Postagens com ameaças a escolas nas redes sociais crescem 360% em 4 anos

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou um crescimento de 360% nas publicações com ameaças direcionadas a escolas nas principais redes sociais brasileiras entre 2021 e 2025. A pesquisa teve como objetivo analisar tanto a forma como as plataformas digitais respondem a ataques violentos contra instituições de ensino quanto a abordagem de temas como o bullying nesses espaços virtuais. Conforme os dados, em 2023, cerca de 90% das postagens com discurso de ódio estavam concentradas na deep web, área da internet que não é indexada por mecanismos de busca convencionais. Já em 2025, esse percentual caiu para 78%, o que indica que esse tipo de conteúdo está cada vez mais presente na internet aberta, circulando sem controle ou moderação adequados. De acordo com o levantamento, até o dia 21 de maio deste ano, já haviam sido registradas mais de 88 mil publicações com ameaças direcionadas a estudantes, professores e diretores nas redes sociais. Para efeito comparativo, durante todo o ano de 2024 foram identificadas 105.192 menções desse tipo, enquanto em 2021 o número mal ultrapassava 43.830. O crescimento expressivo evidencia de forma contundente a necessidade de uma resposta articulada para frear esse avanço. Outro aspecto alarmante revelado pelos dados é o aumento expressivo na proporção de comentários que enaltecem os autores de ataques. Em 2011, ano em que ocorreu o massacre de Realengo (RJ), apenas 0,2% das interações nas redes exaltavam os agressores. Já em 2025, esse índice saltou para 21%, representando mais de um quinto do total. A maioria desses elogios é voltada a jovens que, supostamente, teriam reagido de forma violenta após enfrentarem traumas psicológicos e emocionais relacionados ao bullying. A psicóloga Ellen Oliveira acrescenta que os adolescentes são mais suscetíveis a discursos radicais, o que pode colocá-los em risco. “Devido ao desenvolvimento incompleto do cérebro e à necessidade de se identificar com grupos, os jovens podem embarcar em ideias, inclusive a de aceitar ideologias extremas, situações que os adultos já sabem que passam dos limites”. “Além disso, há um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. Eles têm muitas relações virtuais e nutrem uma falta de perspectiva e propósito em termos de futuro. Esses jovens podem ser vítimas de bullying, viver em ambientes familiares violentos ou negligentes e ter acesso a conteúdos violentos na internet, o que contribui para o desenvolvimento de um perfil agressivo”. Os ataques violentos em escolas têm consequências devastadoras para as vítimas, suas famílias e a comunidade escolar como um todo, salienta Ellen. “Além das lesões físicas, muitos sobreviventes enfrentam traumas psicológicos duradouros. A sensação de insegurança permeia o ambiente escolar, afetando o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos estudantes”. A pedagoga Beatriz Lima ressalta que a inserção de programas de educação socioemocional nos currículos escolares é fundamental. “Esses programas ensinam habilidades, como empatia, resolução de conflitos, autocontrole e cooperação, promovendo um ambiente mais harmonioso e respeitoso. A infância e a adolescência são momentos cruciais para a construção da personalidade e é essencial que todos recebam apoio”. Ela afirma que é essencial treinar professores e profissionais da educação para identificar sinais de problemas emocionais entre os alunos e lidar com situações de violência e bullying, criando um ambiente escolar seguro e inclusivo. “O diálogo constante entre escola e família também é crucial para garantir que os alunos recebam o apoio necessário tanto no ambiente escolar quanto no familiar. Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos, estabelecer horários para o uso de dispositivos eletrônicos e monitorar o conteúdo acessado na internet, orientando-os sobre os riscos de grupos de ódio e discursos extremistas. É importante denunciar conteúdos violentos ou de incitação ao ódio nas redes sociais para que sejam removidos”, conclui.
