Exposição inédita estimula a conexão entre as pessoas e o meio ambiente

A Casa Fiat de Cultura recebe a exposição inédita “Natureza Transformada: atravessamentos espaciais”, que propõe uma nova leitura sobre a presença da natureza nos ambientes e sua capacidade de moldar e reinventar os espaços ao redor. Sob curadoria de Guilherme Wisnik, a mostra apresenta obras dos artistas italianos Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo, que expõem pela primeira vez no Brasil, e da brasileira Marcia Xavier. Eles constroem um percurso artístico que estimula o público a repensar sua conexão com o meio ambiente e os elementos naturais. A visitação segue até 8 de junho e tem entrada gratuita. Segundo o curador Guilherme Wisnik, a dupla adota uma perspectiva crítica sobre a natureza, refletindo sobre as transformações causadas pelo antropoceno e pelas atuais crises ambientais. “Em sua maneira de ver e trabalhar artisticamente as coisas, a matéria não é inerte, nem a relação entre sujeito e objeto é unilateral. Informada pela fenomenologia, a dupla de artistas italianos entende o processo de significação como uma troca entre espectador e obra, ou ser humano e ambiente circundante, no qual ambas as partes são ativas”. Utilizando materiais como aço, vidro, estruturas metálicas e água, as 25 obras da mostra criam um ambiente onde arte, arquitetura e natureza dialogam de forma integrada. A exposição conta ainda com a colaboração do Museu do Jardim Botânico, do Rio de Janeiro, que assina junto à Casa Fiat de Cultura a obra digital “Copa, Casa Cosmos”, criada por Estêvão Ciavatta e narrada por Regina Casé. A instalação leva o público a uma imersão virtual no interior de uma árvore Sumaúma (Ceiba pentandra), ampliando a experiência sensorial proposta pela mostra. Embora utilizem diferentes técnicas e materiais, os artistas reunidos na exposição compartilham uma mesma intenção: repensar a forma como percebemos o meio ambiente, com ênfase na delicadeza e na vulnerabilidade dos chamados recursos naturais. Para Wisnik, os conceitos de transformação e atravessamento estão no cerne da mostra. “Na conjunção entre as produções de Marcia Xavier e da dupla Mariagrazia Abbaldo e Paolo Albertelli, a fragilidade da vida humana é confrontada com a perenidade dos minérios e dos espelhos, porém, paradoxalmente, em uma época em que toda essa noção de perenidade vai sendo corroída por dentro. Temos, como coletivo humano, obstáculos gigantes a atravessar, no presente e no futuro. E talvez ainda não saibamos ao certo em quais direções seguir. Mas aqui, estamos diante de artistas que nos põem em movimento e em permanente estado de transformação”. Na mostra em cartaz na Casa Fiat de Cultura, os artistas e arquitetos italianos Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo apresentam 16 obras que exploram o contraste entre a solidez do aço e a delicadeza visual das formas criadas. O trabalho da dupla busca justamente subverter o peso do material industrial, transformando-o em estruturas leves, quase etéreas, que parecem estar em constante movimento. Na exposição, a artista brasileira Marcia Xavier apresenta oito obras que investigam as relações entre elementos líquidos e sólidos. Utilizando espelhos d’água, vidros e superfícies refletoras, suas instalações provocam distorções visuais que desafiam a percepção do espaço e do corpo de quem observa. Por meio desses jogos ópticos, sua produção convida o público a refletir sobre a transitoriedade da natureza e suas constantes transformações, criando uma experiência sensorial marcada pela fluidez e pela impermanência. Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura, vê a exposição como uma oportunidade para o público se conectar de forma sensorial e reflexiva com a arte. “Ao trazer para o Brasil essa exposição inédita, reafirmamos a vocação da Casa Fiat de Cultura para o intercâmbio cultural entre países e a experimentação, construindo pontes entre natureza e criação humana, presente e futuro”, afirma.
