Síndrome de Tourette afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo

A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico que se manifesta principalmente durante a infância e adolescência, caracterizado por múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, presentes por mais de um ano. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome acomete cerca de 1% da população mundial, aproximadamente 80 milhões de pessoas. Segundo a neurologista Camila Borges, “os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e recorrentes. Eles podem ser simples, como piscar os olhos, ou complexos, como saltar ou repetir palavras. A coprolalia, que envolve o uso involuntário de palavrões ou expressões inapropriadas, é um sintoma presente em uma minoria dos casos, mas frequentemente associada ao estigma social. É importante compreendê-la como um sintoma neurológico involuntário. Os xingamentos não refletem a personalidade ou os valores da pessoa, mas sim uma condição que está fora de seu controle”. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições e os tiques variam em intensidade e frequência e tendem a piorar em situações de estresse ou ansiedade. Camila diz que a Tourette raramente aparece sozinha. “É muito comum que venha acompanhada de outros transtornos, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e dificuldades de aprendizagem”. O psiquiatra Rafael Monteiro explica que é essencial que os sintomas estejam presentes por pelo menos um ano e comecem antes dos 18 anos. “Às vezes, os pais demoram a procurar ajuda, achando que os tiques são apenas manias ou nervosismo. Mas quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida da criança”. A síndrome não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, muitas vezes, a simples observação e apoio psicológico são suficientes. Nos casos moderados a graves, podem ser indicados medicamentos como antipsicóticos, relaxantes musculares e antidepressivos. “A Terapia de Intervenção Comportamental para Tiques (CBIT) ajuda o paciente a reconhecer o impulso do tique e desenvolver respostas concorrentes para impedir sua manifestação, antipsicóticos são utilizados para reduzir a intensidade dos tiques. Além disso, existem diversos medicamentos que podem ser eficazes, especialmente em crianças”, esclarece. A educação da família e da escola também é fundamental. A empatia e o acolhimento ajudam a reduzir o estigma social e melhoram o desempenho acadêmico e social dos jovens com Tourette”. Monteiro ressalta que apesar de retratada muitas vezes de forma caricata na mídia, a condição é uma condição real que pode ser desafiadora. O desconhecimento sobre a síndrome ainda gera preconceito, isolamento e até bullying. “Informar-se é o primeiro passo para combater o estigma. Pessoas com Tourette são inteligentes, criativas e capazes. Com apoio e tratamento adequado, podem levar uma vida plena”. A cantora Billie Eilish falou abertamente sobre os desafios de conviver com a síndrome de Tourette, descrevendo a experiência como “extremamente exaustiva”. Durante uma participação em um programa em 2022, ela foi registrada tendo um tique enquanto conversava com o entrevistador. A artista afirmou que sente grande satisfação em compartilhar sua vivência com a condição, pois acredita na importância de falar sobre o assunto. No entanto, ela também destacou que nem todos reagem bem quando presenciam um de seus tiques.
