Pesquisa mostra dificuldade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

  Apesar de avanços importantes em legislações e políticas públicas de inclusão, a empregabilidade de Pessoas com Deficiência (PcD) no Brasil ainda enfrenta obstáculos consideráveis. A pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência” mostra que oito em cada dez trabalhadores com deficiência ou neurodivergência que possuem emprego acreditam que as empresas, em sua maioria, não estão preparadas para integrá-los em seus times. Outro dado relevante foi o percentual de pessoas que preferem trabalhar em modelo remoto ou híbrido, que combina atividades presenciais e a distância. Essa preferência atinge 71%, superando os 58% que já adotam esse formato no momento. Ter a permissão da liderança para trabalhar de casa pode ser crucial para alguns profissionais que já possuem os recursos necessários, como mesas, cadeiras, softwares e outros itens que ajudam na execução de suas atividades. Isso ocorre porque, muitas vezes, esses trabalhadores não dispõem do essencial no ambiente de trabalho. O relatório mostra que um terço dos respondentes (33%) afirma que seu ambiente de trabalho não é devidamente adaptado a eles. A pesquisa também revela que, para 25% dos entrevistados, a presença de programas de inclusão e acessibilidade nas empresas é um aspecto decisivo na escolha de oportunidades profissionais. Ao procurar emprego, cerca de 47% prefeririam ou optariam por vagas destinadas exclusivamente a pessoas com deficiência ou neurodivergência, enquanto 49% se candidataram a qualquer tipo de vaga disponível. Para a especialista em Diversidade e Inclusão, Carla Souza, a falta de preparação das empresas é o principal obstáculo para que pessoas com deficiência ocupem posições no mercado de trabalho. “A inclusão vai além da simples adaptação do ambiente físico. É necessário transformar a cultura organizacional, oferecendo não apenas acessibilidade, mas também treinamentos para as equipes e lideranças sobre as necessidades e direitos das PcD”. Carla ressalta que a deficiência vai muito além de uma condição física e deve ser entendida de forma mais ampla. “Pode ser cognitiva, auditiva, visual, motora, e as necessidades de cada pessoa variam de acordo com o tipo de deficiência. Portanto, as empresas precisam criar ambientes de trabalho inclusivos, em que todos se sintam respeitados e possam desenvolver suas potencialidades”. A Lei de Cotas, instituída pela Lei nº 8.213/91, obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservar entre 2% e 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Para a psicóloga e consultora de Recursos Humanos, Renata Oliveira, “muitas vezes as empresas contratam pessoas com deficiência para cumprir a legislação, mas não realizam as adaptações necessárias e não oferecem o apoio adequado ao colaborador, o que resulta em um ambiente de trabalho pouco inclusivo”. Esse tipo de estigma está diretamente relacionado à falta de conhecimento, segundo Renata. “É fundamental que as empresas invistam em capacitação e sensibilização, não só para as lideranças, mas para todos os colaboradores, para que vejam a inclusão como uma vantagem competitiva, e não um peso. Profissionais com deficiência, quando bem treinados e inseridos em um ambiente inclusivo, têm um desempenho muitas vezes acima da média”. Ela afirma que as empresas devem adaptar seus processos seletivos para garantir que os candidatos com deficiência tenham igualdade de condições. “Investir em recursos de acessibilidade, como rampas, softwares de leitura de tela, e equipamentos específicos que atendam às necessidades de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Além disso, oferecer programas de capacitação para todos os colaboradores sobre diversidade e inclusão, com foco em atitudes positivas e respeito à pessoa com deficiência também são ações positivas”, conclui.

