Sedentarismo e alimentação ruim impulsionam obesidade

De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, organizado pela Federação Mundial de Obesidade, 68% da população brasileira está com excesso de peso, sendo 37% com sobrepeso e 31% com obesidade. Segundo a entidade, essa porcentagem pode aumentar nos próximos anos, com projeção de crescimento de 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres até 2030. “O Brasil, assim como outros países, enfrenta esse aumento preocupante nos índices de obesidade devido a mudanças nos hábitos da população, ao sedentarismo e ao uso excessivo de telas. Além disso, fatores socioeconômicos, como insegurança alimentar e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, também contribuem para esse cenário”, ressalta o especialista em emagrecimento Thiago Viana. Para o nutrólogo Diego Torrico, o alto consumo de alimentos ultraprocessados também é um fator determinante para o aumento da obesidade. “Eles fazem com que a vida cotidiana seja mais rápida, levando as pessoas a optarem por soluções práticas, como fast food e outros produtos industrializados. Esses alimentos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, estimulando o aumento do apetite e a ingestão excessiva de calorias”. Uma das principais queixas das pessoas, segundo Torrico, é a de que estão se alimentando bem, mas não veem resultados. “Existe uma diferença entre comer bem e ter um déficit calórico. O paciente pode consumir alimentos saudáveis, mas não na quantidade adequada. Para perder peso, é necessário gastar mais calorias do que se consome”. Impactos Viana explica que a obesidade pode afetar a saúde mental, aumentando o risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima. “Muitas pessoas ainda enfrentam estigmas e discriminação, o que pode agravar o quadro. A qualidade de vida acaba sendo comprometida, gerando um ciclo vicioso de isolamento social e transtornos emocionais”. “Na saúde física, a obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso também sobrecarrega as articulações, podendo causar dores crônicas e perda de mobilidade. Outro fator preocupante é a síndrome metabólica, que eleva o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, complementa. Segundo o especialista, fatores como estresse, privação do sono e distúrbios hormonais estão diretamente ligados ao ganho de peso e à obesidade. “O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, estimulando o acúmulo de gordura e o desejo por alimentos calóricos. Já o sono inadequado desregula os hormônios da fome e saciedade, levando a escolhas alimentares ruins. Além disso, desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo e resistência à insulina, desaceleram o metabolismo e favorecem o ganho de peso. O controle desses fatores exige acompanhamento médico e melhoria na qualidade do sono”, orienta Viana. Incentivo desde cedo Ainda de acordo com o Atlas, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física com a frequência e intensidade recomendadas. Viana avalia que um dos caminhos para combater a obesidade é incentivar, desde cedo, a prática de esportes entre crianças e adolescentes. “Ensinar sobre alimentação equilibrada pode prevenir a obesidade no futuro. As escolas deveriam incluir educação nutricional no currículo e conscientizar pais e cuidadores. A redução do tempo de tela também é essencial, equilibrando entretenimento digital e atividades físicas. O poder público deve garantir infraestrutura para a prática de exercícios”. O nutrólogo reforça que a educação nutricional é fundamental, especialmente ao ensinar crianças a se alimentarem melhor. “Descascar mais e desembalar menos deve ser um princípio essencial. Os pais precisam preparar mais refeições em casa, incluindo frutas e verduras na dieta e evitando produtos industrializados. Essas pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo”, conclui.
