Campanha Junho Vermelho reforça a urgência da doação de sangue

Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, a Fundação Hemominas faz um alerta: os estoques de sangue dos hemocentros de Minas Gerais estão em situação crítica. Os tipos A positivo, A negativo e O positivo são os mais afetados. A instituição reforça a importância das doações contínuas para garantir o atendimento a pacientes em todo o estado. De acordo com a Fundação, os tipos O negativo, B negativo e AB negativo estão em nível de alerta. Já o tipo AB positivo se encontra em situação estável. “A situação é de alerta, com moderada queda em relação ao mesmo período do ano passado e também ao mês anterior. Os tipos sanguíneos A positivo, A negativo e O positivo estão em níveis críticos”, afirma Nivaldo Junior, assessor de Captação e Cadastro da Hemominas. Ele afirma que, além das doenças típicas do inverno, que impedem temporariamente muitos voluntários de doar, o excesso de feriados prolongados entre abril e maio também prejudicou a frequência dos doadores. “Viemos de um período de muitos feriados que impactaram o comparecimento nas semanas anteriores. Ao longo de maio, também não observamos um retorno satisfatório nas nossas unidades, o que resultou nessa queda nos estoques”. Para reverter o quadro, a fundação tem reforçado sua estratégia de captação. Junior destaca que ações como ligações telefônicas, coletas externas e parcerias com empresas e instituições têm sido intensificadas. A mais recente novidade é o uso de inteligência artificial para facilitar o contato com os doadores cadastrados. “Criamos um robô que faz contato com nossos doadores via WhatsApp, ajudando no agendamento, cancelamento ou consulta de doações. É uma ferramenta que está facilitando o acesso”. Junho Vermelho O mês ganhou cor e significado com a campanha Junho Vermelho, uma mobilização nacional em torno da causa da doação de sangue, em alusão ao Dia Mundial do Doador, celebrado no dia 14 de junho. A Hemominas aproveita o momento para reforçar a visibilidade da causa. “É uma campanha que mobiliza principalmente os doadores fidelizados, mas também uma oportunidade de atrair novos doadores, esclarecer dúvidas e mostrar a importância desse gesto”, diz Junior. Exemplo de solidariedade A recepcionista Ana Clara Souza começou a doar sangue após um amigo sofrer um acidente e precisar de transfusões urgentes. Desde então, tornou-se uma defensora da causa. “Aquela situação me mostrou como uma bolsa de sangue pode fazer diferença entre a vida e a morte. Hoje, é um compromisso meu. Já usei o novo assistente virtual da Hemominas e incentivo todos ao meu redor a doar”, conta. “As doações são uma necessidade contínua. Todos os dias temos pacientes precisando de transfusões. Por isso, a solidariedade precisa ser diária, não apenas nas campanhas ou datas comemorativas”, reforça o assessor. Como doarPara doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos (menores de idade com autorização dos responsáveis), pesar acima de 50 kg, ter dormido bem e estar alimentado e apresentar documento original com foto. O agendamento pode ser feito pelo site www.hemominas.mg.gov.br no aplicativo MGapp Cidadão, WhatsApp: (31) 4042-7157 ou pelo e-mail: doesangue@hemominas.mg.gov.br
Brasileiros veem redes sociais como ambiente inseguro para adolescentes

Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec revelou que 55% dos brasileiros consideram as redes sociais ambientes inseguros para adolescentes. Entre os jovens, essa sensação é ainda maior: 32% avaliam essas plataformas como muito inseguras. Quando o assunto é bullying virtual, 82% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar sobre casos em redes sociais, grupos de WhatsApp ou outros ambientes digitais. Além disso, 24% relataram ter sido vítimas de cyberbullying. As situações mais comuns incluem: disseminação de mentiras (15%), exposição de fotos ou vídeos constrangedores (4%), mensagens ofensivas (13%), uso indevido do nome (9%) e vazamento de dados pessoais (7%). As principais vítimas estão na faixa dos 16 a 24 anos (37%), seguidas pelo grupo de 25 a 34 anos (28%). Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito Digital, Jean Túlio Cardoso Neto. Como o Marco Civil da Internet e a LGPD podem proteger adolescentes do cyberbullying e do vazamento de dados nas redes?Ambos são pilares essenciais da proteção digital no país. O Marco Civil assegura princípios como privacidade, proteção de dados e responsabilização por atos ilícitos. Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz regras específicas para o tratamento de informações de menores, exigindo consentimento dos pais ou responsáveis. Diante de situações de exposição indevida ou cyberbullying, essas normas oferecem meios legais para responsabilizar infratores, solicitar a remoção de conteúdo e buscar reparação. No entanto, é fundamental reforçar essa proteção com educação digital e atuação eficaz das autoridades. A Lei nº 14.811/2024 trata do combate ao cyberbullying. Quais são os avanços e desafios dessa legislação?A lei representa avanço significativo ao reconhecer o cyberbullying como questão jurídica e social, inserindo-o no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Isso amplia a base legal de proteção e fortalece a atuação do Ministério Público, Judiciário e instituições de ensino. O desafio