Arbitragem do Brasileirão alcança rejeição de 65%

O estudo Atlas revelou que a arbitragem do Brasileirão 2025 enfrenta rejeição de 65% entre os brasileiros. Entre eles, 46% declararam estar muito insatisfeitos, enquanto 19% afirmaram estar apenas insatisfeitos. O levantamento aponta ainda que metade dos entrevistados considera os árbitros nada confiáveis, indicando falta de credibilidade em suas decisões. O tema, que há tempos provoca polêmicas no futebol nacional, tem gerado intensos debates nos bastidores da principal competição do país. Apenas 8% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com a arbitragem, enquanto 2% afirmaram estar muito satisfeitos. Outros 26% se mantiveram neutros em relação à atuação dos juízes em campo. A pesquisa revelou que o principal problema apontado na arbitragem é a aplicação desigual de critérios em lances semelhantes, citado por 51% dos entrevistados. Em seguida, 50% indicaram o “possível favorecimento a determinados clubes” como ponto crítico. Outros problemas destacados incluem a “falta de preparo técnico” dos árbitros (34%), a “falta de transparência nas decisões” (32%) e uma “suposta influência de empresas de apostas” (16%). Nesta pergunta, os participantes podiam selecionar até três alternativas. Quanto ao VAR, 51% acreditam que ele “melhorou um pouco” a qualidade das decisões. Mesmo assim, 53% consideram que a arbitragem brasileira teve desempenho inferior em relação ao ano passado. Entre os árbitros mais rejeitados, estão Ramon Abatti Abel (38%), Wilton Pereira Sampaio (27%) e Anderson Daronco (25%). Curiosamente, Daronco também figura entre os mais bem avaliados, com 31% de imagem positiva. Edina Alves Batista e Raphael Claus, com 25% cada, completam o top 3 entre os árbitros mais valorizados pelo público. A pesquisa também perguntou aos participantes quais clubes seriam mais beneficiados pela arbitragem. O Palmeiras lidera a lista, apontado por 72% como o mais favorecido, seguido de perto pelo Flamengo, escolhido por 70%, coincidindo com a posição de líder e vice-líder do Brasileirão, respectivamente. “Nós não apenas percebemos erros, mas também enxergamos padrões inconsistentes. Quando lances semelhantes são julgados de maneiras diferentes ao longo do campeonato, a confiança na arbitragem cai imediatamente. Essa desigualdade de critérios é o que mais gera insatisfação, porque o público espera justiça e consistência em todas as partidas”, explica o torcedor do Atlético MG, Fernando Ribeiro. Diante desse cenário, o antropólogo do esporte Rafael Muniz sugere medidas para aumentar a confiança do público e garantir maior transparência nas decisões. “A única forma de conquistar 100% de honestidade e credibilidade é implementar mecanismos claros de fiscalização e responsabilização, como auditorias independentes, monitoramento constante das partidas e relatórios públicos sobre o desempenho de cada árbitro. A combinação de tecnologia e transparência é essencial para recuperar a confiança do torcedor”. A capacitação técnica também é crucial. “O árbitro precisa estar preparado não apenas fisicamente, mas também psicologicamente e taticamente. Treinamentos frequentes, simulações de lances complexos e uma preparação contínua para lidar com a pressão de jogos de alta visibilidade ajudam a reduzir erros e criar padrões de julgamento consistentes. Quando o público percebe que existe um esforço real de profissionalização, a credibilidade aumenta naturalmente”, ressalta Ribeiro. Ele sugere que a participação de órgãos independentes e a padronização de protocolos sejam reforçadas. “O futebol brasileiro precisa de um sistema de integridade que funcione como um check and balance. Cada lance questionável deve ser revisado, e qualquer falha grave precisa ser punida de maneira objetiva e transparente. Isso garante que a arbitragem não seja apenas eficiente, mas também percebida como justa pelos torcedores”, conclui.
