“Céu Azul é Tempestade” debate a reparação histórica e o racismo

Escrito pela jornalista Patricia Xavier, o livro “Céu Azul é Tempestade” conta a história de Tereza, que, junto com seus filhos, Cido e Juninho, será uma das primeiras contempladas por uma decisão histórica: a retratação financeira pelo trabalho dos antepassados escravizados. Além das possibilidades de reparação pela injustiça sofrida por pessoas negras escravizadas e os desafios desse processo, a ficção também busca refletir sobre os possíveis caminhos para a compensação histórica e as consequências do racismo na contemporaneidade. “Acredito que a ficção é uma maneira eficaz de envolver e chamar a atenção das pessoas para assuntos importantes. Quando alguém lê uma história, acompanha situações vividas pelos personagens e sente o desenrolar da trama junto com eles. Assim, é possível que esse leitor compreenda melhor as relações entre as pessoas e o mundo à sua volta”, destaca Patricia Xavier. Porém, a conquista de Tereza e seus filhos não é aceita pelos donos das terras da pequena Águas Correntes, descendentes daqueles que escravizaram os antepassados da protagonista e de outros habitantes locais. A escritora ressalta que Tereza possui semelhanças com as mulheres de sua família. “Elas fizeram o possível para que as gerações seguintes sofressem menos com o racismo. Assim como tantas outras mulheres, ainda lutam para que o fato de ser negro não seja um impedimento para se alcançar melhores condições de vida”. Oprimida pela escolha entre sua família e a comunidade, Tereza contará com uma rede de apoio formada pelos filhos, amigos, a população quilombola local e a presença invisível de seu bisavô Bô, que acompanha seus passos e com quem se encontra nas rodas de jongo. Patricia enfatiza que a luta da protagonista é pelos filhos, pela comunidade e por todos que vieram antes. “Nas rodas de jongo há esse encontro, essa reverência por aqueles que foram sequestrados, arrancados de suas vidas, expostos a condições de trabalho extenuantes e que nunca desistiram. Lutaram, fugiram, se aquilombaram e são a base da força dessa comunidade para continuar a resistência”. A autora acredita que seu livro possa se somar a tantas outras obras que abordam o racismo e a desigualdade no Brasil, estimulando o debate sobre esses temas. “Os negros no Brasil sempre lutaram e alcançaram conquistas importantes, mas precisamos avançar mais e com maior rapidez”. Ela relata que o trabalho de escrever “Céu Azul é Tempestade” lhe proporcionou dois momentos de grande satisfação: o da escrita e o de ouvir a opinião dos leitores. “Fico muito feliz em saber como se sentiram próximos dos personagens, como a descrição das cenas os transportou para as ruas dessa cidade fictícia, como se identificam e compartilham a agonia de Tereza, como a tensão crescente da história os prende e, finalmente, como o desfecho os faz compreender a complexidade das relações entre pessoas negras e brancas de diferentes classes sociais no Brasil e o que precisa mudar”. O livro também será traduzido para espanhol e francês. A jornalista considera essencial discutir o tema em outros países que também receberam pessoas escravizadas, assim como nas antigas nações colonizadoras. “As consequências da escravidão estão presentes até hoje na forma como as sociedades se organizam. Por isso, vejo esse debate sobre reparação como um tema fundamental e urgente para a redução da desigualdade”, conclui.