está na aplicação, pois ainda há carência de delegacias especializadas e lentidão na remoção de conteúdos prejudiciais pelas plataformas. A norma é positiva, mas precisa ser acompanhada de políticas públicas efetivas. Com 24% relatando ter sido vítima de cyberbullying, quais medidas podem ser tomadas?O primeiro passo é preservar as provas: capturas de tela, links, mensagens e qualquer indício de autoria devem ser documentados. Em seguida, deve-se registrar boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacia especializada. Menores, com o apoio de seus responsáveis, podem mover ação judicial para exigir a retirada do conteúdo, reparação por danos morais e até responsabilizar os pais do agressor, com base no Código Civil, no ECA e em jurisprudência consolidada. As plataformas podem ser responsabilizadas por não adotarem medidas de proteção?Sim. O Marco Civil da Internet determina que as plataformas só se isentam de responsabilidade se removerem o conteúdo inapropriado após notificação judicial. A LGPD, por sua vez, impõe obrigações específicas sobre o tratamento de dados de menores de idade, priorizando o melhor interesse da criança e do adolescente. Se a empresa não oferece canais acessíveis de denúncia, apresenta demora na moderação ou trata dados com negligência, pode ser responsabilizada civilmente e acionada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Já existem várias decisões judiciais que já reconhecem esse tipo de responsabilidade. Como fortalecer a colaboração entre Estado, sociedade civil e empresas para garantir um ambiente digital mais seguro?É essencial estabelecer uma cooperação contínua e bem estruturada. O Estado deve agir com rapidez na regulamentação e fiscalização; a sociedade civil tem papel crucial na educação digital e no controle social; e as empresas precisam adotar uma cultura de responsabilidade. A criação de comitês multissetoriais, fóruns de cooperação e códigos de conduta compartilhados pode contribuir para um ecossistema digital mais seguro e ético. Proteger adolescentes no ambiente virtual não é tarefa isolada, mas um compromisso coletivo entre instituições públicas, privadas e a sociedade.
Trabalho tático fora dos clubes transforma atuação de atletas

O futebol brasileiro vive um momento de amadurecimento em suas estruturas de análise e preparação. Entre os sinais dessa evolução está a presença crescente das consultorias táticas individuais, um modelo de trabalho voltado para o desenvolvimento técnico e cognitivo do atleta fora do ambiente do clube. O serviço, ainda recente no país, vem ganhando corpo e apresentando resultados concretos. Um dos nomes que atua nessa frente é Ronaldo Sambinelli Filho, analista de desempenho e fundador da RS.Performance, empresa especializada em consultorias táticas semanais para jogadores profissionais e de base. Desde 2021, ele e sua equipe realizam um trabalho minucioso de orientação individual, com foco na leitura de jogo, posicionamento e tomada de decisão. Filho esclarece que o jogador tem dois, três segundos para decidir o que fazer com a bola. “Nosso papel é ampliar a visão dele sobre as possibilidades naquele momento. Não se trata de apontar erros, mas de construir junto com ele alternativas melhores em cada situação de jogo”. O acompanhamento é feito por videoconferência e tem como base softwares que fornecem estatísticas, vídeos e recortes específicos das atuações dos atletas e seus adversários. A partir dessa análise, são elaborados materiais que ajudam o jogador a compreender melhor sua performance e os ajustes necessários. A proposta se diferencia por considerar também aspectos pessoais e contextuais, como o tempo disponível do atleta, a cultura do clube e o momento da carreira, segundo Filho. “Nem sempre o jogador consegue fazer isso em casa, por causa da rotina com a família. Às vezes a reunião só acontece na concentração”. Essa prática tem sido adotada tanto por jovens em formação quanto por atletas experientes. Um dos exemplos mais emblemáticos do trabalho desenvolvido por Sambinelli foi o do lateral Caio Garcez, revelado pelo Corinthians. Durante a última edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, Caio, originalmente lateral-esquerdo, foi deslocado para atuar como zagueiro pela esquerda, por necessidade do time. “Trabalhamos com ele durante os sete jogos da Copinha. Foi um processo intenso, mas que deu resultado. Ele se destacou na função e hoje está no elenco profissional do São Bernardo, na Série C, um clube que tem pretensões de subir de divisão para o próximo ano”, afirma Filho. A consultoria não se limita ao desempenho técnico. O trabalho funciona como apoio à adaptação de atletas que chegam de outras culturas futebolísticas como sul-americanos em clubes brasileiros ou jogadores que saem do Brasil e vão atuar em outros lugares. “Esses jogadores lidam com pressões diferentes. Entender o jogo em um novo contexto é essencial para se manter competitivo”. Embora ainda restrito a um número seleto de jogadores, o modelo de consultoria tática individual vem se firmando como uma ferramenta complementar ao trabalho realizado pelos clubes. Para Filho, esse tipo de apoio revela também o comprometimento dos próprios atletas. “É um mérito deles. Procurar esse tipo de orientação é sinal de que querem evoluir, mesmo fora da estrutura do clube”, conclui.
