Mercado imobiliário desafia juros altos e segue ritmo de crescimento

Apesar da Selic estacionada em 15% ao ano, a construção civil brasileira mostra resiliência e segue gerando empregos. Em maio deste ano, o setor ultrapassou a marca de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que não era alcançado desde 2014. Só nos primeiros cinco meses de 2025, o saldo é de 159.440 mil novos postos formais, o que representa 14,2% de todas as vagas geradas no país no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, a vitalidade do setor contrasta com uma grave retração no crédito à produção imobiliária, que caiu 62,9% em unidades e 54,1% em valores de janeiro a maio, segundo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A retração está ligada à fuga de recursos da caderneta de poupança, com captação líquida negativa de R$ 38,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, comprometendo uma das principais fontes de financiamento da construção civil, tanto para a aquisição quanto para a produção de imóveis. “Quando os juros estão elevados, os investidores migram para aplicações com maior rentabilidade e retiram recursos da poupança. Isso reduz drasticamente o volume disponível para financiar a produção imobiliária e obriga o construtor a buscar crédito mais caro no mercado, elevando o custo das obras”, explica Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ainda assim, a CBIC manteve a projeção de crescimento em 2,3% para 2025, sustentada por empreendimentos lançados nos últimos dois anos, que ainda estão em fase de execução. Mas, Ieda alerta que o cenário inspira cautela. “Estamos vivendo os efeitos de investimentos passados. Se esse patamar elevado da Selic persistir, novos projetos tendem a ser adiados, o que pode comprometer o desempenho do setor a partir de 2026”. “A palavra-chave para atravessar esse momento é planejamento. O setor cresceu mesmo em períodos difíceis por saber se organizar. É esse plano de longo prazo que garante a continuidade do ciclo de crescimento”, completa. Estratégias contra o crédito caro Empresas do setor têm buscado alternativas para manter o ritmo de vendas. Um dos fatores que tem ajudado é o fato de o programa “Minha Casa Minha Vida” operar com taxas pré-fixadas nas Faixas 1, 3 e 4, amenizando os impactos diretos da Selic para o consumidor final. “O que mais tem afetado é o custo para viabilizar os empreendimentos. Com os recursos livres, as taxas chegam a 18% ao ano, o que exige projetos com maior valor agregado e um volume maior de vendas para equilibrar os custos. Por isso, é fundamental estruturar bem a contratação e ajustar o perfil dos produtos”, explica Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos. O segmento tem apostado na Faixa 4 do “Minha Casa Minha Vida”, voltada para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Ainda que represente apenas 3,5% do déficit habitacional, esse público tem poder aquisitivo para adquirir imóveis com mais diferenciais como varanda, suíte e áreas de lazer completas. O que tem mantido esse nicho atrativo mesmo em tempos de crédito caro. Morais explica que esses clientes buscam qualidade, localização e bons acabamentos. “Apesar de mais seletivo, é um público estratégico. Mas exige atenção na análise de crédito e no encaixe da renda com o valor do imóvel”. Ele revela que houve mudanças no perfil do comprador. Há maior exigência de comprovação de renda por parte dos bancos, e o recurso à composição de renda tem crescido. “Cada vez mais vemos compradores unindo a renda com cônjuges, familiares ou parceiros para conseguir financiamento. Isso amplia o acesso ao crédito e viabiliza as compras com exigências mais rigorosas”. Riscos A CBIC aponta que a queda no crédito à produção e a instabilidade no cenário macroeconômico, com inflação fora da meta e incertezas fiscais e internacionais, geram preocupação para o médio prazo. “O ciclo da construção é longo. A obra que começa hoje será entregue daqui a dois ou três anos. Se os investimentos forem adiados agora, o setor poderá sofrer uma freada brusca no futuro”, destaca Ieda. Cada R$ 1 milhão investido na construção gera 13 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de movimentar mais de 90 segmentos produtivos. “Limitar o crescimento da construção é comprometer o desenvolvimento do país. Precisamos de previsibilidade, ambiente estável e crédito acessível para manter esse motor em funcionamento”, finaliza a economista.