Especialista chama a atenção para as doenças transmitidas pelo beijo

  O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, marcada pela diversão, aglomerações e a celebração em blocos de rua. No entanto, é importante estar atento aos cuidados com a saúde, especialmente em relação às doenças contagiosas que são mais facilmente transmitidas durante a folia. Entre elas, o herpes labial e a mononucleose, duas condições que podem ser evitadas com simples precauções.   Herpes O herpes labial é causado pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), que afeta principalmente a região da boca. De acordo com a dermatologista Luciana Oliveira, especialista em doenças virais de pele, o herpes é altamente contagioso e é transmitido por meio do contato direto com as lesões ou até mesmo pela troca de objetos, como copos e utensílios. “É muito comum que as pessoas desenvolvam herpes labial quando estão com o sistema imunológico enfraquecido, o que pode ocorrer no Carnaval. A aglomeração e o contato próximo entre as pessoas contribuem para a propagação do vírus”. “Os sintomas do herpes labial incluem pequenas bolhas doloridas que aparecem na boca, gengiva ou língua, seguidas por crostas e desconforto, podendo também aparecer vermelhidão e até febre. O diagnóstico é geralmente baseado nos sintomas e na aparência das lesões (em alguns casos, exames adicionais podem ser feitos), e embora não exista cura definitiva, o tratamento com medicamentos e pomadas antivirais pode ser usado para reduzir a duração e a gravidade do surto”, explica. Luciana recomenta evitar beijar pessoas que tenham lesões visíveis na boca. “Mesmo que as bolhas não estejam presentes, o vírus pode ser transmitido, especialmente no período de surto. Também não compartilhe utensílios pessoais, como copos, talheres, toalhas, batons ou qualquer outro objeto que possa ter tido contato com a boca”.   Mononucleose A mononucleose, também conhecida como ‘doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida principalmente pela saliva. Embora o nome remeta ao beijo, a transmissão também pode ocorrer por meio de utensílios compartilhados, como copos, garrafas e até toalhas. A infectologista Fernanda Diniz explica que, embora os sintomas da mononucleose possam se assemelhar a um resfriado comum, a doença geralmente apresenta febre alta, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios linfáticos e fadiga extrema. “Em alguns casos, pode haver inchaço do fígado e/ou baço, que pode ser acompanhado de dor abdominal”. “O diagnóstico é feito através de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Um teste físico verifica sinais como febre, linfonodos inchados e amígdalas inflamadas. Já o de sangue, como o hemograma completo, pode mostrar um aumento no número de linfócitos e a presença de linfócitos, que são típicos da mononucleose. Por último, o exame de anticorpos detecta anticorpos específicos contra o vírus Epstein-Barr”, completa. Fernanda ressalta que não há um tratamento antiviral específico para a mononucleose. O objetivo é aliviar os sintomas e promover a recuperação. As principais abordagens incluem repouso, devido à fadiga extrema que pode acompanhar a doença, controle da febre e dor com anti-inflamatórios e analgésicos, além da hidratação adequada”. Como a mononucleose é transmitida principalmente por saliva, as medidas de prevenção são praticamente as mesmas do herpes labial, como evitar beijos e o compartilhamento de utensílios, contato próximo com pessoas infectadas e cuidados com sistema imunológico e higiene pessoal.

Pesquisa aponta transporte público de BH como mais eficiente entre as capitais

  O estudo conduzido pelo Instituto Cidades Responsivas avaliou a eficácia do transporte coletivo em conectar áreas residenciais a locais de trabalho em até 45 minutos. De acordo com os resultados, Belo Horizonte alcançou o primeiro lugar, obtendo um índice de 0,36, seguido de Curitiba (0,26) e São Paulo (0,23), evidenciando a necessidade de continuar com investimentos e melhorias no sistema de transporte público da capital para assegurar a manutenção e o aprimoramento da mobilidade urbana, alinhando-se ao crescimento da cidade e às necessidades da população. Um dos fatores que favoreceu o bom desempenho de Belo Horizonte foi a sua estrutura radial, que facilita o acesso ao Centro da cidade, onde estão localizadas a maioria das oportunidades de emprego. Atualmente, em Belo Horizonte, o sistema de transporte coletivo realiza mais de 24 mil viagens diárias, totalizando cerca de 500 mil quilômetros percorridos por todas as suas linhas. Outro ponto positivo para Belo Horizonte foi o desempenho relacionado ao uso de carros particulares. Nesse aspecto, a cidade ficou em segundo lugar no indicador, com um valor de 0,71, atrás apenas de São Paulo, que alcançou o índice de 1,03 no estudo. A especialista em transporte urbano e mobilidade, Mariana Oliveira, aponta que um dos pontos positivos é que a capital possui menor distância entre bairros e o Centro. “Isso contribuiu para o bom desempenho, mas em muitas regiões periféricas de Belo Horizonte, a infraestrutura de transporte ainda é insuficiente para promover a integração rápida entre as áreas residenciais e os principais polos de emprego. Ainda enfrentamos grandes desigualdades no acesso ao transporte público, porque as pessoas que vivem em bairros mais afastados e dependem exclusivamente dele gastam muito mais tempo do que o ideal para chegar aos seus locais de trabalho”. Ela destacou que a falta de linhas diretas, a sobrecarga do sistema em horários de pico e o preço das tarifas são fatores que dificultam o acesso rápido ao emprego. “A conectividade entre os bairros e os centros de trabalho precisa ser melhorada. Muitas vezes, os trajetos envolvem longos períodos de espera ou múltiplas trocas de transporte, o que torna o deslocamento menos eficiente”, completa. Michele Silveira, especialista em urbanismo, falou sobre a necessidade de uma abordagem mais integrada para a mobilidade urbana. “A eficiência do transporte coletivo não depende apenas da construção de novos corredores de ônibus ou da expansão do metrô. É fundamental que o planejamento urbano também leve em conta o crescimento das áreas periféricas, criando opções de transporte mais diretas e rápidas”. A profissional ressalta a importância de projetos de integração entre diferentes modais de transporte, como ônibus, metrôs e bicicletas, para reduzir o tempo de deslocamento e tornar o sistema mais eficiente. “Precisamos de mais políticas que integrem os modais e que ofereçam horários mais flexíveis para os trabalhadores, principalmente aqueles que atuam em áreas mais distantes dos centros urbanos”. Ela conclui dizendo que para o transporte coletivo se tornar realmente eficaz e promover a conectividade entre áreas residenciais e de trabalho, será necessário um esforço conjunto entre as autoridades municipais, estaduais e os cidadãos. “A chave para melhorar a mobilidade urbana passa pela integração de modais, otimização das rotas existentes, expansão da infraestrutura e uma maior atenção às necessidades das regiões periféricas”.