Esclerose lateral amiotrófica causa a paralisia dos músculos

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal. Segundo o Ministério da Saúde, sua incidência é de cerca de 2 casos por 100 mil habitantes por ano. Embora rara, a doença compromete a capacidade do corpo de controlar os músculos, levando à paralisia e, eventualmente, à morte. Mesmo com os avanços da medicina, ainda há muito a ser desvendado sobre suas causas e formas de tratamento. Segundo a neurologista Camila Borges, a ELA se caracteriza pela degeneração progressiva dos neurônios motores, que são as células responsáveis por controlar os músculos voluntários. “Sem estímulo nervoso, os músculos enfraquecem, atrofiam e param de funcionar. Ao longo do tempo, a pessoa perde movimentos simples, como segurar objetos ou caminhar, até chegar a funções vitais como respirar e engolir”. Apesar de muitas pesquisas, as causas da patologia ainda não são completamente conhecidas. Aproximadamente 90% dos casos são classificados como esporádicos, ou seja, sem origem hereditária identificável, os outros 10% são familiares, herdados geneticamente. “O que sabemos é que múltiplos fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o surgimento da doença. Em casos familiares, mutações em genes estão frequentemente envolvidos, já nos casos esporádicos, há evidências de que exposição a metais pesados, pesticidas, traumas cranianos repetitivos e até infecções virais possam estar relacionados ao desencadeamento da doença, mas nada é conclusivo”, explica. Os primeiros sintomas podem ser sutis e variam de paciente para paciente. “Os mais comuns incluem fraqueza muscular localizada, geralmente nos braços ou pernas, e dificuldade para realizar tarefas rotineiras como abotoar uma camisa ou subir escadas. Câimbras e contrações involuntárias (fasciculações) também são sinais frequentes. Uma das grandes dificuldades é que os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças neuromusculares”, ressalta Camila. “À medida que a doença avança, os pacientes perdem progressivamente a força muscular em todo o corpo, incluindo os músculos respiratórios, o que representa um risco de vida. A fala, a respiração e a deglutição tornam-se cada vez mais difíceis, o que pode resultar em desnutrição. Curiosamente, os sentidos (visão, audição, tato), o controle dos esfíncteres e as funções cognitivas permanecem preservados na maioria dos casos”, explica o fisioterapeuta Renato Lacerda. A enfermidade não possui um exame específico para diagnóstico, o processo é clínico e envolve a exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes, destaca a neurologista. “Exames como ressonância magnética, eletroneuromiografia (ENMG), Estudo de Condução Nervosa (NCS) e testes genéticos podem ser solicitados. Quanto mais cedo a descoberta, maiores as chances de iniciar medidas de suporte ao paciente. A ELA ainda não tem cura, mas o tratamento tem como objetivo retardar a sua progressão e melhorar a qualidade de vida”. Além dos medicamentos, Lacerda relata que o suporte multidisciplinar é essencial. “Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e cuidados paliativos são pilares do tratamento. O uso de dispositivos auxiliares, como cadeiras de rodas, sondas de alimentação e ventilação mecânica não invasiva, também são recursos importantes. Os especialistas elaboram um plano terapêutico individualizado, com intervenções voltadas para aprimorar a mobilidade, a nutrição e a função respiratória”. Não há uma forma específica de prevenção, no entanto, hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e evitar exposição a agentes tóxicos, são recomendações universais para a saúde neurológica. Para os casos familiares, aconselhamento genético pode ser uma ferramenta importante.
ALMG promove debate público sobre financiamento e habitação

Durante a segunda mesa do Debate Público “Habitação, Reforma Urbana e Participação Social”, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a arquiteta, urbanista e doutora em Geografia, Luciana Barbosa, citou que de um total de 5.240 municípios brasileiros, 1.570 não são capazes de sustentar suas estruturas administrativas, e grande parte deles não conseguem investir mais que 5% de seu orçamento em infraestrutura urbana. Luciana destacou alternativas de financiamento para políticas habitacionais, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e a contribuição de melhoria. A OODC consiste em um pagamento feito pelo proprietário que deseja edificar além dos limites estabelecidos pelo plano urbano. A contribuição de melhoria é um tributo cobrado quando uma obra pública resulta na valorização de imóveis privados. Ela destacou a contribuição de melhoria como uma alternativa para aumentar a captação de recursos, inclusive em projetos habitacionais, especialmente quando esses valores podem ser administrados pela própria comunidade. Entre os benefícios apontados, a medida pode inibir a atuação de oportunistas que compram imóveis apenas para lucrar com a valorização da área. Outra temática discutida, além das fontes de financiamento, foi a importância de fortalecer o planejamento urbano, especialmente nas cidades de menor porte. “Cidades pequenas não têm essa visão, a urbanização vai acontecendo”, declarou a doutora em Geografia e coordenadora do grupo de trabalho Cidades Inteligentes na ALMG, Grazielle Carvalho. Municípios com população inferior a 30 mil habitantes representam 70% do território de Minas Gerais, pontuou Grazielle. Para estimular a criação de planos diretores nessas localidades, ressaltou a relevância da Lei 24.839, de 2024, que estabelece a política estadual de incentivo às cidades inteligentes, conhecida como Minas Inteligente. Também foram discutidos os desafios ambientais enfrentados pelos municípios, especialmente diante do aumento recorrente de eventos climáticos extremos. Como alternativa para lidar com essas questões nas cidades brasileiras, o engenheiro agrônomo Célio Pedro da Silva defendeu a necessidade de regulamentar a Lei Federal 14.935/2024, que trata da agricultura urbana e periurbana. Atuando como mediadora do debate, a engenheira civil e sanitarista Flávia Mourão do Amaral, destacou que a crise habitacional nas cidades brasileiras possui uma natureza multidimensional. “Não se consegue diminuir o déficit habitacional porque ele está sempre se reproduzindo, em decorrência da pobreza”. O vereador paulistano Nabil Bonduki, doutor em Estruturas Ambientais Urbanas, ressaltou a importância de integrar a defesa do direito à moradia com as ações voltadas ao enfrentamento da crise climática. “Em São Paulo, por exemplo, são utilizados terrenos mais baratos para a construção de projetos habitacionais. Mas os terrenos mais baratos não são os mais adequados para enfrentar as mudanças climáticas”. Para o especialista Jean Mattos, uma cidade inteligente deve funcionar como um ecossistema que integra tecnologia, inovação e governança eficaz, com o objetivo de promover qualidade de vida, sustentabilidade e eficiência nos serviços públicos. Ele também alertou para os diversos obstáculos que dificultam a concretização desse conceito, como as desigualdades sociais e econômicas, a precariedade da infraestrutura, os problemas de segurança e o crescimento urbano desordenado. “Não existe cidade inteligente sem que as pessoas possam participar dela”, afirmou. Na avaliação da deputada Carol Caram (Avante), as cidades ainda precisam avançar muito. “Quando olhamos para os locais onde a população mais vulnerável vive, constatamos que esses lugares, muitas vezes, não contam nem com saneamento básico. Não podemos falar em cidades inteligentes quando ainda não temos o mínimo”.