Mudança na lei de aprendizagem pode ampliar oportunidades para jovens

Criada em 2000, a Lei da Aprendizagem garante a jovens, entre 14 e 24 anos, o direito à qualificação profissional aliada ao emprego com carteira assinada, sendo um dos principais instrumentos de inserção produtiva para quem está começando a trajetória profissional no mercado de trabalho. Para modernizar e consolidar essa política pública, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 6.461/2019, o Estatuto do Aprendiz, que deve ser votado nas próximas semanas. O texto busca reunir, em um só instrumento jurídico, regras que hoje estão dispersas e frequentemente modificadas, o que gera insegurança para empresas e entidades formadoras. Para entender melhor essas mudanças, o Edição do Brasil conversou com a diretora de Assistência Social da Rede Cidadã, Keure Chamse. Quais são os principais impactos do Estatuto para os jovens? O PL reforça os direitos já conquistados, especialmente o direito constitucional à profissionalização. Muitos adolescentes e jovens atendidos pelo programa estão em sua primeira experiência de trabalho e essa transição precisa ser acompanhada com responsabilidade. O Estatuto garante que eles não sejam expostos a atividades insalubres ou perigosas e também promove uma atuação intersetorial com educação e assistência social, que envolve as famílias e as escolas. Isso amplia as chances de sucesso escolar e profissional. Além disso, é uma política de prevenção que protege o jovem de contextos de risco e oferece perspectiva de futuro. A proposta pode ajudar a combater o desemprego juvenil e a evasão escolar? Sim, e já temos resultados que mostram isso. O estudante que entra no programa precisa manter frequência escolar, porque se abandonar os estudos, é desligado. Isso ajuda a manter o vínculo com a escola e afasta o risco do trabalho infantil, que muitas vezes é consequência da necessidade de renda. Com a aprendizagem, o jovem permanece na escola, recebe formação técnica e humana, e desenvolve competências socioemocionais. É um caminho estruturado para o mundo do trabalho. Vale lembrar que o Brasil tem hoje cerca de 650 mil aprendizes ativos, mas estudos do Ministério do Trabalho mostram que poderíamos ter mais de 1 milhão de vagas preenchidas. O Estatuto cria as condições para que isso se torne realidade. Como o Estatuto pode melhorar o ambiente para as empresas? Hoje, as regras estão dispersas em várias normativas, o que causa insegurança. A cada mudança no governo, surgem medidas provisórias que alteram requisitos, carga horária e processos. Isso desestrutura os programas e afeta a confiança das empresas. O Estatuto vem para consolidar tudo em um marco legal, moderno e estável, trazendo segurança para todos os envolvidos, empresas, entidades e os próprios aprendizes. Há benefícios previstos para pequenas empresas e o setor público? O projeto propõe incentivos para que micro e pequenas empresas e órgãos públicos também possam contratar aprendizes. São segmentos que hoje não são obrigados, mas que podem contribuir com a geração de oportunidades. Quando uma empresa contrata um jovem, cumpre não apenas a cota como também forma um futuro colaborador alinhado aos seus valores. Ao longo de dois anos, o aprendiz passa por diferentes áreas, adquire conhecimento técnico e humano, e sai pronto para o mercado. É uma via de mão dupla onde todos ganham. O que muda na formação dos aprendizes com o novo texto? O Estatuto qualifica as exigências para as entidades formadoras. Hoje, fala-se muito em estrutura física adequada, equipe técnica, educadores preparados e material didático atualizado. São coisas fundamentais para que o estudante receba mais do que capacitação técnica, porém, o jovem precisa de formação cidadã, de visão crítica e apoio para lidar com os desafios da vida e do trabalho. Quando a empresa percebe esse diferencial no aprendiz, reconhece o valor da parceria com a entidade e tende a manter uma cultura de formação.
CONAFUT Summit debate futuro do futebol nacional

Pela primeira vez fora de São Paulo, um dos principais eventos da indústria do futebol brasileiro, o CONAFUT Summit, terá uma edição especial em Belo Horizonte. O encontro acontecerá nos dias 7 e 8 de agosto de 2025, no Estádio Mineirão, e reunirá líderes, especialistas, executivos e representantes dos principais clubes e instituições do futebol nacional. A iniciativa marca um novo momento da conferência, com um formato mais enxuto e itinerante, que permitirá sua realização em outras capitais brasileiras a cada dois anos. A abertura, no dia 7, será marcada por uma noite exclusiva de networking com convidados especiais, e o dia 8 será dedicado a painéis e palestras com foco em inovação, gestão e desenvolvimento do futebol brasileiro. As inscrições para o evento podem ser feitas no site