Brasileiros vão gastar mais de R$ 100 bilhões em viagens este ano

Desde o fim da pandemia de COVID-19, o turismo dentro do Brasil tem registrado crescimento significativo. Neste ano, a expectativa é que o setor movimente cerca de R$ 100,3 bilhões, o que representa um aumento de 12,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da pesquisa IPC Maps. Os cálculos consideram diversos tipos de gastos relacionados às viagens, como alimentação, hospedagem, passagens aéreas e rodoviárias, combustível e pacotes turísticos. São Paulo lidera a lista dos estados com maior movimentação financeira no setor, concentrando R$ 31,2 bilhões em despesas. Na sequência aparecem Minas Gerais (R$ 13,8 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 7,8 bilhões) e Paraná (R$ 6,7 bilhões). “O turismo nacional vive um momento de consolidação e redescoberta, além do desejo por viagens, há uma valorização maior dos destinos nacionais, impulsionada por questões econômicas, como o custo elevado das viagens internacionais, e também pela melhoria na infraestrutura de transporte em algumas regiões do país”, analisa o agente de viagens Vicente Brandão. Esse ramo tem um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Brasil, afirma Brandão. “Segundo o Ministério do Turismo, o setor responde por cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, direta e indiretamente, e emprega milhões de pessoas em cadeias que vão desde o transporte até o artesanato local”. “A beleza do turismo é justamente sua capacidade de gerar renda de forma descentralizada. Um hotel em uma cidade pequena contrata funcionários, compra alimentos de produtores locais, movimenta guias turísticos, atrai investimentos em infraestrutura. O impacto é profundo e diversificado”, destaca. Para Brandão, o crescimento da movimentação turística é puxado especialmente pelas capitais e pelos grandes centros urbanos, mas também há avanço em destinos do interior, principalmente aqueles com atrativos naturais ou culturais. “Os números mostram que o brasileiro está mais disposto a investir em experiências, em lazer e em conhecer o próprio país. Mas para que essa curva continue ascendente, é fundamental haver políticas públicas coordenadas, incentivos à formalização e investimentos em qualificação profissional”. Por outro lado, o ritmo de crescimento na abertura de empresas do setor tem sido mais moderado. Conforme dados do IPC Maps, desde 2024 foram criadas 3.072 novas unidades no país, o que representa uma elevação de 3,9%, somando atualmente 81.503 estabelecimentos ativos. Esse avanço é impulsionado, em grande parte, pelas Empresas de Pequeno Porte (EPP), que responderam por 1.051 novos registros no período, um aumento de 17,3% dentro do panorama empresarial nacional. O crescimento mais moderado reflete tanto a cautela dos empresários frente à instabilidade econômica quanto os desafios estruturais enfrentados por empreendedores do setor. “O turismo é uma área altamente sensível a flutuações econômicas e a fatores externos, como câmbio, segurança pública e logística, mesmo com a demanda aquecida, muitos empreendedores ainda enfrentam dificuldade para acessar crédito, regularizar suas atividades ou obter mão de obra qualificada”, ressalta a economista Lúcia Bernardes. Ela avalia que o papel do Estado é fundamental para estimular a expansão sustentável do setor. “Programas de microcrédito, capacitação, desburocratização e estímulo à formalização podem fazer toda a diferença, principalmente para pequenos negócios em regiões menos favorecidas. É essencial investir na promoção dos destinos nacionais”. Lúcia explica que para que o turismo continue em expansão, é necessário investimentos em infraestrutura, com melhorias em estradas, aeroportos e conectividade, especialmente em regiões de difícil acesso. “Também é fundamental qualificar os profissionais do setor, fortalecer a promoção dos destinos nacionais, adotar práticas sustentáveis e garantir segurança e regulamentação adequada para proteger viajantes e prestadores de serviço”.

