PEC das Domésticas faz 12 anos e informalidade ainda preocupa

A Emenda Constitucional nº 72/2013, conhecida como PEC das Domésticas, completou no início de abril 12 anos da promulgação. A partir de sua regulamentação, com a Lei Complementar nº 150/2015, os trabalhadores domésticos passaram a ter uma série de direitos trabalhistas, como o estabelecimento de jornada padrão de 8 horas diárias e 44 horas semanais, com possibilidade de regime de tempo parcial (até 25 horas semanais), o pagamento de horas extras, adicional noturno, o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o direito a receberem o seguro-desemprego e o salário-família. O advogado trabalhista Bernardo Lage destaca que essa legislação específica trouxe um marco civilizatório no reconhecimento dos trabalhadores domésticos como sujeitos plenos de direitos trabalhistas. “As regras trouxeram uma série de direitos inéditos ou ampliados para esses trabalhadores. A jornada de trabalho, por exemplo, era frequentemente flexível e sem limites claros, levando a longas horas de trabalho sem a devida remuneração”. O presidente do Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, avalia como positivo o impacto causado pela PEC. “Antes da promulgação, tínhamos um milhão de trabalhadores e, no máximo, 100 mil eram formalizados. No último balanço da PNAD, esse número estava em 1,3 milhão, entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano”. Apesar do crescimento no número de trabalhadores formais, a informalidade ainda é alta. Segundo o Instituto, 75,64% dos 4,3 milhões de trabalhadores da categoria estão na informalidade. De acordo com Avelino, a diminuição da renda dos empregadores foi um dos motivos para esse aumento. “Eles estão procurando opções de automatizar as casas com utensílios eletrônicos. A pandemia mexeu com a economia e gerou muitas demissões”. Lage destaca que os custos para o pagamento dos encargos sociais são um obstáculo para os patrões. “A complexidade burocrática atrapalha a formalidade. Embora o eSocial Doméstico tenha simplificado alguns procedimentos, muitos empregadores ainda encontram dificuldades em entender e cumprir todas as obrigações cadastrais, de folha de pagamento, registro da jornada e recolhimento de tributos. A falta de familiaridade com plataformas digitais e a necessidade de informações detalhadas podem ser consideradas grandes barreiras”. “O desconhecimento da lei contribui para a alta informalidade. Tanto empregadores quanto empregados podem desconhecer integralmente seus direitos e deveres previstos na Lei Complementar nº 150/2015. A falta de informação clara e acessível sobre os benefícios da formalização e os riscos da informalidade contribui para a perpetuação do problema”, acrescenta. Avelino ressalta que o momento é de incentivar empregadores e empregados a estarem na formalidade. “No caso do empregado, estamos trabalhando desde 2023 para que ele tenha o abono salarial, único direito que ele ainda não tem. Para o empregador, uma sugestão é voltar a dedução do INSS no Imposto de Renda. Isso diminuiria o custo do empregador e estimularia a formalidade. O governo tem que ser eficaz na fiscalização para pressionar os empregadores ilegais”. Erros comuns Mesmo com os avanços trazidos pela PEC das Domésticas, algumas falhas ainda ocorrem devido à falta de informação e à resistência à formalização da relação de trabalho, explica Lage. “O principal erro ainda é não registrar o empregado doméstico. Muitos acham que manter na informalidade ajuda a evitar as questões de burocracia e custos, mas é justamente o contrário. A informalidade expõe o empregador a ações trabalhistas na Justiça e multas que, a longo prazo, acabam saindo muito mais caras”. A ausência de controle de jornada e o desrespeito aos intervalos de descanso e alimentação, além de falhas na concessão de férias e no pagamento de benefícios obrigatórios, são erros frequentes. “O ideal é se planejar para conceder as férias no prazo legal e pagar os direitos no tempo correto”, conclui.
