Número de crianças obesas deve chegar a 75 milhões em 2025

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade mórbida infantil não apenas compromete a saúde física das crianças, mas também impacta seu bem-estar emocional e social. A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. O 3 de junho é o Dia Mundial da Conscientização sobre a Obesidade Mórbida Infantil, uma data importante para alertar sobre os riscos da doença e a necessidade de promover hábitos saudáveis. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está mais pesada do que o ideal. O governo federal determinou uma diminuição no percentual de alimentos processados oferecidos nas escolas públicas. A meta é limitar esse tipo de alimento a 15% em 2025 e reduzir ainda mais para 10% em 2026. A iniciativa tem como objetivo promover uma alimentação mais saudável entre os estudantes e enfrentar o crescente problema da obesidade infantil. A obesidade mórbida infantil resulta de uma combinação complexa de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Segundo o endocrinologista pediátrico Gilberto Assunção, “a alimentação inadequada, caracterizada pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras, é uma das principais causas do problema. Além disso, o sedentarismo, impulsionado pelo aumento do tempo em frente às telas e pela diminuição das atividades físicas, contribui significativamente para o ganho de peso excessivo”. Fatores genéticos também desempenham um papel importante. Crianças com pais obesos têm maior predisposição a desenvolver a condição, embora o estilo de vida e os hábitos alimentares desempenhem um papel crucial na manifestação da obesidade. S egundo Assunção, os sintomas da obesidade mórbida infantil vão além do aumento de peso visível. “Crianças afetadas podem apresentar dificuldades respiratórias, como apneia do sono, dores articulares devido ao sobrepeso, hipertensão arterial, resistência à insulina e alterações nos níveis de colesterol. Psicologicamente, podem sofrer com baixa autoestima, depressão e ansiedade, frequentemente exacerbadas pelo estigma social associado ao peso excessivo”. “A longo prazo, a obesidade mórbida infantil aumenta o risco de desenvolvimento de problemas crônicos na vida adulta, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Portanto, é essencial tratar a obesidade na infância para prevenir complicações futuras”, explica. Para a nutricionista Cristina Souza, o tratamento da doença deve ser individualizado, levando em consideração a idade da criança, o grau de obesidade e a presença de comorbidades. “A abordagem envolve mudanças na alimentação, com a adoção de uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, com redução do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas. Também o incentivo à prática regular de atividades físicas, visando aumentar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular”. Cristina ressalta que a prevenção deve começar desde os primeiros anos de vida. “A amamentação exclusiva até os seis meses de idade e a introdução gradual de alimentos saudáveis são práticas recomendadas. Além disso, é importante oferecer uma dieta equilibrada, reduzir o tempo de uso de dispositivos eletrônicos, como televisão, computadores e celulares, especialmente durante as refeições e ter consultas pediátricas regulares para acompanhar o crescimento da criança e identificar precocemente sinais de sobrepeso ou obesidade”.
Falhas podem fazer que sistema de regulação de leitos seja centralizado

Integrantes da reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) apontaram a possibilidade de o governo estadual estar caminhando para a unificação das centrais macrorregionais de saúde. Embora não haja uma confirmação oficial, a expectativa é de que uma nova central seja implantada em Belo Horizonte ou em alguma cidade da Região Metropolitana. O deputado Lucas Lasmar (Rede) destacou o encaminhamento da discussão, após solicitar a realização da audiência pública que debateu a possível desativação das centrais de regulação localizadas em cidades-polo de Minas Gerais. “Pelo que entendi, a meta é centralizar a regulação com uma unidade na RMBH; podemos nos preparar, porque vai haver essa centralização”. Durante a audiência, foi explicado que cada macrorregião de saúde conta com uma central de regulação composta por médicos e técnicos responsáveis por gerenciar, por meio do sistema SUS Fácil, o encaminhamento de pacientes do SUS para leitos hospitalares em sua área de cobertura. Entre os impactos observados, ele destacou denúncias de situações críticas, como a atuação de apenas um médico regulador para duas regiões e casos de regulação feita remotamente, o que teria provocado a priorização de pacientes menos graves em detrimento de casos mais urgentes. “Temos um médico regulando 1.200 pacientes em 12 ou 24 horas. O Estado tem dinheiro para contratar mais profissionais. Para onde está indo o recurso que o governo recebeu da Vale?”, ressaltou. Também foi destacada a falta de articulação eficiente entre as centrais estaduais e as unidades municipais de regulação, o que compromete a fluidez na gestão dos atendimentos. “O que se diz é que as