32,4% dos brasileiros não se interessam pela seleção

Uma nova pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec/O Globo aponta que 32,4% dos brasileiros não demonstram interesse pela seleção brasileira de futebol. O levantamento, feito entre os dias 5 e 9 de junho de 2025, ouviu 2 mil pessoas em 132 cidades do país. Os participantes foram convidados a avaliar seu nível de entusiasmo pela seleção em uma escala de 0 a 10. Apenas 15,9% atribuíram notas elevadas (9 ou 10), enquanto 48,5% deram notas baixas (entre 0 e 4). A nota 0 foi a mais frequentemente escolhida. O estudo revelou que os maiores entusiastas da seleção brasileira são, em sua maioria, homens jovens, com baixa escolaridade, moradores de cidades pequenas do interior, principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e com renda de até um salário mínimo. Entre as mulheres, 14,1% se consideram fãs fervorosas da seleção, número inferior ao dos homens, que alcançou 17,7%. A pesquisa ainda indicou que 33,3% dos participantes deram notas 9 ou 10 quando avaliados em relação ao seu nível de paixão pelos clubes de futebol. Os resultados mostram uma tendência de desinteresse crescente, que já vinha sendo observada em Copas anteriores, mas agora se consolida com mais força. Para a socióloga Mariana Tavares, o Brasil, conhecido historicamente como “o país do futebol”, parece estar se distanciando emocionalmente da seleção que por décadas foi motivo de orgulho nacional. “O fenômeno levanta uma série de questionamentos sobre os motivos desse afastamento e sobre o que poderia ser feito para resgatar o vínculo entre a população e a seleção”. Na avaliação da socióloga, o desinteresse é reflexo de um desgaste emocional acumulado. “A seleção brasileira deixou de representar o povo de forma autêntica. Muitos torcedores não se veem mais refletidos na postura, nos discursos e até no estilo de jogo do time. A elitização do futebol, a perda de identidade e a sensação de distanciamento entre os jogadores e o torcedor comum contribuem diretamente para essa crise de afeto”. Além da falta de identificação, há também um cansaço com os resultados recentes. Desde a vitória na Copa América de 2019, o Brasil acumula eliminações frustrantes em Copas do Mundo e torneios continentais. A derrota para a Croácia nas quartas de final da Copa de 2022, somada à ausência de títulos expressivos em anos seguintes, abalou ainda mais a confiança do torcedor. “Quando a seleção não entrega resultados nem oferece um futebol bonito de se ver, é natural que o encantamento do público vá diminuindo”, analisa o antropólogo do esporte, Rafael Muniz. Outro fator relevante é a concorrência direta com os clubes, a pesquisa revelou um percentual mais alto que o de fanatismo pela seleção. Para Muniz isso reflete uma mudança no eixo emocional do torcedor. “Com a globalização e o fortalecimento das ligas nacionais e internacionais, os clubes passaram a ocupar um espaço muito maior na vida do torcedor. As pessoas acompanham seus times com frequência semanal, se identificam com os jogadores, vivem o cotidiano do clube. Já a seleção aparece de forma pontual, desconectada dessa rotina”. Mas há caminhos possíveis para resgatar a paixão do torcedor. Para os especialistas, a solução passa por uma série de mudanças, tanto dentro quanto fora de campo. Uma delas é o fortalecimento da identidade cultural da seleção. “É fundamental que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pare de tratar a seleção como uma marca internacional e passe a enxergá-la como patrimônio do povo brasileiro. Investir em projetos de base, promover a diversidade regional e escutar o torcedor são passos essenciais para reconstruir essa ponte”, defende Mariana. Outro ponto seria uma maior transparência e profissionalismo na gestão do futebol brasileiro. “Escândalos envolvendo dirigentes da CBF, decisões controversas na convocação de jogadores e a sensação de que há interesses comerciais por trás de muitas escolhas minam a confiança do torcedor. As pessoas querem acreditar que a seleção representa o melhor que temos, não um jogo de interesses”, diz Muniz. Por fim, o retorno a um futebol mais ofensivo e criativo, com mais “ginga”, também é visto como uma forma de reconquistar o público. “O brasileiro sente saudade do futebol arte, do improviso, da alegria em campo, resgatar isso pode ser um primeiro passo para reacender o amor pela seleção”, conclui.