Mais brasileiros acreditam que é necessário aprendizado contínuo

Nove em cada dez brasileiros consideram importante aprender novas habilidades independentemente da idade, segundo o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP). O levantamento, que avalia aspectos como saúde física e mental, interações sociais e educação financeira em uma escala de 0 a 100, também revelou que 78% dos entrevistados afirmaram buscar constantemente novos conhecimentos. Para o especialista em longevidade, Alexandre Kalache, o resultado demonstra que o Brasil está acompanhando uma tendência chamada lifelong learning (aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre). “Esse conceito defende o aprendizado contínuo, desde a infância até a velhice. Ou seja, o processo educativo não se encerra com a conclusão do ensino médio, da graduação ou da pós-graduação, mas se estende ao longo da vida em diferentes contextos”. “Como essa aprendizagem não se limita aos formatos tradicionais de ensino, especialmente o presencial, ela permite que as pessoas se adaptem com mais rapidez e eficiência às transformações do mercado de trabalho e da sociedade”, acrescenta. O programador João Carlos Ferreira trabalhou no setor comercial de uma grande empresa por mais de 20 anos, até perceber que a tecnologia estava transformando sua área. “Comecei a estudar por conta própria, assistindo a vídeos e fazendo cursos on-line. No início, achei que não conseguiria, que já era tarde demais. Mas descobri que aprender é um processo contínuo e sempre há espaço para se reinventar. Hoje, atuo em uma área que me motiva e vejo que fiz a escolha certa”. Ferreira ressalta que o conhecimento é essencial para acompanhar as mudanças no mundo. “No começo, acreditava que aprender algo completamente novo depois dos 40 anos era impossível. Entendo que me manter atualizado e aberto a novas habilidades não é apenas um diferencial, mas uma necessidade. A aprendizagem contínua nos mantém ativos, relevantes e, acima de tudo, confiantes para enfrentar qualquer desafio”. Ensino superior Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2023, os cursos de educação a distância (EAD) registraram um aumento de 474% nos últimos dez anos. Além disso, o Brasil contava com 51.369 estudantes com 60 anos ou mais matriculados em cursos de graduação em 2023, um crescimento de 56% em comparação com 2012. Um exemplo é a estudante de psicologia Maria Helena Santos. Após anos dedicados à família e ao trabalho como costureira, ela foi incentivada por filhos e netos a retomar os estudos. “Sempre tive curiosidade sobre o comportamento humano, mas não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Quando meus netos começaram a faculdade, percebi que eu também podia fazer isso. No início, tive receio de não acompanhar as aulas, mas me surpreendi. Aprender me deu um novo propósito”. “Em um ambiente de trabalho que exige cada vez mais flexibilidade e adaptação, o aprendizado contínuo é fundamental para manter a competitividade. Vivemos a Revolução da Longevidade em paralelo à Revolução Tecnológica. Novas ferramentas estão transformando a forma como trabalhamos e interagimos profissionalmente. As habilidades valorizadas hoje podem não ser as mesmas em cinco ou dez anos. Além disso, aprender continuamente aprimora a capacidade de resolver problemas, estimula a criatividade e permite que cada profissional se destaque em sua área, independentemente da idade”, conclui Kalache. Metodologia do ILP O Indicador de Longevidade Pessoal foi desenvolvido com base em parâmetros e metodologias de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu objetivo é aproximar o conceito de longevidade de todas as faixas etárias. O índice, que varia de zero a 100 pontos, avalia 31 variáveis distribuídas em seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física e mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.