Audiência debate segurança para cafeicultores mineiros

A prevenção de crimes no campo, tendo como vítimas produtores de café, foi tema de audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O temor é que os crimes ocorram com mais frequência devido ao alto preço do produto, que pode chegar a R$ 3 mil por saca de 60 kg. Prefeitos, vereadores, representantes de sindicatos e produtores rurais expressaram preocupação, pois, em muitas cidades, não há efetivo suficiente das forças de segurança. O cafeicultor Alisson Bueno Rossi lembrou que a sensação de insegurança ocorre durante todo o ano. “Nós somos roubados o ano inteiro, já que a atividade requer uma infraestrutura cara”. O autor do requerimento, deputado Professor Cleiton (PV), destacou que a audiência pública serviu para entender melhor a situação das forças de segurança e dos produtores. “Temos uma cultura no Brasil de apagar o incêndio quando ele já se alastrou. O que fizemos foi uma prevenção. É um problema sério, porque temos um efetivo baixo, mas também serviu para cobrarmos do Estado aquilo que pode mitigar e resolver a situação, reduzindo danos. Trata-se do investimento em tecnologia e inteligência, tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil, para monitorar as movimentações do crime organizado”. Ações de prevenção foram apresentadas, entre elas o “Projeto Campo Seguro”, da Polícia Civil. Segundo o órgão, já foram criadas 11 delegacias especializadas em repressão a crimes rurais no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Sul de Minas. Outras quatro unidades devem ser implantadas no Sul do Estado, e está sendo estudada a ampliação do projeto para a Zona da Mata. Já por parte da Polícia Militar, além da Patrulha Rural, será lançado, ainda em março, um novo programa voltado para a segurança no campo. “Um eixo será o fortalecimento do policiamento de presença no meio rural, fundamentado em critérios técnicos, verificando informações como, por exemplo, a safra agrícola, questões populacionais e demandas criminais em todos os municípios mineiros. O segundo eixo envolve operações de combate ao crime organizado e desarticulação de quadrilhas que atuam no meio rural, realizadas pela PM e outros órgãos do sistema de segurança pública de Minas Gerais. E o terceiro é voltado à integração, à manutenção de uma rede entre a corporação e todos aqueles que fazem parte da comunidade rural, sejam produtores, empreendedores ou moradores. Haverá um ciclo de encontros para captar as demandas e discutir soluções”, explicou o diretor de operações da corporação, Coronel Ralfe Veiga de Oliveira. Em entrevista ao Edição do Brasil, o presidente da Comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL), lembrou que, para garantir melhorias na segurança pública, é necessário maior investimento por parte do Governo do Estado. “Não há investimentos em segurança pública, equipamentos, tecnologia e na contratação de profissionais. Esses são os pontos principais para que possamos oferecer a quem veio à audiência pública uma melhor capacidade de resposta das forças policiais”. “Se não fossem as emendas da bancada mineira no Senado e da Câmara dos Deputados e dos parlamentares da ALMG, a situação da segurança pública estaria ainda pior. O governo sempre utiliza o discurso de que não tem condições de fazer investimentos porque está comprometido com a folha salarial e, ao mesmo tempo, tem uma dívida enorme com a União. Ainda não entendemos por que o governador não aderiu ao Propag, que daria fôlego financeiro e, consequentemente, condições para que o governo pudesse atuar, realizando concursos públicos e investindo em equipamentos de tecnologia que podem melhorar significativamente a segurança dos nossos cafeicultores e do produtor rural de forma geral”, questionou Professor Cleiton.
Centro Cultural Lá da Favelinha celebra 10 anos de impacto social

