Grama sintética em estádios gera discussões sobre lesões

A popularização do gramado sintético em estádios de futebol tem gerado debates intensos sobre a sua segurança e impacto na saúde dos jogadores. Embora a superfície artificial seja adotada por ser mais resistente e de menor custo de manutenção, ainda possui certa rejeição por uma parte dos atletas. O Campeonato Brasileiro de 2025 contará com três estádios que utilizarão grama sintética. Nesta temporada, o Allianz Parque (São Paulo) e o Nilton Santos (Rio de Janeiro) seguem como os estádios da edição anterior. A principal novidade é a Arena MRV, em Belo Horizonte, que optou por substituir o tipo de gramado no final de 2024 e deve inaugurar o novo campo na Série A. Além dos três estádios já confirmados, o Pacaembu foi reformado e conta com grama sintética. Antes era administrado pela prefeitura e agora pertence à iniciativa privada. Firmou um contrato de 10 anos com o Santos para sediar jogos. Há também outro modelo de gramado. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, e o Maracanã, principal estádio do Rio de Janeiro, utilizam gramados híbridos. Esse tipo de campo combina fibras sintéticas com a grama natural. Em fevereiro, um grupo de jogadores compartilhou nas redes sociais uma mensagem padrão contra o uso de grama sintética. Entre os principais nomes do futebol brasileiro que aderiram à campanha estavam Neymar, Gerson, Gabigol, Dudu, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Thiago Silva, Pablo Vegetti, Alan Patrick, entre outros atletas. Além do atacante do Cruzeiro, Dudu, que, em entrevista coletiva no mês passado, atribuiu o gramado sintético do Allianz Parque como um dos principais fatores para a séria lesão no joelho direito que sofreu em agosto de 2023. Uma das pesquisas sobre o assunto foi divulgada na revista The Lancet em 2023. Os pesquisadores analisaram 1.447 estudos, selecionando 22 que atendiam aos critérios estabelecidos. A sondagem concluiu que a taxa geral de lesões no futebol é inferior nos campos com grama sintética em comparação com os de grama natural. Segundo os dados, o risco de lesão não pode ser utilizado como um argumento contra o uso do gramado sintético. Para o fisioterapeuta Renato Lacerda, embora as lesões possam ocorrer tanto em gramados naturais quanto sintéticos, é importante avaliar o contexto de cada jogo. “A Fifa autoriza três tipos de grama para o futebol: natural, relva natural com reforço híbrido e relva sintética/ artificial. Os campos sintéticos com boa instalação e materiais mais modernos têm apresentado desempenho semelhante ao do gramado natural em termos de segurança para os jogadores. O problema surge quando o campo sintético está deteriorado ou mal projetado”. Na avaliação de Lacerda, os jogadores precisariam adaptar seus treinamentos ao tipo de piso no qual irão disputar a partida oficial. “O desafio é que nem todos os times ou estádios contam com centros de treinamento equipados com grama sintética. Eles treinam na grama natural e, ao chegarem para a competição, se deparam com uma superfície diferente. É preciso encontrar uma solução que seja viável tanto para os atletas quanto para os estádios”, afirmou. A engenheira agrônoma, Priscila Moraes, salienta que os campos sintéticos modernos utilizam materiais mais flexíveis e camadas de amortecimento para reduzir o impacto. “A tecnologia tem evoluído, e hoje temos opções no mercado que conseguem equilibrar custo-benefício e segurança para os jogadores”. “A principal vantagem do gramado sintético é sua durabilidade. Em regiões onde o clima é adverso, como em locais de baixas temperaturas ou onde as chuvas são intensas, o campo sintético oferece uma solução prática, permitindo que os jogos aconteçam sem interrupções. Além disso, os custos de manutenção de um gramado sintético são consideravelmente mais baixos do que os de um campo natural, que exige cuidados constantes, como irrigação, corte e fertilização”, conclui.