Setor de mercadinhos tem abertura de 29 mil novos negócios

Pequenos comércios alimentares, como minimercados, mercearias, armazéns e mercadinhos, estão em rápida expansão no Brasil. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, mais de 29 mil novos CNPJs foram abertos nesse segmento, conforme dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae. Isso representa, em média, 162 novas empresas por dia, quase sete a cada hora. Na comparação com o primeiro semestre de 2024, que teve a abertura de 27,1 mil negócios, houve um aumento de 8,5%. O levantamento também aponta que cerca de 70% dessas novas empresas foram formalizadas na categoria de microempreendedor individual (MEI). Esse crescimento expressivo no número de aberturas de mercadinhos está diretamente ligado a um conjunto de fatores econômicos, sociais e comportamentais que têm moldado o ambiente de negócios no país. Para especialistas, a combinação de busca por autonomia financeira e valorização do consumo local contribui significativamente para esse movimento. “Nos momentos de instabilidade econômica, como a que o Brasil enfrentou nos últimos anos, muitas pessoas optam por abrir o próprio negócio como alternativa ao desemprego ou à informalidade. O setor de mercadinhos, por ter uma barreira de entrada mais baixa e por atender uma demanda essencial, a alimentação, torna-se uma opção viável para empreender com menor risco”, explica a economista Paula Tavares. Esse crescimento também é alimentado pelo comportamento dos consumidores, que passaram a valorizar ainda mais os comércios de proximidade, salienta Paula. “Durante e após a pandemia, as pessoas redescobriram o comércio local. A ideia de comprar no mercadinho do bairro, que conhece os clientes pelo nome, passou a representar não só conveniência, mas também confiança e solidariedade. Isso criou um ambiente fértil para o surgimento de novos empreendimentos”. A alta no número de mercadinhos traz impactos diretos para a economia nacional, sobretudo na geração de empregos e na movimentação do comércio local. Cada novo ponto de venda cria oportunidades para fornecedores, transportadores, pequenos produtores e profissionais de diversos setores, como contabilidade, marketing e tecnologia. “O varejo alimentar é um dos setores mais capilarizados do Brasil. A abertura de um mercadinho movimenta toda uma cadeia produtiva, que vai desde o agricultor familiar até o entregador de aplicativo, segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas respondem por mais de 60% das contratações no país. Estamos falando de um modelo de negócio que não só absorve a mão de obra local, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, explica Daniel Cardoso, analista de mercado. Ele destaca ainda que esses pequenos negócios têm se adaptado rapidamente às mudanças no comportamento de consumo, incorporando ferramentas digitais como maquininhas de pagamento, delivery via WhatsApp e vendas por aplicativos, mesmo em regiões mais afastadas dos grandes centros. “A digitalização desses negócios potencializa o faturamento e amplia o alcance, o que pode garantir a sobrevivência em um ambiente altamente competitivo”, afirma. Além do impacto direto nos empregos e na circulação de renda, os mercadinhos desempenham um papel social relevante, especialmente em comunidades onde o acesso a grandes redes varejistas é limitado. Em muitos casos, são os únicos pontos de venda de alimentos e produtos essenciais em determinadas regiões. Paula acredita que o desafio, a partir de agora, será garantir a longevidade desses novos empreendimentos. “Mais importante que abrir, é manter o negócio em funcionamento. Isso exige capacitação, gestão financeira eficiente, escuta ativa dos clientes e capacidade de adaptação. O Sebrae, inclusive, oferece programas específicos de apoio ao pequeno comerciante para enfrentar essas etapas”.

Violência obstétrica traz impactos para gestante e bebê

A violência obstétrica no Brasil segue como uma grave violação de direitos humanos, afetando milhares de mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Embora o termo ainda gere debate, relatos de desrespeito, negligência, intervenções desnecessárias e ausência de escuta continuam frequentes em hospitais e maternidades. Práticas como impedir a presença de acompanhantes, negar informações ou desconsiderar a dor e as escolhas da gestante refletem um modelo de cuidado autoritário e desumanizado. Apesar de políticas públicas como a Rede Cegonha e diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) que incentivam o parto humanizado, o país ainda enfrenta obstáculos para garantir um atendimento verdadeiramente centrado na mulher. Falta capacitação contínua das equipes, mecanismos de responsabilização institucional e, sobretudo, escuta ativa das usuárias do sistema de saúde. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a médica e membro da diretoria da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Mariana Seabra. O que pode ser considerado violência obstétrica? Prefere-se o uso da expressão “violência contra a gestante” em vez de “violência obstétrica” para enfatizar a proteção dos direitos da mulher e evitar a redução do problema a críticas profissionais. Essa terminologia amplia o debate ao reconhecer a violência como um fenômeno estrutural, relacionado a práticas institucionais que desconsideram a escuta, a singularidade e o protagonismo feminino. A violência contra a gestante inclui desrespeito, negligência e maus-tratos durante a gestação, parto e pós-parto, violando direitos humanos e afetando a saúde física e emocional da mulher. Como é possível identificar este tipo de violência? A violência contra a gestante pode ser reconhecida principalmente pelos relatos das mulheres, que expressam sofrimento, constrangimento ou falta de acolhimento durante a gestação, parto ou puerpério. Também se manifesta em práticas institucionais rígidas e despersonalizadas, que ignoram a individualidade feminina. Muitas vezes, essas situações são naturalizadas e não reconhecidas como violência, o que reforça a importância de valorizar a escuta das mulheres. Quais as consequências físicas e mentais que essa violência pode trazer? As consequências variam desde traumas físicos evitáveis até marcas emocionais profundas, como depressão pós-parto, ansiedade, medo de futuras gestações ou mesmo transtorno de estresse pós-traumático. Além disso, a violência contra a gestante pode afastar mulheres dos serviços de saúde, comprometer a amamentação, dificultar o vínculo com o recém-nascido e perpetuar ciclos de sofrimento que afetam toda a família. Quais medidas poderiam ser tomadas para diminuir esses casos? Enfrentar a violência contra a gestante requer um compromisso coletivo e ações coordenadas em diferentes níveis do sistema de saúde. É fundamental investir em formação ética e técnica continuada das equipes de saúde, revisar os fluxos e protocolos institucionais, e fomentar uma cultura organizacional que valorize o cuidado respeitoso e centrado na mulher. É necessário ampliar espaços de escuta qualificada, garantir transparência nas denúncias e fortalecer políticas públicas baseadas em evidências, em justiça reprodutiva, mas também que assegurem condições dignas de trabalho às equipes de saúde. Você acredita que há despreparo das equipes de assistência médica ao lidar com mulheres? Em muitos contextos, ainda há insuficiência na formação em temas como comunicação empática, diversidade, escuta ativa e respeito à autonomia. Isso não significa necessariamente falta de preparo técnico, mas, algumas vezes, uma reprodução de padrões históricos e estruturais que invisibilizam as experiências das mulheres, sobretudo das que estão em situação de maior vulnerabilidade. Mais do que culpar indivíduos, é preciso transformar a lógica institucional do cuidado. Faltam ações que possam ser úteis na estruturação de políticas públicas, leis e boas práticas no Brasil? Apesar de avanços como a Rede Cegonha, o Brasil ainda enfrenta desafios na implementação de políticas que garantam um cuidado respeitoso à gestante, com falhas em monitoramento, responsabilização e escuta das usuárias. A OMS e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) alertam para a urgência de tratar essas práticas como violações de direitos humanos. É essencial fortalecer o diálogo entre áreas técnicas, políticas e sociais, colocando as experiências das mulheres no centro das decisões. O cuidado respeitoso deve ser um dever ético, clínico e institucional.