Reservas internacionais em Minas têm alta de 74% este final de ano

Minas Gerais vive um momento histórico no setor turístico. Dados recentes divulgados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) mostram que as reservas internacionais para o período de outubro a dezembro de 2025 registram uma alta impressionante de 74% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento consolida o Estado como um dos maiores centros de expansão turística das Américas, especialmente nos segmentos de cultura, natureza e bem-estar. O desempenho internacional sem precedentes de Minas Gerais em 2025 resulta de fatores estruturais e estratégicos, com destaque para os produtos turísticos e a identidade cultural do Estado. O reconhecimento de Belo Horizonte como Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade e a hospitalidade tradicional reforçam a autenticidade do destino. Além disso, políticas de promoção e qualificação ampliam a presença de Minas no exterior. A participação em feiras especializadas, press trips, integração de roteiros culturais e naturais, e o trabalho do Observatório do Turismo garantem ações mais estratégicas e orientadas por dados. Para a turismóloga Ana Carolina Costa, a alta de 74% não é fruto do acaso. “Minas Gerais soube alinhar a tradição cultural com inovação no turismo. A divulgação internacional, os investimentos em infraestrutura e a criação de roteiros diversificados foram determinantes para atrair turistas estrangeiros. Além disso, a experiência de bem-estar e natureza passou a ser um diferencial cada vez mais valorizado pelo público internacional”. Ainda conforme Ana Carolina, a maioria dos turistas internacionais que visitam o Estado busca experiências que combinam cultura, natureza e bem-estar, como passeios em parques naturais, visitas guiadas a cidades históricas, imersão em festivais culturais e programas de relaxamento em spas e hotéis especializados. “Quando falamos de turismo cultural e de natureza, não estamos apenas falando de passeios. Trata- -se de um setor que gera emprego, movimenta a rede hoteleira, a gastronomia e serviços de transporte. A alta de reservas internacionais significa mais renda circulando no Estado e mais oportunidades para pequenos e médios empreendedores”. O índice de ocupação em hotéis e pousadas nos principais polos turísticos do estado deve crescer significativamente entre outubro e dezembro. “É um efeito cascata: o turista que tem uma boa experiência em Minas não apenas retorna em outra ocasião, como se torna um promotor espontâneo do destino em seu país de origem”, acrescenta o agente de viagens Vicente Brandão. Ele ressalta que outro fator que contribuiu para o crescimento das reservas internacionais é o investimento em marketing digital e parcerias internacionais. “Os turistas de hoje buscam experiências únicas e completas. Minas conseguiu unir história, natureza, gastronomia e conforto em roteiros que agradam tanto ao público europeu quanto ao americano e latino-americano. Esse alinhamento estratégico explica grande parte do aumento de reservas”. O levantamento aponta ainda uma alteração importante no perfil dos turistas que visitam Minas Gerais. Enquanto São Paulo sempre foi responsável por mais de 40% dos visitantes, em 2025 sua participação caiu para 26%, mantendo-se como o principal mercado emissor, mas indicando uma maior diversificação geográfica e o amadurecimento do turismo no Estado. Para o futuro, Ana Carolina afirma que Minas Gerais tem potencial para consolidar sua posição como um dos destinos turísticos mais importantes das Américas. O desafio, será manter a qualidade dos serviços e a diversidade de roteiros, garantindo que a experiência do visitante seja sempre diferenciada. “O crescimento é um dado extraordinário, mas ele precisa ser sustentado por planejamento contínuo, investimento em infraestrutura, capacitação de profissionais e inovação nos produtos turísticos. Minas tem todos os elementos para se tornar referência global em turismo de cultura, natureza e bem-estar”, conclui.
Setor supermercadista projeta uma expansão de 6,8% no último trimestre

O setor de supermercados em Minas Gerais entra em ritmo de otimismo para o último trimestre de 2025. Dados divulgados recentemente pela Associação Mineira de Supermercados (AMIS) apontam que as vendas desse período devem crescer aproximadamente 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse índice, se confirmado, representa um avanço significativo e indica que o segmento está preparado para ultrapassar as expectativas iniciais. Segundo o levantamento, a estimativa para o ano como um todo era de um crescimento mais modesto, cerca de 3,3% frente a 2024. Entretanto, o bom desempenho acumulado, com alta em torno de 2,98% no período de janeiro a agosto, já sinalizava que o segmento poderia terminar o ano além da projeção inicial. Entre os fatores que sustentam essa previsão de crescimento estão a queda da taxa de desemprego no Estado, a melhora gradual da renda das famílias mineiras e a retomada do consumo. A AMIS aponta que esse conjunto cria um ambiente favorável para o varejo supermercadista em Minas Gerais. Para a economista Cláudia Menezes, o setor supermercadista mineiro chega ao fim de 2025 mais forte e confiante. “O consumidor está voltando às compras com mais segurança, e os supermercados estão preparados para atender a essa demanda com sortimento, preço competitivo e qualidade no atendimento. As vendas de Natal e Ano Novo devem representar o ponto alto desse crescimento, impulsionadas por produtos típicos de fim de ano, como panetones, vinhos e frutas frescas”. As estimativas indicam um aumento na procura por diversos produtos que compõem a tradicional cesta de compras do fim de ano. As frutas frescas, por exemplo, devem registrar crescimento de 8,6% na demanda. O consumo de vinhos tende a subir 7,8%, enquanto os panetones apresentam expectativa de alta de 6,7%, segundo as projeções dos entrevistados. No grupo das bebidas geladas, as cervejas devem ter avanço de 7,9% no consumo. Já os sucos apontam para um crescimento de 6,1%, e os refrigerantes, de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os destaques, as cervejas sem álcool continuam em expansão, com previsão de aumento de 