Uso da força letal pela polícia aumenta insegurança no Brasil

Um relatório da Human Rights Watch no Brasil aponta que a adoção recorrente da força letal pela polícia, como política de segurança, tem produzido o efeito oposto ao esperado, ampliando a violência e a sensação de insegurança nas cidades. Segundo o levantamento, entre janeiro e novembro de 2025, ações policiais resultaram na morte de 5.920 pessoas, sendo que a população negra apresenta uma probabilidade três vezes e meia maior de vitimização quando comparado com a população branca. O documento também chama atenção para a ação policial mais letal no Rio de Janeiro, a Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos durante ofensiva voltada à captura de lideranças da facção Comando Vermelho. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o fundador e presidente da Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN) e presidente da ONG Clã da Negritude, Estevão Silva. Quando uma morte causada por policial deixa de ser uma ação legítima e passa a configurar execução ou violação de direitos humanos? Do ponto de vista jurídico, a regra é que a polícia não pode matar, pois sua função é prevenir e conter crimes, protegendo a vida. A morte causada por policial só é admitida, de forma excepcional, em legítima defesa ou para proteger a vida de terceiros, sempre com uso de meios proporcionais e moderados. Crimes contra o patrimônio, como furto ou roubo, não justificam o uso letal da força. Fora dessas hipóteses, a morte configura execução e violação grave de direitos humanos, inclusive quando há desproporção ou impossibilidade de defesa da vítima. Para além dos números, quais são os impactos dessas mortes nas famílias, nas comunidades periféricas e na democracia brasileira? O impacto da morte de homens, especialmente jovens negros, é profundo e estrutural em uma sociedade patriarcal. Ao eliminar o principal provedor, referência e proteção da família, ocorre a desestruturação econômica, psicológica e social do núcleo familiar, afetando filhos, mães e companheiras. Muitas famílias passam a depender de redes informais ou assistência que o Estado não garante, aumentando a vulnerabilidade social. A dor das mães, sobretudo negras, é devastadora e frequentemente acompanhada da ausência de justiça. Essa dinâmica alimenta ciclos de exclusão, violência e pode ser compreendida como uma forma de genocídio da população negra, com efeitos a curto, médio e longo prazo. O Brasil tem mecanismos eficazes para investigar mortes causadas por policiais? Possui boas ferramentas e métodos de investigação, como a polícia científica, mas elas não são aplicadas de forma igualitária. Quando as vítimas são pessoas negras ou da periferia, prevalece um imaginário social que naturaliza essas mortes, tratando esses corpos como “matáveis”, o que desestimula a apuração. Além disso, quando há suspeita de envolvimento policial, a investigação costuma ser feita pela própria corporação, o que compromete sua credibilidade. De que forma discursos políticos que exaltam o “confronto” ou a “guerra ao crime” impactam o aumento da estatística? O discurso de “guerra contra o crime” ou “guerra contra as drogas” é equivocado, perverso e profundamente perigoso, pois a lógica da guerra pressupõe a eliminação do inimigo. Ao adotar essa semântica, autoridades autorizam simbolicamente a morte de pessoas associadas, no imaginário social, ao crime e às drogas, em geral, negras e pobres. Não se fala em “guerra” contra crimes de colarinho branco. Essa linguagem reforça estigmas, legitima a violência e aumenta diretamente a letalidade policial. Quais medidas urgentes o Estado brasileiro deveria adotar para reduzir a letalidade policial? Para reduzir significativamente a letalidade policial, o Estado deve adotar duas medidas centrais: a desmilitarização da polícia e a criação de protocolos claros e proporcionais de uso da força. O Brasil é exceção ao manter uma polícia ostensiva fortemente armada em espaços civis, o que naturaliza a violência e aumenta o risco de mortes. Experiências internacionais mostram que forças menos armadas e mais orientadas pela inteligência reduzem conflitos letais. Protocolos bem definidos, aliados à redução de armas em circulação, tornam a atuação policial mais racional e segura.