O Centro Cultural Lá da Favelinha, localizado no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, está completando uma década de história e transformação social em 2025. No local, são realizadas 13 oficinas semanais, atendendo mais de 200 pessoas por semana, promovendo trocas e construções na área de cultura e educação, com aulas de espanhol, Libras, capoeira, rap e passinho. “Tivemos mudanças significativas nesses 10 anos, como pessoas que começaram a ler na melhor idade e outras que tiveram seu sorriso renovado por meio de parcerias com dentistas. No ano passado, formamos mais de 50 mulheres empreendedoras com o curso realizado em parceria com a Boca Rosa Academy. Em outra parceria, capacitamos mais de 50 jovens periféricos para a creator economy. É uma construção coletiva que quase não dá para colocar em números”, conta o criador do Lá da Favelinha, o artista e ativista Kdu dos Anjos. Ele destaca que o projeto se desenvolveu a partir das demandas e dificuldades da comunidade. “Tínhamos uma demanda forte com o rap e, logo depois, chegou o pessoal do funk, que reclamava da falta de espaço e visibilidade. Enxerguei isso como uma oportunidade de gerar renda e também como uma potência, pois, na época, eles lançavam o passinho carioca e quase ninguém em Belo Horizonte fazia isso. Então, fomos a primeira companhia organizada da cidade a transformar essa dança em um meio de trabalho e começamos a vender shows”. “Outro exemplo é que muitas meninas e alguns meninos queriam ser modelos, mas percebemos a dificuldade de entrar no mundo da moda devido ao racismo estrutural. Assim, criamos o nosso próprio desfile, o Favelinha Fashion Week, que acontece em um beco chamado Passarela. Também percebemos que havia mulheres costureiras que queriam trabalhar com moda e criamos o Remexe Favelinha, uma cooperativa que reutiliza roupas já existentes. Essas peças, além de proporcionarem sustentabilidade financeira para essas mulheres, também beneficiam o meio ambiente, pois transformamos roupas que iriam para o lixo em luxo”, acrescenta. Uma das oficinas deste ano é a “Empreenda Fácil: Descomplicando o MEI”, ministrada por Vitor Sanches, contador do Lá da Favelinha e especialista em Direito Tributário. Os encontros ocorrerão até o dia 27 de março, às terças e quintas-feiras, às 19h. As inscrições podem ser feitas pelo formulário forms.gle/KKYoj9NSvDn8mU3i8. Kdu dos Anjos destaca que o espaço está aberto a tudo que envolva empreendedorismo criativo periférico. “Esse curso é muito importante porque atrai tanto pessoas de empreendimentos tradicionais, como salões de beleza, ferros-velhos e motoboys, quanto empreendedores criativos, como MCs e produtores musicais. A periferia precisa cada vez mais se munir de conhecimento, principalmente o burocrático, que é onde, muitas vezes, ficamos para trás. Na hora de uma negociação ou de dar passos maiores, é essencial saber emitir notas fiscais e estar de acordo com a lei”. Mais uma iniciativa do Lá da Favelinha é a companhia Favelinha na Estrada, que está viajando pelo Brasil com o espetáculo “Brinco de Ouro”, envolvendo pessoas da comunidade. Já no dia 20 de abril, acontecerá a Páscoa na Rua, outro evento programado para este ano. “Fazemos esse evento de forma voluntária, e a população de Belo Horizonte e de outros estados pode colaborar com chocolates ou até mesmo com doações em dinheiro. Muitas famílias querem comprar chocolates para seus filhos, mas não têm condições financeiras. Essa doação impacta diretamente na economia da família periférica. Levamos sorrisos às crianças e alívio ao bolso dos pais. Além disso, quando compramos os chocolates dentro da comunidade, geramos retorno financeiro para os moradores”, explica o idealizador do projeto. Além das oficinas existentes, o fundador do Lá da Favelinha promete novidades para este ano. “Tudo que for criativo, sustentável e revolucionário, estamos topando. Vamos construir a galeria de arte Torre de Bebel, um espaço dentro da favela. Por enquanto, posso adiantar que haverá um farol na galeria, porque somos gigantes. Também lançaremos o Cine Clube Favelinha, um festival de exibições cinematográficas ao longo do ano. E, no dia 3 de agosto, teremos a grande final da Disputa Nervosa Nacional, que percorrerá oito estados brasileiros selecionando o melhor dançarino ou dançarina de funk de cada região, com a final acontecendo em Belo Horizonte”, conclui.