9,3% nas vendas. Cláudia explica que o otimismo do setor está diretamente ligado à recuperação gradual da economia mineira e ao aumento do poder de compra das famílias. “Minas Gerais vive um momento de estabilidade econômica, com inflação mais controlada e melhora na taxa de ocupação do mercado de trabalho. Isso se reflete no bolso do consumidor, que volta a consumir produtos de maior valor agregado, especialmente em períodos festivos”. Para o pesquisador de mercado Felipe Tavares, a diversificação do consumo também é um dos pilares desse crescimento. “O mineiro tem valorizado mais a qualidade e a conveniência. Há um aumento nas compras de produtos premium, vinhos, itens regionais e alimentos prontos. Essa mudança de comportamento é percebida por toda a cadeia varejista e reforça a importância da adaptação dos supermercados às novas demandas do público”. “Os supermercados têm investido em estratégias de inovação, digitalização e eficiência operacional. A aposta em programas de fidelidade, aplicativos de descontos personalizados e integração entre loja física e e-commerce tem se mostrado essencial para ampliar as vendas e manter a competitividade. Além disso, a personalização da experiência de compra e a oferta de produtos regionais têm se destacado como diferenciais”, explica. De acordo com a pesquisa, aproximadamente 8.200 profissionais deverão ser contratados temporariamente pelo setor. O estudo também aponta que 59,4% das empresas pretendem realizar contratações sazonais, enquanto 40,6% dos supermercadistas afirmaram não adotar esse tipo de contratação. Cerca de 21,5% dos trabalhadores temporários acabam sendo efetivados ao término do contrato. Por outro lado, 39% dos participantes da pesquisa informaram que as contratações ocorrem apenas para suprir a demanda extra do período de fim de ano. “Os últimos meses são um momento de pico no consumo e exige agilidade no atendimento. As contratações temporárias garantem que as lojas mantenham a qualidade no serviço mesmo com o aumento da movimentação. Essas vagas são uma porta de entrada para quem busca recolocação ou o primeiro emprego e a efetivação depende muito do desempenho e da necessidade da loja após o período sazonal”, ressalta Tavares.
Mercado ilegal de bebidas alcoólicas gera perda de R$ 28 bilhões

Uma pesquisa realizada pela Euromonitor International, a pedido da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), aponta que o comércio ilegal de bebidas alcoólicas no Brasil ainda representa um impacto significativo, gerando prejuízos estimados em R$ 28 bilhões para a economia e para o sistema de saúde pública. De acordo com o estudo, cerca de 28% das bebidas destiladas comercializadas no Brasil têm origem ilegal. Isso não significa, porém, que todo esse volume seja composto por produtos falsificados. Dentro desse índice, estão incluídas práticas como sonegação de impostos, contrabando, descaminho e fabricação sem registro legal. A falsificação, especificamente, responde por 1,1% do mercado total de bebidas alcoólicas e por 4,7% do setor de destilados, o mais afetado, segundo a ABBD. O levantamento aponta que as principais formas de falsificação envolvem o refil de garrafas de marcas reconhecidas utilizando produtos de baixo custo e a utilização de álcool não apropriado para consumo humano, como o metanol, na composição das bebidas. Essa prática é vantajosa para os falsificadores devido à grande diferença de preço, o que acaba atraindo consumidores, em plataformas on-line, por exemplo, o whisky falsificado pode custar até 48% menos que o autêntico. Para o toxicologista Eduardo Farias, o problema tem raízes profundas. “Estamos falando de um mercado paralelo muito bem estruturado, que atua em toda a cadeia: da produção à distribuição, muitas vezes usando rótulos e embalagens idênticas às originais. A população é enganada com facilidade e o consumo desses produtos é uma roleta-russa. A pessoa pode achar que está fazendo um bom negócio, mas está colocando a própria vida em risco”. Farias ainda aponta que o metanol é usado por falsificadores por ser mais barato e mais fácil de obter do que o etanol próprio para consumo. “É uma decisão criminosa, feita para baratear custos de forma irresponsável. Mesmo em pequenas quantidades, a ingestão de metanol pode causar prejuízos irreversíveis ao organismo”. Além dos danos à saúde, o mercado ilegal corrói a economia formal. Os produtores regulares enfrentam concorrência desleal, enquanto o Estado deixa de arrecadar bilhões em impostos. Para a economista e especialista em regulação de mercados, Camila Pontes, o problema persiste por falhas de fiscalização e pela alta tolerância à informalidade no país. “A dificuldade de fiscalização tem diversos desafios, como a grande extensão territorial do país, o avanço na organização e sofisticação das redes criminosas, além da ampla disseminação de canais informais e digitais de venda, que facilitam a distribuição e o escoamento de produtos ilegais. É um ciclo que se retroalimenta: enquanto o consumidor aceitar pagar menos por um produto sem origem clara, e o poder público não conseguir coibir com eficiência a produção e distribuição, o comércio ilegal vai continuar crescendo”, explica. Campanhas de conscientização sobre os riscos do consumo de bebidas ilegais, principalmente em eventos informais e pontos de venda não autorizados, podem ajudar a reduzir a demanda. Ao mesmo tempo, também é preciso reforçar a presença dos órgãos de controle, como a Receita Federal, a Vigilância Sanitária e as polícias estaduais. Ela também ressalta a importância de uma maior cooperação entre os setores público e privado, especialmente com os fabricantes legais de bebidas. “As empresas têm interesse direto em combater a falsificação e a concorrência desleal. Já existem tecnologias antifraude que podem ser implementadas nos rótulos, tampas e embalagens para dificultar a ação dos criminosos. O problema é que isso tem custo e, muitas vezes, as pequenas empresas não conseguem arcar sozinhas com o valor”. É preciso buscar junto ao governo federal soluções integradas para mitigar o problema, como a revisão do modelo tributário, que pode estimular a formalização de pequenos produtores e dificultar a atuação do mercado clandestino.
