Cresce o número de acidentes com motos em Belo Horizonte

Nos últimos seis anos, Belo Horizonte registrou um crescimento de 56,18% nos acidentes envolvendo motociclistas, conforme informações do Painel de Acidentes de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em 2018, foram contabilizadas 13.158 ocorrências, número que subiu para 20.553 em 2024, o que representa, em média, dois acidentes por hora. O único recuo no período foi observado em 2020, ano marcado pelo início da pandemia. A partir de 2021, os índices voltaram a subir significativamente, coincidindo com o início da operação de um serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo na cidade. Em 2025, até o mês de agosto, já foram registrados 12.057 acidentes. Para o engenheiro de transportes Carlos Antunes, o aumento expressivo está diretamente ligado à intensificação do uso das motocicletas como meio de trabalho. “Com a popularização dos aplicativos de entrega e, mais recentemente, de transporte de passageiros, muitos jovens passaram a enxergar na motocicleta uma forma rápida e acessível de gerar renda. No entanto, o crescimento desse mercado não foi acompanhado por políticas públicas de capacitação, fiscalização e infraestrutura voltadas para essa categoria de condutores”. Segundo Antunes, o problema vai além do comportamento individual dos motociclistas. “Estamos falando de uma falha sistêmica. A cidade não está preparada para receber um fluxo tão intenso de motos. Falta sinalização adequada, faixas exclusivas, fiscalização de velocidade e educação no trânsito para todos os atores envolvidos, inclusive motoristas de carros e ônibus que dividem o espaço urbano com os motociclistas”. Para a ortopedista Mariana Lopes, que já atendeu vítimas de acidentes de moto, os ferimentos costumam ser graves. “Quedas em alta velocidade, colisões com carros e atropelamentos geram lesões severas, como fraturas expostas, traumatismos cranianos e amputações. Muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes ou, em casos mais extremos, não resistem”. Ela reforça que o uso inadequado de equipamentos de proteção ainda é um problema recorrente. “É comum vermos motociclistas com capacetes de baixa qualidade ou mal ajustados, sem luvas, jaquetas, botas ou outros itens que poderiam minimizar os impactos em caso de queda. A fiscalização precisa ser mais rigorosa, mas também é necessário investimento em campanhas educativas e em políticas que incentivem a segurança no trabalho desses profissionais”. O poder público deve buscar alternativas para conter os acidentes, destaca Antunes. “É necessário mapear os principais pontos de ocorrência de acidentes com motociclistas para implementar intervenções no trânsito, como melhorias na sinalização e na iluminação pública. Além disso, dialogar com os representantes das empresas de aplicativo para buscar soluções conjuntas, como cursos de direção defensiva e incentivos à manutenção dos veículos”. De acordo com o especialista, um dos maiores desafios é alcançar os motociclistas autônomos. “Muitos trabalham por conta própria e estão fora do radar das empresas ou dos sindicatos. Precisamos criar mecanismos que os incluam nas políticas públicas e ofereçam suporte técnico e educacional para que possam atuar com mais segurança”. Além das ações locais, Antunes defende uma política nacional voltada para os motociclistas, com regulamentação clara do transporte por aplicativo em duas rodas, linhas de financiamento para equipamentos de segurança e programas de educação no trânsito nas escolas e nos centros de formação de condutores. Essas medidas visam reduzir acidentes e valorizar a categoria. “Enquanto as soluções não chegam, o número de acidentes continua crescendo, deixando cicatrizes profundas não apenas nas vítimas e suas famílias, mas em toda a sociedade. O que antes era visto como um meio de locomoção ágil e econômico, agora se revela um dos maiores desafios para a segurança no trânsito de Belo Horizonte e de várias outras cidades brasileiras”, conclui.