Setor moveleiro de Minas tem expectativas otimistas para 2025

É esperado que o setor moveleiro de Minas Gerais tenha crescimento entre 7% e 10% ao longo de 2025. A projeção é do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Minas Gerais (Sindimov-MG) e o otimismo é impulsionado pela recuperação da construção civil, que puxa as vendas de móveis, e a nova fase do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal. Investimentos em inovação e sustentabilidade podem ser estratégias para manter a competitividade e se as tendências se mantiverem, o setor poderá atingir novos patamares de desenvolvimento, consolidando ainda mais sua posição como um dos pilares da economia estadual. O programa “Minha Casa, Minha Vida” agora conta com uma nova faixa de atendimento, destinada a famílias de classe média, com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Uma das principais razões para o otimismo no setor moveleiro de Minas Gerais é o aumento da demanda por móveis de alto valor agregado. O fortalecimento do mercado imobiliário e a recuperação da confiança do consumidor são fatores que contribuem para esse cenário. “A perspectiva de crescimento entre 7% e 10% se dá pela alta procura por móveis de qualidade, especialmente em segmentos como móveis planejados e personalizados. Além disso, a retomada das obras residenciais e comerciais tem gerado uma demanda expressiva, principalmente para os itens de decoração e utilitários de alto padrão”, explica o economista Luiz Gomes. “Além das novas construções, o crescimento da construção civil também pode englobar a expansão do mercado de reformas e melhorias em imóveis existentes. Muitas dessas reformas incluem a renovação de móveis, o que cria uma nova demanda para o setor moveleiro”, completa. Gomes ressalta que quando a construção civil expande a construção de shoppings, hotéis, escritórios e outros tipos de estabelecimentos comerciais, isso gera uma demanda significativa por móveis corporativos e para ambientes de uso público, como móveis de escritório, móveis para lobbies e móveis de decoração. Um dos principais motores para o otimismo no setor moveleiro é o avanço da inovação tecnológica. Investir em novos processos de produção, design arrojado e soluções mais eficientes tem sido uma estratégia adotada por diversas empresas, que buscam não apenas aumentar a competitividade, mas também responder às demandas de um mercado cada vez mais exigente e atento às questões ambientais. Para o especialista em design de móveis, Nathan Lima, a inovação no setor moveleiro é fundamental para manter a relevância das marcas e, ao mesmo tempo, conquistar um público mais jovem, que busca móveis modernos e funcionais. “O mercado de móveis está cada vez mais dinâmico e exigente. A inovação não se limita apenas ao design, mas também à funcionalidade dos produtos e à utilização de materiais mais eficientes, duráveis e, principalmente, sustentáveis”. Ele também destaca que a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos podem não apenas atender às novas demandas dos consumidores, mas também permitir que as empresas se destaquem no cenário global. “Hoje, os consumidores buscam não apenas estética, mas também praticidade e, acima de tudo, um impacto ambiental reduzido. Investir em tecnologias que otimizem a produção e que utilizem materiais recicláveis ou com menor impacto ambiental pode abrir portas para novos mercados, especialmente os internacionais”. As indústrias moveleiras do estado têm se adaptado a essa nova realidade. “Em Minas Gerais, o setor moveleiro sempre foi conhecido pela sua qualidade e inovação, e estamos vendo um movimento crescente em direção à sustentabilidade. As empresas estão investindo em tecnologias que reduzem o desperdício e utilizam materiais reciclados ou de fontes renováveis”, conclui.
Censo Escolar mostra aumento nas matrículas no ensino médio

De acordo com os dados do Censo Escolar 2024, houve crescimento no total de matrículas no ensino médio no ano passado, tanto nas redes públicas quanto nas privadas. Ao todo, foram contabilizadas 7,8 milhões de matrículas nessa etapa final da educação básica, representando um aumento de 1,5% em comparação com o ano anterior, que registrou 7,6 milhões de estudantes matriculados. Ainda de acordo com o Censo, conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a maioria dos estudantes do ensino médio, cerca de 82,5%, estava matriculada em turmas do período diurno. Já os demais 17,5% (aproximadamente 1,4 milhão de alunos) frequentavam as aulas à noite. Essa é a única fase da educação básica que apresenta uma proporção tão significativa de estudantes no turno noturno. No Brasil, a maior parte dos alunos do ensino médio regular está concentrada em áreas urbanas, representando 94,5% do total de matrículas. Quando se observa a distribuição por redes de ensino, as escolas estaduais lideram, atendendo cerca de 6,5 milhões de estudantes (83,1% das matrículas nessa etapa). Dentro da rede pública, os estados são responsáveis por 95,8% dos alunos, enquanto a rede federal contabiliza aproximadamente 243,6 mil matrículas, ou 3,1% do total. Já a rede privada reunia, em 2024, cerca de 1 milhão de estudantes, o que corresponde a 13,2% do total de matrículas no ensino médio. Para a coordenadora pedagógica Alessandra Diniz, o incremento nas matrículas do ensino médio indica uma recuperação do sistema educacional brasileiro. “Este crescimento reflete a confiança das famílias na educação básica e destaca