oficial www.conafut.com.br/summit. Segundo Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios, a escolha da capital mineira não foi por acaso. “A CONAFUT acontece em São Paulo anualmente desde 2017. Criamos um formato chamado CONAFUT Summit que será itinerante. Escolhemos Minas Gerais para ser a casa desta primeira edição por ser fora do eixo Rio-São Paulo. É o estado mais relevante economicamente e mais representativo do futebol nacional, talvez ao lado do Rio Grande do Sul. E nada mais natural do que o evento acontecer no Mineirão, palco histórico da modalidade”. O CONAFUT Summit 2025 abordará temas relevantes para o mercado do futebol, como a saúde financeira dos clubes, a valorização dos estádios como centros de entretenimento, os preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e os desafios da publicidade esportiva em meio ao avanço do setor de apostas. A programação inclui painéis com a participação de nomes de peso, como os CEOs do Palmeiras, América-MG, Atlético-MG, Athletic Club e Cruzeiro, além de representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Liga Forte União (LFU). O novo modelo também tem como objetivo ampliar o alcance e a representatividade do evento. “Apesar da maior parte do público das edições da CONAFUT ser do eixo Rio-São Paulo, um percentual relevante de pessoas vinham de outras praças. Então, a ideia deste novo formato é ir até essas regiões, movimentar a indústria local do futebol e aprofundar nas temáticas mais específicas dali, fazendo um diálogo com os temas nacionais e internacionais”, explica Trevisan. Ele pontua que os debates propostos refletem alguns dos principais desafios do futebol nacional. “O futebol brasileiro vive um paradoxo na questão financeira: os clubes nunca arrecadaram tanto, superando a marca dos R$ 10 bilhões de faturamento, mas também nunca estiveram tão endividados. Isso porque os gastos têm aumentado em uma velocidade superior ao crescimento da receita. Então este é um debate fundamental para a sustentabilidade do setor”. O dirigente também destaca a importância de discutir o crescimento do futebol feminino, em especial com a proximidade da Copa do Mundo de 2027. “É um segmento que vive uma profunda transformação no Brasil. Com a confirmação do país como sede, a modalidade tende a ganhar mais visibilidade, investimento e, principalmente, expectativa. O Campeonato Brasileiro Feminino A1 teve um crescimento de mais de 600% em audiência entre 2020 e 2023, inclusive, teve o Cruzeiro liderando a primeira fase esse ano”. A expectativa de Trevisan é que essa edição amplie o reconhecimento das boas práticas de gestão dos clubes locais. “A CONAFUT Summit em Minas Gerais pretende expandir a visibilidade da importância do Estado para o desenvolvimento do futebol nacional, além de abrir espaço para iniciativas de destaque do interior, como o modelo exitoso de gestão do Athletic e a inovadora parceria do North e o Sicoob Credinor no seu estádio”. “A CONAFUT tem dois objetivos principais. Levar para discussão conteúdos de vanguarda e ser um ponto de encontro da indústria do futebol, tão carente desse tipo de espaço. A ideia do kick-off é ser um momento de fortalecimento de conexões e ampliação do networking entre os membros do setor”, finaliza.
Minas lidera uso do Fampe e soma R$ 5,4 bilhões em crédito liberado

Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), uma das principais ferramentas de acesso ao crédito para pequenos empreendedores no Brasil, celebra 30 anos em 2025. Ao longo dessas três décadas de atuação, o Fampe já viabilizou mais de 655 mil operações de crédito no país, totalizando R$ 36,03 bilhões em financiamentos e R$ 26,46 bilhões em garantias concedidas. De janeiro a maio deste ano, Minas Gerais registrou R$ 409,6 milhões em crédito liberado por meio do fundo, com 6.543 operações, totalizando R$ 296 milhões em garantias. Desde a criação do Fampe, Minas já contabiliza 114.297 contratos, somando R$ 5,45 bilhões em crédito financiado e beneficiando 86.966 empresas, representando 17,4% de todas as operações nacionais. “Minas Gerais teve um papel de destaque em 2025, concentrando 25% de todas as operações com garantia do Fampe realizadas no país. Esse resultado é reflexo da forte atuação do Sebrae Minas junto às instituições financeiras parceiras, em especial as cooperativas de crédito, que têm ampla presença no estado e proximidade com os pequenos negócios”, afirma Rogério Corgosinho, gerente de Desenvolvimento Territorial e Serviços Financeiros do Sebrae Minas. O Fampe atua como avalista junto às instituições financeiras, viabilizando crédito para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas, empresas de pequeno porte e pequenas agroindústrias, sem a exigência de garantias reais. Isso permite a inclusão financeira especialmente em municípios