Audiência debate impacto da redução da APA em Araçuaí

Os impactos socioambientais de uma possível redução da Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Lagoão, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, foram tema de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 26 de fevereiro. A discussão foi motivada por um Projeto de Lei (PL) apresentado pela Prefeitura de Araçuaí à Câmara dos Vereadores, em 7 de fevereiro, em caráter de urgência, com o objetivo de modificar a área de proteção, alterando a Lei Municipal que criou a APA em 2007. Caso seja aprovado, o projeto reduzirá a área em 5.500 hectares. Por meio do deputado Duarte Bechir (PSD), o prefeito do município, Tadeu Barbosa de Oliveira, informou que não poderia comparecer à Assembleia nem participar remotamente, justificando que havia sido convidado apenas na véspera da audiência pública. A resposta não agradou à autora do requerimento, deputada Beatriz Cerqueira (PT). “O prefeito mentiu para o deputado. Os convites foram enviados a todos os convidados no dia 20 de fevereiro. Desde essa data, a prefeitura já tinha conhecimento da audiência”. Nenhum outro representante do Executivo de Araçuaí esteve presente. O vereador Danilo Borges afirmou que os parlamentares da cidade não concordaram com o regime de urgência da proposta. “Além de não respeitar o processo de consulta às comunidades locais, as argumentações apresentadas pelo prefeito não são verdadeiras. Mas o que mais nos chamou a atenção foram os possíveis conflitos minerários na área que será retirada”. Diversas pessoas de movimentos sociais estiveram presentes ao Auditório José Alencar, dentre eles o integrante do conselho gestor da APA Chapada do Lagoão, Antonio Gomes Santos. Ele relatou que há pessoas no município que dizem que o conselho é contra o desenvolvimento de Araçuaí. “Nós queremos preservar, enquanto eles estão destruindo. Para desenvolvermos a cidade, temos que manter nossas riquezas naturais, sem a necessidade de reduzir a APA”. A professora e pesquisadora do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Vanessa Juliana da Silva, destacou que a mudança pode trazer diversos impactos para a população local. “A redução apresenta um risco iminente não apenas do ponto de vista da perda de diversidade biológica, fauna, flora e ecossistemas. Também ameaça as 139 nascentes que estão na APA, impactando a segurança hídrica da região e aumentando a possibilidade de eventos climáticos extremos”. O procurador da República, Helder Magno da Silva, enfatizou que a região possui dupla importância, pois, além de ser uma área de preservação ambiental, abriga comunidades quilombolas. Ele demonstrou preocupação com a proposta. “No direito ambiental, existe o princípio do não retrocesso. Você não pode extinguir ou diminuir uma unidade de conservação. O PL deveria ter sido apresentado para consulta prévia da comunidade local”.

Estudo aponta alto risco de recorrência do câncer de pele

De acordo com um relatório elaborado pelo National Comprehensive Cancer Network (NCCN), 60% das pessoas que tiveram câncer de pele serão diagnosticadas com um segundo caso dentro de dez anos. Ainda segundo o estudo, o risco de uma nova ocorrência aumenta drasticamente se o paciente já tiver sido diagnosticado com um segundo câncer de pele não melanoma. Recentemente, a atriz Ísis de Oliveira anunciou que recebeu um novo diagnóstico da doença. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela mostrou as lesões no rosto. Outras celebridades também enfrentaram um segundo diagnóstico de câncer de pele, como os atores Ewan McGregor e Hugh Jackman, as atrizes Diane Keaton e Melanie Griffith, além da influencer Khloé Kardashian. Segundo o vice-diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Alex Schwengber, existem dois fototipos de pele mais propensos ao desenvolvimento do câncer de pele. “O tipo um corresponde a pessoas de pele muito clara, com sardas e cabelo ruivo. Já o tipo dois inclui indivíduos de pele clara, cabelo claro e sem muitas lesões pigmentares. Essas pessoas têm uma propensão natural maior devido à baixa proteção da melanina, que é mais abundante em indivíduos de pele escura, a desenvolver câncer de pele com mais frequência”. “O grande problema está no fato de que a maioria de nós, ao longo da vida, recebe muita radiação, oriunda especialmente do sol, mas também da iluminação artificial e da exposição a raios X, como os emitidos por aparelhos de radiologia. Além disso, há ainda a exposição à radioterapia, que é um método de tratamento do câncer. Quando chegamos à fase adulta, por volta dos 30 ou 40 anos, já acumulamos uma carga de radiação suficiente para provocar alterações no DNA das células da pele, aumentando o risco de tumores cutâneos”, acrescenta. Um estudo realizado na Espanha, com pacientes diagnosticados com câncer de pele, avaliou o risco de uma segunda neoplasia cutânea e apontou que as recorrências foram significativamente mais comuns em regiões como face central, sobrancelhas, nariz, lábios, queixo, orelhas, têmporas, genitália, mamilos/auréolas, mãos, pés, tornozelos e unhas, especialmente quando os tumores apresentavam mais de seis milímetros de diâmetro. A pesquisa também revelou que os homens possuem um risco 160% maior de desenvolver a doença pela segunda vez. Schwengber destaca que essa maior probabilidade entre o público masculino está relacionada à maior exposição ao sol. “A maioria dos trabalhadores que se expõem cronicamente à radiação ultravioleta são homens. Outro fator importante é o autocuidado. Geralmente, as mulheres adotam comportamentos mais cuidadosos com a saúde e buscam orientação médica antes que as lesões evoluam”. O especialista orienta que, independentemente de já ter tido câncer de pele ou não, o paciente deve consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano para detectar lesões pré-malignas antes que evoluam para câncer. “Isso evita tratamentos mais agressivos e a necessidade de remoção cirúrgica. Já para aqueles que tiveram câncer de pele não melanoma, a recomendação é que consultem o dermatologista pelo menos a cada seis meses”. “Cuidar da pele de forma integral também é essencial. Evite a exposição prolongada à radiação ultravioleta, especialmente nos horários de pico, entre 10h e 16h. Sempre que houver exposição ao sol, use roupas com fator de proteção, chapéu de aba larga, óculos escuros e filtro solar”, finaliza. Casos em 2025 Considerado o tipo de câncer mais comum no Brasil, são esperados para este ano 220.490 novos casos de câncer de pele não melanoma, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além disso, há previsão de 8.980 novos casos anuais de melanoma, a forma mais agressiva da doença.