a relevância do ensino médio para o desenvolvimento social e econômico do país, sinalizando uma recuperação após os desafios impostos pela pandemia e uma tendência de crescimento é clara, especialmente nas escolas públicas. Investir na educação é investir no futuro do país. Quanto mais jovens tiverem acesso e concluir o ensino médio, mais o Brasil avançará em termos de justiça social e desenvolvimento sustentável”. A expansão do ensino médio traz diversos benefícios para o país. “Primeiramente, contribui para a formação de uma força de trabalho mais qualificada, essencial para o desenvolvimento econômico. Além disso, a conclusão do ensino médio está associada a melhores indicadores de saúde, redução da criminalidade e maior participação cidadã”, destaca Alessandra. Apesar do crescimento, ainda existem desafios significativos a serem enfrentados. A oferta de vagas é insuficiente em algumas regiões, e a evasão escolar continua sendo um problema. Além disso, a qualidade do ensino precisa ser constantemente aprimorada. A professora Magna Ribeiro diz que é importante a implementação de políticas públicas para enfrentar esses desafios. “Entre as iniciativas estão a ampliação das escolas em tempo integral, investimentos na formação continuada de professores e gestores, e a melhoria da infraestrutura escolar. O Programa Escola em Tempo Integral, por exemplo, visa aumentar o número de matrículas nessa modalidade, proporcionando uma educação mais completa e integrada”. Ela também ressalta os programas de apoio à permanência dos estudantes, como bolsas de estudo e transporte escolar, além de ações de sensibilização para a importância da conclusão do ensino médio. “O Programa Pé-de-Meia, se bem conduzido, pode ajudar a reduzir a evasão prematura escolar. É necessário um esforço conjunto entre governo, escolas e comunidade para garantir que todos os jovens tenham acesso e permaneçam na escola até a conclusão do ensino médio”.
Comissão de Cultura discute criação do Dia e Semana Estadual do Hip Hop

Em audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a proposta de criação da Semana e do Dia Estadual do Hip Hop, objeto do Projeto de Lei (PL) 3.124/21 recebeu amplo apoio de atores que militam nesse movimento cultural. A deputada Andreia de Jesus (PT), responsável pela elaboração da proposta e pelo pedido da reunião, enfatizou a relevância de garantir espaço para que a população possa se manifestar e expressar sua opinião sobre o assunto. “Com a futura lei, o hip hop passa a ser um patrimônio extremamente relevante, garantindo um espaço na agenda cultural no Estado”. A parlamentar ressaltou que instituir a Semana do Hip Hop pode viabilizar o direcionamento de verbas estaduais para a realização de eventos durante esse período comemorativo. Ela também destacou que o reconhecimento legal contribui para a diminuição do “estigma de vadiagem erroneamente atrelado ao hip hop”. “O samba já foi muito perseguido pelo mesmo motivo, mas conseguiu superar e agora é a hora do hip hop fazer o mesmo”, frisou. Andreia de Jesus também considerou relevante o debate sobre o projeto de lei, destacando que ele pode contribuir para dar maior visibilidade ao movimento e incentivar as prefeituras a expandirem os espaços dedicados à expressão cultural e à formação. “Que se abra caminho para os MCs, DJs, B-boys, grafiteiros poderem exercer seu trabalho, inclusive nas escolas”. O artista e gestor cultural Frederico Maciel, conhecido como Negro F, agradeceu à deputada por abrir espaço na Assembleia para promover a causa do hip hop, mas destacou que a realização da Semana Estadual do Hip Hop precisa estar acompanhada de investimentos por parte do poder público. “Não pode ser algo privatizado; queremos investimentos do Estado, como forma de reparação”, reforçou. Ele defendeu que espaços e equipamentos públicos, incluindo os das escolas, sejam disponibilizados para a realização de atividades ligadas ao hip hop. Além disso, criticou os obstáculos enfrentados junto à Polícia Militar para obter autorização para eventos do movimento. Compartilhando do mesmo ponto de vista, o mobilizador e produtor cultural Marcos Pereira, conhecido como Salve MC e integrante do Fórum do Hip Hop de Belo Horizonte, demonstrou apoio ao projeto, mas não deixou de apontar a excessiva burocracia como um obstáculo. “A gente ocupar certos espaços parece que incomoda o poder público”. Eliane Parreiras, secretária de Cultura de Belo Horizonte, destacou que o reconhecimento do hip hop é fundamental tanto para ampliar o acesso a financiamentos públicos quanto para fortalecer o valor cultural desse movimento. O diretor de Proteção e Memória do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), Adriano Maximiano da Silva, ressaltou a relevância de incluir artistas e grupos de hip hop no registro de bens culturais. “Esse processo é essencial para o cálculo do ICMS Cultural, mecanismo que garante repasses de recursos do Estado aos municípios”. Já o superintendente de Fomento, Capacitação e Municipalização da Secretaria de Estado de Cultura, Pablo Soares Pires, destacou a necessidade de ampliar o acesso dos artistas do hip hop aos editais do Fundo Estadual de Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura, reforçando a importância de mecanismos que promovam maior inclusão no setor. “Essa manifestação cultural é de extrema importância para os moradores da periferia. Entendo o hip hop como uma tecnologia de sobrevivência ao racismo e à perseguição”.