Corrida de rua ganha força entre mulheres e jovens

A segunda edição do estudo Por Dentro do Corre, desenvolvido pela Olympikus em parceria com a Box1824, aponta que aproximadamente 2 milhões de brasileiros passaram a correr em 2025. Com esse crescimento, o número total de praticantes no país alcançou 15 milhões, frente aos 13 milhões registrados no ano anterior, uma alta de 15%. O levantamento também revela transformações nos hábitos dos corredores. Embora a frequência dos treinos tenha diminuído, as sessões ficaram mais longas, o que contribui para o aumento da insatisfação com o próprio rendimento, especialmente entre os iniciantes na modalidade. O levantamento revela uma distribuição equilibrada entre os gêneros, com mulheres correspondendo à metade dos participantes, além do crescimento da classe C, que agora responde por 43% dos praticantes. O perfil etário também ficou mais jovem: a média de idade recuou de 37 para 34 anos, impulsionada sobretudo pela expansão do grupo entre 18 e 24 anos, atualmente responsável por 20% do total de corredores. Para a educadora física Marina Albuquerque, o novo perfil reflete transformações mais amplas no comportamento da população. “A corrida de rua tem uma barreira de entrada muito baixa. Não exige mensalidade, pode ser praticada em espaços públicos e permite que cada pessoa avance no próprio ritmo. Isso faz com que mulheres, jovens e pessoas de renda média encontrem no esporte uma alternativa acessível e compatível com suas rotinas”. Também houve aumento na adesão a grupos organizados e assessorias especializadas, além da ampliação do contingente de corredores que passaram a competir em provas, percentual que avançou de 23% para 29% no intervalo de um ano. De acordo com a pesquisa, a escassez de tempo e as preocupações com segurança continuam sendo as principais barreiras para a prática, principalmente entre o público feminino. Na avaliação da profissional, o comportamento está ligado ao aspecto social da modalidade. “Correr deixou de ser apenas uma atividade solitária. Os grupos oferecem motivação, troca de experiências e sensação de pertencimento. Para quem está começando, especialmente mulheres e jovens, isso faz toda a diferença para manter a regularidade e ganhar confiança. Esse aumento da presença feminina escancara a necessidade de políticas urbanas que garantam iluminação, ocupação dos espaços e segurança”. A fisiologista Carla Menezes cita que os benefícios da corrida ajudam a explicar porque, mesmo diante desses obstáculos, o esporte continua atraindo novos adeptos. “Do ponto de vista físico, a prática regular melhora o condicionamento cardiovascular, fortalece músculos e ossos, auxilia no controle do peso e reduz o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”. Já no campo mental, os ganhos são igualmente relevantes. “A corrida é uma poderosa aliada da saúde emocional. Ela ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e os sintomas de depressão, além de melhorar a autoestima e a qualidade do sono”, destaca. A corrida também surge como uma resposta a um cotidiano cada vez mais digital e sedentário. “Existe uma busca por equilíbrio. Muitos jovens passam o dia conectados e encontram na modalidade um momento de desconexão, contato com o próprio corpo e com a cidade. Já para a classe C, o esporte representa uma oportunidade de cuidado com a saúde sem comprometer o orçamento, reforçando seu caráter inclusivo”. Ao incorporar novos públicos e responder às demandas de uma sociedade mais diversa, o esporte se consolida como uma prática plural, acessível e alinhada aos desafios contemporâneos.
Circuito Liberdade se consolida como o maior da América Latina

Instituído pelo Governo de Minas Gerais e administrado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), o Circuito Liberdade vive um novo momento de crescimento. Atualmente, reúne 56 equipamentos, incluindo museus, espaços voltados à cultura e ao turismo e, mais recentemente, iniciativas ligadas à economia criativa. Desde abril do ano passado, o conjunto teve uma ampliação de 60%, com a incorporação de 21 novas instituições, o que reforça sua posição como o maior complexo cultural, turístico, educacional e criativo da América Latina. Ao longo de seus 15 anos de trajetória, o complexo consolidou- -se como uma rede de fomento cultural, integrando programações e realizando eventos desenvolvidos de forma colaborativa. Nos últimos anos, passou a direcionar atenção especial aos negócios da economia criativa, que contribuem simultaneamente para o fortalecimento cultural, a dinamização do turismo e a geração de desenvolvimento econômico. Desde 2020, o circuito passou a abranger toda a área delimitada pela Avenida do Contorno. Em permanente processo de ampliação, o complexo vem registrando, desde o início do ano passado, um crescimento significativo no fluxo de visitantes. Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 3,7 milhões de pessoas participaram das atividades promovidas pela rede, número cerca de 70% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Esses resultados o reforçam como um dos mais relevantes polos culturais e turísticos de Minas Gerais e do Brasil. Para o museólogo Marcelo Cardoso, a importância do Circuito Liberdade para Belo Horizonte se dá tanto em termos simbólicos quanto práticos. “O complexo não é apenas um conjunto de espaços. Ele representa a materialização de um projeto cultural urbano que dialoga com a história da cidade, reforça sua identidade e democratiza o acesso à arte. É um modelo que outras capitais poderiam observar”. Ele afirma que esse crescimento traduz efeitos palpáveis para a cidade. “O espaço tem impulsionado o turismo cultural, favorecendo a ocupação hoteleira, o comércio