Construção e imóveis devem alcançar R$ 417 bilhões até o final deste ano

Vivendo uma fase bastante positiva, os segmentos de construção civil e mercado imobiliário devem gerar, em conjunto, uma movimentação próxima de R$ 417 bilhões no Brasil até o fim deste ano, conforme estimativa da pesquisa IPC Maps. De acordo com o estudo, os lares brasileiros devem investir mais de R$ 287 bilhões em itens como materiais de construção e serviços de reforma. Já a compra de imóveis deve representar cerca de R$ 130 bilhões desse total. O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, sendo responsável por quase R$ 118,5 bilhões dos gastos no setor. Na sequência aparecem o Paraná, com R$ 48,2 bilhões, seguido por Minas Gerais, que alcança R$ 42,2 bilhões, e o Rio de Janeiro, ocupando a quarta colocação, com R$ 27,7 bilhões em despesas no segmento. Em contrapartida, o ritmo de abertura de empresas na área tem sido mais contido. Segundo dados da sondagem, entre 2024 e o momento atual, foram criadas 48.561 novas unidades, representando um crescimento de 2,2%. Com isso, o total de estabelecimentos no país chega a 2.244.855. Apesar desse avanço, chama a atenção o fechamento de empresas, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que apresentaram uma queda de 6,5% no comércio varejista e uma retração de 0,8% no setor da construção civil. “A redução dos juros torna o crédito mais acessível à população. Com parcelas menores e condições mais flexíveis, mais pessoas conseguem realizar o sonho da casa própria. Além disso, há uma forte movimentação no setor de reformas e construções particulares, puxada pelo crescimento da renda média em algumas regiões do país”, explica a economista Cláudia Neves. Outro motor importante desse crescimento é a retomada de programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que voltou a ganhar força com subsídios ampliados e parcerias com construtoras de médio e pequeno porte. De acordo com a economista, o impacto disso é duplo. “Por um lado, ajuda famílias de baixa renda a acessar moradias dignas, por outro, gera empregos diretos e indiretos, movimentando uma extensa cadeia produtiva. Quando uma obra começa, não é só a construtora que se beneficia. A economia local se aquece: são vendidas refeições, contratados pedreiros, eletricistas, encanadores, há aumento de consumo de materiais como cimento, aço, tintas, pisos, madeira, entre outros”, ressalta. Um fenômeno observado é a descentralização do crescimento. Enquanto os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte continuam a atrair investimentos, as cidades médias do interior têm apresentado boas taxas de crescimento nos setores de construção e mercado imobiliário. “O custo de vida mais baixo, os incentivos fiscais locais e a qualidade de vida estão atraindo não só moradores, mas também incorporadoras e investidores. Municípios como Franca (SP), Maringá (PR), Campina Grande (PB) e Joinville (SC) estão vendo um boom de empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais”, destaca o especialista em mercado imobiliário, Rafael Macedo. Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que manter essa curva ascendente exigirá planejamento de longo prazo, estabilidade econômica e estímulo à inovação. A burocracia, o excesso de tributos e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são desafios estruturais que impedem o crescimento mais acelerado. Para Cláudia, é fundamental que governos e iniciativa privada caminhem juntos para promover ambientes regulatórios mais previsíveis e seguros. “O investidor precisa de confiança para aplicar seus recursos. Incentivar parcerias público- -privadas, desburocratizar licenças e ampliar o acesso a linhas de financiamento são caminhos essenciais”. A sustentabilidade nas construções é outro ponto importante citado. “Incorporadoras têm investido cada vez mais em projetos sustentáveis, com uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e materiais de baixo impacto ambiental. Há um público crescente interessado em imóveis com certificações verdes. É uma tendência que agrega valor ao imóvel e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Macedo.
10% dos idosos no Brasil já sofreram algum tipo de violência

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e revelou a gravidade da violência contra idosos no Brasil. Cerca de 10% deles relatam ter sofrido algum tipo de agressão. Entre os tipos, a psicológica foi a mais recorrente (9,63%), seguida pela física (1,56%). Os fatores mais associados à violência foram: idade entre 60 e 69 anos, viver em áreas urbanas, sintomas depressivos e presença de múltiplas doenças. A ausência de parceiro íntimo se mostrou um fator de risco para a violência entre idosas, diferindo do perfil de mulheres mais jovens. A taxa de violência entre mulheres em áreas urbanas chegou a 11,55%, frente a 7,63% nas zonas rurais. Entre os homens, essa diferença foi menor: 9,07% nas cidades e 7% no campo, indicando maior vulnerabilidade feminina em contextos urbanos. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a responsável pelo estudo, a pesquisadora Fabiana Martins Dias de Andrade. Você acredita que a sociedade reconhece plenamente o que é violência contra esse grupo? A sociedade ainda não reconhece plenamente o que é violência contra as pessoas idosas. Embora existam legislações, ações e ampliação do debate público sobre a temática, muitos tipos de violência ainda são invisibilizados, seja por falta de conhecimento ou até mesmo por naturalização desse evento na sociedade. Quais são os principais impactos físicos e psicológicos na vida de uma pessoa idosa que sofre agressão? A violência contra a pessoa idosa pode causar inúmeras consequências físicas e psicológicas, o que pode agravar as condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Podemos destacar as lesões corporais como hematomas, fraturas, queimaduras, cortes e escoriações. Também existe o comprometimento da mobilidade (quedas provocadas por agressões ou negligência podem levar à perda de independência), além de desnutrição, desidratação e complicações médicas devido à falta de cuidados. Em relação aos efeitos psicológicos, depressão, ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, insônia, declínio cognitivo e até mesmo ideação suicida. Como sintomas depressivos e multimorbidades contribuem para a exposição à violência? Os sintomas depressivos e as multimorbidades (presença de duas ou mais doenças crônicas em uma mesma pessoa) contribuem para o aumento significativo da vulnerabilidade da pessoa idosa à violência. A depressão causa sentimentos de isolamento e apatia, reduzindo a capacidade do idoso de reagir ou denunciar a agressão. Já as multimorbidades aumentam a dependência física e emocional de cuidadores, tornando o idoso mais vulnerável a negligências e as demais formas de violência. A subnotificação é um problema comum nesse tipo de crime? Sim, o tema da violência é estigmatizado. Os idosos têm vergonha e medo de denunciar por depender da pessoa (geralmente, o agressor é um familiar ou cuidador). Já nos serviços de saúde, os profissionais ficam com receio devido ao medo de represálias. Quais medidas concretas poderiam ser tomadas a partir dos resultados desse estudo? Diversas medidas podem ser adotadas para enfrentar a violência contra idosos, como o desenvolvimento de políticas públicas que reduzam desigualdades sociais e de gênero, além da ampliação e qualificação dos serviços de assistência social. É essencial criar centros de acolhimento temporário para vítimas em risco, implementar programas de visitas domiciliares regulares a idosos vulneráveis e promover campanhas de conscientização sobre etarismo e relações intergeracionais.