Turismo de luxo no Estado é tema de uma websérie com mulheres 50+

A websérie Minas Para Elas | 50+, idealizada pelo Instituto Mineiridade e com estreia prevista para a segunda quinzena de junho, propõe uma viagem encantadora por destinos icônicos do estado, como Belo Horizonte, Ouro Preto e o Inhotim, em Brumadinho, sob o olhar de mulheres com mais de 50 anos, autônomas, experientes e apaixonadas por cultura, bem-estar e sofisticação. O conteúdo estará disponível no canal Lu sem filtro, no YouTube, e também será exibido na Rede Minas. Dividida em quatro episódios, a série acompanha influenciadoras maduras de diferentes regiões do Brasil em experiências que combinam luxo, história, natureza e sensibilidade. As protagonistas exploram o melhor do turismo mineiro com uma proposta que valoriza o olhar feminino na maturidade – um público que viaja com repertório e busca mais do que belas paisagens: procura conforto, gastronomia refinada, arte, acolhimento e infraestrutura de qualidade. A iniciativa é da diretora do Instituto Mineiridade, Ludmilla Araújo. “A série é fruto da escuta ativa de uma audiência ainda pouco representada nas campanhas de turismo. A maturidade é uma fase de descobertas e liberdade. A mulher 50+ viaja com consciência, autonomia e repertório, e tudo o que ela procura, Minas tem de sobra: acolhimento, cultura viva, boa mesa e paisagens encantadoras”, afirma. Sofisticação e mineiridade O roteiro contempla vivências de alto padrão, como a hospedagem no recém-inaugurado Vila Galé Collection Ouro Preto e um jantar no Palácio da Liberdade, com menu assinado pelo chef Leonardo Paixão, símbolo da sofisticação gastronômica de Minas. “Unimos o turismo de luxo com um sentimento de orgulho mineiro. Mostrar Minas sob esse olhar maduro é romper o preconceito de que viagens são só para os jovens”, destaca o produtor da websérie, João Pedro Gomes. “A gente quis muito colocar o barroco em destaque, com planos e detalhes que remetem à história de Minas. Tentamos trabalhar bastante com a sofisticação em contraste com a arte de vários artistas que compõem o acervo do Inhotim e também com a paisagem, já que Minas não tem praia, mas tem mares de montanhas. Acabamos misturando a elegância das mulheres participantes com um patrimônio que está preservado e com a gastronomia presente no imaginário mineiro”, explica o diretor Gabriel Silveira. A série valoriza o contraste entre o barroco das cidades históricas e a arte contemporânea de Inhotim. Segundo Ludmilla, algumas das participantes não conheciam nenhum desses locais. “Elas ficaram encantadas. Todas querem voltar. Isso mostra o potencial transformador da experiência turística quando há identificação”. Com mais de 5 milhões de seguidores somados nas redes das influenciadoras envolvidas, a repercussão da série promete ultrapassar as fronteiras de Minas. Já há planos para expandir o projeto para outros estados e até para Portugal, sempre com foco na mulher madura e em experiências culturais autênticas. Turismo em alta Minas Gerais recebeu mais de 32 milhões de visitantes em 2024, liderando o setor no país pelo segundo ano consecutivo. Com o crescimento de 11,8% na atividade turística, mais que o dobro da média nacional, o segmento já representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mercado de café no Brasil pode faturar mais de R$ 22 bilhões

De acordo com um levantamento realizado pelo IPC Maps, devem ser gastos R$ 22,1 bilhões nas despesas relacionadas ao consumo de café em 2025. O número é 11% maior do que no ano passado, quando R$ 19,9 bilhões foram desembolsados. A sondagem considera os valores gastos com a compra do pó de café e cápsulas nas residências e também o que é consumido fora de casa. O responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, explica que apesar da alta nas despesas relacionadas ao café, não significa que o brasileiro esteja consumindo mais o produto na mesma proporção. “Verificamos aumento significativo nos valores do café moído nos últimos meses, além do fato que os cafés em cápsulas ganham cada vez mais espaço na residência dos brasileiros. Portanto, o avanço nos preços e as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros levaram a esta elevação de 11%”. “Observa-se também, principalmente nos grandes centros urbanos, o crescimento de cafeterias gourmet, onde os preços praticados são superiores aos dos pontos de venda tradicionais”, complementa. Queda nas vendas Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Café, no acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, as vendas caíram -5,13%, passando de 5.010.580 sacas para 4.753.766 sacas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, pontua