840 municípios mineiros têm leis de preservação do patrimônio cultural

Minas Gerais se destaca como referência no país quando se trata de preservação do patrimônio cultural. Em 2021, o Estado contava com 802 municípios que adotam leis municipais voltadas à conservação. Já em 2024, esse número subiu para 840, evidenciando um progresso considerável e a presença de políticas de conservação em 98% das cidades mineiras. Com uma tradição de mais de 500 anos, marcada por cidades coloniais, igrejas barrocas, arquiteturas históricas e manifestações culturais únicas, a proteção do patrimônio se tornou uma prioridade para muitas administrações municipais. O arquiteto Fernando Resende explica a relevância dessa legislação para as cidades mineiras. “A adoção de leis para a proteção do patrimônio cultural é um passo fundamental para garantir que os municípios possam proteger sua história e sua identidade de forma autônoma. Cada cidade tem um contexto único e, muitas vezes, a legislação estadual ou federal não é suficiente para lidar com as especificidades locais. Essa possibilidade de controle local tem ajudado a preservar o estilo arquitetônico colonial, por exemplo, que é um dos maiores atrativos turísticos de Minas”. Ele ressalta que muitos municípios de Minas Gerais possuem riquezas históricas e culturais que são fundamentais para o entendimento da história do Brasil. “O Estado tem em sua arquitetura barroca e nas manifestações culturais um dos maiores patrimônios do país. No entanto, o crescimento acelerado das cidades e a especulação imobiliária são desafios constantes para a preservação desses bens. Nesse sentido, as leis municipais oferecem a chance de um controle mais eficaz sobre as mudanças no tecido urbano, garantindo que a modernização não elimine a memória histórica”. Cada edificação histórica, festa tradicional, e até mesmo cada prato típico ou saber popular são peças importantes da história de um povo. O museólogo Marcelo Cardoso explica o impacto da legislação de preservação para a cultura local. “A proteção do patrimônio cultural é um exercício de afirmação da identidade local. Quando uma cidade se preocupa em preservar suas tradições, ela está não apenas salvaguardando seu patrimônio, mas também fortalecendo o sentimento de pertencimento de seus cidadãos”. Além da sua importância cultural, a preservação do patrimônio tem um impacto direto na economia local, especialmente no setor de turismo. Minas Gerais é um dos principais destinos turísticos do Brasil, e muitos de seus visitantes buscam a experiência de conhecer suas cidades históricas e suas tradições culturais. As leis de proteção ao patrimônio ajudam a garantir que o turismo se desenvolva de maneira sustentável, sem comprometer os aspectos culturais e históricos das cidades. Cardoso destaca o papel do patrimônio como gerador de oportunidades econômicas. “A preservação do patrimônio não só fortalece a identidade cultural de uma cidade, mas também se transforma em uma fonte de geração de empregos e de renda. O turismo cultural, que tem crescido significativamente em Minas, depende diretamente da preservação do patrimônio material e imaterial”. Municípios como Tiradentes, São João del-Rei e Diamantina são exemplos de como a preservação pode ser uma alavanca para o desenvolvimento econômico local. “Essas cidades atraem turistas que vêm em busca de história, de uma experiência genuína. Manter o patrimônio vivo é garantir que o turismo se sustente no longo prazo, sem perder a autenticidade”, completa. Resende alerta para a importância da educação e da conscientização. “As políticas de preservação precisam ser acompanhadas por um trabalho de sensibilização com a população. O envolvimento das comunidades na defesa de seu patrimônio é fundamental para garantir que as leis municipais sejam respeitadas e eficazes”.