BH recebe Etapa Primavera do Circuito das Estações

No dia 7 de setembro, Belo Horizonte será palco de mais uma edição do Circuito das Estações – Etapa Primavera, considerado o maior circuito de corridas de rua do planeta. A largada está marcada para às 7h, na Nova Praça da Pampulha, com três opções de trajeto: 5 km, 10 km e 18 km. Os três primeiros colocados de cada categoria, tanto no masculino quanto no feminino, serão homenageados com troféus. Além disso, todos os participantes terão a chance de avançar mais um degrau na conquista da Mandala 2025, ao completarem a terceira peça do desafio, um emblema que representa persistência, comprometimento e paixão pela corrida. Há 18 anos, o Circuito das Estações se consolidou como um dos principais nomes da corrida de rua no Brasil. Com etapas distribuídas por 21 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Curitiba e Manaus, o evento se destaca não apenas pelo seu alcance, mas também por ser considerado o maior circuito de corridas do mundo. Além da competição esportiva, também funciona como uma plataforma estratégica de conexão entre marcas e um público engajado, influente e apaixonado por esportes. Dividido em quatro etapas temáticas (Verão, Outono, Inverno e Primavera), o evento simboliza um ciclo contínuo de superação e evolução pessoal, oferecendo aos corredores uma experiência imersiva ao longo do ano. Mais do que reunir milhares de atletas amadores e profissionais, o Circuito das Estações tem como missão fomentar a prática da corrida e incentivar hábitos saudáveis de vida. A Etapa Primavera do Circuito das Estações oferecerá uma estrutura completa para garantir conforto e segurança aos participantes, incluindo pontos estratégicos de hidratação, atendimento médico, entrega de kits exclusivos aos inscritos e uma arena interativa com diversas atrações. Mais do que uma corrida, o evento proporciona um ambiente perfeito para quem deseja desafiar seus próprios limites, traçar novos objetivos e se envolver na atmosfera vibrante de um dos eventos mais tradicionais do esporte no Brasil, que há quase 20 anos inspira corredores em todo o país. Segundo Matheus Falconi, head de comunicação da Norte Marketing Esportivo, a expectativa é de um evento cheio, com cerca de 8 mil participantes. “Seguindo o que foi as outras etapas, e as tendências de corridas de rua no Brasil, onde as pessoas estão se interessando cada vez mais em participar. A mensagem é de que é uma grande experiência fazer parte do evento, sendo iniciante, intermediário ou avançado, o importante é competir e se superar”. Linha de chegada Para muitos participantes, a corrida representa muito mais do que cruzar a linha de chegada. É o caso da administradora Luciana Campos, 42 anos, que pretende completar seu primeiro percurso de 10 km. “Comecei a correr no início do ano por recomendação médica. Tinha hipertensão, vivia estressada, com sobrepeso. Hoje, nove meses depois, eliminei 12 quilos, controlei minha pressão e, o mais importante, redescobri o prazer de cuidar de mim mesma. Terminar essa prova vai ser um desafio e uma grande conquista para mim”. “Belo Horizonte vem se consolidando cada vez mais como uma cidade amiga dos corredores. Além do Circuito das Estações, a capital recebe diversas outras provas ao longo do ano, como a Volta Internacional da Pampulha e a Meia Maratona Internacional de BH. A geografia diversa, os espaços abertos e o envolvimento da comunidade fazem da cidade um cenário ideal para eventos desse porte”, destaca Luciana. As inscrições já estão abertas, mas as vagas são limitadas, por isso, é bom se antecipar para garantir a sua participação. Para se inscrever e conferir todos os detalhes, basta acessar o site www. circuitodasestacoes.com.br. Os kits estão disponíveis a partir de R$ 179,99 e prometem completar a experiência com exclusividade e qualidade. A retirada acontecerá entre os dias 4 e 6 de setembro, a partir das 10h, na loja Decathlon BH Sul (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1700). Para a retirada, é necessário apresentar o comprovante de inscrição e um documento oficial com foto do participante inscrito.