Sintomas de Parkinson vão além dos tremores

Doença que atinge cerca de 200 mil brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Parkinson acontece devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Elas produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição dela afeta os movimentos do paciente, causando os sintomas. A doença pode afetar qualquer indivíduo, mas tende a atingir os mais idosos. A grande maioria das pessoas, geralmente, apresenta os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. Porém, também pode surgir em idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. O neurologista Augusto Coelho explica que cerca de 80% dos pacientes com Parkinson têm tremores, mas esclarece que esse não é um sintoma definidor para o diagnóstico da doença. “O mais importante é a lentidão, pois, sem ela, não tem como fazer o diagnóstico. Outro sintoma que é muito marcante também é uma rigidez nos braços e pernas, que causa dores aos pacientes em muitos casos”. “Hoje nós sabemos que existe uma série de outros sintomas não motores que podem acontecer até muito mais precocemente do que o tremor e a lentidão. Por exemplo, destaco o intestino preso, alguns distúrbios do sono e dificuldade em sentir os cheiros, que podem acontecer até dez anos antes do tremor e da lentidão”, acrescenta. A aposentada Cleide Lovato recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 45 anos. “Comecei a perceber um pequeno tremor no meu dedo, o polegar da mão esquerda, e depois percebi que a minha perna esquerda estava arrastando quando eu caminhava. Fui em busca de um neurologista para saber o que estava acontecendo. Hoje em dia, consigo fazer serviços domésticos, além de manter uma rotina de cuidados contando com terapias coadjuvantes da doença. Não esconda a doença, mantenha sua rotina de atividades o mais próximo possível do que você fazia antes”. Diagnóstico Coelho destaca que o diagnóstico para o Parkinson acontece a partir de uma avaliação clínica. “Buscamos verificar se o paciente está com um histórico condizente com a evolução clínica da doença e, especialmente, com exame neurológico e exame físico, procurando tremor, lentidão e rigidez. Exames de imagem podem ser usados, mas para descartar outras possibilidades”. Conscientização é importante Ele avalia que quanto mais a população compreender a doença, mais fácil será dar um suporte aos pacientes. “Uma das formas é a sociedade se organizar para conseguir que eles tenham esse acompanhamento multidisciplinar. No dia a dia, respeitar as limitações que esses pacientes podem ter ao longo da vida é algo essencial”. Os pacientes e também familiares devem ficar atentos à oferta de tratamentos milagrosos para a cura da doença nas redes sociais, lembra o neurologista. “Qualquer tipo de tratamento que esteja fora do que foi estudado pela comunidade científica deve ser verificado em fontes confiáveis”, finaliza. Mês da tulipa vermelha O quarto mês do ano é dedicado à conscientização da doença. Desde 1998, no dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.
Comissão aprova projeto sobre corredores ecológicos em Minas
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em primeiro turno, uma mudança na Lei nº 20.922, de 16 de outubro de 2013, que dispõe sobre as políticas florestais e de proteção à biodiversidade no Estado. De autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB), o Projeto de Lei (PL) nº 1.106/2023 acrescenta mais um inciso ao artigo 117 da lei, determinando a criação de mecanismo de fomento a mapeamento, reconhecimento e instituição de corredor ecológico. Em seu parecer, o relator do PL e presidente da Comissão, deputado Tito Torres (PSD), destacou que os corredores ambientais configuram um relevante instrumento de gestão e ordenamento territorial. “Os corredores são instituídos com base em dados diversos, como estudos sobre deslocamento de espécies, o espaço necessário para elas e a distribuição de suas populações”. “Em Minas Gerais, além do objetivo de interligar fragmentos florestais, os corredores ecológicos configuram uma forma de planejamento para priorização de áreas para restauração, podendo se articular com o Programa de Regularização Ambiental”, acrescentou. Durante a leitura do seu parecer, o parlamentar lembrou que, em fevereiro do ano passado, foi criado o Corredor Ecológico Serra da Moeda-Arêdes, interligando o Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda e a Estação Ecológica Estadual de Arêdes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “Seu objetivo é permitir a conexão entre os ambientes campestres e florestais da Unidade de Conservação”. Outros requerimentos também foram aprovados. Dentre eles, o pedido de realização de audiência pública para debater as ameaças à área de proteção ambiental abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, em razão da atividade minerária existente no entorno da unidade de conservação e da previsão de construção de uma estrada no interior do parque para o escoamento de minério. A comissão também aprovou que os temas “Segurança de barragens de rejeitos e de pilhas de estéril e de rejeitos de mineração” e “Acompanhamento das ações necessárias para mitigar a degradação ambiental da Lagoa da Petrobras” foram escolhidos para serem submetidos a monitoramento no Tema em Foco, edição 2025-2026, no âmbito do Assembleia Fiscaliza.
