Legislação antecipa fim das carroças em Belo Horizonte para 2026

No dia 22 de janeiro entrou em vigor a Lei Municipal nº 11.611/2023, que antecipa em cinco anos a proibição da circulação de veículos de tração animal, popularmente conhecidos como carroças, na capital mineira. A norma, que modifica dispositivos de uma lei anterior, reduz o prazo originalmente previsto para a extinção dessa prática urbana, de 2031 para 2026, e passa a valer oficialmente no município neste início de ano. De autoria do vereador Wanderley Porto (PRD), a lei foi sancionada em novembro de 2023 e assinada pelo prefeito de Belo Horizonte na ocasião. A proposta resultou da junção de iniciativas parlamentares que ganharam apoio na Câmara Municipal e visam a proteção do bem-estar animal e a modernização das práticas urbanas. Entretanto, a implementação prática da lei não ocorre sem desafios. A Associação dos Carroceiros e Carroceiras Unidos de Belo Horizonte e Região Metropolitana relatou falta de planejamento e apoio efetivo por parte da Prefeitura de BH, o que poderia impactar na renda de famílias que dependem dessa atividade. Porto afirma que essa é uma preocupação legítima e foi considerada desde o início, pois sabem que muitas famílias sofrem com a precarização do trabalho. “A lei não tem como objetivo penalizá- -las, mas romper com um modelo ultrapassado, inseguro e cruel, tanto para os animais quanto para as próprias pessoas que dependiam dessa atividade. O que defendemos é uma transição justa, que substitua a tração animal por alternativas de trabalho mais seguras, dignas e sustentáveis”. Ele esclarece que houve escuta de diferentes setores ao longo dos anos, incluindo audiências públicas com trabalhadores, veterinários, organizações de proteção animal e poder público. “A lei é resultado de um processo amadurecido, baseado em dados locais e experiências de outras cidades”. O político explica que a legislação prevê que o poder público atue para construir políticas de transição, como programas de capacitação, inclusão em outras atividades produtivas e apoio social, conforme a realidade de cada família. “Os carroceiros precisam procurar a Prefeitura para serem orientados e encaminhados. O objetivo é que o fim das carroças caminhe junto com políticas públicas que ofereçam novas oportunidades de renda. Essa é uma diretriz que seguimos cobrando e acompanhando de perto”. A Prefeitura deve realizar a fiscalização por meio de ações de campo, atendimento a denúncias e monitoramento. No entanto, antes da lei entrar em vigor, em 22 de janeiro, uma decisão liminar da Justiça suspendeu a aplicação das multas previstas, por isso ainda há carroças circulando pela cidade. Enquanto isso, foi lançado um canal de denúncias pelo WhatsApp, o BH sem Carroça: (31) 98282- 6850. A população pode enviar fotos e vídeos, sempre sem expor ou confrontar o condutor, informando data, horário e local da ocorrência. As denúncias estão sendo encaminhadas diretamente aos órgãos fiscalizadores. Segundo o vereador, a lei prevê sanções administrativas, como multas, que serão aplicadas conforme a regulamentação e o devido processo legal. Além disso, está tramitando na Câmara um projeto de lei de sua autoria que prevê a troca da carroça por um veículo alternativo, provavelmente um triciclo, a ser oferecido pela Prefeitura. “Também estamos debatendo a possibilidade de apreensão da carroça e o aumento das taxas para reaver cavalos recolhidos. O objetivo não é punir, mas garantir que a lei seja respeitada e que os animais não continuem sendo submetidos a sofrimento”. Na opinião de Porto, a médio e longo prazo, o impacto será extremamente positivo. “A cidade avança em segurança no trânsito, em proteção animal, em modernização urbana e em justiça social. Ao substituir uma atividade precária por alternativas mais dignas, Belo Horizonte se alinha a uma tendência nacional e internacional de cidades mais humanas, seguras e responsáveis”.

