Feijoada do Maranhão celebra 34ª edição no Clube Jaraguá

No dia 30 de agosto, Belo Horizonte será palco de mais uma edição da tradicional Feijoada do Maranhão, que chega ao seu 34º ano reunindo música, gastronomia e confraternização. Pela primeira vez, o evento será realizado no Clube Jaraguá, na região da Pampulha, das 13h às 18h. Idealizador da festa, o empresário Valdez Maranhão comemora mais um ano de sucesso. “Comecei em 1991 com 150 pessoas. Depois, chegamos a receber 1.500 convidados na Três Lobos. Agora, no Jaraguá, esperamos pelo menos 400 pessoas em um ambiente mais aconchegante e sofisticado”. Sobre a escolha do novo espaço, Maranhão explica que tudo começou com um convite da diretoria do clube. “Fui jurado em um festival de comida lá e recebi o convite. Achei o espaço excelente, conversei com a diretoria e fechamos. O salão é maravilhoso e a estrutura do clube é excelente”. A programação musical deste ano contará com shows da Banda Baianeiros, da cantora Vell Rodrigues e da Bateria da Escola de Samba Acadêmicos de Venda Nova, que encerrará a festa em clima de Carnaval. “A ideia é oferecer uma experiência completa: feijoada, bebida liberada e muita música ao vivo. Vai ser um sucesso”, afirma o organizador. Como já é tradição, o evento será open bar e open food, com feijoada completa, sobremesas e uma ampla variedade de bebidas, incluindo chopp artesanal da Laut Cervejaria, frisantes, caipifrutas preparadas com Cachaça Original de Minas e cachaças especiais. Maranhão antecipa uma das novidades da edição. “Quem compra a camiseta tem acesso a tudo, inclusive ao sorteio de uma bicicleta elétrica para quem doar 2 kg de alimento não perecível”. A festa também conta com parcerias duradouras, como com o empresário Fabiano Cazeca, da Multimarcas Consórcios. “O Fabiano é um querido. É nosso amigo há muitos anos, sempre apoia a feijoada, uma parceria que valorizamos muito”, destaca Maranhão. Outro diferencial é a recepção dedicada à imprensa convidada. Na véspera da feijoada, é organizado um passeio turístico com ônibus-boate, paradas em pontos emblemáticos da cidade, jantar e hospedagem. “É uma forma de retribuir o apoio dos jornalistas. Vêm profissionais de São Luís, Fortaleza, Rio de Janeiro e todos saem daqui encantados com BH”, conclui. Como comprar As camisetas oficiais, que garantem o acesso ao evento, já estão à venda e o uso é obrigatório junto ao convite. Elas podem ser adquiridas no Buteco do Maranhão (Rua Bernardo Guimarães, 1874 – Lourdes). Informações pelo telefone: (31) 99235-3540.