Virada Cultural se consolida como um dos maiores eventos urbanos do Brasil

A 10ª edição da Virada Cultural de Belo Horizonte, realizada nos dias 23 e 24 de agosto, marcou um momento significativo na trajetória do festival, reforçando sua posição como um dos principais eventos urbanos do Brasil. Com o slogan “Vem Virar BH”, a iniciativa propôs um convite à interação e ao envolvimento com a cidade. A resposta do público foi expressiva: mais de 450 mil pessoas participaram de mais de 24 horas de programação gratuita e ininterrupta. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 43% no número de participantes e de 70% nas atrações oferecidas. Ao todo, 391 atrações artísticas foram realizadas em 26 locais distintos da cidade. Mais de 1.500 artistas da cena local deram vida a uma programação diversa, reunindo expressões variadas como shows, performances, intervenções, celebrações populares e manifestações culturais que tomaram conta da região com muita energia. As ações foram viabilizadas por meio da colaboração de 50 entidades e instituições ligadas à arte e à cultura, incluindo Funarte, Mira, Sesc Tupinambás, Mirante Acaiaca, Feira da Afonso Pena e o cura.art (responsável por intervenções a céu aberto na Praça Raul Soares). Com um investimento direto estimado em aproximadamente R$ 5 milhões, o evento movimentou amplamente a economia da cidade, fortalecendo o setor cultural e suas cadeias produtivas. A expectativa é de que tenham sido gerados mais de 100 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos. Para viabilizar a realização, mais de 100 prestadores de serviços foram contratados, abrangendo áreas como som, iluminação, logística, comunicação, entre outras, o que evidencia a expressiva movimentação econômica proporcionada pela iniciativa. O produtor cultural Rafael Lacerda destacou que “a Virada Cultural se configura como uma ferramenta essencial de políticas públicas, porque leva cultura de maneira ampla, plural e gratuita para a cidade. Não se trata apenas de shows musicais, mas de ocupação criativa e democrática do espaço público, fomentando identidade, pertencimento e participação”. Já a professora de artes visuais Cecília Santana complementou que a democratização da cultura não acontece apenas pela derrubada de barreiras de acesso. “A gratuidade é um passo, mas a verdadeira democratização advém da criação de programação diversa, que atenda etnias, gerações, linguagens artísticas, tradições locais e diálogos entre o urbano e o periférico. Essa Virada Cultural foi exemplar nesse quesito”. A importância do investimento público vai além de levar cultura à população: propicia também desenvolvimento econômico, formação de novos artistas, fomento a empresas criativas e valorização das tradições locais. Cecília ressalta que o evento dinamiza a economia criativa da cidade. “Ao financiar artistas locais, técnicos, artesãos, funcionários de infraestrutura e fornecedores de serviços, o poder público atua como vetor de geração de renda”. Lacerda explica que os desafios persistem. “A circulação noturna, segurança, acessibilidade, limpeza e sinalização são alguns pontos de alerta. Ainda assim, boa parte das críticas vem acompanhada de sugestões construtivas, o que demonstra o engajamento e interesse da população”. De acordo com o profissional, essa edição da Virada Cultural 2025 escancarou, com arte, debate e ocupação, que cultura é combustível da democracia. “Quando o poder público abraça e executa uma programação cultural massiva, gratuita, descentralizada e plural como a Virada, está plantando as sementes de uma sociedade mais criativa, inclusiva e solidária”, conclui.