local, restaurantes, serviços e, sobretudo, gerando empregos diretos e indiretos. Ele cria uma dinâmica que transforma Belo Horizonte em destino obrigatório para quem busca experiências culturais ricas e diversificadas”. Moradores de Belo Horizonte também reconhecem a relevância do conjunto cultural para o cotidiano da população. Cardoso explica que a oferta cultural ampliada trouxe mais vida às ruas e mais oportunidades de aprendizagem. “Antes, muitos de nós precisávamos sair da cidade para ter acesso a oficinas, exposições ou cursos. Hoje, o circuito atende a diferentes públicos, de crianças a idosos, e aproxima as pessoas da arte, da história e de práticas criativas que enriquecem nosso dia a dia”. O fortalecimento de iniciativas de economia criativa é apontado como um diferencial. Esses empreendimentos, que vão de estúdios de design a coletivos de audiovisual, contribuem não apenas para a formação, mas também para a disseminação de competências ligadas à inovação. Segundo o produtor cultural Rafael Lacerda, “ao conectar artistas, produtores culturais, empreendedores e o público em um mesmo ecossistema, o polo cultural estimula tanto a produção artística quanto a sustentabilidade econômica das atividades culturais”. O momento vivido pelo circuito demonstra que investimentos em cultura podem gerar impactos amplos e duradouros. “Ao integrar patrimônio histórico, produção artística, turismo, educação e economia criativa em uma mesma plataforma, BH fortalece não apenas sua vocação cultural, mas também seu potencial de desenvolvimento humano e urbano. E, mais do que um ponto turístico, se firma hoje como um motor de integração social e cultural, abrindo portas para que cada vez mais pessoas participem ativamente da cena artística da cidade e da região”, conclui.
Inteligência artificial transforma a economia criativa

Um levantamento realizado pela Deck revela que 93,5% dos trabalhadores da área cultural e da economia criativa acreditam ser provável que a Inteligência Artificial (IA) transforme a maneira como suas atividades profissionais serão executadas nos próximos cinco anos. A pesquisa ouviu 1.555 profissionais, atuantes em 16 segmentos do setor, entre junho e setembro de 2025. O estudo também indica que 35,5% dos participantes consideram plausível que seus postos de trabalho venham a ser substituídos por soluções baseadas em IA nesse intervalo. O temor é mais acentuado entre profissionais de cinema, rádio e televisão, onde o índice chega a 44,9%, e no setor musical, com 44,3%. Mesmo com a expansão das ferramentas, a sondagem aponta uma diferença significativa entre a utilização da IA e o entendimento sobre ela: 62% dos entrevistados dizem não conseguir reconhecer quais produtos ou serviços fazem uso de inteligência artificial. Essa dificuldade é ainda maior entre profissionais com mais de 45 anos. Para o consultor em inovação criativa Eduardo Salgado, esse descompasso revela um problema central. “A IA já está embutida em softwares de edição, plataformas de streaming, ferramentas de design, recomendação de conteúdo e análise de audiência. Muitos profissionais usam essas soluções diariamente sem perceber que estão lidando com inteligência artificial. Isso limita o potencial de uso estratégico da tecnologia”. Ele pondera que o risco não está na tecnologia em si, mas na forma como a ferramenta é incorporada. “Ela tende a substituir tarefas repetitivas e operacionais, não a criatividade humana em sua essência. O perigo real é o profissional que ignora essas ferramentas e perde competitividade. Quem aprende a usá-las como apoio, e não como ameaça, amplia seu repertório e seu valor no mercado”. Ainda assim, prevalece uma visão positiva. Para 66,2% dos participantes, a inteligência artificial pode contribuir para o aprimoramento do mercado de trabalho criativo no médio prazo, índice semelhante ao observado em pesquisas realizadas com a população em geral. Esse dado sugere que, mesmo diante das incertezas, há uma percepção clara de que a tecnologia pode gerar novas oportunidades, ampliar a produtividade e abrir caminhos para modelos de negócio inovadores. Entre os benefícios apontados estão a otimização do tempo, a ampliação do acesso a ferramentas antes restritas a grandes estruturas e a possibilidade de experimentação criativa. “Um designer independente, por exemplo, consegue hoje testar conceitos visuais, variações de layout e paletas de cores em minutos, algo que antes demandava horas. Isso não elimina o olhar humano, mas libera tempo para decisões mais estratégicas”, destaca o especialista em tecnologia Lucas Mendonça. Para que esses ganhos se concretizem, o conhecimento sobre IA se torna um ativo fundamental. Segundo Mendonça, compreender como os algoritmos funcionam, quais são seus limites e como direcionar seu uso é uma habilidade cada vez mais valorizada. “Não é necessário que todo profissional se torne programador, mas é essencial saber dialogar com a tecnologia, fazer boas perguntas, interpretar resultados e manter senso crítico”. “As empresas precisam abandonar a lógica de substituir pessoas por sistemas e adotar uma visão de complementaridade. A IA pode assumir etapas operacionais, como análise de dados, organização de acervos e automação de fluxos, enquanto os profissionais ficam responsáveis por curadoria, criação conceitual e tomada de decisões. Quando essa divisão é bem estruturada, o ganho é coletivo, tanto em produtividade quanto em qualidade criativa”, destaca. A pesquisa evidencia também uma busca cada vez maior por qualificação, especialmente em cursos voltados para automação de processos, gestão de projetos culturais apoiados por inteligência artificial e utilização prática da tecnologia em diferentes segmentos da economia criativa.