BH registra quase 350 mil multas de trânsito no 1º bimestre do ano

O primeiro bimestre de 2025 trouxe números alarmantes sobre a situação do trânsito em Belo Horizonte. Dados compilados pela BHTrans, empresa responsável pela gestão do trânsito na capital mineira, revelaram que, ao todo, foram 349.398 infrações registradas, em uma arrecadação superior a R$ 19,8 milhões. O número de multas aplicadas no município teve um aumento de 13,5% em comparação com o mesmo período de 2024, quando 307.816 motoristas infratores foram flagrados. Esse avanço na quantidade de multas em Belo Horizonte levanta preocupações sobre a segurança viária e a eficácia das políticas públicas implementadas. O excesso de velocidade, o uso do celular ao volante, e a falta do cinto de segurança continuam sendo as infrações mais comuns, e são responsáveis por grande parte dos acidentes nas vias da cidade. Para o especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, ainda existe uma possível deterioração no comportamento dos motoristas, que insistem em práticas de risco, apesar das campanhas educativas. “O aumento nas infrações é um reflexo direto de alguns fatores, mas principalmente da persistência de comportamentos imprudentes por parte dos motoristas. Por mais que haja fiscalização, é necessário um trabalho contínuo de conscientização para que esses índices de multas possam realmente diminuir no futuro”. Outro fator que pode ter influenciado na alta de multas é o aumento do fluxo de veículos na cidade. “Com a retomada econômica pós-pandemia e o crescimento do número de veículos circulando pelas ruas, o trânsito tem se tornado mais caótico, e consequentemente, o número de infrações tende a crescer”, afirma Souza. Isso não apenas prejudica a segurança viária, mas também gera um impacto econômico para a população. A aplicação de multas resulta no aumento da arrecadação de recursos para a BHTrans, que é reinvestido em melhorias na infraestrutura do trânsito e em projetos de mobilidade urbana. No entanto, a alta nas infrações também levanta uma questão sobre a eficácia das estratégias de fiscalização. Na avaliação de Souza, “apesar da intensificação da fiscalização e das campanhas educativas, a quantidade de infrações e acidentes sugere que é necessário repensar a forma como as ações de conscientização estão sendo realizadas. O aumento das multas pode ser visto como uma medida paliativa, que não resolve as causas profundas dos problemas no trânsito, como a falta de educação e a impunidade”. Entretanto, o aumento das multas pode ser mais do que apenas reflexo da fiscalização intensificada. O trânsito de Belo Horizonte enfrenta problemas estruturais, como o aumento do número de veículos, a falta de alternativas de transporte público eficientes e o alto índice de congestionamento, que contribuem para o agravamento da situação. Segundo a especialista em mobilidade urbana, Mariana Silva, o número crescente de infrações reflete uma falta de infraestrutura e planejamento no sistema de transporte da cidade. “Belo Horizonte ainda não tem uma rede de transporte público capaz de atender toda a população de forma eficiente. A falta de opções de transporte coletivo e a saturação das vias urbanas tornam a cidade mais dependente dos carros particulares, o que, por consequência, gera mais infrações e congestionamentos”. Ela relata que o crescimento populacional e o aumento do número de veículos são fatores que exigem um planejamento mais eficiente, com investimentos em transporte público, ciclovias, e mais espaço para pedestres. “Embora as multas possam gerar uma sensação de controle, é necessário que o planejamento urbano também se concentre na melhoria da infraestrutura e na oferta de alternativas de transporte sustentável”.
10.840 empresas foram abertas em BH no primeiro trimestre
No primeiro trimestre, houve um crescimento de 33,6% na abertura de empresas em Belo Horizonte. Esse desempenho favorável, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, está registrado no Cadastro de Contribuintes de Tributos Mobiliários, desenvolvido pela administração municipal. De janeiro a março deste ano, a capital mineira registrou a abertura de 10.840 novas empresas, comparado a 8.114 no mesmo período de 2024. Excluindo os microempreendedores individuais (MEIs), a cidade agora possui 481.107 empresas em operação. O número expressivo de novas empresas é considerado um reflexo da confiança do empresário local no ambiente econômico de Belo Horizonte, que tem se mostrado resiliente. A capital mineira, além de ser um polo comercial e industrial, também tem se consolidado como um centro de inovação e tecnologia, atraindo novos empreendedores em áreas como o comércio eletrônico, soluções digitais e startups. Além da