Salário de 54% dos trabalhadores não dura até o fim do mês

U ma pesquisa conduzida pela SalaryFits, empresa vinculada à Serasa Experian, revelou que neste ano, 54% dos profissionais com carteira assinada ou atuando como Pessoa Jurídica (PJ) não conseguem manter o salário até o fim do mês em sua conta bancária, evidenciando dificuldades na saúde financeira e no bem-estar dos trabalhadores brasileiros. O índice registrado em 2025 é o mais baixo desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2018. No ano anterior, 62% dos trabalhadores afirmavam que o salário não durava até o fim do mês, o que representa uma redução de oito pontos percentuais neste ano. Mesmo com essa melhora, a proporção de brasileiros que não consegue cobrir todas as despesas mensais com a renda ainda continua alta. O levantamento entrevistou 1.029 profissionais atuantes em empresas públicas e privadas, tanto sob o regime CLT quanto PJ, e revelou dados alarmantes. Segundo os resultados, 75% dos participantes não teriam condições financeiras de lidar com um gasto inesperado de R$ 10 mil. Além disso, 66% relataram ter enfrentado dificuldades econômicas nos últimos cinco anos, e 33% chegaram a ter o nome negativado no último ano, sendo que, entre esses, 17% ainda enfrentam pendências financeiras. De acordo com a pesquisa, a maior parte da renda dos brasileiros com o orçamento comprometido é direcionada a necessidades básicas, como alimentação (77%) e contas essenciais, como água e energia elétrica (71%). Em seguida, aparecem compromissos considerados menos urgentes, como financiamentos de imóveis e automóveis (52%), empréstimos pessoais (36%), compras de roupas e itens domésticos (33%) e despesas com educação (20%). A consultora financeira Júlia Almeida, especialista em finanças pessoais, analisa que o dado é reflexo de uma crise que vai muito além da má gestão individual. “Estamos vivendo um momento em que o salário simplesmente perdeu poder de compra. A inflação acumulada nos alimentos, no aluguel, no combustível e até nas contas básicas, como energia e água, está muito acima dos reajustes salariais dos últimos anos”. Ela afirma que muitas famílias estão entrando em um ciclo de dívidas rotativas no cartão de crédito, uso excessivo do cheque especial e empréstimos com juros altos para cobrir despesas básicas. “O trabalhador precisa se endividar para pagar o supermercado. Isso é sintomático, o problema não é só falta de educação financeira, é falta de renda suficiente para sustentar o básico”. Os profissionais que atuam como PJ, cada vez mais comuns em áreas como tecnologia, comunicação e prestação de serviços, também enfrentam dificuldades. O modelo promete flexibilidade e ganhos maiores, mas na prática, muitos desses trabalhadores não têm qualquer proteção trabalhista, como décimo terceiro salário, férias remuneradas ou fundo de garantia. Para o economista Renato Duarte, há uma romantização em torno da “liberdade” de ser PJ. “A verdade é que a pejotização é uma forma de burlar os direitos trabalhistas. O profissional se vê obrigado a aceitar condições instáveis, sem garantias, com pagamentos que muitas vezes atrasam. Isso torna o planejamento financeiro quase impossível”. “O descompasso entre renda e despesas não afeta apenas o bolso, também traz consequências para a saúde mental. Ansiedade, estresse crônico e insônia são cada vez mais comuns entre trabalhadores endividados. As pessoas se culpam por não conseguirem administrar o próprio dinheiro, mas estão fazendo milagres para sobreviver”, destaca. Júlia sugere algumas orientações para quem deseja começar a organizar melhor o orçamento. “O primeiro passo é manter um controle detalhado dos gastos, anotando todas as entradas e saídas da conta, a fim de entender para onde o dinheiro está indo. Em seguida, é importante priorizar o essencial, categorizando os gastos como indispensáveis, importantes ou supérfluos, e concentrando-se no que realmente é necessário até que as finanças estejam equilibradas”. “Criar uma reserva financeira, ainda que modesta, guardando pelo menos 5% da renda, mesmo que seja em um cofre físico, para não depender de crédito em situações emergenciais. Por fim, ficar alerta com os riscos de parcelamentos longos que podem comprometer o orçamento futuro, optando por pagamentos à vista sempre que possível, aproveitando para negociar descontos”, conclui.