Cresce o número de acidentes com motos em Belo Horizonte

Nos últimos seis anos, Belo Horizonte registrou um crescimento de 56,18% nos acidentes envolvendo motociclistas, conforme informações do Painel de Acidentes de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em 2018, foram contabilizadas 13.158 ocorrências, número que subiu para 20.553 em 2024, o que representa, em média, dois acidentes por hora. O único recuo no período foi observado em 2020, ano marcado pelo início da pandemia. A partir de 2021, os índices voltaram a subir significativamente, coincidindo com o início da operação de um serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo na cidade. Em 2025, até o mês de agosto, já foram registrados 12.057 acidentes. Para o engenheiro de transportes Carlos Antunes, o aumento expressivo está diretamente ligado à intensificação do uso das motocicletas como meio de trabalho. “Com a popularização dos aplicativos de entrega e, mais recentemente, de transporte de passageiros, muitos jovens passaram a enxergar na motocicleta uma forma rápida e acessível de gerar renda. No entanto, o crescimento desse mercado não foi acompanhado por políticas públicas de capacitação, fiscalização e infraestrutura voltadas para essa categoria de condutores”. Segundo Antunes, o problema vai além do comportamento individual dos motociclistas. “Estamos falando de uma falha sistêmica. A cidade não está preparada para receber um fluxo tão intenso de motos. Falta sinalização adequada, faixas exclusivas, fiscalização de velocidade e educação no trânsito para todos os atores envolvidos, inclusive motoristas de carros e ônibus que dividem o espaço urbano com os motociclistas”. Para a ortopedista Mariana Lopes, que já atendeu vítimas de acidentes de moto, os ferimentos costumam ser graves. “Quedas em alta velocidade, colisões com carros e atropelamentos geram lesões severas, como fraturas expostas, traumatismos cranianos e amputações. Muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes ou, em casos mais extremos, não resistem”. Ela reforça que o uso inadequado de equipamentos de proteção ainda é um problema recorrente. “É comum vermos motociclistas com capacetes de baixa qualidade ou mal ajustados, sem luvas, jaquetas, botas ou outros itens que poderiam minimizar os impactos em caso de queda. A fiscalização precisa ser mais rigorosa, mas também é necessário investimento em campanhas educativas e em políticas que incentivem a segurança no trabalho desses profissionais”. O poder público deve buscar alternativas para conter os acidentes, destaca Antunes. “É necessário mapear os principais pontos de ocorrência de acidentes com motociclistas para implementar intervenções no trânsito, como melhorias na sinalização e na iluminação pública. Além disso, dialogar com os representantes das empresas de aplicativo para buscar soluções conjuntas, como cursos de direção defensiva e incentivos à manutenção dos veículos”. De acordo com o especialista, um dos maiores desafios é alcançar os motociclistas autônomos. “Muitos trabalham por conta própria e estão fora do radar das empresas ou dos sindicatos. Precisamos criar mecanismos que os incluam nas políticas públicas e ofereçam suporte técnico e educacional para que possam atuar com mais segurança”. Além das ações locais, Antunes defende uma política nacional voltada para os motociclistas, com regulamentação clara do transporte por aplicativo em duas rodas, linhas de financiamento para equipamentos de segurança e programas de educação no trânsito nas escolas e nos centros de formação de condutores. Essas medidas visam reduzir acidentes e valorizar a categoria. “Enquanto as soluções não chegam, o número de acidentes continua crescendo, deixando cicatrizes profundas não apenas nas vítimas e suas famílias, mas em toda a sociedade. O que antes era visto como um meio de locomoção ágil e econômico, agora se revela um dos maiores desafios para a segurança no trânsito de Belo Horizonte e de várias outras cidades brasileiras”, conclui.

