Estudo indica que tarifa zero em BH pode pressionar reajuste da passagem

Um levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) indica que as despesas geradas pela oferta de transporte público gratuito aos domingos e feriados em Belo Horizonte tendem a ser consideradas no cálculo do reajuste anual da tarifa. O estudo avalia os eventuais efeitos positivos e negativos da medida de gratuidade no sistema de transporte da capital mineira, anunciada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Segundo o instituto, “provavelmente, esse valor gratuito vai ser rateado pela população com um possível aumento de preço, nas revisões tarifárias anuais, que pode ser acima do esperado”. A tarifa do transporte coletivo passou por seu reajuste mais recente em 1º de janeiro de 2025, quando houve um acréscimo de R$ 0,50, elevando o valor base para R$ 5,75 e colocando Belo Horizonte no topo do ranking entre as capitais da região Sudeste. Apesar disso, a Superintendência de Mobilidade (Sumob) esclareceu que os custos relacionados à gratuidade serão assumidos pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do mecanismo de remuneração complementar. Para o economista Renato Duarte, “a gratuidade representa um ganho social importante, mas seu impacto orçamentário não pode ser ignorado. Se a prefeitura não ampliar outras fontes de receita, há uma tendência real de que o valor da tarifa em dias úteis aumente, para equilibrar as contas do sistema”. Pontos positivos O estudo do Ipead destaca dois aspectos favoráveis da iniciativa. A população de menor renda passa a ter acesso ao transporte coletivo sem comprometer o orçamento doméstico. Além disso, a medida beneficia trabalhadores autônomos, que deixam de assumir os custos de locomoção aos domingos e feriados em Belo Horizonte. O levantamento ainda projeta que a iniciativa pode alcançar mais de 12,652 milhões de usuários, quantidade correspondente às pessoas que utilizaram o transporte coletivo nos dias em que houve gratuidade ao longo de um período de doze meses. O relatório levou em conta dados da Prefeitura de Belo Horizonte de novembro de 2024 a outubro deste ano. A socióloga Andreia Lima vê a gratuidade como um avanço social significativo. “Reduzir o gasto das famílias com transporte, mesmo que só aos domingos e feriados, é um grande alívio para quem vive com orçamento apertado. Significa mais acesso a atividades culturais, visitas a familiares, oportunidades de emprego informal e lazer, o que pode gerar efeitos positivos na economia local”. Financiamento Duarte acredita que existem alternativas além do reajuste direto da tarifa. “Podemos ampliar incentivos fiscais para empresas que investirem em tecnologia e eficiência do sistema de ônibus. Também é possível explorar outras fontes de financiamento, como parcerias público-privadas, receitas de publicidade em ônibus e terminais, e até fundos setoriais que não onerem diretamente o usuário”. Outra possibilidade em discussão é ampliar a remuneração complementar paga pela prefeitura, ou seja, um subsídio mais robusto ao transporte coletivo. “Essa estratégia poderia evitar que o sistema transfira integralmente os custos para os passageiros, embora isso dependa diretamente da capacidade fiscal do município e do apoio de outras esferas governamentais”, ressalta. O diálogo entre governo, setor privado e sociedade civil será fundamental, afirma Duarte. “O transporte gratuito aos domingos e feriados tem um potencial enorme de inclusão e justiça social, mas sua sustentabilidade financeira requer criatividade. Modelos de financiamento mistos, que equilibrem subsídios públicos com eficiência operacional, podem ser o caminho para que o benefício não se transforme em um peso insustentável para a população”.