País registrou 1.148 casos de coqueluche entre janeiro e agosto

O número de casos de coqueluche entre crianças teve um crescimento alarmante de mais de 1.200% no Brasil, de acordo com dados do Observatório de Saúde na Infância. Só em 2024, foram contabilizados pelo menos 2.152 casos da infecção em crianças com menos de 5 anos, grupo considerado o mais suscetível a complicações graves. Esse total supera a soma dos casos registrados nos cinco anos anteriores. Entre as crianças afetadas, 665 precisaram de hospitalização e 14 vieram a óbito, número superior às dez mortes registradas entre 2019 e 2023. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 90% dos bebês e 86% das gestantes foram vacinados contra a coqueluche no ano passado, superando os índices registrados em 2013. No entanto, o Observatório alerta que a meta ideal de 95% de cobertura vacinal ainda não foi alcançada. Além disso, pessoas não imunizadas, como crianças mais velhas e adultos, também podem contrair e transmitir a doença, que, embora possa afetar todas as faixas etárias, costuma ser mais grave entre os menores. Até agosto deste ano, os dados apontam uma leve redução nos números, embora os índices continuem elevados: foram contabilizados 1.148 casos, dos quais 577 resultaram em internações. A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis. Altamente contagiosa, ela provoca uma inflamação grave das vias aéreas e pode ser especialmente perigosa para bebês e crianças com menos de um ano de idade, que ainda não completaram o esquema vacinal. “A doença já esteve sob controle por meio da vacinação. Esse aumento vertiginoso de casos reflete um acúmulo de fatores, mas a principal explicação está na queda nas coberturas vacinais nos últimos anos”, afirma a infectologista pediátrica Carla Menezes. Segundo a especialista, a coqueluche pode começar com sintomas semelhantes a um resfriado comum, febre baixa, coriza e tosse leve, mas evolui para acessos de tosse severa e prolongada, que podem levar a vômitos, dificuldade para respirar, exaustão e até convulsões. “ N o s l a c te n te s, o quadro pode ser silencioso, sem a tosse clássica, o que torna o diagnóstico mais difícil. Muitas vezes, o primeiro sinal é uma parada respiratória súbita, o que é extremamente perigoso”, completa. “A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. Quando temos uma cobertura vacinal adequada, acima de 90%, o risco de surtos é muito baixo. Mas quando há uma queda contínua, como estamos vendo desde 2016, o risco de reemergência é alto. Infelizmente, é o que está acontecendo agora”, salienta o epidemiologista Ronaldo Vieira. Ele ressalta ainda que a proteção não é apenas individual, mas coletiva. “A vacina protege quem toma, mas também impede a circulação da bactéria na comunidade. Quando a taxa de vacinação cai, mesmo crianças vacinadas parcialmente, como bebês que ainda não completaram o esquema, ficam vulneráveis à infecção”. O diagnóstico pode ser clínico, baseado nos sintomas, mas geralmente é realizado com exames laboratoriais, como a cultura da secreção nasofaríngea ou testes de PCR. No entanto, o tempo para confirmação pode atrasar o início do tratamento, o que agrava o risco de complicações. “O ideal é iniciar o tratamento com antibióticos ainda nos primeiros dias de sintomas, quando há forte suspeita clínica. Nos casos graves, principalmente entre bebês, é necessário internamento para suporte respiratório, hidratação e monitoramento contínuo”, explica Carla. Além disso, a infectologista pediátrica reforça que o tratamento tem pouco efeito sobre os acessos de tosse uma vez que eles já se instalaram, o que reforça a importância da prevenção. “Mesmo com antibiótico, o quadro de tosse pode durar semanas. Por isso, a vacinação continua sendo nossa principal arma”. “É fundamental que a imunização na gestação seja intensificada. A vacina contra coqueluche é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, e isso reduz drasticamente o risco de formas graves da doença no recém-nascido. A desinformação, o medo de efeitos colaterais e a negligência com o calendário vacinal estão custando vidas”, conclui Vieira.