recuperação econômica pós-pandemia, a modernização das plataformas digitais de registro empresarial desempenharam um papel fundamental no aumento da abertura de empresas na cidade. “O processo de abertura de uma empresa nunca foi tão rápido e fácil em Belo Horizonte. A transformação digital permitiu que empreendedores pudessem registrar seus negócios sem precisar sair de casa, o que é um grande avanço para a cidade, essa mudança foi um facilitador importante para quem deseja empreender, especialmente em um momento de recuperação econômica”, afirma o economista Fabrício Diniz. Outro fator que tem influenciado o aumento na abertura de empresas é a diminuição da taxa de juros, que proporcionou um cenário mais favorável para o crédito. Com a redução da taxa básica de juros, muitos empreendedores conseguiram obter linhas de crédito mais acessíveis para financiar seus negócios, o que ajudou a impulsionar o surgimento de novas empresas. Um dos impactos mais diretos é o aumento na geração de empregos. Cada nova empresa aberta tem o potencial de criar vagas de trabalho, tanto diretas quanto indiretas, movimentando ainda mais a economia da cidade. Para Diniz, o crescimento da atividade empresarial é essencial para a redução do desemprego e para a qualificação da mão de obra local. “A abertura de novas empresas tem um efeito multiplicador positivo na economia. Além da criação de novos postos de trabalho, essas empresas geram demanda por serviços de fornecedores, logística e outros setores, o que contribui para a movimentação de vários segmentos econômicos. Esse crescimento também é um reflexo de um ambiente mais saudável para o empreendedorismo, com mais oportunidades para quem quer investir e inovar”. O aumento do número de empresas também favorece a diversificação econômica de Belo Horizonte. De acordo com o economista, com mais negócios sendo formalizados em diferentes setores, a cidade se torna menos dependente de atividades específicas, o que contribui para a sua maior resiliência a crises externas. “A capital tem se tornado um polo de inovação, com um número crescente de empresas ligadas à tecnologia e soluções digitais, além de negócios no setor de serviços. Isso amplia o leque de possibilidades para a cidade e fortalece sua posição como um centro econômico e inovador”. Apesar do crescimento positivo, o consultor financeiro Guilherme Ferraz alerta para os desafios que a cidade ainda enfrenta em termos de infraestrutura e oferta de mão de obra qualificada. “Embora o número de empresas esteja crescendo, a cidade precisa continuar a melhorar suas condições para receber novos negócios e garantir que eles tenham sucesso a longo prazo”. “O aumento na abertura de empresas é um sinal claro de confiança na cidade, mas precisamos garantir que essa confiança seja sustentada por uma infraestrutura que atenda às necessidades dessas empresas, além de formar profissionais qualificados para o mercado de trabalho, a educação e o treinamento contínuo da força de trabalho serão cruciais para o sucesso desse novo ciclo de crescimento”, afirma Ferraz.
Brasil registrou 3.853 violações de intolerância religiosa no ano passado

Em 2024, o Brasil teve 3.853 incidentes relacionados à intolerância religiosa, representando um crescimento superior a 80% em comparação aos 2.128 casos registrados em 2023, conforme informações do Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A umbanda foi a religião que mais sofreu violações, seguida pelo candomblé, ambas de origem africana. O número de incidentes contra essas religiões mais que dobrou de 2023 para 2024, com o candomblé registrando 214 casos no último ano, em comparação aos 58 de 2023. Já a umbanda passou de 84 para 234 violações no mesmo período. Em 2025, foram reportadas 178 violações, sendo 60 delas no Estado de São Paulo. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar, com 21 registros, seguido pela Bahia, com 19 ocorrências. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Como você interpreta esse aumento de 80% nas violações motivadas por intolerância religiosa no ano passado frente a 2023? Isso está relacionado a um contexto global de ascensão do fascismo, do conservadorismo e do avanço da extrema-direita em vários países. Portanto, ter governos autoritários eleitos pelo voto popular ajuda a proliferar os discursos de ódio, seja nas redes sociais ou nos programas eleitorais. No Brasil, há também um narcopentecostalismo, que tomou conta de vários territórios já fragilizados pela falta de saneamento básico, estrutura cultural e com altas faixas de desemprego. Ele é embrião do surgimento de milícias que passaram a comandar tais territórios aliados aos movimentos evangélicos que estavam em crescimento, como exemplo, no Rio de