48,8% das mulheres já sofreram algum tipo de violência on-line

Dados de uma pesquisa recente da KPMG indicam que quase metade das mulheres entrevistadas (48,8%) já foi vítima direta ou testemunha de episódios de violência em ambientes digitais, sendo 17,1% como alvo e 31,7% como observadoras. Entre as práticas mais recorrentes estão a criação de perfis falsos ou personificação indevida (55%), manifestações de ódio (45%) e difamação (35%), praticadas majoritariamente por desconhecidos (76,5%), mas também por colegas de trabalho (41,2%) e conhecidos ocasionais (29,4%). Concluído neste ano, o estudo revelou ainda que 57,1% delas optaram por bloquear o agressor, enquanto 28,6% formalizaram denúncia junto às plataformas. Quanto aos impactos emocionais, cerca de 60% relataram estresse, 42,9% desconforto e 28,6% sintomas de ansiedade. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com Chayana de Rezende, advogada especialista em direito digital. A legislação brasileira atual é suficiente para proteger mulheres contra a violência digital? O Brasil avançou significativamente ao criar leis que alcançam diversas formas de violência digital, como perseguição on-line, ameaças e exposição de imagens íntimas sem consentimento. O principal problema, contudo, não é mais a falta de normas, mas a dificuldade de torná-las eficazes de forma rápida. Como a violência digital se espalha velozmente e gera danos profundos em pouco tempo, respostas tardias do Estado ou das plataformas tornam a proteção insuficiente. Onde estão as principais lacunas legais e o que poderia ser aprimorado? As principais lacunas são operacionais, sobretudo na demora para remoção de conteúdos ilícitos, na falta de protocolos para preservação de provas digitais e nos desafios trazidos por tecnologias como deepfakes, que evoluem mais rápido que a lei. Por isso, o avanço depende mais de procedimentos urgentes eficazes, cooperação das plataformas e atualização constante das normas do que da criação de novos crimes. Algoritmos e redes sociais contribuem, direta ou indiretamente, para esse tipo de violência? Contribuem de forma indireta, visto que os algoritmos não praticam violência, mas podem amplificá-la. Conteúdos ofensivos, humilhantes ou sensacionalistas tendem a gerar mais engajamento e são mais distribuídos. Isso cria um efeito perverso: a violência se torna mais visível, mais duradoura e mais lucrativa. Por essa razão, o debate jurídico atual não se limita a punir o agressor individual, mas discute também o papel das plataformas na prevenção, contenção e não amplificação desse tipo de conteúdo. Quais são os maiores desafios para investigar e responsabilizar agressores digitais? O principal desafio é a identificação do agressor. Perfis falsos, uso de tecnologias de ocultação de identidade e circulação internacional de dados dificultam a investigação. Além disso, há problemas recorrentes na preservação de provas, já que conteúdos podem ser apagados ou replicados rapidamente. Outro obstáculo é o tempo, pois enquanto o processo investigativo corre lentamente, a violência acontece em tempo real. Isso exige autoridades capacitadas, cooperação técnica das plataformas e decisões judiciais rápidas. O que as mulheres podem fazer para se proteger, sem cair na lógica de “culpabilização da vítima”? É fundamental afirmar que a responsabilidade pela violência nunca é da vítima, e falar em proteção não significa impor comportamentos, mas oferecer estratégias de redução de danos, como documentar adequadamente o conteúdo ofensivo, evitar respostas públicas que ampliem a exposição, buscar apoio jurídico especializado e acionar canais formais de denúncia e preservação de provas. O que seria necessário para reduzir de forma significativa a violência digital contra mulheres no Brasil? A redução efetiva da violência digital exige uma abordagem integrada, que combine respostas rápidas e eficazes, investigação técnica qualificada, cooperação real das plataformas digitais, educação digital estruturada e aplicação rigorosa das leis já existentes. A mensagem central é clara: mulheres não precisam sair da internet para estarem seguras; o que precisa mudar é a forma como o Estado, as plataformas e a sociedade enfrentam a violência no ambiente digital.

Muay thai é treino completo para corpo e mente

O muay thai, tradicional arte marcial tailandesa conhecida como a “arte das oito armas”, tem ganhado força no Brasil não apenas como modalidade esportiva, mas como ferramenta de saúde e bem-estar. De acordo com profissionais da área, trata-se de uma atividade democrática, acessível a diferentes idades e níveis de condicionamento físico, e que vai muito além do imaginário de luta ou competição. Segundo o mestre de muay thai Rafael Nogueira, o esporte oferece um conjunto raro de estímulos físicos. “Trabalha resistência, força, coordenação motora, mobilidade e agilidade ao mesmo tempo. Em uma única aula, a pessoa faz exercícios aeróbicos, anaeróbicos e ainda aprende técnica. É um treino extremamente completo e eficiente”. Por envolver socos, chutes, joelhadas e cotoveladas, a modalidade utiliza grandes grupos musculares e estimula o corpo inteiro, o que resulta em gasto calórico elevado e melhora da composição corporal ao longo do tempo. Para iniciantes, entretanto, o receio de que a prática seja agressiva ainda é comum. Ele reforça que o treino básico é seguro e adaptado para diferentes perfis. “Quem começa não precisa lutar ou trocar golpes com outra pessoa. Os treinos iniciais focam em técnica, postura, condicionamento e movimentos básicos. A intensidade cresce conforme o aluno se sente confortável”. Em relação à saúde, Nogueira afirma que a prática regular contribui para melhorar o condicionamento cardiovascular, fortalecer ossos e músculos, reduzir níveis de estresse e auxiliar no emagrecimento. “Vejo alunos que chegam tímidos, com dores na lombar por falta de fortalecimento, ou com autoestima baixa. Depois de algumas semanas, começam a se mover melhor, a perceber evolução técnica e a ficar mais confiantes. O esporte melhora também a capacidade pulmonar e pode ser adaptado para quem busca apenas condicionamento”. Alguns cuidados Quase todo mundo pode praticar a atividade, porém, com uma orientação adequada. O educador físico Ricardo Menezes ressalta a importância de uma avaliação inicial. “É necessário que a pessoa informe ao professor eventuais limitações, como problemas articulares ou condições cardíacas. Com isso, as aulas podem ser ajustadas. O acompanhamento médico é recomendado para quem está iniciando qualquer prática física mais intensa”. Menezes lembra que a modalidade é indicada inclusive para idosos, desde que com acompanhamento personalizado. “Adaptando a altura dos chutes, o ritmo da aula e a carga dos exercícios, é possível a realização do treino. Já para crianças, as aulas ajudam no gasto de energia, na disciplina, no respeito aos colegas e no desenvolvimento motor”. Para quem deseja começar, o educador físico indica buscar academias com instrutores certificados e ambientes estruturados. “O ideal é fazer uma aula experimental, observar se o professor corrige postura, se explica detalhadamente os movimentos e se há preocupação real com a segurança dos alunos. A evolução no muay thai é individual e cada um tem seu ritmo”, conclui.