Parceria leva acervo digital a 1,6 milhão de alunos em Minas

Mais de 1,6 milhão de estudantes da rede estadual de ensino têm, desde junho do ano passado, acesso a um acervo digital de textos, imagens e vídeos por meio de uma parceria com a Britannica Education. O material abrange uma ampla gama de áreas do conhecimento, como língua portuguesa, geografia, história, matemática, ciências da natureza, além de esportes, artes e religião. “A digitalização do conteúdo é parte da nossa história. Existe um aspecto muito relevante aqui, que é a produção de material local para atender às necessidades específicas dos estudantes brasileiros, em particular os de Minas Gerais. Temos uma equipe editorial local que trabalha na criação de artigos detalhados voltados para a realidade mineira”, explica Ana Bartholo, diretora de marketing da Britannica Education na América Latina. Ana detalha que o projeto alcança todos os municípios mineiros, que possuem realidades distintas. Ela ressalta que um trabalho conjunto com a Secretaria de Estado de Educação está sendo desenvolvido para garantir que o conteúdo chegue a todos os envolvidos. “Trabalhamos junto com a equipe da Escola de Formação para capacitar os professores, não apenas no uso das plataformas, mas também nas metodologias ativas que integram a tecnologia à sala de aula. Nosso objetivo é ensinar como utilizar a tecnologia a favor do ensino e preparar o docente para transformar suas aulas de maneira impactante, sem simplesmente transpor o material impresso para a tela”. “Estamos promovendo a integração do nosso conteúdo ao currículo educacional mineiro. A equipe pedagógica da Britannica mapeou todo o currículo e está estabelecendo conexões entre o material disponível nas plataformas e os conteúdos já utilizados pelos docentes em sala de aula. Tudo isso para oferecer a melhor experiência possível para professores e estudantes da rede”, complementa. A diretora de marketing destaca ainda a preocupação em levar aos alunos conteúdos verificados e de fontes confiáveis, auxiliando no combate à desinformação. “Pesquisas mostram que as crianças e os jovens de hoje têm mais dificuldade para discernir fatos de informações falsas. Também encontram desafios em verificar fontes e separar o que é verdadeiro do que não é. Entendemos que faz parte do nosso papel social estimular o pensamento crítico, promovendo o acesso a informações checadas e confiáveis, ajudando a reduzir os ruídos que se espalham”. Além de Minas Gerais, a companhia mantém parcerias com outros municípios brasileiros, oferecendo soluções como o ensino da língua inglesa. “Temos parcerias institucionais e trabalhamos em conjunto com os órgãos da educação para compreender as demandas, estabelecer colaborações e oferecer soluções adequadas aos estudantes brasileiros, promovendo um impacto real na educação”, finaliza Ana.