Janeiro com o Complexo de Israel e o Complexo do Arão. Quais fatores contribuíram para esse avanço significativo de violações? No contexto do Brasil, os narcotraficantes estão “livres” para agir, pois o aparato estatal não tem disposição e nem têm como prioridade o enfrentamento de fato a esses grupos armados. E, muitas vezes, diversos parlamentares eleitos são ligados a esses grupos ou têm permissão para fazer campanha eleitoral nas regiões dominadas pelo tráfico e benzidas pelas mãos de pastores e líderes religiosos que não têm como meta acabar ou eliminar a situação nos territórios, mas apenas tolerar a prática criminosa para que os negócios religiosos evangélicos continuem sem ser interrompidos. Por que as religiões de matriz africana são os maiores alvos de preconceito? Porque são doutrinas que não acolhem o modo operativo dos grupos milicianos e também não é a ideologia seguida e pregada pelos “donos” dos territórios e por seus principais mandantes. Ou seja, essa perseguição acaba por refletir a dinâmica de busca pelo poder daqueles que viam os católicos e os macumbeiros como inimigos que poderiam inviabilizar a tomada do poder nas favelas e rincões. E o tráfico viu na subida e na adesão evangélica um possível aliado para dominar os territórios que estavam sendo conquistados pelas doutrinas pentecostais. Há necessidade de que esse tipo de violência deixe de ser encarado como um conflito de valores, crenças e costumes e seja inserido no debate nacional como um problema público? Sim. Sem aparato estatal não é possível combater tais grupos compostos pelos narcotraficantes, de um lado, e por milicrentes, de outro. Isso significa, então, enfrentamento armado, políticas de inclusão cultural, educacional, de desenvolvimento econômico e uma agenda de substituição da economia da criminalidade pela economia produtiva de base popular, inclusiva e circular nos próprios territórios dominados pelo poder narco. Além disso, os grupos cristãos têm privilégios sobre os demais grupos afros, como a entrada nos presídios para pregar a doutrina evangélica e dar assistência religiosa, coisa que os de matriz africana não possuem. Quais são os próximos passos para combater a intolerância religiosa no Brasil, tanto do ponto de vista jurídico quanto educacional e social? Ações de redução dos crimes contra o patrimônio que não explore ou que suspenda as práticas de extorsão aos moradores, como a cobrança de taxas, pode ser um poderoso recurso de legitimação que produz e fortalece a confiança e a credibilidade na ação do Estado, além de ações visando gerar emprego e bem-estar social. No geral, os moradores precisam ser consultados no processo de retomada da vida nessas comunidades, a descrença no Estado atrapalha nesse sentido e o medo e o silêncio ajudam na manutenção do problema.
Grama sintética em estádios gera discussões sobre lesões

A popularização do gramado sintético em estádios de futebol tem gerado debates intensos sobre a sua segurança e impacto na saúde dos jogadores. Embora a superfície artificial seja adotada por ser mais resistente e de menor custo de manutenção, ainda possui certa rejeição por uma parte dos atletas. O Campeonato Brasileiro de 2025 contará com três estádios que utilizarão grama sintética. Nesta temporada, o Allianz Parque (São Paulo) e o Nilton Santos (Rio de Janeiro) seguem como os estádios da edição anterior. A principal novidade é a Arena MRV, em Belo Horizonte, que optou por substituir o tipo de gramado no final de 2024 e deve inaugurar o novo campo na Série A. Além dos três estádios já confirmados, o Pacaembu foi reformado e conta com grama sintética. Antes era administrado pela prefeitura e agora pertence à iniciativa privada. Firmou um contrato de 10 anos com o Santos para sediar jogos. Há também outro modelo de gramado. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, e o Maracanã, principal estádio do Rio de Janeiro, utilizam gramados híbridos. Esse tipo de campo combina fibras sintéticas com a grama natural. Em fevereiro, um grupo de jogadores compartilhou nas redes sociais uma mensagem padrão contra o uso de grama sintética. Entre os principais nomes do futebol brasileiro que aderiram à campanha estavam Neymar, Gerson, Gabigol, Dudu, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Thiago Silva, Pablo Vegetti, Alan Patrick, entre outros atletas. Além do atacante do Cruzeiro, Dudu, que, em entrevista coletiva no mês passado, atribuiu o gramado sintético do Allianz Parque como um dos principais fatores para a séria lesão no joelho direito que sofreu em agosto de 2023. Uma das pesquisas sobre o assunto foi divulgada na revista The Lancet em 2023. Os pesquisadores analisaram 1.447 estudos, selecionando 22 que atendiam aos critérios