BH cria política para prevenir e tratar vício em jogos e apostas

Belo Horizonte passou a contar com uma política pública destinada ao apoio de pessoas que apresentam transtornos relacionados à dependência de jogos de azar. A norma divulgada no Diário Oficial define orientações para ações de acolhimento, tratamento e reintegração social de indivíduos impactados por apostas, com atenção especial aos jogos digitais e às plataformas on-line. Aprovada pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes (Podemos), a legislação permite que a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleça convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais, que tenham experiência no combate e tratamento da dependência de jogos de azar. O texto ainda prevê a promoção de campanhas de conscientização para informar a população sobre os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas. A lei estabelece que profissionais dos setores de saúde, educação e assistência social recebam treinamento especializado para reconhecer e atuar em situações relacionadas à ludopatia. Os custos dessas iniciativas serão cobertos por recursos orçamentários destinados à finalidade. Além disso, o Executivo poderá tornar públicos indicadores de desempenho das ações, observando as normas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo a psicóloga Lara Fagundes, o avanço das apostas on-line e dos jogos eletrônicos com mecanismos de recompensa rápida tem ampliado os casos de dependência, especialmente entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. “Essas plataformas são desenhadas para estimular o uso contínuo, com promessas de ganho fácil, rankings, bônus e recompensas imediatas. Para muitas pessoas, isso se transforma em uma fuga de problemas emocionais, financeiros ou sociais, criando um ciclo difícil de romper sem apoio”. Ela destaca que o acolhimento é um dos pilares mais importantes da política adotada por BH. “Quando o poder público reconhece o problema e oferece um espaço de escuta sem julgamento, a pessoa se sente mais segura para buscar ajuda. A dependência não é uma falha de caráter, mas uma condição que precisa de tratamento, assim como outras questões de saúde mental e a abordagem humanizada aumenta significativamente as chances de adesão ao tratamento e de recuperação”. De acordo com o assistente social Paulo Nogueira, a dimensão econômica do problema é central. “Muitos dependentes chegam aos serviços públicos com a vida financeira completamente desorganizada, enfrentando endividamento, conflitos familiares e até risco de perda de moradia. Oferecer orientação prática é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir sua autonomia”. Para Nogueira, a proposta de reinserção social é outro eixo central da iniciativa. As parcerias com instituições de ensino, organizações da sociedade civil e o setor privado para facilitar o retorno aos estudos, a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho são uma etapa decisiva para evitar recaídas. “Quando a pessoa volta a se sentir útil, produtiva e integrada à comunidade, encontra novos sentidos para a vida que não passam pelo jogo ou pela aposta, o que fortalece o processo de recuperação e gera benefícios duradouros”. “Problemas relacionados ao vício em apostas estão associados ao aumento da demanda por serviços de saúde, assistência social e até segurança pública. Investir em prevenção e tratamento é mais eficiente e menos oneroso do que lidar apenas com as consequências. A iniciativa demonstra uma visão estratégica de gestão pública, ao antecipar um problema que tende a crescer com a digitalização da economia”, acrescenta. Lara ressalta ainda que a política fortalece o tecido social da cidade. “Quando o município cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, promove inclusão e reduz desigualdades. Isso se reflete em uma cidade mais saudável, com cidadãos mais participativos e capazes de contribuir para o desenvolvimento local”.

Quase 80% das famílias brasileiras terminaram o ano endividadas

Em dezembro de 2025, o percentual de consumidores endividados atingiu 78,9%, o patamar mais elevado já registrado para esse mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a dezembro de 2024, o indicador avançou 2,3 pontos percentuais. O índice de inadimplência também apresentou crescimento no período, alcançando 29,4% na comparação anual. Já na análise mês a mês, os indicadores apresentaram alívio. Depois de alcançar o recorde histórico de 79,5% em outubro, a proporção de famílias com dívidas caiu para 78,9% em dezembro, o nível mais baixo observado desde julho. A mesma tendência de queda foi verificada na inadimplência: o percentual de contas em atraso ficou em 29,4% no encerramento do ano, resultado inferior ao pico de 30,5% registrado em outubro e o menor desde abril, quando marcou 29,1%. Mas mesmo com a recuperação observada nos últimos meses do ano, o balanço anual indica um aumento das dificuldades financeiras na comparação com o ano anterior. “A alta persistente dos juros e a inflação ainda em patamares elevados corroem a renda disponível dos trabalhadores, forçando a maior utilização de crédito para o consumo cotidiano e para o pagamento de compromissos pré-existentes. Além disso, o encarecimento do crédito tradicional tem levado muitos consumidores a buscar modalidades de empréstimos com condições menos favoráveis, o que amplia o endividamento total”, explica a economista Laura Mendes. “Temos uma conjuntura em que o custo de vida sobe mais rápido que os salários, juros altos reduzem o poder de compra e o crédito, ainda que seletivo, continua sendo a principal alternativa de consumo para muitos”, completa. Laura também afirma que a fraca educação financeira da população pode levar a escolhas menos equilibradas, como o uso excessivo do cartão de crédito sem planejamento, o que só aumenta o comprometimento da renda com juros e parcelas. O uso do cartão de crédito firmou-se como a forma mais recorrente de endividamento, representando 85,1% das famílias com dívidas, o que corresponde a uma elevação de 1,3 ponto percentual em relação a 2024. Esse cenário inspira atenção, já que essa modalidade apresenta algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado, próximas de 90,1% ao ano. Em contrapartida, a proporção de famílias que afirmaram não conseguir arcar com seus compromissos financeiros recuou para 12,6%, encerrando o período em nível inferior ao observado em 2024. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,5% em dezembro, abaixo dos 29,8% registrados no mesmo mês do ano anterior. A economista diz que um ponto importante é uma política macroeconômica mais favorável ao crescimento econômico sustentável. “A redução responsável da taxa básica de juros, quando compatível com o controle da inflação, pode diminuir o custo do crédito e tornar mais viável o pagamento das dívidas. Além disso, programas de apoio às pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de emprego, podem fortalecer o mercado de trabalho e aumentar o poder aquisitivo das famílias”. O consultor financeiro Ricardo Faria ressalta que a melhora dos indicadores no final de 2025 é explicada por um planejamento financeiro mais cuidadoso por parte dos consumidores. “Além de fatores sazonais, como as festividades de fim de ano, que impulsionam o comércio e a oferta de crédito, e o pagamento do 13º salário. Ainda assim, persiste um risco relevante no processo de endividamento, sobretudo relacionado ao uso do cartão de crédito, que pode levar à acumulação progressiva das dívidas”. Neste início de ano, Faria recomenda a criação de um orçamento familiar rigoroso. “É essencial mapear gastos e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos. Renegociar parcelas com credores, buscar crédito com juros baixos e, se possível, destinar parte da renda para um fundo de emergência são passos importantes”.