menores, onde a presença bancária tradicional é limitada. Corgosinho explica que o fundo concede o acesso ao crédito para empreendedores que, muitas vezes, não possuem garantias reais ou histórico bancário suficiente para conseguir financiamento. “Ao reduzir o risco para as instituições financeiras, o Fampe democratiza o acesso a recursos e contribui diretamente para a geração de renda nos pequenos negócios, especialmente onde o sistema bancário convencional tem baixa presença”. Mesmo com os bons resultados, o gerente aponta desafios a serem superados. “Muitos empreendedores ainda desconhecem o Fampe e suas vantagens. Além disso, uma gestão financeira pouco estruturada dificulta o uso estratégico do crédito e impacta na análise das instituições financeiras. Para ampliar o alcance do programa seria importante criar ações integradas com prefeituras e instituições locais, especialmente em regiões menos atendidas”, avalia. Fampe Mulheres Uma das novidades recentes é a modalidade Fampe Mulheres, que permite garantir até 100% do valor financiado por empresárias, destaca Corgosinho. Em Minas Gerais, essa linha já movimentou mais de R$ 1,1 milhão. “Ela foi estruturada para atender às necessidades específicas das micro e pequenas empresárias, oferecendo condições diferenciadas e facilitando o acesso ao crédito”. Um exemplo é a empreendedora Jéssica Sousa, da cidade de São Bento Abade, que é uma das beneficiadas. “Consegui o recurso de forma rápida e sem burocracia por meio da cooperativa de crédito. Pouco tempo depois, recebi o contato de um consultor do Sebrae que me ajudou a organizar melhor a gestão da empresa. Com o crédito, reformamos a padaria e ampliamos o atendimento com um espaço de empório”, relata. Outras ações Além do acesso ao crédito, Corgosinho lembra que o Sebrae oferece acompanhamento por meio do programa Crédito Assistido, que fornece orientações técnicas e práticas para garantir o uso eficiente dos recursos. “Na prática, o empreendedor recebe orientações e ferramentas para a gestão dos recursos financeiros, planejamento estratégico e melhoria dos processos. Isso aumenta as chances de sucesso, reduz os riscos e fortalece o crescimento do negócio”. Para potencializar os resultados do programa, o Sebrae Minas também lançou uma jornada de acompanhamento gratuita, que será expandida para todo o Estado a partir de agosto. A iniciativa inclui diagnóstico financeiro, plano de ação personalizado e orientações práticas. Além disso, uma jornada de pré-crédito também está em desenvolvimento. “Essa nova etapa prepara o empreendedor antes da liberação do recurso, fortalecendo sua capacidade de planejamento e gestão. Com isso, promovemos maior segurança na aplicação do crédito, reduzimos riscos e ampliamos o impacto positivo do Fampe”, finaliza Corgosinho.
Um em cada dez óleos lubrificantes no país é clandestino ou irregular

Trocar o óleo do motor é uma das manutenções mais básicas para garantir o bom funcionamento de um veículo. No entanto, o uso de lubrificantes fora das especificações técnicas ou adulterados pode gerar danos graves ao motor e exigir reparos caros. Segundo o Instituto Combustível Legal (ICL), aproximadamente 10% dos lubrificantes comercializados no país são clandestinos ou não seguem as normas técnicas recomendadas. O resultado são prejuízos financeiros que superam R$ 1,4 bilhão ao ano e colocam em risco a segurança de motoristas e passageiros. O mais recente Boletim do Programa de Monitoramento de Lubrificantes, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostrou que 14,1% das 468 amostras coletadas entre agosto e outubro de 2024 apresentaram alguma não conformidade. As irregularidades incluem produtos sem registro, aditivação deficiente, viscosidade fora do padrão e ausência de informações obrigatórias, como número de lote e data de fabricação. Para o diretor-executivo do ICL, Carlo Faccio, mesmo em veículos com baixa quilometragem, os impactos do óleo errado são perceptíveis, como superaquecimento, entupimento de dutos, falhas mecânicas, desgaste acelerado de peças internas e até quebra de componentes como pistões e válvulas. “Óleos errados comprometem o sistema de lubrificação. Até mesmo um pequeno desvio pode causar problemas que se acumulam com o tempo. A escolha do lubrificante não deve ser feita por preço ou conveniência, mas com base nas especificações técnicas do fabricante e do manual do veículo”, explica. De acordo com Faccio, o consumidor precisa estar atento à procedência do produto, especialmente diante do aumento de fraudes no setor. “Essa economia ilusória na hora da compra pode custar muito mais caro depois. Produtos adulterados comprometem peças vitais e colocam em risco a segurança do motorista e dos passageiros”, alerta. Além disso, o uso prolongado de lubrificantes inadequados pode gerar consequências ambientais e financeiras, como o aumento do consumo de combustível, maior emissão de poluentes e a possibilidade de perda da garantia do veículo junto à montadora. Ele lembra que a troca de óleo é essencial. “Saber qual lubrificante está sendo usado é ainda mais importante. A escolha correta protege o motor, garante desempenho, evita falhas e preserva o valor do seu carro”, finaliza. Dicas para evitar prejuízos
