buscam um novo trabalho em 2025. O número é quatro pontos percentuais maior que no mesmo período do ano passado. A pesquisa indica que 69% dos respondentes manifestaram interesse em mudar de empresa, mantendo sua área profissional. O dado representa um crescimento de cinco pontos em relação a janeiro de 2024. Entre os principais motivos estão melhores oportunidades de crescimento, salários mais altos, benefícios atrativos e um equilíbrio maior entre a vida pessoal e profissional. A especialista em recolocação profissional e transição de carreira, Andiara Martins, avalia que fatores como a busca por propósito e maior qualidade de vida têm contribuído para o aumento do desejo de mudar de emprego. “Também temos um cenário econômico que incentiva a busca por mais estabilidade e melhor remuneração, a demanda por flexibilidade, através do modelo de trabalho híbrido ou remoto, as mudanças geracionais, onde os mais jovens priorizam a diversidade. A automação e a inteligência artificial exigem novas habilidades dos profissionais”. “A busca por qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional tem impacto direto e significativo na saúde mental desses profissionais. Esse reflexo pode ser observado de várias formas: ambientes de trabalho mais flexíveis e equilibrados tendem a diminuir os níveis de estresse crônico, prevenindo condições como ansiedade e burnout. Profissionais que conseguem dedicar tempo a interesses pessoais, família e hobbies relatam maior sensação de realização e felicidade”, acrescenta. Já 31% dos entrevistados desejam mudar de ramo, segmento ou carreira. A busca por realização pessoal, qualidade de vida, salários mais altos, aprendizado de algo novo e maior flexibilidade foram citados como razões. Andiara destaca que o autoconhecimento e planejamento, são essenciais para equilibrar a busca por realização pessoal e o medo de recomeçar em um novo setor. “Ferramentas de avaliação de carreira ou consultoria especializada podem ajudar a alinhar as aspirações pessoais ao mercado. O profissional também pode explorar o segmento desejado por meio de cursos, projetos paralelos ou mentorias, permitindo uma transição mais segura. A atenção e o investimento em uma boa rede de contatos são primordiais. Preparar uma reserva financeira reduz a pressão imediata por resultados e proporciona tranquilidade para enfrentar os desafios iniciais”. Permanência no emprego O levantamento também questionou as motivações em permanecer no emprego atual. Com 56%, benefícios e remuneração, foi o mais citado. Seguido por flexibilidade no modelo de trabalho (32%), ambiente de trabalho e cultura organizacional (32%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (27%) e oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional (27%). O diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, Fernando Mantovani, destaca que é um desafio diário para as empresas se manterem competitivas no cenário atual. Ele aponta que as organizações devem investir em políticas claras de trabalho, na transparência das lideranças, além de bons pacotes de benefícios e remuneração, condizentes com as médias praticadas pelo mercado. “O panorama é favorável para os profissionais sintonizados com as exigências atuais das empresas, que concorrem de forma acirrada pelos melhores talentos do mercado. Tendo em vista que o capital humano constitui o recurso mais valioso de uma companhia, sugiro às lideranças a adoção de uma visão estratégica para evitar reconhecer colaboradores essenciais apenas quando estiverem prestes a sair”. Tendências para 2025 A especialista avalia que setores como tecnologia, energia renovável, saúde e biotecnologia, educação, logística, comércio eletrônico, entretenimento digital e economia criativa devem atrair mais candidatos devido às tendências econômicas, tecnológicas e sociais. “Percebo que esses segmentos atraem maior interesse devido à promessa de crescimento e relevância no futuro”.
Tempo de tela em excesso causa impactos na saúde física e mental

Considerada a palavra do último ano pela Universidade de Oxford, brain rot, ou podridão cerebral na tradução literal, é um termo que tem ganhado destaque. Apesar de ainda não ser uma condição clinicamente reconhecida, os sintomas associados são alarmantes e incluem dificuldade de concentração, redução da produtividade, aumento da agitação e quadros de ansiedade e depressão. O psiquiatra Ricardo Assmé destaca que, antes de compreender o que é o brain rot, é essencial entender o funcionamento do cérebro. “Ele foi projetado com o objetivo de manutenção da espécie humana, possuindo como funções secundárias as cognitivas superiores. O cérebro consegue preservar a espécie humana gerando prazer, por meio da liberação de dopamina. Atualmente, algumas situações também fornecem essa descarga, como jogos eletrônicos, jogos de azar e consumo de vídeos curtos”. “O brain rot pode impactar nossas vidas a partir de mudanças comportamentais. A capacidade de uma pessoa agir, analisar as coisas e socializar se degrada, pois, com a inércia desse comportamento, alguns hábitos e aprendizados antigos são perdidos. A habilidade de compreensão social muitas vezes é prejudicada em quem tem contato excessivo com a internet e pouca socialização. Mudanças comportamentais se tornam mais difíceis se a pessoa não acostuma o cérebro com atividades que demandam esforço e proporcionam prazer”, acrescenta. A condição também pode trazer impactos significativos aos motoristas. “Costuma ocorrer uma deterioração cognitiva, afetando o raciocínio crítico. O cérebro, condicionado a funcionar em modo automático devido ao uso excessivo de telas, perde a capacidade de atenção plena e decisões rápidas. No trânsito, a situação pode ser fatal, pois exige concentração e respostas imediatas. Nessas circunstâncias, o brain rot mina essas capacidades, transformando os motoristas em potenciais agentes de risco e aumentando as chances de acidentes”, explica a psicóloga e diretora da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Actrans-MG), Giovanna Varoni. Ela ressalta que cerca de 90% dos acidentes no trânsito são provocados por fatores humanos, e as principais vítimas têm entre 18 e 35 anos. “O declínio da saúde mental gera impactos desastrosos. Motoristas distraídos tendem a provocar mais acidentes, exceder os limites de velocidade e até mesmo desrespeitar a sinalização de trânsito. Por outro lado, irritação e estresse geram comportamentos agressivos e imprudentes, aumentando as chances de acidentes graves. As pessoas subestimam o efeito da saúde mental na capacidade de dirigir com segurança”. O adoecimento mental também pode acarretar outras consequências, como a privação do sono, segundo a presidente da Actrans-MG, Adalgisa Lopes. “Ao assistir vídeos no celular à noite, o cérebro não está relaxando, mas sendo estimulado o tempo inteiro. A pessoa demora a dormir e, consequentemente, tem menos horas de sono. Isso compromete a atenção e memória. No trânsito, o tempo de reação será reduzido, o que é extremamente perigoso”. Como prevenir Uma das maneiras de reverter o brain rot é limitar o tempo de uso de telas, segundo Ricardo Assmé. “Fuja de conteúdos rápidos e superficiais. Evite atividades que demandam muito tempo, como jogos eletrônicos em excesso, e engaje-se em práticas prazerosas, como socializar, conversar olhando nos olhos e abraçar as pessoas”. Adalgisa complementa que as telas devem ser desligadas entre 30 a 40 minutos antes de dormir. Além disso, ela defende a necessidade de campanhas consistentes para mostrar como o uso excessivo pode ser prejudicial ao ser humano.