Financiamento e defasagem salarial ameaçam o funcionamento do Samu

Em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), organizada pela Comissão de Administração Pública, atendendo a requerimento da deputada Beatriz Cerqueira (PT), trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) demonstraram desesperança, indignação e o grave subfinanciamento desse serviço no Estado e no país. “Eles colocam na nossa mão uma ambulância de R$ 700 mil e querem pagar R$ 1,5 mil para a gente conduzir”, disse o condutor socorrista Marcos Vinícius Ramos. Entre outras demandas, Beatriz solicitou ao governo um comprometimento para garantir a aprovação do Projeto de Lei (PL) 441/23, de autoria do deputado Arlen Santiago (Avante), que propõe a regulamentação da função de condutor socorrista, inserindo-a na área da saúde. A proposta está em análise na Comissão de Constituição e Justiça desde abril de 2023, aguardando parecer. “Não se faz serviço público de qualidade sem a valorização dos servidores”. Em Minas Gerais, o Samu é gerido por consórcios intermunicipais, com financiamento previsto entre União (50%), Estado (25%) e municípios (25%). No entanto, conforme Ormesinda Salgado, secretária executiva da Rede de Urgência Centro Sul (Cisru), os repasses federais ficaram congelados entre 2012 e 2022, sobrecarregando os entes estaduais e municipais. Segundo Ormesinda, em 2025, a União custeou 25,9% do Samu, enquanto o Estado arcou com 47,68% e os municípios com 26,42%. Em 2023, o déficit federal chegou a 72%. A então ministra Nísia Trindade alegou restrições orçamentárias, mas autorizou um aumento de 30% no repasse. Como reação, o Estado reduziu sua contribuição na mesma proporção, alegando excesso de encargos. A falta de valorização, especialmente em relação aos condutores socorristas, foi destacada por Denys Carvalho, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macro Sudeste (Cisdeste), sediado em Juiz de Fora. Ele citou como exemplo um concurso recente, no qual foram registradas 330 inscrições para o cargo de técnico de enfermagem, enquanto apenas 12 pessoas se candidataram à vaga de condutor socorrista. “São três anos sem nenhum tipo de recomposição a não ser por parte dos municípios. Isso é inviável. Nosso déficit é de cerca de R$ 20 milhões, fora outros consórcios”. “Não é possível imaginar um condutor socorrista, com sua jornada exaustiva, receber R$ 1,5 mil ou R$ 1,6 mil. Eles não são motoristas de ambulância, eles recebem um treinamento muito específico”, protestou a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sindsaúde), Núbia Dias. Ela disse que o condutor socorrista não é reconhecido como trabalhador da Saúde. “Queremos que os trabalhadores do Samu façam parte da carreira única do Ministério da Saúde”. As reivindicações não se limitam aos condutores socorristas. Técnicos de enfermagem também denunciaram o não cumprimento do piso salarial da categoria. Representantes dos profissionais solicitaram uma estrutura de financiamento mais adequada para os consórcios intermunicipais, a fim de viabilizar o pagamento de remunerações compatíveis com as exigências da função. Renan Guimarães de Oliveira, subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, afirmou que a expansão do Samu tem sido uma prioridade desde 2019. De acordo com ele, atualmente o serviço já cobre 795 dos 853 municípios de Minas Gerais, com a meta de alcançar a totalidade até o início de 2026. “O aporte financeiro do Estado é significativo e não queremos abrir mão dele. A gente quer discutir um financiamento justo. Hoje, 40% do valor, em média, é financiado pelo Estado”. Fernando Figueira, diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, ressaltou que a recomposição do financiamento federal destinado ao Samu foi retomada durante a gestão do presidente Lula. Ele também mencionou que um projeto de lei federal, que reconhece oficialmente o condutor socorrista como profissional da área da saúde, aguarda sanção presidencial. O representante do governo federal explicou que a expansão dos investimentos por parte da União enfrenta obstáculos devido à redução do controle orçamentário do Poder Executivo, que tem sido transferido progressivamente ao Congresso Nacional. “Eu vou trazer a dureza da realidade. Estamos lutando contra um destrinchamento do orçamento onde a capacidade de investimento do Poder Executivo tem sido tensionada por forças que puxam para o Legislativo. Mas isso não significa que a gente vai se amedrontar”.
