76,6% das empresas mineiras possuem presença na internet

De acordo com a pesquisa E-commerce 2025, a participação do comércio no ambiente digital tem crescido continuamente ao longo dos anos. Em 2023, 57,1% das empresas já marcavam presença no virtual. Esse número subiu para 64,3% em 2024 e, em julho de 2025, atingiu 76,6%. Das empresas com presença na internet, 59,5% utilizam esse canal para realizar vendas, enquanto 33,8% estão apenas presentes on-line, sem efetivar transações comerciais. A adesão ao comércio eletrônico é explicada, principalmente, por seguir uma tendência de mercado (58,9%) ou por atender à demanda dos consumidores (48,1%). Em relação ao tempo de atuação, a maioria comercializa on-line há entre 3 e 5 anos (43,8%), e uma parcela menor, de 5,9%, está nesse segmento há mais de uma década. A maior parte das empresas faz uso do WhatsApp Business, com 75,1% utilizando a ferramenta tanto para presença digital quanto para realizar vendas. Por outro lado, apenas 2,2% usam o aplicativo apenas como canal de contato, sem efetuar vendas por meio dele. Cerca de 61,5% das empresas utilizam o WhatsApp como canal principal para concluir vendas, embora o pagamento seja realizado por outros meios. Já 34,3% dos estabelecimentos aproveitam o recurso de catálogo do aplicativo para exibir seus produtos e respectivos preços. O Instagram é a rede social mais utilizada pelas empresas com presença digital, estando presente em 99,3% delas, e servindo como canal de vendas para 96,5%. Já o Facebook tem uma participação menor: 36,6% das empresas do comércio estão na plataforma, e 23% efetivam vendas por meio dela. No total, 61,1% dos negócios comercializam seus produtos pelas redes sociais, sendo que 72,8% oferecem a opção de retirada na loja física. Segundo o economista Renato Duarte, o avanço no índice de presença on-line é reflexo de uma transformação estrutural nas formas de consumo. “A pandemia acelerou a digitalização, mas mesmo com o fim dela, o comportamento do consumidor mudou. Hoje, estar na internet não é mais um diferencial, é uma exigência básica de sobrevivência no mercado”. O crescimento da presença on-line do comércio local também está ligado à maior acessibilidade de ferramentas digitais, reforça Duarte. “Hoje é muito mais fácil e barato criar um site, configurar uma loja em marketplace ou anunciar nas redes sociais. Além disso, existem cursos e tutoriais gratuitos que capacitam pequenos empreendedores a se digitalizarem com mais autonomia”. “A internet permite ao empresário entender melhor o comportamento do consumidor, segmentar campanhas e ampliar o alcance da sua marca. Na loja física, o público é limitado à vizinhança. No ambiente digital, uma papelaria de Montes Claros pode vender para um cliente em São Paulo ou até no exterior, dependendo da estratégia”, explica. A especialista em marketing digital Letícia Menezes destaca que “o cliente está cada vez mais multicanal. Ele pesquisa no celular, compara no marketplace, tira dúvidas no WhatsApp e só depois decide onde vai comprar. Se a empresa não estiver nesses canais, perde o cliente para a concorrência”. Entre as empresas que planejam começar a vender pela internet, 60% demonstraram interesse em receber algum tipo de suporte, enquanto os 40% restantes preferem seguir sem auxílio. Já os empreendedores que ainda não ingressaram no comércio eletrônico, mas têm intenção de fazê-lo, apontam como principais obstáculos a ausência de planejamento (62,5%) e a falta de tempo (43,8%). Outros fatores mencionados incluem o porte reduzido da empresa (18,8%), carência de profissionais qualificados (12,5%) e o fato de o negócio ser recente (6,3%). No entanto, apenas estar presente na internet não basta. “É preciso investir em relacionamento com o cliente, construção de marca e, principalmente, em experiência de compra. O consumidor quer ser bem atendido em qualquer canal. Isso exige que o lojista tenha uma linguagem adequada, tempo de resposta rápido, imagens de qualidade e meios de pagamento diversificados”, salienta Letícia. Ela reforça que uma das estratégias mais eficazes é a personalização da comunicação. “Plataformas como Instagram e Facebook permitem segmentar anúncios por idade, localização, interesses e até comportamento de compra. Isso aumenta as chances de conversão e reduz o custo da publicidade”. Outra dica é o uso de ferramentas de automação, como chatbots, e-mail marketing e Customer Relationship Management (CRM), que ajudam a organizar o relacionamento com os clientes e promover campanhas mais assertivas. “Com um bom CRM, você sabe quando o cliente comprou, o que comprou, e pode enviar uma promoção personalizada na hora certa. Isso fideliza e aumenta o ticket médio”, conclui.