Região Sudeste concentra a maior parte das pizzarias em atividade

O setor de pizzarias no país está em ritmo de crescimento. Em 2024, foram abertas 3.867 novas unidades em todo o país, um aumento de 9,52% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte da 4ª edição do estudo “Mercado de Pizzarias no Brasil”, divulgado pela Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). De acordo com a associação, o país contabiliza atualmente 36.568 pizzarias ativas nos portes ME, EPP e LTDA, número que representa cerca de 75% do mercado, já que os microempreendedores individuais (MEIs) não são considerados no estudo. A expansão revela não apenas o fortalecimento da cadeia da pizza, mas também um movimento de descentralização geográfica, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que lideraram os índices percentuais de crescimento. O Estado do Tocantins encabeça o ranking nacional com uma expansão de 32,2% no número de pizzarias ativas, seguido por Pará (23,46%), Amapá (20,31%) e Maranhão (20,11%). A região Sudeste ainda concentra a maior parte das pizzarias ativas do país, com cerca de 51% do total, mas o ritmo de crescimento é mais modesto em estados como São Paulo, que teve alta de apenas 2,8%. Minas Gerais, no entanto, foge à regra e se destacou com um aumento de 10,95% nas unidades em operação, subindo de 2.859 estabelecimentos em 2023 para 3.172 em 2024. Isso coloca o Estado como o segundo maior mercado da região e o terceiro do país, com 8,67% das pizzarias brasileiras. Para o presidente da Apubra, Leandro Goulart, um melhor desempenho do Estado acima da média nacional é um sinal de que os empreendedores mineiros estão cada vez mais antenados às transformações do mercado, às mudanças no perfil do consumidor e à adoção de tecnologias que otimizam a gestão. “Isso contribui diretamente para a sustentabilidade dos negócios. Esse salto demonstra que Minas vive um momento de franca expansão e atratividade para novos negócios. Cidades como Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Pouso Alegre têm se consolidado como polos regionais no setor”. A abertura expressiva de novas pizzarias reflete a atratividade do mercado, mesmo diante de desafios econômicos como alta de juros e instabilidade política, afirma Goulart. “Em um cenário que muitos setores estão estagnados, as pizzarias seguem mostrando energia e resiliência. Isso revela que ainda há espaço para crescer, principalmente em cidades de médio porte e no interior, onde o consumo está cada vez mais alinhado com tendências nacionais”, completa. O estudo também aponta que 12.196 pizzarias estão localizadas nas capitais brasileiras, sendo São Paulo a líder, com 37,4% do total estadual. Belo Horizonte responde por 4,58% do total nacional. Fechamentos em queda Paralelamente à abertura de novas pizzarias, o setor registrou o menor número de encerramentos dos últimos sete anos. Em 2024, foram fechadas 5.282 unidades, número 48% inferior ao de 2023. A redução expressiva reforça a ideia de amadurecimento e profissionalização dos negócios. “O mercado vem passando por transformações significativas desde a pandemia, como maior uso de tecnologia, atenção à gestão e mudança no perfil do consumidor. Isso faz com que os empreendedores estejam mais preparados para manter o negócio sustentável e competitivo por mais tempo”, analisa Goulart. Ele reforça que os fatores que explicam esse comportamento positivo vão desde o fortalecimento do delivery até a busca por diferenciação, passando por um maior cuidado com a experiência do cliente e o uso de dados para tomada de decisão. Expectativas A Apubra projeta a continuidade do crescimento para 2025, com atenção especial às mudanças fiscais previstas e à evolução do consumo fora do lar. “É um mercado dinâmico. Os empresários que estiverem atentos às transformações, com boa gestão e foco no cliente, continuarão colhendo bons resultados”, conclui o presidente.

CBF cria grupo para desenvolver um modelo de fair play financeiro

Na última semana, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou o Grupo de Trabalho (GT) responsável por elaborar o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), regimento que funcionará como um fair play financeiro nacional. A proposta atende ao artigo 188 da Lei Geral do Esporte, que exige das entidades esportivas o controle econômico, financeiro e de governança das agremiações. Até o momento, 28 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além de oito federações estaduais se comprometeram com o projeto. O GT terá sua primeira reunião oficial logo após o Mundial de Clubes da Fifa. Noventa dias após o encontro, será apresentada a versão final do SSF. O advogado especialista em Direito Desportivo, Gustavo Lopes Pires de Souza, aponta a relevância da iniciativa, destacando que a CBF cumpre uma obrigação legal. “O artigo 188 da Lei Geral do Esporte determina que as entidades de administração, como a própria CBF, implementem mecanismos de controle econômico, financeiro e de governança dos clubes. O objetivo é garantir mais equilíbrio e sustentabilidade no futebol”. Ele afirma que a entidade reguladora precisa agir dentro de parâmetros delineados pela Constituição, respeitando princípios como legalidade, isonomia e transparência. “Ou seja, a CBF não pode criar regras que sejam desproporcionais ou que acabem, de forma indireta, prejudicando determinados clubes”. Para Souza, o Brasil precisa de um sistema de responsabilidade financeira, mas adaptado à realidade do futebol brasileiro. “Isso significa criar regras que sejam rigorosas, porém, realistas. Que cobrem dos clubes responsabilidade, mas que também deem condições para quem está em situação financeira mais frágil se reorganizar”. “Não dá para simplesmente copiar e colar o modelo europeu. A realidade dos clubes brasileiros é muito diferente, com disparidades econômicas muito maiores e dificuldade histórica de fiscalização”, acrescenta. É necessária uma transição planejada e escalonada, segundo Souza. “Os critérios podem incluir o nível de endividamento, a forma de gestão, se ainda é associação ou se virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o grau de profissionalização e até o perfil da receita de cada clube. É essencial garantir que o sistema não se transforme em uma armadilha que puna quem já enfrenta dificuldades”. O especialista avalia que um SSF bem desenhado tem o potencial de atrair investidores, não de afastá-los. “Afinal, quem investe quer segurança, regras claras e previsibilidade. O que não pode acontecer é o sistema ser uma camisa de força, criando barreiras que acabam desestimulando quem quer profissionalizar o futebol”. O advogado Douglas Sanguinete Ribeiro alerta que para evitar o favorecimento dos clubes com mais receita e os de menor receita sejam punidos por descumprir as regras, é necessário implementar critérios proporcionais, considerando o faturamento, a capacidade de investimento e a estrutura de cada equipe. “O órgão responsável pela fiscalização deve atuar com imparcialidade, independência e total transparência nas decisões. Só haverá verdadeiro ‘jogo limpo’ se o regulamento for justo desde a sua constituição até a sua aplicação prática, levando em consideração a desigualdade estrutural existente entre os clubes”.

