A onda escocesa passou por Belo Horizonte. No jogo do Brasil contra a Escócia, fui comprar cerveja e não encontrei em dois bares que parei: “Os escoceses passaram por aqui?”, perguntei ao dono. Veio a resposta: “Não (risos), mas graças a Deus acabou tudo”, já recolhendo as mesas para se ligar na partida.
O Brasil passeou em campo goleando os escoceses. Antes sofremos contra o Marrocos e passamos sem dificuldades pelo Haiti.
Na fase 16 avos, o Brasil dominava as ações contra o Japão quando tomou um gol e sentiu. Na segunda etapa, a Seleção voltou a controlar o jogo. Empatou e virou aos cinquenta minutos. Ufa, foi um alívio. Esse jogo “valeu o ingresso” e a Copa para os brasileiros que estavam no estádio (a entrada mais barata custava R$ 14 mil) e os daqui. Eu perdi a linha e gritei na varanda do apartamento: “tchau, Japão, volta para casa”.
Nas oitavas de final, tomamos um vareio da Noruega e nos despedimos frustrados. Para falar a verdade, nem triste fiquei porque acho que todos sabiam que nossa Seleção era limitada.
Para o Brasil, começa um novo ciclo de quatro anos, com recomeço e renovação. Já que o “mister” é um dos melhores técnicos do mundo, chegou a hora de mostrar seu valor. Com R$ 6 milhões de salário mensal, o maior entre treinadores de todas as seleções, não há desculpa nem tolerância para fracassos.
O que ninguém esperava
Trump não sabia o que era cartão vermelho e pediu à Fifa que a expulsão de um jogador americano fosse revista. A Fifa atendeu e o atleta punido pode atuar na partida seguinte.
O juiz anulou um gol do Egito contra a Argentina, no que seria uma das jogadas mais geniais da Copa. O índice de pênaltis convertidos foi o pior em 60 anos. Somente 65% das cobranças balançaram as redes. Mérito para os goleiros que agora estudam os batedores. A Copa de 2026 é a maior em viradas. Até as semifinais foram 15. Uma delas, a do Brasil para cima do Japão.
Enquanto só Danilo, do Flamengo, voltou para o Brasil no voo da CBF, os jogadores noruegueses foram recebidos pelo Rei Haroldo V, que tocou os tambores na “remada viking”, acompanhada por milhares de torcedores em festa.
As bets invadiram as telas
Nunca os aplicativos e sites de apostas tiveram tanto destaque no planeta. Estima-se que movimentem 50 bilhões de dólares durante a Copa do Mundo. Impressionante.
Uma pesquisa do Procon de São Paulo revelou que 4 em cada 10 apostadores se endividam com as apostas. Alguns chegam a gastar até R$ 1 mil por mês, retirando o dinheiro que iria para alimentação e despesas de casa. Ainda segundo a pesquisa, 56,6% das pessoas se sentem influenciadas pelos artistas e jogadores que aparecem nos anúncios incentivando as apostas.
A Globo, SBT e CazéTV dominaram as transmissões das partidas apresentando publicidade de bets, mas a CazéTV inovou. O narrador, uma figura importante e com influência entre as crianças, jovens e adultos, já que transmite credibilidade, ensinou como e onde apostar durante a narração. Um absurdo completo.
Depois desse comportamento irresponsável e perigoso, que teve repercussão na classe política e sociedade civil, a CazéTV, um fenômeno da comunicação que não precisa de um canal nem de uma concessão, já que utiliza do YouTube em suas transmissões, voltou atrás e o narrador parou de incentivar as apostas.
Cabe à autoridade acompanhar a atuação das bets e colocar limites para que não haja abuso. De quem fatura milhões e milhões com apostas, o que se espera é bom senso e que cumpra a regra, sem tomar cartão vermelho.