MG registrou 153 mil casos de violência doméstica em 2024

Na última semana, a Lei Maria da Penha completou 19 anos, porém, os números da violência contra a mulher ainda são preocupantes. Em 2024, mais de 1.400 mulheres foram assassinadas em casos de feminicídio no país, uma média de quatro mortes por dia. De acordo com o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais da metade desses crimes aconteceu na residência da vítima e teve como autor o parceiro ou ex-parceiro. Minas Gerais contabilizou 153 mil casos de violência doméstica e familiar contra mulheres, o equivalente a 420 ocorrências diárias. Além disso, entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados uma média de 169 pedidos diários de medidas protetivas no Estado, somando mais de 25 mil solicitações no total. Para falar sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade da UFMG, Ludmila Ribeiro. O que mudou na percepção da sociedade brasileira sobre a violência doméstica desde a sanção da Lei Maria da Penha? Acredito que as mulheres começaram a se perceber como vítimas de violência doméstica. Toda aquela ideia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher” mudou muito depois da sanção da Lei Maria da Penha. As novelas, por exemplo, assim como os telejornais, tiveram um papel de extrema importância, sempre noticiando situações de agressão contra a mulher e como fazer para denunciar o crime. Quais são os principais avanços conquistados nestas quase duas décadas? Um deles é a possibilidade de concessão de medidas protetivas às mulheres em situação de violência, que podem ser solicitadas ao Judiciário ou, em alguns estados, diretamente nas delegacias. Essas medidas visam prevenir agressões mais graves, incluindo afastamento do lar ou proibição de contato. O segundo avanço, ainda limitado, é a criação de juizados com competência cível e criminal, que deveriam tratar de forma integrada questões como divórcio, pensão e visitação de filhos. Na prática, essa integração é falha, e decisões cíveis muitas vezes desconsideram as medidas protetivas, expondo novamente as vítimas ao agressor. A falta de estrutura nos serviços públicos compromete a efetividade da lei? A Lei Maria da Penha tem a finalidade de prevenir, reprimir e erradicar a violência contra o sexo feminino. Precisamos de uma série de serviços que acolham a mulher e verifiquem qual é a sua vulnerabilidade. Por exemplo, a lógica da Casa da Mulher é oferecer atendimento multidisciplinar humanizado, porém, em boa parte das cidades brasileiras, os serviços são fragmentados e não se comunicam, o que termina por revitimizar a mulher. Você considera que há desigualdade no acesso à proteção garantida pela norma? Estudos mostram que as mulheres que mais recorrem à Lei Maria da Penha são as mais vulneráveis, especialmente negras e/ou moradoras de periferias, por dependerem dos serviços públicos para buscar proteção. Já brancas e/ou com maior poder aquisitivo tendem a acessar serviços privados, como advogados e psicólogos, resolvendo a situação fora da rede pública. Mulheres em relações homoafetivas, muitas vezes, não são devidamente protegidas pela lei, pois o Judiciário ainda enxerga a violência doméstica dentro de um modelo tradicional, com um homem agressor, ignorando outras dinâmicas. Quais políticas públicas poderiam complementar e fortalecer a legislação? Faltam ações educativas nas escolas, que ajudem crianças e jovens a entender desde cedo o que é violência e que homens e mulheres têm os mesmos direitos. Esse debate foi freado nos últimos anos por acusações de “ideologia de gênero”, agravando-se diante de dados que mostram que jovens são hoje mais machistas que adultos de 40 anos. Outro desafio é o foco excessivo na vítima e a pouca atenção ao agressor, que muitas vezes repete o comportamento em novos relacionamentos por não compreender que sua conduta é criminosa. Trabalhar com esses homens é essencial para interromper o ciclo de violência.