Presépio Colaborativo destaca comunidades ribeirinhas e natureza

A Casa Fiat de Cultura abriu ao público o 11º Presépio Colaborativo, já consolidado como uma das tradições natalinas de Belo Horizonte e destaque do Natal na Praça da Liberdade. Neste ano, a montagem presta tributo às comunidades ribeirinhas do interior do país, cuja vida está intimamente ligada às águas, à floresta e aos ciclos naturais. A curadoria é assinada pelo artista plástico Leo Piló, e a obra, confeccionada com materiais reaproveitados, conta com a colaboração dos visitantes. A entrada é gratuita, com visitação até 6 de janeiro de 2026. O 11º Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura recria elementos do dia a dia das populações ribeirinhas, que habitam palafitas, utilizam os rios como vias de deslocamento e fonte de subsistência, e preservam tradições ancestrais. No centro da galeria, surge uma espécie de “ilha brasileira”: uma instalação em papelão que reúne moradia, vegetação, barcos, peixes e aves, formando um cenário que representa a convivência constante entre a terra e as águas. Os personagens clássicos do presépio foram reinterpretados a partir do contexto ribeirinho. José é apresentado como o Caboclo Paraoara, figura que reúne influências indígenas, amazônicas e ribeirinhas, simbolizando força e ancestralidade. Maria é retratada como Santa Maria de Belém do Grão-Pará, em referência às manifestações religiosas e culturais que cercam a família. Já o Menino Jesus aparece na forma de Irin-Magé, representando encanto, renovação e nascimento. Em torno deles, os Três Reis Magos ganham novas significações. Cada um passa a personificar conhecimentos tradicionais, práticas medicinais e espiritualidades das florestas brasileiras. Em vez de ouro, incenso e mirra, carregam ervas, aromas e alimentos. Acima da cena, o Anjo Pescador, guardião das águas e de quem delas vive, conduz a narrativa, evocando histórias de fé e resistência presentes no cotidiano das comunidades ribeirinhas. “Neste Presépio, quis celebrar a relação profunda entre o ser humano, a natureza e a espiritualidade. O papelão reciclado se transforma em floresta, palafitas, animais e personagens que habitam essa ‘ilha’ inspirada na mata equatorial. Acredito que a Terra é um grande ente vivo, sempre gerando vida, e cada elemento aqui carrega esse sentido sagrado. É um convite para olharmos para a natureza com reverência e renovarmos nosso vínculo com ela”, explica Leo Piló. O Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura convida à reflexão sobre a preservação ambiental. O papelão, material presente em grande parte do lixo urbano, assume nova função ao ser transformado em arte. Em um país que gera 82 milhões de toneladas de resíduos anualmente, a instalação estimula o público a reconsiderar seus hábitos, compreender os efeitos de suas escolhas e perceber que, com criatividade e responsabilidade, é possível dar um novo destino ao que normalmente chamamos de lixo. Toda a cenografia do 11º Presépio Colaborativo foi criada a partir de papelão reciclado, técnica central na obra de Leo Piló. O material passou por etapas de corte, dobra, papietagem, pintura e montagem, adquirindo relevo, textura e profundidade. Casas em palafitas, raízes, troncos, barcos, peixes de várias espécies, aves ornamentadas, flores e folhagens ganharam forma com a participação do público. Nos meses de outubro e novembro, mais de 700 pessoas, entre crianças, jovens, adultos, famílias e grupos escolares, contribuíram nas oficinas abertas da Casa Fiat de Cultura. Cada participante deixou sua marca ao criar um elemento, transformando o Presépio em um verdadeiro mosaico de colaboração e criatividade coletiva. “Nesta edição, ao olharmos para as comunidades ribeirinhas, reconhecemos um ensinamento poderoso: a convivência harmoniosa com a natureza. O trabalho do Leo Piló e do público que participou das oficinas transforma esses valores em forma e matéria. Cada peça feita de material reciclado revela a beleza do coletivo e a capacidade que temos de repensar, reduzir e reutilizar. Neste fim de ano, desejo que essa obra inspire em todos nós um olhar mais atento para o que sustenta a vida e para a força silenciosa dos recomeços”, reflete o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo.