Violência sexual faz uma menina virar mãe a cada 30 minutos

Segundo dados do DataSUS do Ministério da Saúde, entre 2014 e 2023, a cada meia hora, uma criança deu à luz no Brasil. A média foi calculada a partir da quantidade de nascimentos em que a gestante tinha de 10 a 14 anos de idade. Por ano, cerca de 20 mil meninas viraram “mães”, mas poderiam ter interrompido a gestação legalmente, por terem sido vítimas de estupro de vulnerável, como prevê o Código Penal brasileiro quando a relação sexual envolve menores de 14 anos. O projeto Meninas Mães, da Revista AzMina, traçou um levantamento inédito no Brasil, revelando que os serviços de interrupção legal da gravidez estão, em muitos casos, extremamente distantes das meninas de 10 a 14 anos que engravidam. Como consequência, nos últimos dez anos, cerca de 205 mil meninas tornaram-se mães por não conseguirem exercer o direito ao aborto após estupros presumidos. Algumas precisariam viajar até 2.500 km para alcançar uma unidade de saúde que ofereça esse tipo de atendimento. A ginecologista e obstetra Helena Moura aponta que esse fenômeno não é isolado. “As meninas engravidam como consequência direta de estupro de vulnerável, muitas vezes cometido por familiares ou pessoas de confiança. Em regiões remotas, sem estrutura de saúde ou sem conhecimento da lei, o resultado é uma gravidez imposta, sem qualquer apoio ou direito respeitado”. Na avaliação de Helena, a geografia da dor é clara: meninas negras, indígenas e pobres, especialmente no Norte e Centro-Oeste, estão entre as mais afetadas. “Nas áreas rurais e periferias, a falta de acesso à educação sexual, à saúde e à justiça potencializa o risco. Muitas vítimas sequer sabem que podem interromper a gravidez em caso de estupro, direito garantido por lei”. “Maternidade imposta a uma criança é um desastre. O corpo não está preparado, o risco de complicações obstétricas e psicológicas é enorme e há aumento de morbimortalidade, depressão profunda, retraimento social e ainda a carga insuportável de cuidar de outro ser”, adiciona. Uma pesquisa elaborada pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio da organização Umane, verificou mais de 1 milhão de partos do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos de 2020 a 2022 e constatou que meninas nessa situação têm acesso reduzido ao pré-natal, e em até 40% dos casos, o cuidado só começa após o primeiro trimestre, e isso se agrava conforme a vulnerabilidade socioeconômica. Além das consequências severas para essas vítimas, como danos emocionais, hiperexposição sexual precoce, distúrbios mentais e, posteriormente, maior risco de uso de substâncias e comportamento de risco. De acordo com a assistente social Camila Lima, seria necessário operar em três frentes ao mesmo tempo: prevenção via educação sexual acessível, acolhimento emergencial eficaz e responsabilização real. “Sem essas engrenagens funcionando, vamos apenas perpetuar essa violência”. Algumas medidas citadas pela profissional são a ampliação e divulgação da Lei do Minuto Seguinte, que garante atendimento emergencial multidisciplinar gratuito às vítimas de violência sexual. Isso inclui profilaxia, apoio psicológico e social, orientações legais, sem necessidade de boletim de ocorrência. Também a implementação em todo o país da Rede Cegonha com foco em meninas vítimas de violência, oferecendo acesso seguro ao parto ou interrupção da gestação conforme a lei, acompanhamento pré-natal, suporte psicológico e garantia de continuidade escolar e social. “Educação sexual desde a infância, com programas adequados às faixas etárias, capacitação de professores e envolvimento da família, para prevenir abusos e empoderar crianças a identificarem situações de risco, juntamente com políticas integradas nas regiões remotas, com uso de unidades móveis de atendimento (ônibus, barcos, telemedicina), para levar serviços de saúde, assistência social e jurídica onde o Estado ainda não chega”, finaliza Camila.
Casos de hepatite A aumentam em várias regiões brasileiras

O Brasil tem registrado uma preocupante alta nos casos de hepatite A. Dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostraram que, em 2024, o número de infecções saltou 54,5% em relação ao ano anterior, passando de cerca de 1,1 para 1,7 caso por 100 mil habitantes. Em algumas regiões, como Centro-Oeste, o aumento chegou a 350%, enquanto no Sudeste foi de mais de 57%, e no Sul cerca de 50%. Apesar disso, Norte e Nordeste continuam concentrando a maioria dos casos acumulados desde 2000. Esse cenário gera preocupação entre autoridades sanitárias, principalmente porque esse aumento ocorre em um contexto em que a doença havia sido amplamente controlada na infância. Desde 2014, a vacina contra hepatite A faz parte do calendário nacional infantil, o que causou queda nos casos entre crianças, uma redução de mais de 97% entre menores de 5 anos, e de mais de 99% entre aqueles com até 9 anos. “A hepatite A é transmitida pela via fecal-oral, ou seja, ingestão de água ou alimentos contaminados e contato com ambientes ou pessoas infectadas. A falta de saneamento básico e higiene ainda é um problema sério em muitas regiões, especialmente nas periferias das grandes cidades. Além disso, em populações adultas, práticas sexuais sem proteção vêm sendo identificadas como fatores importantes de transmissão”, explica o epidemiologista Eduardo Salgado. Ele salienta que a doença costuma começar com sintomas inespecíficos, como fadiga, mal-estar, febre e dores musculares. “Podem surgir náuseas, vômito, dor abdominal, diarreia ou constipação. A urina escura costuma anteceder a icterícia (pele e olhos amarelados), o período de incubação varia entre 15 e 50 dias, e os sintomas geralmente duram menos de dois meses”. Segundo a infectologista Beatriz Menezes, o diagnóstico se dá por exame de sangue, que detecta anticorpos anti-HAV IgM, indicando infecção recente. A presença de IgG, por sua vez, sinaliza imunidade prévia (por infecção passada ou vacinação). “Não existe um tratamento específico. O foco é aliviar sintomas, manter