Lei de Inclusão faz 10 anos com avanços no mercado de trabalho

A Lei nº 13.146/2015, também conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), completou uma década e se consolidou como um marco na garantia de direitos e na promoção da inclusão social. De acordo com o Ministério do Trabalho, entre 2009 e 2021, o número de contratações de pessoas com deficiência teve um aumento de 78,44%, enquanto o mercado formal registrou crescimento de 18,26%. Já em 2024, mais de 27 mil pessoas com deficiência foram inseridas no mercado de trabalho graças a ações de fiscalização conduzidas por auditores trabalhistas. Minas Gerais se sobressai nesse cenário, com 60% das vagas destinadas a pessoas com deficiência sendo ocupadas, percentual superior à média nacional, que é de 57,8%. O Estado concentra 10% das empresas obrigadas a cumprir a legislação de cotas. Para discutir sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o Gerente de Projetos do Instituto Ester Assumpção, Felipe José de Sá. Quais são os principais avanços observados nos últimos 10 anos no ambiente de trabalho para pessoas com deficiência? A LBI consolidou a visão da deficiência sob a ótica dos direitos humanos, e não mais assistencialista. A pauta Diversidade e Inclusão, conectada à agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), ganhou força e empresas começaram a entender que a inclusão não é apenas uma obrigação, mas um diferencial competitivo que gera inovação. A tecnologia se tornou uma grande aliada, softwares de leitura de tela, aplicativos de comunicação alternativa e ferramentas de trabalho remoto removeram barreiras físicas e de comunicação. Com isso, houve um crescimento de iniciativas que focam não apenas em preencher vagas, mas qualificar a pessoa com deficiência. As empresas estão mais conscientes sobre acessibilidade e inclusão, ou ainda veem isso apenas como obrigação legal? A maioria das empresas, infelizmente, ainda é movida primariamente pela Lei de Cotas. Contratam para evitar multas, geralmente em cargos de base, sem um plano de carreira ou investimento real em acessibilidade e cultura inclusiva. Porém, há algumas que, ao vivenciarem a inclusão, perceberam seus benefícios. Nosso trabalho de assessoria atua muito com este grupo, ajudando a transformar a obrigação em um valor genuíno. Apesar da legislação, quais barreiras ainda dificultam o acesso e a permanência da pessoa com deficiência no mercado de trabalho? O capacitismo é a principal e a mais difícil de quebrar. É o preconceito, a infantilização, a crença de que a pessoa com deficiência é menos capaz, que vai faltar mais ou que não se adaptará. Além disso, há barreiras como falta de intérpretes de Libras em reuniões e eventos, ausência de legendas em vídeos, sistemas internos e sites que não são acessíveis para leitores de tela, banheiros não adaptados, estações de trabalho inadequadas, refeitórios inacessíveis e processos de recrutamento e seleção rígidos que não preveem adaptações. Como você avalia a efetividade da fiscalização sobre o cumprimento da Lei de Cotas e da LBI no ambiente profissional? A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego é fundamental e indispensável, no entanto, sua efetividade necessita de alguns fatores como: Avaliação da qualidade da inclusão (os cargos oferecidos, as condições de acessibilidade) e ampliar a estrutura para fazer um acompanhamento profundo e contínuo de todas as empresas. A LBI ampliou o escopo para além da cota, exigindo um ambiente inclusivo, mas a tradução disso em critérios objetivos de fiscalização ainda é um desafio. De que forma os setores público e privado podem melhorar o acesso a oportunidades de capacitação inclusiva e ampliar o acesso às funções de liderança e gestão? O setor público pode criar e financiar programas de formação profissional que já nasçam acessíveis, em parceria com instituições especializadas, e garantir que os concursos públicos e os planos de carreira dentro do serviço público sejam genuinamente inclusivos. No privado, destinar recursos para programas de mentoria e patrocínio focados em acelerar a carreira de profissionais com deficiência, treinar gestores para liderar equipes diversas e combater o capacitismo, garantir que todas as plataformas de e-learning, workshops e treinamentos corporativos sejam 100% acessíveis.