Síndrome de Tourette afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo

A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico que se manifesta principalmente durante a infância e adolescência, caracterizado por múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, presentes por mais de um ano. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome acomete cerca de 1% da população mundial, aproximadamente 80 milhões de pessoas. Segundo a neurologista Camila Borges, “os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e recorrentes. Eles podem ser simples, como piscar os olhos, ou complexos, como saltar ou repetir palavras. A coprolalia, que envolve o uso involuntário de palavrões ou expressões inapropriadas, é um sintoma presente em uma minoria dos casos, mas frequentemente associada ao estigma social. É importante compreendê-la como um sintoma neurológico involuntário. Os xingamentos não refletem a personalidade ou os valores da pessoa, mas sim uma condição que está fora de seu controle”. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições e os tiques variam em intensidade e frequência e tendem a piorar em situações de estresse ou ansiedade. Camila diz que a Tourette raramente aparece sozinha. “É muito comum que venha acompanhada de outros transtornos, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e dificuldades de aprendizagem”. O psiquiatra Rafael Monteiro explica que é essencial que os sintomas estejam presentes por pelo menos um ano e comecem antes dos 18 anos. “Às vezes, os pais demoram a procurar ajuda, achando que os tiques são apenas manias ou nervosismo. Mas quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida da criança”. A síndrome não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, muitas vezes, a simples observação e apoio psicológico são suficientes. Nos casos moderados a graves, podem ser indicados medicamentos como antipsicóticos, relaxantes musculares e antidepressivos. “A Terapia de Intervenção Comportamental para Tiques (CBIT) ajuda o paciente a reconhecer o impulso do tique e desenvolver respostas concorrentes para impedir sua manifestação, antipsicóticos são utilizados para reduzir a intensidade dos tiques. Além disso, existem diversos medicamentos que podem ser eficazes, especialmente em crianças”, esclarece. A educação da família e da escola também é fundamental. A empatia e o acolhimento ajudam a reduzir o estigma social e melhoram o desempenho acadêmico e social dos jovens com Tourette”. Monteiro ressalta que apesar de retratada muitas vezes de forma caricata na mídia, a condição é uma condição real que pode ser desafiadora. O desconhecimento sobre a síndrome ainda gera preconceito, isolamento e até bullying. “Informar-se é o primeiro passo para combater o estigma. Pessoas com Tourette são inteligentes, criativas e capazes. Com apoio e tratamento adequado, podem levar uma vida plena”. A cantora Billie Eilish falou abertamente sobre os desafios de conviver com a síndrome de Tourette, descrevendo a experiência como “extremamente exaustiva”. Durante uma participação em um programa em 2022, ela foi registrada tendo um tique enquanto conversava com o entrevistador. A artista afirmou que sente grande satisfação em compartilhar sua vivência com a condição, pois acredita na importância de falar sobre o assunto. No entanto, ela também destacou que nem todos reagem bem quando presenciam um de seus tiques.