Franquias projetam alta de até 10% no faturamento este ano

O setor de franquias espera mais um ano de crescimento em 2025. A expectativa da Associação Brasileira de Franchising (ABF) é encerrar o ano com uma expansão entre 8% e 10% no faturamento. Além disso, a entidade prevê um aumento de 2% nos indicadores de operações, redes e empregos diretos. “Caso o cenário econômico continue favorável ao consumo, as projeções podem ser superadas. Com o desemprego em níveis historicamente baixos e a massa salarial elevada, a manutenção do poder de compra da população pode impulsionar a demanda por produtos e serviços, beneficiando diretamente as redes de franquia. Além disso, o aumento da confiança do consumidor e do empresário pode estimular novos investimentos e a abertura de unidades franqueadas”, explica o diretor regional da ABF em Minas Gerais, Antônio Bortoletto. O especialista em franquias, Lucien Newton, avalia que, para um desempenho acima da meta, os investimentos em inovação, tecnologia e adaptação às novas demandas do consumidor devem ser contínuos. “A digitalização das operações, o uso de dados para personalizar a experiência do cliente e a expansão de modelos híbridos serão fundamentais. A internacionalização de redes brasileiras, como já ocorre com o açaí, pode abrir novas fronteiras e impulsionar o crescimento”. “Outro fator será a capacidade de atrair novos empreendedores, especialmente por meio das microfranquias, que têm um apelo maior para quem deseja empreender com menor risco. A consolidação de marcas fortes e a profissionalização do setor continuarão sendo diferenciais para manter a confiança dos investidores e consumidores”, acrescenta. Segundo Bortoletto, a eficiência operacional conquistada pelas redes em 2024 também pode ajudar a superar a meta. “Após um período de ajustes e otimização de processos, muitas franquias podem estar mais preparadas para acelerar sua expansão, aproveitando oportunidades estratégicas de mercado. Fatores externos, como a estabilidade cambial, o controle da inflação e incentivos ao empreendedorismo, podem criar um ambiente propício para um crescimento acima do esperado”. Os números são considerados conservadores devido à perspectiva de novas altas da taxa Selic, ao crescimento mais moderado do Produto Interno Bruto (PIB), à pressão inflacionária sobre o poder de compra dos consumidores e aos reflexos nos índices de confiança de empresários e consumidores. Além disso, há incertezas no cenário internacional e oscilações no câmbio. O diretor da ABF destaca que esse aperto pode gerar mais pressão sobre a gestão financeira das franqueadoras e unidades franqueadas, dificultando novos investimentos. “Atenção à gestão financeira, busca por eficiência operacional e ajustes nos negócios permanecem fundamentais. Do lado do consumidor, esse contexto tende a dificultar o acesso ao crédito e comprimir os orçamentos, exigindo adaptações nos negócios e a busca por novos públicos e mercados”. Crescimento em 2024 O mercado registrou um crescimento nominal de 13,5% em 2024, alcançando um faturamento de R$ 273 bilhões e superando a expectativa inicial de 10%. No último trimestre do ano passado, houve uma expansão de 11,3%, totalizando R$ 81 bilhões. De acordo com Newton, a retomada definitiva do consumo presencial após a pandemia foi um dos principais motores desse desempenho. “Segmentos como entretenimento e lazer (16,6%), saúde, beleza e bem-estar (16,5%) e alimentação (16,1%) se destacaram, impulsionados pela demanda reprimida e pela busca dos consumidores por experiências presenciais. A ascensão das microfranquias, com investimentos iniciais mais acessíveis, permitiu que mais pessoas ingressassem no mercado, ampliando a base do setor. A inovação das redes franqueadoras, que se adaptaram às novas demandas do consumidor, a profissionalização do setor e a confiança no modelo de franquias, que reduz riscos para os empreendedores, também contribuíram para esse crescimento expressivo”, conclui.