Maior rally das Américas chega à sua 33ª edição

Entre os dias 26 de julho e 3 de agosto, a edição 2025 do Sertões resgata suas origens ao mesmo tempo em que projeta novos horizontes. Na sua 33ª edição, o maior rally das Américas terá um trajeto de 3.482 quilômetros, sendo 2.215 deles em trechos cronometrados. O percurso atravessará cinco estados brasileiros (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Alagoas) até alcançar a linha de chegada na Praia do Francês, em Marechal Deodoro (AL), onde os campeões serão consagrados. O trajeto foi cuidadosamente planejado para desafiar tanto os pilotos quanto seus veículos, explorando uma variedade de terrenos. Os competidores enfrentarão piçarra, areia, trechos de pedra (tipo trial), serras e mudanças constantes de altitude, exigindo alto nível de navegação. Motos, carros, UTVs e quadriciclos voltarão a cruzar o país levantando poeira, com a promessa de disputas acirradas até os momentos finais da prova. Para a CEO do Sertões, Leonora Guedes, o desafio a cada edição é de trazer novos elementos, evoluir do ponto de vista tecnológico e proporcionar uma experiência diferente, à altura dessa tradição. “Mais uma vez contaremos com a participação de competidores de vários países; um nível técnico elevadíssimo nas três modalidades (carro, moto e UTV) e o roteiro escolhido para este ano será extremamente exigente, para testar pilotos, navegadores e máquinas. Por outro lado, queremos dar novos passos em nossa caminhada que tem feito do Sertões uma referência também em sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e preocupação com as pessoas”. Ela explica que o Sertões chega com uma caravana de aproximadamente 2.500 pessoas entre competidores, equipes, organização, imprensa e integrantes das expedições turísticas. “Essa ‘mini cidade’ movimenta toda a cadeia produtiva do turismo. Estimamos em cerca de R$ 2 milhões/dia o impacto econômico direto. Além disso, o Sertões é uma grande vitrine, tendo visibilidade nacional e internacional, pois as cidades e suas paisagens são o pano de fundo da competição. Em 2024 o retorno de mídia gerado pelo rally superou os R$ 237 milhões”. A CEO afirma que a presença das cidades mineiras, Unaí e Januária, no roteiro do Sertões 2025 se encaixa perfeitamente no principal conceito da prova, que é um retorno às raízes. “Januária fez parte do percurso da primeira edição do rally, realizada em 1993; enquanto Unaí recebeu a prova pela última vez em 2010. As respectivas regiões nos permitem desenhar etapas cada vez mais exigentes e técnicas, além de contarem com atrativos turísticos no entorno, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Minas Gerais é parte fundamental da história do Sertões”. Segundo Leonora, deixar um legado positivo e concreto nas regiões atravessadas pelo rally é hoje uma premissa do Sertões, e no caso de Minas não é diferente. “Queremos que as pessoas sejam parte do evento, nos vejam como exemplo e inspiração e se envolvam com as diferentes iniciativas socioambientais. Entre as ações previstas está a realização do Concurso de Artes Sertões, que envolve estudantes do ensino fundamental por meio de desenhos e redações, expressando-se sobre temas ligados à sustentabilidade e ao ambiente”. “Além disso, em Januária e Montalvânia haverá a entrega de filtros a comunidades que não contam com água tratada, parte de uma parceria com a Conasa Infraestrutura, que desenvolveu um equipamento barato, simples e que pode ser replicado sem grande dificuldade. Januária ainda receberá uma ação da SAS Brasil, organização social parceira do rally que presta atendimento médico especializado. As Vilas Sertões contarão com coleta seletiva de resíduos e o material será tratado e destinado à reciclagem. Vale destacar que todas as emissões de carbono geradas pelo rally são neutralizadas”, destaca. Os locais escolhidos nas diferentes cidades para receber a estrutura do rally têm acesso gratuito à população. “Queremos que todos vivenciem o evento, conheçam de perto os participantes e seus veículos, assim como as diferentes iniciativas socioambientais”. O público terá ainda a chance de acompanhar a prova através da cobertura de grandes veículos de mídia, dos programas exibidos no YouTube (SertõesOficial), pelas redes sociais e pela plataforma rally.sertoes.com.br.