que a redução é encarada como natural pelo setor. “É um comportamento sazonal, notadamente pelos aumentos acumulados nos últimos meses terem chegado mais fortemente às prateleiras nos meses de março e abril. No primeiro bimestre, houve alta desse consumo em volume comparado a 2024”. Cardoso lembra que em novembro do ano passado teve um incremento nas cotações do café arábica e robusta, fazendo com que supermercados e consumidores fizessem estoques. “Entre janeiro e fevereiro houve promoções dos próprios supermercados, quando recebiam tabelas da indústria fazendo a desova daquele volume adicionalmente comprado no mês anterior para os consumidores, que aproveitaram essas promoções e fizeram naturalmente um estoque adicional ao que é normalmente consumido nos seus lares”. Pazzini salienta que o consumo da população vem puxando o crescimento da economia nos últimos anos. “Aliado ao aumento da população empregada com carteira assinada, a tendência é que nos próximos anos continuemos a observar este avanço no consumo de café no Brasil”. Safra em 2025 A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que em 2025 sejam produzidas 55,7 milhões de sacas. Minas Gerais deve ser responsável por quase a metade da produção, cerca de 26,1 milhões de sacas. Segundo a Conab, o Estado deve ter uma redução de 7,1% em relação a 2024 devido ao ciclo de bienalidade negativa, aliada ao longo período de seca nos meses precedentes à floração. O presidente da Abic destaca que a safra de café deve ser ligeiramente menor em 2025, principalmente por questões climáticas. “As projeções apontam para uma redução na produção do café arábica. O recorte a partir de setembro, quando finalizarmos essa colheita e estivermos pensando na safra de 2026, poderemos observar uma retração nas cotações do café, podendo chegar às prateleiras dos supermercados ainda esse ano com preços mais convidativos aos consumidores”.
Defensorias Públicas registram recorde de atendimentos em 2024

As Defensorias Públicas do Brasil realizaram mais de 29,5 milhões de atendimentos em 2024, quase 20% a mais do que em relação ao ano anterior. O número de manifestações processuais também subiu, alcançando 25,9 milhões, alta de 45,3%. E os processos judiciais iniciados somaram 4,4 milhões. Os dados são da Pesquisa Nacional da Defensoria Pública 2025. Segundo o estudo, em Minas Gerais, a Defensoria Pública realizou 1.786.492 atendimentos no ano passado. O co-coordenador-geral da pesquisa, Júlio Camargo de Azevedo, destaca que o crescimento é resultado de múltiplos fatores. “De um lado, temos o agravamento de questões socioeconômicas, como endividamento familiar, desemprego e retração de políticas públicas. De outro, nota-se uma elevação importante na conscientização da população sobre seus direitos, impulsionada pela atuação institucional da Defensoria e por canais de informação mais acessíveis”. “Soma-se a isso a ampliação, ainda que gradual, da presença da Defensoria Pública em diversos Estados, bem como o uso crescente de ferramentas digitais, que vêm facilitando o atendimento remoto. Esses avanços têm permitido que mais pessoas encontrem na Defensoria, um caminho concreto para acessar a Justiça”, acrescenta. Sobre o número de manifestações processuais, Azevedo avalia que entregar mais com menos recursos é o maior desafio das Defensorias Públicas. “A equação é sustentada, em grande parte, pela dedicação e pelo compromisso de defensores, servidores e estagiários, que têm atuado com admirável senso de missão pública. Além disso, a incorporação de soluções tecnológicas e a modernização da gestão institucional vêm permitindo maior racionalização dos fluxos de trabalho. Ferramentas digitais têm sido fundamentais para otimizar a atuação e qualificar a prestação dos serviços, mesmo diante da limitação de quadros. Com mais estrutura e financiamento adequado, a Defensoria Pública certamente poderia alçar voos ainda maiores”. Conforme o levantamento, 52% das comarcas brasileiras (1.334 de 2.563) contam com atendimento regular. Em outras 1.029 comarcas (40,2%), o serviço é prestado de forma complementar, muitas vezes por meio da advocacia dativa. Azevedo aponta que a diferença de orçamento para outros órgãos da Justiça atrapalha o cumprimento da Emenda Constitucional nº 80/2014, que determina a presença da Defensoria em todas as comarcas. “Os orçamentos do Ministério Público e do Judiciário foram, respectivamente, 261,9% e 1.432,5% maiores do que os da Defensoria. Isso compromete seriamente a universalização da assistência jurídica gratuita”. “Outro entrave é o desvio de recursos públicos para o pagamento de advogados particulares designados para atuar em locais