Praticar esporte. É preciso!

No próximo ano, que não está tão longe assim, vamos ter um novo governo no comando de Minas, assim como uma nova formação de parlamentares na Assembleia Legislativa. Seja quem for o vencedor ou vencedores, precisamos desde já cobrar dos candidatos total apoio para o esporte mineiro. Em especial para o esporte amador voltado para crianças, jovens e idosos.

Sabemos que temos uma Lei Estadual de Incentivo ao Esporte, lei antiga, que permite às empresas deduzirem parte do ICMS devido e financiarem iniciativas esportivas ou paradesportivas.

É um serviço interessante. Busca proporcionar a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população, a integração e a inclusão social, a formação de valores, o aperfeiçoamento de atletas e o fomento a pesquisas.

No papel e na teoria é algo espetacular. Na prática, nem tanto. O recurso que pode ser captado é pequeno, varia de 0,05% até 1,5% com limite de R$ 400 mil por contribuinte. Em um estado com 853 municípios e população de quase 22 milhões de pessoas, isso pouco ou nada representa.

A pouca divulgação da lei e os limites burocráticos para participar ou ser beneficiado, exclui diversas empresas e organizações do processo. É uma lei que parece mais para cumprir obrigação do que realmente para incrementar uma grande política em favor do esporte. Fora da tal lei, normalmente o estado não coloca mais nenhum centavo. Nem mesmo para construir ou reformar praças esportivas. O orçamento para este serviço é uma mixaria. Uma esmola. E leva tempo para sair.

Nas escolas públicas é raridade encontrar excelente infraestrutura. Alunos têm dificuldades em praticar alguma modalidade de atividade física. Quando muito existe uma quadra meia-boca, caindo aos pedaços. Isso sem falar que o material fornecido (uniformes, bolas, redes) é sempre da pior qualidade.

Faltam também educadores contratados. Um profissional dedicado à criação e orientação de programas para incentivar a população a participar das mais variadas modalidades, tanto dentro das escolas como nos espaços públicos. Seria uma maravilha ver todo mundo praticando algum esporte, alguma atividade física. De graça e bem orientados.

Mas isso é só um sonho, por enquanto. Em geral, quem governa pensa que incentivar a prática esportiva não é um bom negócio. É dinheiro jogado fora, não rende voto e outras coisas mais. É uma pena. Esquecem que por intermédio do esporte é possível oferecer melhor qualidade de vida, diminuindo custos em outras áreas.

Praticar atividade física, seja qual for a modalidade, traz imensas vantagens para o corpo e para a alma. Diminui o estresse, previne doenças, afasta a marginalidade e as drogas, melhora a educação, socialização e faz a vida ficar mais alegre e feliz.

O Vigitel, sistema do Ministério da Saúde que realiza pesquisa anual para monitorar hábitos saudáveis, realiza pesquisa via telefone e indica que 54% da população pratica alguma forma de atividade física. Isso só nas capitais. Nas cidades do interior não existe pesquisa. Ninguém sabe o que acontece. É preocupante.

Penso que o objetivo principal para que o Governo de Minas invista no esporte não é para formar atletas olímpicos ou craques para o futebol. Para tanto, já existem organismos especializados e grandes patrocinadores que se utilizam das leis de incentivo em todos os níveis.

O que falta em Minas (sempre faltou) é um programa sério e amplo, com bons recursos custeando infraestrutura e equipamentos em seus municípios, oferecendo de forma gratuita a oportunidade da população praticar algum esporte de forma permanente. Seria um sonho. Já conversei sobre essa ideia com alguns ex-governadores. Nem resposta recebi.

Torcer agora para que o futuro governante de Minas, assim como os legisladores da nova temporada, olhe com carinho para a importância da prática esportiva. Esporte é vida saudável. Investimento com retorno garantido em várias áreas, em especial na saúde, inclusive mental.

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