Instituto leva educação financeira a crianças da rede pública na RMBH

Levar a educação financeira para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos é a iniciativa do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), que já atendeu, em 2025, mais de 600 crianças de cinco escolas da rede pública em Belo Horizonte, Contagem e Ibirité. A estratégia foi baseada na divulgação do livro “Bemi: Lições de Valor – Uma Aventura Financeira”, que está disponível para download gratuito na Amazon. Na obra, o esquilo Bemi e sua turma embarcam em uma viagem pela história do dinheiro e aprendem conceitos como inflação, juros e crédito de maneira simples e descomplicada. De forma divertida, a autora apresenta o verdadeiro valor do dinheiro e orienta sobre como fazer um planejamento familiar saudável e colaborativo. A diretora-executiva do IMFG, Rosana Aguiar, explica que a ideia surgiu como uma forma de levar a educação financeira ao público-alvo de maneira acessível. “O tema é muito importante no Brasil, para que, desde cedo, as pessoas aprendam a cuidar bem de suas finanças para adquirir bens e ter dinheiro”. A autora do livro, Flora Manga, conta que diversos materiais foram consultados para a construção da obra. “Falamos de conceitos complexos como juros, empréstimos, cartão de crédito e apostas, além da origem do dinheiro e do momento em que o homem deixou de usar o escambo como moeda de troca e passou a criar um sistema monetário, dando início ao comércio. Acabamos tratando o tema em uma linguagem bem didática, que ficou acessível para todos”. “Em uma linguagem lúdica, as crianças têm a chance de pensar e refletir. A educação financeira vai sendo ensinada ao longo de uma jornada literária. Isso é maravilhoso, pois torna o conteúdo mais atrativo”, acrescenta. Ela avalia que “Bemi: Lições de Valor – Uma Aventura Financeira” pode contribuir para que as próximas gerações tenham um maior cuidado com suas finanças. “Uma das coisas que abordamos é a ideia do consumo consciente. Acredito que a educação financeira precisa começar na infância, para que cresça junto com a criança e ela internalize que a estabilidade financeira depende de tempo. Não se adquire estabilidade financeira nem se atingem metas sem um planejamento de longo prazo”. Entre fevereiro e março, as crianças contempladas puderam assistir à contação de histórias com Flora e também participar. “Fiquei muito surpresa com o interesse delas e com o fato de que tinham consciência de que a família tinha problemas financeiros ou já havia passado por essa situação. Elas não ficaram intimidadas. Isso faz com que reflitam que a vida tem um custo e que nada chega como mágica”. Rosana revela que o impacto foi positivo. “Recebemos mensagens dizendo que a linguagem era muito simples e o conteúdo ajudava as crianças a entenderem mais sobre o assunto. Estamos fechando parcerias com escolas e prefeituras para que o livro seja um material complementar no ensino de matemática em sala de aula”. Outros projetos sobre educação financeira estão sendo desenvolvidos para o público infantojuvenil e também para idosos, destaca Rosana. Ela acredita que é responsabilidade das instituições financeiras levar esse tema adiante. “Isso tem a ver com cidadania. Quanto mais pessoas no Brasil entenderem sobre educação financeira, mais chances teremos de crescimento e desenvolvimento”, finaliza.