Mais de 430 mil pequenos negócios foram abertos no Estado em 2024

  De acordo com dados do Sebrae Minas, com informações da Receita Federal, em 2024, Minas Gerais ocupou a segunda posição no Brasil em termos de abertura de pequenos negócios, ficando atrás apenas de São Paulo. O Estado registrou 436.794 novas pequenas empresas, o que representa um crescimento de 8,41% em comparação com o ano anterior. Os pequenos negócios, que incluem os microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), corresponderam a 96,55% das novas empresas fundadas em Minas. A maior parte dos novos negócios foi registrada como MEI, representando 76,59%, seguida pelas ME (20,34%) e EPP (3,07%). O setor de serviços foi o mais expressivo, com 245.553 empresas abertas em Minas Gerais. O comércio ficou com 99.366 novas empresas, enquanto a indústria somou 86.096 registros. Já a agropecuária registrou 5.779 novos CNPJs. Em 2024, a atividade econômica que registrou o maior número de aberturas foi a de “promoção de vendas”, com 21.445 novos negócios. Em seguida, destacaram-se o “comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios” (17.183), “cabeleireiros, manicure e pedicure” (15.380), “obras de alvenaria” (15.088) e “preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados” (14.458). Belo Horizonte liderou os municípios de Minas Gerais com o maior número de novos pequenos negócios, totalizando 80.635. De acordo com a economista Marcela Andrade, o crescimento no número de pequenas empresas reflete a confiança renovada dos empreendedores no ambiente econômico do Estado. “Minas Gerais tem mostrado uma recuperação econômica sólida, com avanços em diversas áreas, o que tem impulsionado os negócios de pequeno porte, além de uma economia diversificada, com destaque para os setores de serviços, comércio e indústria. A flexibilidade para atender diferentes nichos de mercado, combinada com a demanda crescente por novos produtos e serviços, ajudou a fomentar o empreendedorismo”. Para Marcela, a ascensão dos pequenos negócios também está diretamente ligada à busca por alternativas de emprego e à necessidade de adaptação a novos modelos de consumo, especialmente com o crescimento das plataformas digitais. “O perfil do empreendedor mineiro tem se adequado a essas mudanças, e há uma aceleração na busca por soluções que atendam às necessidades do mercado, principalmente no setor de serviços. A transformação digital fez com que muitas pequenas empresas se adaptassem a novos modelos de negócio, como vendas on-line e prestação de serviços digitais. Isso facilitou a abertura de negócios mais ágeis e com custos mais baixos de operação”. De janeiro a dezembro de 2024, o saldo líquido entre a abertura e o fechamento de pequenos negócios em Minas Gerais foi de 170.276, representando um aumento de 5,50% em comparação com 2023. Esse resultado é calculado com base em 436.794 novas empresas abertas e 266.518 fechadas.   Dados nacionais Em todo o país, foram abertos 4.141.455 pequenos negócios, sendo 73% de microempreendedores individuais. O saldo foi de 1.754.785. O setor de Serviços também teve destaque nacional, registrando 2.343.297 de novos CNPJs, e saldo de 1.121.409.   Cenário para 2025 O consultor financeiro Guilherme Ferraz explica que o acesso a financiamentos ainda pode ser um desafio, especialmente para MEIs e pequenas empresas. “Muitos empreendedores podem se deparar com dificuldades em obter empréstimos com condições favoráveis, principalmente em um cenário de juros altos ou exigências rígidas para a concessão de crédito”. “Além de questões como inflação e mudanças na política fiscal, podem afetar o ambiente de negócios. Esse contexto de instabilidade pode gerar receios entre os empreendedores, tornando o planejamento e a gestão financeira mais desafiadores. Os empresários podem enfrentar despesas elevadas com aluguel, matérias-primas e mão de obra”, ressalta.