onde deveria haver atuação direta da Defensoria Pública. Embora a advocacia dativa suplementar exerça um papel relevante, ela não substitui a função pública da Defensoria, que vai além da judicialização”, completa. Em todo o Brasil, hoje são 7.520 defensoras e defensores públicos, o que equivale a um profissional para cada 31.107 habitantes. Quando se considera apenas a população em situação de vulnerabilidade, a média sobe para um defensor a cada 27.363 pessoas. Já na Justiça Federal, há apenas um defensor da União para cada 309.889 habitantes. Essa limitação impõe sobrecarga aos serviços jurídicos e compromete a universalização do acesso à Justiça, avalia o coordenador-geral da pesquisa. “A principal iniciativa para reverter esse quadro passa pela correção das distorções orçamentárias que afetam a Defensoria. É preciso assegurar, por meio de vontade política e mobilização social, os meios materiais e humanos necessários para que a Defensoria Pública esteja efetivamente presente onde o povo está. Só assim o acesso à justiça deixará de ser promessa constitucional para se tornar realidade cotidiana”. Para os próximos anos, Azevedo aponta que três frentes devem ser priorizadas. A ampliação da presença territorial das defensorias públicas, investir em transformação digital para aumentar a capilaridade dos serviços e fortalecer a atuação extrajudicial e coletiva, especialmente junto a grupos vulnerabilizados. “A Defensoria Pública tem demonstrado, dia após dia, sua capacidade de fazer muito com pouco. O que ela precisa, agora, é de condições institucionais para fazer o necessário com a dignidade que a Constituição exige”, finaliza.
Diagnóstico tardio dificulta a cura do câncer de esôfago

Recentemente, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, faleceu em decorrência de um câncer de esôfago. A doença é uma das mais letais justamente por ser identificada, na maioria das vezes, em estágios avançados. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 é que 8.200 homens e 2.790 mulheres recebam o diagnóstico da enfermidade. A cirurgiã oncológica e vice-diretora de Ensino da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Ana Luiza Cardona, explica que a gravidade está relacionada à localização do esôfago, que atravessa três regiões anatômicas distintas entre pescoço, tórax e abdômen e próximo a estruturas nobres. Facilita a disseminação do tumor para outros órgãos, tornando o tratamento mais complexo e, em muitos casos, inviável. “O principal sinal de alerta é a dificuldade para engolir. É um sintoma específico que tende a se agravar com o tempo. O paciente começa engasgando com carne, depois só tolera alimentos pastosos, até conseguir ingerir apenas líquidos. Muitos já chegam em estado de desnutrição severa quando procuram atendimento”, relata. Além da evolução silenciosa, Ana Luiza destaca que o câncer de esôfago tem como obstáculos a desinformação e o difícil acesso à endoscopia, exame fundamental para o diagnóstico precoce. “Menos de 15% da população brasileira segue uma alimentação considerada saudável. Aliado ao tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade, agrava ainda mais o cenário. Mesmo diante de sintomas evidentes, muitos pacientes não buscam ajuda médica por desconhecimento ou falta de recursos”. Segundo a médica, em casos específicos, como o esôfago de Barrett, uma alteração celular provocada pelo refluxo gastroesofágico crônico, é possível realizar o diagnóstico precoce e até a prevenção. “Ele deve ser controlado com mudanças na dieta, perda de peso e acompanhamento médico regular. Nestes casos, o monitoramento periódico por meio de endoscopia é fundamental, pois o câncer pode estar se desenvolvendo de forma silenciosa”. Outro fator agravante é a disseminação de conteúdos enganosos sobre saúde nas redes sociais. “Infelizmente, há muitos profissionais, inclusive médicos, divulgando informações sem respaldo científico. É essencial que o paciente busque fontes confiáveis, com embasamento técnico, para tomar decisões seguras sobre sua saúde”. Cuidados paliativos Nos últimos dias de vida, Mujica esteve sob cuidados paliativos. Quando a doença não é mais passível de cura, essa abordagem se torna essencial para garantir dignidade e qualidade de vida ao paciente. Para Patrícia Freire, integrante da Comissão de Cuidados Paliativos da SBCO, esse tipo de cuidado deveria estar presente desde o diagnóstico de doenças graves, e não apenas em fases terminais, não representando uma desistência do tratamento. “Trata-se de um redirecionamento do foco, que passa a ser o bem-estar do paciente. Atuamos no controle de sintomas como dor, fadiga e falta de ar, mas também cuidamos