hidratação, nutrição adequada e repouso. Hospitalização só é necessária em casos de insuficiência hepática grave, o que é raro, e é importante evitar a automedicação, especialmente com substâncias tóxicas ao fígado”. A médica destaca que a vacinação é a principal estratégia. “No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é em dose única podendo ser aplicada nas crianças de 12 meses e menos de 5 anos. Adultos em grupos de risco (portadores de HIV, hepatopatias, imunossuprimidos, entre outros) podem receber duas doses nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) com intervalo mínimo de 6 meses”. “Além disso, o uso de preservativos, a higienização das mãos, genitália e região anal antes e depois das relações sexuais, são muito importantes para evitar contágio por via oral-anal. A higiene pessoal também é importante, lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de preparar alimentos; higienizar frutas, verduras e utensílios; utilizar água tratada; evitar locais com esgoto exposto ou água contaminada; e cozinhar bem mariscos, peixes e carne suína”, conclui Beatriz. Com o aumento de 54,5% nos casos em 2024, sobretudo entre adultos jovens, especialmente homens de 25 a 29 anos, e com maiores incidências no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as autoridades reconhecem que o comportamento humano, mudanças nos padrões de exposição e a falta de imunização em adultos são fatores-chave. Enquanto isso, idosos enfrentam risco elevado de evolução para formas graves, entre os 27 óbitos registrados em 2024, a maioria ocorreu em pessoas com 60 anos ou mais. Para combater esse aumento, as campanhas de saúde pública enfatizam a importância da vacina infantil (com baixa cobertura em algumas regiões), da ampliação da oferta vacinal nos CRIE para adultos, e da promoção de higiene básica e saneamento. “Não podemos esperar que o surto volte a ser um pesadelo infantil, precisamos ampliar a imunização adulta e urgente”, afirma Salgado.
Minas Gerais revisa cortes e destina verba para abastecer viaturas

Após receber críticas pelo corte no fornecimento de combustível para as viaturas policiais, o Governo de Minas Gerais resolveu revisar as medidas de contenção de despesas na Polícia Militar. Como resultado, foi anunciada a liberação de um adicional de R$ 5 milhões para garantir o abastecimento dos veículos da corporação. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Comissão de Segurança Pública promoveu a reunião por iniciativa de seu presidente, o deputado Sargento Rodrigues (PL), que expressou críticas ao fato de a revisão dos cortes orçamentários ainda não contemplar a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (CBMMG). Segundo Gomes, estão em curso negociações com a Polícia Civil para analisar a possibilidade de reavaliar os cortes realizados. “Estamos em tratativas com a Polícia Civil para avaliar a real necessidade. A situação financeira do Estado não é fácil e não é à toa que fizemos esse contingenciamento de R$ 1 bilhão”. Túlio Gonzaga, superintendente central de Planejamento e Orçamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), afirmou que, até o momento, não foi realizada nenhuma avaliação específica em relação ao Corpo de Bombeiros. “O CBMMG ainda não entrou em contato com a gente, mas se for necessário a gente vai avaliar”. “Será que não tem consciência do que isso está causando lá na ponta da linha, o estrago?”, questionou o deputado Sargento Rodrigues, destacando que a escassez de combustível compromete o desempenho das atividades investigativas da Polícia Civil. Ele acrescentou que é inaceitável que o Corpo de Bombeiros seja impedido de atender ocorrências de incêndios ou outras emergências devido à ausência de combustível. “Não dá para aceitar passivamente que o cidadão que paga imposto não tem uma viatura para atendê-lo. Isso tem influenciado o avanço das organizações criminosas em nosso Estado”. Rodrigues observou que facções criminosas vindas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho, antes ausentes em Minas Gerais, atualmente exercem forte influência em várias comunidades de Belo Horizonte, entre elas Cabana do Pai Tomás, Serra e Morro das Pedras. Em 2025, o governador determinou a todas as áreas da administração estadual a adoção de um corte geral de despesas, por meio de um decreto de contingenciamento. A medida seguiu recomendação do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), que atua como órgão de apoio na formulação e execução das políticas orçamentárias, financeiras, de gestão e de recursos humanos do governo. No entanto, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, esclareceu que a decisão do Cofin se limitou à determinação do corte geral de despesas, cabendo a cada gestor de órgão definir como os ajustes seriam aplicados internamente. “Não temos capacidade de tratar neste nível de detalhamento”. Sargento Rodrigues afirmou que o governo deve dialogar com os responsáveis pelos órgãos de segurança para reconhecer que houve uma falha na definição das prioridades para os cortes orçamentários. “Ou o governo não conversou com eles, ou eles estão tomando uma decisão que vai colocar o governo na fogueira”. O deputado contestou o secretário da Fazenda, ressaltando que os benefícios fiscais concedidos pelo governo às grandes empresas em 2025 somam R$ 25,2 bilhões. Ele questionou Luiz Cláudio Gomes sobre a possibilidade de revisar essas isenções, ao invés de impor cortes em programas públicos fundamentais. Gomes defendeu a manutenção dos benefícios fiscais. “É uma política pública de geração de emprego e investimento no Estado, e estruturante que não deve ser modificada por falta de dinheiro. A gente não pode demonizar o benefício fiscal”. Ele ressaltou ainda que a guerra fiscal entre os estados e os benefícios associados a ela devem ser eliminados até 2032, devido à reforma tributária, destacando a importância de atrair empresas durante os próximos sete anos. “É o momento de atrair as empresas aqui para Minas Gerais, pois nós achamos que, depois que elas se estabelecem, elas ficam”.