BH registra quase 350 mil multas de trânsito no 1º bimestre do ano

O primeiro bimestre de 2025 trouxe números alarmantes sobre a situação do trânsito em Belo Horizonte. Dados compilados pela BHTrans, empresa responsável pela gestão do trânsito na capital mineira, revelaram que, ao todo, foram 349.398 infrações registradas, em uma arrecadação superior a R$ 19,8 milhões. O número de multas aplicadas no município teve um aumento de 13,5% em comparação com o mesmo período de 2024, quando 307.816 motoristas infratores foram flagrados. Esse avanço na quantidade de multas em Belo Horizonte levanta preocupações sobre a segurança viária e a eficácia das políticas públicas implementadas. O excesso de velocidade, o uso do celular ao volante, e a falta do cinto de segurança continuam sendo as infrações mais comuns, e são responsáveis por grande parte dos acidentes nas vias da cidade. Para o especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, ainda existe uma possível deterioração no comportamento dos motoristas, que insistem em práticas de risco, apesar das campanhas educativas. “O aumento nas infrações é um reflexo direto de alguns fatores, mas principalmente da persistência de comportamentos imprudentes por parte dos motoristas. Por mais que haja fiscalização, é necessário um trabalho contínuo de conscientização para que esses índices de multas possam realmente diminuir no futuro”. Outro fator que pode ter influenciado na alta de multas é o aumento do fluxo de veículos na cidade. “Com a retomada econômica pós-pandemia e o crescimento do número de veículos circulando pelas ruas, o trânsito tem se tornado mais caótico, e consequentemente, o número de infrações tende a crescer”, afirma Souza. Isso não apenas prejudica a segurança viária, mas também gera um impacto econômico para a população. A aplicação de multas resulta no aumento da arrecadação de recursos para a BHTrans, que é reinvestido em melhorias na infraestrutura do trânsito e em projetos de mobilidade urbana. No entanto, a alta nas infrações também levanta uma questão sobre a eficácia das estratégias de fiscalização. Na avaliação de Souza, “apesar da intensificação da fiscalização e das campanhas educativas, a quantidade de infrações e acidentes sugere que é necessário repensar a forma como as ações de conscientização estão sendo realizadas. O aumento das multas pode ser visto como uma medida paliativa, que não resolve as causas profundas dos problemas no trânsito, como a falta de educação e a impunidade”. Entretanto, o aumento das multas pode ser mais do que apenas reflexo da fiscalização intensificada. O trânsito de Belo Horizonte enfrenta problemas estruturais, como o aumento do número de veículos, a falta de alternativas de transporte público eficientes e o alto índice de congestionamento, que contribuem para o agravamento da situação. Segundo a especialista em mobilidade urbana, Mariana Silva, o número crescente de infrações reflete uma falta de infraestrutura e planejamento no sistema de transporte da cidade. “Belo Horizonte ainda não tem uma rede de transporte público capaz de atender toda a população de forma eficiente. A falta de opções de transporte coletivo e a saturação das vias urbanas tornam a cidade mais dependente dos carros particulares, o que, por consequência, gera mais infrações e congestionamentos”. Ela relata que o crescimento populacional e o aumento do número de veículos são fatores que exigem um planejamento mais eficiente, com investimentos em transporte público, ciclovias, e mais espaço para pedestres. “Embora as multas possam gerar uma sensação de controle, é necessário que o planejamento urbano também se concentre na melhoria da infraestrutura e na oferta de alternativas de transporte sustentável”.
10.840 empresas foram abertas em BH no primeiro trimestre
No primeiro trimestre, houve um crescimento de 33,6% na abertura de empresas em Belo Horizonte. Esse desempenho favorável, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, está registrado no Cadastro de Contribuintes de Tributos Mobiliários, desenvolvido pela administração municipal. De janeiro a março deste ano, a capital mineira registrou a abertura de 10.840 novas empresas, comparado a 8.114 no mesmo período de 2024. Excluindo os microempreendedores individuais (MEIs), a cidade agora possui 481.107 empresas em operação. O número expressivo de novas empresas é considerado um reflexo da confiança do empresário local no ambiente econômico de Belo Horizonte, que tem se mostrado resiliente. A capital mineira, além de ser um polo comercial e industrial, também tem se consolidado como um centro de inovação e tecnologia, atraindo novos empreendedores em áreas como o comércio eletrônico, soluções digitais e startups. Além da recuperação econômica pós-pandemia, a modernização das plataformas digitais de registro empresarial desempenharam um papel fundamental no aumento da abertura de empresas na cidade. “O processo de abertura de uma empresa nunca foi tão rápido e fácil em Belo Horizonte. A transformação digital permitiu que empreendedores pudessem registrar seus negócios sem precisar sair de casa, o que é um grande avanço para a cidade, essa mudança foi um facilitador importante para quem deseja empreender, especialmente em um momento de recuperação econômica”, afirma o economista Fabrício Diniz. Outro fator que tem influenciado o aumento na abertura de empresas é a diminuição da taxa de