estabelecidos. A sondagem concluiu que a taxa geral de lesões no futebol é inferior nos campos com grama sintética em comparação com os de grama natural. Segundo os dados, o risco de lesão não pode ser utilizado como um argumento contra o uso do gramado sintético. Para o fisioterapeuta Renato Lacerda, embora as lesões possam ocorrer tanto em gramados naturais quanto sintéticos, é importante avaliar o contexto de cada jogo. “A Fifa autoriza três tipos de grama para o futebol: natural, relva natural com reforço híbrido e relva sintética/ artificial. Os campos sintéticos com boa instalação e materiais mais modernos têm apresentado desempenho semelhante ao do gramado natural em termos de segurança para os jogadores. O problema surge quando o campo sintético está deteriorado ou mal projetado”. Na avaliação de Lacerda, os jogadores precisariam adaptar seus treinamentos ao tipo de piso no qual irão disputar a partida oficial. “O desafio é que nem todos os times ou estádios contam com centros de treinamento equipados com grama sintética. Eles treinam na grama natural e, ao chegarem para a competição, se deparam com uma superfície diferente. É preciso encontrar uma solução que seja viável tanto para os atletas quanto para os estádios”, afirmou. A engenheira agrônoma, Priscila Moraes, salienta que os campos sintéticos modernos utilizam materiais mais flexíveis e camadas de amortecimento para reduzir o impacto. “A tecnologia tem evoluído, e hoje temos opções no mercado que conseguem equilibrar custo-benefício e segurança para os jogadores”. “A principal vantagem do gramado sintético é sua durabilidade. Em regiões onde o clima é adverso, como em locais de baixas temperaturas ou onde as chuvas são intensas, o campo sintético oferece uma solução prática, permitindo que os jogos aconteçam sem interrupções. Além disso, os custos de manutenção de um gramado sintético são consideravelmente mais baixos do que os de um campo natural, que exige cuidados constantes, como irrigação, corte e fertilização”, conclui.
840 municípios mineiros têm leis de preservação do patrimônio cultural

Minas Gerais se destaca como referência no país quando se trata de preservação do patrimônio cultural. Em 2021, o Estado contava com 802 municípios que adotam leis municipais voltadas à conservação. Já em 2024, esse número subiu para 840, evidenciando um progresso considerável e a presença de políticas de conservação em 98% das cidades mineiras. Com uma tradição de mais de 500 anos, marcada por cidades coloniais, igrejas barrocas, arquiteturas históricas e manifestações culturais únicas, a proteção do patrimônio se tornou uma prioridade para muitas administrações municipais. O arquiteto Fernando Resende explica a relevância dessa legislação para as cidades mineiras. “A adoção de leis para a proteção do patrimônio cultural é um passo fundamental para garantir que os municípios possam proteger sua história e sua identidade de forma autônoma. Cada cidade tem um contexto único e, muitas vezes, a legislação estadual ou federal não é suficiente para lidar com as especificidades locais. Essa possibilidade de controle local tem ajudado a preservar o estilo arquitetônico colonial, por exemplo, que é um dos maiores atrativos turísticos de Minas”. Ele ressalta que muitos municípios de Minas Gerais possuem riquezas históricas e culturais que são fundamentais para o entendimento da história do Brasil. “O Estado tem em sua arquitetura barroca e nas manifestações culturais um dos maiores patrimônios do país. No entanto, o crescimento acelerado das cidades e a especulação imobiliária são desafios constantes para a preservação desses bens. Nesse sentido, as leis municipais oferecem a chance de um controle mais eficaz sobre as mudanças no tecido urbano, garantindo que a modernização não elimine a memória histórica”. Cada edificação histórica, festa tradicional, e até mesmo cada prato típico ou saber popular são peças importantes da história de um povo. O museólogo Marcelo Cardoso explica o impacto da legislação de preservação para a cultura local. “A proteção do patrimônio cultural é um exercício de afirmação da identidade local. Quando uma cidade se preocupa em preservar suas tradições, ela está não apenas salvaguardando seu patrimônio, mas também fortalecendo o sentimento de pertencimento de seus cidadãos”. Além da sua importância cultural, a preservação do patrimônio tem um impacto direto na economia local, especialmente no setor de turismo. Minas Gerais é um dos principais destinos turísticos do Brasil, e muitos de seus visitantes buscam a experiência de conhecer suas cidades históricas e suas tradições culturais. As leis de proteção ao patrimônio ajudam a garantir que o turismo se desenvolva de maneira sustentável, sem