Bilionários acumulam riqueza, enquanto pobreza segue em alta

No ano passado, a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo US$ 18,3 trilhões, o maior patamar registrado na história, segundo um relatório recente da Oxfam. Desde 2020, essa fortuna aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas não tem acesso regular a alimento suficiente e quase metade da população mundial vive na pobreza. O Brasil concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 indivíduos que somam cerca de US$ 253 bilhões, a maior fortuna coletiva da região. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam, Viviana Santiago. Quais fatores contribuíram para o expressivo salto na riqueza dos bilionários em 2025 O crescimento desproporcional da riqueza dos bilionários, em um contexto global de pobreza, está intimamente ligado a medidas políticas que favorecem a manutenção e a reprodução dessa concentração de recursos. Um exemplo é a administração Trump, que adotou uma agenda claramente voltada à proteção dos interesses das grandes fortunas. Entre suas ações, destacam-se esforços para reduzir a tributação sobre grandes empresas, criar espaços pouco regulados para setores emergentes, como a inteligência artificial, e consolidar monopólios em determinados mercados. Essas medidas, combinadas, aceleram o aumento da extrema riqueza, impactam o mundo inteiro, mas beneficiam de maneira particular as grandes fortunas norte-americanas. Quais são os principais obstáculos políticos no Brasil para implementar a tributação de dividendos, grandes fortunas e heranças? A implementação de uma reforma tributária progressiva enfrenta obstáculos ligados à defesa dos interesses de bilionários, especialmente por mandatos parlamentares que protegem setores produtivos concentradores de riqueza. Narrativas controladas por esses indivíduos e veículos de comunicação associam tributação de lucros, dividendos e grandes fortunas à perda de empregos e à instabilidade econômica, dificultando o debate público. Na prática, trata-se de justiça fiscal: tributar a extrema riqueza não ameaça a sociedade, mas reduz desigualdades. A recente reforma do imposto de renda é capaz de reduzir a concentração de riqueza ou seu impacto é restrito? Ela representa um passo importante para reduzir a regressividade do sistema tributário. No entanto, embora relevante, essa medida não é suficiente para reverter totalmente o cenário de desigualdade fiscal. O país ainda possui poucas faixas de tributação, mantendo alta regressividade no topo da renda. Apesar da criação do imposto mínimo adicional, ele não resolve o problema estrutural. Para uma reforma verdadeiramente progressiva, é necessário ampliar as faixas do imposto de renda e avançar na tributação de lucros, dividendos e patrimônio, áreas que desde a década de 1990 permanecem praticamente isentas e concentram a extrema riqueza. O relatório relaciona o crescimento da desigualdade à redução das liberdades civis e da imprensa. Quais evidências concretas desse fenômeno já são visíveis? Nos últimos anos, tem se fortalecido no Brasil uma agenda de criminalização de movimentos sociais, ativistas e ações voltadas à igualdade, como o apoio à população em situação de rua. Projetos como a criminalização das barricadas, apresentados como combate ao tráfico, na verdade reprimem manifestações populares e protestos contra desigualdades. No ambiente digital, observa-se resistência à remoção de perfis ultraconservadores e censura à produção cultural, sempre sob a justificativa da “moral e dos bons costumes”. Esses processos refletem interesses de elites econômicas que buscam controlar narrativas e ampliar sua influência política. Quais políticas públicas a Oxfam recomenda para reduzir a desigualdade e garantir maior justiça fiscal e social? Enfrentar a desigualdade no Brasil exige transformar o sistema tributário regressivo em progressivo, com taxação de lucros, dividendos, heranças e grandes fortunas, acompanhada de métricas e indicadores claros. Combater pobreza não basta: é preciso reduzir desigualdade fortalecendo direitos sociais, como previdência e trabalho, e enfrentando a precarização do emprego. Também é essencial investir na formação política da população e na regulação de monopólios de comunicação, garantindo participação social e proteção democrática frente ao controle de narrativas