Pesquisa revela que trabalhadores vivem em burnout contínuo

A edição 2025 da pesquisa Work Relationship Index acendeu um sinal de alerta para empresas e lideranças em todo o país ao revelar um agravamento significativo no nível de insatisfação dos trabalhadores brasileiros. De acordo com o estudo, 34% dos profissionais estão hoje classificados na chamada Zona Crítica, faixa que indica ruptura iminente na relação entre empregado e empresa. O número representa um crescimento de nove pontos percentuais em relação a 2024, confirmando uma tendência que já vinha sendo observada desde o ano anterior: o trabalhador brasileiro vive em um estado de burnout contínuo, marcado por exaustão emocional, desengajamento e perda de sentido no trabalho. “Não estamos falando de um mal- -estar pontual, mas de uma fadiga estrutural, que se acumula ao longo dos anos e encontra pouco espaço de escuta dentro das organizações”, analisa a psicóloga organizacional Helena Mota. Na chamada Zona Saudável, o índice permanece estável, alcançando 29% dos trabalhadores, o mesmo percentual registrado no ano anterior. Já a Zona de Atenção concentra 37% dos profissionais, número que representa uma queda de oito pontos percentuais em comparação a 2024. O relatório mostra que o enfraquecimento do vínculo entre o trabalhador brasileiro e o emprego está diretamente ligado à sensação de deterioração da relação com as empresas. A redução nos índices de satisfação relacionados à realização profissional, à qualidade da liderança e à valorização das pessoas revela que muitos colaboradores não se sentem reconhecidos ou apoiados no dia a dia corporativo. Para Helena, a promessa de maior equilíbrio após o período mais agudo da pandemia não se concretizou para muitos profissionais. “Pelo contrário, metas mais agressivas, equipes reduzidas, jornadas prolongadas e a dificuldade de desconexão no trabalho híbrido contribuíram para a manutenção de um estado permanente de alerta”. Os dados mostram que 71% dos profissionais percebem um aumento significativo nas cobranças e nas expectativas. Mais da metade relata ter vivido processos de mudança organizacional, como programas de corte de despesas e desligamentos em volume superior à média mundial. Para 39%, as empresas demonstram priorizar resultados financeiros em detrimento do cuidado com as pessoas. Outros 29% afirmam ter passado por iniciativas de redução de custos, enquanto 39% dizem ter acompanhado demissões recentes. Ela ressalta que muitos colaboradores relatam sentir que suas opiniões não são consideradas e que as empresas falam sobre bem-estar, mas não praticam mudanças concretas. “Existe um abismo entre o discurso institucional e a experiência real do funcionário. Isso gera cinismo organizacional, que é extremamente nocivo”. O estudo também aponta mudanças no comportamento das novas gerações. Entre os trabalhadores da Geração Z, 57% mantêm uma atividade profissional adicional, o que sinaliza a busca por maior sentido, autonomia ou segurança financeira. Além disso, nove em cada dez entrevistados afirmam que aceitariam receber menos se isso significasse mais flexibilidade na rotina de trabalho. Carlos Menezes, consultor em gestão de pessoas, destaca que outro fator relevante é a insegurança em relação ao futuro profissional, mesmo empregados, muitos trabalhadores vivem sob constante medo de demissões, reestruturações e metas inalcançáveis. “Quando a pessoa sente que precisa provar seu valor o tempo todo para não perder o emprego, o trabalho deixa de ser um espaço de desenvolvimento e passa a ser um campo de sobrevivência”. Diante desse cenário, ele defende que as empresas precisam rever a forma como se relacionam com seus colaboradores. “Mais do que oferecer benefícios pontuais ou ações simbólicas, é necessário promover mudanças estruturais na cultura organizacional. Escuta não é aplicar uma pesquisa anual e arquivar os resultados. É criar canais contínuos, seguros e confiáveis, nos quais o funcionário possa falar sem medo de retaliação”. A liderança tem papel central nesse processo. O estudo indica que equipes com gestores preparados para dialogar, dar feedbacks claros e reconhecer esforços apresentam níveis menores de estresse, mesmo em contextos desafiadores. Para Menezes, investir na formação emocional das lideranças é estratégico. “Muitos gestores foram promovidos por competência técnica, mas não receberam preparo para lidar com pessoas, isso gera ruído, conflitos mal resolvidos e sensação de abandono”.