“Vou Fazer de Mim um Mundo” une Zezé Motta e Maya Angelou no palco

Após uma temporada em Brasília, o espetáculo “Vou Fazer de Mim um Mundo” estreia em Belo Horizonte para uma temporada no Teatro I do CCBB BH, de 21 de junho a 14 de julho, sempre de sábado a segunda-feira, às 20h. O monólogo marca o retorno de Zezé Motta aos palcos depois de dez anos e celebra os 81 anos de uma das maiores artistas do país. Com adaptação e direção de Elissandro de Aquino, a montagem é baseada no livro autobiográfico “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, de Maya Angelou, autora norte-americana que se tornou ícone da luta antirracista e dos direitos civis nos EUA. A narrativa entrelaça a trajetória de Angelou com a de Zezé, unindo temas como racismo, exclusão, ancestralidade e resistência. A palavra – recitada com intensidade e emoção – é o fio condutor do espetáculo, que tem trilha sonora ao vivo executada pelos músicos Pedro Leal David e Mila Moura, numa fusão entre o blues e a música brasileira. Elissandro conta que a ideia de adaptar a obra nasceu de um desejo antigo. “Já venho investigando esse trabalho há algum tempo. Comecei com Carolina Maria de Jesus, depois com Aline Bei, e agora fecho essa trilogia com Maya Angelou”. “Para mim, o espetáculo se divide entre o micro e o macro. O micro trata da solidão de uma menina que, mesmo amada, se sente rejeitada. Já o macro aborda as questões políticas e de segregação racial. Buscar esse equilíbrio foi muito delicado, e a sequência das cenas, além da música, ajudou muito a compor isso”, acrescenta. Segundo o diretor, o processo foi emocionalmente exigente para Zezé Motta. “Foi um laboratório devastador para ela. Muitas das vivências narradas por Maya ressoam com as experiências da Zezé. Ela mesma chegou a dizer que, ao ler o texto, sente como se Maya fosse brasileira”. Apesar de conhecida pelo carisma e alegria contagiante, Elissandro descreve que o espetáculo revela uma nova faceta da atriz. “Zezé é um raio de luz, mas aqui ela se apresenta com uma energia lunar. É uma entrega econômica, contida, mas profundamente tocante. O público se sente atravessado pelas palavras”. A cenografia minimalista, assinada por Claudio Partes, reforça essa intimidade cênica. O palco é povoado por uma plantação de algodão e uma nuvem, elementos carregados de simbolismo. “O algodão é macio ao toque, mas fere na colheita. Isso está no livro e representa a dor e a beleza da experiência negra. O Claudio soube traduzir isso visualmente com muita delicadeza”, explica Elissandro. A música desempenha papel fundamental no espetáculo, costurando tempos e espaços, e promovendo o encontro simbólico entre Maya e Zezé. “É a confluência de dois rios: Maya Angelou e Zezé Motta. Com suas carreiras atravessadas pela música, é natural que se buscasse, em antigas gravações, pistas para esse processo de criação”, afirma Pedro Leal David, que assina a direção musical. Ele esclarece que a trilha vai além da atmosfera dos anos 1930 e 1940 dos Estados Unidos. “As musicalidades de Maya e Zezé nos dão notícias distintas sobre como os ritmos, sons, tons da diáspora africana foram abrindo caminho ao longo do século 20, tanto nos Estados Unidos como no Brasil”. A ideia foi construir pontes sonoras entre os dois continentes, segundo o diretor musical. “Nossa proposta foi deixar esses rios se encontrarem, trazendo o blues para o violão de nylon, como quem levasse Baden Powell para um passeio nas margens do Mississippi, ou como quem imaginasse os Tincoãs, em uma manhã de domingo, com suas vozes e atabaques, em uma igreja da Louisiana”. Serviço: “Vou Fazer de Mim um Mundo”Temporada: De 21 de junho a 14 de julhoHorário: Sábados, domingos e segundas, às 20hLocal: Teatro I do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada), disponíveis no ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB

Energia sobe acima da inflação e mercado livre ganha espaço

Aconta de luz tem pesado cada vez mais no bolso dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), entre 2010 e 2024, a tarifa média no mercado regulado saltou de R$ 112/MWh para R$ 310/MWh, aumento de 177%, contra uma inflação acumulada de 122% no mesmo período. Isso significa que a energia ficou 45% mais cara do que o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em contraste, o mercado livre de energia registrou alta de 44% no mesmo intervalo. De acordo com a Abraceel, o aumento no mercado regulado se deve a uma combinação de fatores estruturais, como a contratação compulsória de usinas térmicas, a indexação de contratos por até 30 anos à inflação, a existência de reservas de mercado para fontes mais caras, além de decisões políticas e alocação indevida de riscos ao consumidor. “A contratação de energia elétrica indexada à inflação por 30 anos tornou-se um peso para o consumidor regulado. A energia das hidrelétricas do Rio Madeira, contratada a preços baixos, hoje custa mais que a energia do mercado livre por causa dessa atualização inflacionária”, afirma Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da Abraceel. Outro exemplo citado por Ferreira é a usina hidrelétrica de Itaipu, cujos investimentos já foram amortizados, mas cujas tarifas continuam altas. “Se houvesse apenas o mercado livre, Itaipu teria que oferecer preços mais competitivos. No entanto, como sua energia será comprada compulsoriamente no ambiente regulado, os consumidores continuam pagando encargos socioambientais e governamentais incorporados à tarifa”. Tarifa menor Dados recentes da Abraceel mostram que a tendência de maior competitividade se mantém. No acumulado de 12 meses até abril, a tarifa média para clientes do mercado livre subiu 5%, enquanto no ambiente regulado a alta foi de 10,4%. Segundo a entidade, essa vantagem decorre da própria dinâmica de funcionamento do mercado livre, no qual mais da metade dos contratos têm prazos de até quatro anos. Isso aumenta a frequência com que a energia volta ao mercado e é renegociada sob novas condições, o que estimula a competição entre fornecedores e gera preços mais baixos para o consumidor. “No mercado regulado, o risco hidrológico, por exemplo, foi retirado dos geradores e repassado ao consumidor, como ocorreu com a Medida Provisória 579. Mas o consumidor não tem meios para gerir esse tipo de risco, o que acaba onerando ainda mais a tarifa”, explicou a associação por meio de nota ao Edição do Brasil. “Cliente no centro” Para o CEO da TYR Energia, Eduardo Miranda, o diferencial do Ambiente de Contratação Livre (ACL) vai além da economia imediata. “No mercado livre, o cliente pode aproveitar momentos em que os reservatórios estão cheios e a energia está mais barata. A contratação é personalizada e leva em conta o perfil, a sazonalidade e a flexibilidade de consumo de cada cliente”, diz. Miranda reforça que o modelo empodera o consumidor ao permitir o monitoramento em tempo real do consumo e a adoção de metas e alertas automáticos. “O cliente deixa de ser um passageiro das revisões tarifárias e passa a ter controle. Isso é possível graças ao uso de medidores digitais, softwares de gestão e produtos como o boleto único, que simplifica o pagamento de todas as componentes da conta de luz em uma única fatura”. Ele também aponta o impacto da digitalização e da inteligência artificial como potencializadores da eficiência energética. “A energia mais barata é aquela que não é desperdiçada. O futuro está em operar a flexibilidade do consumidor, e isso só é viável em um mercado verdadeiramente livre”. Além de benefícios econômicos, Miranda defende que a expansão do ACL é estratégica para o país. “Estamos diante de uma oportunidade única. A abertura do mercado não é só sobre energia, mas sobre inovação, ciência, tecnologia e educação. O Brasil precisa aproveitar esse momento para transformar seu modelo energético e se projetar globalmente”, finaliza.