71% dos brasileiros planejam assistir à Copa

O principal evento esportivo do planeta já tem data definida e desperta grande expectativa entre os fãs. Segundo o relatório global “Predictions 2026”, elaborado pela Ipsos, 71% dos brasileiros afirmam que planejam acompanhar a competição em 2026, acima da média global de 59%. Os dados mostram que o entusiasmo é alto, especialmente entre os homens da Geração Z, nascidos entre 1996 e 2012, com 71% demonstrando intenção de assistir aos jogos. Por outro lado, o interesse cai significativamente entre as mulheres da Geração Baby Boomer, nascidas entre 1945 e 1965, grupo que registra o menor engajamento, com apenas 39% planejando acompanhar a Copa. No Brasil, o padrão se mantém, mas com nuances próprias. Os homens da Geração Z também aparecem como os mais animados para o torneio, com 84% de intenção de audiência, seguidos pelas mulheres da geração Millennial (nascidas entre 1981 e 1996), que registram 76%. Entre os brasileiros da geração Baby Boomer, o menor interesse é observado nos homens, com 54%, enquanto 67% das mulheres da mesma faixa etária planejam acompanhar a competição, invertendo a tendência global. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, a maior intenção de acompanhamento entre os jovens da Geração Z está relacionada à cultura digital e à exposição intensa do futebol nas redes sociais. “Os jovens consomem o torneio não apenas pela televisão, mas por meio de plataformas on-line, transmissões ao vivo, memes e interações nas redes. A Copa virou um fenômeno cultural que ultrapassa o campo e se integra ao cotidiano desses grupos”. “O futebol é mais do que um esporte no país, representa identidade, emoção e união. A Copa do Mundo, em especial, carrega uma dimensão histórica e cultural que mobiliza milhões de pessoas, mesmo aqueles que não acompanham os campeonatos locais regularmente. A competição funciona como um ritual coletivo que reforça laços sociais, familiares e comunitários”, explica a socióloga Mariana Tavares. O fascínio do brasileiro pelo torneio está ligado à combinação de tradição, mídia e espetáculo. “O país tem uma história rica no futebol, com conquistas que marcaram gerações, jogadores que se tornaram ícones nacionais e clubes que alimentam paixões locais. A Copa do Mundo sintetiza tudo isso: emoção, rivalidade, festa e visibilidade global, é um evento que conecta as pessoas ao mesmo tempo em que coloca o Brasil no centro do mundo”, ressalta. Outro ponto destacado por Muniz é o poder de mobilização e identidade nacional que a Copa exerce. O evento é capaz de unir regiões, classes sociais e diferentes perfis de torcedores. “Mesmo em anos em que a Seleção não chega à final, a festa em torno do torneio é intensa. Isso mostra que, para os brasileiros, o espetáculo vai muito além do resultado final; envolve celebração, emoção e pertencimento”. Com a Copa de 2026 se aproximando, os dados do relatório da Ipsos indicam que o torneio seguirá sendo um dos principais acontecimentos do país, capaz de mobilizar milhões de brasileiros, estimular a economia e consolidar o futebol como elemento central da cultura nacional. “Mais do que números, o que a pesquisa evidencia é que a Copa do Mundo representa uma paixão coletiva, um ritual anual que conecta gerações, reforça identidade e celebra a brasilidade em sua forma mais vibrante”, destaca. “Cada geração encontra na Copa uma forma de se conectar com o país, com os amigos, com a família e com o mundo. E é exatamente essa mistura de tradição, espetáculo e sentimento que torna a competição um fenômeno, e, ao mesmo tempo, profundamente brasileiro”, conclui Mariana.