Minas espera mais de 4 milhões de visitantes nas férias de julho

Julho reforça a posição de Minas Gerais como um dos destinos turísticos mais procurados do país. Segundo dados do Observatório do Turismo, compilados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), a expectativa é de que mais de 4 milhões de visitantes passem pelo Estado neste mês, um aumento superior a 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As estatísticas indicam um crescimento consistente em todos os indicadores do setor. A previsão é que o total de pousos e decolagens ultrapasse 13 mil operações, o que representa um avanço aproximado de 11,5% em relação a julho de 2024. No caso dos aeroportos de Minas Gerais, o número de passageiros internacionais deve chegar a 70 mil, registrando um aumento de 26% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A ocupação dos meios de hospedagem se aproxima dos 80%, sinalizando a retomada sólida do setor hoteleiro. Esse desempenho reflete o impacto positivo dos eventos culturais, do turismo rural e da valorização do patrimônio histórico. Segundo a turismóloga, Ana Carolina Costa, a projeção otimista se baseia em dados de fluxo hoteleiro, movimentação nas rodovias, vendas de pacotes turísticos e eventos culturais programados para o mês, tradicionalmente marcado pelas férias escolares. “Além disso, o clima ameno e as festas típicas de inverno contribuem para atrair turistas de todas as partes do país. O mineiro sempre soube receber bem, mas agora, com mais visibilidade, o que era uma virtude virou ativo econômico. O visitante encontra em cidades como Tiradentes, Ouro Preto, Diamantina e São João del-Rei uma experiência completa, que une história viva, culinária premiada e um clima de interior que encanta”. O incremento na programação cultural tem papel fundamental nesse cenário. Festivais de inverno, como os de Ouro Preto, Itabira e Congonhas, oferecem apresentações musicais, exposições de arte, oficinas e feiras de artesanato, atraindo públicos diversos. Para o agente de viagens, Vicente Brandão, “Minas está aproveitando de forma muito estratégica seus diferenciais: é um Estado com identidade própria, muitas regiões autossuficientes em atrativos turísticos e um povo que enxerga no turista uma oportunidade, não um transtorno”. Ele ressalta que o crescimento do fluxo turístico é uma oportunidade para o Estado ampliar políticas de inclusão produtiva e fomentar o empreendedorismo em áreas historicamente menos favorecidas. “O turismo pode ser, cada vez mais, uma porta de entrada para o desenvolvimento regional sustentável”. “A diversificação dos roteiros turísticos, para além das cidades históricas, incluindo destinos de ecoturismo e turismo rural em regiões como Serra da Canastra, Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata, assim como a valorização de eventos culturais locais, como festivais gastronômicos, festas religiosas e manifestações folclóricas, que ajudam a fixar a identidade mineira como diferencial competitivo são estratégias importantes”, destaca Brandão. Ana Carolina salienta o incentivo à formalização e capacitação de profissionais do setor, garantindo que a qualidade no atendimento acompanhe o crescimento da demanda. “A tendência é que o turismo em Minas continue em expansão se for tratado como política pública estruturante. O Estado não vende apenas paisagens, vende afeto, memória e autenticidade, mas, para que essa ‘marca’ permaneça forte, é preciso investir em experiências de qualidade, acessibilidade e sustentabilidade”.
Comércio varejista mineiro projeta aumento nas vendas no 2º semestre

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio MG apresentou um panorama do setor empresarial mineiro para o segundo semestre de 2025. O estudo aponta para um aumento no otimismo dos empresários. Esse sentimento positivo é motivado, sobretudo, pela expectativa de crescimento nas vendas durante datas comemorativas importantes, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal. De acordo com o levantamento, 74,7% dos empresários demonstram confiança em um desempenho superior das vendas no segundo semestre em comparação com os primeiros seis meses do ano. O economista Luiz Gomes explica que essas datas funcionam como âncoras de consumo e movimentam todo o ecossistema comercial. “Essa expectativa de melhora nas vendas é motivada por uma série de fatores que, juntos, formam um cenário bastante favorável ao comércio varejista. Em primeiro lugar, temos a sazonalidade típica do segundo semestre, que reúne as principais datas comemorativas do calendário comercial brasileiro. São períodos em que o consumidor já se programa para gastar, e o comércio se prepara para atender à demanda”. Para 59% dos empresários, o Natal é a principal data para impulsionar os resultados do segundo semestre. Em seguida, aparecem Dia dos Pais (21,1%), Black Friday (17,7%) e Dia das Crianças (16,2%) como momentos estratégicos para o comércio. Além do calendário favorável, o economista aponta outros motivos que explicam o otimismo. “Há um ambiente mais confiante em relação à economia. A inflação tem se mantido relativamente controlada, os juros começam a apresentar sinais de queda, e o mercado de trabalho mostra estabilidade. Tudo isso contribui para uma percepção de recuperação, ainda que gradual, e o comércio sente isso antes de muitos outros setores, porque lida diretamente com o comportamento do consumidor”. Em relação aos meios de pagamento, o destaque fica para o cartão de crédito parcelado, preferido por 48,9% dos respondentes, com o Pix vindo logo depois, citado por 30%. O estudo indica que, em comparação com o mesmo período de 2024, 36,1% das empresas observaram um crescimento nas vendas durante o primeiro semestre de 2025. Já 38,8% relataram que os resultados se mantiveram estáveis em relação ao segundo semestre do ano anterior. Para Gomes, o empresário percebe que não basta esperar o consumidor entrar na loja. “É preciso criar facilidades e promover condições atrativas. Além disso, a confiança tende a subir em períodos mais estáveis, o que influencia diretamente o desempenho do comércio. Fatores como políticas fiscais, variação da taxa de juros e estabilidade do mercado de trabalho ainda são pontos de atenção. Mesmo assim, o comércio mineiro parece disposto a apostar na retomada com planejamento, criatividade e foco no consumidor”. Para atrair os consumidores, 51,4% dos empreendimentos planejam investir em ações de divulgação e publicidade. Já 34,6% pretendem focar em promoções, enquanto 30% consideram o atendimento personalizado como o principal diferencial competitivo. É nesse caminho que pretende seguir a empresária Érica Vieira, proprietária de uma loja de vestuário. Ela menciona que nunca presenciou o mercado tão receptivo a mudanças comportamentais quanto agora. “O consumidor hoje não quer só o produto, mas também a experiência. Nós estamos investindo em treinamento de equipe, criando campanhas e reformulando nossa vitrine para as datas sazonais. Atualmente, o Pix representa muito das nossas transações, mas o destaque ainda é o cartão. Isso dá flexibilidade ao cliente e aumenta o ticket médio”.