centrais municipais protegem as vagas de sua central e deixam em segundo plano as outras centrais”. A promotora Josely Ramos Pontes, da Promotoria de Defesa da Saúde de Belo Horizonte, ressaltou que muitas deficiências no atendimento à saúde não são refletidas nos dados dos sistemas informatizados. Segundo ela, no caso específico do Hospital João XXIII, a situação teria se agravado após o encerramento das atividades do Hospital Maria Amélia Lins. “Vemos pacientes no João XXIII colocados em corredores em andares de cima do prédio, para serem invisibilizados”. Josely também comentou a iniciativa do governo de modernizar o sistema de regulação por meio do projeto SUS Fácil 4.0, que prevê o uso de inteligência artificial e recursos de tecnologia da informação para otimizar o processo de encaminhamento de pacientes. “Tenho dúvidas em relação a compras de equipamento de TI; há ações judiciais que beiram R$ 150 milhões por não se utilizarem os equipamentos pedidos; com a demora, muitas ferramentas compradas se tornam obsoletas”. Ela expressou preocupação com a influência de interesses corporativos na gestão das informações do SUS Fácil. “Muitas vezes, o leito está vazio porque alguns médicos e alguns hospitais fazem prevalecer o interesse corporativo; nosso problema não é apenas do software desatualizado, é um problema de atitude pessoal”, criticou. O subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde de Minas Gerais, Renan Guimarães de Oliveira, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), admitiu que o sistema atual de regulação apresenta falhas e precisa ser aprimorado. “Precisamos integrar mais, para que os reguladores tenham maior apoio, por isso, precisamos rever o sistema atual, diante do aumento da demanda”. Ao ser informada de que 431 municípios mineiros já assumiram a gestão plena dos serviços de saúde, Kátia Regina Rocha, presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), alertou para o risco do chamado “efeito captura”, quando interesses locais passam a interferir nas decisões do sistema de regulação. “O prefeito, com a gestão do sistema, captura toda a saúde local e faz o que quer, muitas vezes, em dissonância com o que a população precisa”. Samuel Pires Teixeira, diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed), expressou a preocupação dos médicos reguladores diante da crescente precarização das condições de trabalho. “Preocupa-nos o pano de fundo de tudo isso, a terceirização e pejotização têm sido deletérias para o atendimento, e essa responsabilidade é do Estado”. Em oposição ao modelo estadual, a promotora defendeu o aprimoramento da regulação por meio de dados mais detalhados sobre o atendimento, sem extinguir as centrais existentes. Além disso, manifestou-se veementemente contra a privatização ou terceirização de qualquer serviço de saúde. “O Estado não pode abrir mão de fiscalizar, regular, controlar; é sua obrigação”.
Minas registra 530 acidentes de trânsito no primeiro trimestre

De acordo com dados compilados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o número de acidentes envolvendo motoristas sem habilitação tem crescido em Minas Gerais. Nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 530 ocorrências em municípios mineiros, o equivalente a uma média diária de seis casos. Esse total representa um aumento de 2,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Entre janeiro e março, foram registrados pelo menos 418 acidentes com vítimas, o que representa um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os acidentes envolveram um total de 629 vítimas. Desse número, 532 pessoas ficaram feridas, com lesões leves ou graves, um crescimento de 4,1% em comparação ao ano de 2024, enquanto outras 10 perderam a vida, representando uma redução de 47,4% nos óbitos. As ações de fiscalização realizadas pelas forças de segurança de Minas Gerais identificaram 2.041 condutores dirigindo veículos de forma irregular, o que indica um aumento de 1%. A falta de habilitação é um fator de risco significativo no trânsito. Segundo o especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, a ausência de formação adequada compromete a capacidade do motorista de reagir a situações imprevistas e de respeitar as normas de trânsito. “Sem a habilitação, o motorista não possui o conhecimento necessário para conduzir com segurança, o que aumenta consideravelmente o risco de acidentes”. Ele defende a implementação de ações integradas para combater o problema. “É necessário uma abordagem multifacetada, que inclua fiscalização rigorosa, educação no trânsito e melhorias na infraestrutura viária. É fundamental que haja um esforço conjunto entre órgãos de trânsito, sociedade e governo para promover um trânsito mais seguro, além da necessidade de políticas públicas mais eficazes, como campanhas educativas contínuas e fiscalização intensificada, para combater a direção sem habilitação e outros comportamentos de risco. Somente com ações coordenadas será possível reverter esse quadro alarmante”. O professor de direção, Leonardo Silveira, diz que o elevado número de acidentes envolvendo motoristas sem habilitação em Minas Gerais é um reflexo de