Minas Gerais é eleita destino gastronômico global para 2026

O Estado de Minas Gerais voltou a se destacar no cenário internacional ao ser apontado como um dos destinos gastronômicos mais relevantes do mundo para 2026 pela revista Condé Nast Traveler, referência global em turismo e lifestyle. Na lista publicada, a culinária mineira aparece ao lado de tradições reconhecidas internacionalmente, presentes em países como Espanha, Grécia, Canadá, Austrália, Marrocos e Hong Kong. A menção reforça o prestígio da cozinha de Minas, conhecida pelo preparo artesanal, pelo uso de ingredientes locais, como o Queijo Minas Artesanal e o café, e pela relação estreita entre comida, identidade cultural, acolhimento e território. A publicação também chama atenção para experiências gastronômicas ligadas ao enoturismo e aos roteiros turísticos do estado, destacando áreas como o Serro e a Cordilheira do Espinhaço, onde tradição, paisagem e sabores se complementam. Na matéria, Minas Gerais é descrita como uma joia ainda pouco conhecida do turismo internacional. A Condé Nast Traveler destaca a preservação das tradições culinárias transmitidas entre gerações, os conhecimentos populares, o patrimônio arquitetônico e a riqueza cultural que influenciam diretamente a formação da identidade gastronômica do Estado. Para o agente de viagens, Vicente Brandão, a menção tem peso significativo. “A Condé Nast Traveler não trabalha apenas com tendências passageiras, mas com destinos que oferecem experiências genuínas. Quando Minas Gerais aparece nesse tipo de ranking, isso funciona como um selo de qualidade internacional, capaz de influenciar viajantes de alto poder aquisitivo, operadores de turismo e também investidores”, afirma. Além da culinária tradicional, a publicação ressalta a diversidade de experiências gastronômicas distribuídas pelo território mineiro, incluindo rotas turísticas, vinícolas emergentes e regiões onde paisagem, cultura e sabores se encontram. “Minas não oferece apenas um prato ou uma cidade, mas um conjunto de experiências espalhadas pelo Estado, o que estimula o turismo regional e prolonga a permanência do visitante”. Belo Horizonte recebe menção especial ao ser apontada como uma capital que “vem se transformando discretamente em um destino imperdível”, impulsionada pela forte cultura dos bares, traçada em paralelo com o fenômeno da bistronomia em Paris. A reportagem também ressalta o papel de uma nova geração de chefs na releitura dos pratos tradicionais, o crescimento de espaços como o Mercado Novo e a revitalização de antigos mercados, hoje transformados em locais de convivência, gastronomia e expressão cultural, fortalecendo a posição da capital mineira no cenário da gastronomia contemporânea. A chef Mariana Lopes diz que esse reconhecimento internacional contribui diretamente para a valorização da culinária mineira dentro do próprio país. “Quando um veículo estrangeiro de prestígio aponta Minas como referência gastronômica, isso reforça o orgulho local e ajuda a combater a ideia de que a alta gastronomia está restrita a grandes centros internacionais. A cozinha mineira mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas”. Restaurantes, produtores artesanais, mercados, festivais e eventos ligados à culinária passam a integrar o roteiro de viajantes interessados em experiências autênticas, segundo Mariana. “Esse tipo de turista costuma gastar mais, permanecer mais tempo no destino e buscar contato direto com a cultura local, o que gera benefícios econômicos importantes”. Outro reflexo positivo é a valorização dos produtores locais. O destaque dado a ingredientes como queijos, cafés e produtos artesanais contribui para ampliar mercados, estimular certificações de origem e fortalecer cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar. “A gastronomia funciona como uma vitrine, quando Minas é reconhecida globalmente, o produtor do interior também ganha visibilidade e novas oportunidades”, ressalta. Brandão explica que o desafio agora é transformar o reconhecimento em estratégia de longo prazo. Investimentos em qualificação, infraestrutura turística, promoção internacional e preservação cultural são considerados fundamentais para sustentar esse crescimento. “Não se trata apenas de um prêmio simbólico, mas de uma chance concreta de posicionar Minas Gerais como um dos grandes destinos gastronômicos do mundo, valorizando sua cultura, gerando renda e fortalecendo sua imagem global”.