Cerca de 12 médicos foram vítimas de violência por dia no Brasil em 2024

Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que, em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência de médicos que sofreram algum tipo de violência (seja ameaça, injúria, desacato, agressão física, difamação, furto ou outros delitos) em estabelecimentos de saúde do país, como hospitais, clínicas, consultórios, prontos-socorros, laboratórios e outras instituições, tanto da rede pública quanto privada. O número trata-se do maior já registrado na série histórica do CFM. A análise da distribuição das ocorrências revela que 66% dos casos, ou seja, 2.551, aconteceram em cidades do interior, enquanto 1.337 episódios (34%) foram registrados nas capitais. Segundo os dados apurados pelo CFM, a maioria das agressões foi praticada por pacientes, seus familiares ou por indivíduos sem qualquer vínculo com os profissionais de saúde. Dos 4.562 boletins de ocorrência no ano passado, 256 (6%) foram registrados por crimes de calúnia, injúria, difamação e ameaça cometidos contra médicos na internet, seja em redes sociais ou em aplicativos de mensagens. Em 2024, São Paulo liderou o ranking nacional, com 832 boletins de ocorrência, o equivalente a 26% do total de notificações. O Paraná ficou em segundo lugar, com 767 registros, sendo que Curitiba responde por 11% desses casos. Minas Gerais ocupa o terceiro lugar em número de ocorrências. A Polícia Civil mineira contabilizou 460 boletins, dos quais 15% foram registrados na capital, Belo Horizonte. O psicólogo Marcos Figueiredo afirma que a “espera prolongada, incerteza do diagnóstico e estresse emocional de pacientes e familiares elevam o clima de tensão. Em momentos de fragilidade, um olhar torto, uma palavra mal interpretada pode ser um gatilho para explosões de violência”. “Vivemos uma era de maior intolerância e impaciência. Entre os principais motivos está a sobrecarga dos serviços de saúde, especialmente no sistema público, onde a alta demanda e a falta de recursos contribuem para longas esperas, atrasos em atendimentos e frustrações por parte dos pacientes e seus familiares. Essa insatisfação, muitas vezes, é descarregada nos profissionais da linha de frente, como os médicos”, completa. Ele explica ainda que há uma crescente intolerância social e dificuldade de lidar com frustrações, o que tem se refletido em comportamentos agressivos em diversos contextos, incluindo o ambiente hospitalar. “Outro fator relevante é a desinformação sobre o papel e os limites da atuação médica, o que pode gerar expectativas irreais por parte dos pacientes e levar à hostilidade quando os resultados esperados não são alcançados”. Para o especialista em segurança pública, Marcelo Cunha, é fundamental adotar uma série de medidas integradas que envolvam tanto ações de segurança quanto mudanças estruturais e culturais no sistema de atendimento. “Em primeiro lugar, é preciso reforçar a segurança nos ambientes de saúde, com a presença de equipes treinadas, instalação de câmeras de monitoramento e protocolos claros para lidar com situações de risco. A criação de canais de denúncia eficazes e a garantia de que os casos serão investigados e punidos com rigor também são essenciais para desencorajar novas agressões”. “Outro ponto importante é melhorar as condições de trabalho dos profissionais, reduzindo a sobrecarga, garantindo recursos adequados e promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e cooperativo. Investimentos em gestão e organização dos atendimentos, que ampliem o acesso da população a serviços de saúde de qualidade, com estrutura adequada e tempo de espera reduzido, contribuem para diminuir o clima de insatisfação que pode levar à violência”, ressalta. Cunha destaca que campanhas de conscientização pública sobre o respeito aos profissionais de saúde e sobre os limites da atuação médica também podem ser úteis, ajudando a construir uma relação mais equilibrada entre pacientes e equipes de atendimento. Além disso, o CFM tem se posicionado favorável à aprovação de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional que aumentam as penalidades para agressores de médicos em exercício profissional, como é o caso do PL nº 6.749/2016, já aprovado pela Câmara dos Deputados. A entidade também vem atuando junto a governadores e representantes da Polícia Civil nos estados para promover a criação de delegacias especializadas em investigar crimes cometidos contra profissionais da saúde.