Mononucleose e herpes labial são infecções comuns na Folia

Com a aproximação do Carnaval, período marcado por festas prolongadas, blocos lotados, beijos compartilhados e uma rotina fora do habitual, especialistas alertam para o aumento do risco de transmissão de infecções virais comuns nessa época do ano, como a mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo”, e o herpes labial. Embora muitas vezes tratadas com descuido por não serem, na maioria dos casos, doenças graves, ambas exigem atenção, especialmente em momentos de maior exposição e queda da imunidade. Mononucleose A mononucleose é causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e é transmitida, sobretudo, pelo contato com a saliva, explica o infectologista Marcelo Azevedo. “O Carnaval cria um cenário perfeito para a disseminação do vírus: pessoas cansadas, imunidade baixa, consumo de álcool e contato íntimo com múltiplos parceiros. Além do beijo, o compartilhamento de copos, garrafas, latinhas e talheres também pode facilitar a transmissão”. Segundo Azevedo, os sintomas da mononucleose podem surgir entre quatro e seis semanas após o contágio e costumam incluir febre persistente, dor de garganta intensa, aumento das amígdalas, ínguas no pescoço, fadiga extrema e, em alguns casos, aumento do baço e do fígado. “Muitas pessoas confundem com uma gripe forte ou amigdalite, o que atrasa o diagnóstico, que é feito por avaliação clínica associada a exames de sangue específicos, que identificam anticorpos contra o vírus”. Não existe um tratamento antiviral específico para a mononucleose. Azevedo diz que o manejo é feito com repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos para alívio dos sintomas. “O repouso é fundamental, principalmente para evitar complicações como a ruptura do baço, que pode ocorrer se a pessoa insistir em atividades físicas intensas. Durante o Carnaval, ao menor sinal de sintomas, a recomendação é evitar festas, procurar atendimento médico e não compartilhar objetos pessoais”. Herpes labial Já o herpes labial, causado pela herpes simples tipo 1 (HSV-1), é ainda mais comum. Estima-se que grande parte da população adulta já tenha tido contato com o vírus, que permanece adormecido no organismo e pode ser reativado em situações de estresse, exposição excessiva ao sol, noites mal dormidas e baixa imunidade, todos bastante frequentes durante a folia. “O Carnaval reúne praticamente todos os gatilhos para uma crise de herpes”, esclarece a dermatologista Paula Nogueira. As lesões costumam começar com coceira, ardência ou formigamento nos lábios, evoluindo para pequenas bolhas dolorosas que se rompem e formam crostas. “O diagnóstico geralmente é clínico, feito pela observação das lesões e o tratamento inclui antivirais tópicos ou orais, que ajudam a reduzir a duração e a intensidade dos sintomas, especialmente quando iniciados logo nos primeiros sinais. Quanto mais cedo a pessoa começa o tratamento, melhor o controle da crise”, reforça. Ela recomenda evitar beijar ou ter contato direto com pessoas que apresentem lesões visíveis nos lábios ou sintomas suspeitos. “No caso do herpes, é fundamental não beijar ninguém enquanto houver feridas ativas, pois o risco de transmissão é alto. Também não se deve compartilhar maquiagem, batons, copos ou garrafas e o uso de protetor labial com fator de proteção solar ajuda a prevenir crises causadas pelo sol intenso”. Manter uma boa hidratação, alimentar-se adequadamente e adotar cuidados básicos de higiene e proteção ajudam a garantir que o Carnaval termine apenas com boas lembranças.