comprometer os aspectos culturais e históricos das cidades. Cardoso destaca o papel do patrimônio como gerador de oportunidades econômicas. “A preservação do patrimônio não só fortalece a identidade cultural de uma cidade, mas também se transforma em uma fonte de geração de empregos e de renda. O turismo cultural, que tem crescido significativamente em Minas, depende diretamente da preservação do patrimônio material e imaterial”. Municípios como Tiradentes, São João del-Rei e Diamantina são exemplos de como a preservação pode ser uma alavanca para o desenvolvimento econômico local. “Essas cidades atraem turistas que vêm em busca de história, de uma experiência genuína. Manter o patrimônio vivo é garantir que o turismo se sustente no longo prazo, sem perder a autenticidade”, completa. Resende alerta para a importância da educação e da conscientização. “As políticas de preservação precisam ser acompanhadas por um trabalho de sensibilização com a população. O envolvimento das comunidades na defesa de seu patrimônio é fundamental para garantir que as leis municipais sejam respeitadas e eficazes”.
Setor de brinquedos cresce no Brasil
Segundo um estudo realizado pelo Sebrae, com base nos dados de registros de CNPJs da Receita Federal do Brasil, o segmento de lojas de brinquedos tem se afirmado cada vez mais no mercado nacional. Em 2024, foram inaugurados 17,5 mil novos pequenos negócios em todo o país voltados à venda desses produtos, o que equivale a aproximadamente 47 novos estabelecimentos por dia. Esse número representa um crescimento de 11% em relação a 2020. Na área de produção dos produtos, o crescimento é ainda mais expressivo. Em 2020, foram registradas 473 novas pequenas indústrias, enquanto em 2024 o número de CNPJs abertos foi de 852, o que representa um aumento de 80% no período. Esse avanço tem sido refletido no faturamento, que cresceu aproximadamente 36% desde 2020, passando de R$ 7,5 milhões para R$ 10,2 milhões em 2024. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o setor conta com aproximadamente 70 mil colaboradores e tem uma média anual de 11 brinquedos adquiridos por cada criança. A expansão da indústria é atribuída à constante busca por inovação e atualização, como evidenciado pelo lançamento de 43 novos tipos de brinquedos voltados para crianças com necessidades especiais, além do fortalecimento do setor varejista. A economista Marcela Andrade explica que o aumento no número de fábricas e lojas de brinquedos em 2024 está diretamente relacionado à recuperação econômica do Brasil. “Após um período de recessão e instabilidade econômica, a indústria de brinquedos, como outros segmentos, começa a ver uma recuperação. A volta da confiança do consumidor e o crescimento da renda das famílias, especialmente nas classes C e D, têm impulsionado o setor”. Um dos fatores que também tem contribuído para a expansão do setor é o aumento na procura por brinquedos educativos e sustentáveis, que ganharam popularidade nos últimos anos. A busca por alternativas mais ecológicas e conscientes têm levado as empresas a se adaptarem, criando novos produtos que atendem a essas demandas. “Hoje, os consumidores não estão mais tão preocupados apenas com o preço, mas também com a qualidade e a origem dos produtos. Isso obrigou as empresas a se reinventarem, e é um dos motivos que têm levado à expansão da indústria de brinquedos no Brasil”, ressalta Marcela. Além disso, a presença de lojas virtuais e a ampliação do mercado on-line têm colaborado para que o setor chegue a mais consumidores, não apenas nas grandes capitais, mas também nas regiões mais distantes do país. O especialista em tecnologia e inovação, Heitor Ribeiro, afirma que a integração de brinquedos físicos com componentes digitais também está em alta. “A realidade aumentada, por exemplo, é uma tendência que ganhou espaço no mercado infantil. O brinquedo tradicional agora pode contar com experiências interativas que mesclam o mundo físico com o digital, criando novas formas de diversão para as crianças”. Ele observa que a digitalização do mercado de brinquedos trouxe uma série de novas possibilidades. “A inovação está no centro desse crescimento. O uso de tecnologias como realidade aumentada e até mesmo inteligência artificial para personalização de brinquedos tem atraído a atenção dos consumidores. A indústria de brinquedos, que tradicionalmente estava centrada em produtos físicos, agora se expande também para o digital. Isso abre uma nova fronteira para o mercado, que está sendo bem explorada no Brasil”. A previsão da Abrinq para 2025 é de um crescimento de 4,5% no faturamento em relação ao ano anterior. Além disso, a entidade aponta que existem aproximadamente 7 mil vagas a serem preenchidas no setor.