Construção e imóveis devem alcançar R$ 417 bilhões até o final deste ano

Vivendo uma fase bastante positiva, os segmentos de construção civil e mercado imobiliário devem gerar, em conjunto, uma movimentação próxima de R$ 417 bilhões no Brasil até o fim deste ano, conforme estimativa da pesquisa IPC Maps. De acordo com o estudo, os lares brasileiros devem investir mais de R$ 287 bilhões em itens como materiais de construção e serviços de reforma. Já a compra de imóveis deve representar cerca de R$ 130 bilhões desse total. O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, sendo responsável por quase R$ 118,5 bilhões dos gastos no setor. Na sequência aparecem o Paraná, com R$ 48,2 bilhões, seguido por Minas Gerais, que alcança R$ 42,2 bilhões, e o Rio de Janeiro, ocupando a quarta colocação, com R$ 27,7 bilhões em despesas no segmento. Em contrapartida, o ritmo de abertura de empresas na área tem sido mais contido. Segundo dados da sondagem, entre 2024 e o momento atual, foram criadas 48.561 novas unidades, representando um crescimento de 2,2%. Com isso, o total de estabelecimentos no país chega a 2.244.855. Apesar desse avanço, chama a atenção o fechamento de empresas, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que apresentaram uma queda de 6,5% no comércio varejista e uma retração de 0,8% no setor da construção civil. “A redução dos juros torna o crédito mais acessível à população. Com parcelas menores e condições mais flexíveis, mais pessoas conseguem realizar o sonho da casa própria. Além disso, há uma forte movimentação no setor de reformas e construções particulares, puxada pelo crescimento da renda média em algumas regiões do país”, explica a economista Cláudia Neves. Outro motor importante desse crescimento é a retomada de programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que voltou a ganhar força com subsídios ampliados e parcerias com construtoras de médio e pequeno porte. De acordo com a economista, o impacto disso é duplo. “Por um lado, ajuda famílias de baixa renda a acessar moradias dignas, por outro, gera empregos diretos e indiretos, movimentando uma extensa cadeia produtiva. Quando uma obra começa, não é só a construtora que se beneficia. A economia local se aquece: são vendidas refeições, contratados pedreiros, eletricistas, encanadores, há aumento de consumo de materiais como cimento, aço, tintas, pisos, madeira, entre outros”, ressalta. Um fenômeno observado é a descentralização do crescimento. Enquanto os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte continuam a atrair investimentos, as cidades médias do interior têm apresentado boas taxas de crescimento nos setores de construção e mercado imobiliário. “O custo de vida mais baixo, os incentivos fiscais locais e a qualidade de vida estão atraindo não só moradores, mas também incorporadoras e investidores. Municípios como Franca (SP), Maringá (PR), Campina Grande (PB) e Joinville (SC) estão vendo um boom de empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais”, destaca o especialista em mercado imobiliário, Rafael Macedo. Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que manter essa curva ascendente exigirá planejamento de longo prazo, estabilidade econômica e estímulo à inovação. A burocracia, o excesso de tributos e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são desafios estruturais que impedem o crescimento mais acelerado. Para Cláudia, é fundamental que governos e iniciativa privada caminhem juntos para promover ambientes regulatórios mais previsíveis e seguros. “O investidor precisa de confiança para aplicar seus recursos. Incentivar parcerias público- -privadas, desburocratizar licenças e ampliar o acesso a linhas de financiamento são caminhos essenciais”. A sustentabilidade nas construções é outro ponto importante citado. “Incorporadoras têm investido cada vez mais em projetos sustentáveis, com uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e materiais de baixo impacto ambiental. Há um público crescente interessado em imóveis com certificações verdes. É uma tendência que agrega valor ao imóvel e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Macedo.