BH alcança a 5ª posição entre capitais com melhor qualidade de vida do Brasil

Belo Horizonte passou a ocupar a quinta colocação entre as capitais com melhor qualidade de vida no Brasil, conforme os dados do Índice de Progresso Social (IPS). A capital mineira perdeu duas posições em relação ao ano anterior, quando figurava em terceiro lugar. Em 2025, sua pontuação foi de 68,22. O topo do ranking ficou com Curitiba, que alcançou 69,89 pontos, seguida por Campo Grande (69,63), Brasília (69,04) e São Paulo (68,88). O índice mede o grau de desenvolvimento social e ambiental dos municípios brasileiros a partir de três categorias: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Mesmo com a queda no ranking, os dados refletem tanto os progressos obtidos por Belo Horizonte em setores como saúde e segurança quanto os obstáculos ainda presentes em mobilidade urbana, desigualdade social e acesso a uma educação de qualidade. A cidade se destaca especialmente nos Fundamentos do Bem-Estar, com desempenhos positivos em indicadores como Acesso à Informação e Comunicação, Saúde e Bem-Estar. Além disso, apresenta bons resultados no eixo de Oportunidades, com avanços em Liberdades Individuais e Acesso à Educação. A socióloga Andreia Lima diz que é importante reconhecer os pontos positivos e investir ainda mais neles. “Alcançamos uma alta cobertura de áreas verdes e preservação ambiental com BH sendo reconhecida como uma das capitais mais verdes do país tendo mais de 81 parques urbanos sob administração municipal. A cidade é líder nacional em acesso à internet nas escolas públicas do ensino fundamental, tendo Programas de reforço escolar e estrutura educacional também contribuem para esse indicador”. “Além de indicadores positivos de saúde pública, possuindo rede de atenção básica bem estruturada, com cobertura ampla do Sistema Único de Saúde (SUS). A cidade também vem investindo em transporte coletivo, acessibilidade e sinalização urbana e oferece ampla rede de equipamentos culturais públicos e gratuitos, como centros culturais, museus, bibliotecas e eventos regionais”, completa. Por outro lado, ainda há entraves importantes a serem enfrentados para a melhoria da qualidade de vida na capital mineira. Os piores indicadores se concentram nas áreas de Inclusão Social, especialmente no que diz respeito à população em situação de rua, além de Saneamento Básico e Habitação. Esses aspectos evidenciam deficiências em pilares fundamentais como saúde pública e desenvolvimento socioeconômico. Segundo a urbanista Michele Silveira, um desafio identificado é a infraestrutura habitacional. “O crescimento populacional acelerado tem gerado pressão sobre a infraestrutura urbana, especialmente nas áreas periféricas, que carecem de serviços básicos como saneamento e iluminação adequada”. “Apesar de iniciativas como o Projeto Moradia Cidadã, que busca auxiliar financeiramente pessoas em situação de rua, ainda há desafios significativos na inclusão social e no acesso a moradias adequadas. A cidade enfrenta dificuldades em atender à demanda por habitação de interesse social, especialmente em áreas periféricas e ocupações irregulares”, ressalta. Para Michele, problemas de infraestrutura urbana, como ruas mal conservadas, falta de capina e presença de lixo em áreas públicas, têm sido recorrentes. “Além disso, a verticalização desordenada e o aumento do tráfego contribuem para a degradação ambiental e a diminuição da qualidade de vida urbana. Esses fatores destacam áreas críticas que necessitam de atenção para que Belo Horizonte possa oferecer uma qualidade de vida mais equitativa e sustentável para todos os seus habitantes”. Andreia destaca que Belo Horizonte investe consideravelmente menos em saneamento básico do que a média nacional. “Embora a grande maioria da população tenha acesso à água tratada, a cobertura de esgoto é inferior a 97%, refletindo uma infraestrutura insuficiente para atender a todas as áreas urbanas, especialmente as mais periféricas e estudantes que residem em locais sem acesso a água tratada ou com condições precárias de moradia apresentam notas significativamente mais baixas em português e matemática, além de maior taxa de evasão escolar”. “O aumento constante dos preços dos alimentos básicos tem agravado a insegurança alimentar, dificultando o acesso a comidas saudáveis e nutritivas”, finaliza.