Mensalidades de berçários e maternais para 2026 na capital variam até 426%

O aumento previsto para 2026 nas mensalidades de berçários e maternais particulares de Belo Horizonte acende um alerta para as famílias. Uma pesquisa do site Mercado Mineiro aponta que os preços devem subir significativamente no próximo ano, reforçando uma tendência que já vem sendo observada: o encarecimento contínuo do ensino privado para a primeira infância. Segundo o estudo, os valores praticados pelos berçários no período integral vão de R$ 920 a R$ 4.841, uma diferença de 426,20% entre a mensalidade mais baixa e a mais alta. Para meio período, os preços vão de R$ 650 a R$ 2.710, variação de 316,92%. Já nos maternais, a pesquisa indica que os turnos da manhã ou tarde custam entre R$ 650 e R$ 3.024,50 (oscilação de 365%), enquanto o período integral deve ficar entre R$ 920 e R$ 4.191,70, diferença de 356%. As cobranças extras também apresentam variações significativas. No caso do maternal, a taxa de material varia entre R$ 160 e R$ 1.200, uma oscilação de cerca de 650%. O valor do lanche também muda bastante, custando de R$ 55 a R$ 418, o que representa uma variação próxima de 660%. O levantamento também identificou aumentos ao comparar as médias cobradas em 2025 e 2026. No maternal, o turno da manhã registrou elevação de R$ 1.568,59 para R$ 1.658, o que representa um acréscimo de 5,70%. Já no período da tarde, o valor médio passou de R$ 1.563,49 para R$ 1.675,03, um avanço de 7,13%. Para o horário integral, a média foi de R$ 2.386,97 para R$ 2.584,34, correspondendo a uma alta de 8,27%. No caso do berçário, o meio período apresentou o reajuste mais expressivo: a mensalidade média aumentou de R$ 1.390,30 para R$ 1.604,18, uma variação de 15,38%. No integral, os valores passaram de R$ 2.260,11 para R$ 2.426,33, crescimento de 7,35%. Para o economista Marcelo Rangel, a elevação reflete a soma de múltiplos fatores. “O ensino infantil é um dos segmentos mais caros para manter porque exige alta proporção de profissionais por criança, estrutura adequada, alimentação balanceada, materiais pedagógicos específicos e cumprimento rigoroso de normas de segurança. Com a inflação de serviços pressionando todos esses custos, as escolas não conseguem segurar os reajustes”. Ele destaca ainda que Belo Horizonte tem um mercado muito heterogêneo, com escolas de pequeno, médio e grande porte convivendo na mesma região, o que explica parte das variações expressivas. “Uma escola de bairro, com equipe reduzida, cobra valores completamente diferentes de uma instituição bilíngue que oferece alimentação completa, monitoramento por câmeras e atividades extras. Isso cria uma disparidade que assusta, mas que faz parte da estrutura de oferta atual”. O impacto desse aumento é significativo para muitos pais, sobretudo aqueles que dependem do período integral para conciliar a rotina de trabalho. “Eles precisam agir com meses de antecedência. Visitar escolas, comparar preços, analisar o que está incluso e, principalmente, verificar taxas extras. Às vezes, o valor da mensalidade é apenas parte do custo anual, que pode incluir matrícula alta, material escolar, refeições e atividades extras”. Rangel sugere que as famílias considerem alternativas que não envolvem necessariamente os estabelecimentos mais caros. “Escolas menores oferecem excelente qualidade e preços acessíveis. Além disso, vale verificar instituições cooperativas ou centros educacionais comunitários credenciados, que têm custos mais baixos, mas boa estrutura”. Outro ponto citado pelos especialistas é a possibilidade de negociar condições. O consultor financeiro Guilherme Ferraz explica que algumas instituições estão abertas a conversar, especialmente para contratos anuais ou pagamento antecipado. “Algumas escolas dão abatimentos progressivos, descontos para irmãos ou isentam taxas para fidelização. Transparência e diálogo ajudam os pais a não serem pegos de surpresa”. A expectativa é de que o cenário siga pressionado ao longo de 2026, especialmente em bairros onde a oferta é reduzida ou em regiões no qual o perfil socioeconômico é mais alto. Na visão de Ferraz, o desafio será equilibrar o orçamento familiar sem abrir mão da qualidade. “Educação infantil não é gasto, mas sim investimento. Para evitar o endividamento, as famílias devem buscar opções compatíveis com sua renda e lembrar que qualidade não é sinônimo de luxo”.