32% dos profissionais levam até 1 hora para chegar ao trabalho

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Belo Horizonte, 32% dos profissionais levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao local de trabalho. Já 17% enfrentam um tempo de deslocamento que varia de 1 a 2 horas diariamente. O levantamento também revela que uma parte significativa da população ativa tem um trajeto mais curto: cerca de 28% dos trabalhadores completam o percurso entre 15 e 30 minutos. No extremo, 1% dos trabalhadores enfrenta viagens de mais de duas a quatro horas. Para o engenheiro de transportes e especialista em mobilidade urbana, Leonardo Duarte, a realidade enfrentada por milhares de trabalhadores de BH é reflexo de anos de planejamento urbano insuficiente. “Temos uma cidade que cresceu de forma horizontalizada, com áreas residenciais se espalhando para a periferia sem que houvesse uma contrapartida proporcional na oferta de transporte público de qualidade. Resultado: a população está cada vez mais dependente do carro ou de sistemas de transporte coletivo que não dão conta da demanda”. De acordo com Duarte, Belo Horizonte possui atualmente uma frota de mais de 2 milhões de veículos circulando diariamente, número que só cresce. “O excesso de carros individuais, combinado com uma malha viária limitada e um transporte coletivo pouco eficiente, gera gargalos nos horários de pico. Isso afeta diretamente o tempo de deslocamento, além de aumentar os índices de poluição e acidentes de trânsito”. Outro ponto crítico apontado é a crise do sistema de transporte público. A cidade enfrenta há anos a insatisfação de usuários com relação à qualidade dos serviços prestados, à frequência dos ônibus e ao custo elevado das tarifas. Para a urbanista Fernanda Bastos, a falta de investimentos contínuos é uma das principais razões da estagnação do setor. “Os ônibus operam em condições precárias em muitas regiões da cidade, com itinerários longos e pouco eficientes. A ausência de corredores exclusivos em boa parte das vias atrasa os trajetos e desestimula a população a usar o transporte coletivo, além do metrô que atende pouquíssimas pessoas”. Diante da atual situação da mobilidade urbana em Belo Horizonte, é fundamental que sejam adotadas medidas estruturais e urgentes para reverter o cenário e melhorar os indicadores da cidade. “Um dos primeiros passos é investir na ampliação e modernização do transporte coletivo, dando prioridade ao transporte por ônibus e metrô. Isso inclui o aumento da frota, a renovação dos veículos em circulação e a requalificação de estações e pontos de parada, que muitas vezes não oferecem sequer o mínimo de conforto ou acessibilidade para os usuários”, destaca Fernanda. Ela ressalta que é essencial que a cidade invista na criação de mais corredores exclusivos para ônibus. “Essa medida, que já mostrou resultados positivos em outras capitais, reduz significativamente o tempo de viagem e torna o transporte público mais eficiente e atrativo para a população. A mobilidade também precisa ser pensada para além dos veículos motorizados. Ampliar a malha cicloviária com ciclovias e ciclofaixas bem sinalizadas e seguras é outro ponto-chave, principalmente se queremos incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário”. Para Duarte, a cidade precisa aproximar quem mora mais distante das áreas comerciais e de serviço. “Isso significa levar infraestrutura, oportunidades e transporte eficiente para essas regiões, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Sem esse olhar mais amplo e inclusivo, continuaremos empurrando o problema com a barriga e penalizando justamente quem mais depende do transporte público para viver”.
Estado registra abertura de cerca de 88 mil novos empreendimentos

Minas Gerais está prestes a alcançar um marco histórico na criação de empresas. De janeiro a setembro deste ano, foram formalizados 87.913 novos empreendimentos no Estado, um crescimento de 17,95% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 74.536 negócios. Apenas em setembro, 9.255 empresas foram abertas, o que equivale a mais de 300 novos registros por dia. As informações fazem parte do relatório mensal de registros mercantis divulgado pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). As regiões dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri lideraram em termos de crescimento proporcional, com aumento de 28,80% no acumulado do ano. Na sequência, destacam-se as regiões Central (20,02%), Norte de Minas (19,86%), Centro-Oeste (18,28%), Zona da Mata (16,94%), Triângulo (14,26%), Sul de Minas (13,62%), Alto Paranaíba (13,12%) e Noroeste (8,65%). Ao analisar os dados por setor, os serviços lideram o crescimento no acumulado do ano, com 65.377 novos empreendimentos formalizados, uma elevação de 20,64% em relação aos primeiros nove meses de 2024. O comércio vem logo depois, com 18.515 registros e aumento de 10,80%, seguido pela indústria, que contabilizou 4.020 novas empresas, representando uma alta de 10,74%. Em 2025, Belo Horizonte já contabiliza 21.495 empresas formalizadas, o que representa um crescimento de 7,94% em comparação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 19.913 aberturas. Apenas no mês de setembro, foram criados 2.573 novos negócios na capital mineira, um aumento de 15,95% em relação a setembro do ano anterior, que teve 2.219 registros. Para o consultor de mercado Fernando Lage, o cenário atual é resultado direto de uma maior confiança dos empreendedores e da simplificação dos processos burocráticos nos últimos anos. “A abertura de empresas em Minas tem sido cada vez mais rápida e menos custosa. A digitalização dos serviços da Junta Comercial, aliada a políticas municipais e estaduais de estímulo ao empreendedorismo, tem feito uma diferença considerável, hoje, o empresário consegue abrir seu negócio com muito mais agilidade e segurança jurídica”. Outro fator determinante para esse avanço, segundo os especialistas, é o fortalecimento da cultura empreendedora no Estado, especialmente após os impactos provocados pela pandemia. “Muita gente perdeu o emprego ou repensou sua vida profissional nos últimos anos, e viu no