Legislação antecipa fim das carroças em Belo Horizonte para 2026

No dia 22 de janeiro entrou em vigor a Lei Municipal nº 11.611/2023, que antecipa em cinco anos a proibição da circulação de veículos de tração animal, popularmente conhecidos como carroças, na capital mineira. A norma, que modifica dispositivos de uma lei anterior, reduz o prazo originalmente previsto para a extinção dessa prática urbana, de 2031 para 2026, e passa a valer oficialmente no município neste início de ano. De autoria do vereador Wanderley Porto (PRD), a lei foi sancionada em novembro de 2023 e assinada pelo prefeito de Belo Horizonte na ocasião. A proposta resultou da junção de iniciativas parlamentares que ganharam apoio na Câmara Municipal e visam a proteção do bem-estar animal e a modernização das práticas urbanas. Entretanto, a implementação prática da lei não ocorre sem desafios. A Associação dos Carroceiros e Carroceiras Unidos de Belo Horizonte e Região Metropolitana relatou falta de planejamento e apoio efetivo por parte da Prefeitura de BH, o que poderia impactar na renda de famílias que dependem dessa atividade. Porto afirma que essa é uma preocupação legítima e foi considerada desde o início, pois sabem que muitas famílias sofrem com a precarização do trabalho. “A lei não tem como objetivo penalizá- -las, mas romper com um modelo ultrapassado, inseguro e cruel, tanto para os animais quanto para as próprias pessoas que dependiam dessa atividade. O que defendemos é uma transição justa, que substitua a tração animal por alternativas de trabalho mais seguras, dignas e sustentáveis”. Ele esclarece que houve escuta de diferentes setores ao longo dos anos, incluindo audiências públicas com trabalhadores, veterinários, organizações de proteção animal e poder público. “A lei é resultado de um processo amadurecido, baseado em dados locais e experiências de outras cidades”. O político explica que a legislação prevê que o poder público atue para construir políticas de transição, como programas de capacitação, inclusão em outras atividades produtivas e apoio social, conforme a realidade de cada família. “Os carroceiros precisam procurar a Prefeitura para serem orientados e encaminhados. O objetivo é que o fim das carroças caminhe junto com políticas públicas que ofereçam novas oportunidades de renda. Essa é uma diretriz que seguimos cobrando e acompanhando de perto”. A Prefeitura deve realizar a fiscalização por meio de ações de campo, atendimento a denúncias e monitoramento. No entanto, antes da lei entrar em vigor, em 22 de janeiro, uma decisão liminar da Justiça suspendeu a aplicação das multas previstas, por isso ainda há carroças circulando pela cidade. Enquanto isso, foi lançado um canal de denúncias pelo WhatsApp, o BH sem Carroça: (31) 98282- 6850. A população pode enviar fotos e vídeos, sempre sem expor ou confrontar o condutor, informando data, horário e local da ocorrência. As denúncias estão sendo encaminhadas diretamente aos órgãos fiscalizadores. Segundo o vereador, a lei prevê sanções administrativas, como multas, que serão aplicadas conforme a regulamentação e o devido processo legal. Além disso, está tramitando na Câmara um projeto de lei de sua autoria que prevê a troca da carroça por um veículo alternativo, provavelmente um triciclo, a ser oferecido pela Prefeitura. “Também estamos debatendo a possibilidade de apreensão da carroça e o aumento das taxas para reaver cavalos recolhidos. O objetivo não é punir, mas garantir que a lei seja respeitada e que os animais não continuem sendo submetidos a sofrimento”. Na opinião de Porto, a médio e longo prazo, o impacto será extremamente positivo. “A cidade avança em segurança no trânsito, em proteção animal, em modernização urbana e em justiça social. Ao substituir uma atividade precária por alternativas mais dignas, Belo Horizonte se alinha a uma tendência nacional e internacional de cidades mais humanas, seguras e responsáveis”.
BH cria política para prevenir e tratar vício em jogos e apostas

Belo Horizonte passou a contar com uma política pública destinada ao apoio de pessoas que apresentam transtornos relacionados à dependência de jogos de azar. A norma divulgada no Diário Oficial define orientações para ações de acolhimento, tratamento e reintegração social de indivíduos impactados por apostas, com atenção especial aos jogos digitais e às plataformas on-line. Aprovada pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes (Podemos), a legislação permite que a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleça convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais, que tenham experiência no combate e tratamento da dependência de jogos de azar. O texto ainda prevê a promoção de campanhas de conscientização para informar a população sobre os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas. A lei estabelece que profissionais dos setores de saúde, educação e assistência social recebam treinamento especializado para reconhecer e atuar em situações relacionadas à ludopatia. Os custos dessas iniciativas serão cobertos por recursos orçamentários destinados à finalidade. Além disso, o Executivo poderá tornar públicos indicadores de desempenho das ações, observando as normas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo a psicóloga Lara Fagundes, o avanço das apostas on-line e dos jogos eletrônicos com mecanismos de recompensa rápida tem ampliado os casos de dependência, especialmente entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. “Essas plataformas são desenhadas para estimular o uso contínuo, com promessas de ganho fácil, rankings, bônus e recompensas imediatas. Para muitas pessoas, isso se transforma em uma fuga de problemas emocionais, financeiros ou sociais, criando um ciclo difícil de romper sem apoio”. Ela destaca que o acolhimento é um dos pilares mais importantes da política adotada por BH. “Quando o poder público reconhece o