Geração atual valoriza educação, enfrentamento à fome e empatia

A quinta edição do levantamento “3 Coisas que Eu Quero Melhorar no Mundo” indica que, entre 419 crianças e adolescentes ouvidos, os temas mais valorizados são educação, enfrentamento à fome e o fortalecimento da empatia e do cuidado com o outro. Realizada desde 2020, a pesquisa acompanha as expectativas das novas gerações e evidencia um avanço na percepção social desse público. No consolidado que reúne as três respostas mais citadas, “melhorar a educação e o direito de estudar” aparece na liderança, enquanto “acabar com a fome e a insegurança alimentar” surge logo em seguida. A novidade de 2025 é a subida do desejo por “mais empatia, compaixão e amor ao próximo” para o terceiro lugar, ultrapassando assuntos que historicamente figuravam entre as principais preocupações, como a desigualdade social. Embora o combate à fome apareça como uma prioridade nacional, cada região do país revelou demandas particulares. No Norte, temas ligados ao meio ambiente ganharam destaque; no Nordeste, surgiram preocupações com economia, preconceito e racismo; no Centro-Oeste, prevaleceram questões de saúde e desigualdade; no Sul, a valorização da empatia e do bem-estar animal; e no Sudeste, o desejo por menos violência e conflitos. O estudo registrou um avanço expressivo de 111,8% nas respostas enquadradas em “Perspectivas e Soluções”, que alcançaram seu maior índice em 2025 (18,84%), impulsionadas pela alta frequência de termos como “empatia”, “amor”, “paz” e “respeito”. Esse crescimento se deu mesmo em um período pós-pandemia, ainda permeado por impactos na saúde mental, sugerindo uma reação positiva e construtiva das crianças e jovens diante de crises sociais. Além disso, a permanência dos temas considerados estruturais, que cresceram 133% ao longo das edições, e o destaque contínuo para “educação” e “respeito” indicam que as crianças não apenas reconhecem os desafios existentes, mas também apontam caminhos sustentados por valores que já fazem parte de sua formação. A psicóloga Carla Silva destaca que o dado sobre empatia não deve ser interpretado como algo abstrato, e sim como um reflexo de vivências concretas. “As crianças estão observando um mundo tensionado por conflitos, violência e intolerância. Quando pedem empatia, estão revelando maturidade emocional e uma compreensão surpreendente de que mudanças profundas começam pelas relações”. Para Carla, o fato de educação e fome liderarem a lista mostra que a geração atual enxerga com clareza os pilares que sustentam a desigualdade no país. “Uma criança que diz ‘quero que todos possam estudar’ está, sem saber, defendendo o direito básico que transforma vidas e rompe ciclos de pobreza. E quando ela fala sobre acabar com a fome, demonstra uma sensibilidade social que é rara até mesmo entre adultos”. A socióloga Andreia Lima explica que esse engajamento não acontece à toa. “As novas gerações são mais expostas a conversas sobre cidadania e direitos humanos. Elas veem campanhas, vivenciam debates sobre preconceito, acompanham notícias sobre guerra e fome. Isso gera uma resposta afetiva mais rápida e, ao mesmo tempo, um senso de responsabilidade que não víamos com tanta força em décadas anteriores”. Mas a questão central levantada por ambas as especialistas é: como transformar essa visão em ações concretas? Para elas, há três caminhos possíveis. O primeiro envolve participação intergeracional, ou seja, ouvir as crianças e envolvê-las em projetos sociais e decisões que afetam seu entorno. O segundo é fortalecer políticas públicas que ampliem o acesso à escola de qualidade, programas de alimentação e espaços de convivência. E o terceiro é promover, de forma ativa, a cultura do respeito e da empatia nas comunidades, escolas e famílias. “Precisamos transformar a sensibilidade das crianças em movimento social. Se estão pedindo mais amor ao próximo, é porque o mundo está oferecendo pouco disso. Cabe aos adultos criar ambientes onde a solidariedade seja uma prática diária. Estamos diante de um grupo de jovens que não se acomoda, e enxerga problemas estruturais, mas também acredita em soluções. O mínimo que podemos fazer é escutar e agir. A infância é uma bússola ética, quando ela aponta prioridades, devemos prestar atenção”, destaca Andreia.