Justiça do Trabalho alerta para retrocessos após decisão do STF

Desde abril, após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, todos os processos que questionam contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas estão suspensos em todo o país. Em sua justificativa, o magistrado destacou que a controvérsia sobre a legalidade desses contratos tem sobrecarregado o STF diante do elevado número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes instâncias, deixam de aplicar entendimento já consolidado pela Corte sobre a matéria. “O descumprimento sistemático da orientação do Supremo Tribunal Federal pela Justiça do Trabalho tem contribuído para um cenário de grande insegurança jurídica, resultando na multiplicação de demandas que chegam ao STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas”, afirmou o ministro. Só em Minas Gerais, são 619 processos no 1º grau e 351 no segundo que estão paralisados, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG). A presidente da Corte, desembargadora Denise Alves Horta, expressa preocupação com os impactos da suspensão das ações para os trabalhadores e com o que considera um “esvaziamento” da missão constitucional da Justiça especializada. “A demora nos julgamentos pode favorecer a ocorrência de fraudes, a ocultação ou esvaziamento do patrimônio de devedores e o desaparecimento de provas. Isso traz insegurança jurídica e agrava a vulnerabilidade do trabalhador hipossuficiente”. “Além disso, a paralisação de processos com temas sensíveis, nos quais foi constatada a existência de fraude para subtração de direitos ou de condições análogas ao trabalho escravo, por exemplo, intensifica a fragilidade dos trabalhadores inseridos em tais contextos”, complementa. A magistrada não nega a importância do STF como guardião da Constituição, mas alerta para uma mudança de enfoque nas decisões da Suprema Corte. “Há um crescente afastamento dos princípios fundamentais do Direito do Trabalho, em nome de uma abordagem mais civil e comercial das relações laborais. Tem prevalecido no STF uma análise baseada em perspectivas comerciais e civis, em detrimento dos princípios trabalhistas. Isso fragiliza direitos sociais conquistados ao longo de décadas e precariza as relações de trabalho”. Situações que envolvem motoristas de aplicativos, contratos com salões de beleza, sociedades de advogados ou transportadoras de carga têm sido exemplos dessa nova orientação. A Justiça do Trabalho, que tradicionalmente analisava esses vínculos com base no princípio da primazia da realidade, agora vê sua competência ser contestada. Mesmo com a suspensão imposta pelo Supremo, Denise reforça que o TRT-MG vem participando de eventos, seminários e articulações institucionais que discutem os efeitos da decisão, e que o tribunal segue empenhado em alternativas como a conciliação para mitigar os efeitos da paralisação dos processos. “Estamos acompanhando os impactos e avaliando estratégias. Também incentivamos a solução consensual dos litígios como forma de reduzir a morosidade”. Quando o STF julgar definitivamente o Tema 1.389 e publicar a ata do julgamento, os processos suspensos poderão ser retomados automaticamente pelo sistema do Nugep Nacional. A presidente do TRT-MG é enfática ao defender o papel da Justiça do Trabalho. “A existência e a atuação da Justiça do Trabalho são essenciais para o equilíbrio das relações laborais, a dignidade do trabalhador e o fortalecimento da democracia. Nossa função não é apenas aplicar a lei, mas garantir trabalho decente, justiça social e proteção a quem mais precisa”, conclui.

Secretários apresentam ações e defendem o Propag na ALMG

Os titulares das secretarias de Planejamento e Gestão (Seplag), Silvia Listgarten, e da Fazenda, Luiz Claudio Gomes, compareceram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apresentar aos deputados as ações realizadas pelas duas pastas ao longo dos quatro primeiros meses de 2025. A audiência pública integrou o 1º ciclo de prestação de contas no âmbito do Assembleia Fiscaliza neste ano. Silvia Listgarten traçou um panorama abrangente da atuação da Seplag, com ênfase no fortalecimento do planejamento orçamentário, na modernização da gestão pública e na digitalização dos serviços estaduais. Ela destacou a atualização do sistema de compras governamentais, a transição da frota oficial para o uso de etanol e a coordenação dos acordos de reparação de Brumadinho e do Rio Doce. “São mais de 160 projetos em andamento, e só em Brumadinho já repassamos quase R$ 800 milhões desde 2023”, pontuou. A secretária também ressaltou o empenho da pasta na organização da carteira de imóveis que poderá ser utilizada na adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). “Estamos lapidando uma base com mais de 300 imóveis, em diálogo com a Assembleia, para cumprir o prazo de entrega à União até o fim de outubro. É um desafio técnico e institucional imenso”. Durante sua exposição, Luiz Claudio Gomes informou que a expectativa de arrecadação tributária do Estado para 2025 é de R$ 105,8 bilhões. Em relação ao Propag, classificou o programa como uma “ponte segura” para a sustentabilidade fiscal de Minas. “O Regime de Recuperação Fiscal (RRF) nos deu um alívio emergencial, mas é o Propag que permitirá uma reorganização estrutural das finanças mineiras”. Ele afirmou que a meta é alcançar ao menos 10% de amortização da dívida, percentual mínimo exigido para redução dos encargos financeiros. “Mas trabalhamos para atingir 20%, o que nos daria a condição ideal: IPCA mais juros reais de 0%”. Gomes ainda alertou para os prazos curtos e a complexidade das etapas necessárias. “É o maior esforço técnico da história recente do Estado. Precisamos da colaboração de todos os Poderes para que Minas não perca essa janela de oportunidade”, completou. “O encontro foi muito produtivo. A presença da secretária Silvia também evidenciou os avanços em modernização da Seplag e a atuação na implantação das Empresas Credenciadas de Vistoria (ECVs), tema no qual a Assembleia teve participação ativa ao ajudar a solucionar o problema do fechamento em massa dessas empresas. Hoje, já há presença em mais de 400 municípios, e pesquisas mostram que a população aprovou o serviço”, avaliou o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Leonídio Bouças (PSDB), em entrevista ao Edição do Brasil. Sobre a participação do secretário da Fazenda, o parlamentar afirmou que foi essencial para esclarecer a proposta de adesão ao Propag. “Ficou claro que, se conseguirmos pagar 20% da dívida com bens do Estado à vista, poderemos nos beneficiar da isenção de 4% dos juros, pagando apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Só essa diferença representa uma redução de mais de R$ 6 bilhões por ano no que Minas teria que desembolsar. Se esse valor fosse direcionado para educação, saúde, segurança pública e infraestrutura, o Estado poderia atingir um novo patamar”, concluiu.