juros, que proporcionou um cenário mais favorável para o crédito. Com a redução da taxa básica de juros, muitos empreendedores conseguiram obter linhas de crédito mais acessíveis para financiar seus negócios, o que ajudou a impulsionar o surgimento de novas empresas. Um dos impactos mais diretos é o aumento na geração de empregos. Cada nova empresa aberta tem o potencial de criar vagas de trabalho, tanto diretas quanto indiretas, movimentando ainda mais a economia da cidade. Para Diniz, o crescimento da atividade empresarial é essencial para a redução do desemprego e para a qualificação da mão de obra local. “A abertura de novas empresas tem um efeito multiplicador positivo na economia. Além da criação de novos postos de trabalho, essas empresas geram demanda por serviços de fornecedores, logística e outros setores, o que contribui para a movimentação de vários segmentos econômicos. Esse crescimento também é um reflexo de um ambiente mais saudável para o empreendedorismo, com mais oportunidades para quem quer investir e inovar”. O aumento do número de empresas também favorece a diversificação econômica de Belo Horizonte. De acordo com o economista, com mais negócios sendo formalizados em diferentes setores, a cidade se torna menos dependente de atividades específicas, o que contribui para a sua maior resiliência a crises externas. “A capital tem se tornado um polo de inovação, com um número crescente de empresas ligadas à tecnologia e soluções digitais, além de negócios no setor de serviços. Isso amplia o leque de possibilidades para a cidade e fortalece sua posição como um centro econômico e inovador”. Apesar do crescimento positivo, o consultor financeiro Guilherme Ferraz alerta para os desafios que a cidade ainda enfrenta em termos de infraestrutura e oferta de mão de obra qualificada. “Embora o número de empresas esteja crescendo, a cidade precisa continuar a melhorar suas condições para receber novos negócios e garantir que eles tenham sucesso a longo prazo”. “O aumento na abertura de empresas é um sinal claro de confiança na cidade, mas precisamos garantir que essa confiança seja sustentada por uma infraestrutura que atenda às necessidades dessas empresas, além de formar profissionais qualificados para o mercado de trabalho, a educação e o treinamento contínuo da força de trabalho serão cruciais para o sucesso desse novo ciclo de crescimento”, afirma Ferraz.
Brasil registrou 3.853 violações de intolerância religiosa no ano passado

Em 2024, o Brasil teve 3.853 incidentes relacionados à intolerância religiosa, representando um crescimento superior a 80% em comparação aos 2.128 casos registrados em 2023, conforme informações do Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A umbanda foi a religião que mais sofreu violações, seguida pelo candomblé, ambas de origem africana. O número de incidentes contra essas religiões mais que dobrou de 2023 para 2024, com o candomblé registrando 214 casos no último ano, em comparação aos 58 de 2023. Já a umbanda passou de 84 para 234 violações no mesmo período. Em 2025, foram reportadas 178 violações, sendo 60 delas no Estado de São Paulo. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar, com 21 registros, seguido pela Bahia, com 19 ocorrências. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Como você interpreta esse aumento de 80% nas violações motivadas por intolerância religiosa no ano passado frente a 2023? Isso está relacionado a um contexto global de ascensão do fascismo, do conservadorismo e do avanço da extrema-direita em vários países. Portanto, ter governos autoritários eleitos pelo voto popular ajuda a proliferar os discursos de ódio, seja nas redes sociais ou nos programas eleitorais. No Brasil, há também um narcopentecostalismo, que tomou conta de vários territórios já fragilizados pela falta de saneamento básico, estrutura cultural e com altas faixas de desemprego. Ele é embrião do surgimento de milícias que passaram a comandar tais territórios aliados aos movimentos evangélicos que estavam em crescimento, como exemplo, no Rio de Janeiro com o Complexo de Israel e o Complexo do Arão. Quais fatores contribuíram para esse avanço significativo de violações? No contexto do Brasil, os narcotraficantes estão “livres” para agir, pois o aparato estatal não tem disposição e nem têm como prioridade o enfrentamento de fato a esses grupos armados. E, muitas vezes, diversos parlamentares eleitos são ligados a esses grupos ou têm permissão para fazer campanha eleitoral nas regiões dominadas pelo tráfico e benzidas pelas mãos de pastores e líderes religiosos que não têm como meta acabar ou eliminar a situação nos territórios, mas apenas tolerar a prática criminosa para que os negócios religiosos evangélicos continuem sem ser interrompidos. Por que as religiões de matriz africana são os maiores alvos de preconceito? Porque são doutrinas que não acolhem o modo operativo dos grupos milicianos e também não é a ideologia seguida e pregada pelos “donos” dos territórios e por seus principais mandantes. Ou seja, essa perseguição acaba por refletir a dinâmica de busca pelo poder daqueles que viam os católicos e os macumbeiros como inimigos que poderiam inviabilizar a tomada do poder nas favelas e rincões. E o tráfico viu na subida e na adesão evangélica um possível aliado para dominar os territórios que estavam sendo conquistados pelas doutrinas pentecostais. Há necessidade