Dezembro Laranja alerta para a prevenção do câncer de pele

A chegada de dezembro e do verão reacende um alerta conhecido, porém, negligenciado: o risco do câncer de pele. Com a elevação das temperaturas, aumento do índice de radiação ultravioleta (UV) e maior exposição ao sol, especialistas reforçam a necessidade de cuidados intensificados. O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil (31,3% do total de casos, segundo o Inca) e, apesar de amplamente prevenível, ainda cresce devido a hábitos de exposição inadequados e falta de atenção aos sinais iniciais. De acordo com a dermatologista Helena Moura, a doença surge quando ocorre um crescimento anormal das células cutâneas, geralmente provocada pela radiação solar acumulada ao longo da vida. “Esse dano é progressivo, silencioso e cumulativo. Muitas pessoas acham que apenas queimaduras solares graves oferecem risco, mas pequenas exposições repetitivas, sem proteção, já são suficientes para desencadear mutações que levam ao câncer”. Existem dois grandes grupos da doença: o melanoma, considerado o mais agressivo, e os não melanoma, entre eles o carcinoma basocelular e o espinocelular, geralmente mais comuns e com menor probabilidade de metástase quando tratados precocemente. Os sintomas variam entre manchas, feridas que não cicatrizam e lesões pigmentadas com formatos irregulares. “O principal sinal de alerta é a mudança. Uma pinta que aumentou, uma ferida que sangra, uma mancha que coça ou dói, qualquer alteração persistente deve ser investigada”, afirma. O diagnóstico costuma ser feito por exame clínico e confirmado por biópsia, para isso, a consulta dermatológica regular é fundamental. A recomendação geral é que adultos façam avaliação anual, mas pessoas com pele muito clara, casos na família, ou longo histórico de exposição solar devem aumentar a frequência. “Nos meses de verão, principalmente em dezembro e janeiro, recebemos mais pacientes com lesões suspeitas. A luz solar é mais intensa e episódios de queimadura se tornam mais comuns, o que eleva o risco ao longo dos anos”, destaca. As causas estão relacionadas à exposição aos raios UV, porém, outros fatores podem influenciar, como predisposição genética, uso de câmaras de bronzeamento, proibidas no Brasil, mas ainda buscadas clandestinamente, e envelhecimento natural da pele. O oncologista Ricardo Fagundes reforça que o comportamento preventivo é decisivo. “Dezembro marca o início das férias e muitos brasileiros passam longos períodos ao ar livre sem qualquer proteção. Chapéu, óculos, roupas com proteção e reaplicação do protetor solar a cada duas horas são atitudes simples que salvam vidas”. O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. As modalidades incluem cirurgia, radioterapia, terapias alvo e imunoterapia, especialmente no caso de melanomas avançados. Segundo Fagundes, a abordagem precoce é sempre mais favorável. “Quando detectado no início, o carcinoma basocelular tem taxas altíssimas de cura com procedimentos pouco invasivos. Já o melanoma pode se espalhar rapidamente, por isso a rapidez na identificação faz toda a diferença”. Para enfrentar o verão com segurança, Fagundes recomenda evitar exposição solar entre 10h e 16h, período de maior radiação; utilizar protetor solar com fator no mínimo 30; buscar sombras sempre que possível; e proteger áreas esquecidas, como orelhas, lábios, nuca e dorso dos pés. “No Brasil, em dezembro, o índice UV frequentemente atinge níveis extremos, superiores aos observados em muitos países tropicais. Isso exige atenção redobrada, principalmente de crianças e idosos”. O método ABCDE, que avalia Assimetria, Borda, Cor, Diâmetro e Evolução das lesões, é uma ferramenta útil para identificar sinais suspeitos. “Ninguém conhece sua pele melhor do que o próprio paciente. Se notou algo diferente procure atendimento imediatamente. O câncer de pele é altamente tratável quando diagnosticado na fase inicial”, conclui.

Audiência pede legislação estadual para ampliar justiça restaurativa

Apesar de o poder público mineiro já implementar algumas iniciativas voltadas à justiça restaurativa, ainda não há uma política plenamente consolidada que garanta sua adoção de forma sistemática. A ausência de uma lei estadual que regulamente essa abordagem, centrada no diálogo e na escuta sensível entre vítima e autor do conflito, foi apontada como uma lacuna durante a audiência pública promovida pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo Ilda de Paula, integrante da Comissão de Justiça Restaurativa da OAB-MG, órgão que motivou o deputado Ricardo Campos (PT) a propor a reunião, é fundamental avançar na criação de uma legislação estadual que trate do assunto, de modo a assegurar a implementação de uma política pública contínua. “As ações voltadas ao setor precisam contemplar não apenas a resolução de situações já ocorridas, mas igualmente medidas de caráter preventivo. É fundamental fomentar o diálogo e a escuta ativa dos envolvidos”. Nessa linha, Ricardo Campos sugeriu instituir um espaço permanente de diálogo, reunindo os diferentes setores, com o objetivo de elaborar uma proposta de legislação estadual voltada à justiça restaurativa. “Quando for criado o arcabouço legal, a justiça restaurativa se fortalecerá e terá a capacidade de aumentar seu alcance”, afirmou. O juiz auxiliar da 3ª Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), José Ricardo Freitas Veras, igualmente considerou que o assunto seja regulamentado por meio de uma lei estadual. “É necessário institucionalizar a justiça restaurativa em nível estadual para fortalecê-la, por outro lado, a adoção exige o apoio de uma grande rede de parceiros”. Gilson Teixeira, subinspetor da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte, ressaltou que a justiça restaurativa vem sendo utilizada no ambiente escolar para lidar com conflitos. “Ela é fundamental, pois às vezes é um problema entre famílias que se conhecem e tratando do problema na instituição, consegue-se evitar que seja judicializado”. Fernando Gonzaga Jayme, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos e coordenador do Programa Ciranda de Justiça Restaurativa da UFMG, destacou a Resolução 225, que amplia a visão da justiça restaurativa e seu caráter preventivo, mas ponderou que, na prática institucional, o modelo é limitado por ser artesanal e individual, focando na compreensão das causas dos conflitos. Ele refletiu que o direito é uma expressão de poder, que por diversas vezes deixa de ser republicano e acaba marginalizando grupos mais vulneráveis. Isabela França Oliveira, delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, mencionou iniciativas da instituição que já incorporam princípios da justiça restaurativa em suas práticas. “A Polícia Civil também passou a mediar conflitos e estabilizar a relação, evitando o agravamento das tensões e o cometimento de crimes. O programa Mediar, lançado em 2006, visa prevenir crimes de menor potencial ofensivo por meio de diálogos entre as partes para alcançar acordos. Outro exemplo é o Meditrans, voltado para conflitos de trânsito, que busca soluções sem recorrer à Justiça”. Ela mencionou ainda o programa Dialogar, criado em 2024 para homens agressores de mulheres. O projeto envolve 12 encontros semanais focados no enfrentamento do machismo estrutural e na redução da violência contra a mulher. Gabriel Rodrigues Batista, do Centro Raízes de Justiça Restaurativa e Educação Popular, destacou que é equivocado pensar que a justiça restaurativa foi criada pelo Judiciário. “Ela foi trabalhada pelos povos tradicionais há muito tempo e deve-se considerar essa essência que propõe o cuidado por toda a sociedade com a criança, o adolescente e os mais velhos”. Ele defendeu que a elaboração de uma lei estadual sobre justiça restaurativa inclua as comunidades tradicionais, que possuem conhecimento fundamental sobre o assunto. “Que a construção da legislação seja um processo realmente participativo e popular, mas fora do eixo institucional”.