Congresso discute novas regras para trabalho por aplicativo

Em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 12/2024 busca regulamentar a atividade de motoristas de aplicativos de transporte individual de passageiros. O texto foi elaborado a partir de debates entre governo, empresas e representantes da categoria. O PLP estabelece como um de seus principais pontos a definição da atividade como “trabalho autônomo por plataforma”, além de prever uma remuneração mínima por hora trabalhada e a inclusão dos motoristas no sistema previdenciário, garantindo acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença. A proposta também exige que as plataformas forneçam informações transparentes sobre as regras de trabalho, critérios de pagamento e formas de avaliação dos condutores. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em direito do trabalho, Conrado Di Mambro. Como você avalia a proposta em discussão no Congresso Nacional? Essa pauta reflete a tentativa de construir um arcabouço jurídico que traga segurança tanto para os trabalhadores quanto para as empresas de tecnologia. A regulamentação desse setor busca equilibrar inovação tecnológica e proteção dos direitos trabalhistas. Qual tem sido o papel do STF e do TST nas decisões sobre o trabalho por aplicativo? O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido fundamental na análise constitucional das novas relações de trabalho. Recentemente, suas decisões vêm sinalizando a necessidade de equilibrar inovação e proteção social, colocando em debate os limites da chamada “pejotização” no setor. Já o Tribunal Superior do Trabalho (TST) desempenha um papel relevante na uniformização das decisões trabalhistas, avaliando casos específicos para determinar a existência de subordinação, habitualidade e onerosidade – critérios clássicos para o reconhecimento do vínculo empregatício. Uma das principais questões em debate é se os profissionais por aplicativo se enquadram no conceito de “trabalho subordinado” ou se devem ser tratados como “trabalhadores autônomos”. A partir desse entendimento, define-se o conjunto de direitos aplicáveis, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As decisões do Judiciário trouxeram avanços para esses trabalhadores? O principal avanço tem sido o reconhecimento, por parte de algumas decisões judiciais, da necessidade de garantir direitos mínimos, como previdência social, seguro contra acidentes e condições seguras de trabalho. Essas garantias visam proteger os profissionais, que frequentemente enfrentam jornadas exaustivas e riscos elevados nas atividades de transporte e entrega. Quais desafios ainda precisam ser superados nesse modelo de trabalho? Um dos principais entraves é a resistência das plataformas em reconhecer qualquer forma de vínculo empregatício, sob o argumento de que os motoristas são autônomos. Se esse posicionamento for consolidado sem a imposição de garantias mínimas, o trabalho por aplicativo pode se tornar ainda mais precarizado, afastando-se de qualquer proteção trabalhista. Outro desafio é a falta de uniformidade nas decisões judiciais. Enquanto alguns tribunais reconhecem o vínculo empregatício em determinadas circunstâncias, outros reforçam a autonomia dos motoristas, gerando insegurança jurídica tanto para trabalhadores quanto para empregadores.