Diagnóstico precoce é chave para combater o lipedema

Doença crônica, progressiva e ainda pouco conhecida, o lipedema atinge principalmente mulheres e é comumente confundido com obesidade ou linfedema. Segundo o estudo Prevalência e Fatores de Risco para Lipedema no Brasil, estima-se que 12,3% das brasileiras convivam com essa condição, caracterizada pelo acúmulo simétrico de gordura subcutânea, especialmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, provocando dor, sensibilidade e comprometimento da qualidade de vida. Ao longo do mês, a campanha “Junho Roxo” promove ações de conscientização em todo o país, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o lipedema, incentivar o diagnóstico precoce e estimular a empatia em relação às mulheres que enfrentam a doença. “Lipedema é uma gordura fibrosada, necrosada, que não responde a qualquer tipo de dieta, atividade física ou plano alimentar hipocalórico. Já a obesidade responde bem. O linfedema, por outro lado, é uma alteração dos vasos linfáticos, geralmente assimétrica. O lipedema se manifesta de forma simétrica, como nas duas pernas ou nos dois braços”, explica o médico Diego Torrico. Ele aponta que os pacientes apresentam sintomas como sensação de peso, dor latejante, celulites que não são celulites, aspecto em “casca de laranja”, queimação, coceira, hematomas espontâneos e cansaço. Segundo Torrico, a doença tem origem hereditária e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sua progressão. “Se não cuidar e tratar, a doença evolui. Não tem cura, mas podemos controlar sua progressão. É preciso apalpar as pernas, sentir as modulações, observar a evolução ao longo da vida da pessoa. Além disso, complementamos com exames como densitometria corporal e bioimpedância”. O médico também chama atenção para os impactos psicológicos causados pela enfermidade. “Muitas mulheres deixam de usar vestidos, de ir à praia, de participar de eventos sociais. Se veem como desleixadas, mesmo seguindo dieta e praticando atividade física sem obter resultados. São pacientes que já foram julgadas por profissionais e familiares, e que muitas vezes nem sabem que têm uma doença real”. Alimentação como ferramenta Para a nutricionista Aline Quissak, uma alimentação personalizada pode ajudar a reduzir a inflamação e os sintomas do lipedema. “O detox terapêutico vai muito além de tomar suco verde. É uma estratégia baseada em testes genéticos, análises de sangue e da microbiota intestinal. Isso permite montar um plano alimentar terapêutico individualizado, que ajude a reduzir a inflamação, equilibrar os hormônios e melhorar a qualidade de vida”. Ela salienta que polimorfismos genéticos podem comprometer as vias de detoxificação e o metabolismo hormonal, e que alimentos específicos, como vegetais crucíferos, ricos em indóis e glucosinolatos, favorecem a eliminação de estrogênios inflamatórios. Além disso, nutrientes como glutationa, N-acetilcisteína, vitaminas B6, B12, ácido fólico, colina e sulforafano desempenham papel essencial na detoxificação hepática. “A detoxificação hepática é fundamental no manejo do lipedema, pois a doença está frequentemente associada à sobrecarga estrogênica, inflamação crônica e acúmulo de toxinas nos tecidos adiposos”, explica Aline. A especialista também alerta para os efeitos de intolerâncias alimentares. “Glúten, leite e frutose podem ser gatilhos silenciosos, mas altamente inflamatórios. Eles aumentam a permeabilidade intestinal e estimulam a liberação de citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-alfa, agravando dor, inchaço e inflamação”. Por fim, a nutricionista reforça que o futuro do tratamento passa por abordagens integrativas. “Genética, nutrigenômica, compostos bioativos e microbiota intestinal formam a base de um cuidado realmente eficaz. Não tratamos apenas os sintomas, mas a causa bioquímica da doença”, finaliza.