Setor de brinquedos cresce no Brasil
Segundo um estudo realizado pelo Sebrae, com base nos dados de registros de CNPJs da Receita Federal do Brasil, o segmento de lojas de brinquedos tem se afirmado cada vez mais no mercado nacional. Em 2024, foram inaugurados 17,5 mil novos pequenos negócios em todo o país voltados à venda desses produtos, o que equivale a aproximadamente 47 novos estabelecimentos por dia. Esse número representa um crescimento de 11% em relação a 2020. Na área de produção dos produtos, o crescimento é ainda mais expressivo. Em 2020, foram registradas 473 novas pequenas indústrias, enquanto em 2024 o número de CNPJs abertos foi de 852, o que representa um aumento de 80% no período. Esse avanço tem sido refletido no faturamento, que cresceu aproximadamente 36% desde 2020, passando de R$ 7,5 milhões para R$ 10,2 milhões em 2024. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o setor conta com aproximadamente 70 mil colaboradores e tem uma média anual de 11 brinquedos adquiridos por cada criança. A expansão da indústria é atribuída à constante busca por inovação e atualização, como evidenciado pelo lançamento de 43 novos tipos de brinquedos voltados para crianças com necessidades especiais, além do fortalecimento do setor varejista. A economista Marcela Andrade explica que o aumento no número de fábricas e lojas de brinquedos em 2024 está diretamente relacionado à recuperação econômica do Brasil. “Após um período de recessão e instabilidade econômica, a indústria de brinquedos, como outros segmentos, começa a ver uma recuperação. A volta da confiança do consumidor e o crescimento da renda das famílias, especialmente nas classes C e D, têm impulsionado o setor”. Um dos fatores que também tem contribuído para a expansão do setor é o aumento na procura por brinquedos educativos e sustentáveis, que ganharam popularidade nos últimos anos. A busca por alternativas mais ecológicas e conscientes têm levado as empresas a se adaptarem, criando novos produtos que atendem a essas demandas. “Hoje, os consumidores não estão mais tão preocupados apenas com o preço, mas também com a qualidade e a origem dos produtos. Isso obrigou as empresas a se reinventarem, e é um dos motivos que têm levado à expansão da indústria de brinquedos no Brasil”, ressalta Marcela. Além disso, a presença de lojas virtuais e a ampliação do mercado on-line têm colaborado para que o setor chegue a mais consumidores, não apenas nas grandes capitais, mas também nas regiões mais distantes do país. O especialista em tecnologia e inovação, Heitor Ribeiro, afirma que a integração de brinquedos físicos com componentes digitais também está em alta. “A realidade aumentada, por exemplo, é uma tendência que ganhou espaço no mercado infantil. O brinquedo tradicional agora pode contar com experiências interativas que mesclam o mundo físico com o digital, criando novas formas de diversão para as crianças”. Ele observa que a digitalização do mercado de brinquedos trouxe uma série de novas possibilidades. “A inovação está no centro desse crescimento. O uso de tecnologias como realidade aumentada e até mesmo inteligência artificial para personalização de brinquedos tem atraído a atenção dos consumidores. A indústria de brinquedos, que tradicionalmente estava centrada em produtos físicos, agora se expande também para o digital. Isso abre uma nova fronteira para o mercado, que está sendo bem explorada no Brasil”. A previsão da Abrinq para 2025 é de um crescimento de 4,5% no faturamento em relação ao ano anterior. Além disso, a entidade aponta que existem aproximadamente 7 mil vagas a serem preenchidas no setor.
Brasil registrou quase 500 mil acidentes de trabalho em 2023

Dados do sistema eSocial, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram que foi registrado um total de 499.955 acidentes de trabalho e 2.888 óbitos no Brasil em 2023. O quarto mês do ano é marcado pela campanha “Abril Verde”, uma ação nacional de conscientização da segurança e saúde no trabalho. O objetivo é alertar sobre a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, que afetam milhares de trabalhadores todos os anos. O advogado trabalhista João Castro alerta que a segurança do trabalho no país precisa ser tratada com mais seriedade. “Embora haja legislações e normas que buscam proteger o trabalhador, ainda vemos muitos acidentes que poderiam ser evitados. O não cumprimento das normas de segurança é uma das principais causas, sendo necessário que as empresas e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho”. Quando um acidente de trabalho ocorre, o funcionário tem uma série de direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Lei 8.213/91, que trata dos benefícios da Previdência Social. Segundo Castro, o primeiro passo é o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “É obrigatório e deve ser feito pelo empregador, mesmo que o trabalhador não tenha falecido ou sido afastado das suas atividades. O