69,8% dos empresários de Minas esperam vender mais no inverno

Segundo uma pesquisa da Fecomércio MG, 69,8% dos empresários do setor varejista mineiro, incluindo lojas de tecidos, cama, mesa e banho, calçados e artigos de viagem, acreditam que terão um desempenho superior ao do inverno anterior. Outros 19,5% projetam estabilidade nas vendas, enquanto 8,4% esperam uma retração. Além disso, 55,8% dos entrevistados estimam que o valor médio gasto por cliente deve variar entre R$ 100 e R$ 300. Do total de empresas consultadas, 78,0% relataram que o período de frio traz efeitos positivos para os negócios, enquanto apenas 5,1% mencionaram impactos negativos. As regiões Sul e da Zona da Mata se destacam como as mais favorecidas pela estação, com 90,5% e 88,1% dos empresários, respectivamente, apontando aumento nas vendas. O otimismo é impulsionado, principalmente, pela expectativa de temperaturas mais baixas já no início da estação (apontada por 66,3% dos participantes) e por um inverno mais intenso (conforme 34,2%). Entre os que preveem crescimento, 70,1% estimam que o efeito positivo deve variar entre 10,1% e 40%. Já entre os que esperam queda, 37,9% calculam uma redução de até 10%. “O clima frio chegou mais cedo em 2025, com baixas temperaturas já sendo registradas em maio em várias regiões de Minas Gerais. Além disso, há um apelo emocional no inverno: sensação de aconchego, valorização do lar e da estética confortável, o que motiva a compra de mantas, cobertores e roupas mais elegantes ou acolhedoras, impulsionando as vendas nesses setores”, explica o economista Luiz Gomes. Muitos consumidores aproveitam para comprar presentes ou renovar peças para festas, o que impacta positivamente os setores de vestuário, calçados e artigos para casa, avalia Gomes. “Agora temos as festas juninas acontecendo e o Dia dos Pais em agosto, um calendário de comemorações que proporciona aquecimento nas vendas. A movimentação de turistas em cidades serranas e históricas de Minas Gerais no inverno também ajuda o comércio local. A expectativa de aumento nas viagens internas durante os meses frios também favorece a venda de artigos relacionados ao turismo de inverno”. Em relação às formas de pagamento, o cartão de crédito parcelado lidera a preferência dos consumidores durante a estação fria, com 64,0% das indicações. O Pix aparece em segundo lugar, sendo escolhido por 14,0% das empresas, seguido pelo crediário ou carnê, com 10,5%. A pesquisa também evidencia uma ampla adesão ao comércio eletrônico: 84,5% dos empresários informaram vender por meios digitais. O WhatsApp se destaca como o canal preferido de vendas online, utilizado por 77,9% dos entrevistados. Em seguida vêm o Instagram, com 57,5%, e o Facebook, com 7,1%. Além das redes sociais, 7,1% dos lojistas indicaram utilizar o próprio site para realizar vendas. No que diz respeito à divulgação, 93,6% dos estabelecimentos afirmaram que pretendem investir em ações promocionais durante o inverno. O Instagram continua sendo a principal plataforma de divulgação, com uso declarado por 80,5% das empresas. O WhatsApp segue com 62,2% de adesão, enquanto o Facebook é utilizado por 26,5%. Outras formas de comunicação, como rádio (4,4%), marketing boca a boca (3,8%) e parcerias com influenciadores (2,9%), também são utilizadas. Entre as estratégias adotadas para impulsionar as vendas nesta temporada, as promoções e liquidações são as mais mencionadas, com 34,7%. Já 25,8% planejam investir em publicidade e divulgação. Um atendimento mais personalizado será o diferencial para 10,6% das empresas, enquanto o uso de vitrines chamativas está nos planos de 7,7%. Além disso, 7,2% pretendem apostar no lançamento de novos produtos como forma de atrair clientes. O consultor de vendas Rubens Costas diz que oferecer descontos progressivos, kits promocionais e brindes em compras acima de determinado valor são boas opções. “Estimular o consumo com parcelamentos sem juros ou com entrada para o mês seguinte e criar ações do tipo ‘compre e ganhe’, como brindes térmicos, luvas ou sacolas ecológicas personalizadas”. “Garantir a disponibilidade de itens essenciais para o inverno, oferecer variedade de preços para atingir diferentes perfis de consumidores e investir em treinamento da equipe para que saibam sugerir produtos complementares. Apostar em conteúdo visual, parcerias com influenciadores, utilizar as redes sociais para divulgação e canais de venda direta, criar um sistema de entrega rápida ou retirada em loja, bem como oferecer catálogos digitais por WhatsApp com fotos, preços e disponibilidade de produtos”, conclui.