Tempo frio exige cuidados redobrados com a saúde

Com a chegada do inverno, as temperaturas mais baixas, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados criam um cenário propício para o surgimento de doenças respiratórias, agravamento de quadros crônicos e até mesmo impactos no bem-estar emocional. Embora muitos acreditem que basta se agasalhar para enfrentar o frio, o cuidado com a saúde durante essa estação exige atenção a diversos fatores, da hidratação à alimentação, da ventilação dos espaços ao reforço da imunidade. O corpo humano precisa fazer mais esforço para manter sua temperatura interna estável durante o inverno, o que pode sobrecarregar o organismo, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças pré-existentes. Nos dias frios os vasos sanguíneos se contraem para preservar o calor, o que pode elevar a pressão arterial. Além disso, a tendência de se aglomerar em locais fechados cria um ambiente ideal para a proliferação de vírus e bactérias. Para a nutricionista Cristina Souza, um dos hábitos mais importantes que ajudam a fortalecer a saúde e a prevenir complicações é a hidratação. “As pessoas tendem a beber menos água no inverno porque sentem menos sede, porém, o corpo continua perdendo líquidos, especialmente por meio da respiração e da urina. A falta de hidratação enfraquece o sistema imunológico, prejudica a circulação e aumenta o risco de infecções”. Ela também destaca o papel da alimentação na manutenção da saúde durante o inverno. “Uma dieta rica em frutas cítricas (como laranja, acerola e kiwi), legumes e verduras de cores vivas é essencial para reforçar as defesas do corpo. Alimentos com vitamina C, zinco e ômega 3 ajudam a modular o sistema imunológico”. Outro aliado importante da saúde no inverno é o exercício físico. “A prática regular de atividades ajuda a manter a circulação ativa, melhora a respiração, estimula a produção de serotonina e fortalece o sistema imunológico. Mesmo nos dias frios, é importante se movimentar, fazer caminhadas leves, alongamentos ou exercícios dentro de casa. Por outro lado, o sedentarismo pode contribuir para a piora da saúde cardiovascular e da saúde mental”, explica. De acordo com a pneumologista Sônia Andrade, entre os principais problemas de saúde associados ao inverno estão as infecções respiratórias, como gripes, resfriados, sinusites, bronquites e pneumonias. “As doenças alérgicas, como a rinite e a asma, também tendem a se intensificar devido ao acúmulo de poeira, mofo e à má ventilação. Além disso, o ar seco, característico desta estação, resseca as mucosas do nariz e da garganta, facilitando a entrada de agentes infecciosos no organismo”. É fundamental manter os ambientes arejados, embora seja tentador deixar as janelas fechadas o tempo todo para conservar o calor. “Essa prática favorece a concentração de agentes patológicos no ar. Basta abrir as janelas por 15 a 20 minutos por dia, em horários de sol, para renovar o ar e reduzir o risco de contágio por vírus respiratórios”, recomenda. Sônia também reforça a importância de manter a caderneta vacinal em dia. “A vacina contra o vírus Influenza, por exemplo, é recomendada anualmente e pode reduzir em até 70% os casos graves da doença. Esse ato não é apenas uma proteção individual, mas também coletiva, pois reduz a circulação viral entre os grupos mais vulneráveis”. Por fim, a dermatologista Luciana Oliveira destaca que outro ponto que merece atenção é o cuidado com a pele e as mucosas, que sofrem com o ressecamento causado pelo ar frio e seco. “Tomar banhos muito quentes pode agravar esse quadro, removendo a camada protetora natural da pele. Eles devem ser mornos e rápidos, seguidos do uso de hidratantes corporais ricos em ureia, ceramidas ou ácido hialurônico. Também é importante usar protetor labial e filtro solar, pois mesmo em dias nublados há radiação UV”.