Circuito Nacional do Café propõe rota de experiências além da bebida

Lançado oficialmente no final de maio, o Circuito Nacional do Café surge como uma das mais ambiciosas iniciativas de valorização do turismo, cultura e economia criativa em torno do principal símbolo da identidade brasileira: o café. Com 51 cidades já integradas, sendo 49 em Minas Gerais e duas no Estado de São Paulo, o projeto propõe uma rota de experiências imersivas que vai muito além da bebida. De acordo com o idealizador e gestor cultural do projeto, Edgar Bessa, a inspiração para o Circuito veio de rotas consagradas, como a Estrada Real e os caminhos do vinho na Itália. “Minas e São Paulo já são os maiores produtores de café do planeta. Temos o sabor, o saber e o território. Faltava uma rota que ligasse tudo isso às pessoas, aos sentimentos e às oportunidades. O Circuito nasce assim, vivo, colaborativo, respeitando as raízes de cada cidade e celebrando o café como potência cultural, econômica e afetiva do nosso país”. O diferencial do Circuito está na proposta colaborativa. Pequenos produtores, grandes marcas, gestores públicos e o trade turístico atuam em sinergia. “Unimos esses mundos por meio de experiências integradas, roteiros colaborativos e ações que geram valor compartilhado. O Circuito é uma rede que pulsa em conjunto, onde todos crescem juntos”, destaca Bessa. “A curadoria das experiências é feita cidade a cidade, ouvindo moradores, artistas, produtores e mestres da culinária. Cada cidade tem um café que é só seu. As experiências são cocriadas com os territórios, respeitando seus ritmos, sotaques e saberes”, completa. Experiências e inovação A rota inclui visitas a fazendas produtoras, oficinas culturais, trilhas ecológicas, cavalgadas, passeios de bike, automóveis e motos, além de eventos como a Corrida do Café. Durante o lançamento na Expocafé, um estande de 500 metros quadrados apresentou essas vivências ao público. O gestor conta que a apresentação do projeto foi como plantar uma semente em solo fértil. “A receptividade foi emocionante e sentimos que esse projeto é de todos. Quando as pessoas se reconhecem em uma ideia, ela ganha força e sentido”. A tecnologia também tem papel estratégico. Um aplicativo com audioguias e roteiros, além de um passaporte turístico com QR Codes para “carimbar” a passagem por cada cidade, vai aproximar visitantes e moradores. Segundo Bessa, o passaporte transforma a viagem em aventura interativa, onde cada selo carimbado é uma história vivida. “São ferramentas que ampliam a experiência e democratizam o acesso, sem perder a alma artesanal do café. É o passado se encontrando com o futuro, com poesia e praticidade”. Potencial econômico O Circuito foi reconhecido pela Lei 14.718/2023 como o 14º Monumento Nacional e já conta com um calendário anual de eventos. De acordo com o gestor cultural, a expectativa é de um aumento de 33,5% no fluxo turístico nas regiões participantes, com impacto direto na geração de emprego, renda e visibilidade internacional do café brasileiro como ativo cultural. “Nosso sonho é grande e com os pés firmes na terra. Queremos inserir o Brasil no mapa do turismo cafeeiro mundial, mostrando que nosso café vai além da exportação: carrega cultura, afeto e identidade”, finaliza. Cidades integrantes Minas Gerais: Patrocínio, Elói Mendes, Patos de Minas, Paraguaçu, Lagoa Formosa, Alfenas, Carmo do Paranaíba, Areado, São Gotardo, Monte Belo, Araxá, Muzambinho, Campos Altos, Guaxupé, Tapiraí, Guaranésia, Bambuí, São Sebastião do Paraíso, Iguatama, Cabo Verde, Arcos, Botelhos, Formiga, Bandeira do Sul, Alpinópolis, Campestre, Carmo do Rio Claro, Machado, Ilicínea, Três Corações, Boa Esperança, Campanha, Cristais, Cambuquira, Aguanil, Conceição do Rio Verde, Campo Belo, São Lourenço, São Francisco de Paula, Carmo de Minas, Oliveira, Cristina, Santana da Vargem, Pedralva, Três Pontas, São José do Alegre, Varginha, Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre. São Paulo: São Paulo e Santos.