Insuficiência cardíaca exige atenção e diagnóstico precoce

Uma das doenças cardiovasculares que mais cresce no Brasil, a insuficiência cardíaca, já atinge entre 3 a 5% da população, segundo estimativas de especialistas, e responde por milhares de internações hospitalares todos os anos. Mesmo assim, continua sendo subdiagnosticada e pouco debatida. Caracterizada pela incapacidade do coração de bombear o sangue de forma eficiente, a insuficiência cardíaca é a via final comum de uma série de doenças, como hipertensão, diabetes, infartos e enfermidades das válvulas cardíacas. Seus sintomas, como falta de ar, fadiga e inchaço nas pernas, são frequentemente confundidos com sinais de envelhecimento ou estresse cotidiano, o que atrasa o diagnóstico. “O grande problema hoje é o diagnóstico precoce e adequado da doença. Muitas vezes, o paciente hipertenso nem sabe que tem pressão alta, ou não trata de forma correta. Isso cria um enorme contingente de pessoas que evoluem para insuficiência cardíaca sem saber”, afirma o cardiologista Marcelo Montera. “O cenário é grave e estamos diante de uma população que está adoecendo em ritmo acelerado. O envelhecimento, aliado à epidemia de obesidade e ao aumento de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, tem alimentado silenciosamente uma crise de insuficiência cardíaca no país”, alerta. Para Mucio Tavares, também cardiologista, a doença permanece pouco conhecida porque seus sintomas são inespecíficos e, muitas vezes, nem são discutidos com o paciente no momento da consulta. “Mesmo quando os sinais estão presentes, podem ser confundidos com outras condições. Além disso, a maioria dos casos evolui lentamente, ao longo de anos, o que dificulta ainda mais a detecção precoce”, explica. Dados do Ministério da Saúde revelam que as doenças do coração foram a principal causa de morte no país, em 2024, superando o câncer. Em 2025, segundo dados do DataSUS, entre janeiro e abril, o Brasil registrou 65.533 internações por insuficiência cardíaca, um aumento de 2,43% em relação ao mesmo período de 2024. As regiões Norte (+5,16%), Sudeste (+3,56%) e Nordeste (+2,81%) puxaram o crescimento. Apesar dessas estatísticas, Montera lembra que a insuficiência cardíaca ainda não recebe a mesma atenção pública. “Hoje, a doença mata muito mais que o câncer de próstata e, mesmo assim, não temos campanhas de prevenção na mídia. É uma questão de saúde pública que precisa ser enfrentada com seriedade e políticas consistentes”. Para detectar a enfermidade precocemente, Tavares explica que exames como ecocardiograma e dosagens hormonais de BNP e NT-proBNP são essenciais. “Esses marcadores têm alta curácia e ajudam a identificar tanto a presença quanto o risco de insuficiência cardíaca antes mesmo dos sintomas aparecerem. Mas é preciso que o médico, principalmente o da atenção primária, esteja atento aos sinais e peça esses exames quando necessário”. Casos em jovens preocupa Outro fator preocupante é o crescimento da doença entre jovens adultos, devido ao sedentarismo, má alimentação e excesso de estresse. “Hoje vemos cada vez mais pacientes jovens com insuficiência cardíaca. Pacientes que sobrevivem a infartos, por exemplo, frequentemente ficam com o coração enfraquecido. E isso tem contribuído para o aumento das estatísticas”, observa o cardiologista Dr. Gustavo Duque. A projeção é alarmante para os próximos anos. “Com melhores condições de saúde e tratamento, a população tem envelhecido, mas também adoecido. Estima-se um aumento de cerca de 25% nos casos de insuficiência cardíaca até 2030”, reforça. Tavares diz que houve avanços significativos no tratamento. “Hoje, a insuficiência cardíaca é uma das áreas da cardiologia com mais evolução. Temos medicamentos modernos que reduzem hospitalizações e prolongam a sobrevida. Usando as quatro classes de drogas indicadas, conseguimos aumentar a expectativa de vida em até sete anos nos casos mais sintomáticos”. Além dos remédios, existem dispositivos implantáveis, como ressincronizadores, desfibriladores e assistentes ventriculares, que melhoram a função do coração e reduzem o risco de morte súbita. Segundo Tavares, o grande desafio continua sendo o acesso. “O Brasil não tem estrutura suficiente para tratar todos os pacientes. A atenção primária precisa estar mais capacitada e equipada para o diagnóstico precoce e para o encaminhamento aos centros especializados”, conclui.