Juros altos dificultam acesso ao crédito para pequenos negócios

Os microempresários vêm enfrentando dificuldades para obter crédito para seus empreendimentos. De acordo com o DataSebrae, em 2024, a taxa média de juros para crédito a microempreendedores individuais (MEIs) foi de 44,04% ao ano, enquanto, para microempresas, chegou a 42,49%. Outra alternativa dos empreendedores, o cheque especial, também registrou taxas elevadas: 128,46% ao ano para MEIs e 302,84% ao ano para microempresas. Esse cenário tem impulsionado a busca por crédito. Conforme o Indicador de Demanda por Crédito da Serasa Experian, houve um aumento de 13,1% nas solicitações de financiamento no ano passado. A analista de desenvolvimento territorial e serviços financeiros do Sebrae Minas, Débora de Souza, destaca que, quanto mais fácil é o acesso ao crédito, mais caro ele se torna no final, como no caso do cheque especial e da antecipação de recebíveis. “Para reduzir a necessidade de obter crédito é essencial manter uma gestão financeira eficiente, equilibrando prazos de pagamento com recebimentos e garantindo uma precificação adequada. Conhecer as próprias finanças é crucial para evitar custos ocultos, como taxas de antecipação de recebíveis”. Segundo Débora, na hora de conceder crédito, as instituições financeiras analisam o histórico do empresário e sua capacidade financeira para arcar com o pagamento do empréstimo. Quanto maior o risco, mais altas serão as taxas de juros. Ela também ressalta que os bancos devem ser vistos como parceiros e que a busca por crédito não pode ser considerada um vilão, mas deve ser utilizada de forma planejada. “Se um empresário recorre frequentemente a empréstimos para cobrir despesas fixas, como folha de pagamento e aluguel, isso pode indicar problemas na gestão financeira. Muitas vezes, a solução não está apenas no aumento das vendas, mas em uma administração mais eficiente do fluxo de caixa. Conhecer bem o próprio negócio permite decisões mais assertivas, como estratégias de precificação e promoções para gerar capital de giro sem recorrer a crédito caro”. Dados De acordo com o Mapa das Empresas, elaborado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, no ano passado foram abertas 3.957.869 microempresas e 173.653 empresas de pequeno porte (EPPs), enquanto 2.323.591 microempresas e 57.451 EPPs foram encerradas. Já em 2025, 547.986 microempresas e 16.534 empresas de pequeno porte foram criadas no Brasil. O economista Gelton Pinto Coelho Filho destaca que, primeiramente, é necessário observar o saldo. “Temos mais empresas abrindo do que fechando. O importante é que políticas sejam criadas de forma adequada e mais próximas da realidade de quem empreende”. Ele lembra que iniciativas como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) têm sido fundamentais para esses negócios, mas ressalta que a política econômica conduzida pelo Banco Central, em descompasso com os programas governamentais, também acaba prejudicando os pequenos empresários. “A taxa de juros não resolve o tipo de inflação que nos afeta e provoca um custo demasiado alto em termos de dívida pública, além de sufocar quem precisa de crédito para empreender. As taxas para MEIs e pequenas empresas são incompatíveis com o estímulo necessário, provocando endividamento e o fechamento de alguns negócios”. Para a sobrevivência das empresas, a analista do Sebrae recomenda que os empresários conheçam os números de seus empreendimentos. “Uma boa gestão financeira não precisa ser complexa, mas exige disciplina. Controle básico de entradas e saídas, fluxo de caixa e análise de precificação já permitem ao empresário entender a saúde do negócio. O posicionamento de mercado, que envolve estratégias de marketing, presença digital e precificação alinhada à concorrência, também é fundamental”. Débora também orienta a separação das contas e despesas pessoais das empresariais. “Além da desorganização financeira, essa prática pode resultar em uma maior incidência de impostos. Estabelecer um pró-labore e manter um controle rigoroso das retiradas evita a confusão entre despesas pessoais e empresariais”, finaliza.
49 milhões de mulheres ainda não têm acesso a saneamento básico

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2023, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 3,5 milhões de mulheres passaram a viver em domicílios com abastecimento de água potável entre 2019 e 2023, alta de 3,8%. No mesmo período, 4,6 milhões obtiveram acesso à rede de esgoto. Já a cobertura de coleta e tratamento de esgoto passou de 67% em 2019 para 69,1% em 2023. 