Venda de fotos íntimas criadas por inteligência artificial gera debates

No início do mês veio à tona denúncias de que fotos íntimas, criadas por inteligência artificial, com o rosto de alunas de um colégio em Belo Horizonte, com idades entre 12 e 17 anos, estariam circulando em grupos públicos de um aplicativo de mensagens. De acordo com a denúncia divulgada nas redes sociais, esses “fake nudes” eram criados pelos próprios estudantes da instituição. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi chamado à ação pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. A parlamentar também encaminhou um ofício à direção da escola, pedindo esclarecimentos sobre o ocorrido e questionando quais providências estavam sendo tomadas para responsabilizar os envolvidos na criação, divulgação e disseminação do material. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito Digital, Victor Tales Carvalho. A criação e venda de imagens íntimas falsas, geradas por inteligência artificial, é considerada crime no Brasil?Mesmo o país não tendo uma legislação específica sobre deepfakes, a criação e comercialização de imagens íntimas falsas pode configurar diversos crimes, como difamação, injúria, falsidade ideológica, além de dispositivos da Lei de Importunação Sexual (Lei nº 13.718/2018). Quando envolve crianças ou adolescentes, a conduta pode ser enquadrada como pornografia infantil (ECA, art. 241). Além da esfera penal, também há violação de direitos da personalidade e de propriedade intelectual, principalmente quando a imagem é utilizada com fins comerciais, de fraude ou associada à identidade digital de uma pessoa pública. Esse tipo de prática pode ser enquadrado como pornografia infantil, mesmo sem imagens reais?O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou entendimento de que montagens digitais simulando atos sexuais com menores, mesmo que irreais, configuram pornografia infantil. O que importa não é se o conteúdo é real ou gerado por inteligência artificial, mas sim o dano gerado à dignidade da criança e o incentivo à exploração da imagem infantil. Isso pode levar à responsabilização criminal de quem cria, compartilha ou armazena esse tipo de material. O que a lei brasileira prevê hoje em relação ao uso indevido de ferramentas de inteligência artificial para manipulação de imagens?Atualmente, não existe uma lei específica para deepfakes no Brasil. Mas há diversas normas que são aplicadas de forma combinada como o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014): permite a responsabilização de plataformas após notificação e ordem judicial; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018): considera imagem e voz como dados sensíveis, exigindo consentimento claro para uso; Código Penal: crimes contra a honra, falsidade ideológica, falsa identidade; Código Civil: reparação por danos morais e materiais; Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): proteção integral de menores. A quem cabe a responsabilidade nesses casos, apenas aos autores das imagens ou também a quem compartilha e vende?Todos os envolvidos podem ser responsabilizados: quem cria, quem compartilha e quem comercializa o conteúdo. Em casos envolvendo menores, os pais ou responsáveis podem ser civilmente responsabilizados. As plataformas também podem ser responsabilizadas, especialmente quando, mesmo após notificação formal, mantêm o conteúdo ativo. Que orientações devem ser dadas para famílias e escolas diante desses casos?É fundamental que medidas preventivas e reativas sejam adotadas de forma integrada e eficaz: familiares devem acompanhar e orientar seus filhos sobre os riscos da superexposição nas redes sociais, o impacto jurídico e emocional de compartilhar imagens íntimas, mesmo entre colegas, e a importância do consentimento digital. Já as escolas precisam atualizar seus regimentos internos para prever expressamente as sanções aplicáveis em casos de crimes digitais, como deepfakes, cyberbullying e compartilhamento de conteúdo íntimo manipulado. Também é papel da escola fazer palestras, oficinas e ações permanentes de conscientização sobre uso ético da tecnologia. Que mudanças na legislação brasileira seriam urgentes para proteger crianças e adolescentes desse tipo de violência?O Brasil precisa de uma legislação específica para regular o uso da inteligência artificial, mudanças urgentes incluem a tipificação penal para deepfakes, com agravantes quando envolver menores; responsabilização objetiva das plataformas por omissão; inclusão de proteção de identidade visual e imagem na Lei de Propriedade Intelectual; criação de mecanismos rápidos de denúncia e remoção; e políticas de educação digital obrigatórias nas escolas.