documento é essencial para garantir o acesso a benefícios, como o auxílio-doença acidentário (B91), se o acidente resultar em afastamento, o trabalhador tem direito a receber o auxílio, benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para garantir sua subsistência enquanto se recupera”. Após a alta do auxílio-doença acidentário, o trabalhador tem direito à estabilidade no emprego por 12 meses. “Ou seja, ele não pode ser demitido sem justa causa nesse período, conforme prevê a legislação trabalhista. Caso o acidente de trabalho resulte em sequelas permanentes, o empregado tem direito a uma indenização por danos morais e materiais, de acordo com a gravidade das lesões e o impacto na sua vida profissional e pessoal”. Ele enfatiza a importância da documentação adequada. “É essencial que o trabalhador tenha todos os registros e laudos médicos que comprovem a relação do acidente com o ambiente de trabalho. Isso facilita o acesso aos benefícios e à reparação dos danos causados”. A diretora de recursos humanos, Letícia Figueiredo, explica que as empresas têm a responsabilidade legal de oferecer um ambiente seguro para seus funcionários e tomar medidas para evitar acidentes. Isso inclui a adoção de medidas preventivas, treinamentos periódicos, e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. “Entre os deveres da empresa, destacam-se o cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), treinamento e capacitação, fornecimento de um ambiente seguro e acomodações adequadas e realização de exames periódicos”. Para Letícia, a prevenção de acidentes passa por uma combinação de ações e medidas que devem ser incorporadas ao dia a dia das empresas e dos trabalhadores. “A primeira etapa na prevenção é identificar situações que podem oferecer riscos à saúde e segurança dos trabalhadores, promover uma cultura organizacional de segurança desde os gestores até os colaboradores, realizar manutenção preventiva dos equipamentos utilizados nas atividades de trabalho e campanhas educativas internas para conscientização da importância de seguir as normas de segurança”.
Frente Parlamentar de apoio à Defesa Civil é lançada na ALMG
Em audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi discutido que com um orçamento ampliado e a criação de um canal contínuo de diálogo e colaboração, a Defesa Civil pode avançar progressivamente para uma abordagem focada na gestão de riscos, ao invés de apenas na resposta a desastres. O debate aconteceu durante o lançamento da Frente Parlamentar em apoio ao Gabinete Militar do Governador (GMG), à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) e ao Programa Minas Mais Resiliente e Sustentável. A Defesa Civil tem como objetivo prevenir, evitar ou reduzir os impactos de desastres, coordenando ações de diferentes órgãos governamentais e da sociedade. Após a mitigação dos riscos, ela também desempenha um papel importante na recuperação das regiões atingidas. O deputado Antonio Carlos Arantes (PL), criador da frente parlamentar e responsável pelo requerimento da audiência, destacou a importância do trabalho da Defesa Civil, sempre presente e atuando de forma rápida em situações emergenciais, assim como o Corpo de Bombeiros. “Não tenho dúvidas que a Defesa Civil será outra a partir de agora. Terão muito mais equipamentos, instrumentos e apoio político e econômico”. Os deputados Enes Cândido (Republicanos), Mauro Tramonte (Republicanos), Dr. Maurício (Novo), Gil Pereira (PSD), Bruno Engler (PL) e Lincoln Drumond (PL) também ressaltaram a importância de reconhecer o trabalho da Defesa Civil no cotidiano, por meio de um orçamento adequado e melhores condições de trabalho, e não apenas em situações de crise. Desastres No final de dezembro de 2024 e em janeiro deste ano, os municípios de Ipatinga e Coronel Fabriciano, localizados no Vale do Aço, foram severamente afetados por chuvas intensas, que causaram grandes danos. O prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, afirmou que vê na iniciativa da ALMG e do Governo do Estado, com a criação da frente parlamentar, uma forma de oferecer suporte aos municípios, que frequentemente não têm condições de arcar com os elevados custos de uma “operação de guerra” após uma calamidade. “Ipatinga reconhece e tem muito a agradecer o trabalho da Defesa Civil, que nos auxiliou e orientou a tomar decisões importantes para proteger os moradores e enfrentar os danos causados em imóveis públicos e privados pelo temporal de 12 de janeiro. A multiplicidade de demandas exigiu um esforço contínuo do nosso governo para minimizar os impactos e restabelecer uma conjuntura de normalidade no município com responsabilidade, sempre priorizando a segurança das famílias”, disse. Na madrugada de 12 de janeiro, mais de 100 encostas cederam, resultando na morte de 10 pessoas. Segundo o prefeito, atualmente Ipatinga conta com mais de 30 mil residências situadas em áreas de risco, as consequências não foram piores devido à