de que esse tipo de violência deixe de ser encarado como um conflito de valores, crenças e costumes e seja inserido no debate nacional como um problema público? Sim. Sem aparato estatal não é possível combater tais grupos compostos pelos narcotraficantes, de um lado, e por milicrentes, de outro. Isso significa, então, enfrentamento armado, políticas de inclusão cultural, educacional, de desenvolvimento econômico e uma agenda de substituição da economia da criminalidade pela economia produtiva de base popular, inclusiva e circular nos próprios territórios dominados pelo poder narco. Além disso, os grupos cristãos têm privilégios sobre os demais grupos afros, como a entrada nos presídios para pregar a doutrina evangélica e dar assistência religiosa, coisa que os de matriz africana não possuem. Quais são os próximos passos para combater a intolerância religiosa no Brasil, tanto do ponto de vista jurídico quanto educacional e social? Ações de redução dos crimes contra o patrimônio que não explore ou que suspenda as práticas de extorsão aos moradores, como a cobrança de taxas, pode ser um poderoso recurso de legitimação que produz e fortalece a confiança e a credibilidade na ação do Estado, além de ações visando gerar emprego e bem-estar social. No geral, os moradores precisam ser consultados no processo de retomada da vida nessas comunidades, a descrença no Estado atrapalha nesse sentido e o medo e o silêncio ajudam na manutenção do problema.
Grama sintética em estádios gera discussões sobre lesões

A popularização do gramado sintético em estádios de futebol tem gerado debates intensos sobre a sua segurança e impacto na saúde dos jogadores. Embora a superfície artificial seja adotada por ser mais resistente e de menor custo de manutenção, ainda possui certa rejeição por uma parte dos atletas. O Campeonato Brasileiro de 2025 contará com três estádios que utilizarão grama sintética. Nesta temporada, o Allianz Parque (São Paulo) e o Nilton Santos (Rio de Janeiro) seguem como os estádios da edição anterior. A principal novidade é a Arena MRV, em Belo Horizonte, que optou por substituir o tipo de gramado no final de 2024 e deve inaugurar o novo campo na Série A. Além dos três estádios já confirmados, o Pacaembu foi reformado e conta com grama sintética. Antes era administrado pela prefeitura e agora pertence à iniciativa privada. Firmou um contrato de 10 anos com o Santos para sediar jogos. Há também outro modelo de gramado. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, e o Maracanã, principal estádio do Rio de Janeiro, utilizam gramados híbridos. Esse tipo de campo combina fibras sintéticas com a grama natural. Em fevereiro, um grupo de jogadores compartilhou nas redes sociais uma mensagem padrão contra o uso de grama sintética. Entre os principais nomes do futebol brasileiro que aderiram à campanha estavam Neymar, Gerson, Gabigol, Dudu, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Thiago Silva, Pablo Vegetti, Alan Patrick, entre outros atletas. Além do atacante do Cruzeiro, Dudu, que, em entrevista coletiva no mês passado, atribuiu o gramado sintético do Allianz Parque como um dos principais fatores para a séria lesão no joelho direito que sofreu em agosto de 2023. Uma das pesquisas sobre o assunto foi divulgada na revista The Lancet em 2023. Os pesquisadores analisaram 1.447 estudos, selecionando 22 que atendiam aos critérios estabelecidos. A sondagem concluiu que a taxa geral de lesões no futebol é inferior nos campos com grama sintética em comparação com os de grama natural. Segundo os dados, o risco de lesão não pode ser utilizado como um argumento contra o uso do gramado sintético. Para o fisioterapeuta Renato Lacerda, embora as lesões possam ocorrer tanto em gramados naturais quanto sintéticos, é importante avaliar o contexto de cada jogo. “A Fifa autoriza três tipos de grama para o futebol: natural, relva natural com reforço híbrido e relva sintética/ artificial. Os campos sintéticos com boa instalação e materiais mais modernos têm apresentado desempenho semelhante ao do gramado natural em termos de segurança para os jogadores. O problema surge quando o campo sintético está deteriorado ou mal projetado”. Na avaliação de Lacerda, os jogadores precisariam adaptar seus treinamentos ao tipo de piso no qual irão disputar a partida oficial. “O desafio é que nem todos os times ou estádios contam com centros de treinamento equipados com grama sintética. Eles treinam na grama natural e, ao chegarem para a competição, se deparam com uma superfície diferente. É preciso encontrar uma solução que seja viável tanto para os atletas quanto para os estádios”, afirmou. A engenheira agrônoma, Priscila Moraes, salienta que os campos sintéticos modernos utilizam materiais mais flexíveis e camadas de amortecimento para reduzir o impacto. “A tecnologia tem evoluído, e hoje temos opções no mercado que conseguem equilibrar custo-benefício e segurança para os jogadores”. “A principal vantagem do gramado sintético é sua durabilidade. Em regiões onde o clima é adverso, como em locais de baixas temperaturas ou onde as chuvas são intensas, o campo sintético oferece uma solução prática, permitindo que os jogos aconteçam sem interrupções. Além disso, os custos de manutenção de um gramado sintético são consideravelmente mais baixos do que os de um campo natural, que exige cuidados constantes, como irrigação, corte e fertilização”, conclui.