Carnaval de Belo Horizonte deve atrair público de 6,5 milhões de foliões

A proximidade do Carnaval de 2026 já começa a impactar a hotelaria de Belo Horizonte. Logo na primeira semana de janeiro, a taxa média de ocupação dos hotéis da capital gira entre 70% e 75%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), estabelecimentos localizados nas áreas próximas aos principais circuitos carnavalescos apresentam níveis de reserva perto do limite. De acordo com a entidade, o quadro aponta para uma procura mais antecipada do que a registrada em anos anteriores, em sintonia com a estimativa de aumento do público do evento. Ainda é possível encontrar vagas, sobretudo em hotéis fora do hipercentro e em áreas com melhor conexão viária, o que evidencia o papel da mobilidade urbana na distribuição dos visitantes pela cidade. Conforme levantamento do Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2025, a ocupação média da rede hoteleira de Belo Horizonte durante o Carnaval ultrapassou 87%. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, com chance de a taxa se aproximar de 100% em uma parcela expressiva dos meios de hospedagem. Na avaliação da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), a previsão é de um aumento em torno de 10% no número de foliões em comparação ao ano anterior, com a possibilidade de o Carnaval atrair aproximadamente 6,5 milhões de participantes. “Hoje, o visitante entende que BH deixou de ser uma aposta e se tornou uma certeza no calendário do Carnaval brasileiro. A cidade conseguiu criar um modelo próprio de festa, que mistura espontaneidade, organização e forte apelo cultural. Isso atrai desde jovens em busca de grandes blocos até famílias e turistas interessados em experiências mais tranquilas”, avalia a turismóloga Ana Carolina Costa. Investimentos em mobilidade urbana e na organização dos circuitos têm ajudado a distribuir melhor o fluxo de foliões pela cidade, ampliando o impacto positivo para bairros além do hipercentro, esclarece Ana Carolina. “Quando o turista se hospeda fora da região central e consegue se deslocar com facilidade, consome em mais lugares, movimentando bares, restaurantes, comércio e serviços em diferentes pontos da capital”. Os reflexos econômicos desse movimento já são sentidos antes mesmo do início oficial da folia. Com hotéis cheios, cresce a demanda por mão de obra temporária, serviços de transporte, alimentação, produção cultural e eventos. A cadeia produtiva envolve desde costureiras e músicos até empresas de logística, segurança e limpeza urbana. “Quando milhões de pessoas chegam a Belo Horizonte, elas passam a demandar hospedagem, alimentação, transporte, lazer e serviços em geral. Isso gera um efeito imediato no faturamento de hotéis, restaurantes, bares, aplicativos de mobilidade, táxis, comércio e prestadores de serviço”, destaca o economista Carlos Mendonça. Outro impacto relevante está na geração de empregos temporários. Durante o período que antecede e inclui o Carnaval, há uma alta na contratação de trabalhadores para funções como recepção, limpeza, segurança, atendimento, produção cultural, montagem de estruturas e logística. “Essas vagas são fundamentais para complementar a renda de muitas famílias e reduzir a informalidade em um período concentrado do ano”, afirma. Além disso, muitos profissionais autônomos, como ambulantes, músicos, técnicos de som e artistas, encontram no Carnaval uma das principais oportunidades de ganho do calendário anual. Com o aumento da atividade econômica, cresce a coleta de impostos municipais, como o ISS, além de taxas e tributos ligados a eventos, hospedagem e serviços. Esses recursos, segundo Mendonça, podem ser reinvestidos em áreas essenciais. “Quando bem planejado, o Carnaval gera receita que pode retornar para a população na forma de melhorias urbanas, infraestrutura, mobilidade e políticas culturais”. Há ainda benefícios em médio e longo prazo, como a visibilidade nacional conquistada por Belo Horizonte como destino carnavalesco, que fortalece a imagem da cidade e estimula novas visitas ao longo do ano. “Muitos turistas que conhecem BH no Carnaval retornam em outros períodos, seja para eventos culturais, gastronomia ou negócios. Isso ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo e cria um fluxo mais constante de visitantes”, conclui Ana Carolina.

109 óbitos foram registrados em acidentes no feriado de Ano Novo

Durante o feriado de Ano Novo, acidentes registrados em rodovias federais deixaram 109 mortos e 1.315 pessoas feridas, de acordo com dados da Operação Ano Novo divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O balanço considera ocorrências registradas entre 30 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. Nesse intervalo, a PRF intensificou as ações de fiscalização e as iniciativas voltadas à prevenção de acidentes provocados por comportamentos de risco no trânsito. Na Operação Ano Novo na passagem de 2024 para 2025, entre 27 de dezembro e 1º de janeiro, houve 79 mortes e 1.339 feridos nas rodovias federais. De acordo com a PRF, na ação mais recente foram abordadas 101.118 pessoas e 74.594 veículos, e contabilizados 1.152 acidentes de trânsito. Os estados que tiveram mais acidentes foram Minas Gerais (5.040), seguido por Mato Grosso do Sul (4.885) e Santa Catarina (4.517). Segundo a PRF, foram realizados 61.426 testes de alcoolemia, que resultaram em 789 autuações por consumo de álcool. As infrações incluem desde a recusa em realizar o teste até a confirmação de presença de álcool no organismo, e qualquer pessoa que apresente sinais de embriaguez pode ser penalizada. A polícia também contabilizou 23.079 veículos trafegando acima do limite de velocidade. Os estados com mais registros foram Minas Gerais (4.105), Paraná (3.818) e Rio Grande do Sul (1.837). Outras infrações comuns nas rodovias federais incluíram ultrapassagens proibidas (3.438), não uso de cinto de segurança ou de cadeirinhas para crianças (3.470) e utilização de celular ao volante (341). “Esses números mostram que, mesmo com campanhas e fiscalização intensiva, atitudes imprudentes continuam sendo uma das principais causas de mortes no trânsito brasileiro. A velocidade excessiva reduz drasticamente o tempo de reação, aumenta a gravidade das colisões e muitas vezes torna qualquer manobra de emergência ineficaz”, explica o especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza. A imprudência não é o único fator que contribui para os acidentes. Fadiga, distração e consumo de álcool ou outras substâncias potencializam os riscos, e as consequências podem ser trágicas, principalmente em trechos longos e com grande fluxo de veículos. Para Souza, a conscientização dos motoristas deve começar antes mesmo de subirem ao volante. “Não basta apenas aplicar multas ou reforçar a fiscalização. É fundamental trabalhar a educação e o autocontrole. Campanhas que ensinem sobre os efeitos do álcool, do sono e da atenção no trânsito ajudam a mudar a mentalidade do motorista de forma duradoura”. Entre as estratégias mais eficazes, Souza aponta programas de educação contínua e campanhas preventivas que utilizem tecnologia e comunicação direta. “Uso de aplicativos que alertam sobre velocidade e condições das vias, cursos de direção defensiva e ações em escolas e empresas podem reduzir significativamente os acidentes”. O professor de direção, Leonardo Silveira, alerta que dirigir com atenção não é apenas uma responsabilidade individual, mas coletiva. “Quando cada motorista assume sua responsabilidade, o risco de acidentes graves é reduzido, principalmente em períodos de maior fluxo, como feriados e férias escolares. Planejar a viagem, respeitar limites de velocidade, fazer pausas, não usar álcool e priorizar a segurança são atitudes simples, mas capazes de evitar tragédias”. Ele destaca que a combinação de educação, fiscalização, tecnologia e hábitos conscientes pode diminuir significativamente o número de acidentes graves, mas é preciso consistência. “Não basta agir apenas em feriados, a mudança de comportamento deve ser contínua e cada motorista que dirige de forma segura contribui para um trânsito mais protegido e menos letal”.