92,3% das mulheres no Sudeste têm acesso à rede de abastecimento de água e 90,2% à rede de esgoto. Em contrapartida, no Norte, 60,8% contam com água tratada, e 31,7% dispõem de tratamento de esgoto. Para discutir esse cenário, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON SINDCON), Christianne Dias. Como o setor privado tem contribuído para ampliar o acesso ao saneamento básico?A entrada de novas concessionárias privadas, com concessões e parcerias público-privadas, acelerou investimentos e ampliou redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Isso beneficiou milhões de mulheres que antes viviam sem acesso adequado a esses serviços essenciais. Cerca de 15 milhões de mulheres ainda vivem sem água encanada e 34 milhões sem coleta e tratamento de esgoto. Quais os desafios para a universalização do saneamento, especialmente na região Norte? O Brasil enfrenta desafios diversos devido às diferenças geográficas, socioeconômicas e culturais. No Norte, comunidades ribeirinhas e localidades de difícil acesso impõem obstáculos adicionais à implantação da infraestrutura. A dispersão populacional e fatores ambientais tornam a expansão dos serviços mais desafiadora. Além disso, a baixa renda per capita aumenta a complexidade desse processo. O Marco Legal do Saneamento estabeleceu a meta de garantir água potável para 99% da população e tratamento de esgoto para 90% até 2033. O setor está no caminho para atingir essas metas? Desde a promulgação do marco, os investimentos cresceram, viabilizando projetos de expansão e modernização dos serviços de água e esgoto. Para cumprir os prazos, é essencial manter esse ritmo e garantir a continuidade dos projetos em andamento. A colaboração entre os setores público e privado, aliada a um planejamento eficaz, será fundamental para alcançar a universalização do saneamento. A falta de saneamento impacta diretamente a vida das mulheres. Quais medidas vêm sendo adotadas para reduzir esses impactos? A precariedade do saneamento afeta desproporcionalmente as mulheres, aumentando sua carga de trabalho doméstico e limitando suas oportunidades sociais e econômicas. Muitas são responsáveis por buscar água quando o abastecimento não está disponível, reduzindo tempo para trabalho ou estudo. Projetos que priorizam a ampliação da infraestrutura em comunidades vulneráveis e programas de educação sanitária vêm sendo implementados. No entanto, a universalização do saneamento continua sendo a principal solução para melhorar as condições de vida das mulheres brasileiras. Como a inovação e a tecnologia têm contribuído para acelerar o acesso ao saneamento? A modernização do setor tem tornado o saneamento mais eficiente e sustentável. Sensores inteligentes monitoram redes, inteligência artificial detecta vazamentos e softwares otimizam a gestão operacional. Soluções móveis garantem abastecimento em períodos críticos. Além disso, ações de eficiência energética e geração de energia renovável ajudam a reduzir custos e minimizar impactos ambientais, acelerando a universalização do saneamento no país.
Projeto leva tênis de mesa a jovens da região do Barreiro

A prática do tênis de mesa agora estará disponível para crianças e adolescentes de escolas públicas, além da população em geral que reside na região do Barreiro, em Belo Horizonte. A iniciativa faz parte do Projeto Corre Legal, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com o objetivo de ressocializar jovens em situação de restrição de liberdade. Ao todo, 10 mesas oficiais foram instaladas na Escola Municipal Polo de Educação Integrada (EMPoeint), e a modalidade será oferecida a 144 jovens de escolas parceiras, divididos em seis turmas de 24 alunos. As aulas ocorrerão duas vezes por semana, nos períodos da manhã e da tarde. O diretor da EMPoeint, Edimar Gomes, avalia que a iniciativa fortalece o vínculo com a comunidade. “Atendemos alunas e alunos do sexto ao nono ano. Temos Educação de Jovens e Adultos (EJA) de manhã, à tarde e à noite, e recebemos a Escola Integrada no contraturno. O mais impactante nessa parceria é a possibilidade de aproximar ainda mais os jovens e a comunidade da unidade escolar. Aqui, eles poderão praticar um esporte que contribui para o desenvolvimento de diversos aspectos da formação pessoal”. A juíza Andrea Mol Bessa, do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (Cia-BH) e responsável pelo Projeto Corre Legal, destacou o caráter preventivo da nova fase da iniciativa. “Estamos inaugurando uma nova etapa, ampliando o projeto para adolescentes e crianças, alunos de escolas municipais e para o público em geral da região do Barreiro. Agora, trabalhamos na prevenção da criminalidade. Essa também é uma das funções das Varas Infracionais”. Além das mesas, também foram entregues suportes para bolas, suportes para raquetes e placares. Os equipamentos são fruto de uma parceria entre o TJMG, o Sindicato das Indústrias do Mobiliário e de Artefatos de Madeira no Estado de Minas Gerais (Sindimov MG) e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Madeira e do Mobiliário (Cedetem) Petrônio Machado Zica, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Nós fornecemos o material, o equipamento, o auxílio técnico e os alunos que produziram esses itens. Consideramos essa ação muito importante tanto para o sindicato quanto para os próprios estudantes, que já percebem a relevância de um projeto social e sua contribuição para a ressocialização de adolescentes em conflito com a lei”, afirma o presidente do Sindimov MG, Maurício de Souza Lima. Ele acredita que a introdução do tênis de mesa na EMPoeint atrairá mais jovens para a modalidade. “Vejo que o esporte desperta a competitividade nos jovens. Sendo um esporte olímpico, acredito que abrirá suas mentes para sonhar mais alto, e isso, para nós, é o mais impactante”. Os interessados em praticar tênis de mesa devem se inscrever por meio do formulário. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail projetocorrelegal@gmail.com. As aulas acontecerão de segunda a sexta-feira, das 16h30 às 21h, e, aos sábados, das 8h às 13h. O curso é gratuito e as vagas são limitadas.
