Momentos decisivos

O processo eleitoral está sendo acelerado e as indefinições permanecem. Nunca é demais lembrar que os votos definirão caminhos que afetam a vida de cada um. Lamentar depois não vale. Mas como escolher as melhores alternativas em um mundo cada vez mais conturbado? Na Grécia antiga, berço da democracia, as decisões eram tomadas pelos senadores escolhidos pela população. Ocorre que a população era pequena e hoje no Brasil são 158.745.463 eleitores, um enorme desafio.

Para ouvir essa população tão diversa, as eleições passaram por mudanças constantes até chegarmos às urnas eletrônicas, usadas há 30 anos. Infelizmente, incrédulos e pouco informados insistem em tentar desqualificar um avanço tecnológico que surgiu dos esforços de mentes de visão como a do ministro Carlos Mário Velloso, que em 1994 tomou a decisão de acabar com os vícios e fraudes que caracterizavam a votação manual.

A revista Veja em uma matéria recente, que mereceu sua capa, trouxe um raio X, uma descrição séria de todo o processo esclarecendo dúvidas. Evidentemente, os aprimoramentos continuaram sendo feitos desde a versão inicial, que tive o privilégio de acompanhar e apoiar como profissional da tecnologia da informação e como governante e legislador. O Registro Digital do Voto (RDV) foi proposto por mim como senador, em 2003, e transformado em Lei. Este registro individualizado por urna permite a gravação criptografada de cada voto, garantindo a auditagem e preservando o sigilo.

Aliás, este é o ponto nevrálgico pouco entendido do sistema eleitoral: o “sigilo do voto”. É uma definição constitucional e, portanto, não se pode imprimir o voto.

Temos um sistema eleitoral confuso. O financiamento público de campanha com o Fundo Eleitoral, apesar das boas intenções, acabou por entregar a gestão aos presidentes de partidos que se transformaram em “donos de partidos”. Os deputados federais e estaduais são eleitos pelo sistema proporcional, ocasionando distorções e disputas internas. As emendas parlamentares, antes de pequeno valor, hoje exercem uma influência negativa sobre a renovação parlamentar.

Com as novas tecnologias de comunicação, a influência dos programas eleitorais gratuitos pelo rádio e TV diminuiu, mas ainda é importante. Por outro lado, as fake news, as calúnias e agressões crescem à medida em que o anonimato e a inteligência artificial chegam a agredir o senso comum.

Os partidos em número exagerado não fazem a seleção necessária de candidatos. Vivemos, portanto, momentos decisivos para a economia brasileira. Quem propõe, discute e aprova leis estará sendo escolhido pelos eleitores e estes eleitores precisam procurar se informar para participar com responsabilidade. Candidatos populistas com críticas fáceis e sem propostas exequíveis só servem para iludir a população.

Governar não é fácil, exige preparo, relacionamento, temperança e caráter. Legislar exige formação, capacidade de trabalho em equipe e conhecimento. Cuidado eleitor, uma escolha malfeita redunda em mais dificuldades econômicas, queda da qualidade de ensino e da saúde, insegurança e obras inacabadas. Resulta também em desperdício de dinheiro, inclusive sob a forma de corrupção.

O político correto existe em partidos tanto de esquerda, direita ou também de centro. Não caia na armadilha daqueles que se dizem apolíticos, pois a política está em todas as atividades e é uma ciência fundamental para o enfrentamento de desigualdades.

Chega de ódio, extremismo e ilusão. Do seu voto pode resultar prejuízo para você, seus filhos e netos.

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