Calistenia: força, equilíbrio e saúde com o peso do corpo

Na era dos aplicativos de treino e das academias 24 horas, uma prática antiga ressurge com força total nas praças e parques de cidades por todo o mundo: a calistenia. Ela utiliza o próprio corpo como instrumento de treinamento físico, sem halteres, sem esteiras, sem aparelhos eletrônicos. Baseada em movimentos naturais como flexões, barras, agachamentos e abdominais, a prática busca desenvolver força, equilíbrio, mobilidade, coordenação e consciência corporal, aliando saúde física e mental em um único sistema. Segundo o educador físico e especialista em treinamento funcional, Ricardo Menezes, as pessoas estão buscando mais autonomia para cuidar da própria saúde. “A calistenia é democrática, acessível e pode ser feita praticamente em qualquer lugar. Além disso, promove um fortalecimento completo do corpo, com baixo risco de lesão se bem orientada”. Mais do que ganhos físicos, os benefícios da calistenia também se estendem à saúde mental. Menezes destaca o impacto positivo da prática regular sobre o humor e a autoestima. “O exercício exige concentração, foco e paciência para evoluir nos movimentos. A prática ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a autopercepção corporal, algo essencial em tempos de hiperconectividade e distorções de imagem corporal”. Uma das grandes vantagens da calistenia é sua versatilidade. Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso já ter um físico preparado ou ser jovem para iniciar. “A calistenia pode e deve ser adaptada ao nível de cada pessoa. Temos idosos que começam com movimentos básicos, como sentar e levantar de uma cadeira ou segurar posições em isometria. E atletas avançados que desafiam a gravidade com movimentos que mais parecem acrobacias”, garante o profissional. Pessoas com sobrepeso, sedentarismo prolongado ou lesões anteriores também podem se beneficiar da calistenia, desde que com a devida supervisão, alerta Menezes. “O primeiro passo é avaliar a mobilidade e a força inicial do aluno. A progressão é feita de forma gradual e respeitando os limites do corpo, sendo possível ver avanços incríveis em poucas semanas”. O estudante de engenharia Lucas Freitas, de 23 anos, encontrou na calistenia uma forma de superar um quadro de depressão leve. “Comecei por vídeos na internet, copiando treinos simples em casa. Aos poucos, fui percebendo não só mudanças no meu físico, mas principalmente na minha disposição e clareza mental. Hoje treino todos os dias e posso dizer que salvou minha saúde física e mental”. Para quem deseja se iniciar na calistenia, a dica é começar devagar, com movimentos fundamentais que trabalham grandes grupos musculares. Flexões de braço, agachamentos livres, pranchas abdominais e barras são a base de qualquer treino. A partir deles, novas variações e desafios vão sendo incorporados. Para Menezes, o segredo está na consistência e na paciência. “Muita gente quer pular etapas e acaba se frustrando. “O progresso é um processo e cada pequena conquista deve ser comemorada. Uma repetição a mais, uma posição que antes parecia impossível. É transformador”. Ele ressalta ainda que, apesar de muitos treinos estarem disponíveis on-line, o ideal é ter algum acompanhamento inicial. “Nem sempre o que serve para um influenciador vai funcionar para você. Buscar orientação é um investimento que evita lesões e acelera os resultados”. Um dos maiores atrativos da calistenia é que o exercício exige pouco ou nenhum equipamento. Um espaço livre no chão, uma barra fixa e talvez uma paralela são mais do que suficientes para uma rotina completa de treinos. Muitos praticantes utilizam bancos de praça, escadas ou mesmo brinquedos de playground como ferramentas improvisadas. “Embora tenha ganhado popularidade, principalmente nas redes sociais, a calistenia está longe de ser apenas uma tendência passageira. Seus princípios básicos (autocontrole, progressão, consciência corporal e respeito aos limites do corpo) garantem que a prática se mantenha relevante”, conclui.
Festival Acessa BH valoriza artistas com deficiência em sua programação

Reconhecido como o principal evento voltado à valorização da cultura deficiente no Brasil, o Festival Acessa BH chega à sua 5ª edição, que acontece de 5 a 28 de setembro de 2025. A programação contempla mais de 30 atividades, incluindo apresentações teatrais, exibições de filmes e videoclipes, oficinas, rodas de conversa e o lançamento de um livro. Os ingressos para todas as atividades são gratuitos e podem ser retirados com antecedência nas bilheterias dos respectivos espaços. A programação completa está disponível no site acessabh.com.br. Com presença de artistas vindos de nove estados do país e também do Reino Unido, o festival destaca a potência, a diversidade e a originalidade da produção cultural protagonizada por pessoas com deficiência, reforçando seu papel central em uma cena artística inclusiva e ativa. Toda a programação será gratuita, com eventos realizados em locais como o Sesc Palladium, Palácio das Artes, Funarte MG e Centro Cultural Unimed-BH Minas. A programação do Festival conta com mais de 30 atividades distribuídas entre 14 apresentações artísticas, incluindo teatro, dança, música e performance, além de quatro oficinas, cinco produções cinematográficas (sendo três curtas e dois longas), três videoclipes, quatro conversas após os espetáculos, uma roda de diálogo e o lançamento de um livro. “Mais do que uma seleção de espetáculos, a curadoria propõe um campo de encontro e troca, onde diferentes modos de criação possam conviver e provocar o público a refletir, sentir e imaginar futuros possíveis. Um convite à escuta atenta e ao deslocamento dos olhares, que valoriza tanto a expressão poética quanto o engajamento político da cena contemporânea”, afirmam os idealizadores do festival, Daniel e Lais Vitral. O evento promove uma experiência inclusiva por meio de diversas ações de acessibilidade. Os espaços