Vôlei é boa opção para melhorar a forma física

O vôlei é mais do que uma simples atividade, pois a prática integra benefícios para a saúde física, mental e social. Seja nas quadras profissionais ou em jogos informais, o esporte se destaca por promover o bem-estar de seus praticantes. Segundo o professor de vôlei Leonardo Dias, o esporte exige de seus atletas habilidades motoras que são trabalhadas de forma intensa durante a prática. “Contribui para o fortalecimento muscular, o desenvolvimento da coordenação motora e a melhora da capacidade cardiovascular. Trata-se de um esporte que exige deslocamentos rápidos, saltos frequentes, giros, impulsões e reflexos ágeis. Cada movimentação realizada durante uma partida estimula diferentes grupos musculares, como pernas, glúteos, abdômen, costas e ombros, o que resulta em um ganho de força e resistência de forma equilibrada”, explica Dias. “Ele trabalha tanto a parte aeróbica quanto a anaeróbica, o que significa que o praticante desenvolve condicionamento físico e força muscular ao mesmo tempo. As trocas de direção, saltos para o bloqueio ou ataque e movimentos rápidos para recepção da bola estimulam a agilidade e a explosão muscular, contribuindo para um corpo mais ágil e resistente”, complementa. Além disso, o esporte atua diretamente no sistema cardiovascular. Com a prática regular, há melhora na circulação sanguínea, redução da pressão arterial e aumento da capacidade pulmonar. Isso diminui o risco de doenças cardíacas, como hipertensão e infarto, além de contribuir para a regulação do metabolismo. “Uma hora de jogo pode queimar entre 400 e 600 calorias, o que ajuda no controle do peso corporal e na prevenção do diabetes tipo 2”. Dias ressalta que a coordenação motora e o equilíbrio também estão entre os principais ganhos físicos do vôlei. “Os movimentos exigem precisão, tempo de reação rápido e controle corporal, o que estimula o desenvolvimento neuromuscular. Crianças e adolescentes, por exemplo, se beneficiam bastante dessa característica, já que estão em fase de crescimento e formação motora”. Outro benefício importante, mas muitas vezes negligenciado, é a melhora da postura e da consciência corporal, observa Dias. “Ao exigir movimentações rápidas e controladas, o vôlei favorece o fortalecimento dos músculos que sustentam a coluna e a pelve. Isso impacta positivamente na postura e na prevenção de dores crônicas, como lombalgias e tensões cervicais”. Por ser um esporte coletivo, o vôlei se mostra uma poderosa ferramenta de desenvolvimento social. A interação constante entre os jogadores, seja por meio dos passes, da comunicação em quadra ou das decisões táticas, fortalece vínculos interpessoais, incentiva a cooperação e ensina valores fundamentais como empatia, respeito, paciência e espírito de equipe. No campo da saúde mental, o esporte se destaca não apenas no estímulo cognitivo, desenvolvendo habilidades como concentração e agilidade mental, mas também como uma atividade que ajuda a reduzir sintomas de ansiedade, estresse e até depressão. “Isso se deve, em grande parte, à liberação de neurotransmissores como a endorfina, dopamina e serotonina durante o exercício físico, substâncias ligadas ao bem-estar, prazer e relaxamento”, reforça o professor. Além de promover uma convivência saudável, o vôlei também atua como espaço de inclusão. “Por ser uma atividade acessível e adaptável, permite a participação de diferentes faixas etárias, gêneros e realidades sociais. É comum encontrar grupos que utilizam o esporte como meio de integração entre crianças, adolescentes, adultos e até idosos, contribuindo para a redução do isolamento social e para a construção de comunidades mais unidas”, conclui.
Minas Gerais espera cerca de 3 milhões de pessoas no período de festas juninas

O Estado está promovendo o maior circuito de festas juninas de sua história: o Minas Junina 2025. Segundo informações do governo, mais de 400 cidades mineiras estão envolvidas nas comemorações. A programação teve início no dia 7 de maio, com a divulgação das festividades, e seguirá até o dia 30 de junho. A estimativa é de que os festejos atraiam cerca de 3 milhões de visitantes em todo o Estado, gerando uma movimentação econômica superior a R$ 20 milhões. A proposta surge como uma iniciativa para valorizar e promover as festas populares e tradicionais que acontecem durante o período junino em Minas Gerais. Com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), o programa busca integrar as manifestações culturais e turísticas do Estado, promovendo a diversidade e a riqueza cultural mineira. Em Belo Horizonte, o Arraiá da Liberdade, realizado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS) e sediado nos jardins do Palácio da Liberdade, será nos dias 27, 28 e 29 de junho, o espaço que simboliza a conexão entre a capital e o interior do Estado. Grupos de quadrilha, congos, catopês e outras manifestações culturais de diversas regiões mineiras irão se apresentar no local, celebrando as festas juninas como momentos de fé, encontro, expressão artística e identidade mineira. O especialista em turismo, Frederico da Costa, destaca a importância de políticas públicas que reconheçam o valor das festas tradicionais para as comunidades locais. “As festas juninas atraem milhares de pessoas para diversas cidades mineiras e já existem no nosso Estado alguns eventos que são muito tradicionais, como o Festival de Quadrilhas do Vale do Jequitinhonha, o Forró do Regaço, em Pavão, a Festa de Santo Antônio de Roças Grande, em Sabará, e a Festa do Divino em Diamantina. Lançar um novo olhar para essas celebrações é reconhecer a importância delas para as comunidades, para a geração de emprego e renda, e do legado cultural que elas preservam”. Ao promover as festas juninas como atrativos turísticos, o projeto contribui para o desenvolvimento econômico local e para a preservação do Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, garantindo que as tradições e manifestações culturais sejam transmitidas às futuras