50 anos sem JK: o mistério continua…

22 de agosto de 1976. Rua dos Guajajaras. Saio à noite e entro em um botequim para saborear uma cerveja. Ao entrar, deparo com um ambiente triste, música lamuriosa, senhoras chorando e homens cabisbaixos. Na parede a inesquecível lembrança da flâmula JK 65, que não chegou a acontecer, pois foi cassado e exilado em Paris. A imprensa tinha noticiado a morte do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, o nosso JK, no km 165 da Presidente Dutra, em Resende, RJ, no acidente fatal dentro de seu automóvel Opala 1970, preto, com o seu amigo e motorista, Geraldo Ribeiro. A noite se perdeu em choros e tristeza, e o baixo astral tomou conta da maioria dos lugares. Foi morto aquele que foi o maior e o mais amado presidente do Brasil, e depois de Pedro II, o maior estadista que esta terra Tupynambá e tantos “outros carijós, guaranis e tamoios puderam presenciar” no Catete, no Rio, ou no Planalto, em Brasília. Ele, JK, o construtor da Novacap, inaugurada em 21 de abril de 1960. Com 66 anos, tornou-se símbolo da arquitetura mundial do século 20 e Patrimônio tombado pela Unesco. A cidade de Brasília é o Plano Piloto, e o entorno, cujas cidades eram denominadas de cidades-satélites, engloba as Regiões Administrativas. Somadas, três milhões de habitantes, a 3ª nacional.

Muitas especulações sobre o acidente e a morte de JK. Em 7 de agosto de 1976 saiu notícia da morte do presidente no percurso de sua fazenda em Luziânia, GO, a Brasília. Notícia falsa. Iria fazer o trajeto de carro, mas havia desistido. Telefone em fazenda era raro. Ao saber dos burburinhos, comentou com o seu secretário particular e grande amigo Serafim Jardim: “Estão querendo me matar, mas ainda não conseguiram”. Jardim, outro grande diamantinense.

Muitas obras foram escritas para mostrar ao Brasil e ao mundo quem foi esse — de caráter e personalidade exemplares — que governou o Brasil de 1956 a 1961 e trouxe para cá desenvolvimento. JK não foi um progressista, e sim um legendário desenvolvimentista: O essencial de JK — Visão e grandeza, paixão e tristeza, e Brasília Kubitschek de Oliveira, de Ronaldo Costa Couto; JK e a ditadura, de Carlos Heitor Cony; O Código 12, de Alex Solnik; O assassinato de JK pela ditadura: documentos oficiais, de Marco Aurélio Braga (org.); JK, de Diamantina ao Memorial, de Affonso Heliodoro (Cel. PM, seu amigo, um dos assessores mais próximos e braço direito; fez uma bela apresentação do meu livro Lyra aterradense, 2014); O templo de JK, de João Carlos Amador; JK, a saga de um herói brasileiro, de Francisco Viana; Momentos decisivos: JK contra o golpismo no Brasil, de Carlos Murilo Felício dos Santos; JK — Triunfo no exílio e JK — Um comício em Goiás, de Jacinto Guerra; Juscelino Kubitschek: Sua Excelência, de Marco Aurélio Baggio…

50 anos. E ficam dúvidas. Segundo o presidente da Comissão Municipal da Verdade de SP, Gilberto Natalini, foram “mais de 90 indícios de que JK foi vítima de complô e atentado político”. O complô era a Operação Condor, elo entre as ditaduras do Brasil, Argentina, Chile e Paraguai.

Para comemorar as efemérides vários eventos são orquestrados. Em Belo Horizonte houve homenagem no dia 6 na Assembleia Legislativa, e no dia 13 na Câmara Municipal, com a participação do Instituto Histórico e Geográfico de MG. O IHGMG prepara número especial de sua Revista e de 19 a 23 fará vários eventos. No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), com organização de Antônio Marcos Nohmi (IHGMG), Lúcia Maria Guimarães e Paulo Knauss (IHGB), haverá colóquio no dia 26, com participação dos IHGs do DF, Fluminense, Goiás e Minas; do Museu Casa de Kubistchek, da PUC Minas, entre outros. Será lançado o livro Juscelino Kubitschek: o médico e o presidente, de José Carlos Serufo (IHGMG).

As eleições estão aí. O Brasil urge novos JKs!

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