IOF mais alto deve trazer riscos à economia e atratividade do Brasil

As recentes propostas de aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com o objetivo de ampliar a arrecadação do governo federal, têm gerado reações intensas no mercado e preocupação no meio jurídico. Como a primeira proposta não agradou ao Congresso Nacional, uma nova alternativa deve ser apresentada na próxima semana. Diante dos reajustes em diversas modalidades, especialistas alertam que o país pode estar comprometendo pilares essenciais da economia, como o tripé macroeconômico, além de afetar a segurança jurídica e a atratividade para investidores estrangeiros. O especialista de mercado, Cesar Queiroz, aponta que a elevação do IOF interfere diretamente na liberdade de movimentação de capitais, encarecendo operações financeiras e impactando negativamente o custo de captação e investimento. “Estamos nos afastando do livre mercado e flertando com um modelo intervencionista”. Queiroz também chama a atenção para a insegurança jurídica que pode ser gerada. “O investidor precisa confiar nas regras do jogo. O que temos visto é um ambiente instável, em que decisões econômicas são tomadas sem diálogo e sem previsibilidade. Esse cenário hostil contribui para a saída de capital estrangeiro, pressionando o câmbio e elevando a inflação”. A advogada tributarista Maria Carolina Bachur concorda que a medida enfraquece a atratividade do país. “O IOF deveria ser um instrumento extrafiscal, utilizado para regular o mercado. A utilização do imposto com finalidade arrecadatória não é novidade, mas seu uso recorrente com esse objetivo pode levantar questionamentos jurídicos”. Ela destaca que a medida pode gerar impactos diretos sobre operações empresariais. “A inclusão de modalidades como o risco sacado no escopo do IOF afeta o fluxo de caixa das empresas, dificultando o planejamento. Estamos diante de uma ação que atinge diretamente setores como a indústria e o varejo, que utilizam essa antecipação de recebíveis para se financiar. A imposição de IOF de 3,5% sobre empréstimos externos de curto prazo torna a captação internacional mais onerosa. Do ponto de vista tributário, ainda é mais barato tomar recursos no exterior do que no Brasil, mas o cenário atual encarece tudo”. As mudanças nas alíquotas dos fundos de investimento podem afastar investidores, especialmente em um momento de transição com a reforma tributária, ressalta Maria Carolina. “As idas e vindas na tributação passam uma mensagem contraditória e podem impactar a entrada de recursos”. Segundo Queiroz, a solução não está no aumento de impostos. “O governo precisa fazer o dever de casa, cortar gastos e promover uma reforma administrativa. A majoração do IOF é um reflexo do desespero fiscal. Antes de buscar mais receita, é preciso cortar desperdícios. Só após um diagnóstico transparente do déficit é que se deve discutir complementos, mas com responsabilidade e diálogo. Do jeito que está, estamos punindo quem gera riqueza para sustentar um modelo ultrapassado e oneroso”. Apesar disso, a elevação do IOF já produz efeitos no mercado. Queiroz prevê volatilidade cambial, fuga de capitais e necessidade de uma política monetária mais rígida. “Estamos brincando com fogo”, alerta. Apostas como compensação? Nos últimos dias, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, sugeriu o aumento da carga tributária sobre as apostas esportivas on-line como forma de evitar a alta do IOF. Para o especialista em direito tributário Alexandre Mazza, a proposta é viável, mas deve ser analisada com cautela. Mazza avalia que o possível aumento na tributação das bets pode ser uma medida acertada. “O setor de apostas tem um movimento financeiro espetacular, que cobriria até com folga uma eventual compensação. Além disso, as apostas não envolvem uma cadeia produtiva nem uma grande quantidade de empregos, como em outros setores”. “Essa tributação das apostas pode ser algo positivo, porque é um setor que vem se esquivando de uma regulamentação mais efetiva. A incidência do novo imposto seletivo seria uma excelente opção. Não vejo grandes dificuldades jurídicas ou práticas para que isso ocorra”, finaliza.