Postagens com ameaças a escolas nas redes sociais crescem 360% em 4 anos

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou um crescimento de 360% nas publicações com ameaças direcionadas a escolas nas principais redes sociais brasileiras entre 2021 e 2025. A pesquisa teve como objetivo analisar tanto a forma como as plataformas digitais respondem a ataques violentos contra instituições de ensino quanto a abordagem de temas como o bullying nesses espaços virtuais. Conforme os dados, em 2023, cerca de 90% das postagens com discurso de ódio estavam concentradas na deep web, área da internet que não é indexada por mecanismos de busca convencionais. Já em 2025, esse percentual caiu para 78%, o que indica que esse tipo de conteúdo está cada vez mais presente na internet aberta, circulando sem controle ou moderação adequados. De acordo com o levantamento, até o dia 21 de maio deste ano, já haviam sido registradas mais de 88 mil publicações com ameaças direcionadas a estudantes, professores e diretores nas redes sociais. Para efeito comparativo, durante todo o ano de 2024 foram identificadas 105.192 menções desse tipo, enquanto em 2021 o número mal ultrapassava 43.830. O crescimento expressivo evidencia de forma contundente a necessidade de uma resposta articulada para frear esse avanço. Outro aspecto alarmante revelado pelos dados é o aumento expressivo na proporção de comentários que enaltecem os autores de ataques. Em 2011, ano em que ocorreu o massacre de Realengo (RJ), apenas 0,2% das interações nas redes exaltavam os agressores. Já em 2025, esse índice saltou para 21%, representando mais de um quinto do total. A maioria desses elogios é voltada a jovens que, supostamente, teriam reagido de forma violenta após enfrentarem traumas psicológicos e emocionais relacionados ao bullying. A psicóloga Ellen Oliveira acrescenta que os adolescentes são mais suscetíveis a discursos radicais, o que pode colocá-los em risco. “Devido ao desenvolvimento incompleto do cérebro e à necessidade de se identificar com grupos, os jovens podem embarcar em ideias, inclusive a de aceitar ideologias extremas, situações que os adultos já sabem que passam dos limites”. “Além disso, há um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. Eles têm muitas relações virtuais e nutrem uma falta de perspectiva e propósito em termos de futuro. Esses jovens podem ser vítimas de bullying, viver em ambientes familiares violentos ou negligentes e ter acesso a conteúdos violentos na internet, o que contribui para o desenvolvimento de um perfil agressivo”. Os ataques violentos em escolas têm consequências devastadoras para as vítimas, suas famílias e a comunidade escolar como um todo, salienta Ellen. “Além das lesões físicas, muitos sobreviventes enfrentam traumas psicológicos duradouros. A sensação de insegurança permeia o ambiente escolar, afetando o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos estudantes”. A pedagoga Beatriz Lima ressalta que a inserção de programas de educação socioemocional nos currículos escolares é fundamental. “Esses programas ensinam habilidades, como empatia, resolução de conflitos, autocontrole e cooperação, promovendo um ambiente mais harmonioso e respeitoso. A infância e a adolescência são momentos cruciais para a construção da personalidade e é essencial que todos recebam apoio”. Ela afirma que é essencial treinar professores e profissionais da educação para identificar sinais de problemas emocionais entre os alunos e lidar com situações de violência e bullying, criando um ambiente escolar seguro e inclusivo. “O diálogo constante entre escola e família também é crucial para garantir que os alunos recebam o apoio necessário tanto no ambiente escolar quanto no familiar. Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos, estabelecer horários para o uso de dispositivos eletrônicos e monitorar o conteúdo acessado na internet, orientando-os sobre os riscos de grupos de ódio e discursos extremistas. É importante denunciar conteúdos violentos ou de incitação ao ódio nas redes sociais para que sejam removidos”, conclui.
Esclerose lateral amiotrófica causa a paralisia dos músculos

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal. Segundo o Ministério da Saúde, sua incidência é de cerca de 2 casos por 100 mil habitantes por ano. Embora rara, a doença compromete a capacidade do corpo de controlar os músculos, levando à paralisia e, eventualmente, à morte. Mesmo com os avanços da medicina, ainda há muito a ser desvendado sobre suas causas e formas de tratamento. Segundo a neurologista Camila Borges, a ELA se caracteriza pela degeneração progressiva dos neurônios motores, que são as células responsáveis por controlar os músculos voluntários. “Sem estímulo nervoso, os músculos enfraquecem, atrofiam e param de funcionar. Ao longo do tempo, a pessoa perde movimentos simples, como segurar objetos ou caminhar, até chegar a funções vitais como respirar e engolir”. Apesar de muitas pesquisas, as causas da patologia ainda não são completamente conhecidas. Aproximadamente 90% dos casos são classificados como esporádicos, ou seja, sem origem hereditária identificável, os outros 10% são familiares, herdados geneticamente. “O que sabemos é que múltiplos fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o surgimento da doença. Em casos familiares, mutações em genes estão frequentemente envolvidos, já nos casos esporádicos, há evidências de que exposição a metais pesados, pesticidas, traumas cranianos repetitivos e até infecções virais possam estar relacionados ao desencadeamento da doença, mas nada é conclusivo”, explica. Os primeiros sintomas podem ser sutis e variam de paciente para paciente. “Os mais comuns incluem fraqueza muscular localizada, geralmente nos braços ou pernas, e dificuldade para realizar tarefas rotineiras como abotoar uma camisa ou subir escadas. Câimbras e