Tecnologia ajuda cidades de MG a conter avanço das arboviroses

Experiências bem-sucedidas em municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Matozinhos, Igarapé, Brumadinho e Oliveira, demonstram a eficácia da utilização de drones e inteligência geoespacial para mapear áreas críticas, antecipar ações e conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Em Matozinhos, a redução de focos do mosquito chegou a 99,2%. Já Oliveira registrou queda de 96,5%; Igarapé, 95%; e Brumadinho, 89%. Um dos pilares dessa transformação é o programa Techdengue. A ferramenta une mapeamento aéreo com drones, georreferenciamento, relatórios preditivos e análise de dados, oferecendo às equipes de saúde pública informações precisas sobre os pontos mais vulneráveis de cada município. Com presença em mais de 600 cidades brasileiras, o Techdengue já monitorou cerca de 150 mil hectares e mais de 10 milhões de pessoas já foram impactadas. “Tem muita tentativa de usar drone no combate às arboviroses, mas o drone por si só não resolve. O que a gente acredita, e comprovou em campo, é que a transformação real acontece quando os dados coletados são tratados de maneira estratégica. É aí que está o diferencial do nosso trabalho, transformar informação em inteligência para tomada de decisão”, afirma Cláudio Ribeiro, CEO da Aero Engenharia. A atuação da empresa vai além da tecnologia. Segundo levantamento da própria companhia, a utilização do Techdengue possibilitou uma redução estimada de R$ 90 milhões em custos públicos com internações, exames e tratamentos relacionados à dengue nos municípios mineiros atendidos. Muitas cidades atuavam de forma reativa, indo até os locais apenas depois da notificação de casos, aponta Ribeiro. “Com essa ferramenta, conseguimos mudar essa lógica. Por meio dos dados, orientamos ações preventivas e mais eficazes, o que gera uma economia enorme de recursos e vidas poupadas”. Ele explica que o diferencial da metodologia está na forma como os dados coletados pelos drones são transformados em inteligência operacional. As imagens aéreas captam potenciais criadouros do mosquito, e os algoritmos desenvolvidos pela equipe do Techdengue processam essas informações com rapidez, gerando relatórios com sugestões de intervenção imediata. “A gente sobrevoa, identifica os pontos estratégicos de risco, gera um relatório georreferenciado e entrega às equipes locais com sugestões práticas de ação. Em vez de gastar energia em áreas aleatórias, os agentes atuam com foco, onde realmente existe risco”. Segundo Ribeiro, o serviço varia conforme o perfil da área urbana a ser monitorada, mas apresenta vantagem frente aos métodos convencionais, tanto em termos de alcance quanto em agilidade de resposta. Com isso, a tecnologia tem ampliado a capacidade de resposta dos municípios e reforçado a vigilância epidemiológica. “Ela não substitui a ação humana, mas potencializa. A gente entrega inteligência para que os profissionais de saúde pública possam atuar com mais precisão, rapidez e resultado”. Momento de prevenção Para o CEO, o período de estiagem é uma oportunidade de fazer ações preventivas de combate ao mosquito. “É hora de conhecer melhor o território, entender onde estão os principais problemas e agir antes da chegada das chuvas. Assim, os municípios ganham tempo para corrigir falhas e se preparar com mais estratégia para o período crítico, como foi, por exemplo, o início de 2024”, finaliza. Arboviroses em Minas De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, até o início de julho foram confirmados 92.440 casos de dengue, 11.412 de chikungunya e 17 de zika. No mesmo período do ano passado, Minas teve 1.378.313 casos de dengue, 144.903 de chikungunya e 43 de zika.