Extintor de incêndio em carros pode voltar a ser obrigatório

  A exigência do uso de extintores de incêndio em veículos foi anulada em 2015, com a publicação da Resolução nº 556/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que passou a tornar o equipamento opcional para carros de passeio. No entanto, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 159/2017, elaborado pelo deputado federal Moses Rodrigues (MDB), propõe que a obrigatoriedade do item seja restabelecida em breve. Atualmente, ele está em fase final de tramitação no Senado Federal. Se for aprovado, o projeto irá exigir que os extintores de incêndio sigam o padrão ABC. Além disso, caso o item volte a ser obrigatório, o Contran precisará estabelecer regras para os veículos fabricados entre 2015 e 2025 que não possuem o extintor. Muitos modelos, inclusive, não contam nem mesmo com o espaço ou o suporte necessário para a instalação do equipamento. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com Ronaldo Cardoso, especialista pós-graduado em Gestão e Segurança no Trânsito.   Como a mudança na legislação deve afetar motoristas e fabricantes de automóveis no Brasil? É importante esclarecer que, em 2015, o extintor deixou de ser obrigatório, mas a sua utilização não é proibida. A decisão de torná-lo não obrigatório se deu por conta de estudos terem comprovado que o seu uso era inviável financeiramente e tecnicamente. Financeiramente porque o custo para manter esse equipamento em uma escala nacional é muito maior que os possíveis danos causados pelos poucos casos de incêndio em veículos. Tecnicamente porque os condutores não sabiam utilizar corretamente o extintor e isso gerava riscos maiores para os usuários.   Existem novas tecnologias ou alternativas aos extintores tradicionais que poderiam ser consideradas para a segurança dos motoristas? Esse é outro dilema, pois o mercado está recebendo uma nova geração de veículos elétricos e híbridos, para os quais o extintor do tipo ABC não tem qualquer eficácia. Para esse tipo de bateria o extintor é de um tipo bem restrito, o qual só pode ser manuseado por profissionais treinados.   Na sua opinião, haveria um impacto real na redução de incêndios e danos em acidentes com a volta dessa medida? Que viabilize a obrigatoriedade do extintor, posso garantir que não. A única coisa que realmente terá uma grande mudança com a volta dos extintores será a ampliação de bilhões de reais em multas por inadequações com o equipamento, não tenho dúvida disso.   O projeto inclui alguma forma de acompanhamento de treinamentos para os motoristas sobre o uso adequado do extintor de incêndio? Não, e caso isso fosse adicionado no PLC durante o seu trâmite no Senado e Câmara, representaria mais um custo adicional para os usuários. Acho que o brasileiro já está cheio de lidar com exigências que só servem para tirar dinheiro do seu bolso.   Essa proposta está sendo bem recebida pelos especialistas em segurança veicular e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização no Brasil? Conforme já citado anteriormente, o extintor deixou de ser obrigatório em 2015, justamente porque especialistas chegaram à conclusão de que a sua utilização estava sendo mais prejudicial do que benéfica.   Quais são os maiores desafios para a adoção dessa proposta de forma eficaz e quais ajustes poderiam ser feitos para torná-la mais prática e eficiente? Acredito que não há melhoria nessa proposta que a justifique. Vejo nesse PL indícios de favorecimento à indústria de extintores, o que pode estar beneficiando o parlamentar que a propôs e seus pares que vierem a votar em seu favor.