Índice de confiança do consumidor de BH tem nova queda em março
O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), fechou o mês de março com 39,24 pontos. Em relação a fevereiro, a redução foi de 4,15%. É a menor pontuação desde agosto de 2024. Já no acumulado de 2025, a queda é de 10,02%. De acordo com o economista do Ipead, Diogo Santos, o resultado de março ocorreu devido a fatores macroeconômicos. “Os juros elevados inibem as possibilidades de consumo das famílias de bens de maior valor, e a inflação prejudica o poder de compra”. Segundo a Fundação, a variação negativa do ICC-BH ocorreu devido à queda na percepção da população em cinco dos seis componentes do índice em relação a fevereiro. A pesquisa captou uma piora na percepção da população em relação à situação econômica do país (-14,13%), pretensão de compra (-9,34%), situação financeira da família em relação ao passado (-3,53%), emprego (-2,45%) e à situação financeira da família atual (-1,30%). Santos explica que a piora na percepção da situação econômica do Brasil gera um desconforto à população. “Isso está certamente relacionado às consequências das taxas de juros elevadas e do aumento dos preços. Empréstimos e financiamentos ficam mais caros ou mesmo impeditivos, as empresas arrefecem a contratação de mão de obra, e o equilíbrio das contas familiares fica mais difícil”. “No curto prazo, os consumidores cortam produtos considerados não essenciais ou adiam a compra de um novo bem, como um celular, eletrodoméstico ou a troca de automóvel”, complementa. Por outro lado, somente a percepção quanto à inflação apresentou melhora de 0,84% em março. Segundo o economista, o resultado possivelmente está relacionado ao fato de ter ocorrido uma estabilização dos preços de alimentos ao longo do mês anterior. “Mas, nas últimas semanas, percebemos novas elevações nesses itens. Nos próximos meses, o comportamento do consumidor dependerá da trajetória dos preços, que tende a ser mais controlada por conta da valorização cambial que está ocorrendo agora, e também da trajetória da geração de emprego, que já apresenta sinais de estar arrefecendo, o que é o resultado buscado pela política monetária”, afirma Santos. Redução em outros índices Ainda segundo o Ipead, o Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) caiu 5,49% em março. A piora na percepção da população em relação à situação econômica do país e ao emprego foi o fator responsável por essa queda. Já o Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) também registrou queda de 3,12% em relação a fevereiro de 2025. O resultado foi puxado pelas diminuições da pretensão de compra (-9,34%), situação financeira da família em relação ao passado (-3,53%) e situação financeira da família atual (-1,30%).
País reciclou 410 mil toneladas de garrafas PET pós-consumo

De acordo com dados do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo foram recicladas no país em 2024. Isso representa um aumento de 14% em relação a 2022, quando 359 mil toneladas foram reaproveitadas. Do total da resina reciclada, 37% foram destinadas à fabricação de novas embalagens (preformas e garrafas), seguidos pelo setor têxtil (24%), indústria química (13%), lâminas e chapas (13%), fitas de arquear (10%) e outras aplicações (3%). A indústria da reciclagem de garrafas registrou, no período, um faturamento de aproximadamente R$ 5,66 bilhões. A maior parte dos rendimentos fica com catadores, cooperativas e sucateiros. Para entender melhor o setor, o Edição do Brasil conversou com o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), Auri Marçon. O que contribuiu para o avanço de 14% em dois anos? O crescimento neste período reforça uma trajetória de sucesso impulsionada por três fatores. Primeiro, o esforço de quase três décadas da indústria do PET para criar demanda pela resina reciclada, garantindo sua viabilidade econômica. Em segundo lugar, os investimentos em tecnologia e infraestrutura por parte dos recicladores, tornando o Brasil referência mundial na reciclagem de PET. Por fim, os avanços tecnológicos recentes permitiram que o material reciclado atingisse a mesma qualidade do PET virgem, viabilizando o processo bottle to