de aspectos emocionais, sociais e espirituais”, explica. Ela ressalta que a implementação precoce dessas medidas pode, inclusive, prolongar a vida. “Estudos comprovam que, em determinados casos, os cuidados paliativos iniciados logo após o diagnóstico aumentam a sobrevida e melhoram significativamente a experiência do paciente durante toda a jornada da doença”. Patrícia destaca ainda a importância do suporte aos familiares e cuidadores, que muitas vezes enfrentam grande sobrecarga física e emocional. “É fundamental oferecer orientação, escuta ativa e estratégias de revezamento. A existência de uma rede de apoio é crucial para garantir um cuidado verdadeiramente centrado na pessoa”. Como prevenir Para Ana Luiza, a principal forma de prevenção é adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física, e abandonar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. “O diagnóstico precoce e o tratamento em centros especializados fazem toda a diferença. A sobrevida é significativamente maior quando o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar experiente. Precisamos ampliar o acesso a exames como a endoscopia, capacitar os profissionais da atenção primária e conscientizar a população sobre os sinais de alerta”, conclui.
Assédio a policiais penais é tema de audiência na ALMG

Denúncias de abuso de autoridade e assédio moral contra policiais penais que atuam em unidades prisionais de Governador Valadares foram tema de uma audiência pública promovida pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo o presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL), diversos relatos encaminhados por servidores lotados na Penitenciária Francisco Floriano de Paula e no Presídio de Governador Valadares indicam práticas abusivas como remoções sem justificativa, manipulação de escalas e cancelamento de férias. “As denúncias não param de chegar, relatando episódios recorrentes de assédio moral dentro dessas unidades prisionais”. De acordo com o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), Leonardo Badaró, os diretores das duas unidades, que haviam sido convocados para prestar esclarecimentos durante a audiência, já foram afastados dos cargos. No entanto, ambos não compareceram à reunião. Outro ausente foi o diretor-regional da 8ª Região Integrada de Segurança Pública (8ª Risp), que também havia sido convocado, mas não compareceu por estar de férias, segundo Badaró. Para o presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Minas Gerais (Sindppen-MG), Jean Carlos Otoni Rocha, a ausência dos convocados transmite uma mensagem negativa. “Quando um diretor convoca um servidor, ele precisa comparecer. O que ocorreu aqui mostra que essas denúncias são sérias e devem ser tratadas com rigor”, ressaltou. O agente penal Marilson Carvalho, que integra a comissão de avaliação de servidores no Presídio de Governador Valadares, afirmou que tem sido alvo de perseguição por expressar suas opiniões. “Tudo começou quando o diretor fez comentários sobre as avaliações e sugeriu beneficiar ou prejudicar servidores conforme seus interesses. Nós nos recusamos a compactuar com isso, e então as retaliações começaram”. Segundo Carvalho, a perseguição continuou enquanto atuava no setor de videoconferência. “O diretor começou a interferir no meu trabalho, comparecendo ao setor e, na minha presença, questionando subordinados sobre questões de rotina como se eu não existisse. Fazia perguntas constrangedoras para os colegas, que não sabiam responder, já que aquelas atribuições eram minhas”, relatou. A agente penal Renata Cardoso Lanna da Cruz, também lotada no presídio, reforçou as denúncias. “O assédio moral ocorria de forma velada. Mudanças de escala após o retorno de licenças médicas, reuniões intimidatórias, sobrecarga de tarefas e disseminação de boatos por parte do diretor eram comuns”. Badaró reconheceu que a gestão de pessoas é um dos maiores desafios do serviço público e afirmou que a qualificação de gestores é prioridade da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). “Estamos desenvolvendo um curso para capacitar melhor os gestores. Atualmente, enfrentamos dificuldade em encontrar servidores dispostos a assumir cargos de chefia, justamente pela instabilidade, os riscos envolvidos e o desgaste que essas funções acarretam. Uma Lei Orgânica da Polícia Penal, bem estruturada, pode suprir lacunas, estabelecer critérios objetivos e oferecer segurança jurídica aos gestores”. Ele garantiu que todas as denúncias que chegam ao Depen são apuradas. “Encaminhamos os casos aos setores competentes. As denúncias de assédio, por exemplo, são avaliadas por uma instância totalmente independente”, concluiu.