10% dos idosos no Brasil já sofreram algum tipo de violência

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e revelou a gravidade da violência contra idosos no Brasil. Cerca de 10% deles relatam ter sofrido algum tipo de agressão. Entre os tipos, a psicológica foi a mais recorrente (9,63%), seguida pela física (1,56%). Os fatores mais associados à violência foram: idade entre 60 e 69 anos, viver em áreas urbanas, sintomas depressivos e presença de múltiplas doenças. A ausência de parceiro íntimo se mostrou um fator de risco para a violência entre idosas, diferindo do perfil de mulheres mais jovens. A taxa de violência entre mulheres em áreas urbanas chegou a 11,55%, frente a 7,63% nas zonas rurais. Entre os homens, essa diferença foi menor: 9,07% nas cidades e 7% no campo, indicando maior vulnerabilidade feminina em contextos urbanos. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a responsável pelo estudo, a pesquisadora Fabiana Martins Dias de Andrade. Você acredita que a sociedade reconhece plenamente o que é violência contra esse grupo? A sociedade ainda não reconhece plenamente o que é violência contra as pessoas idosas. Embora existam legislações, ações e ampliação do debate público sobre a temática, muitos tipos de violência ainda são invisibilizados, seja por falta de conhecimento ou até mesmo por naturalização desse evento na sociedade. Quais são os principais impactos físicos e psicológicos na vida de uma pessoa idosa que sofre agressão? A violência contra a pessoa idosa pode causar inúmeras consequências físicas e psicológicas, o que pode agravar as condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Podemos destacar as lesões corporais como hematomas, fraturas, queimaduras, cortes e escoriações. Também existe o comprometimento da mobilidade (quedas provocadas por agressões ou negligência podem levar à perda de independência), além de desnutrição, desidratação e complicações médicas devido à falta de cuidados. Em relação aos efeitos psicológicos, depressão, ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, insônia, declínio cognitivo e até mesmo ideação suicida. Como sintomas depressivos e multimorbidades contribuem para a exposição à violência? Os sintomas depressivos e as multimorbidades (presença de duas ou mais doenças crônicas em uma mesma pessoa) contribuem para o aumento significativo da vulnerabilidade da pessoa idosa à violência. A depressão causa sentimentos de isolamento e apatia, reduzindo a capacidade do idoso de reagir ou denunciar a agressão. Já as multimorbidades aumentam a dependência física e emocional de cuidadores, tornando o idoso mais vulnerável a negligências e as demais formas de violência. A subnotificação é um problema comum nesse tipo de crime? Sim, o tema da violência é estigmatizado. Os idosos têm vergonha e medo de denunciar por depender da pessoa (geralmente, o agressor é um familiar ou cuidador). Já nos serviços de saúde, os profissionais ficam com receio devido ao medo de represálias. Quais medidas concretas poderiam ser tomadas a partir dos resultados desse estudo? Diversas medidas podem ser adotadas para enfrentar a violência contra idosos, como o desenvolvimento de políticas públicas que reduzam desigualdades sociais e de gênero, além da ampliação e qualificação dos serviços de assistência social. É essencial criar centros de acolhimento temporário para vítimas em risco, implementar programas de visitas domiciliares regulares a idosos vulneráveis e promover campanhas de conscientização sobre etarismo e relações intergeracionais.

BH recebe Etapa Primavera do Circuito das Estações

No dia 7 de setembro, Belo Horizonte será palco de mais uma edição do Circuito das Estações – Etapa Primavera, considerado o maior circuito de corridas de rua do planeta. A largada está marcada para às 7h, na Nova Praça da Pampulha, com três opções de trajeto: 5 km, 10 km e 18 km. Os três primeiros colocados de cada categoria, tanto no masculino quanto no feminino, serão homenageados com troféus. Além disso, todos os participantes terão a chance de avançar mais um degrau na conquista da Mandala 2025, ao completarem a terceira peça do desafio, um emblema que representa persistência, comprometimento e paixão pela corrida. Há 18 anos, o Circuito das Estações se consolidou como um dos principais nomes da corrida de rua no Brasil. Com etapas distribuídas por 21 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Curitiba e Manaus, o evento se destaca não apenas pelo seu alcance, mas também por ser considerado o maior circuito de corridas do mundo. Além da competição esportiva, também funciona como uma plataforma estratégica de conexão entre marcas e um público engajado, influente e apaixonado por esportes. Dividido em quatro etapas temáticas (Verão, Outono, Inverno e Primavera), o evento simboliza um ciclo contínuo de superação e evolução pessoal, oferecendo aos corredores uma experiência imersiva ao longo do ano. Mais do que reunir milhares de atletas amadores e profissionais, o Circuito das Estações tem como missão fomentar a prática da corrida e incentivar hábitos saudáveis de vida. A Etapa Primavera do Circuito das Estações oferecerá uma estrutura completa para garantir conforto e segurança aos participantes, incluindo pontos estratégicos de hidratação, atendimento médico, entrega de kits exclusivos aos inscritos e uma arena interativa com diversas atrações. Mais do que uma corrida, o evento proporciona um ambiente perfeito para quem deseja desafiar seus próprios limites, traçar novos objetivos e se envolver na atmosfera vibrante de um dos eventos mais tradicionais do esporte no Brasil, que há quase 20 anos inspira corredores em todo o país. Segundo Matheus Falconi, head de comunicação da Norte Marketing Esportivo, a expectativa é de um evento cheio, com cerca de 8 mil participantes. “Seguindo o que foi as outras etapas, e as tendências de corridas de rua no Brasil, onde as pessoas estão se interessando cada vez mais em participar. A mensagem é de que é uma grande experiência fazer parte do evento, sendo iniciante, intermediário ou avançado, o importante é competir e se superar”. Linha de chegada Para muitos participantes, a corrida representa muito mais do que cruzar a linha de chegada. É o caso da administradora Luciana Campos, 42 anos, que pretende completar seu primeiro percurso de 10 km. “Comecei a correr no início do ano por recomendação médica. Tinha hipertensão, vivia estressada, com sobrepeso. Hoje, nove meses depois, eliminei 12 quilos, controlei minha pressão e, o mais importante, redescobri o prazer de cuidar de mim mesma. Terminar essa prova vai ser um desafio e uma grande conquista para mim”. “Belo Horizonte vem se consolidando cada vez mais como uma cidade amiga dos corredores. Além do Circuito das Estações, a capital recebe diversas outras provas ao longo do ano, como a Volta Internacional da Pampulha e a Meia Maratona Internacional de BH. A geografia diversa, os espaços abertos e o envolvimento da comunidade fazem da cidade um cenário ideal para eventos desse porte”, destaca Luciana. As inscrições já estão abertas, mas as vagas são limitadas, por isso, é bom se antecipar para garantir a sua participação. Para se inscrever e conferir todos os detalhes, basta acessar o site www. circuitodasestacoes.com.br. Os kits estão disponíveis a partir de R$ 179,99 e prometem completar a experiência com exclusividade e qualidade. A retirada acontecerá entre os dias 4 e 6 de setembro, a partir das 10h, na loja Decathlon BH Sul (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1700). Para a retirada, é necessário apresentar o comprovante de inscrição e um documento oficial com foto do participante inscrito.