bottle e fortalecendo a circularidade do PET. Como esse aumento da reciclagem tem impactado socialmente e economicamente esses trabalhadores? O PET é o material com melhor valor de mercado, depois do alumínio. No entanto, o alumínio praticamente não é mais encontrado descartado para coleta e reciclagem, devido ao alto índice de reaproveitamento. Por esse motivo, em termos de volume de receita, o PET é o material que melhor remunera os catadores. Há uma forte demanda pelas embalagens e podemos dizer que ele contribui significativamente para o resgate da cidadania e para a renda desses profissionais, que estão na base da cadeia produtiva. Quais medidas podem ser adotadas para melhorar a coleta seletiva e garantir um maior aproveitamento das embalagens descartadas? Chegamos a um ponto em que um aumento no volume reciclado dependerá de mudanças estruturais, previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mas ainda não implantadas. A PNRS estabelece que a gestão dos resíduos sólidos é uma responsabilidade compartilhada, envolvendo cidadãos, poder público e indústria. É fundamental que o consumidor tenha consciência ambiental e faça o descarte adequado das embalagens, separando-as do lixo orgânico. Cabe ao poder público implantar sistemas robustos de coleta seletiva, que permitam o resgate dos materiais descartados para que cheguem à indústria e sejam reciclados. No entanto, poucos municípios investiram na coleta seletiva. Como consequência, um volume imenso de embalagens descartadas pelos consumidores continua sendo encaminhado para aterros sanitários ou descartado incorretamente no meio ambiente. Há potencial para um incremento no faturamento nos próximos anos?Sim, existe um potencial significativo, uma vez que há uma demanda reprimida por PET reciclado que não está sendo atendida devido à baixa oferta. Apesar do trabalho realizado pelos catadores, a ampliação da reciclagem e do faturamento do setor só será possível quando o Brasil contar com sistemas públicos de coleta seletiva, cuja responsabilidade é das prefeituras. O que pode ser feito para que essa porcentagem aumente nos próximos anos?O setor privado tem cumprido seu papel. Para avançarmos, precisamos continuar contando com a conscientização da população, garantindo o descarte correto das embalagens após o consumo. E, principalmente, é essencial que as prefeituras cumpram seu dever e invistam na coleta seletiva, conforme determina a PNRS. Esse é o principal gargalo que impede o crescimento da indústria de reciclagem no Brasil.
Pesquisa aponta que metade dos brasileiros não pratica esportes

Segundo um levantamento realizado pela Brazil Panels Consultoria sobre os hábitos esportivos dos brasileiros, 50,2% dos entrevistados não praticam nenhum esporte. A inatividade é maior entre as mulheres, que representam 70% das pessoas que não fazem atividades físicas. Em relação aos jovens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 84% são sedentários. “Essa alta taxa de inatividade, especialmente entre as mulheres, evidencia a necessidade urgente de políticas e iniciativas que incentivem a prática esportiva. Precisamos superar barreiras socioculturais e econômicas para ampliar o acesso ao esporte e promover hábitos mais saudáveis em todas as camadas da população”, defende o responsável pela pesquisa, Claudio Vasques. O estudo mostrou as modalidades preferidas por homens e mulheres. 27,1% delas apontaram a dança como a prática predileta, seguida por musculação (23,4%), corrida (12,4%), vôlei (7,3%), futebol (6,9%), natação (6,7%), ciclismo (3,4%) e outros (12,8%). Dentre os homens, o futebol, com 46,9%, é o favorito, seguido por musculação (10,7%), corrida (8,3%), ciclismo (6,3%), futsal (6%), artes marciais (4,9%), natação (4,4%) e outros (12,5%). O engenheiro civil Lucas Andrade acredita que a prática esportiva é essencial para manter a saúde física e mental. “O futebol é o meu escape da rotina estressante do trabalho. Depois de um jogo, me sinto renovado e muito mais disposto para encarar a semana. Além do bem-estar mental, percebo que minha resistência melhorou bastante. Antes, ficava cansado com poucos minutos de jogo, agora consigo manter um ritmo