que recebem a programação têm estrutura acessível, oferecem cadeiras de rodas para empréstimo e permitem a presença de cães-guia identificados, conforme a Lei nº 11.126/2005. A acessibilidade comunicacional é garantida com legendas descritivas, janelas de Libras e audiodescrição nos filmes e espetáculos. Todas as atividades contam com interpretação em Libras/Português, além da oferta de abafadores de ruído e pranchas de comunicação alternativa. Na Funarte, haverá também uma sala de regulação sensorial. Uma equipe especializada, incluindo intérpretes de Libras, estará disponível para receber o público com deficiência. O Acessa BH destaca o protagonismo de artistas e profissionais com deficiência, envolvendo consultores e uma equipe qualificada para assegurar a inclusão em todas as fases do evento. “Esse trabalho conjunto inclui visitas técnicas aos espaços de apresentação, proposição de pautas e estratégias de comunicação, e análise de diversos recursos de acessibilidade para cada atividade. Para além do conhecimento teórico, as vivências com a equipe, artistas e público sempre provocam novas reflexões, e motivam nossa busca constante de fazer um festival cada vez mais diverso, acolhedor e potente”, explica Anita Rezende, coordenadora de Acessibilidade do Acessa BH. A professora de artes visuais Cecília Santana afirma que as expressões artísticas e culturais realizadas por pessoas com deficiência exercem um impacto amplo e significativo na sociedade. “Elas transformam o olhar da sociedade sobre a produção artística de pessoas com deficiência, que historicamente foram invisibilizadas. Ao colocar esses artistas no centro, o festival rompe barreiras estéticas e sociais”. Ela destaca que a acessibilidade proposta pelo Acessa BH não é apenas física, mas também simbólica. “Quando vemos espetáculos com audiodescrição, oficinas com interpretação em Libras e espaços sensoriais pensados para diferentes públicos, entendemos que a arte é para todos. É um exemplo de como eventos culturais podem e devem ser inclusivos”.
Trabalhadores no segmento de eventos já superam em 74,7% o pré-pandemia

Nos cinco primeiros meses de 2025, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor de eventos culturais e de entretenimento em Minas Gerais chegou a 14.593, um aumento de 74,7% em comparação com o mesmo período de 2019 (8.534), anterior à pandemia de COVID-19. Esse crescimento superou a média nacional, que foi de 74,6%. As informações foram levantadas pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), com base em estatísticas oficiais fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A economista Marcela Andrade atribui esse crescimento a um conjunto de fatores articulados: políticas públicas, dinamismo da economia e o fortalecimento de Minas como destino de turismo de negócios. “A aplicação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi decisiva. O apoio fiscal e os créditos facilitaram não apenas a sobrevivência, mas também a expansão das empresas do setor no Estado. Esse programa federal, aprovado durante a pandemia, teve impacto direto sobre os índices de emprego no segmento”. Na avaliação de Marcela, a demanda reprimida de 2020 a 2022, aliada ao retorno de eventos de grande porte como feiras, congressos, shows e exposições, alimentou a geração de novos postos. “Minas Gerais vem se consolidando como um hub de eventos regionais e nacionais. A infraestrutura, especialmente o Expominas em Belo Horizonte, com capacidade para milhares de pessoas, atrai promotores e garante movimento contínuo para hotéis, restaurantes e serviços auxiliares”. Essa expansão não é apenas uma estatística de mercado, mas ganha reflexos concretos na economia local. A percepção da economista é que “o crescimento da massa salarial circulante impulsiona os serviços e amplia o consumo interno. Isso fortalece cidades como Belo Horizonte, Contagem e Betim, onde grande parte do setor de eventos se concentra, e fomenta pequenas cidades que recebem feiras agropecuárias e festivais regionais”. Para que os números sigam em alta nos meses seguintes, os especialistas apontam caminhos complementares ao Perse. O produtor cultural Rafael Lacerda sugere que “é preciso investir em capacitação técnica: cursos e formações em produção de eventos, marketing digital e logística são essenciais para profissionalizar o setor e reduzir a informalidade”. Ações estratégicas de promoção do Estado como destino de eventos, especialmente voltadas ao turismo de negócios, fazem diferença, reforça Lacerda. “Atrair congressos nacionais e internacionais, feiras especializadas e festivais culturais consolida Minas como destino competitivo, garantindo ocupação full time de espaços como o Expominas e extrema utilidade da rede hoteleira”. Outra estratégia apontada é a ampliação de incentivos municipais para eventos locais nas cidades do interior. “Ao incentivar as prefeituras a promover exposições agropecuárias, festivais culturais e rodadas de negócios, há uma geração de emprego regional nos locais que normalmente ficam fora do grande fluxo turístico”, conclui o produtor. Brasil O estoque de empregos formais no setor de eventos até maio de 2019 no Brasil era de 190.171. Já em 2025, a quantidade de cargos aumentou para 331.987. O Produto Interno Bruto (PIB) do segmento de “Outras Atividades de Serviços”, que engloba o setor de eventos, cresceu 4,6% no acumulado de quatro trimestres até o 1º trimestre de 2025. O índice supera a média nacional (3,5%) e coloca o setor entre os que mais avançam no país. O boletim ainda apresenta dados atualizados sobre o consumo, evidenciando o fortalecimento da cadeia produtiva. Somente em maio, o consumo estimado no setor alcançou R$ 11,618 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, o montante chegou a R$ 57,8 bilhões, o maior já registrado para esse intervalo desde o início da série histórica, em 2019, representando um crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2024.