falhas no sistema de trânsito e na conscientização dos condutores. “É importante que o Estado adote medidas mais eficazes para combater a direção irregular e promover a segurança viária. Somente com ações integradas e contínuas será possível reduzir significativamente os índices de acidentes e salvar vidas no trânsito mineiro”. Para Silveira, promover campanhas educativas em escolas, empresas e comunidades para conscientizar sobre as normas de trânsito é uma das principais atitudes. “A fiscalização rigorosa também é essencial. Intensificar a fiscalização para coibir a condução de veículos por motoristas inabilitados e o cumprimento das leis de trânsito”. “Investir em melhorias na infraestrutura viária, como sinalização adequada, iluminação pública e manutenção das vias, para proporcionar um ambiente mais seguro para todos, estabelecer parcerias entre diferentes órgãos e entidades, como polícia, saúde, educação e sociedade civil, para ações integradas de prevenção e conscientização e oferecer suporte psicológico para vítimas de acidentes e seus familiares, auxiliando na recuperação e enfrentamento das consequências traumáticas são ações que podem fazer a diferença”, conclui.
Brasil conta com 8 milhões de jovens empreendedores

De acordo com dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Minas Gerais conta com 4,015 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). Dentre eles, 927.840 têm entre 16 e 30 anos, o que representa aproximadamente 23,11% do total de MEIs no Estado. Outro levantamento realizado pelo Sebrae, com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, indica que, nos últimos dez anos, houve um crescimento de 23% no número de empreendedores com idades entre 18 e 29 anos. Além disso, conforme dados do Monitor Global de Empreendedorismo, o Brasil conta com aproximadamente 8 milhões de jovens empreendedores na faixa etária de 18 a 24 anos. O especialista em gestão empresarial, Matheus Paiva, destaca que a redução do emprego formal tem impulsionado os jovens a buscar alternativas. “O empreendedorismo entra nesse cenário com a possibilidade de conjugar a formação de capital e a evolução material como indivíduo, com a questão de propósito, de deixar sua marca no mundo”, afirma. “Essa busca por propósito é evidente na geração Z, que valoriza mais a liberdade e o impacto social de seus negócios do que a estabilidade de um emprego tradicional. Eles querem mais autonomia e flexibilidade, preferindo empreender a seguir uma carreira tradicional”. Segundo Paiva, a presença de redes de apoio e programas de mentoria tem sido fundamental para o desenvolvimento dos jovens empreendedores. “O Sebrae, por exemplo, tem atuado como catalisador de iniciativas, oferecendo capacitação, acesso ao crédito e consultorias. A formalização dos negócios também tem avançado, nos últimos anos aumentou o número de jovens empreendedores que possuem CNPJ. Esse avanço é crucial para o acesso a benefícios fiscais, crédito e maior legitimidade no mercado”. Para o economista Fabrício Diniz, os jovens empreendedores têm contribuído significativamente para a criação de empregos, tanto diretos quanto indiretos. “Ao abrir novos negócios, eles geram oportunidades de trabalho para outras pessoas, ajudando a reduzir o desemprego, especialmente entre os mais jovens. Além disso, a criatividade e a disposição para assumir riscos são características marcantes dos jovens empreendedores, o que tem levado ao surgimento de novos produtos, serviços e modelos de negócios, promovendo a inovação e a diversificação da economia brasileira”. “O empreendedorismo jovem tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover a inclusão social. Indivíduos de diferentes origens socioeconômicas estão utilizando essa estratégia como meio de ascensão social, contribuindo para a redução das desigualdades no país, a participação feminina e de quem se autodeclara preto ou pardo vem crescendo nos últimos anos”, ressalta. Diniz explica que ainda há desafios antes de prosperar o próprio negócio. “O acesso ao crédito continua sendo um dos principais obstáculos para os jovens que desejam iniciar ou expandir seus negócios. A complexidade burocrática e a elevada carga tributária também são obstáculos significativos, além da necessidade de lidar com uma infinidade de documentos e processos legais, o que pode desmotivar aqueles que estão começando os seus negócios”. O cenário para o empreendedorismo jovem no Brasil é promissor, esclarece Paiva. “Com o apoio de políticas públicas voltadas à capacitação, redução da burocracia e incentivo ao crédito, é possível criar um ambiente mais favorável para o crescimento dos negócios. Além disso, a crescente digitalização da economia e o surgimento de novas tecnologias oferecem oportunidades para que os jovens inovem e se destaquem no mercado”. Em resumo, o empreendedorismo jovem não é apenas uma tendência passageira, mas uma realidade que está moldando o futuro econômico do país. “Com determinação, criatividade e apoio adequado, os jovens empreendedores têm o potencial de transformar desafios em oportunidades, contribuindo para um Brasil mais dinâmico, inclusivo e próspero”, conclui.