gerações. Além disso, a iniciativa estimula o turismo regional, atraindo visitantes interessados em vivenciar as tradições culturais de Minas Gerais. Ainda na avaliação de Costa, a consolidação do Estado como um destino turístico para a temporada de frio, destaca-se pela manifestação da cultura popular que une elementos indígenas, negros e da cozinha mineira. “Em terras mineiras, temos características muito próprias nessa junção da fogueira, dos povos originários, da cultura negra e dessa cozinha estritamente híbrida”, afirma. O projeto pode ter um impacto significativo nas comunidades locais, promovendo a inclusão social, o fortalecimento dos vínculos comunitários e o desenvolvimento sustentável, ressalta o especialista em turismo. “Ao apoiar as festas tradicionais, o programa contribui para a valorização das culturas locais, incentivando a participação ativa da população na organização e realização dos eventos. Além disso, o projeto estimula a economia criativa, impulsionando setores como a gastronomia, o artesanato e o comércio local”. Para o produtor cultural, Rafael Lacerda, as festas juninas também cumprem um papel social e educativo relevante. “Muitas delas são organizadas por escolas, igrejas e comunidades locais, incentivando a participação ativa de crianças, jovens, adultos e idosos. Esse envolvimento fortalece os vínculos comunitários, promove o trabalho coletivo e incentiva o sentimento de pertencimento”. Em regiões mais vulneráveis, as celebrações oferecem uma alternativa positiva de lazer, contribuindo para a ocupação segura do espaço público e para a prevenção da violência. “Eventos escolares e comunitários ligados às festas juninas servem como ferramentas pedagógicas que integram disciplinas como história, arte, geografia e literatura, ao mesmo tempo em que estimulam a transmissão oral de saberes populares”, conclui.
82% dos bares e restaurantes esperam faturar mais no Dia dos Namorados

A chegada do Dia dos Namorados tem gerado grande expectativa entre bares e restaurantes. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 82% dos empresários do setor estimam um aumento no faturamento em relação ao ano anterior, com a maioria projetando crescimento de até 20%. A adesão à data é expressiva: 95% dos estabelecimentos planejam funcionar no dia 12 de junho, sendo que 1% abrirá exclusivamente para essa data. Apenas 5% afirmaram que não abrirão ou ainda não definiram se irão operar. O período que antecede o Dia dos Namorados já revela sinais de recuperação no segmento. Dados de abril mostram que 40% dos estabelecimentos obtiveram lucro, outros 40% conseguiram manter o equilíbrio financeiro e 19% ainda operaram no vermelho. Apesar dos desafios relacionados a custos e à instabilidade econômica, o setor demonstra mais resiliência em comparação aos últimos anos. Entre as estratégias adotadas para manter a clientela, destaca-se o controle nos reajustes de preços. Nos últimos 12 meses, 60% dos bares e restaurantes atualizaram seus cardápios com aumentos iguais ou inferiores à inflação, enquanto 34% optaram por não alterar os preços. Apenas 6% aplicaram reajustes acima do índice inflacionário oficial. Um dos principais motivos é a queda da inflação e a leve recuperação do poder de compra da população. Com mais estabilidade econômica, os consumidores tendem a gastar mais em ocasiões especiais, como o Dia dos Namorados. “Há uma percepção clara de que as pessoas voltaram a incluir o lazer e os jantares fora de casa na sua rotina de celebração. Isso impacta diretamente o setor, que é movido por datas comemorativas”, afirma a economista Paula Albuquerque. Ela reforça que o aumento da digitalização do setor também é um fator importante. “As redes sociais têm sido fundamentais para atrair o público com campanhas de marketing direcionadas, sorteios, reservas on-line e promoções especiais. Muitos empresários também apostam em menus reduzidos e serviço otimizado para garantir fluidez na operação, evitando filas e esperas prolongadas, que podem comprometer a experiência dos casais”. Outro fator que alimenta o otimismo é o fato de que, neste ano, o Dia dos Namorados cairá em uma quinta-feira, o que aumenta o leque de possibilidades de comemoração. “Muitos casais devem estender a celebração para o fim de semana posterior, o que pode gerar mais dias de movimento intenso nos estabelecimentos. Para os empresários, isso representa uma chance de faturamento diluído e consistente ao longo de mais dias”, completa. Minas Gerais No Estado, a maioria dos estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar está otimista com as vendas no Dia dos Namorados. De acordo com a Abrasel MG, 77% das empresas esperam um aumento no faturamento para a data. Entre elas, 13% preveem um crescimento superior a 30% em comparação com um dia comum. Há ainda negócios que projetam um desempenho bem mais expressivo, com elevação na receita que pode chegar a 80%, impulsionados pelo forte apelo emocional e comercial da ocasião. 7% estimam aumentar o faturamento entre 21% e 30%, 17% esperam incrementar os negócios entre 11% e 20%, 18% acreditam que vão faturar mais, entre 6% e 10%, e 22% projetam elevar a receita em até 5%. Muitos estabelecimentos estão mais bem preparados este ano para explorar o potencial comercial da data. “Hoje em dia, vender um jantar não é suficiente, pois precisamos vender também uma experiência. A data exige um toque de romantismo, um clima acolhedor, e é isso que estamos buscando oferecer”, afirma o dono de restaurante, Manoel Lima. “Montar menus exclusivos para casais, com entrada, prato principal e sobremesa harmonizados cria um clima de sofisticação. Outra opção é apostar na decoração temática, ambientes iluminados por velas, arranjos de flores e músicas românticas, além de trabalhar com promoções e pacotes fechados. Divulgar com antecedência as opções do Dia dos Namorados nas redes sociais, por meio de fotos bem produzidas e textos criativos, são algumas das estratégias para alcançar o faturamento esperado”, finaliza.