atuação do órgão. “Em pouco mais de 20 dias, foram mais de 3 mil vistorias em imóveis atingidos. Talvez metade deles foi interditada pela Defesa Civil”, completou Nunes. O prefeito de Coronel Fabriciano, Sadi Lucca, reiterou a importância de um orçamento mais significativo para lidar com desastres. “A administração municipal utilizou cerca de R$ 10 milhões de recursos próprios para o atendimento inicial aos moradores e a limpeza da cidade, enquanto obteve R$ 860 mil do governo federal”. Fabiano Lucas, prefeito de São Gonçalo do Abaeté, no Noroeste, solicitou R$ 1 bilhão da repactuação do acordo de compensação pelo rompimento da barragem em Mariana, na região Central, com o objetivo de fortalecer a estruturação da Defesa Civil. O coronel PM Paulo Rezende, chefe do Gabinete Militar do Governador e Coordenador Estadual de Defesa Civil, afirmou que “a criação inédita de uma frente parlamentar com o objetivo de fortalecer a Defesa Civil permitirá a implementação de políticas públicas mais eficazes”. “A chave é a prevenção. O papel da frente é permitir o debate, a elaboração de políticas, a luta por orçamento e, consequentemente, evitar tragédias”, concluiu o coronel BM Moisés Sousa, chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros.
Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.
BH é eleita como “Cidade Árvore do Mundo” pelo 2º ano consecutivo

Pelo segundo ano seguido, Belo Horizonte recebeu o título de “Cidade Árvore do Mundo”. Essa distinção é concedida pela Arbor Day Foundation em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), que reconheceram o esforço contínuo da gestão municipal em promover uma cidade mais saudável para seus habitantes, por meio de investimentos no plantio e na manutenção das árvores. A premiação é concedida a municípios que se destacam por suas práticas exemplares em relação às árvores, como o manejo adequado e a preservação de florestas urbanas e áreas verdes. No Brasil, apenas 34 cidades atenderam aos critérios do projeto, que exige a realização de um levantamento sobre ações voltadas ao plantio de árvores e à educação ambiental. Nos últimos anos, a cidade tem intensificado consideravelmente o plantio de árvores. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), em 2022, foi realizado o plantio de 24.520 mudas de diversas espécies. No ano seguinte, esse número aumentou para 24.830, e em 2024, mais de 40 mil mudas foram plantadas em várias áreas da capital. Para este ano, a meta é atingir o plantio de 50 mil mudas. De acordo com a urbanista Michele Silveira, as árvores desempenham um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida urbana, contribuindo para a redução da poluição do ar, a regulação da temperatura e a promoção do bem-estar psicológico dos moradores. “A arborização urbana tem impacto direto na saúde mental e física das pessoas. Elas ajudam a reduzir o estresse, melhoram a qualidade do ar, contribuem para a retenção de água das chuvas e ainda atuam na redução das ilhas de calor nas grandes cidades, diminuindo a temperatura ambiente”. Além dos benefícios ambientais, as árvores urbanas também ajudam a valorizar os imóveis e a criar espaços mais agradáveis para o lazer. “A arborização planejada das ruas e praças torna o ambiente mais convidativo, favorecendo o convívio social e proporcionando um aumento no turismo. Belo Horizonte, com seu clima e relevo característicos, se beneficia enormemente de um planejamento paisagístico que integra as árvores ao seu espaço urbano, promovendo uma cidade mais atrativa e sustentável”, afirma. Para o paisagista Leonardo Magalhães, embora Belo Horizonte tenha feito grandes avanços, ainda há desafios a serem superados. Um dos principais obstáculos é a gestão das áreas verdes existentes, que exige uma manutenção adequada e constante. “A arborização não se resume ao plantio. A manutenção é crucial para garantir que as árvores cresçam de maneira saudável e continuem a oferecer os benefícios para a cidade. Isso inclui desde a irrigação até o controle de pragas e doenças”. Outro desafio identificado por Magalhães é a necessidade de integrar a arborização à infraestrutura da cidade de forma mais estratégica. “É importante que o planejamento urbano leve em consideração o espaço necessário para o crescimento das árvores, evitando o plantio em locais inadequados, como calçadas muito estreitas ou áreas com muita construção embaixo. A arborização precisa ser planejada para que as árvores se desenvolvam de maneira saudável e sem causar danos à infraestrutura urbana”. Ele também destaca a importância de ampliar a educação ambiental e o envolvimento da população em iniciativas de preservação. “Para que Belo Horizonte continue a ser uma cidade referência em arborização, é necessário criar campanhas de conscientização e programas de incentivo à preservação das árvores existentes. A educação ambiental desempenha um papel fundamental na criação de uma cultura de respeito ao meio ambiente”.