Indústria brasileira ainda sofre com entraves estruturais e fiscais

Mesmo com iniciativas para alavancar a produtividade do segmento, a indústria brasileira ainda enfrenta gargalos antigos que comprometem sua competitividade no mercado internacional. Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a complexidade do sistema tributário, o chamado “Custo Brasil” e a falta de mão de obra qualificada estão entre os principais entraves para o desempenho do setor no cenário global. Segundo o levantamento, realizado com mil empresas industriais de todo o país, 45% dos empresários apontam a bitributação e a complexidade tributária como os maiores desafios, seguidos por 35% que citam o Custo Brasil, um conjunto de ineficiências estruturais, burocráticas e econômicas que consome cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. “O Custo Brasil é esse conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que prejudica o ambiente de negócios do país, pois encarece os custos das empresas, atrapalha investimentos e compromete a competitividade”, pontua o presidente da CNI, Ricardo Alban. Além disso, 31% dos entrevistados destacam a falta de mão de obra qualificada, enquanto 25% citam a burocracia e o ambiente regulatório como obstáculos. A insegurança jurídica também aparece como fator relevante, mencionada por 22% dos empresários. Esses elementos reforçam a percepção de que o Brasil ainda apresenta um ambiente pouco favorável à produção industrial e à inovação. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, o desenvolvimento da indústria está diretamente ligado ao investimento em infraestrutura e à melhoria da educação. “O crescimento econômico sustentável passa obrigatoriamente por investimentos em infraestrutura, educação e ciência e tecnologia. No caso da educação, o ensino médio atrelado à formação técnica e a educação superior são primordiais. Escolas que possuem índices positivos na capacidade de formação dos alunos devem ser premiadas anualmente”. Em 2023, foi aprovada a reforma tributária, que tem entre seus objetivos simplificar o sistema, eliminar a bitributação e reduzir a cumulatividade de impostos. Pereira, no entanto, pondera os efeitos esperados da medida. “Embora seja importante simplificar o sistema tributário, o efeito positivo será visto somente no médio e longo prazo. Sem resolver problemas de infraestrutura de transporte e educacional, os ganhos de competitividade serão muito pequenos”. Na avaliação do economista, a expansão das relações comerciais com outros países pode ser uma oportunidade para reduzir o Custo Brasil. “Parcerias com a China, por exemplo, podem ajudar a viabilizar não somente a produção, mas também o investimento em transportes dos produtos brasileiros. Acordos comerciais atrelados a Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou concessões voltadas para investimento em transportes como portos, ferrovias e transporte rodoviário, podem representar a maior oportunidade das próximas décadas para mitigar os problemas do Custo Brasil”. Incentivo à inovação A pesquisa da CNI também indica que 14% dos empresários veem inovação e tecnologia como entraves à competitividade. “Uma estrutura industrial robusta e competitiva depende de investimentos em inovação, especialmente desenvolvida dentro do país, para evitar a dependência de soluções externas. Acredito que existem dois obstáculos: a governança e o fator cultural. No que tange à governança, ainda falta uma instância nacional que centralize e organize ações integradas entre universidades e empresas. É preciso intensificar essa interação, para que as empresas conheçam com profundidade o que as universidades produzem e as universidades compreendam as demandas do setor privado”, afirma Pereira. Ele complementa que nas universidades públicas existem centros de excelência em engenharia, biomedicina, química e física, por exemplo. “É uma fonte de conhecimento disponível para a indústria brasileira, mas é preciso que haja uma política pública mais clara de aproximação entre universidades e empresas, o que é positivo para ambos os lados”. Pereira também destaca que o incentivo à industrialização é essencial para o crescimento sustentado do Brasil. “A indústria é o motor do crescimento econômico porque demanda mão de obra qualificada, é capaz de criar e disseminar inovações, bem como promove o aumento da produtividade geral da economia”, finaliza.
Gastos com crianças e adolescentes representam menos de 2,5% do PIB

O Brasil destinou mais recursos às políticas públicas voltadas à infância e adolescência nos últimos anos, mas o investimento ainda está longe de alcançar o patamar necessário para garantir direitos básicos dessa população. É o que aponta o relatório “Gasto Social com Crianças e Adolescentes no Orçamento Federal 2019-2024”, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o levantamento, o Gasto Social com Crianças e Adolescentes (GSCA) no Orçamento Geral da União passou de 3,36% em 2019 para 4,91% em 2024, com pico de 5,31% em 2023. Apesar do avanço, o valor nunca superou 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a taxa de execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Para compreender melhor os dados, o Edição do Brasil entrevistou Liliana Chopitea, chefe de Políticas Sociais do Unicef no Brasil. O GSCA cresceu entre 2019 e 2024, mas nunca alcançou 2,5% do PIB. Por que esse percentual é considerado insuficiente? A pesquisa revela que, embora a maior parte do orçamento esteja sendo alocada