Turismo de negócios registra crescimento em Belo Horizonte

Os deslocamentos corporativos com destino a Belo Horizonte registraram uma expansão expressiva em 2025, segundo um levantamento da Paytrack, plataforma especializada em gestão de viagens e despesas corporativas. Em alguns trechos, o crescimento ultrapassou 285% em relação a 2024. O aumento reflete a combinação de fatores econômicos, logísticos e estratégicos que têm reposicionado BH como um eixo relevante para negócios, inovação e eventos corporativos. O maior salto partiu de Porto Alegre, que teve uma alta surpreendente de 285,23% no número de passageiros. Em seguida aparece Joinville, com crescimento de 113,21%, e Montes Claros, que também demonstrou forte expansão, registrando 109,09%. A região Norte igualmente contribuiu para a elevação da demanda: Santarém apontou aumento de 93,33%, enquanto Carajás teve expansão de 76,26% nas viagens com destino a Belo Horizonte. Entre os grandes centros urbanos, o Rio de Janeiro, a partir do aeroporto do Galeão, apresentou alta de 51,24%. Já São Paulo, via Congonhas, teve um crescimento mais moderado, mas ainda positivo, de 9,60%. “Belo Horizonte vive um momento de fortalecimento econômico, com a chegada de novas empresas, ampliação de parques tecnológicos e maior oferta de espaços para eventos, isso aumenta naturalmente a circulação de profissionais, que viajam tanto para fechar negócios quanto para participar de treinamentos, feiras e rodadas de investimento”, explica o agente de viagens Vicente Brandão. O impacto também pode ser visto na rede hoteleira de Belo Horizonte. A Savassi segue como a área mais disputada pelos viajantes a trabalho, concentrando 36% das reservas corporativas. O bairro mantém sua posição como um dos pontos mais dinâmicos da capital, graças à presença de cafés, espaços de coworking e escritórios. Logo depois aparece a Pampulha, responsável por 24% das estadias, impulsionada pela grande variedade de hotéis voltados tanto para eventos quanto para o público executivo, além da facilidade de acesso a polos empresariais e instituições de ensino. Outras regiões vêm ampliando sua participação nesse segmento. O Cidade Jardim tem atraído profissionais que preferem se hospedar na área Centro-Sul, enquanto Caiçara e São Cristóvão se fortalecem como opções estratégicas para quem precisa de deslocamentos ágeis e boa conexão com a região Norte e com o aeroporto. Para Brandão, esse movimento tem impacto direto na economia local. “O crescimento das viagens corporativas traz benefícios que vão muito além do fluxo nos aeroportos. Ele impulsiona a rede hoteleira, os restaurantes, os serviços de transporte urbano e movimenta toda a cadeia de fornecedores ligados ao turismo de negócios”. Ele destaca ainda que, diferentemente do turismo de lazer, o corporativo tende a ser mais estável ao longo do ano e, por isso, representa uma oportunidade estratégica para a capital. A especialista em planejamento urbano e desenvolvimento regional, Carla Menezes, afirma que o dado sinaliza que BH está se tornando um hub de encontros e negociações. “O fortalecimento de espaços como o Expominas, a ampliação de centros de inovação e a expansão de coworkings estimulam as empresas a escolherem a cidade como destino. Belo Horizonte oferece infraestrutura competitiva, custo operacional mais baixo do que outras capitais e uma localização estratégica que facilita deslocamentos para todo o Sudeste e Centro-Oeste”. No entanto, Carla alerta que o crescimento exigirá atenção redobrada do poder público. “Para que esse movimento continue, a prefeitura precisa investir em mobilidade urbana, modernização de corredores de ônibus, ampliação da conexão com outras cidades da Região Metropolitana e qualificação dos serviços voltados ao turismo corporativo, além da importância de melhorias no entorno dos centros de eventos e nas áreas com grande concentração de hotéis. Ambientes bem iluminados, calçadas acessíveis e transporte eficiente fazem diferença na experiência do visitante corporativo”.