Excesso de velocidade lidera as infrações nas rodovias federais

As infrações de trânsito nas rodovias federais registraram alta de 39% no primeiro trimestre de 2025. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram emitidos 2.578.333 autos de infração, contra 1.859.028 registrados em 2024. Em Minas Gerais, foram 299.106 infrações, um aumento de 79,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com a PRF, o excesso de velocidade representou 66,9% (1.724.833) das autuações. Em seguida, aparecem condução de veículo sem licenciamento (65.856) e ultrapassagens em trechos de faixa contínua (55.230). A presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans), Adalgisa Lopes, avalia que o elevado número de infrações nos primeiros meses de 2025 é um indicativo de que os condutores estão vivendo em um ritmo acelerado. “Esse é um comportamento comum não só do brasileiro, mas de motoristas no mundo todo. No entanto, é importante ressaltar que a ação do condutor brasileiro é, muitas vezes, mais imprudente que o dos motoristas de países desenvolvidos”. A psicóloga especialista em trânsito, Giovanna Varoni, aponta que a correria diária, com prazos apertados e excesso de compromissos, tem deixado o motorista mais estressado. “Isso interfere diretamente no comportamento ao volante, levando frequentemente a decisões impulsivas, falta de tolerância e maior propensão a infrações”. O excesso de velocidade foi a quarta principal causa de acidentes nas rodovias, resultando em 99 mortes em 1.012 ocorrências. Para Adalgisa, a sensação de impunidade é um dos principais fatores para o mau comportamento no trânsito. “O Código de Trânsito Brasileiro é bem rígido, mas a fiscalização é falha e, quando o caso vai para a Justiça, quem tem melhores advogados se sai melhor do que quem não tem. Em alguns países, uma infração grave, como dirigir alcoolizado, pode levar à prisão. Precisamos reduzir essa impunidade no Brasil”. “Os jovens, especialmente entre 18 e 27 anos, têm uma tendência maior ao comportamento de risco, o que se reflete até no valor mais alto dos seguros para essa faixa etária. Isso se deve tanto à impulsividade natural da idade quanto a traços de personalidade que identificamos nas avaliações psicológicas. Muitos buscam sensações prazerosas e estímulos constantes, o que os leva a atitudes perigosas no trânsito. Também observamos que os homens, em geral, assumem mais riscos do que as mulheres, que costumam ser mais prudentes. Essa diferença tem raízes culturais e precisa ser debatida. O trânsito é a principal causa de morte entre os jovens, e precisamos discutir isso com mais seriedade na sociedade, na imprensa, nas escolas e dentro das famílias”, acrescenta. A desatenção também é apontada como um fator significativo para os acidentes. A psicóloga explica que a mente sobrecarregada, o estresse contínuo e o cansaço físico e emocional são inimigos da direção segura. “Muitos motoristas estão fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes, o que compromete totalmente a atenção e a capacidade de reagir a imprevistos”. Para a presidente da Actrans, uma maior periodicidade nas avaliações médicas e psicológicas dos condutores pode ajudar na redução dos acidentes. “Ao longo da vida, o motorista sofre perdas cognitivas e emocionais que afetam sua atenção e comportamento no trânsito. Estamos vendo um aumento de 39% nas infrações. As avaliações psicológicas analisam aspectos como atenção, memória e personalidade, fundamentais para entender a conduta ao volante. Já os exames médicos, que agora ocorrem a cada 10 anos para motoristas com mais de 55 anos, ignoram problemas de saúde que podem surgir nesse intervalo, como diabetes e doenças cardíacas. A saúde física e mental do condutor está comprometida, e reavaliar com mais frequência é essencial para prevenir acidentes”. Maio Amarelo Giovanna defende que ações educativas, como o Maio Amarelo, cujo tema deste ano é Mobilidade humana, responsabilidade humana são essenciais. “Elas provocam uma reflexão, lembrando que o trânsito é feito por pessoas e que cada escolha pode salvar ou colocar vidas em risco. Ao falar sobre respeito, empatia e responsabilidade, essas campanhas geram impacto e promovem uma mudança de mentalidade, não só ao volante, mas também na forma como lidamos com o ritmo da vida”.