Corrida foi o esporte mais praticado no mundo em 2024

O Relatório Anual sobre Tendências de Esportes, do Strava, revelou que a corrida foi o esporte mais praticado no mundo em 2024. De acordo com os dados, o Brasil é o segundo país com a maior quantidade de atletas, somando mais de 19 milhões. O documento também mostrou um crescimento de 109% de clubes de corrida em solos brasileiros, quase o dobro da média global (59%), e um aumento de 9% no número de maratonas e percursos de longa distância em 2024. Para a educadora física, Ana Paula Neto, a corrida é uma das formas mais eficazes de exercício para quem busca melhorar o condicionamento físico. “A prática regular do esporte ajuda a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e hipertensão, além de contribuir para a perda de peso e fortalecimento muscular. Com o aumento do sedentarismo, muitas pessoas perceberam que a corrida pode ser uma solução simples e eficaz para manter o corpo saudável. Ela melhora a capacidade pulmonar e aumenta a disposição ao longo do dia”. Além dos ganhos físicos, a corrida tem se mostrado uma excelente aliada no combate ao estresse e à ansiedade. A prática de atividades aeróbicas estimula a liberação de endorfina e serotonina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar e felicidade. “Cada vez mais as pessoas buscam a corrida como uma forma de aliviar a pressão do dia a dia. O simples ato de correr ao ar livre ou em locais tranquilos proporciona uma sensação de libertação, que pode melhorar a saúde mental”, ressalta. Outro fator que contribuiu para a popularização da modalidade em 2024 é o aspecto social da atividade. Para Ana Paula, as corridas de rua criam um ambiente de inclusão para todas as idades. “As plataformas digitais, como grupos em redes sociais e aplicativos de corrida, também ajudam a criar uma rede de apoio onde os corredores podem compartilhar dicas, conquistas e motivação. Ao participar de eventos, os corredores não apenas buscam desafios pessoais, mas também se conectam com pessoas que compartilham do mesmo interesse pela prática”. Preparação Ana Paula explica que é sempre aconselhável realizar uma consulta médica antes de iniciar a prática, especialmente para aqueles que têm mais de 35 anos, não fazem atividades físicas regularmente ou possuem algum histórico de problemas de saúde, como doenças cardíacas, hipertensão ou diabetes. “O médico pode recomendar exames como o teste ergométrico (também conhecido como teste de esforço), que avalia a função cardíaca durante o exercício, e outros exames que verifiquem a saúde geral. Isso ajuda a garantir que a pessoa está apta para a atividade e pode evitar complicações”. “Além da escolha do calçado adequado e de vestimentas confortáveis, também é muito importante que a pessoa comece de maneira gradual, uma boa abordagem inicial é alternar entre caminhada e corrida e à medida que o condicionamento físico melhora, o tempo de corrida pode ser progressivamente aumentado. Aquecer e alongar antes do treino e ter uma boa alimentação e hidratação também são pontos essenciais nessa jornada”, acrescenta Ana Paula. Ano passado, a vendedora Marcela Vasconcelos decidiu sair do sedentarismo e começou a correr, sem grandes expectativas, apenas buscando mais disposição. “No começo, foi difícil, perdia o fôlego muito rápido, mas com o treinamento correto consegui evoluir e perceber mudanças incríveis. Perdi peso, minha energia aumentou e a ansiedade diminuiu significativamente. A sensação de bem-estar após cada corrida virou um vício positivo e hoje, além de correr, me sinto mais feliz, e o que parecia impossível se tornou parte da minha rotina”.