Venda de veículos usados cresce e projeção é otimista para 2025

Depois de encerrar 2024 com um recorde de vendas, quando 15.777.594 veículos usados foram comercializados no Brasil, o setor projeta mais um ano de crescimento. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a expectativa é de um aumento de pelo menos 5% em 2025. No acumulado dos dois primeiros meses deste ano, foram negociadas 2.507.719 unidades, um avanço de 7% em relação ao início de 2024. Somente em fevereiro, as vendas totalizaram 1.281.757 veículos, um acréscimo de 4,6% frente a janeiro. Na comparação com fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 12,1%. De acordo com o presidente da Fenauto, Enilson Sales, o fato de o Carnaval ter sido realizado em março permitiu que as lojas permanecessem abertas por mais dias em fevereiro, o que contribuiu para o desempenho positivo. “Ainda estamos surfando na onda de 2024, impulsionada pelo crédito. Apesar do aumento das taxas de juros, a oferta segue elevada, o que ajuda a movimentar o mercado de usados”. “Também observamos uma reação na venda de veículos pesados, que cresceram mais do que os demais segmentos. Esse movimento ocorre devido à renovação de frota por grandes frotistas, o que acaba beneficiando pequenos empresários que adquirem os veículos seminovos”, acrescenta. Sales ressalta que um dos desafios para manter o crescimento do setor é a instabilidade fiscal. “O descontrole das contas públicas pode gerar uma série de reflexos na economia, desde a insegurança do consumidor até impactos na indústria e no comércio. Outro fator a ser monitorado é a chegada dos veículos chineses ao mercado de seminovos. Precisamos avaliar como eles serão aceitos e de que forma isso afetará o setor. Já no cenário internacional, vemos os Estados Unidos elevando tarifas sobre produtos estrangeiros. Precisamos aguardar para entender se esse movimento afetará a economia brasileira, especialmente se nossos produtos forem taxados”. Aumento nas transferências Ainda segundo os dados da Fenauto, em fevereiro, a média de transferências por dia útil foi 15% superior à registrada em janeiro. O presidente da entidade destaca que a manutenção da liquidez no mercado valoriza os veículos seminovos e usados. “Torcemos para que as montadoras consigam atender à demanda, as concessionárias aumentem suas vendas e o mercado de veículos novos cresça. Isso impulsiona o nosso setor”, conclui.