problema e oferece um espaço de escuta sem julgamento, a pessoa se sente mais segura para buscar ajuda. A dependência não é uma falha de caráter, mas uma condição que precisa de tratamento, assim como outras questões de saúde mental e a abordagem humanizada aumenta significativamente as chances de adesão ao tratamento e de recuperação”. De acordo com o assistente social Paulo Nogueira, a dimensão econômica do problema é central. “Muitos dependentes chegam aos serviços públicos com a vida financeira completamente desorganizada, enfrentando endividamento, conflitos familiares e até risco de perda de moradia. Oferecer orientação prática é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir sua autonomia”. Para Nogueira, a proposta de reinserção social é outro eixo central da iniciativa. As parcerias com instituições de ensino, organizações da sociedade civil e o setor privado para facilitar o retorno aos estudos, a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho são uma etapa decisiva para evitar recaídas. “Quando a pessoa volta a se sentir útil, produtiva e integrada à comunidade, encontra novos sentidos para a vida que não passam pelo jogo ou pela aposta, o que fortalece o processo de recuperação e gera benefícios duradouros”. “Problemas relacionados ao vício em apostas estão associados ao aumento da demanda por serviços de saúde, assistência social e até segurança pública. Investir em prevenção e tratamento é mais eficiente e menos oneroso do que lidar apenas com as consequências. A iniciativa demonstra uma visão estratégica de gestão pública, ao antecipar um problema que tende a crescer com a digitalização da economia”, acrescenta. Lara ressalta ainda que a política fortalece o tecido social da cidade. “Quando o município cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, promove inclusão e reduz desigualdades. Isso se reflete em uma cidade mais saudável, com cidadãos mais participativos e capazes de contribuir para o desenvolvimento local”.
Quase 80% das famílias brasileiras terminaram o ano endividadas

Em dezembro de 2025, o percentual de consumidores endividados atingiu 78,9%, o patamar mais elevado já registrado para esse mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a dezembro de 2024, o indicador avançou 2,3 pontos percentuais. O índice de inadimplência também apresentou crescimento no período, alcançando 29,4% na comparação anual. Já na análise mês a mês, os indicadores apresentaram alívio. Depois de alcançar o recorde histórico de 79,5% em outubro, a proporção de famílias com dívidas caiu para 78,9% em dezembro, o nível mais baixo observado desde julho. A mesma tendência de queda foi verificada na inadimplência: o percentual de contas em atraso ficou em 29,4% no encerramento do ano, resultado inferior ao pico de 30,5% registrado em outubro e o menor desde abril, quando marcou 29,1%. Mas mesmo com a recuperação observada nos últimos meses do ano, o balanço anual indica um aumento das dificuldades financeiras na comparação com o ano anterior. “A alta persistente dos juros e a inflação ainda em patamares elevados corroem a renda disponível dos trabalhadores, forçando a maior utilização de crédito para o consumo cotidiano e para o pagamento de compromissos pré-existentes. Além disso, o encarecimento do crédito tradicional tem levado muitos consumidores a buscar modalidades de empréstimos com condições menos favoráveis, o que amplia o endividamento total”, explica a economista Laura Mendes. “Temos uma conjuntura em que o custo de vida sobe mais rápido que os salários, juros altos reduzem o poder de compra e o crédito, ainda que seletivo, continua sendo a principal alternativa de consumo para muitos”, completa. Laura também afirma que a fraca educação financeira da população pode levar a escolhas menos equilibradas, como o uso excessivo do cartão de crédito sem planejamento, o que só aumenta o comprometimento da renda com juros e parcelas. O uso do cartão de crédito firmou-se como a forma mais recorrente de endividamento, representando 85,1% das famílias com dívidas, o que corresponde a uma elevação de 1,3 ponto percentual em relação a 2024. Esse cenário inspira atenção, já que essa modalidade apresenta algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado, próximas de 90,1% ao ano. Em contrapartida, a proporção de famílias que afirmaram não conseguir arcar com seus compromissos financeiros recuou para 12,6%, encerrando o período em nível inferior ao observado em 2024. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,5% em dezembro, abaixo dos 29,8% registrados no mesmo mês do ano anterior. A economista diz que um ponto importante é uma política macroeconômica mais favorável ao crescimento econômico sustentável. “A redução responsável da taxa básica de juros, quando compatível com o controle da inflação, pode diminuir o custo do crédito e tornar mais viável o pagamento das dívidas. Além disso, programas de apoio às pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de emprego, podem fortalecer o mercado de trabalho e aumentar o poder aquisitivo das famílias”. O consultor financeiro Ricardo Faria ressalta que a melhora dos indicadores no final de 2025 é explicada por um planejamento financeiro mais cuidadoso por parte dos consumidores. “Além de fatores sazonais, como as festividades de fim de ano, que impulsionam o comércio e a oferta de crédito, e o pagamento do 13º salário. Ainda assim, persiste um risco relevante no processo de endividamento, sobretudo relacionado ao uso do cartão de crédito, que pode levar à acumulação progressiva das dívidas”. Neste início de ano, Faria recomenda a criação de um orçamento familiar rigoroso. “É essencial mapear gastos e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos. Renegociar parcelas com credores, buscar crédito com juros baixos e, se possível, destinar parte da renda para um fundo de emergência são passos importantes”.