Brasil registra alta nas vendas de veículos eletrificados em 2025

O acumulado do primeiro quadrimestre de 2025 nas vendas de veículos leves eletrificados no Brasil chegou a 54.683 unidades. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o volume representa um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024 (51.296). Na comparação com 2023, quando foram vendidas 19.579 unidades, o aumento chega a 180%. Em abril, foram comercializadas 14.759 unidades, alta de 2,6% em relação a março. Em comparação com abril do ano passado, houve recuo de 2,9%. Segundo a ABVE, a retração é explicada pela quantidade maior de feriados prolongados e por mudança na metodologia de contagem nas vendas. Os híbridos plug-in (PHEV) representaram mais da metade do mercado, com 7.913 unidades emplacadas. Em seguida, vieram os modelos 100% elétricos (BEV), com 4.702 unidades, e os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex), com 2.144. “A experiência superior proporcionada pelos veículos elétricos e híbridos recarregáveis está redefinindo o mercado automotivo brasileiro. Os modelos plug-in unem sofisticação, desempenho e economia, permitindo rodar no dia a dia por um quinto do custo dos combustíveis, sem necessidade de reabastecimento. Para muitas famílias, o alívio no orçamento é ainda maior quando se aproveita a energia gerada por painéis solares instalados em casa ou no trabalho. Soma-se a isso a qualidade dos materiais e a alta tecnologia embarcada, acima do padrão das montadoras tradicionais, a escolha por um PHEV se torna não apenas racional, mas praticamente incontestável”, explica Clemente Gauer, coordenador do GT de Segurança e membro do Conselho Diretor da ABVE. Ele afirma que a variedade de tecnologias elétricas já faz parte da disputa competitiva no país. “BYD e GWM provaram que há demanda por BEVs acessíveis. Agora, a Stellantis incorpora modelos Leapmotor e a GM trará elétricos da Wuling, como o Spark EUV, acelerando o movimento. Isso indica que até 2026, praticamente todas as grandes marcas exibirão ao menos um modelo que se ‘liga na tomada’. A escala chinesa reduz os custos de pesquisa e desenvolvimento e derruba os preços da prateleira”. “Com mais conteúdo local, blindamos o consumidor contra a variação cambial. Hoje, rodar 100 km custa entre R$ 12 e R$ 15 em eletricidade ou é gratuito com energia solar, contra R$ 35 a R$ 65 com etanol ou gasolina. Quando o cliente pode escolher entre desempenho, design e preço, o combustível deixa de ser o critério. O resultado é que a eletricidade se torna padrão, as famílias economizam e o país avança na descarbonização e na melhoria da saúde pública”, acrescenta. A projeção da ABVE, segundo Gauer, é encerrar 2025 com 240 a 260 mil veículos eletrificados emplacados, quase o dobro de 2024. “O avanço dos PHEV Flex, que combinam etanol com propulsão elétrica, deverá sustentar parte desse volume, enquanto os BEVs voltam a ganhar tração com a chegada de modelos mais acessíveis. Esse mix mais amplo, somado à nacionalização de alguns modelos, deve colocar o preço de entrada abaixo de R$ 110 mil já no segundo semestre. Com isso, esperamos que o custo operacional mais favorável, hoje na casa de R$ 12 por 100 km para os PHEVs e EVs, se torne o principal motor de escolha por um 100% elétrico ou plug-in, reforçando a tendência de crescimento em 2026”. Mais eficiência e menos impacto ambiental O especialista em economia circular, Edson Grandisoli, destaca que um dos principais argumentos a favor da mobilidade elétrica é a eliminação das emissões de poluentes, o que contribui para melhorar a qualidade do ar e reduzir a pegada de carbono. “Há também benefícios na redução da poluição sonora e no menor custo de manutenção, já que os motores elétricos são mais simples que os a combustão. Além disso, sua eficiência pode chegar a 90%, enquanto motores a combustão operam, em média, com 30%”. Grandisoli avalia que diante da crescente preocupação com as mudanças climáticas, o mercado de veículos elétricos deve continuar se expandindo, impulsionado por avanços tecnológicos, políticas públicas e investimentos em infraestrutura de recarga. “A colaboração entre empresas e governos pode acelerar esse processo, tornando os veículos elétricos mais acessíveis e viáveis para a população”.