Estudo identifica 20,5 milhões de brasileiros sem acesso à internet

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que embora o uso da internet esteja cada vez mais presente no dia a dia, ainda está ausente na rotina de 20,5 milhões de brasileiros, o equivalente a 10,9% da população com 10 anos ou mais em 2024. Entre esse grupo, cerca de 45,6% afirmam que a principal razão para não utilizarem a rede é a falta de conhecimento sobre como acessá-la, o que corresponde a cerca de 9,3 milhões de pessoas. No caso dos idosos, 66,1% declararam não saber utilizar a internet como principal obstáculo. Ainda assim, os dados revelam uma tendência crescente de adesão à rede por parte dessa faixa etária. As razões de cunho econômico (como considerar o acesso ou os dispositivos muito caros) tornaram- -se menos frequentes. Em 2024, representaram 10,9%, contra 16,2% em 2022, ano em que esse dado começou a ser coletado. A pesquisa também apontou que, entre os que nunca acessaram a internet, 73,4% tinham baixa escolaridade, com nenhum ou apenas o ensino fundamental. Além disso, um total de 52,1% pertenciam à faixa etária dos idosos. “Existe uma certa exclusão estrutural. A falta de acesso à internet não é apenas uma questão de tecnologia, mas uma extensão das desigualdades que marcam o país em termos de renda, educação e infraestrutura. Não possuir conexão à web é praticamente viver à margem do mundo. Desde oportunidades de trabalho e estudo até o simples acesso à informação, tudo passa pelo digital”, diz a socióloga Andreia Lima. A pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2022, já havia escancarado essa fragilidade quando milhões de estudantes ficaram sem aulas por não conseguirem acompanhar o ensino remoto, lembra Andreia. “A internet deixou de ser uma ferramenta complementar para se tornar parte integrante do processo educacional. Sem acesso digital, os alunos não apenas perdem conteúdos, mas também ficam de fora das interações que moldam o aprendizado. É uma barreira invisível que gera atraso educacional e compromete o desenvolvimento de competências básicas”. Os impactos se estendem ao mercado de trabalho. Em um cenário onde o número de vagas ofertadas e candidaturas acontece majoritariamente por meio de plataformas on-line, a falta de conexão representa estar ausente do mercado. “Profissões ligadas à economia digital, como marketing, TI, vendas digitais e prestação de serviços por aplicativos, tornam-se inacessíveis a quem sequer consegue abrir um navegador”, destaca o tecnólogo Felipe Magalhães. Ele afirma ainda que a inclusão digital pode ser uma alavanca econômica. “Ela capacita o indivíduo, aproxima de oportunidades e fomenta a inovação local. Quando um número tão expressivo de brasileiros está desconectado, o país perde em produtividade, competitividade e diversidade econômica. Podemos estar desperdiçando um enorme potencial por falta de infraestrutura e políticas inclusivas”. As empresas de telecomunicação alegam que os altos custos de operação em áreas de difícil acesso e a baixa rentabilidade desestimulam investimentos em regiões remotas. No entanto, esse modelo de negócio pode contribuir para manter a exclusão. “Há uma lógica de mercado que ignora as populações mais vulneráveis. Por isso, são necessárias políticas públicas de incentivo, como subsídios, parcerias público-privadas e investimentos em infraestrutura de rede em comunidades isoladas”, pontua Andreia. Além das questões econômicas e educacionais, a exclusão digital também compromete o pleno exercício da cidadania. “Com o avanço da digitalização de serviços públicos, como agendamentos médicos, acesso a benefícios sociais, declarações de imposto e emissão de documentos, estar off-line significa também ficar de fora dos direitos básicos”, destaca. Na avaliação de Andreia, a superação da exclusão digital passa pela adoção de um novo paradigma: o da internet como direito fundamental. “O combate à exclusão digital é mais do que uma pauta tecnológica, é uma urgência social, econômica e democrática. Trazer os invisíveis para o centro da transformação digital é, antes de tudo, uma questão de justiça”.