Setores registram um faturamento recorde durante Carnaval de 2025

O Carnaval de Belo Horizonte em 2025 superou as expectativas e marcou um crescimento recorde para o setor de serviços da cidade, impulsionando o comércio local, o setor hoteleiro e o turismo de forma nunca vista antes. Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), o faturamento dos estabelecimentos da capital mineira teve um crescimento de 25% em relação ao Carnaval de 2024. Segundo a economista Paula Albuquerque, a recuperação econômica do país, aliada à estabilização de indicadores macroeconômicos como a inflação, ajudou a aumentar o poder de compra dos consumidores. “As pessoas estão mais dispostas a gastar e a vivenciar experiências, especialmente em eventos como o Carnaval. Além disso, o retorno da confiança no consumo e a retomada de empregos formais impulsionaram a disposição dos brasileiros em gastar com lazer e gastronomia”. Outro fator relevante para o desempenho positivo do setor foi o aumento do turismo nas grandes cidades. “A alta do turismo em BH durante o período festivo contribuiu para um aumento no fluxo de clientes nos bares e restaurantes, o que, por sua vez, refletiu diretamente no aumento do faturamento. A oferta de eventos exclusivos e promoções nos estabelecimentos também foi um atrativo, agregando valor à experiência do consumidor e gerando mais vendas”, completa. O setor hoteleiro também apresentou resultados expressivos. A taxa de ocupação na cidade alcançou 76,73%, superando os 71,36% registrados no ano passado. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou um recorde no desempenho, com a região Central destacando-se, atingindo 82,10%. Esse índice é superior à média de 80,89% registrada em 2024, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIHMG). Para o agente de viagens, Vicente Brandão, a cidade tornou-se um dos destinos mais procurados para os foliões que buscam uma alternativa ao Carnaval tradicional. “O crescimento do turismo é um reflexo da consolidação de Belo Horizonte como um destino carnavalesco, algo que começou a se desenhar nos últimos anos, com a cidade atraindo cada vez mais visitantes de diferentes estados e até do exterior. É um grande evento turístico e as pessoas vêm para a festa, mas acabam conhecendo a cidade e sua cultura, o que impacta positivamente toda a cadeia do turismo”. De acordo com informações divulgadas pela PBH, Belo Horizonte recebeu aproximadamente 270,5 mil turistas durante o Carnaval de 2025, muitos dos quais chegaram à cidade graças à ampliação das operações no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. O terminal registrou um aumento de 7,1% nos desembarques em comparação com o mesmo período do ano anterior. A concessionária responsável pela gestão do terminal informou que, entre 27 de fevereiro e 6 de março, a rodoviária recebeu quase 97 mil passageiros. No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), situado em Confins, na Região Metropolitana, o aumento foi ainda mais significativo. Entre 27 de fevereiro e 6 de março, o aeroporto registrou o fluxo de 257 mil passageiros, o que representa um crescimento de quase 26% em comparação com o Carnaval do ano anterior. Brandão afirma que o crescimento observado nesse Carnaval reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e na promoção de eventos de grande porte. “Belo Horizonte está se consolidando como um centro de atrações culturais e isso tem reflexos importantes na economia. O Carnaval de 2025 serve como um modelo para futuras edições e pode inspirar novas ações no campo do turismo e do comércio”. Folia lucrativa De acordo com a PBH, o Carnaval de Belo Horizonte 2025 movimentou R$ 1,2 bilhão durante 23 dias de festa. Além disso, também gerou mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, demonstrando a sua importância para a economia local.