Campeonato Mineiro de Kart terá quatro etapas e novidades em 2025

  Vai ser dada a largada para o Campeonato Mineiro de Kart. O evento, organizado pela Federação Mineira de Automobilismo (FMA), terá como sede o kartódromo RBC Racing, em Vespasiano. Os pilotos, divididos em sete categorias, disputarão quatro etapas entre março e junho. A primeira ocorrerá nos dias 7 e 8 de março. “As expectativas não são apenas nossas, da FMA, mas também dos pilotos e equipes, e são as melhores. Minas Gerais é um dos grandes celeiros de talentos do automobilismo nacional e internacional, e o kartismo representa uma base fundamental. A principal novidade desta temporada é a utilização dos motores X-30 de dois tempos nas categorias correspondentes, os mesmos recentemente introduzidos nas principais competições nacionais”, destaca o presidente da FMA, Antônio Manoel dos Santos. A Federação espera a participação de 40 a 50 pilotos ao longo do campeonato. Eles serão distribuídos nas seguintes categorias: Cadete, para competidores de oito a onze anos; Fórmula 400 Júnior, de 12 a 14 anos; e Fórmula 400, para pilotos a partir de 15 anos – todas utilizando motores de quatro tempos. Já as categorias Sprinter contarão com pilotos das divisões Júnior (até 14 anos), Novatos e Graduados (15 a 27 anos), Sênior (28 a 44 anos) e Master (45 anos ou mais), que utilizarão propulsores de dois tempos. “O primeiro e o quarto eventos terão três corridas cada. O segundo e o terceiro contarão com duas corridas cada um. Em todos os eventos, os pilotos participam de treinos livres oficiais na sexta-feira, seguidos de um treino classificatório que define o grid de largada da primeira corrida. Há uma tabela de pontuação, e aqueles que somarem mais pontos ao final dos quatro eventos serão os campeões da competição”, explica Santos.   Como assistir A entrada no kartódromo será gratuita. A programação detalhada dos eventos estará disponível no site do Automóvel Clube de Belo Horizonte (www.autocbh.com), no site da FMA (www.fma.com.br) e nas redes sociais da federação.  

Show revive clássicos de Carmen Miranda em BH e Brumadinho

  Com o propósito de homenagear e relembrar Carmen Miranda e seus sucessos, além de divulgar a história da cantora para as novas gerações, a turnê “Taí! Carmen Miranda” será apresentada em Belo Horizonte no dia 20 de fevereiro, no Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil Vallourec, e no dia 22, no Teatro Municipal Nicodemus da Cunha, em Brumadinho. As duas apresentações serão gratuitas. Os ingressos para o espetáculo na capital devem ser retirados no site Eventim. Já em Brumadinho, as entradas estarão disponíveis na bilheteria do teatro. A cantora Sônia Andrade, que já interpretou Edith Piaf em outros trabalhos, conta que queria desenvolver um projeto mais voltado para o Brasil. “Me veio à mente uma lembrança da infância, quando meu pai escutava rádio, ouvia Carmen e cantava, do jeito dele, a música Taí. Assim surgiu a ideia: ‘Taí! Carmen Miranda por Sônia Andrade’. Não é uma imitação, é minha interpretação”. O repertório inclui clássicos como “Disseram Que Voltei Americanizada”, “South American Way”, “O Que É Que a Baiana Tem”, “Chica Chica Boom”, “Eu Dei”, “Tico-Tico no Fubá”, “Tic-Tac do Meu Coração” e “Taí”. A artista revela que foi um desafio selecionar as canções entre as mais de 300 gravadas por Carmen Miranda. “Pensei nas mais populares dos carnavais, e muitas delas não são tão conhecidas na voz de Carmen. Eu quis dar essa voz. Algumas músicas são extremamente divertidas e trazem uma crítica interessante. O maior desafio foi o preparo físico e vocal para cantar, dançar e interpretá-la”. Além da performance musical, os figurinos e cenários, assinados por Irene Andrade, foram cuidadosamente planejados para remeter aos icônicos espetáculos da Pequena Notável. A parte musical contou ainda com arranjos e direção de Gustavo Figueiredo. “Além de ser um excelente músico, ele é meu amigo. Já trabalhamos juntos em outros projetos, e ele sabe que gosto de inovar. O Gustavo teve total liberdade dentro do que conversamos e se divertiu na criação dos arranjos”, destaca a cantora. A turnê já passou por Conceição do Mato Dentro e Divinópolis. Para Sônia, a arte e a cultura devem chegar a todos os lugares. “Minas Gerais é um celeiro de talentos e também recebe muito bem a arte. Começamos por aqui e, depois, se Deus quiser, seguiremos para outros pontos do Brasil”. A cantora acredita que as apresentações de “Taí! Carmen Miranda” representam um resgate da obra da artista. “Ela precisa ser ouvida e vista, pois foi uma grande intérprete, a Pequena Notável. Deixo, nesta turnê, minha mais sincera admiração pela música brasileira. Meu legado seria o respeito e o resgate da boa música, para que os mais velhos relembrem essas canções e os mais jovens as conheçam”.  