contrações involuntárias (fasciculações) também são sinais frequentes. Uma das grandes dificuldades é que os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças neuromusculares”, ressalta Camila. “À medida que a doença avança, os pacientes perdem progressivamente a força muscular em todo o corpo, incluindo os músculos respiratórios, o que representa um risco de vida. A fala, a respiração e a deglutição tornam-se cada vez mais difíceis, o que pode resultar em desnutrição. Curiosamente, os sentidos (visão, audição, tato), o controle dos esfíncteres e as funções cognitivas permanecem preservados na maioria dos casos”, explica o fisioterapeuta Renato Lacerda. A enfermidade não possui um exame específico para diagnóstico, o processo é clínico e envolve a exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes, destaca a neurologista. “Exames como ressonância magnética, eletroneuromiografia (ENMG), Estudo de Condução Nervosa (NCS) e testes genéticos podem ser solicitados. Quanto mais cedo a descoberta, maiores as chances de iniciar medidas de suporte ao paciente. A ELA ainda não tem cura, mas o tratamento tem como objetivo retardar a sua progressão e melhorar a qualidade de vida”. Além dos medicamentos, Lacerda relata que o suporte multidisciplinar é essencial. “Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e cuidados paliativos são pilares do tratamento. O uso de dispositivos auxiliares, como cadeiras de rodas, sondas de alimentação e ventilação mecânica não invasiva, também são recursos importantes. Os especialistas elaboram um plano terapêutico individualizado, com intervenções voltadas para aprimorar a mobilidade, a nutrição e a função respiratória”. Não há uma forma específica de prevenção, no entanto, hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e evitar exposição a agentes tóxicos, são recomendações universais para a saúde neurológica. Para os casos familiares, aconselhamento genético pode ser uma ferramenta importante.
ALMG promove debate público sobre financiamento e habitação

Durante a segunda mesa do Debate Público “Habitação, Reforma Urbana e Participação Social”, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a arquiteta, urbanista e doutora em Geografia, Luciana Barbosa, citou que de um total de 5.240 municípios brasileiros, 1.570 não são capazes de sustentar suas estruturas administrativas, e grande parte deles não conseguem investir mais que 5% de seu orçamento em infraestrutura urbana. Luciana destacou alternativas de financiamento para políticas habitacionais, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e a contribuição de melhoria. A OODC consiste em um pagamento feito pelo proprietário que deseja edificar além dos limites estabelecidos pelo plano urbano. A contribuição de melhoria é um tributo cobrado quando uma obra pública resulta na valorização de imóveis privados. Ela destacou a contribuição de melhoria como uma alternativa para aumentar a captação de recursos, inclusive em projetos habitacionais, especialmente quando esses valores podem ser administrados pela própria comunidade. Entre os benefícios apontados, a medida pode inibir a atuação de oportunistas que compram imóveis apenas para lucrar com a valorização da área. Outra temática discutida, além das fontes de financiamento, foi a importância de fortalecer o planejamento urbano, especialmente nas cidades de menor porte. “Cidades pequenas não têm essa visão, a urbanização vai acontecendo”, declarou a doutora em Geografia e coordenadora do grupo de trabalho Cidades Inteligentes na ALMG, Grazielle Carvalho. Municípios com população inferior a 30 mil habitantes representam 70% do território de Minas Gerais, pontuou Grazielle. Para estimular a criação de planos diretores nessas localidades, ressaltou a relevância da Lei 24.839, de 2024, que estabelece a política estadual de incentivo às cidades inteligentes, conhecida como Minas Inteligente. Também foram discutidos os desafios ambientais enfrentados pelos municípios, especialmente diante do aumento recorrente de eventos climáticos extremos. Como alternativa para lidar com essas questões nas cidades brasileiras, o engenheiro agrônomo Célio Pedro da Silva defendeu a necessidade de regulamentar a Lei Federal 14.935/2024, que trata da agricultura urbana e periurbana. Atuando como mediadora do debate, a engenheira civil e sanitarista Flávia Mourão do Amaral, destacou que a crise habitacional nas cidades brasileiras possui uma natureza multidimensional. “Não se consegue diminuir o déficit habitacional porque ele está sempre se reproduzindo, em decorrência da pobreza”. O vereador paulistano Nabil Bonduki, doutor em Estruturas Ambientais Urbanas, ressaltou a importância de integrar a defesa do direito à moradia com as ações voltadas ao enfrentamento da crise climática. “Em São Paulo, por exemplo, são utilizados terrenos mais baratos para a construção de projetos habitacionais. Mas os terrenos mais baratos não são os mais adequados para enfrentar as mudanças climáticas”. Para o especialista Jean Mattos, uma cidade inteligente deve funcionar como um ecossistema que integra tecnologia, inovação e governança eficaz, com o objetivo de promover qualidade de vida, sustentabilidade e eficiência nos serviços públicos. Ele também alertou para os diversos obstáculos que dificultam a concretização desse conceito, como as desigualdades sociais e econômicas, a precariedade da infraestrutura, os problemas de segurança e o crescimento urbano desordenado. “Não existe cidade inteligente sem que as pessoas possam participar dela”, afirmou. Na avaliação da deputada Carol Caram (Avante), as cidades ainda precisam avançar muito. “Quando olhamos para os locais onde a população mais vulnerável vive, constatamos que esses lugares, muitas vezes, não contam nem com saneamento básico. Não podemos falar em cidades inteligentes quando ainda não temos o mínimo”.