Portal Visite Belo Horizonte reforça turismo e eventos na capital mineira

Com o objetivo de ampliar sua presença no cenário nacional e internacional, o setor de turismo de Minas Gerais comemora o lançamento do portal Visite Belo Horizonte (www.visitebelohorizonte.com). A plataforma digital, idealizada pela nova fase da Casa do Turismo, foi oficialmente apresentada ao mercado no dia 24 de julho. O evento de lançamento coincidiu com um período promissor para o segmento de eventos no Brasil. Segundo a International Congress and Convention Association (ICCA), o país sediou 234 eventos internacionais recentemente. Estimativas da Casa do Turismo indicam que cerca de 5% desse total ocorreram em Belo Horizonte, destacando o crescente protagonismo da capital mineira como destino de negócios e turismo. Dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo reforçam esse cenário: Minas Gerais foi o segundo estado que mais recebeu viajantes a negócios em 2024, com 13,22% do total, ficando atrás apenas de São Paulo. Belo Horizonte, além disso, é a capital com o maior número de municípios do país sob sua jurisdição e abriga uma diversidade de atrativos turísticos. O novo portal deve estar completamente finalizado e no ar até 20 de agosto, com presença confirmada também no Instagram por meio do perfil @visitebelohorizonteoficial. Segundo o diretor-executivo da Casa do Turismo, Leonardo Nunes, a criação do portal foi motivada pela necessidade de ter uma plataforma moderna, integrada e estratégica que represente com identidade e foco o potencial de Belo Horizonte como destino de grandes eventos e experiências. “O portal marca um novo momento para a cidade, consolidando um espaço digital onde o mercado pode encontrar informações completas sobre os espaços, fornecedores, agenda de eventos, atrativos turísticos e conteúdo que reforçam essa nossa vocação para o turismo de negócio”. Mais do que um site, o portal é uma vitrine da cidade que promove a conexão entre os organizadores de eventos, empresas do setor e os atrativos que BH tem a oferecer. “Apresenta obviamente um avanço importante na forma como a gente se posiciona nos mercados, nacional e internacional, como a capital preparada, competitiva e criativa”, destaca. Lançado o portal, dentro das estratégias de marketing, a ideia é ampliar a divulgação em mídias nacionais e internacionais junto a organizadores de eventos, trades turísticos e potenciais visitantes. “Algumas campanhas pensadas são direcionadas, presenças em feiras e eventos estratégicos e ativações digitais que visam consolidar a marca do Visite Belo Horizonte como sinônimo de um destino ideal para eventos. Continuar investindo em ações para a captação de eventos é o foco principal do trabalho, fortalecendo a rede de associados da Casa do Turismo e promovendo a cidade”, explica. A Casa do Turismo de Belo Horizonte atua como a principal liderança do segmento na articulação entre o poder público, a iniciativa privada e os diversos segmentos da cadeia produtiva do turismo. O site Visite Belo Horizonte nasce como uma ferramenta central dessa estratégia, oferecendo conteúdo qualificado e visibilidade para os atores do setor. O portal é um canal dinâmico de relacionamento com o mercado, sempre apoiando a ação de captação de eventos, a promoção da cidade e também a atração de novos negócios. Nunes ressalta que BH tem uma localização geográfica estratégica no eixo Sudeste, bem como uma excelente conectividade aérea. “Nós somos o maior hub de malha doméstica do Brasil, operado pela Azul, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e Confins, do BH Airport, e uma estrutura urbana extremamente acessível, que nos coloca em vantagem frente a outros destinos. Além disso, a cidade apresenta um alto padrão de serviços e concursos extremamente competitivos”. “O portal destaca todas essas qualidades de forma clara e atrativa, com conteúdos que abordam desde a mobilidade logística até o custo-benefício de se realizar eventos em BH. Ao reunir essas informações, a gente fortalece a competitividade do time e facilita essa tomada de decisão por parte de quem organiza eventos”, conclui.