empreendedorismo uma forma de retomar o controle da própria renda”, analisa Lage. Ele observa que, embora muitos desses empreendimentos surjam da necessidade, há cada vez mais casos de empresas bem planejadas, estruturadas e com boas chances de prosperar. “A gente nota que o perfil do empreendedor está mudando. As pessoas estão mais preocupadas em entender seu público, usar ferramentas digitais, cuidar do marketing e buscar capacitação. Isso é extremamente positivo”. Desafios Apesar dos números positivos, a economista Camila Ribeiro alerta que o desafio agora é garantir que essas novas empresas sobrevivam e prosperem. O índice de mortalidade de empresas nos primeiros anos de atividade ainda é alto no Brasil, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs) e os pequenos negócios, que costumam enfrentar dificuldades de gestão, acesso a crédito e capacitação. “O número de aberturas é animador, mas é preciso garantir sustentabilidade a médio e longo prazo. Para isso, o apoio técnico é fundamental. Políticas públicas devem estar voltadas não apenas à abertura, mas também à manutenção dos negócios”, alerta. Camila também destaca que o acesso a linhas de financiamento e crédito com juros acessíveis precisa ser ampliado. “Muitos empreendedores iniciam seus negócios com recursos próprios ou empréstimos informais. Se houver mais linhas de crédito específicas para capital de giro, inovação e expansão, a chance de crescimento dessas empresas será muito maior”. Para que Minas Gerais siga atraindo e desenvolvendo novos negócios, algumas ações são fundamentais, segundo Camila. “A principal delas é manter e ampliar as políticas de desburocratização, garantindo mais agilidade e redução de custos para quem empreende. Também é essencial investir na capacitação técnica dos novos empresários, com apoio de instituições como Sebrae, Senac e universidades”. Outro ponto importante é o incentivo à inovação e à digitalização, sobretudo para quem atua nos setores de tecnologia, e-commerce e serviços digitais.
“Lista suja” do trabalho escravo tem nomes de 159 empregadores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou uma atualização no cadastro de empregadores envolvidos na exploração de trabalho em condições análogas à escravidão, conhecido como a “lista suja”. Com a nova atualização, a lista passou a incluir 159 nomes, sendo 101 referentes a pessoas físicas e 58 a pessoas jurídicas. Segundo o MTE, isso representa um aumento de 20% em relação à versão anterior da lista. Entre os anos de 2020 e 2025, um total de 1.530 trabalhadores foram retirados de situações que configuram esse tipo de violação. Os estados que mais registraram ocorrências foram Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12). As principais atividades econômicas associadas aos empregadores listados incluem a pecuária voltada para o corte de bovinos (20 registros), o trabalho doméstico (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada trabalhista, Vera Lúcia Rodrigues. Conforme a lei, o que pode ser caracterizado como trabalho análogo à escravidão? O trabalho análogo à escravidão está previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro e ocorre quando o trabalhador é submetido a condições degradantes, jornadas exaustivas, restrição de locomoção por dívida ou vigilância constante e seguida de ameaça. Como a legislação brasileira pune esse tipo de situação? A legislação dispõe que quem induz alguém à condição análoga à de escravo comete crime e pode ser condenado a reclusão de 2 a 8 anos, além de multa, podendo ser majoradas se o crime for praticado contra crianças e adolescentes. Além disso, na esfera criminal, o empregador também pode ser incluído na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e responder por danos morais individuais e coletivos na Justiça do Trabalho. Quais são os tipos de compensação ou reparação disponíveis para trabalhadores que foram vítimas de trabalho análogo à escravidão? Esses trabalhadores ao serem resgatados, passam a ter direito a receber todas as verbas trabalhistas que lhes foram negadas, como salários, férias e FGTS, além de indenização por dano moral. O Estado oferece ainda programas de proteção, acolhimento e reinserção social, buscando restituir não apenas os direitos econômicos, mas também a dignidade dessas pessoas. Quais fatores permitem a perpetuação desse ato em dias atuais? Infelizmente, fatores estruturais ainda sustentam esse tipo de exploração. A desigualdade social, a pobreza extrema, a falta de acesso à educação e a informalidade no trabalho. Além disso, a fiscalização é limitada, especialmente em áreas rurais e remotas, e as cadeias produtivas longas dificultam a identificação de quem realmente explora o trabalhador. A falta de número suficiente de fiscalização além dos pontos acima pontuados, cria um terreno fértil para a perpetuação do trabalho escravo contemporâneo. O que o estado brasileiro pode fazer para melhorar a fiscalização e repreensão desses casos? É essencial fortalecer a atuação dos auditores-fiscais do trabalho, ampliar os recursos e investir em tecnologia para rastrear as cadeias produtivas. O Estado também tem o dever de garantir a proteção das vítimas e das testemunhas, além de promover campanhas educativas para conscientizar a sociedade sobre o tema, fortalecer os canais de denúncias. E, claro, valorizar o papel do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, que são pilares fundamentais no combate e na reparação desses casos. Atualmente, quais são os mecanismos e instrumentos de combate ao trabalho escravo? Entre os principais instrumentos estão o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, o Cadastro de Empregadores (lista suja), o Programa de Erradicação do Trabalho Escravo e as parcerias entre o Ministério do Trabalho, a Polícia Federal e a Justiça do Trabalho, existem ainda canais de denúncia como o Disque 100, que funciona 24 horas, e o Sistema Ipê, que é um sistema para coleta, concentração e tratamento das denúncias de trabalho em condições análogas às de escravo no território brasileiro, que permitem à população participar ativamente no enfrentamento a essa grave violação dos direitos humanos.