Bilionários acumulam riqueza, enquanto pobreza segue em alta

No ano passado, a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo US$ 18,3 trilhões, o maior patamar registrado na história, segundo um relatório recente da Oxfam. Desde 2020, essa fortuna aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas não tem acesso regular a alimento suficiente e quase metade da população mundial vive na pobreza. O Brasil concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 indivíduos que somam cerca de US$ 253 bilhões, a maior fortuna coletiva da região. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam, Viviana Santiago. Quais fatores contribuíram para o expressivo salto na riqueza dos bilionários em 2025 O crescimento desproporcional da riqueza dos bilionários, em um contexto global de pobreza, está intimamente ligado a medidas políticas que favorecem a manutenção e a reprodução dessa concentração de recursos. Um exemplo é a administração Trump, que adotou uma agenda claramente voltada à proteção dos interesses das grandes fortunas. Entre suas ações, destacam-se esforços para reduzir a tributação sobre grandes empresas, criar espaços pouco regulados para setores emergentes, como a inteligência artificial, e consolidar monopólios em determinados mercados. Essas medidas, combinadas, aceleram o aumento da extrema riqueza, impactam o mundo inteiro, mas beneficiam de maneira particular as grandes fortunas norte-americanas. Quais são os principais obstáculos políticos no Brasil para implementar a tributação de dividendos, grandes fortunas e heranças? A implementação de uma reforma tributária progressiva enfrenta obstáculos ligados à defesa dos interesses de bilionários, especialmente por mandatos parlamentares que protegem setores produtivos concentradores de riqueza. Narrativas controladas por esses indivíduos e veículos de comunicação associam tributação de lucros, dividendos e grandes fortunas à perda de empregos e à instabilidade econômica, dificultando o debate público. Na prática, trata-se de justiça fiscal: tributar a extrema riqueza não ameaça a sociedade, mas reduz desigualdades. A recente reforma do imposto de renda é capaz de reduzir a concentração de riqueza ou seu impacto é restrito? Ela representa um passo importante para reduzir a regressividade do sistema tributário. No entanto, embora relevante, essa medida não é suficiente para reverter totalmente o cenário de desigualdade fiscal. O país ainda possui poucas faixas de tributação, mantendo alta regressividade no topo da renda. Apesar da criação do imposto mínimo adicional, ele não resolve o problema estrutural. Para uma reforma verdadeiramente progressiva, é necessário ampliar as faixas do imposto de renda e avançar na tributação de lucros, dividendos e patrimônio, áreas que desde a década de 1990 permanecem praticamente isentas e concentram a extrema riqueza. O relatório relaciona o crescimento da desigualdade à redução das liberdades civis e da imprensa. Quais evidências concretas desse fenômeno já são visíveis? Nos últimos anos, tem se fortalecido no Brasil uma agenda de criminalização de movimentos sociais, ativistas e ações voltadas à igualdade, como o apoio à população em situação de rua. Projetos como a criminalização das barricadas, apresentados como combate ao tráfico, na verdade reprimem manifestações populares e protestos contra desigualdades. No ambiente digital, observa-se resistência à remoção de perfis ultraconservadores e censura à produção cultural, sempre sob a justificativa da “moral e dos bons costumes”. Esses processos refletem interesses de elites econômicas que buscam controlar narrativas e ampliar sua influência política. Quais políticas públicas a Oxfam recomenda para reduzir a desigualdade e garantir maior justiça fiscal e social? Enfrentar a desigualdade no Brasil exige transformar o sistema tributário regressivo em progressivo, com taxação de lucros, dividendos, heranças e grandes fortunas, acompanhada de métricas e indicadores claros. Combater pobreza não basta: é preciso reduzir desigualdade fortalecendo direitos sociais, como previdência e trabalho, e enfrentando a precarização do emprego. Também é essencial investir na formação política da população e na regulação de monopólios de comunicação, garantindo participação social e proteção democrática frente ao controle de narrativas