37,5% das brasileiras sofreram alguma agressão no último ano

De acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 21 milhões de brasileiras, 37,5% do total de mulheres, sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses. O relatório também mostra que 5,3 milhões de mulheres, 10,7% do total da população feminina do país, relataram ter sofrido abuso sexual e/ou foi forçada a manter relação sexual contra a própria vontade nos últimos 12 meses, ou seja, uma em cada 10. A ampla maioria das agressões ocorreu na presença de terceiros, 91,8%. Em 47,3% desses casos, quem presenciou foram amigos ou conhecidos; em 27%, os filhos; e em 12,4%, outros parentes. Para discutir a gravidade do assunto, o Edição do Brasil conversou com Alice Bianchini (foto), conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e vice-presidenta da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas (ABMCJ). Sobre a realidade da violência contra a mulher, existe uma tendência de crescimento ou o número de casos se mantém estável? Quando se trata de medir a violência em um país, há uma convenção mundial no sentido de se analisar o número de mortes registradas no sistema de saúde. No caso, estamos falando de mortes de mulheres. Então, não se trata da mulher denunciar mais, ou menos, mas de cadáveres femininos contabilizados ano a ano. E o que se vê nessa estatística é, sim, um aumento dos casos de feminicídio a cada ano que passa. Como a violência contra a mulher se manifesta nas diferentes faixas etárias, etnias e classes sociais? Os estudos mostram que as mulheres negras são as mais vitimadas. Outro dado que chama a atenção é a quantidade de mortes de mulheres nas regiões brasileiras com maior concentração de comunidades indígenas. O que se pode analisar é que nos locais em que há menos equipamentos de proteção à mulher (delegacias especializadas, CREAS, defensoria pública, entre outros), os índices de violência são mais expressivos, o que nos faz concluir que o investimento em políticas públicas para mulheres é fundamental para alterar essa situação. Você acredita que as leis existentes, como a Lei Maria da Penha, têm sido eficazes na proteção das mulheres ou há lacunas no seu cumprimento e aplicação? Nos últimos anos, principalmente a partir de 2021, houve uma profusão de leis que tratam da condição feminina no Brasil. Em levantamento que fiz recentemente e que se encontra publicado no site da ABMCJ, podemos encontrar mais de 50 leis editadas entre 2021 até o ano de 2024. Elaborar leis é importante, mas também é preciso fiscalizar para que ela se torne uma realidade. Por exemplo, a lei que determina que as delegacias especializadas na defesa da mulher funcionem todos os dias da semana, por 24 horas. O número de delegacias é muito baixo no Brasil e praticamente nenhuma delas funciona de acordo com o previsto na lei. Como melhorar a abordagem de apoio às mulheres que sofrem agressões, desde a denúncia até o acompanhamento psicológico e social? Precisamos atuar na prevenção da violência, por meio de projetos que atuem na forma de pensar na sociedade. Há, infelizmente, uma enorme tolerância em relação ao abuso contra a mulher, fazendo com que ainda seja persistente a ideia de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 92% das violências foram testemunhadas por alguém, e essa pessoa normalmente nada fez em relação à ocorrência que presenciou. E o que é grave, quase 30% foram testemunhadas pelos filhos, o que vai causar danos psicológicos muito graves, o que pode comprometer as futuras gerações. O que pode ser feito para combater o ciclo de violência, considerando que muitos casos não são denunciados? A pesquisa mostra que quase metade das mulheres vítimas de violência não fez nada em relação à última agressão sofrida. Na mesma sondagem são identificados os motivos que levaram à inação da vítima, um deles é o medo de vingança do agressor. Nesse ponto, uma política pública é o encaminhamento do agressor para grupos de reflexão, conforme determina a Lei Maria da Penha. O impacto desses programas na vida do homem que cometeu a violência é muito positivo, levando uma pequena parcela (cerca de 4%) voltar a praticar a violência. No entanto, temos apenas cerca de 400 grupos espalhados pelo país e o orçamento para políticas voltadas à mulher vem diminuindo desde o ano de 2015.