Virada Cultural se consolida como um dos maiores eventos urbanos do Brasil

A 10ª edição da Virada Cultural de Belo Horizonte, realizada nos dias 23 e 24 de agosto, marcou um momento significativo na trajetória do festival, reforçando sua posição como um dos principais eventos urbanos do Brasil. Com o slogan “Vem Virar BH”, a iniciativa propôs um convite à interação e ao envolvimento com a cidade. A resposta do público foi expressiva: mais de 450 mil pessoas participaram de mais de 24 horas de programação gratuita e ininterrupta. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 43% no número de participantes e de 70% nas atrações oferecidas. Ao todo, 391 atrações artísticas foram realizadas em 26 locais distintos da cidade. Mais de 1.500 artistas da cena local deram vida a uma programação diversa, reunindo expressões variadas como shows, performances, intervenções, celebrações populares e manifestações culturais que tomaram conta da região com muita energia. As ações foram viabilizadas por meio da colaboração de 50 entidades e instituições ligadas à arte e à cultura, incluindo Funarte, Mira, Sesc Tupinambás, Mirante Acaiaca, Feira da Afonso Pena e o cura.art (responsável por intervenções a céu aberto na Praça Raul Soares). Com um investimento direto estimado em aproximadamente R$ 5 milhões, o evento movimentou amplamente a economia da cidade, fortalecendo o setor cultural e suas cadeias produtivas. A expectativa é de que tenham sido gerados mais de 100 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos. Para viabilizar a realização, mais de 100 prestadores de serviços foram contratados, abrangendo áreas como som, iluminação, logística, comunicação, entre outras, o que evidencia a expressiva movimentação econômica proporcionada pela iniciativa. O produtor cultural Rafael Lacerda destacou que “a Virada Cultural se configura como uma ferramenta essencial de políticas públicas, porque leva cultura de maneira ampla, plural e gratuita para a cidade. Não se trata apenas de shows musicais, mas de ocupação criativa e democrática do espaço público, fomentando identidade, pertencimento e participação”. Já a professora de artes visuais Cecília Santana complementou que a democratização da cultura não acontece apenas pela derrubada de barreiras de acesso. “A gratuidade é um passo, mas a verdadeira democratização advém da criação de programação diversa, que atenda etnias, gerações, linguagens artísticas, tradições locais e diálogos entre o urbano e o periférico. Essa Virada Cultural foi exemplar nesse quesito”. A importância do investimento público vai além de levar cultura à população: propicia também desenvolvimento econômico, formação de novos artistas, fomento a empresas criativas e valorização das tradições locais. Cecília ressalta que o evento dinamiza a economia criativa da cidade. “Ao financiar artistas locais, técnicos, artesãos, funcionários de infraestrutura e fornecedores de serviços, o poder público atua como vetor de geração de renda”. Lacerda explica que os desafios persistem. “A circulação noturna, segurança, acessibilidade, limpeza e sinalização são alguns pontos de alerta. Ainda assim, boa parte das críticas vem acompanhada de sugestões construtivas, o que demonstra o engajamento e interesse da população”. De acordo com o profissional, essa edição da Virada Cultural 2025 escancarou, com arte, debate e ocupação, que cultura é combustível da democracia. “Quando o poder público abraça e executa uma programação cultural massiva, gratuita, descentralizada e plural como a Virada, está plantando as sementes de uma sociedade mais criativa, inclusiva e solidária”, conclui.