“Céu Azul é Tempestade” debate a reparação histórica e o racismo
Escrito pela jornalista Patricia Xavier, o livro “Céu Azul é Tempestade” conta a história de Tereza, que, junto com seus filhos, Cido e Juninho, será uma das primeiras contempladas por uma decisão histórica: a retratação financeira pelo trabalho dos antepassados escravizados. Além das possibilidades de reparação pela injustiça sofrida por pessoas negras escravizadas e os desafios desse processo, a ficção também busca refletir sobre os possíveis caminhos para a compensação histórica e as consequências do racismo na contemporaneidade. “Acredito que a ficção é uma maneira eficaz de envolver e chamar a atenção das pessoas para assuntos importantes. Quando alguém lê uma história, acompanha situações vividas pelos personagens e sente o desenrolar da trama junto com eles. Assim, é possível que esse leitor compreenda melhor as relações entre as pessoas e o mundo à sua volta”, destaca Patricia Xavier. Porém, a conquista de Tereza e seus filhos não é aceita pelos donos das terras da pequena Águas Correntes, descendentes daqueles que escravizaram os antepassados da protagonista e de outros habitantes locais. A escritora ressalta que Tereza possui semelhanças com as mulheres de sua família. “Elas fizeram o possível para que as gerações seguintes sofressem menos com o racismo. Assim como tantas outras mulheres, ainda lutam para que o fato de ser negro não seja um impedimento para se alcançar melhores condições de vida”. Oprimida pela escolha entre sua família e a comunidade, Tereza contará com uma rede de apoio formada pelos filhos, amigos, a população quilombola local e a presença invisível de seu bisavô Bô, que acompanha seus passos e com quem se encontra nas rodas de jongo. Patricia enfatiza que a luta da protagonista é pelos filhos, pela comunidade e por todos que vieram antes. “Nas rodas de jongo há esse encontro, essa reverência por aqueles que foram sequestrados, arrancados de suas vidas, expostos a condições de trabalho extenuantes e que nunca desistiram. Lutaram, fugiram, se aquilombaram e são a base da força dessa comunidade para continuar a resistência”. A autora acredita que seu livro possa se somar a tantas outras obras que abordam o racismo e a desigualdade no Brasil, estimulando o debate sobre esses temas. “Os negros no Brasil sempre lutaram e alcançaram conquistas importantes, mas precisamos avançar mais e com maior rapidez”. Ela relata que o trabalho de escrever “Céu Azul é Tempestade” lhe proporcionou dois momentos de grande satisfação: o da escrita e o de ouvir a opinião dos leitores. “Fico muito feliz em saber como se sentiram próximos dos personagens, como a descrição das cenas os transportou para as ruas dessa cidade fictícia, como se identificam e compartilham a agonia de Tereza, como a tensão crescente da história os prende e, finalmente, como o desfecho os faz compreender a complexidade das relações entre pessoas negras e brancas de diferentes classes sociais no Brasil e o que precisa mudar”. O livro também será traduzido para espanhol e francês. A jornalista considera essencial discutir o tema em outros países que também receberam pessoas escravizadas, assim como nas antigas nações colonizadoras. “As consequências da escravidão estão presentes até hoje na forma como as sociedades se organizam. Por isso, vejo esse debate sobre reparação como um tema fundamental e urgente para a redução da desigualdade”, conclui.
Mais brasileiros acreditam que é necessário aprendizado contínuo

Nove em cada dez brasileiros consideram importante aprender novas habilidades independentemente da idade, segundo o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP). O levantamento, que avalia aspectos como saúde física e mental, interações sociais e educação financeira em uma escala de 0 a 100, também revelou que 78% dos entrevistados afirmaram buscar constantemente novos conhecimentos. Para o especialista em longevidade, Alexandre Kalache, o resultado demonstra que o Brasil está acompanhando uma tendência chamada lifelong learning (aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre). “Esse conceito defende o aprendizado contínuo, desde a infância até a velhice. Ou seja, o processo educativo não se encerra com a conclusão do ensino médio, da graduação ou da pós-graduação, mas se estende ao longo da vida em diferentes contextos”. “Como essa aprendizagem não se limita aos formatos tradicionais de ensino, especialmente o presencial, ela permite que as pessoas se adaptem com mais rapidez e eficiência às transformações do mercado de trabalho e da sociedade”, acrescenta. O programador João Carlos Ferreira trabalhou no setor comercial de uma grande empresa por mais de 20 anos, até perceber que a tecnologia estava transformando sua área. “Comecei a estudar por conta própria, assistindo a vídeos e fazendo cursos on-line. No início, achei que não conseguiria, que já era tarde demais. Mas descobri que aprender é um processo contínuo e sempre há espaço para se reinventar. Hoje, atuo em uma área que me motiva e vejo que fiz a escolha certa”. Ferreira ressalta que o conhecimento é