bom. Cada partida é um momento de descontração e amizade. A gente ri, brinca e se diverte, o que faz muito bem para a saúde emocional”. Cuidados com a alimentação Para quem está saindo do sedentarismo, a nutricionista Carla Fiorillo recomenda iniciar com atividades leves, como caminhadas, e aumentar gradualmente a intensidade. “Aliar uma alimentação equilibrada à prática regular de exercícios é a chave para uma vida mais saudável e ativa”. “Uma dieta balanceada fornece a energia e os nutrientes necessários para iniciar e manter uma rotina de exercícios, além de contribuir para a recuperação muscular e a saúde geral”, acrescenta. A nutricionista sugere estratégias alimentares para combater o sedentarismo também em jovens, adultos e idosos: Consuma carboidratos complexos: Alimentos como aveia, batata-doce e grãos integrais fornecem energia de liberação lenta, essencial para atividades físicas prolongadas. Inclua proteínas magras: Carnes brancas, como aves e peixes, leguminosas e tofu são exemplos de proteínas que auxiliam na construção e reparação muscular, fundamentais para quem está iniciando uma rotina de exercícios. Aposte em gorduras saudáveis: Abacate, nozes e azeite de oliva extravirgem contêm gorduras benéficas, que ajudam na produção hormonal e fornecem energia adicional. Hidrate-se adequadamente: A ingestão de água é vital para o funcionamento muscular e a prevenção de lesões. Consuma antioxidantes: Frutas vermelhas, verduras escuras e chás naturais combatem o estresse oxidativo causado pelo exercício físico. Há opção também de suplementar antioxidantes, depois de avaliação profissional.
Janaúba vai receber a 2ª edição da Mostra Gorutuba de Cinema

Entre os dias 3 e 5 de abril, Janaúba, no Norte de Minas, será a sede da segunda edição da Mostra Gorutuba de Cinema. O evento será realizado na Praça Viva Vida, no Centro do município, e a programação está disponível no Instagram @artemovimento.online e no site arteemmovimento.org. A coordenadora-geral do evento, Patrícia Antunes, conta que as expectativas são boas. Um dos motivos é o maior interesse do público pelo cinema brasileiro, após o fenômeno causado pelo filme “Ainda Estou Aqui”. “Antes, as pessoas não conheciam muito a produção nacional. A partir disso, o público passou a ver essas pessoas que fazem cinema há anos”. Patrícia lembra que o município não possui uma sala de cinema há 40 anos. “O retorno dos espectadores após a primeira edição, realizada em 2021, foi positivo. Muita gente nos procurou para agradecer por termos levado a oportunidade de famílias inteiras assistirem a um filme em uma tela grande pela primeira vez. Para este ano, estamos trabalhando para oferecer uma experiência que vai impressionar o público com a melhor qualidade possível”. Programação Cerca de 30 filmes serão exibidos durante a Mostra, entre eles a estreia do curta-metragem “Casamento Gorutubano: Um Resgate Histórico”, baseado nas memórias ancestrais do povo Gorutubano. Esse povo originário do Norte de Minas Gerais é de ascendência cafuza ou caboré, resultado da mistura entre índios Tapuias e negros fugidos das senzalas no Sul da Bahia, que se estabeleceram no Vale do Rio Gorutuba, tornando-se conhecidos como os Gorutubanos. Outro filme que será exibido é “Marte Um”, indicado pelo Brasil para a disputa do Oscar de 2023 na categoria de Melhor Filme Internacional. A iniciativa também contará com a participação do Festival Cine Cipó, conhecido por sua curadoria focada em temáticas socioambientais, etnográficas e questões vitais como gênero e direitos humanos. O festival celebra a memória de Waldir Palhinha, patrono do projeto, e ainda trará apresentações musicais, espetáculos teatrais, rodas de conversa, barraquinhas e artesanato. A coordenadora espera que a Mostra contribua para a formação de um público interessado em consumir e produzir cinema na região. “As sementes que plantamos estão se difundindo, e desejo que, daqui a alguns anos, mais pessoas entendam o que é o cinema nacional e que tenhamos um polo de produção na região”. “Para esta edição da Mostra, esperamos que os 300 lugares da nossa arena estejam lotados nos três dias. Além disso, teremos barraquinhas com artesanato e gastronomia locais, além de atrações infantis. O evento será para toda a família”, finaliza. Serviço: 2ª Mostra Gorutuba de Cinema Data: 3 a 5 de abrilLocal: Praça Viva VidaEndereço: Rua Maurício Augusto de Azevedo – CentroEntrada franca