Empresários apostam no Carnaval para aumentar vendas e faturamento

  “Os comerciantes da região Central e de outros centros comerciais de Belo Horizonte estão cada vez mais interessados nessa movimentação e buscando maneiras de tirar proveito e aumentar a renda de seus negócios durante o Carnaval”, comentou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, em reunião que contou com representantes de bares, restaurantes e do poder público municipal e estadual para discutir a organização da cidade no período de folia. O maior interesse em um desempenho melhor no Carnaval é confirmado por uma pesquisa realizada pela CDL/BH. Segundo o levantamento, 59,2% dos empresários da capital acreditam que a festa terá um impacto muito positivo nas vendas, um aumento de 19% em relação a 2024. “O Carnaval está atraindo cerca de 6 milhões de pessoas para Belo Horizonte. Isso é fundamental para impulsionar a principal atividade econômica da cidade, que é o comércio e os serviços”, destacou o presidente da CDL/BH. Os lojistas ouvidos na pesquisa esperam que os foliões gastem, em média, R$ 89,60 por produto. A expectativa é que cada pessoa compre até dois itens, o que pode elevar o valor médio para aproximadamente R$ 180, um crescimento de 42% em relação ao ano passado. Para 29,3% dos comerciantes, as vendas de vestuário devem ser as mais expressivas durante a folia, seguidas por bebidas não alcoólicas (26,5%), bebidas alcoólicas (24,9%), adereços (19,9%), lanches (19,3%) e fantasias (9,9%).   Hotéis e restaurantes A pesquisa da CDL/BH também ouviu empresários do setor hoteleiro de Belo Horizonte. Para 40% deles, as expectativas de ocupação para este ano estão acima ou muito acima da média. Já 50% acreditam que a demanda será semelhante à do ano anterior, enquanto 10% preveem uma taxa de ocupação inferior. De acordo com a presiDados foram divulgados em reunião na CDL/BH CDL/BH dente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Flávia Araújo, espera- -se um aumento mínimo de 30% no valor médio das diárias. “Na região Centro-Sul, já estamos com praticamente 90% de ocupação e temos certeza de que chegaremos a 100%. Na Pampulha e em áreas mais afastadas, a taxa está em torno de 60%, com expectativa de crescimento”. “Cerca de 67% dos donos de bares e restaurantes esperam um aumento no faturamento, sendo que 58% deles projetam um crescimento de pelo menos 20%, enquanto 9% aguardam um resultado ainda maior”, destacou a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Karla Rocha.   Poder público No encontro realizado na sede da CDL/BH, representantes do Corpo de Bombeiros e das Polícias Militar e Civil informaram que todo o efetivo estará mobilizado para garantir a segurança dos foliões. A subsecretária estadual de Política dos Direitos das Mulheres, Joana Coelho, afirmou que serão realizadas ações de combate ao assédio durante o Carnaval. “Estamos trabalhando de forma integrada para acolher as mulheres e garantir que elas possam aproveitar a festa com liberdade”. “Todos os anos convidamos o poder público estadual e municipal para discutirmos a organização do Carnaval. Essa reunião é para transmitir informações importantes aos foliões e ao setor de comércio e serviços, garantindo mais tranquilidade para quem visita Belo Horizonte”, concluiu Marcelo de Souza e Silva.