essencial para acompanhar as mudanças no mundo. “No começo, acreditava que aprender algo completamente novo depois dos 40 anos era impossível. Entendo que me manter atualizado e aberto a novas habilidades não é apenas um diferencial, mas uma necessidade. A aprendizagem contínua nos mantém ativos, relevantes e, acima de tudo, confiantes para enfrentar qualquer desafio”. Ensino superior Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2023, os cursos de educação a distância (EAD) registraram um aumento de 474% nos últimos dez anos. Além disso, o Brasil contava com 51.369 estudantes com 60 anos ou mais matriculados em cursos de graduação em 2023, um crescimento de 56% em comparação com 2012. Um exemplo é a estudante de psicologia Maria Helena Santos. Após anos dedicados à família e ao trabalho como costureira, ela foi incentivada por filhos e netos a retomar os estudos. “Sempre tive curiosidade sobre o comportamento humano, mas não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Quando meus netos começaram a faculdade, percebi que eu também podia fazer isso. No início, tive receio de não acompanhar as aulas, mas me surpreendi. Aprender me deu um novo propósito”. “Em um ambiente de trabalho que exige cada vez mais flexibilidade e adaptação, o aprendizado contínuo é fundamental para manter a competitividade. Vivemos a Revolução da Longevidade em paralelo à Revolução Tecnológica. Novas ferramentas estão transformando a forma como trabalhamos e interagimos profissionalmente. As habilidades valorizadas hoje podem não ser as mesmas em cinco ou dez anos. Além disso, aprender continuamente aprimora a capacidade de resolver problemas, estimula a criatividade e permite que cada profissional se destaque em sua área, independentemente da idade”, conclui Kalache. Metodologia do ILP O Indicador de Longevidade Pessoal foi desenvolvido com base em parâmetros e metodologias de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu objetivo é aproximar o conceito de longevidade de todas as faixas etárias. O índice, que varia de zero a 100 pontos, avalia 31 variáveis distribuídas em seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física e mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.
Audiência debate impacto da redução da APA em Araçuaí

Os impactos socioambientais de uma possível redução da Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Lagoão, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, foram tema de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 26 de fevereiro. A discussão foi motivada por um Projeto de Lei (PL) apresentado pela Prefeitura de Araçuaí à Câmara dos Vereadores, em 7 de fevereiro, em caráter de urgência, com o objetivo de modificar a área de proteção, alterando a Lei Municipal que criou a APA em 2007. Caso seja aprovado, o projeto reduzirá a área em 5.500 hectares. Por meio do deputado Duarte Bechir (PSD), o prefeito do município, Tadeu Barbosa de Oliveira, informou que não poderia comparecer à Assembleia nem participar remotamente, justificando que havia sido convidado apenas na véspera da audiência pública. A resposta não agradou à autora do requerimento, deputada Beatriz Cerqueira (PT). “O prefeito mentiu para o deputado. Os convites foram enviados a todos os convidados no dia 20 de fevereiro. Desde essa data, a prefeitura já tinha conhecimento da audiência”. Nenhum outro representante do Executivo de Araçuaí esteve presente. O vereador Danilo Borges afirmou que os parlamentares da cidade não concordaram com o regime de urgência da proposta. “Além de não respeitar o processo de consulta às comunidades locais, as argumentações apresentadas pelo prefeito não são verdadeiras. Mas o que mais nos chamou a atenção foram os possíveis conflitos minerários na área que será retirada”. Diversas pessoas de movimentos sociais estiveram presentes ao Auditório José Alencar, dentre eles o integrante do conselho gestor da APA Chapada do Lagoão, Antonio Gomes Santos. Ele relatou que há pessoas no município que dizem que o conselho é contra o desenvolvimento de Araçuaí. “Nós queremos preservar, enquanto eles estão destruindo. Para desenvolvermos a cidade, temos que manter nossas riquezas naturais, sem a necessidade de reduzir a APA”. A professora e pesquisadora do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Vanessa Juliana da Silva, destacou que a mudança pode trazer diversos impactos para a população local. “A redução apresenta um risco iminente não apenas do ponto de vista da perda de diversidade biológica, fauna, flora e ecossistemas. Também ameaça as 139 nascentes que estão na APA, impactando a segurança hídrica da região e aumentando a possibilidade de eventos climáticos extremos”. O procurador da República, Helder Magno da Silva, enfatizou que a região possui dupla importância, pois, além de ser uma área de preservação ambiental, abriga comunidades quilombolas. Ele demonstrou preocupação com a proposta. “No direito ambiental, existe o princípio do não retrocesso. Você não pode extinguir ou diminuir uma unidade de conservação. O PL deveria ter sido apresentado para consulta prévia da comunidade local”.