84% da população negra afirma ter sofrido discriminação racial

Segundo uma pesquisa apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), 84 em cada 100 pessoas negras afirmam já ter sido alvo de discriminação racial. O estudo aborda as vivências de brasileiros que enfrentam diferentes formas de preconceito no dia a dia, em situações comuns da rotina. Os dados revelam que 51,2% das pessoas negras relatam receber um tratamento menos cordial no cotidiano. Entre os indivíduos pardos, esse índice é de 44,9%, enquanto entre os brancos a proporção cai para 13,9%. Além de identificar a presença de discriminação, a pesquisa também investigou os tipos de preconceito vivenciados pelos participantes. Entre as pessoas negras, 84% relataram que a cor da pele foi o principal motivo. Já entre os brancos, esse número foi de 8,3%, e entre os pardos, 10,8%. O estudo também analisou casos em que os entrevistados enfrentaram múltiplas formas de discriminação, destacando que as mulheres negras estão entre as mais afetadas: 72% delas disseram ter sido alvo de mais de um tipo de preconceito. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Como esses dados reforçam o entendimento do racismo como estrutural no Brasil? A desigualdade social no Brasil tem raízes profundas que remontam ao período da colonização. Com a abolição formal da escravidão, em 1888, não foram implementadas políticas públicas eficazes que garantissem a inclusão dos ex-escravizados na sociedade, como acesso a trabalho digno, moradia, alimentação e assistência social. Esse abandono contribuiu diretamente para a configuração da desigualdade social que persiste até os dias atuais. Historicamente, a população branca manteve o controle sobre as estruturas de poder, perpetuando privilégios e exclusões. Que barreiras estruturais impedem o acesso de pessoas negras a melhores posições e salários? A principal delas é o racismo, que consiste na marginalização de indivíduos com base em sua origem racial ou étnica. Essa forma de discriminação deve ser analisada sob múltiplos ângulos, sociais, políticos, religiosos, culturais e geográficos. Historicamente, no Brasil, pessoas negras foram tratadas como inferiores e privadas de direitos básicos. Ao observarmos dados relacionados à renda, ocupação de cargos de liderança nas empresas e índices de violência, fica evidente que a população negra é a mais impactada negativamente. De que forma essas desigualdades impactam a saúde mental e o acesso à cidadania plena da população negra? Mesmo com qualificação igual e ocupando funções idênticas, trabalhadores negros ainda recebem salários inferiores aos de colegas brancos. Além disso, há uma desigualdade evidente na distribuição das ocupações: pessoas negras estão majoritariamente inseridas em profissões com menor reconhecimento social e remuneração reduzida, como motoristas, faxineiras, empregadas domésticas, garis e porteiros. Essas funções são desvalorizadas não apenas em termos profissionais, mas também em relação ao poder aquisitivo que proporcionam. Diante dessas limitações, muitos acabam sendo empurrados para áreas periféricas, favelas e regiões de moradia precária nos grandes centros urbanos, distantes das oportunidades sociais e econômicas. Qual é o papel da sociedade civil na luta contra o racismo? Não basta apenas rejeitar atitudes racistas, é necessário adotar uma postura ativa de enfrentamento ao racismo. A transformação real só será possível quando toda a sociedade, incluindo o setor público, o setor privado e os cidadãos, se comprometer de forma coletiva com a superação dessa injustiça histórica. Isso envolve fortalecer políticas públicas voltadas à população negra e ampliar investimentos em áreas como educação, cultura, saúde e assistência social. O que pode ser feito pelo poder público para promover justiça racial? Atualmente, o problema não é a ausência de políticas públicas, mas sim a falta de recursos financeiros e de estrutura para colocá-las em prática de maneira eficaz. Muitas prefeituras enfrentam limitações orçamentárias que impedem a implementação de ações afirmativas. Também há entraves políticos, visto que muitos gestores municipais pertencem a correntes ideológicas que se opõem a medidas como cotas raciais ou políticas voltadas à população negra. Por isso, a representatividade política também tem papel central nesse processo, o que torna essencial a eleição de pessoas negras para cargos como vereadores, deputados, senadores e governadores.