Chocolates e peixes estão mais caros para a Páscoa deste ano
Os preços na Páscoa de 2025 estão mais caros e os chocolates em barra e bombons acumulam uma elevação de 16,53% em doze meses, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em Belo Horizonte, conforme o site Mercado Mineiro, os ovos de Páscoa registraram aumento de até 53% no valor. Já as barras de chocolate estão pelo menos 40% mais caras, e as caixas de bombons subiram 20% em comparação ao ano passado. “Temos aumentos bem superiores à inflação. Por exemplo, uma barra de chocolate de 80 gramas, que custava R$ 5,19, subiu para R$ 7,27. Os motivos para esses aumentos são a redução mundial na safra de cacau, principal ingrediente do chocolate. Somado a isso, tivemos um custo mais alto do açúcar no ano passado e também no transporte”, explica o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. Ele esclarece que outro fenômeno que vem acontecendo com os ovos de Páscoa é a reduflação, em que a pessoa paga mais caro por um produto em menor quantidade. “De certa forma, o consumidor acaba comprando gato por lebre, achando que vai fazer a mesma fartura que em anos anteriores, mas, na verdade, está comprando é embalagem”. Menos ovos em 2025 A expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) é que sejam produzidos 45 milhões de ovos para a Páscoa 2025, uma redução de 22% em relação ao ano passado, quando foram fabricadas 58 milhões de unidades. Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, fatores como a redução na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana, dois dos maiores produtores mundiais, foram provocados pelo El Niño. “Isso elevou o preço da tonelada de US$ 2,5 mil para US$ 8 mil e gerou um déficit de 700 mil toneladas no mercado”. Ainda de acordo com a Abicab, “a indústria absorveu o maior impacto dessa alta de preços e lançou, para a Páscoa de 2025, 803 itens, 192 a mais do que em 2024. Além de novas gramaturas, composições com castanhas, pistache, amendoim e frutas, tamanhos diversos acompanham as preferências dos brasileiros, que sempre buscam novidades”. Segundo a Associação, foram feitas 10 mil contratações temporárias para esta Páscoa, contra 7 mil no ano passado. “Empacotadores, promotores de vendas, motoristas para transporte dos produtos em caminhão refrigerado. Desse total de trabalhadores, pelo menos 20% se tornam efetivos, com carteira de trabalho assinada. É a oportunidade para ingressar em uma carreira que prevê ascensão social”. Peixes Ainda de acordo com o Mercado Mineiro, em Belo Horizonte, o consumidor deve pagar mais caro por alguns peixes. O preço médio do bacalhau Saithe, que era de R$ 73,50 em 2024, passou para R$ 85,05 o quilo, uma alta de 15,72%. O bacalhau Cod apresentou um acréscimo de 8%. Em relação à variação de preços entre estabelecimentos, os preços de todos os tipos de bacalhau estão acima dos 100%. Segundo Abreu, um dos motivos para a grande diferença é a menor concorrência do setor em BH. “Também, por ser importado, o bacalhau sofreu muito com o aumento do dólar”. O preço médio do quilo da corvina e da tainha subiram 4% cada. Por outro lado, filé de surubim (-13,75%), sardinha (-14%), surubim em posta (-7,57%) e cascudo (-3%) apresentaram queda. Já o camarão sete-barbas grande, que custava, em média, R$ 63,79, subiu para R$ 89,81, um aumento de 40,79%. O camarão rosa limpo e o camarão sete-barbas pequeno subiram 13,74% e 13,37%, respectivamente. Para economizar nos peixes, a orientação do diretor do Mercado Mineiro é comprá-los um final de semana antes da Sexta-feira da Paixão, para conseguir um produto de boa qualidade e com um melhor preço. “Porque os preços já estarão formados. Por exemplo, o ovo de Páscoa chega ao estabelecimento com um preço. Devido à concorrência e à quantidade no estoque, os preços acabam sendo alterados. A principal estratégia do consumidor para economizar nessa época do ano, sem perder as tradições, é pesquisar”, finaliza.