Cultura gera empregos, lucro e recorde de público para Minas

Em 2024, o turismo cultural consolidou ainda mais Minas Gerais como um polo de destaque nesse segmento, atraindo um número recorde de visitantes a museus e centros culturais por todo o Estado. O Circuito Liberdade, em Belo Horizonte, e o Sistema Estadual de Museus, que engloba 479 museus em diversas regiões de Minas, alcançaram em 2024 uma visitação inédita de 9,7 milhões de pessoas. O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, também bateu seu recorde histórico, recebendo 347 mil visitantes, o maior número desde sua inauguração, em 1944. O Circuito Liberdade, com 7,4 milhões de visitantes em 2024, registrou um crescimento em relação a 2023, quando recebeu 7 milhões de pessoas, consolidando ainda mais seu papel como um importante polo de inovação e cultura. O circuito sediou uma variedade de eventos, como exposições de arte contemporânea, mostras de cinema, festivais literários e atividades educativas. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB BH) se destacou, recebendo mais de 1 milhão de visitantes. Exposições de sucesso, como “Tesouros Ancestrais do Peru”, com 201.373 visitantes, “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”, com 184.424 pessoas, e “Mundo Zira – Ziraldo Interativo”, que atraiu 135.243 visitantes, marcaram o ano. Na Casa Fiat de Cultura, a exposição “Arte Brasileira: A Coleção do MAP” foi prestigiada por 53 mil pessoas, enquanto “Pancetti: o mar quando quebra na praia…” e “Pimpa na Casa Fiat de Cultura” atraíram, respectivamente, 43 mil e 52 mil visitantes. Para o museólogo, Marcelo Cardoso, Minas Gerais tem investido fortemente na promoção de eventos culturais diversificados, como exposições de arte contemporânea, festivais literários e mostras de cinema. “Isso atraiu públicos variados, desde locais até turistas internacionais, buscando uma experiência cultural rica e variada. O Estado tem se destacado por promover suas raízes culturais e históricas, com exposições que abordam tanto a arte contemporânea quanto o patrimônio histórico”. “O crescimento do turismo cultural também pode ser relacionado à busca por experiências mais imersivas e autênticas. Os turistas estão cada vez mais interessados em explorar a cultura local de forma mais profunda, e os museus de Belo Horizonte têm se destacado por oferecerem não apenas exposições, mas também uma programação que conecta história, arte e educação”, explica Cardoso. Movimentação Segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), o turismo cultural corresponde a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Além disso, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro e outubro de 2024, Minas Gerais registrou a admissão de 207.773 novas pessoas no mercado de trabalho. Desse total, 17.654 são oriundas do setor cultural, representando 8,5% das contratações. Ainda em 2024, o Governo de Minas Gerais fez um investimento de R$ 621,2 milhões em cultura, por meio da Secult-MG, que teve um papel fundamental no apoio a ações de fomento, programas de capacitação, preservação de patrimônios históricos e no fortalecimento das culturas populares e afro-mineiras em diversas regiões do Estado. Esse investimento gerou um impacto econômico de R$ 12,7 bilhões. Na opinião do produtor cultural Rafael Lacerda, esses números refletem a importância da arte e da cultura para toda a sociedade. “O investimento em cultura cria uma cadeia produtiva que gera emprego e renda, desde artistas e técnicos até trabalhadores em áreas de apoio, como turismo, eventos e infraestrutura. Além disso, a arte e a cultura têm um papel central na economia criativa, que movimenta diversos setores como moda, design, música, cinema e literatura”. “Além de preservar o patrimônio histórico e cultural, garantindo que as futuras gerações possam ter acesso ao legado de suas culturas, fortalecer a educação e inclusão social, ao proporcionar acesso a oportunidades para diversas camadas da sociedade, especialmente as mais vulneráveis e trazendo uma série de benefícios que vão além do setor cultural em si, impactando positivamente a economia, a sociedade e o desenvolvimento humano de uma forma ampla e sustentável”, conclui.