Janeiro Branco alerta para os cuidados com a saúde mental

A campanha Janeiro Branco chega a cada início de ano convidando a sociedade a refletir sobre a saúde mental como parte essencial do bem-estar e da qualidade de vida. Criada para estimular o diálogo, reduzir estigmas e incentivar o cuidado emocional, a iniciativa aproveita o simbolismo do mês de recomeços para lembrar que a mente também precisa de atenção, planejamento e acolhimento. No Brasil, os jovens concentram o maior número de internações associadas a transtornos de saúde mental, embora sejam o grupo que menos procura os serviços da Atenção Primária à Saúde, conforme estudo elaborado por pesquisadores da Fiocruz. O sexo masculino entre 15 e 29 anos concentra 61,3% das internações relacionadas à saúde mental. Nessa faixa, o índice chega a 708,4 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, cerca de 57% superior ao observado entre as mulheres, cuja taxa é de 450 por 100 mil. O fator predominante para essas internações entre os homens é o consumo abusivo de substâncias psicoativas, que responde por 38,4% dos casos. Dentre eles, 68,7% envolvem o uso combinado de mais de uma droga, seguido pelo consumo de cocaína (13,2%) e álcool (11,5%). Considerando a população jovem em geral, as internações se distribuem de forma semelhante entre o uso problemático de drogas (31%) e os transtornos do espectro esquizofrênico (32%). Logo após, destacam-se os transtornos do humor, responsáveis por 23% dos casos. Segundo a psicóloga Lara Fagundes, falar sobre o tema ainda é um desafio em muitas famílias e ambientes de trabalho. “Durante muito tempo, fomos ensinados a esconder emoções e a seguir em frente sem questionar o impacto disso na nossa vida. O Janeiro Branco surge como um convite coletivo para normalizar conversas sobre sentimentos, ansiedade, frustrações e expectativas, mostrando que cuidar da mente é um ato de responsabilidade consigo mesmo”. Ela destaca que emoções reprimidas podem se manifestar de diversas formas, como dificuldades de concentração, irritabilidade constante, alterações no sono e queda no rendimento escolar ou profissional, afetando diretamente a forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Em 2025, o país pode ter ultrapassado a marca de 500 mil afastamentos do trabalho causados por transtornos mentais e comportamentais, de acordo com projeções da Caju, empresa especializada em benefícios corporativos e tecnologia voltada à gestão de pessoas. Para chegar a esse cenário, a empresa analisou e reuniu dados oficiais do INSS e do Ministério da Previdência Social. Os números indicam um crescimento de 13,7% na média mensal de afastamentos em relação a 2024 (o volume passou de 39,3 mil para 44,7 mil registros por mês). A ansiedade lidera entre os fatores que motivam o afastamento profissional, sendo responsável por cerca de 121 mil ocorrências, o equivalente a 30% do total. Na sequência aparecem a depressão, com 94 mil casos, e o transtorno bipolar, com aproximadamente 45 mil afastamentos. O psiquiatra Marcelo Tavares ressalta que o estado emocional interfere nas decisões, nos hábitos e até na saúde física. “Quando alguém vive sob estresse contínuo ou não reconhece sinais de esgotamento emocional, o corpo responde. Podem surgir dores, cansaço excessivo e maior vulnerabilidade a doenças. Por isso, olhar para a saúde mental é também uma forma de prevenção. O cuidado emocional não deve ser visto como algo pontual, mas como um processo contínuo, que envolve autoconhecimento e a construção de uma rotina mais equilibrada”. “Entre os hábitos que contribuem para a saúde mental estão a manutenção de uma rotina de sono adequada, a prática regular de atividades físicas e a alimentação equilibrada, que influenciam diretamente o humor e a disposição. Além disso, cultivar vínculos sociais positivos é fundamental. Quando as emoções se tornam difíceis de lidar ou persistem por muito tempo, buscar apoio profissional é uma atitude responsável e preventiva”, completa. Ao longo do mês, a campanha reforça que cuidar da mente é um compromisso diário e possível para todos. “Ao adotar hábitos mais conscientes, rever prioridades e permitir-se sentir, o início do ano pode se tornar uma oportunidade real de transformação, o Janeiro Branco, mais do que uma campanha, lembra que a saúde mental deve estar em pauta o ano inteiro, como base para uma vida mais equilibrada, produtiva e significativa”, conclui Lara.