Ioga traz diversos benefícios que melhoram a qualidade de vida

O ioga é uma prática milenar que, ao longo dos séculos, tem ganhado cada vez mais adeptos ao redor do mundo. Ele é uma combinação de posturas físicas, técnicas de respiração e meditação que promovem o equilíbrio entre corpo e mente. A prática regular traz uma série de benefícios físicos, como o aumento da flexibilidade, força, equilíbrio e resistência. Através das posturas, os praticantes trabalham diversas partes do corpo, o que contribui para o fortalecimento muscular, melhora da postura e alívio de dores crônicas. A fisioterapeuta e instrutora de ioga, Juliana Mendes, explica como ele pode atuar no corpo humano. “É excelente para o alinhamento corporal, principalmente para quem sofre de dores nas costas ou no pescoço. As posturas exigem que o praticante desenvolva força e flexibilidade de maneira equilibrada, o que ajuda a corrigir desvios posturais e prevenir lesões. Além disso, o fortalecimento de músculos profundos do corpo contribui para a melhoria da estabilidade da coluna e das articulações”. Um dos aspectos mais notáveis dessa prática é a ênfase no alongamento. Muitas pessoas que praticam atividades físicas de alto impacto, como corrida ou musculação, se beneficiam do ioga como complemento, já que ele ajuda a aumentar a amplitude dos movimentos e a reduzir a rigidez muscular. “Praticantes de esportes ou até mesmo pessoas com uma rotina estressante podem se beneficiar imensamente do ioga. Ele promove um alongamento profundo e uma maior mobilidade, que é essencial para evitar lesões e melhorar o desempenho físico em outras atividades”, afirma Juliana. A modalidade é altamente recomendada para quem busca equilíbrio mental e emocional. O foco na respiração e nas posturas auxilia na redução do estresse e da ansiedade, além de promover tranquilidade. Para o instrutor de ioga, Ricardo Costa, a prática atua diretamente na regulação do sistema nervoso. “Ele tem um impacto positivo no sistema nervoso autônomo, que regula funções involuntárias do nosso corpo, como a frequência cardíaca e a pressão arterial. As técnicas de respiração controlada ajudam a reduzir a produção de hormônios do estresse, como o cortisol, enquanto aumentam a liberação de endorfinas, promovendo um sentimento de bem-estar e relaxamento. Com o tempo, isso contribui para a diminuição dos sintomas de ansiedade e melhora na qualidade do sono”, explica. Uma das grandes vantagens é que ele pode ser praticado por pessoas de todas as idades e condições físicas. Não há restrições de gênero, faixa etária ou nível de condicionamento físico para começar a praticar, a atividade oferece práticas adaptáveis às necessidades de cada indivíduo. Juliana destaca que o ioga é inclusivo, com posturas que podem ser modificadas para garantir conforto e segurança. “Existem modalidades para todos os tipos de público, desde aulas mais suaves, como o Hatha ioga, até práticas mais dinâmicas, como o Vinyasa. Mesmo pessoas com limitações físicas, como problemas nas articulações ou lesões, podem adaptar as posturas e se beneficiar da prática de acordo com suas necessidades”. Primeiros passos Costa recomenda é procurar um profissional qualificado para orientá- -lo nos primeiros passos. “É essencial começar com aulas introdutórias ou buscar um instrutor que possa acompanhar sua evolução. Muitas escolas de ioga oferecem aulas para iniciantes, com posturas básicas e foco no alinhamento corporal. A prática deve ser lenta e progressiva, respeitando os limites do seu corpo”. “Outro ponto fundamental é investir em roupas confortáveis, que não restrinjam os movimentos, e em um bom tapete. Para quem preferir praticar em casa, existem muitos recursos on-line, como vídeos e aulas ao vivo, que podem ajudar no início da jornada. A disciplina é importante para que o praticante perceba os resultados em curto e longo prazo”, finaliza.