Salário de 54% dos trabalhadores não dura até o fim do mês

U ma pesquisa conduzida pela SalaryFits, empresa vinculada à Serasa Experian, revelou que neste ano, 54% dos profissionais com carteira assinada ou atuando como Pessoa Jurídica (PJ) não conseguem manter o salário até o fim do mês em sua conta bancária, evidenciando dificuldades na saúde financeira e no bem-estar dos trabalhadores brasileiros. O índice registrado em 2025 é o mais baixo desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2018. No ano anterior, 62% dos trabalhadores afirmavam que o salário não durava até o fim do mês, o que representa uma redução de oito pontos percentuais neste ano. Mesmo com essa melhora, a proporção de brasileiros que não consegue cobrir todas as despesas mensais com a renda ainda continua alta. O levantamento entrevistou 1.029 profissionais atuantes em empresas públicas e privadas, tanto sob o regime CLT quanto PJ, e revelou dados alarmantes. Segundo os resultados, 75% dos participantes não teriam condições financeiras de lidar com um gasto inesperado de R$ 10 mil. Além disso, 66% relataram ter enfrentado dificuldades econômicas nos últimos cinco anos, e 33% chegaram a ter o nome negativado no último ano, sendo que, entre esses, 17% ainda enfrentam pendências financeiras. De acordo com a pesquisa, a maior parte da renda dos brasileiros com o orçamento comprometido é direcionada a necessidades básicas, como alimentação (77%) e contas essenciais, como água e energia elétrica (71%). Em seguida, aparecem compromissos considerados menos urgentes, como financiamentos de imóveis e automóveis (52%), empréstimos pessoais (36%), compras de roupas e itens domésticos (33%) e despesas com educação (20%). A consultora financeira Júlia Almeida, especialista em finanças pessoais, analisa que o dado é reflexo de uma crise que vai muito além da má gestão individual. “Estamos vivendo um momento em que o salário simplesmente perdeu poder de compra. A inflação acumulada nos alimentos, no aluguel, no combustível e até nas contas básicas, como energia e água, está muito acima dos reajustes salariais dos últimos anos”. Ela afirma que muitas famílias estão entrando em um ciclo de dívidas rotativas no cartão de crédito, uso excessivo do cheque especial e empréstimos com juros altos para cobrir despesas básicas. “O trabalhador precisa se endividar para pagar o supermercado. Isso é sintomático, o problema não é só falta de educação financeira, é falta de renda suficiente para sustentar o básico”. Os profissionais que atuam como PJ, cada vez mais comuns em áreas como tecnologia, comunicação e prestação de serviços, também enfrentam dificuldades. O modelo promete flexibilidade e ganhos maiores, mas na prática, muitos desses trabalhadores não têm qualquer proteção trabalhista, como décimo terceiro salário, férias remuneradas ou fundo de garantia. Para o economista Renato Duarte, há uma romantização em torno da “liberdade” de ser PJ. “A verdade é que a pejotização é uma forma de burlar os direitos trabalhistas. O profissional se vê obrigado a aceitar condições instáveis, sem garantias, com pagamentos que muitas vezes atrasam. Isso torna o planejamento financeiro quase impossível”. “O descompasso entre renda e despesas não afeta apenas o bolso, também traz consequências para a saúde mental. Ansiedade, estresse crônico e insônia são cada vez mais comuns entre trabalhadores endividados. As pessoas se culpam por não conseguirem administrar o próprio dinheiro, mas estão fazendo milagres para sobreviver”, destaca. Júlia sugere algumas orientações para quem deseja começar a organizar melhor o orçamento. “O primeiro passo é manter um controle detalhado dos gastos, anotando todas as entradas e saídas da conta, a fim de entender para onde o dinheiro está indo. Em seguida, é importante priorizar o essencial, categorizando os gastos como indispensáveis, importantes ou supérfluos, e concentrando-se no que realmente é necessário até que as finanças estejam equilibradas”. “Criar uma reserva financeira, ainda que modesta, guardando pelo menos 5% da renda, mesmo que seja em um cofre físico, para não depender de crédito em situações emergenciais. Por fim, ficar alerta com os riscos de parcelamentos longos que podem comprometer o orçamento futuro, optando por pagamentos à vista sempre que possível, aproveitando para negociar descontos”, conclui.