Judô transforma corpo, mente e promove valores para a vida inteira

Mais do que um esporte de combate, o judô é uma filosofia de vida que alia técnica, disciplina e respeito. Criado no Japão no final do século 19, o judô vem conquistando adeptos no Brasil desde sua chegada ao país, em 1914. Atualmente, é uma das modalidades mais praticadas em solo brasileiro, com cerca de 2 milhões de pessoas em academias, escolas e projetos sociais, de acordo com a Confederação Brasileira de Judô. “O judô é uma ferramenta poderosa de formação humana. Ele ensina valores como respeito, disciplina, autocontrole e perseverança”, afirma o faixa preta e professor Humberto Souza. Ele explica que, desde as primeiras aulas, o aluno é incentivado a respeitar o adversário e a seguir regras rigorosas de convivência. “A reverência antes e depois da luta não é apenas um ritual, é um gesto de humildade e gratidão”. Para as crianças, o esporte também atua como um agente de socialização. Souza observa mudanças significativas no comportamento dos pequenos. “Muitos chegam agitados, tímidos ou inseguros. Com o tempo, ganham confiança, aprendem a lidar com frustrações e passam a respeitar limites, os próprios e os dos outros”, conta. O judô é um grande aliado da saúde mental. O ambiente controlado, a disciplina e a prática da meditação ativa (concentrar-se no momento presente durante os treinos) ajudam no controle da ansiedade e no desenvolvimento da paciência. “O esporte nos ensina a cair e levantar, literalmente e metaforicamente. Essa filosofia de resiliência é valiosa para lidar com os altos e baixos da vida. Para crianças e adolescentes, a atividade oferece uma alternativa saudável ao tempo excessivo em telas e ajuda na construção da identidade e autoestima. Já para adultos, pode ser uma válvula de escape contra o estresse do dia a dia. No tatame, você se desconecta dos problemas. É um momento de foco total, que gera bem-estar imediato e sensação de realização”, afirma o professor. Além disso, o judô exige e desenvolve uma ampla gama de capacidades físicas: força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e coordenação motora. “Os movimentos de luta, quedas e projeções exigem força dos braços, pernas e tronco, promovendo o fortalecimento geral do corpo, os alongamentos e as técnicas de rolamento e queda ajudam a melhorar a amplitude dos movimentos articulares”, explica o fisioterapeuta Renato Lacerda. Segundo o profissional, a prática regular contribui para a prevenção de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes. “Os treinos dinâmicos, com séries de lutas e exercícios contínuos, estimulam o sistema cardiorrespiratório e por ser uma atividade intensa, o judô contribui para o gasto calórico e o controle da gordura corporal, sendo um aliado na prevenção da obesidade. Tanto a resistência muscular quanto a resistência aeróbica são trabalhadas durante os treinos, aumentando a capacidade de esforço por mais tempo”. Projetos sociais que utilizam o judô como ferramenta de inclusão vêm ganhando força em todo o Brasil. Souza ressalta que em comunidades carentes, a prática ajuda a manter crianças longe da violência e da evasão escolar. “O esporte é um caminho para oportunidades. O judô também é inclusivo para pessoas com deficiência. A modalidade paralímpica vem ganhando destaque e oferece uma prática adaptada e competitiva para atletas cegos ou com baixa visão. Todos têm espaço, o que importa é a dedicação, não a limitação”. “Embora seja uma luta individual, o judô valoriza o treino em dupla e a ajuda mútua, criando laços de amizade e espírito de coletividade. No tatame, não importa a origem, o gênero ou a condição física, todos têm o mesmo valor e são tratados com igualdade”, conclui.