Área desmatada no Brasil registra redução de 32,4% no ano passado

Houve uma queda de 32,4% na área desmatada e de 26,9% no número de alertas de desmatamento em 2024. No total, foram desmatados 1.242.079 hectares no Brasil, com 60.983 alertas registrados em todo o país ao longo do ano. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) da Mapbiomas, ocorreu redução no desmatamento em cinco dos seis biomas do país. A única exceção foi a Mata Atlântica, que apresentou níveis semelhantes aos registrados em 2023. Entre os dois anos analisados, os biomas Pantanal e Pampa lideraram a redução nas áreas desmatadas. Em seguida, vieram o Cerrado, a Amazônia e a Caatinga. Já a Mata Atlântica foi o único bioma a registrar aumento, com crescimento de 2%. Ao longo de 2024, a média diária de desmatamento foi de 3.403 hectares, o que equivale a cerca de 141,8 hectares por hora. O dia com maior registro de desmatamento foi 21 de junho, quando 3.542 hectares de vegetação nativa foram derrubados em apenas 24 horas. No bioma Cerrado, o ritmo de destruição foi ainda mais acelerado, com uma média de 1.786 hectares perdidos por dia. No ano de 2024, 43% da área desmatada no país contou com algum tipo de autorização legal. O Cerrado foi o bioma com o maior número de desmatamentos autorizados, representando 66% da vegetação nativa suprimida. Já na Amazônia, apenas 14% das áreas desmatadas possuíam autorização. De acordo com o Mapbiomas, mais de 97% da perda de vegetação nativa registrada no Brasil nos últimos seis anos está relacionada à pressão das atividades agropecuárias. Segundo o engenheiro ambiental Mauro Fagundes, o desmatamento no Brasil tem consequências graves para o meio ambiente e para a sociedade. “A Floresta Amazônica, por exemplo, desempenha um papel crucial na regulação do clima, na manutenção do ciclo hidrológico e na preservação da biodiversidade. A perda de vegetação nativa compromete esses serviços ecossistêmicos, aumentando a vulnerabilidade a desastres naturais e acelerando as mudanças climáticas”. Fagundes ressalta que o governo brasileiro implementou políticas de combate ao desmatamento, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas na Amazônia (PPCDAm), que visa reduzir a destruição da floresta por meio de ações coordenadas entre diferentes esferas governamentais. “Também houve um aumento na fiscalização e embargos de propriedades que desrespeitam a legislação ambiental, dificultando a expansão ilegal da fronteira agrícola”. “Além disso, modelos como a Integração Lavoura-Pecuária- -Floresta (ILPF) têm sido promovidos por instituições como a Embrapa. Essas práticas permitem a produção agrícola e pecuária sem a necessidade de expandir a área desmatada, melhorando a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas de produção”, diz. A geógrafa Rita Pereira explica que para continuar diminuindo esses números é necessário reforço na fiscalização e monitoramento ambiental. “Ampliar o uso de tecnologias, como satélites e inteligência artificial, para detecção em tempo real de desmatamento ilegal, investir em órgãos fiscalizadores, como IBAMA e ICMBio, com mais pessoal, estrutura e orçamento e aplicar punições efetivas e ágeis para crimes ambientais, com bloqueio de bens e embargo imediato de áreas ilegais”. Na avaliação de Rita, é importante trabalhar no controle do uso da terra, incentivos à produção sustentável, valorização das florestas e proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais. “Concluir o cadastro ambiental rural (CAR) e cruzar os dados com áreas desmatadas para responsabilizar infratores, promover a titulação de terras com condicionantes ambientais, garantindo que apenas áreas regularizadas possam receber financiamento público ou privado. Fomentar práticas como agrofloresta, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e sistemas de manejo sustentável e oferecer crédito rural e benefícios fiscais apenas a produtores que comprovem boas práticas ambientais”. “Expandir programas de pagamento por serviços ambientais (PSA), como o Floresta+, fomentar cadeias produtivas sustentáveis da floresta, como açaí, castanha-do- -pará e borracha natural, e garantir e respeitar a demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas, que têm taxas muito menores de desmatamento”, conclui.