300 mil morrem por ano no Brasil por sedentarismo

O sedentarismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos maiores problemas da sociedade moderna. A inatividade física está ligada à morte de aproximadamente cinco milhões de pessoas por ano em todo o mundo, conforme estimativas da instituição. Cerca de um terço da população adulta global não pratica atividades físicas regularmente. No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante: o país lidera o ranking de sedentarismo na América Latina e ocupa a quinta colocação entre os mais sedentários do mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47% dos adultos brasileiros não praticam exercícios físicos, percentual que sobe para 84% entre os jovens. Cerca de 300 mil mortes anuais estão relacionadas à falta de atividade física. Entre as capitais, São Paulo se destaca negativamente como a mais sedentária do país. Os dados acendem um alerta para os impactos devastadores que a inatividade física pode causar não apenas ao corpo, mas também à mente. O sedentarismo está diretamente relacionado ao aumento de casos de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, além de quadros de depressão e ansiedade. Em um país com dimensões continentais e desigualdades sociais, os desafios para reverter esse cenário são muitos. Para o cardiologista Renato Farias, a falta de movimento deve ser tratada com a mesma seriedade que outras epidemias. “Estamos diante de uma verdadeira crise de saúde pública. O sedentarismo mata silenciosamente, por meio de doenças que se desenvolvem ao longo do tempo, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. A maioria dessas condições poderia ser evitada com mudanças simples no estilo de vida”. A rotina urbana moderna contribui para a propagação do sedentarismo, reforça Farias. “As pessoas passam horas sentadas no trabalho, no transporte e em casa, muitas vezes diante de telas. Essa passividade é prejudicial, e infelizmente se tornou parte da normalidade para muitos brasileiros”. Farias diz que o corpo humano foi feito para se movimentar. “Ficar longos períodos sentado ou inativo prejudica diretamente o funcionamento de diversos sistemas. Mesmo pessoas que praticam atividade física esporadicamente não estão imunes aos efeitos negativos de um estilo de vida predominantemente sedentário”. Os impactos físicos são amplos: desde dores musculares crônicas até doenças mais graves. “Além disso, o sedentarismo está associado à perda de massa muscular, aumento da resistência à insulina, o que pode levar ao diabetes tipo 2, e problemas posturais que comprometem a qualidade de vida”, ressalta. O educador físico, Ricardo Menezes, destaca os efeitos na saúde óssea. “Sem estímulo regular, como caminhadas ou exercícios com peso, os ossos perdem densidade, o que eleva o risco de osteoporose e fraturas, especialmente em idosos. Pequenas mudanças, como levantar-se a cada hora ou caminhar 30 minutos por dia, já fazem diferença. O movimento precisa fazer parte do cotidiano”. Ele garante que a regularidade é mais importante do que a intensidade no início. “Não adianta fazer exercícios pesados uma vez por semana e ficar os outros dias parado. O importante é criar o hábito, mesmo que com atividades leves. O corpo vai se adaptando aos poucos, e os benefícios logo aparecem”. Entretanto, o combate ao sedentarismo não depende apenas da vontade individual. Fatores sociais, econômicos e estruturais dificultam o acesso de grande parte da população à prática regular de exercícios. Falta de segurança nas ruas, ausência de espaços públicos adequados, jornadas de trabalho exaustivas e transporte público precário são obstáculos diários enfrentados por milhões de brasileiros. “Não podemos ignorar que a realidade da maioria das pessoas não favorece a prática de atividades físicas. Políticas públicas que incentivem o uso de bicicletas, a criação de parques, ciclovias e a promoção de programas comunitários de exercícios são fundamentais para mudar esse cenário. A crise do sedentarismo no Brasil não é apenas um problema individual de saúde, mas uma questão coletiva que afeta o sistema público e os custos com tratamento de doenças crônicas”, defende o profissional.