1% dos brasileiros tem doença celíaca

A doença celíaca afeta cerca de 1% dos brasileiros, o equivalente a pouco mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Trata-se de uma enfermidade autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, que provoca uma reação inflamatória no intestino delgado, podendo comprometer a absorção de nutrientes e desencadear uma série de complicações de saúde. Os sintomas da doença celíaca variam amplamente de pessoa para pessoa, o que dificulta o diagnóstico precoce. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, os sinais incluem diarreia crônica, perda de peso, distensão abdominal, anemia e fadiga. “Porém, muitos pacientes apresentam manifestações atípicas ou até mesmo silenciosas, como dores articulares, infertilidade, osteoporose precoce e alterações neurológicas”. “Em crianças, o quadro pode se manifestar de forma mais aguda, sendo comum observar atraso no crescimento, irritabilidade e vômitos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras condições, como síndrome do intestino irritável ou intolerância à lactose”, explica. A suspeita clínica deve ser seguida por exames laboratoriais específicos, como a dosagem de anticorpos antitransglutaminase tecidual e anti-endomísio. “Se os resultados forem positivos, realiza-se uma endoscopia com biópsia do intestino delgado para confirmação. Importante destacar que o diagnóstico só é preciso se o paciente estiver consumindo glúten regularmente no momento dos testes. Muitas pessoas o eliminam por conta própria antes de procurar ajuda médica, o que pode mascarar os exames e dificultar o diagnóstico”, alerta Isabela. Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total do glúten da dieta. “Mesmo traços da proteína, como os encontrados em utensílios contaminados, podem desencadear reações e causar danos intestinais. Não se trata de uma dieta da moda, mas de uma prescrição médica rigorosa”, enfatiza a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela explica que a adesão estrita é fundamental para evitar complicações como osteoporose, infertilidade, problemas neurológicos e até linfoma intestinal, um tipo raro de câncer. “A adaptação pode ser desafiadora no início, mas hoje o mercado oferece uma variedade crescente de produtos sem glúten. O rótulo precisa ser analisado com atenção. O ideal é procurar alimentos certificados e, sempre que possível, optar por produtos naturalmente livres de glúten, como arroz, milho, batata, frutas e legumes”, aconselha. Segundo Cristina, por ser uma condição genética, a doença celíaca não pode ser prevenida. No entanto, pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença têm maior risco de desenvolvê-la e devem ser acompanhadas de perto. “Nestes casos, é recomendado realizar exames preventivos mesmo na ausência de sintomas”. A gastroenterologista diz que além dos desafios físicos, o aspecto emocional também merece atenção. “Muitos pacientes relatam dificuldade de socialização e ansiedade em eventos sociais. O acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado para ajudar o paciente a lidar com a nova rotina alimentar”. “Associações de apoio a celíacos têm desempenhado um papel importante nesse processo. Grupos em redes sociais e eventos de conscientização ajudam a trocar experiências, divulgar informações corretas e pressionar por mais opções seguras nos cardápios de restaurantes e escolas”, conclui a médica.
Maio impulsiona casamentos e aquece outros setores como eventos e beleza

Para o mês de maio, a previsão é que o mercado de festas e eventos no Brasil movimente mais de R$ 2,9 bilhões apenas com casamentos, de acordo com dados da plataforma Casar.com em parceria com a Assessoria VIP. O levantamento também aponta um aumento de até 32,6% no número de cerimônias previstas para o período, em relação ao mesmo mês de 2024, indicando um forte aquecimento do setor. Além disso, o período, tradicionalmente chamado de “mês das noivas”, faz com que outro segmento também tenha um crescimento significativo: o de beleza. Em Minas Gerais, por exemplo, a expectativa é de um aumento de até 40% no faturamento de empresas do setor, segundo o Sindicato Patronal da Beleza de Minas Gerais (Sindbeleza-MG). Como muitas cerimônias ocorrem em espaços distantes como sítios e chácaras, os profissionais frequentemente recebem valores adicionais pelo deslocamento até os locais dos eventos. De acordo com a cerimonialista, Juliana Muniz, a escolha de maio como o mês preferido para casamentos no Brasil é uma herança cultural que se mantém viva por vários fatores. “Historicamente, maio é associado à figura da Virgem Maria, no catolicismo, o que consolidou sua fama como mês das noivas. Além disso, o clima ameno em grande parte do país contribui para cerimônias mais confortáveis, especialmente em espaços ao ar livre”, explica. A preferência por maio também tem sido reforçada