Brasil registrou quase 500 mil acidentes de trabalho em 2023

Dados do sistema eSocial, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram que foi registrado um total de 499.955 acidentes de trabalho e 2.888 óbitos no Brasil em 2023. O quarto mês do ano é marcado pela campanha “Abril Verde”, uma ação nacional de conscientização da segurança e saúde no trabalho. O objetivo é alertar sobre a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, que afetam milhares de trabalhadores todos os anos. O advogado trabalhista João Castro alerta que a segurança do trabalho no país precisa ser tratada com mais seriedade. “Embora haja legislações e normas que buscam proteger o trabalhador, ainda vemos muitos acidentes que poderiam ser evitados. O não cumprimento das normas de segurança é uma das principais causas, sendo necessário que as empresas e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho”. Quando um acidente de trabalho ocorre, o funcionário tem uma série de direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Lei 8.213/91, que trata dos benefícios da Previdência Social. Segundo Castro, o primeiro passo é o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “É obrigatório e deve ser feito pelo empregador, mesmo que o trabalhador não tenha falecido ou sido afastado das suas atividades. O documento é essencial para garantir o acesso a benefícios, como o auxílio-doença acidentário (B91), se o acidente resultar em afastamento, o trabalhador tem direito a receber o auxílio, benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para garantir sua subsistência enquanto se recupera”. Após a alta do auxílio-doença acidentário, o trabalhador tem direito à estabilidade no emprego por 12 meses. “Ou seja, ele não pode ser demitido sem justa causa nesse período, conforme prevê a legislação trabalhista. Caso o acidente de trabalho resulte em sequelas permanentes, o empregado tem direito a uma indenização por danos morais e materiais, de acordo com a gravidade das lesões e o impacto na sua vida profissional e pessoal”. Ele enfatiza a importância da documentação adequada. “É essencial que o trabalhador tenha todos os registros e laudos médicos que comprovem a relação do acidente com o ambiente de trabalho. Isso facilita o acesso aos benefícios e à reparação dos danos causados”. A diretora de recursos humanos, Letícia Figueiredo, explica que as empresas têm a responsabilidade legal de oferecer um ambiente seguro para seus funcionários e tomar medidas para evitar acidentes. Isso inclui a adoção de medidas preventivas, treinamentos periódicos, e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. “Entre os deveres da empresa, destacam-se o cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), treinamento e capacitação, fornecimento de um ambiente seguro e acomodações adequadas e realização de exames periódicos”. Para Letícia, a prevenção de acidentes passa por uma combinação de ações e medidas que devem ser incorporadas ao dia a dia das empresas e dos trabalhadores. “A primeira etapa na prevenção é identificar situações que podem oferecer riscos à saúde e segurança dos trabalhadores, promover uma cultura organizacional de segurança desde os gestores até os colaboradores, realizar manutenção preventiva dos equipamentos utilizados nas atividades de trabalho e campanhas educativas internas para conscientização da importância de seguir as normas de segurança”.