BH alcança a 5ª posição entre capitais com melhor qualidade de vida do Brasil

Belo Horizonte passou a ocupar a quinta colocação entre as capitais com melhor qualidade de vida no Brasil, conforme os dados do Índice de Progresso Social (IPS). A capital mineira perdeu duas posições em relação ao ano anterior, quando figurava em terceiro lugar. Em 2025, sua pontuação foi de 68,22. O topo do ranking ficou com Curitiba, que alcançou 69,89 pontos, seguida por Campo Grande (69,63), Brasília (69,04) e São Paulo (68,88). O índice mede o grau de desenvolvimento social e ambiental dos municípios brasileiros a partir de três categorias: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Mesmo com a queda no ranking, os dados refletem tanto os progressos obtidos por Belo Horizonte em setores como saúde e segurança quanto os obstáculos ainda presentes em mobilidade urbana, desigualdade social e acesso a uma educação de qualidade. A cidade se destaca especialmente nos Fundamentos do Bem-Estar, com desempenhos positivos em indicadores como Acesso à Informação e Comunicação, Saúde e Bem-Estar. Além disso, apresenta bons resultados no eixo de Oportunidades, com avanços em Liberdades Individuais e Acesso à Educação. A socióloga Andreia Lima diz que é importante reconhecer os pontos positivos e investir ainda mais neles. “Alcançamos uma alta cobertura de áreas verdes e preservação ambiental com BH sendo reconhecida como uma das capitais mais verdes do país tendo mais de 81 parques urbanos sob administração municipal. A cidade é líder nacional em acesso à internet nas escolas públicas do ensino fundamental, tendo Programas de reforço escolar e estrutura educacional também contribuem para esse indicador”. “Além de indicadores positivos de saúde pública, possuindo rede de atenção básica bem estruturada, com cobertura ampla do Sistema Único de Saúde (SUS). A cidade também vem investindo em transporte coletivo, acessibilidade e sinalização urbana e oferece ampla rede de equipamentos culturais públicos e gratuitos, como centros culturais, museus, bibliotecas e eventos regionais”, completa. Por outro lado, ainda há entraves importantes a serem enfrentados para a melhoria da qualidade de vida na capital mineira. Os piores indicadores se concentram nas áreas de Inclusão Social, especialmente no que diz respeito à população em situação de rua, além de Saneamento Básico e Habitação. Esses aspectos evidenciam deficiências em pilares fundamentais como saúde pública e desenvolvimento socioeconômico. Segundo a urbanista Michele Silveira, um desafio identificado é a infraestrutura habitacional. “O crescimento populacional acelerado tem gerado pressão sobre a infraestrutura urbana, especialmente nas áreas periféricas, que carecem de serviços básicos como saneamento e iluminação adequada”. “Apesar de iniciativas como o Projeto Moradia Cidadã, que busca auxiliar financeiramente pessoas em situação de rua, ainda há desafios significativos na inclusão social e no acesso a moradias adequadas. A cidade enfrenta dificuldades em atender à demanda por habitação de interesse social, especialmente em áreas periféricas e ocupações irregulares”, ressalta. Para Michele, problemas de infraestrutura urbana, como ruas mal conservadas, falta de capina e presença de lixo em áreas públicas, têm sido recorrentes. “Além disso, a verticalização desordenada e o aumento do tráfego contribuem para a degradação ambiental e a diminuição da qualidade de vida urbana. Esses fatores destacam áreas críticas que necessitam de atenção para que Belo Horizonte possa oferecer uma qualidade de vida mais equitativa e sustentável para todos os seus habitantes”. Andreia destaca que Belo Horizonte investe consideravelmente menos em saneamento básico do que a média nacional. “Embora a grande maioria da população tenha acesso à água tratada, a cobertura de esgoto é inferior a 97%, refletindo uma infraestrutura insuficiente para atender a todas as áreas urbanas, especialmente as mais periféricas e estudantes que residem em locais sem acesso a água tratada ou com condições precárias de moradia apresentam notas significativamente mais baixas em português e matemática, além de maior taxa de evasão escolar”. “O aumento constante dos preços dos alimentos básicos tem agravado a insegurança alimentar, dificultando o acesso a comidas saudáveis e nutritivas”, finaliza.