pelo mercado. “As campanhas publicitárias e os pacotes promocionais oferecidos por fornecedores ajudam a manter a atratividade do mês. Muitos casais aproveitam as condições especiais para fechar contratos”, acrescenta. No setor de beleza, o impacto é sentido com intensidade. “Maquiadores, cabeleireiros e esteticistas ajustam suas agendas para atender à demanda crescente. A agenda lota com meses de antecedência, além das noivas, mães, madrinhas e convidadas também investem em serviços completos de beleza, desde penteados até design de sobrancelhas”. Para Juliana, com a tendência de casamentos realizados em locais mais afastados ou ao ar livre, cresce também o número de pedidos por atendimento em domicílio. “Por ser um evento especial, os clientes costumam optar por pacotes mais completos e sofisticados, o que eleva o valor gasto por atendimento. Serviços como teste de maquiagem e atendimento a domicílio também agregam valor, o que ajuda a aumentar o ticket médio dos serviços”. A economista Paula Albuquerque explica que casamentos exigem uma ampla estrutura de produção, o que movimenta empresas de buffet, decoração, iluminação, sonorização, aluguel de espaços, mobiliário, fotografia, filmagem, cerimonial, entre outros. “Com a alta demanda, muitos profissionais são contratados para atuar em cerimônias e festas, como garçons, seguranças, decoradores, músicos e montadores de estruturas. A concentração de casamentos nesse período favorece a criação de pacotes promocionais e acordos antecipados, dando mais segurança financeira para os empreendedores do setor”. Ela diz que fornecedores de eventos registram aumentos significativos na receita durante maio, o que permite novos investimentos em equipamentos, marketing e ampliação de serviços. “Para se destacar em um mercado competitivo, empresas precisam investir em novas tendências, tecnologia, experiências personalizadas e atendimento de excelência, o que impulsiona a modernização do setor”. Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), as famílias com renda mensal superior a R$ 5 mil seguem liderando o consumo no setor, representando cerca de 16% da população brasileira. Embora muitos casais iniciem o planejamento com a intenção de gastar até R$ 40 mil na cerimônia, o levantamento revela que 74% acabam investindo entre R$ 40 mil e R$ 85 mil para realizar o casamento dos sonhos. Em capitais e grandes centros urbanos, esse valor pode ultrapassar os R$ 100 mil, dependendo do estilo e da estrutura do evento. “Para que os gastos com o casamento não ultrapassem o orçamento e não comprometam a vida financeira do casal, o ideal é começar o planejamento com antecedência, definindo um teto de investimento realista e adequado à renda dos dois. Fazer uma planilha detalhada com todos os custos envolvidos ajuda a visualizar prioridades e evitar excessos”, aconselha Paula.
76% dos jovens brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho

Uma pesquisa inédita da Nexus revelou que 76% dos brasileiros com idades entre 16 e 24 anos apoiam a redução da carga horária semanal de trabalho. A aprovação é expressiva, mas diminui com o aumento da idade: entre os brasileiros de 25 a 40 anos, 69% apoiam as mudanças; entre os de 42 a 59 anos, o índice cai para 63%; e entre os que têm 60 anos ou mais, 54% aprovam. Nesse último grupo, 34% se declararam contrários às mudanças, enquanto entre os mais jovens, a rejeição é de apenas 16%. Aqueles que estão em busca de emprego são os que mais apoiam a proposta de redução da jornada de trabalho: 73% manifestam concordância. Já entre os que estão atualmente empregados, esse apoio recua para 66%, e entre os que não fazem parte da força de trabalho ativa, como aposentados, pensionistas, estudantes e pessoas que se dedicam aos afazeres domésticos, o índice é de 61%. A melhora na qualidade de vida é apontada como o principal motivo para apoiar a redução da jornada semanal de trabalho, sendo mencionada por 65% dos entrevistados. Para 55%, a mudança tende a aumentar a produtividade dos trabalhadores; 45% acreditam que ela pode favorecer o progresso social no país; e 40% enxergam impactos positivos também no desenvolvimento da economia. A psicóloga Silvia Saldanha destaca que a diminuição da jornada pode contribuir para a redução de doenças mentais, como ansiedade e burnout, que são prevalentes no Brasil. Ela observa que “as empresas podem se beneficiar com o aumento da produtividade dos colaboradores, a maior qualidade nas entregas, que resulta em aumento da receita, e a diminuição da falta de pontualidade e até dos desligamentos voluntários”. “Além disso, a redução da jornada de trabalho pode ser um fator decisivo na atração e retenção de talentos, especialmente entre jovens profissionais que valorizam a qualidade de vida, o que diminui a rotatividade e deixa processos internos mais fluídos”, ressalta. A consultora de Recursos Humanos