841 toneladas de lixo foram retiradas da Lagoa da Pampulha até julho

Entre janeiro e julho deste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recolheu 841 toneladas de resíduos da Lagoa da Pampulha. O levantamento, feito pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), abrange a limpeza do espelho d’água, além de serviços de roçagem, conservação do gramado na orla e manutenção das pistas destinadas a ciclistas e pedestres. Em períodos de estiagem, a quantidade de lixo flutuante na Lagoa da Pampulha costuma girar em torno de cinco toneladas diárias, podendo chegar a até dez toneladas nos meses de chuva. Somente entre janeiro e abril, cerca de 597 toneladas foram removidas do local. A quantidade de lixo recolhida é sintoma de um problema crônico que vai além da coleta de resíduos visíveis. O mau cheiro característico em determinados pontos da lagoa, especialmente durante os meses mais quentes, e o aspecto turvo da água denunciam a poluição orgânica e química acumulada ao longo das décadas, agravada por ligações clandestinas de esgoto e o escoamento de resíduos urbanos que chegam pelos afluentes da bacia da Pampulha. Para o engenheiro ambiental Marcelo Dutra, os números de resíduos retirados são alarmantes e indicam que o esforço atual é apenas paliativo. “A limpeza manual e mecânica da superfície é importante, sim, mas não resolve o cerne da questão. O que estamos vendo é um trabalho de contenção, que retira o lixo visível, mas o problema principal está no fundo da lagoa e nos córregos que a alimentam, que continuam trazendo esgoto e lixo”. A aplicação de oxigênio nas águas da Lagoa da Pampulha surge como uma possível alternativa para recuperar a qualidade ambiental. O método foi debatido recentemente na Câmara Municipal, e já foi adotado em iniciativas de despoluição do Rio Pinheiros, em São Paulo, e do Córrego Joana, no Rio de Janeiro. Moradores da região demonstram otimismo com a possibilidade de melhorias, mas especialistas alertam que, sem o fim do despejo de esgoto na lagoa, os resultados serão limitados. Dutra ressalta que a recuperação plena da Lagoa demanda ações integradas e de longo prazo. “A primeira etapa crucial seria a despoluição dos afluentes, como os córregos Ressaca e Sarandi, principais responsáveis pela carga de poluição que chega à lagoa. É preciso investir em interceptores de esgoto mais eficientes, ampliar a fiscalização das ligações irregulares e, principalmente, promover educação ambiental junto à população. A lagoa reflete o que acontece no entorno. Se o bairro joga lixo na rua, ele vai parar ali”. Além disso, a drenagem urbana inadequada e o excesso de sedimentos que chegam à Pampulha também impactam diretamente na qualidade da água. Com o passar do tempo, esses sedimentos se acumulam no fundo da lagoa, contribuindo para o assoreamento e criando condições ideais para a proliferação de algas, que, por sua vez, intensificam o mau cheiro. De acordo com a bióloga Carla Nunes, uma das estratégias mais promissoras para o médio prazo seria o uso de biorremediação, técnica que utiliza organismos vivos, como bactérias e plantas aquáticas, para degradar a matéria orgânica e reduzir os poluentes na água. “Esse tipo de intervenção pode ajudar a melhorar a qualidade da água de forma sustentável, especialmente se for combinado com dragagem dos pontos mais críticos de assoreamento”. Ela também destaca a importância de zonas de amortecimento ecológico, como faixas verdes ao redor da lagoa, que ajudam a filtrar a água das chuvas antes que ela entre diretamente na bacia. “Plantas nativas podem atuar como filtros naturais. Além disso, promovem a biodiversidade e ajudam na estética do local, tornando a lagoa mais atrativa”. É preciso um plano de recuperação ambiental sólido, com metas claras e envolvimento de toda a cidade para garantir que a lagoa não seja apenas um retrato bonito escondendo águas poluídas.