52% dos lojistas de MG estimam um aumento de vendas no Natal

Os comerciantes mineiros estão otimistas para o Natal de 2025. É o que revela um levantamento da Fecomércio MG, indicando que 52% dos empresários do varejo esperam vender mais do que no ano passado, enquanto 19,2% projetam manter o mesmo nível de vendas de 2024 e 17,7% esperam piora nas vendas. Os dados mostram um clima de confiança no setor, impulsionado por fatores econômicos favoráveis, pela melhora da renda das famílias e pela antecipação de estratégias comerciais voltadas à retomada do consumo. Dentre os comerciantes que anseiam vender mais neste Natal, 52,3% apontam como principal motivo a confiança no período, seguida pelo valor afetivo da data (22,7%) e pelo aquecimento do comércio (19,4%). Outros fatores incluem o décimo terceiro salário (9,3%), a melhora na economia (6,9%), ações promocionais (4,6%) e iniciativas da própria loja (3,7%), enquanto 1,9% veem a redução do desemprego como incentivo ao consumo. Para os que esperam queda nas vendas, 43,8% atribuem a perspectiva ao comércio fraco e à baixa nas vendas, enquanto 27,4% citam o endividamento do consumidor e outros 27,4% apontam a situação econômica do país. Outros fatores incluem o consumidor mais cauteloso (8,2%), o preço elevado dos produtos (8,2%) e a concorrência desleal (4,1%), que também podem impactar negativamente as vendas neste Natal. Segundo a economista Cláudia Menezes, o consumidor mineiro está mais confiante, e isso faz toda a diferença nessa época do ano. “A melhora do mercado de trabalho cria condições para que as famílias se planejem e antecipem compras. O Natal captura esse movimento de maneira muito intensa”. Ela diz que linhas mais acessíveis, como crediário próprio e parcelamento sem juros, ajudam a destravar compras que haviam sido adiadas. “As lojas voltaram a negociar prazos melhores. Isso devolve ao consumidor a sensação de que é possível comprar sem comprometer o orçamento. Para o varejista, representa uma chance concreta de aumentar o tíquete médio e recuperar margens”. O pesquisador de mercado, Felipe Tavares, conta que estratégias para atrair o público são importantes. “Investimentos em kits promocionais, ampliação dos canais de venda online e treinamentos em equipe para oferecer atendimento personalizado. A ideia é facilitar a vida do cliente e transformar a compra em uma experiência agradável”. A sondagem da Fecomércio MG também revelou quais medidas os comerciantes planejam adotar para impulsionar as vendas durante o período de festas. Entre as estratégias mais citadas, 29,5% pretendem investir em promoções e liquidações, enquanto 29% apostam em um atendimento diferenciado para atrair clientes. Outras iniciativas incluem brindes, sorteios e premiações (8,1%), descontos (5,5%) e a ampliação da diversidade no mix de produtos (5,2%). Por outro lado, 7,8% dos entrevistados afirmaram que não realizarão ações específicas, enquanto 6,3% não souberam ou não responderam à questão. Os consumidores estão mais atentos a promoções, mas também valorizam qualidade, atendimento e conveniência. O lojista que consegue combinar esses elementos tende a se destacar. Tavares explica que “a competição está mais acirrada, especialmente com o fortalecimento do comércio eletrônico. As lojas que investiram em omnichannel, retirada rápida e comunicação digital eficiente estão percebendo resultados mais sólidos”. Tavares destaca que, para muitos estabelecimentos, esse é o primeiro ano em que ações estruturadas de marketing digital começaram a madurar. “Tem lojista que só agora entendeu como usar as redes sociais para gerar fluxo na loja física. Outros ampliaram catálogos e investiram em logística. Tudo isso aumenta o alcance e cria novas oportunidades de venda”, afirma. A soma de preparação, condições econômicas favoráveis e mudança no perfil de consumo cria um cenário de Natal mais promissor do que nos últimos anos. “O varejo mineiro chega ao fim de 2025 mais profissionalizado e atento às tendências, fazendo com que o otimismo não seja apenas intuitivo, mas sustentado por dados e planejamento”, conclui.