Karine Soares também aponta que a jornada reduzida tem sido uma das alternativas para melhorar a situação enfrentada por empregadores e trabalhadores. Ela destaca que os benefícios incluem “a satisfação geral do funcionário com as atividades e o aumento do seu bem-estar físico, emocional e mental que se traduz em mais concentração, criatividade e inovação para as empresas”. Para Karine, apesar dos benefícios apontados, a implementação da redução da jornada de trabalho enfrenta desafios no Brasil. “A realidade de alta taxa de desemprego e a sobrecarga de trabalho em muitos setores dificultam a adoção dessa medida. A redução de jornada só traz benefícios à saúde do trabalhador se a empresa não diminuir os salários e impor condições adequadas de trabalho aos empregados”. No entanto, a tendência global e o apoio crescente da população, especialmente entre os jovens, indicam que a redução da jornada de trabalho pode ser uma realidade no futuro próximo. A discussão sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais está em andamento no Congresso Nacional. Se aprovada, essa medida pode representar um avanço significativo na busca por um equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida. Em resumo, a pesquisa da Nexus reflete uma mudança nas expectativas dos jovens brasileiros em relação ao trabalho. “A busca por qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal está moldando as novas demandas do mercado de trabalho. A redução da jornada de trabalho pode ser uma solução eficaz para atender a essas demandas, beneficiando tanto os trabalhadores quanto as empresas”, conclui a psicóloga.
Cerca de 20 milhões de brasileiros são asmáticos

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e acomete aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos, e, anualmente, ocorrem 350 mil internações devido a casos mais extremos, sendo a terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda com informações da pasta, entre os anos de 2019 e 2023, foram registradas 12.195 mortes por asma no país. Já no primeiro semestre de 2024, o número de óbitos chegou a 883. “Caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax, a asma pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum na infância. O que caracteriza a asma é a inflamação crônica dos brônquios, que são os canais por onde o ar passa até os pulmões. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais sensíveis a diversos estímulos, como poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro e mudanças climáticas”, explica o clínico geral Lucas Almeida. Ele afirma ainda que as causas da asma ainda não são totalmente compreendidas, mas há um componente genético importante. “Pessoas com histórico familiar de asma, rinite ou outras doenças alérgicas têm maior predisposição. Fatores ambientais também desempenham papel fundamental: exposição precoce a alérgenos, infecções respiratórias na infância e até mesmo o uso excessivo de antibióticos nos primeiros anos de vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença”. O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico do paciente. No entanto, exames como a espirometria, que avalia a função pulmonar, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença. “A espirometria é simples, indolor e bastante eficaz. Ela mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expelir dos pulmões. Isso nos ajuda a entender se há obstrução das vias aéreas e se essa obstrução melhora com o uso de medicamentos”, afirma a pneumologista Sônia Andrade. A médica diz que embora não tenha cura, a asma pode ser controlada com o tratamento adequado, permitindo ao paciente levar uma vida normal. O tratamento inclui medicamentos de alívio rápido e de controle contínuo. “Os broncodilatadores são usados para aliviar os sintomas em crises, enquanto os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação das vias respiratórias. O maior erro que vemos é o uso somente dos broncodilatadores quando há crise. Isso é perigoso, pois mascara o agravamento da inflamação. O tratamento contínuo com anti- -inflamatórios é o que garante o controle da doença a longo prazo”. Além da medicação, mudanças no estilo de vida também são importantes. Evitar o contato com alérgenos, manter o ambiente limpo e ventilado, não fumar, praticar atividade física regular e seguir as orientações médicas são medidas essenciais para o controle da asma. A prevenção da asma envolve, principalmente, a redução dos fatores de risco. Programas de saúde pública, como o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS, têm ajudado a reduzir hospitalizações e mortes por asma no Brasil. A educação do paciente também é crucial. “É fundamental que o paciente aprenda a reconhecer os sinais de alerta e saiba como agir diante de uma crise. Ter um plano de ação por escrito, elaborado com seu médico, pode salvar vidas”, conclui Sônia.