Frente Parlamentar de apoio à Defesa Civil é lançada na ALMG
Em audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi discutido que com um orçamento ampliado e a criação de um canal contínuo de diálogo e colaboração, a Defesa Civil pode avançar progressivamente para uma abordagem focada na gestão de riscos, ao invés de apenas na resposta a desastres. O debate aconteceu durante o lançamento da Frente Parlamentar em apoio ao Gabinete Militar do Governador (GMG), à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) e ao Programa Minas Mais Resiliente e Sustentável. A Defesa Civil tem como objetivo prevenir, evitar ou reduzir os impactos de desastres, coordenando ações de diferentes órgãos governamentais e da sociedade. Após a mitigação dos riscos, ela também desempenha um papel importante na recuperação das regiões atingidas. O deputado Antonio Carlos Arantes (PL), criador da frente parlamentar e responsável pelo requerimento da audiência, destacou a importância do trabalho da Defesa Civil, sempre presente e atuando de forma rápida em situações emergenciais, assim como o Corpo de Bombeiros. “Não tenho dúvidas que a Defesa Civil será outra a partir de agora. Terão muito mais equipamentos, instrumentos e apoio político e econômico”. Os deputados Enes Cândido (Republicanos), Mauro Tramonte (Republicanos), Dr. Maurício (Novo), Gil Pereira (PSD), Bruno Engler (PL) e Lincoln Drumond (PL) também ressaltaram a importância de reconhecer o trabalho da Defesa Civil no cotidiano, por meio de um orçamento adequado e melhores condições de trabalho, e não apenas em situações de crise. Desastres No final de dezembro de 2024 e em janeiro deste ano, os municípios de Ipatinga e Coronel Fabriciano, localizados no Vale do Aço, foram severamente afetados por chuvas intensas, que causaram grandes danos. O prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, afirmou que vê na iniciativa da ALMG e do Governo do Estado, com a criação da frente parlamentar, uma forma de oferecer suporte aos municípios, que frequentemente não têm condições de arcar com os elevados custos de uma “operação de guerra” após uma calamidade. “Ipatinga reconhece e tem muito a agradecer o trabalho da Defesa Civil, que nos auxiliou e orientou a tomar decisões importantes para proteger os moradores e enfrentar os danos causados em imóveis públicos e privados pelo temporal de 12 de janeiro. A multiplicidade de demandas exigiu um esforço contínuo do nosso governo para minimizar os impactos e restabelecer uma conjuntura de normalidade no município com responsabilidade, sempre priorizando a segurança das famílias”, disse. Na madrugada de 12 de janeiro, mais de 100 encostas cederam, resultando na morte de 10 pessoas. Segundo o prefeito, atualmente Ipatinga conta com mais de 30 mil residências situadas em áreas de risco, as consequências não foram piores devido à atuação do órgão. “Em pouco mais de 20 dias, foram mais de 3 mil vistorias em imóveis atingidos. Talvez metade deles foi interditada pela Defesa Civil”, completou Nunes. O prefeito de Coronel Fabriciano, Sadi Lucca, reiterou a importância de um orçamento mais significativo para lidar com desastres. “A administração municipal utilizou cerca de R$ 10 milhões de recursos próprios para o atendimento inicial aos moradores e a limpeza da cidade, enquanto obteve R$ 860 mil do governo federal”. Fabiano Lucas, prefeito de São Gonçalo do Abaeté, no Noroeste, solicitou R$ 1 bilhão da repactuação do acordo de compensação pelo rompimento da barragem em Mariana, na região Central, com o objetivo de fortalecer a estruturação da Defesa Civil. O coronel PM Paulo Rezende, chefe do Gabinete Militar do Governador e Coordenador Estadual de Defesa Civil, afirmou que “a criação inédita de uma frente parlamentar com o objetivo de fortalecer a Defesa Civil permitirá a implementação de políticas públicas mais eficazes”. “A chave é a prevenção. O papel da frente é permitir o debate, a elaboração de políticas, a luta por orçamento e, consequentemente, evitar tragédias”, concluiu o coronel BM Moisés Sousa, chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros.
Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.