840 municípios mineiros têm leis de preservação do patrimônio cultural

Minas Gerais se destaca como referência no país quando se trata de preservação do patrimônio cultural. Em 2021, o Estado contava com 802 municípios que adotam leis municipais voltadas à conservação. Já em 2024, esse número subiu para 840, evidenciando um progresso considerável e a presença de políticas de conservação em 98% das cidades mineiras. Com uma tradição de mais de 500 anos, marcada por cidades coloniais, igrejas barrocas, arquiteturas históricas e manifestações culturais únicas, a proteção do patrimônio se tornou uma prioridade para muitas administrações municipais. O arquiteto Fernando Resende explica a relevância dessa legislação para as cidades mineiras. “A adoção de leis para a proteção do patrimônio cultural é um passo fundamental para garantir que os municípios possam proteger sua história e sua identidade de forma autônoma. Cada cidade tem um contexto único e, muitas vezes, a legislação estadual ou federal não é suficiente para lidar com as especificidades locais. Essa possibilidade de controle local tem ajudado a preservar o estilo arquitetônico colonial, por exemplo, que é um dos maiores atrativos turísticos de Minas”. Ele ressalta que muitos municípios de Minas Gerais possuem riquezas históricas e culturais que são fundamentais para o entendimento da história do Brasil. “O Estado tem em sua arquitetura barroca e nas manifestações culturais um dos maiores patrimônios do país. No entanto, o crescimento acelerado das cidades e a especulação imobiliária são desafios constantes para a preservação desses bens. Nesse sentido, as leis municipais oferecem a chance de um controle mais eficaz sobre as mudanças no tecido urbano, garantindo que a modernização não elimine a memória histórica”. Cada edificação histórica, festa tradicional, e até mesmo cada prato típico ou saber popular são peças importantes da história de um povo. O museólogo Marcelo Cardoso explica o impacto da legislação de preservação para a cultura local. “A proteção do patrimônio cultural é um exercício de afirmação da identidade local. Quando uma cidade se preocupa em preservar suas tradições, ela está não apenas salvaguardando seu patrimônio, mas também fortalecendo o sentimento de pertencimento de seus cidadãos”. Além da sua importância cultural, a preservação do patrimônio tem um impacto direto na economia local, especialmente no setor de turismo. Minas Gerais é um dos principais destinos turísticos do Brasil, e muitos de seus visitantes buscam a experiência de conhecer suas cidades históricas e suas tradições culturais. As leis de proteção ao patrimônio ajudam a garantir que o turismo se desenvolva de maneira sustentável, sem comprometer os aspectos culturais e históricos das cidades. Cardoso destaca o papel do patrimônio como gerador de oportunidades econômicas. “A preservação do patrimônio não só fortalece a identidade cultural de uma cidade, mas também se transforma em uma fonte de geração de empregos e de renda. O turismo cultural, que tem crescido significativamente em Minas, depende diretamente da preservação do patrimônio material e imaterial”. Municípios como Tiradentes, São João del-Rei e Diamantina são exemplos de como a preservação pode ser uma alavanca para o desenvolvimento econômico local. “Essas cidades atraem turistas que vêm em busca de história, de uma experiência genuína. Manter o patrimônio vivo é garantir que o turismo se sustente no longo prazo, sem perder a autenticidade”, completa. Resende alerta para a importância da educação e da conscientização. “As políticas de preservação precisam ser acompanhadas por um trabalho de sensibilização com a população. O envolvimento das comunidades na defesa de seu patrimônio é fundamental para garantir que as leis municipais sejam respeitadas e eficazes”.