58,4% dos empresários projetam vender mais no primeiro semestre

O comércio em Minas Gerais está otimista quanto à possibilidade de os resultados se manterem ou até superarem as expectativas em 2025. Dados do Núcleo de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio MG mostram que para 58,4% dos empreendedores, o primeiro semestre deste ano deve ser ainda melhor, embalado pelo aquecimento do setor e por ações realizadas nas lojas. Além disso, segundo a pesquisa, 55,1% dos empreendedores alcançaram as expectativas de vendas no segundo semestre de 2024, enquanto 42,8% não conquistaram os objetivos. Para o economista Fabrício Diniz, com a esperança de uma recuperação econômica, os empresários estão confiantes de que a estabilidade política e a melhoria nos indicadores macroeconômicos, como inflação e taxa de juros, ajudarão a fomentar o consumo. “A previsão de um cenário mais equilibrado e previsível tende a aumentar a confiança dos consumidores e dos empreendedores, o que reflete em um otimismo maior”. A pesquisa também aponta uma expectativa de estabilidade no comércio e uma melhoria nas vendas para 43,2% das 421 empresas participantes do levantamento em Minas Gerais nos próximos meses. Para os empresários que não compartilham desse otimismo, as explicações estão relacionadas ao cenário político e econômico atual, além do endividamento dos consumidores. Diniz explica que a instabilidade política e a incerteza econômica ainda são desafios significativos. “Mudanças nas políticas fiscais, tributárias ou outros fatores imprevistos podem gerar um ambiente de incerteza, o que acaba afetando o comportamento do consumidor e dificultando a confiança no momento de realizar compras. A falta de previsibilidade pode levar a um consumo mais cauteloso e ao adiamento de compras”. “Embora o endividamento do consumidor também ainda seja uma preocupação, há uma expectativa de que o poder de compra melhore, com uma possível redução das taxas de juros e uma recuperação da renda, permitindo que mais pessoas consumam produtos e serviços”, completa. Datas comemorativas do primeiro semestre seguem como os principais eventos que estimulam o comércio. Para 2025, dentre as datas comemorativas de maior impacto positivo, o Dia das Mães aparece como a principal do período para 64,3% das empresas, seguido por Carnaval (36,1%) e Dia dos Namorados (25,6%). As medidas adotadas pelas empresas para impulsionar as vendas nesse período serão divulgação e propaganda (43,9%), promoções (39,7%) e atendimento diferenciado (25,7%). “Muitos comerciantes acreditam que as ações de marketing, promoções e melhorias nas estratégias de atendimento ao cliente, além de um aumento no consumo, poderão impulsionar as vendas”, ressalta o economista. Em relação às formas de pagamento, 47,3% dos entrevistados indicam que o cartão de crédito parcelado será a principal opção, seguido pelo Pix (19,2%) e pelo cartão de crédito à vista ou crédito com parcela única (14,3%). Quando comparado ao primeiro semestre de 2023, observa-se um aumento significativo na previsão de pagamentos por Pix, que na época era esperado por apenas 10,3% dos empresários. Érica Vieira é dona de uma loja de vestuário e também está otimista em relação às vendas do primeiro semestre de 2025. “Acredito que, com a retomada da confiança do consumidor, temos grandes chances de crescer. Estou focando em algumas estratégias importantes, como promoções sazonais e no lançamento de novas coleções, além de aprimorar o atendimento personalizado aos clientes”. “Também ampliei minha presença nas redes sociais, criando campanhas direcionadas e oferecendo descontos exclusivos para quem compra on-line. Outra aposta é a flexibilização do pagamento, com parcelamento facilitado, para atrair mais clientes. Estou confiante de que essas ações vão nos ajudar a atingir nossas metas e até superá-las, principalmente nas datas comemorativas que costumam render bem”, conclui a empresária.

Disque 100 recebeu 657 mil denúncias de violações aos direitos humanos em 2024

O governo divulgou dados que mostram um aumento significativo nas denúncias de violações aos direitos humanos no Brasil em 2024. Segundo o relatório oficial, o Disque 100 recebeu mais de 657,2 mil denúncias, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. De acordo com o ministério, o número de violações registradas também apresentou um crescimento, subindo de 3,4 milhões em 2023 para 4,3 milhões em 2024. Vale destacar que cada denúncia pode envolver diferentes tipos de violação. As infrações mais comuns incluem a violação da integridade por negligência, com 464,3 mil registros; tortura psicológica, com 389,3 mil casos; e a violação da integridade física, associada à exposição a riscos à saúde, com 368,7 mil ocorrências. A maior parte das vítimas das denúncias são do sexo feminino (372,3 mil), brancas (261,6 mil) e possuem idades entre 70 e 74 anos (32,5 mil). Em grande parte dos casos, as violações aconteceram no domicílio da vítima ou do suspeito (301,4 mil). Dentre os grupos mais vulneráveis, destacam-se crianças e adolescentes (289,4 mil), idosos (179,6 mil) e mulheres (111,6 mil). Embora as mulheres continuem a ser um grupo vulnerável, o número de vítimas femininas foi 2,9% inferior ao registrado em 2023. No entanto, em 2024, houve uma mudança no perfil do agressor: as mulheres (283,1 mil) passaram a ser as principais suspeitas de agressão, apresentando um aumento de 28,8% em relação ao ano anterior. A maioria dos agressores ou agressoras é de cor branca (172,9 mil) e tem idades entre 30 e 34 anos (65,8 mil). De forma geral, os principais suspeitos de cometer agressões são familiares de primeiro grau da vítima, como mães (160,8 mil), filhos e filhas (108,8 mil) e pais (49,2 mil). O advogado especialista em direitos humanos, Manoel Lima, destaca que o aumento das denúncias não necessariamente reflete um crescimento real dos casos de violação, mas pode ser resultado de uma maior confiança nos mecanismos de denúncia. “A população tem se sentido mais segura e encorajada a denunciar, especialmente após campanhas de sensibilização e o fortalecimento dos canais de denúncia, como o Disque 100 e as redes sociais”. Por outro lado, a falta de uma resposta mais eficaz por parte do sistema judiciário e das autoridades também é apontada como um fator que contribui para a perpetuação da violência e das violações. “Apesar do aumento das denúncias, as vítimas frequentemente enfrentam obstáculos significativos para que suas queixas sejam efetivamente investigadas e punidas. Isso gera uma sensação de impunidade que alimenta ainda mais as violações”, ressalta. “Temos uma necessidade urgente de investimentos em políticas públicas eficazes, treinamento de forças de segurança e ampliação de programas de apoio psicológico às vítimas”, conclui. Para o psicólogo Marcos Figueiredo, o apoio psicológico às vítimas de violação dos direitos humanos é fundamental para a recuperação emocional e mental dos indivíduos afetados. “Esse suporte desempenha um papel crucial na ajuda ao processo de cura, pois muitas vítimas enfrentam traumas profundos que podem perdurar por anos, afetando seu bem-estar, sua autoestima e sua capacidade de lidar com o dia a dia e permite que compreendam e processem os eventos traumáticos que vivenciaram, auxiliando no alívio de sentimentos, como culpa, vergonha, medo e raiva, que são comuns nessas situações”. Ele explica que é importante oferecer um espaço seguro onde as vítimas possam falar sobre sua experiência sem medo de julgamento ou revitimização, o que facilita a construção de um processo de superação. “O acompanhamento fortalece a confiança da vítima em si mesma e na possibilidade de reconstruir sua vida, contribuindo, portanto, para uma recuperação integral, envolvendo não apenas o aspecto físico da violação (quando existe), mas também a recuperação emocional e psicológica”.