Prevenção à leishmaniose ganha destaque no mês de agosto

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, provocada por parasitas do gênero Leishmania, que tem causado preocupação entre autoridades de saúde pública, médicos veterinários e especialistas em zoonoses no Brasil. Por isso, a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, criada pela Lei nº 12.604/2012, promove a conscientização da população por meio de ações educativas, divulgando informações sobre a doença, suas formas de transmissão e maneiras de preveni-la. Ela é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das enfermidades negligenciadas mais relevantes globalmente. Essa condição afeta, com maior incidência, comunidades em situação de vulnerabilidade social, especialmente entre crianças. Segundo dados da OMS, o Brasil concentra a maior parte dos casos registrados em escala mundial. “Ainda é uma doença negligenciada, tanto pelo poder público quanto pela sociedade em geral. Isso ocorre porque ela atinge, em sua maioria, populações vulneráveis e animais em áreas menos favorecidas. Porém, o número crescente de casos urbanos entre humanos e cães tem mostrado que precisamos tratar essa questão como prioridade sanitária”, explica a infectologista Fernanda Diniz. O contágio ocorre por meio da picada do mosquito-palha, que se infecta ao sugar o sangue de um animal ou pessoa doente e, posteriormente, transmite o parasita a um novo hospedeiro. “Em humanos, a manifestação pode variar da forma cutânea, com lesões na pele, geralmente indolores, mas que causam deformações se não forem tratadas. A visceral se apresenta com febre prolongada, perda de peso, aumento do fígado e baço, anemia e fraqueza generalizada, podendo levar à morte se não for tratada”. “Exames laboratoriais como o PCR e a punção de medula óssea são essenciais para confirmar a infecção. O tratamento da leishmaniose humana é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e inclui o uso de medicamentos”, completa. De acordo com a veterinária Patrícia Lemos, “nos cães, a infecção pode permanecer assintomática por longos períodos, o que contribui para a disseminação silenciosa da doença. Já os sintomas incluem emagrecimento progressivo, crescimento exagerado das unhas, feridas na pele de difícil cicatrização, queda de pelos, lesões oculares e apatia. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Utilizamos exames sorológicos que identificam a presença de anticorpos”. Patrícia ressalta que o cenário é mais complexo nos bichos. “Por muitos anos, o tratamento canino era desestimulado pela legislação brasileira, sob a alegação de que os animais continuariam como fontes de infecção. No entanto, com o surgimento de medicamentos específicos e protocolos mais seguros, o tratamento passou a ser permitido, desde que autorizado por órgãos de vigilância e que os tutores se comprometam a realizar o controle do vetor”. As estratégias de prevenção envolvem uma combinação de ações educativas, controle do vetor, diagnóstico precoce e manejo adequado dos animais. “O uso de coleiras repelentes impregnadas com inseticidas tem se mostrado eficaz na proteção dos cães, assim como vacinas licenciadas no Brasil, que ajudam a reduzir a carga parasitária e a probabilidade de infecção”. Eliminar criadouros do mosquito-palha, como matéria orgânica acumulada em quintais, folhas em decomposição e restos de alimento, é uma medida simples e eficaz. “O papel dos tutores de animais também é decisivo. Fazer um acompanhamento veterinário regular é essencial para conter o avanço da doença. Cães doentes e abandonados acabam se tornando fontes de infecção em áreas públicas e contribuem para o agravamento do problema”, conclui Patrícia.
Minas Gerais atinge 72% das crianças alfabetizadas e supera média nacional

Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Minas Gerais atingiu um índice de alfabetização de 72,07% entre os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Esse resultado coloca Minas na liderança da região Sudeste e na terceira posição no ranking nacional. O Estado ultrapassou a meta nacional de 63,2%, ficando atrás somente do Ceará (85,31%) e de Goiás (72,74%). E também se destacou por eliminar completamente o índice de alunos no nível mais baixo de proficiência, além de aumentar a proporção de estudantes nos níveis considerados adequados e avançados. Em 2023, Minas Gerais estava em sétimo lugar no ranking nacional, com 59,81% das crianças alfabetizadas. O aumento de 12,26 pontos percentuais em comparação ao ano anterior foi o mais expressivo entre todos os estados do país. Além disso, a taxa de participação, que chegou a 88,85%, contribui para a credibilidade e representatividade dos resultados obtidos. No panorama regional, Minas Gerais também se sobressaiu. Com 72,07% de alunos alfabetizados, o Estado ocupa a primeira colocação no Sudeste, à frente do Espírito Santo (71,69%), de São Paulo (58,13%) e do Rio de Janeiro (55,25%). A pedagoga Beatriz Lima destaca que “a adesão total de Minas ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) foi um passo decisivo. Com 100% dos municípios envolvidos e material pedagógico elaborado em rede, foi possível alinhar metodologias e acelerar a alfabetização”. Ela diz que o esforço contínuo nas formações de professores, com webinários, plataforma formativa e Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), criou uma base sólida. “Minas investiu em infraestrutura: ‘cantinhos de leitura’, kits para docentes e feedback constante das avaliações potencializaram o aprendizado. O uso do Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (Simave), sistema de avaliação próprio, alinhado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), permitiu um diagnóstico preciso e ágil. A cada aplicação, gestores e professores podem traçar planos de intervenção imediatos, reduzindo defasagens conforme surgem”, salienta. Para a coordenadora pedagógica Alessandra Diniz, o aumento da taxa de alfabetização traz vantagens concretas como equidade educacional. “Ao zerar índices de proficiência crítica e elevar níveis recomendados e avançados, a rede escolar mineira diminui disparidades e desigualdades internas. A alfabetização precoce também está correlacionada com melhor desempenho nas séries seguintes, mais qualificação e, a médio prazo, maior produtividade por aluno”. Embora o desempenho seja animador, há espaço para melhorias, como uma formação continuada intensiva, avalia Alessandra. “Não basta formar uma vez, é preciso manter ciclos regulares de formação, com acompanhamento e supervisão técnica constante. Além da expansão de tecnologias educativas, plataformas interativas e leitura digital podem acelerar ganhos, especialmente nas áreas mais isoladas”. O foco em práticas investigativas, com a combinação de leitura, escrita, troca entre pares e projetos coletivos torna as crianças mais engajadas e leitores autônomos. Para 2025, a meta nacional do CNCA é atingir 64%, rumo ao objetivo de 80% até 2030. Beatriz ressalta que “a integração das redes municipal e estadual, via Regime de Colaboração, facilita intervenções regionais em áreas com menor desempenho”, e sugere que a utilização mais intensa de tecnologias e avaliação formativa “reduzirá o tempo de recomposição dos alunos que ainda não estão no patamar ideal”.