4,6 milhões de pequenos negócios foram criados no Brasil em 2025

O Brasil registrou um novo recorde na abertura de pequenos negócios em 2025. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que, entre janeiro e novembro deste ano, foram criados 4,6 milhões de novos empreendimentos de pequeno porte em todo o país. O número já supera o resultado de todo o ano de 2024, quando foram abertas 4,1 milhões de empresas, e representa um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, consolidando o melhor desempenho da série histórica. Segundo o levantamento, os pequenos negócios responderam por 97% de todas as empresas abertas no Brasil em 2025, confirmando o papel central desse segmento na dinâmica econômica nacional. Do total de novos registros, 77% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs), 19% a microempresas e 4% a empresas de pequeno porte. Em novembro, o país registrou a abertura de 350 mil novos pequenos empreendimentos, 28 mil a mais do que no mesmo mês de 2024. Até novembro, o segmento de serviços concentrou a maior parte das novas empresas formalizadas, representando 64% do total. Dentro desse grupo, o número de microempreendedores individuais apresentou um avanço de 24,5% na comparação com o mesmo intervalo de 2024. Na sequência, o comércio respondeu por 21% das aberturas, enquanto a indústria ficou com 7%. No recorte regional, São Paulo liderou a criação de pequenos negócios em 2025, com 29% dos registros, seguido por Minas Gerais, com 11%, e pelo Rio de Janeiro, com 8%. De acordo com a economista Mariana Torres, o avanço expressivo está ligado a uma combinação de fatores. “Tivemos a recuperação gradual da atividade econômica, aliada à digitalização dos serviços, que reduziu custos e facilitou o acesso ao empreendedorismo. Abrir um negócio hoje é menos burocrático do que há alguns anos, especialmente no caso do MEI”. Outro elemento é a transformação no mercado de trabalho. “Em um cenário de mudanças, com maior informalidade e rotatividade, empreender deixou de ser apenas um sonho e passou a ser uma necessidade para milhões de pessoas. O crescimento do número de MEIs mostra como o brasileiro busca alternativas para garantir renda e estabilidade”, revela Mariana. Além do impacto direto na geração de renda, os pequenos negócios têm papel fundamental na economia brasileira. Eles são responsáveis por uma parcela significativa dos empregos formais, movimentam economias locais e contribuem para a descentralização do desenvolvimento. Apesar do desempenho recorde, o consultor em empreendedorismo Carlos Menezes alerta que abrir empresas é apenas o primeiro passo, a taxa de sobrevivência dos pequenos negócios ainda é um desafio no país. “Dificuldades de acesso ao crédito, carga tributária complexa, falta de capacitação em gestão e oscilações no consumo são obstáculos recorrentes. O crescimento impressiona, mas é preciso olhar para a sustentabilidade desses empreendimentos”. Nesse contexto, o fortalecimento de políticas de apoio torna- -se essencial. Para Menezes, ampliar o acesso ao crédito com juros mais baixos, investir em educação empreendedora e simplificar ainda mais o ambiente regulatório são medidas estratégicas. “Não basta incentivar a abertura de empresas, é fundamental criar condições para que elas cresçam, inovem e permaneçam ativas”. A digitalização também é apontada como um caminho decisivo para a consolidação do setor. Plataformas de vendas on-line, meios de pagamento digitais e o uso de redes sociais como canais de marketing ampliaram o alcance de pequenos empreendedores, inclusive em regiões antes pouco integradas ao mercado nacional. “A tecnologia nivelou o jogo em muitos aspectos. Um pequeno negócio hoje pode alcançar clientes em todo o país, desde que tenha orientação e acesso às ferramentas certas”, finaliza Menezes.