Regulamentação do carbono deve trazer oportunidades ao Brasil

Iniciativa que busca estabelecer maior transparência, integridade e eficácia nas reduções de emissões, evitando fraudes e assegurando ganhos reais e verificáveis, a Lei 15.042/24 visa o controle das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e o combate às mudanças climáticas. A legislação também criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), que se baseará no conceito cap-and-trade. Ou seja, aqueles que ultrapassarem os limites de emissões estipulados pelo governo. Na prática, quem emite mais de 25 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano poderão adquirir ativos do SBCE, como as Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), de empresas que emitirem menos. Segundo a professora do curso de Mercado e Regulação de Carbono, Daniela Stump, esse conceito ajudará o país a alcançar as metas do Acordo de Paris. “A cada cinco anos, os países renovam seus compromissos. O Brasil renovou e aumentou sua ambição no ano passado, antecipando a nova rodada de renovação das metas, que deve acontecer este ano”. Na opinião de Daniela, a regulamentação pode impactar positivamente a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional. “Alguns exportadores brasileiros já estão sujeitos ao ônus da precificação de carbono imposto pela União Europeia. Caso essa precificação seja regulamentada no Brasil, é possível argumentar junto à União Europeia que o produto brasileiro já está sujeito à precificação de carbono, não precisando se submeter às imposições europeias”. Ela avalia que o Brasil tem grandes oportunidades de remoção e sequestro de emissões de CO2 devido às possibilidades de restauração florestal e conservação das florestas. “O país pode se tornar protagonista na geração de reduções e remoções de emissões, transferindo esses créditos para outras nações que não conseguem cumprir suas metas dentro do próprio território”. O vice-presidente da Câmara Internacional de Meio Ambiente e Energia da Câmara de Comércio Internacional (ICC), Keyvan Macedo, explica que a implementação do mercado ocorrerá em cinco fases, cada uma com duração de um a dois anos. Ele lembra que ainda há uma série de pontos a serem definidos para garantir a efetividade do SBCE. “Uma delas é a própria instituição e funcionamento dos órgãos de governança, incluindo consultas ao Comitê Técnico Permanente, além dos mecanismos de autorização e ajustes correspondentes para a transferência internacional de resultados de mitigação. Outro ponto que precisa ser definido é como se dará o uso de CBEs em períodos distintos daqueles em que foram distribuídas. A transferência de titularidade e o cancelamento de operações sobre os ativos integrantes do SBCE também precisam ser claramente regulamentados”. Macedo afirma que alguns aspectos ainda necessitam de ajustes para garantir transparência e segurança jurídica aos agentes do mercado. “Além do funcionamento dos órgãos de governança e da transferência de titularidade e cancelamento de operações sobre os ativos do SBCE, outro ponto crucial a ser regulamentado refere-se às normas sobre escrituração e circulação desses ativos e dos créditos de carbono no mercado financeiro e de capitais. Também é essencial definir com clareza as infrações administrativas e os procedimentos para apuração e aplicação de penalidades”. As empresas que possuem um plano de transição climática estão mais preparadas para a regulamentação da lei, segundo explica Macedo. “No entanto, isso não significa que elas não serão afetadas, pois é necessário compreender o impacto da legislação sobre os negócios. Para as empresas que não têm um plano climático, é fundamental que conheçam as emissões diretas de suas operações e, a partir desse mapeamento, criem um plano de ação para gerenciar suas emissões. Se não houver uma integração entre a agenda climática e o modelo de negócio, podem surgir riscos financeiros, inclusive à continuidade da empresa”.