Exportações do agro mineiro somam R$ 54,5 bilhões

Dados do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostraram que as exportações do agronegócio mineiro totalizaram US$ 9,8 bilhões (aproximadamente R$ 54,5 bilhões) no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Por outro lado, o volume embarcado foi de 8,5 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 9% na comparação anual. Segundo informações da Seapa, Minas Gerais exportou mais de 560 tipos distintos de produtos agropecuários para 169 países. Os principais destinos foram China (25,4%), Estados Unidos (12%), Alemanha (8,1%), Itália (5,5%) e Japão (4,6%). O café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, foi responsável por mais de 56% da receita do setor. As vendas externas da commodity somaram US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 30,6 bilhões), registrando um aumento de 61% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar disso, o total embarcado foi de 13,7 milhões de sacas, o que representa uma queda de 8,8%. Esse resultado indica que o aumento da receita se deveu, principalmente, aos preços historicamente elevados, impulsionados pela oferta global reduzida e pela demanda aquecida em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica. O segmento de carnes, incluindo as variedades bovina, suína e de frango, também se destacou, com exportações que somaram US$ 831,6 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025, um avanço de 16,8%. O volume exportado chegou a 238,6 mil toneladas, representando um crescimento de 4,5%. Para o economista Pedro Ribeiro, “o salto de 18% em receita, mesmo diante de recuo em volume, demonstra o forte impacto da valorização internacional das commodities, especialmente do café e das proteínas animais. A política de cotas e barreiras sanitárias em outros países pressionou preços, e Minas soube aproveitar a oportunidade com oferta qualificada”. A crise logística global segue influenciando custos, mas Minas amadureceu sua infraestrutura, salienta Ribeiro. “Centros de armazenamento, certificações e rotas interiorporto mais eficientes reduziram prazos e perdas, agregando valor aos produtos mineiros”. O engenheiro agrônomo João Figueiredo explica que o governo mineiro atuou com políticas estratégicas. “Incentivo à irrigação, regularização fundiária e assistência técnica robusta. Isso dinamizou a produção, especialmente do café, gerando maior qualidade e volume exportável”. Ele destaca a competitividade global e avanço tecnológico e sustentabilidade como um dos principais benefícios para a economia. “O crescimento reforça o papel de Minas como terceiro maior exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, além disso, a busca por certificações e padrões FIT promove práticas ambientais mais responsáveis, melhor gestão hídrica e valorização das propriedades”. Ribeiro ressalta a geração de empregos e a renda em moeda estrangeira. “O agronegócio continuou sendo o principal motor de desenvolvimento nas áreas rurais, com efeito dominó nos serviços, transporte, armazenagem e segurança alimentar. E a entrada de dólares fortalece as contas externas do país, reduz a pressão sobre o câmbio e garante margem para investimento em infraestrutura”. De acordo com Figueiredo, a expectativa para os próximos meses é grande, mas alguns desafios exigem atenção. “As condições climáticas, tanto em Minas quanto em regiões produtoras da América Latina, podem influenciar o volume disponível para exportação e os estoques globais, especialmente de café, o que favorece preços, mas aumenta a volatilidade”. “Além disso, o cenário cambial e barreiras comerciais, com eventuais tarifas ou reforço de padrões sanitários, podem afetar a dinâmica dos negócios, porém, a demanda global, especialmente por parte da China e Estados Unidos, tende a se manter estável ou crescer, beneficiando o agronegócio brasileiro”, conclui.