ao alívio à miséria e, principalmente, às transferências de renda, houve impacto positivo na redução da pobreza monetária nas crianças e adolescentes, mas ainda temos grandes desafios. Quase 30% delas, com idades entre 0 e 17 anos, vivem em pobreza multidimensional, ou seja, privadas de direitos básicos como educação, saúde, saneamento, moradia e acesso à informação. Por isso, esse percentual ainda é baixo frente à magnitude das necessidades. A maior parte dos recursos foi destinada a ações de alívio à pobreza e assistência social. Como garantir que outras áreas também sejam fortalecidas? É importante reconhecer que a Agenda Transversal Crianças e Adolescentes do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 já representa um passo fundamental. Ela permite esse olhar integrado e intersetorial, incluindo políticas de saúde, educação, saneamento, entre outras. Com base nessa agenda, é possível planejar melhor o orçamento e direcionar os investimentos com mais precisão, de acordo com as necessidades regionais e temáticas. A execução orçamentária caiu de 99,5% em 2023 para 93,2% em 2024. Como você avalia essa redução? Mesmo com essa queda, ainda se manteve acima de 90%, o que é positivo, especialmente se compararmos com outros segmentos que não conseguem executar seus orçamentos. Quando os recursos são alocados para a infância, tendem a ser efetivamente gastos, o que mostra capacidade de execução. Defendemos que o termo “gasto” seja substituído por “investimento social em crianças e adolescentes”, pois é disso que se trata, investimento no presente para garantir o futuro do país. Com as medidas de contenção de gastos, quais são os riscos para o financiamento das políticas sociais voltadas às crianças e adolescentes? A proposta da LDO para 2025 prevê um aumento de 1,9% no Orçamento Geral da União em comparação à de 2024. O ideal é que esse incremento seja aprovado e mantido pelo Congresso. Infelizmente, contingenciamentos são possíveis e costumam atingir mais a assistência social do que saúde e educação, que possuem pisos constitucionais. Mesmo diante de restrições fiscais, é essencial que as políticas voltadas para crianças e adolescentes sejam preservadas e priorizadas. O relatório recomenda a identificação das faixas etárias beneficiadas por cada ação. Como isso pode contribuir para a transparência e eficácia das políticas públicas? A informação é uma aliada fundamental da transparência. Esse é um dos grandes objetivos do estudo. Quando sabemos exatamente onde os recursos estão sendo aplicados, conseguimos identificar gargalos, avaliar impactos e redirecionar esforços. A Secretaria de Orçamento Federal tem feito avanços nesse sentido, com uma primeira desagregação orçamentária já apresentada a partir do PPA 2024-2027. Esperamos que esse processo evolua cada vez mais e permita decisões baseadas em evidências.
Quedas no Mundial de Clubes geram reflexão sobre emoções no futebol

Orgulho, tristeza, revolta, vergonha e choro. O torcedor brasileiro está experimentando um verdadeiro turbilhão de emoções com a eliminação dos representantes do país na Copa do Mundo de Clubes da Fifa, disputada nos Estados Unidos. Botafogo e Flamengo caíram nas oitavas, o Palmeiras parou nas quartas, e o Fluminense foi até a semifinal, mas ficou pelo caminho diante do Chelsea. Apesar da frustração, muitos também sentem orgulho de ver seus clubes enfrentando os gigantes europeus, jogando de igual para igual ou quase lá. Mas o que fazer com tantos sentimentos, como encarar a zoação dos rivais, os memes, os debates intermináveis e como os próprios atletas processam o peso da derrota. Na avaliação da psicóloga Êdela Nicoletti, o futebol é muito mais do que um jogo. Ele mexe com identidade, história e vínculos emocionais profundos. “Não é só esporte. É memória afetiva, é estar com a família, é cultura. Por isso, a dor da eliminação vai além do placar”. Já o psicólogo Vinícius Dornelles explica que ver o time do coração chegar entre os melhores do mundo gera euforia, mas também cria uma expectativa que, se frustrada, pode virar raiva ou tristeza intensa. “É natural sentir decepção. O torcedor investe emocionalmente no time e acaba se sentindo injustiçado ou até envergonhado. Mas é importante reconhecer esses sentimentos para não deixá-los crescer de forma descontrolada”. E nem tudo precisa ser negativo. Êdela lembra que mesmo na queda há espaço para reconhecer o mérito. “A emoção saudável é aquela que permite que a tristeza exista, mas sem nos desconectar daquilo que valorizamos, como o amor pelo clube”. Chorar faz parte do jogo Um dos momentos mais marcantes do torneio foi a entrevista do atacante colombiano Jhon Arias, do Fluminense. Visivelmente abalado, ele chorou ao falar sobre a eliminação e pediu desculpas aos torcedores. A cena emocionou e gerou identificação, afinal, nem sempre o jogador pode ou quer mostrar vulnerabilidade diante das câmeras. Para Dornelles, essa é uma reação compreensível e também muito necessária. “O atleta sente tudo: a frustração pessoal, o peso da responsabilidade e o medo do julgamento. Chorar não é fraqueza, é um passo importante para processar a dor com equilíbrio”. E, mais do que isso, essa humanização dos atletas pode ajudar toda a comunidade do futebol. “Quando um jogador se mostra sensível, ele ensina ao torcedor que sentir não é sinal de fraqueza. Isso ajuda a quebrar um ciclo de pressão desumana, que muitas vezes atinge não só os jogadores, mas também quem está na arquibancada”, finaliza Êdela.