Otite externa: inflamação no ouvido é bem comum no verão

No verão, a maioria das pessoas aproveitam o clima quente para se refrescar em piscinas e praias. No entanto, essa temporada de lazer também pode trazer consigo um problema de saúde, a otite. A infecção no ouvido, muitas vezes associada à exposição excessiva à água, é comum para quem frequenta ambientes aquáticos. A otorrinolaringologista, Laura Dias, esclarece que o tipo mais comum durante o verão é a otite externa, popularmente conhecida como ouvido de nadador. Ela ocorre quando a água entra no canal auditivo, criando um ambiente propício para o crescimento de bactérias ou fungos”. “Os sintomas são dor no ouvido, que pode ser intensa e aumentar com a movimentação da mandíbula; coceira ou sensação de pressão no ouvido; secreção ou secreção purulenta (em casos mais graves); sensação de ouvido tampado ou comprometimento da audição”, completa. Ela reforça que o diagnóstico da otite é feito por meio de exame clínico. “O médico otorrinolaringologista utiliza um otoscópio para observar o canal auditivo e verificar sinais de inflamação ou infecção. Em alguns casos, podem ser realizados exames laboratoriais ou culturas da secreção para identificar o agente causador da infecção (bactéria ou fungo)”. Laura explica que o tratamento da otite depende do tipo e da gravidade da infecção. “Nos casos de otite externa, o médico pode prescrever gotas otológicas com antibióticos ou antifúngicos, além de analgésicos para aliviar a dor. Se a infecção for mais grave, pode ser necessário o uso de antibióticos orais”. Embora a otite seja uma condição comum durante o verão, a adoção de hábitos de prevenção e cuidados com a higiene dos ouvidos pode minimizar o risco de infecção. Laura recomenda secar bem os ouvidos após nadar ou tomar banho de mar. “Opte por locais que ofereçam boa qualidade da água. Piscinas maltratadas ou com cloro em excesso também podem causar irritação nos ouvidos; use protetores auriculares como alternativa para evitar o contato direto da água com o canal auditivo. Em caso de histórico de otites frequentes, a consulta periódica com um otorrinolaringologista pode ajudar na detecção precoce de problemas”. A publicitária Fernanda Fagundes fez uma viagem para curtir a praia e aproveitou bastante o passeio. Depois de alguns dias, começou a sentir dor no ouvido. “Parecia que estava ‘entupido’ e a sensibilidade aumentava toda vez que tentava falar ou mastigar. Quando voltei para casa, fui ao médico e descobri que era otite externa, provavelmente por causa da água do mar. O otorrinolaringologista receitou gotas antibióticas para combater a infecção e analgésicos para aliviar a dor. Seguindo as orientações corretamente, o problema melhorou em poucos dias”, ressalta. “Ao notar sintomas de dor ou desconforto, é importante procurar orientação médica rapidamente, garantindo o diagnóstico e tratamento adequados para evitar complicações. Com esses cuidados simples, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem preocupações com a saúde auditiva”, conclui Laura.